O candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, acusou a Rockbridge Network, rede americana ligada a financiadores trumpistas, de ajudar ilegalmente a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A legislação eleitoral proíbe partidos e candidatos de receber, direta ou indiretamente, doações de entidades ou governos estrangeiros.

Renan Santos e Flávio Bolsonaro em imagens de campanha. Foto: Reprodução

O candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, acusou a Rockbridge Network, rede americana ligada a financiadores trumpistas, de ajudar ilegalmente a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A legislação eleitoral proíbe partidos e candidatos de receber, direta ou indiretamente, doações de entidades ou governos estrangeiros.

Em discurso no sábado (05), Renan afirmou que a organização teria procurado antes a candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e depois fechado apoio com Flávio. “Eles entraram na campanha do Flávio, naturalmente e ilegalmente”, disse o dirigente do Missão, sem apresentar provas públicas da suposta transferência de recursos.

A Rockbridge foi fundada em 2019 pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e pelo empresário Chris Buskirk, sócio de Donald Trump Jr. em uma gestora de capitais sediada na Flórida. A rede busca criar braços internacionais em diferentes países.

O ex-deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, também abordou o tema no X. Sem citar Flávio diretamente, ele questionou o empresário Tallis Gomes sobre uma suposta “grana gringa pra campanha aqui do Brasil”.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: reprodução

Tallis Gomes e Pedro Sang negam intermediação de recursos

As postagens de integrantes do Missão e do MBL miraram Tallis Gomes, fundador da G4 Educação e membro da Rockbridge nos Estados Unidos. O empresário participou de um painel com Buskirk na Brazil Week, em Nova York, em junho, ao lado do investidor Victor Lazarte; o debate tratou de infraestrutura de inteligência artificial e de possíveis negócios entre Brasil e Estados Unidos.

Gomes negou ter atuado para levantar dinheiro para Flávio Bolsonaro, inclusive dentro do Brasil. Ele afirmou que conversa com campanhas de Flávio, do governador Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e do governador Romeu Zema (Novo-MG), mas disse não ter adesão formal a nenhum dos grupos.

Ao rebater Renan, Gomes classificou a acusação como “cortina de fumaça” e atacou o adversário. “Ele está precisando chamar atenção”, afirmou, acrescentando que vai processar os responsáveis por publicações que lhe atribuam a intermediação de financiamento estrangeiro.

Pedro Sang, amigo de Tallis Gomes e dono de uma operadora de turismo, confirmou que mantém contato com a Rockbridge, mas negou ter intermediado aportes do grupo em campanhas brasileiras. “Nunca houve nenhum centavo transacionado, nem para virar membro nem para nenhum projeto da Rockbridge, zero, zero”, declarou.

Sang disse que a Rockbridge avaliou investimentos em tecnologia no Brasil, mas abandonou a prospecção em maio por considerar o cenário político delicado. Ele atribuiu as acusações a um conflito entre Renan Santos e Tallis Gomes e também anunciou medidas judiciais contra Renan e Arthur do Val.

André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro, afirmou que conheceu Chris Buskirk e viajou a Dallas, no Texas, a convite do grupo para analisar uma eventual instalação da Rockbridge no país. Marinho declarou não ter conhecimento de investimento americano na campanha de Flávio Bolsonaro e disse que as conversas sobre o projeto não avançaram.

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