Letícia Vilhena Ferreira é acusada de entrar no prédio sem autorização e se envolver em ato para impedir as funções do governo

Na investigação, o FBI teve acesso ao celular da Letícia e verificou uma mensagem que dizia: “”Você acha que eles vão atrás de todas as pessoas que foram à área do Capitólio?”. A pessoa teria respondido: “Não fique triste. Esteja preparada. Estamos todos fudidos”.

A brasileira Leticia Vilhena Ferreira foi presa na última quarta-feira (16) em Illinois, nos Estados Unidos, por ter participado da invasão do Capitólio, sede do Congresso do país, em 6 de janeiro de 2021.

De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, duas queixas foram apresentadas contra a brasileira: entrar ou permanecer conscientemente em qualquer edifício restrito sem motivos ou autoridade legal; e entrada violenta e conduta desordeira no terreno do Capitólio.

O relatório da investigação mostra que uma testemunha, que teria conhecido Ferreira durante o protesto, entregou um vídeo ao FBI que teria sido compartilhado a ela pela brasileira, repassando também às autoridades seu número de telefone.
Assim, os investigadores descobriram os dados de Leticia e seu paradeiro. Em 2 de abril de 2021, agentes do FBI interrogaram Ferreira em sua casa, em Indian Head Park, Illinois. Na ocasião, ela informou às autoridades que viajou sozinha para Washington no dia 5 de janeiro do mesmo ano, tendo voltado para casa dois dias depois.

A brasileira também disse que tinha visto para trabalho, não estando apta, portanto, a votar. Mesmo assim, quis viajar para a capital dos EUA para ver o então presidente, Donald Trump, discursar.

Ainda de acordo com a investigação, ela afirmou não ter conseguido ouvir ou ver Trump de onde estava, seguindo, então, a multidão até o Capitólio e entrando no edifício, tendo permanecido lá por cerca de 20 minutos.

Nesse período, a brasileira tirou fotos e fez vídeos, o que serviu como confirmação adicional para as autoridades de que ela esteve presente na invasão.

Os investigadores conseguiram, então, localizar Ferreira em vídeos feitos pelas câmeras de segurança do Capitólio, com roupas que correspondiam à descrição que ela forneceu durante o interrogatório.

O relatório afirma ainda que ela foi identificada em vídeos feitos por outros invasores. Em um deles, há um momento de confronto com a polícia do Capitólio, mas “Ferreira não parece ter participado de nenhum ataque aos oficiais”.
Em 26 de agosto de 2021, foi autorizada busca no telefone da brasileira. Além de verificar onde ela esteve no dia da invasão, os investigadores conseguiram resgistros de uma conversa com outra pessoa, em que Ferreira afirmava ter estado no Capitólio em 6 de janeiro.

Mensagens interceptadas pelo FBI, Leticia mostra arrependimento de ter acompanhado o grupo invasor.

“Você acha que eles vão atrás de todas as pessoas que andaram na área do Capitólio?”, pergunta um dia depois do episódio a uma outra pessoa, que não foi identificada.

“Não fique triste. Esteja preparada. Estamos todos fudidos. Sim eles irão atrás dessas pessoas”, responde o destinatário da mensagem. “Eu fui tão irresponsável de andar até lá. Eu estava com essa família legal. Este cavalheiro e dois filhos. Caminhada pacífica”, completa Leticia nas mensagens.

As queixas contra Leticia Ferreira foram apresentadas em 14 de fevereiro de 2022. Dois dias depois, em 16 de fevereiro, ela foi presa em Indian Park Head, Illinois.

O sonho americano e a vida confortável da brasileira em Ilinois foram substituídos pela prisão realizada pelo FBI na última quarta-feira (16).

Desde a invasão ao Capitólio, ação que deixou cinco mortos, as investigações do FBI prenderam mais de 750 pessoas em quase todos os 50 estados dos EUA. Cerca de 225 pessoas foram acusadas de atos violentos durante a invasão, incluindo agressões aos agentes do local.

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