Parece que foi ontem, mas há exatamente nove anos que Montes Claros perdia um dos seus mais ilustres cidadão, o advogado João Avelino Neto.

Na época, o amigo Haroldo Tourinho Filho, publicou o seguinte texto:

“Não andou neste mundo só para ver andar os outros…” José Saramago

João Avelino, fez e aconteceu – marcou época!

Viveu a infância no Quilombo, propriedade rural de seus pais, na localidade de Mato Seco, a 12 km de Montes Claros. Ainda menino auxiliava nos trabalhos da roça e, já taludo, botando buço, guiava a carroça com parte da produção para o mercado local – 24 km, ida e volta, em estrada de terra.

Alfabetizou-se em escola existente nas proximidades de Mato Seco, transferindo-se para a sede do município aos 12/13 anos, onde passa a estudar no Colégio São José – maristas. Conclui o Clássico na Escola Normal e alguns anos depois presta vestibular para o curso de direito da então Fundação Universidade Norte de Minas, hoje Unimontes, onde cola grau.

Presidente da Associação Cassimiro de Abreu, cujo time de futebol o encantava, começara também a advogar para as empresas de transporte Montesclarense e Belo Vale. Homem público na acepção do termo, admirado pelos que o conheceram e privaram de seu profícuo convívio e, infelizmente, mal compreendido por alguns segmentos da elite citadina – notadamente a empresarial e rural –, não tardou a entrar na política. Seu primeiro partido foi o MDB – Movimento Democrático Brasileiro –, incansável na luta contra a ditadura militar que se instalara no país. Nessa época, diretor local da Secretaria de Estado do Trabalho – SETAS, realizou gestão das mais notáveis, formando uma equipe de colaboradores que o acompanhou anos afora.

Seu passo seguinte foi ocupar a Secretaria Municipal de Administração, no governo do prefeito Mário Ribeiro, daí passando à dedicação quase exclusiva à causas trabalhistas, sua especialidade no campo do Direito. João Avelino, como advogado, jamais defendia patrões, mas, sempre, a parte mais fraca da relação capital-trabalho – o trabalhador. Em 1986, candidato a deputado estadual obteve, pela legenda oposicionista, a expressiva votação de cerca de 17000 votos.

Com a extinção dos dois partidos que dominaram o cenário político após a reforma política de 1966 (AI-2), o MDB transformou-se no PMDB, um saco de gatos, no dizer de João. Daí a seu ingresso num novo partido que surgira e que vinha de encontro às suas aspirações, o Partido Trabalhista, foi um pulo. Eis o João Avelino petista, militante incansável, idealista. Presidiu o PT local por dois anos, sendo reeleito por aclamação.

Secretário Municipal de Segurança Pública no governo Athos Avelino, deixa a Secretaria, extinta, e passa a dirigir a ESURB, Empresa Municipal de Serviços Urbanos, onde destacou-se pela sua competência em contornar adversidades. Finda a gestão Athos, retorna João Avelino à sua banca de advocacia, onde permaneceu até o seu último dia de vida.

Articulista de mão cheia, seus artigos e análises políticas foram lidos, relidos e por muitos guardados, verdadeiras aulas de história municipal, estadual, nacional e mundial. João abrangia tudo.

João Avelino Neto foi um homem simples. Ajudava a todos que o procuravam, seja com uma feira ou ponderados conselhos e teve poucas – ou muitas? – paixões: a família, a roça, a política, amigos, nesta ordem. Essa grande figura da municipalidade – verdadeiro monumento moral – deixa uma legião de amigos e admiradores.

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