Em evento com diplomatas, senador busca pretextos golpistas ao associar sistema de votação à fraude; TSE reitera que alegação é falsa

Em evento com diplomatas nesta terça-feira (21), em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a atacar a lisura do sistema eleitoral brasileiro ao associar, sem provas, as urnas eletrônicas do país à empresa Smartmatic, de origem venezuelana.
A declaração foi feita durante o fórum “Debatendo o Brasil”, promovido pelas plataformas The Brazilian Report e Novo Selo Comunicação. Diante de representantes de cerca de 40 países, o parlamentar cobrou o envio da “maior quantidade de observadores possível” para acompanhar o pleito de outubro, reeditando a estratégia discursiva do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A fala do senador resgatou uma narrativa desqualificada em sucessivas ocasiões pela Justiça Eleitoral. Segundo relato veiculado pelo jornal O Globo, Flávio afirmou que “uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país” e sustentou que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa”. Numa clara tentativa de criar condições para pretextos golpistas.
Posteriormente, a assessoria do congressista declarou que ele não questionava o processo eleitoral, mas a manifestação pública alinhou-se aos recorrentes questionamentos levantados por setores da extrema direita contra as urnas.
Flávio Bolsonaro ataca urnas eletrônicas com mentira desmentida pelo TSE
Reagindo às declarações no mesmo dia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reiterou a inexistência de qualquer vínculo entre as urnas eletrônicas brasileiras e a Smartmatic. A posição oficial do tribunal, registrada em esclarecimentos prestados nos anos de 2017, 2020 e 2022, destaca que todo o projeto, a arquitetura de software e a gestão do sistema de votação são desenvolvidos inteiramente e sob domínio exclusivo do Poder Judiciário brasileiro.
Conforme os registros públicos da Justiça Eleitoral, a Smartmatic nunca produziu ou programou urnas eletrônicas no Brasil. A atuação da empresa no país restringiu-se ao fornecimento de serviços de transmissão de dados e voz em localidades isoladas durante os pleitos de 2012, 2014 e 2016, além do treinamento pontual de equipes de suporte técnico. Em 2020, a empresa disputou a licitação promovida pelo TSE para a fabricação dos novos modelos de urna, mas foi derrotada pela brasileira Positivo Tecnologia.
Tecnologia nacional sob controle exclusivo da Justiça Eleitoral
As urnas eletrônicas em uso no país — incluindo os modelos UE2020 e UE2022 — são fabricadas pela Positivo Tecnologia na planta industrial de Ilhéus (BA), sob rigorosa fiscalização presencial de técnicos e engenheiros do TSE. A alegação de vínculo tecnológico com sistemas externos é classificada como falsa pelo serviço Fato ou Boato, mantido pela Justiça Eleitoral, e por diversas agências independentes de checagem de fatos.
A investida contra o sistema de votação repete o padrão adotado pela família Bolsonaro em eleições anteriores, pautado na contestação das urnas e na tentativa de criar ambiguidades perante organismos internacionais. Em 2022, o uso reiterado de alegações improcedentes contra a integridade do processo eleitoral integrou os fundamentos jurídicos que culminaram na declaração de inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Justiça Eleitoral.
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