Vice de Patrus afirma que postura de Zema em “atacar” constantemente Lula prejudicou negociação e defende maior diálogo entre estado e União

O candidato a vice-governador de Minas Gerais, Jarbas Soares (PSB), afirmou que as discussões em torno do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) foram “muito politizadas”, inclusive entre os órgãos técnicos envolvidos na negociação. Em entrevista ao Café com Política, exibido nesta sexta-feira (28/8), no cansal de O TEMPO no Youtube, ele atribuiu parte das dificuldades do processo aos “ataques” públicos que o ex-governador e candidato ao Palácio do Planalto Romeu Zema (Novo) direcionava ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Essa discussão foi muito politizada até nos órgãos técnicos, porque o governador Zema ficava ‘atirando’ no presidente o tempo todo. Aí coincidia com a reunião, então o clima na reunião era o pior possível, como aconteceu no acordo de Mariana. E isso atrapalhou muito a negociação”, afirmou.
Segundo Jarbas, a postura de Zema em relação a Lula criou resistência nas negociações e dificultou um entendimento entre os governos estadual e federal. “Eu senti que ninguém queria também dar sombra e água fresca para o governador, que ofendia o presidente quase que diariamente”, disse.
O pessebista afirmou ter acompanhado as discussões sobre a dívida de Minas com a União. Na visão de Jarbas, o projeto avançou principalmente pela capacidade de articulação do Legislativo, enquanto o Executivo estadual assumiu um papel secundário. “O senador Rodrigo Pacheco praticamente conduziu sozinho e, depois, o presidente da Assembleia, deputado Tadeu Martins, conduziu. O governo ficou meio ao largo de tudo e deixou as coisas acontecerem”, avaliou.
Jarbas defendeu que a dívida de Minas seja tratada como uma questão que afeta diretamente a população do Estado. Ele criticou, especialmente, a incidência de juros sobre o débito com a União. “O que eu disse várias vezes, que eu conversei inclusive com o pessoal ligado ao presidente Lula, é que se está cobrando juros, por exemplo, não é de Minas Gerais, é do povo mineiro”, afirmou.
O candidato comparou a situação a uma dívida entre familiares. “O mineiro é um brasileiro. É o brasileiro cobrando juros. É como se eu tivesse pegado emprestado, meu irmão tivesse pegado dinheiro emprestado de mim ou minha mãe, e eu estivesse cobrando juros da minha mãe”, disse.
Apesar da crítica, para o candidato, a eleição pode abrir espaço para uma nova relação entre Minas e o governo federal. Caso Lula permaneça na Presidência e Patrus Ananias (PT) seja eleito governador, o candidato a vice acredita que haverá uma “sinergia” entre os dois governos, baseada em uma relação menos conflituosa.
“Eu acho que agora, passada a eleição, sobretudo com o presidente Lula ganhando e o professor Patrus, nós vamos ter uma sinergia depois de muitos anos entre o governo do Estado e governo federal e pessoas que se respeitam”, afirmou.
“Missão número 1”
Em um eventual governo Patrus, Jarbas afirmou que a discussão sobre a dívida será uma prioridade. Segundo ele, Minas tem uma “dívida social enorme” com a população, mas também precisa equacionar o passivo com a União. “Nós temos uma dívida social enorme com a sociedade mineira, com as pessoas que precisam ainda do Estado, mas nós temos uma dívida com a União que nós temos que equacionar. Eu acho que isso é uma missão número 1: sentar com o presidente Lula”, afirmou.
Para Jarbas, a renegociação também deve ser acompanhada de compromissos da União com Minas. Ele defendeu que recursos relacionados à dívida possam ser direcionados para investimentos em estruturas federais instaladas no Estado.
“Essa ideia, por exemplo, de que os recursos da dívida sejam aplicados nos bens federais mineiros é algo inteligente”, disse.
Entre os exemplos, ele citou a duplicação e conservação de rodovias federais, investimentos em universidades federais, institutos técnicos e ferrovias. “Esse recurso poderia ser dedicado para conservação dos bens federais, às universidades federais, aos institutos técnicos e aos bens federais que existem no Estado, que são muitos, as ferrovias federais. Então, nos ajudar a fazer as ferrovias estaduais, então ajudar Minas a se desenvolver”, afirmou.
Segundo Jarbas, o impacto da dívida ultrapassa as fronteiras de Minas Gerais e afeta o desenvolvimento do país. “No momento em que você impõe um ônus deste tamanho para Minas Gerais, você está prejudicando o Brasil e praticamente pedindo que Minas Gerais não cresça”, afirmou.
Copasa
Na mesma entrevista, Jarbas também foi questionado sobre a desestatização de empresas mineiras e a possibilidade de federalização de ativos como parte da renegociação da dívida. Sobre a Copasa, ele afirmou que considera que a empresa não deveria ter sido privatizada, mas defendeu o respeito aos contratos.
“Ela não deveria ter sido privatizada. Nós estamos tratando de água. Acho que o processo não foi o melhor e a decisão não foi a melhor”, afirmou. Apesar da posição contrária à privatização, Jarbas disse que não considera possível reverter a operação, salvo diante de uma “grande irregularidade”. “Eu acho que um princípio básico é respeito aos contratos. O Estado que não respeita o contrato não cumpre o seu papel. Então, salvo uma grande irregularidade, não tem como reverter essa privatização”, afirmou.
Ele defendeu, porém, uma análise do contrato e a cobrança das metas estabelecidas para a empresa, especialmente em relação à universalização do saneamento. “O que é importante é que as metas que foram definidas no contrato, na concessão de saneamento, sejam universalização do saneamento, por exemplo, sejam cumpridas”, concluiu.
Fonte: Jornal O Tempo