Deputada do “sim, sim, sim” quer R$ 15 mil de blogueiro que apontou farra dela com aeronave de entidade filantrópica

 * Por Paulo Cason

A deputada federal Raquel Muniz (PSD) e seu staff comemoraram desbragadamente a condenação, em primeira instância, do jornalista Luis Carlos Gusmão, autor de denúncias contra a parlamentar, suspeita de inúmeros atos de corrupção no exercício do mandato.
Por causa de uma delas – de que ela teria cedido avião do Grupo Soebras (Associação Educativa do Brasil), que controla junto com o marido e ex-prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz, para viagem do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, publicada no site Em Cima da Notícia -, o jornalista foi condenado a pagar R$ 15 mil a Raquel Muniz, por danos morais.
É bom ressaltar que as atividades empresariais e políticas do casal Muniz são permeadas de denúncias de corrupção, muitas delas já comprovadas, o que resultou na condenação de Raquel e Ruy várias vezes.
Mas, a vida pregressa deles é farta em ilicitudes. O marido, por exemplo, já foi preso duas vezes, por roubo ao Banco do Brasil; e malversação do dinheiro público, quando foi prefeito de Montes Claros. Na véspera de sua última prisão, inclusive, a mulher deputada disse, no momento em que fazia sua declaração de voto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, que ele era exemplo de honestidade e correção.
Raquel Muniz, que ficou conhecida como “a deputado do sim, sim, sim”, é uma das signatárias do golpe que culminou no afastamento de Dilma Rousseff e ascensão de Michel Temer. Muniz é acusada de receber milhões para votar contra os pedidos de investigação contra Temer.
Fiel à quadrilha que se instalou no poder central, a deputada votou a favor de todos os projetos que tiraram direitos dos trabalhadores e da parcela mais necessitada da população – terceirização, reforma trabalhista e redução de investimentos na área social, entre outros. Ela também já avisou que votará a favor da reforma da Previdência.
Embora indignado pela condenação, que considera injusta, Luis Carlos Gusmão disse tê-la recebido como um “troféu”, pois, segundo ele, demonstra seu acerto, como jornalista combativo, em apontar ilícitos contra a administração pública.
“Isso serve de incentivo para o meu trabalho. Sou ciente do meu papel de jornalista, que deve ser fiscalizar os atos daqueles que são eleitos para gerir bem os recursos públicos. Toda vez que os agentes públicos ignorarem o preceito da moralidade na sua atividade pública nossa obrigação é denunciar”, enfatizou.
De acordo com Gusmão, sua cabeça está erguida e só seria o contrário se sua postura fosse de aceitação e cumplicidade com os malfeitos cometidos pelos corruptos. Ele criticou a utilização da estrutura jurídica da Câmara dos Deputados, mantida com dinheiro público, para impetrar a ação, o que configuraria mais um desmando da deputada.
“Essa decisão esdrúxula somente me motiva a continuar denunciando os atos supostamente corruptos do casal”, afirmou. Ele informou que recorrerá da sentença.

* Professor e articulista do Jornal Daqui

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