O governo Luiz Inácio Lula da Silva deve divulgar portaria que suspende a implementação da reforma do ensino médio nos próximos dias. A suspensão também atinge as mudanças previstas para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2024.

A suspensão tem o apoio da equipe próxima ao presidente Lula, muito por conta do desgaste gerado entre os estudantes – uma base de apoio petista por conta das políticas implementadas em governos anteriores.

Por ter sido aprovada por lei, a revogação total da reforma dependeria do Congresso Nacional, o que levou à suspensão dos prazos.

O ministro da Educação, Camilo Santana, tem se posicionado contra a revogação e favorável a ajustes no modelo, mas tanto seu posicionamento como a aproximação com empresários do setor educacional e a manutenção de nomes dos governos Temer e Bolsonaro têm sido alvo de críticas.

“Vamos suspender a portaria 521 que aplica o cronograma do Novo Ensino Médio, principalmente por causa do ENEM. Vamos suspenser (sic) para que a partir da discussão a gente possa tomar decisões em relação ao Ensino Médio”, disse o ministro em entrevista coletiva.

A notícia da suspensão repercutiu nas redes sociais. “Após nossa intensa mobilização, o Ministro da Educação, Camilo Santana anunciou que irá suspender a Portaria 521/21 do MEC, suspendendo o calendário de implementação do NEM”, afirma a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).

“Voltaremos às ruas no dia 19 de abril para avançarmos rumo a Revogação do NEM e a construção de uma Nova Escola, à altura dos nossos sonhos e das nossas necessidades”, ressalta a entidade representativa.

Para o educador Daniel Cara, o novo ensino médio “é a mais nefasta e cruel volta ao passado”

Proposta pelo governo de Michel Temer em 2016, a reforma do ensino médio no Brasil teve como objetivo principal modernizar e tornar mais flexível o currículo dessa etapa de ensino, mas tem sido alvo de sucessivas críticas por ter sido elaborada sem ouvir a sociedade.

Uma das principais críticas à reforma do ensino médio foi a forma como ela foi proposta e implementada, além da falta de recursos para implementar as mudanças propostas e a falta de investimentos em infraestrutura e formação de professores.

Outro ponto controverso da reforma foi a ênfase dada às disciplinas de português e matemática em detrimento das demais áreas do conhecimento, o que foi visto por muitos como uma redução da carga horária e da importância dada a disciplinas como história, geografia, artes, filosofia e sociologia.

GGN

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

treze − doze =