Na sexta-feira, foram realizadas distribuições informais de ajuda humanitária em Los Cayos, a terceira maior cidade do Haiti, destruída em grande parte pelo terremoto, o que provoca conflitos entre a multidão (Reginald Louissaint Jr /AFP)

Sobreviventes lutam diariamente para encontrar água e alimentos, enquanto os comboios humanitários começam a distribuir produtos

Uma semana depois do terremoto que devastou o sudoeste do Haiti, causando a morte de quase 2.200 pessoas, os sobreviventes lutam para conseguirem água e alimentos, mas responder às necessidades básicas dos afetados continua sendo um desafio para as autoridades.

No último sábado, bastaram alguns segundos para que dezenas de milhares de pessoas, algumas das mais vulneráveis do país, perdessem tudo o que possuíam após o terremoto de 7,2 graus de magnitude.

Nas ruas, os sobreviventes lutam diariamente para encontrar água e alimentos, enquanto os comboios humanitários começam a distribuir produtos de primeira necessidade, mas geralmente em quantidades insuficientes.

Na sexta-feira, foram realizadas distribuições informais de ajuda humanitária em Los Cayos, a terceira maior cidade do Haiti, destruída em grande parte pelo terremoto, o que provoca conflitos entre a multidão.

A distribuição da ajuda não contou com nenhuma logística e os sacos de arroz foram jogados contra a multidão, sem que os beneficiários fossem primeiramente identificados como pessoas em situação de vulnerabilidade, segundo observou um fotógrafo da AFP.

Em Los Cayos, metade de um comboio de dois caminhões foi saqueado por indivíduos não identificados antes que a polícia haitiana pudesse intervir. O restante da mercadoria foi distribuída na delegacia, em meio a uma grande confusão, acrescentou o fotógrafo.

Marcel François vê a ajuda passar em frente às ruínas de sua casa, onde passa os dias, na estrada entre o aeroporto e o centro de Los Cayos.

“Vejo muitas autoridades indo de um lado para o outro, procissões de funcionários com suas sirenes, grandes carros das ONGs. Também vejo caminhões passando, mas nada chega até mim”, disse o homem de 30 anos que, como muitas das vítimas, deve sua sobrevivência à generosidade de seus conhecidos.

Esta cidade recebeu na sexta-feira a vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, em uma visita de 24 horas ao país.

“Ouvimos as necessidades dos que estão sobre o terreno. Há muita carência e seguimos comprometidos a apoiá-los”, disse a diplomata nigeriana.

“Vimos um momento incrível de unidade na resposta ao terremoto, portanto acreditamos que isso pode se tornar uma oportunidade de reconstruir para melhor”, disse Mohammed antes de ir embora do Haiti.

A ideia de “reconstruir para melhor” não é nova para os haitianos, a quem a ONU já fez essa promessa após o terremoto de 2010, que matou mais de 200.000 pessoas.

O lema, no entanto, não se materializou e a reconstrução prometida não aconteceu, em uma capital devastada pelo desastre.

AFP

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