Apoiadores, estudantes, e ex-estudantes compartilharam mensagens de solidariedade ao Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, campus Araçuaí – Foto: IFNMG/Divulgação

Polêmica começou após aluna divulgar vídeo na porta do instituto por ser impedida de entrar sem comprovar vacinação

A hashtag #apoioaoifnmg foi um dos assuntos mais comentados pelos usuários do Twitter em Minas Gerais na manhã desta sexta-feira (18). Estudantes, ex-estudantes e apoiadores compartilharam mensagens de solidariedade ao Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, campus Araçuaí, após uma série de ataques de personalidades e grupos anti-vacinas.

A questão começou quando, em 15 de fevereiro, uma aluna do instituto compartilhou nas redes um vídeo denunciando estar sendo impedida de entrar para a aula. Chorando, a adolescente afirmou que não tinha acesso ao banheiro e ao bebedouro do lado de fora da escola.

Em vídeo publicado pela deputada bolsonarista Carla Zambelli, a aluna é buscada pela mãe após o ocorrido, que também denuncia a situação. O fato foi extensamente compartilhado por perfis ligados à extrema direita e usado como exemplo de falta de liberdade à não vacinação.

Passaporte vacinal é legal

O IFNMG se pronunciou relatando que a proibição da entrada de não vacinados foi debatida e aprovada pelo Conselho Superior do Instituto. A resolução nº 217 determina que, a partir de 15 de fevereiro, só pode ingressar no IFNMG quem apresentar comprovante da vacinação contra covid-19 ou teste negativo realizado nas últimas 72 horas. Aceita-se também atestado médico justificando a contraindicação à vacina.

No site do IFNMG uma notícia de 7 de fevereiro anunciava a nova norma. No Instagram do campus, o aviso foi postado em 12 de fevereiro.

O instituto destacou, ainda, que a resolução não é inconstitucional, como muito foi apontado. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal entendeu que as instituições de ensino têm autoridade para exercer sua autonomia e podem exigir a comprovação de vacina, com apoio na Lei 13.979 de 2020.

Para o IFNMG, os direitos à vida e à saúde, contemplados nos artigos 5º e 6º da Constituição, devem prevalecer em relação à liberdade de consciência e de convicção filosófica individual. Dessa forma, o instituto justifica que, ao exigir a comprovação vacinal, está cumprindo seu dever de zelar pela saúde de servidores, estudantes, colaboradores e visitantes.

Apoio ao IFNMG

Estudantes do instituto rebatem os ataques negacionistas e usaram a sexta-feira para enviar mensagens de apoio à instituição. “Somos a favor da vida e da ciência. Portanto, apoiamos a comprovação de vacinação no IFNMG”, diz uma aluna em vídeo compartilhado no Twitter.

O deputado federal Patrus Ananias (PT) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) também se pronunciaram, além de ex-alunos e alunos da instituição.

Brasil de Fato

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