O ex-presidente já havia elogiado a mudança na cobertura da Globo sobre a Lava Jato durante a coletiva

O Jornal Nacional, da TV Globo, desta quarta-feira (10) garantiu mais de 10 minutos à cobertura do discurso histórico do ex-presidente Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dois dias depois da anulação de todas as condenações do mandatário na Lava Jato. Na terça-feira (9), o telejornal mudou o tom sobre a operação, o que gerou elogios do próprio Lula.

“O ex-presidente Lula fala pela primeira vez desde a anulação das condenações na Lava Jato de Curitiba. Afirma que é inocente, que foi vítima da maior mentira jurídica em 500 anos, mas que não tem mágoa. Faz críticas ao governo Jair Bolsonaro e ataques ao ex-juiz Sergio Moro e aos procuradores da operação”, disseram os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos já na abertura do noticiário.

Entre os trechos divulgados pelo telejornal estão o de que o ex-presidente afirma que não guarda mágoa apesar de ter sido vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história. “Esta dor que a sociedade brasileira me faz dizer para vocês: a dor que eu sinto não é nada diante da dor que sofre quase 270 mil pessoas que viram seus entes queridos morrer”, disse Lula em declaração exibida pelo JN.

Muitas críticas a Moro também foram reproduzidas. “Eu já fui absolvido de todos os processos fora de Curitiba, mas nós vamos continuar brigando para que o Moro seja considerado suspeito. Porque ele não tem o direito de se transformar no maior mentiroso da história do Brasil e ser considerado herói por aqueles que queriam me culpar. Deus de barro”, afirmou.

O telejornal ainda apontou que Lula não poupou o presidente Jair Bolsonaro, questionando desde a condução da pandemia ao manejo da economia, passando pela liberação de armas.

A reportagem, conduzida pela jornalista Patricia Falcoski, ainda destacou que Lula está disposto a dialogar com outros setores. “Eu quero conversar com a classe política. Porque muitas vezes a gente se recusa a conversar com determinados políticos. Eu gostaria que no Congresso Nacional só tivesse gente boa, de esquerda, progressista, mas não é assim. O povo elegeu quem ele quis eleger. Então nós temos que conversar com quem está lá para ver se consertamos este País”, declarou o ex-presidente em outro trecho exibido no noticiário global.

Jornal Nacional destacou também que Bolsonaro só voltou a usar máscara após coletiva de Lula


“Isso é mesmo uma novidade”, ironizou o apresentador William Bonner

O Jornal Nacional, da TV Globo, deu destaque à “novidade” vista em cerimônia realizada pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (10). O mandatário retomou o uso de máscaras de proteção em cerimônias realizadas no Palácio do Planalto após o ex-presidente Lula aparecer usando o equipamento de segurança sanitária em coletiva.

“A Delis Ortiz chamou a atenção para um fato novo em eventos com a presença do presidente Bolsonaro. O presidente e os demais participantes estavam usando máscaras e mantendo uma distância maior que a habitual entre eles. Isso é mesmo uma novidade”, disse o apresentador William Bonner.

O telejornal apontou que Bolsonaro não usava o equipamento desde 3 de fevereiro, quando participou da abertura do ano legislativo na Câmara dos Deputados, e que ficou nos últimos 36 eventos sem máscara. “Chegou a afirmar, sem nenhuma base científica, que elas produziriam efeitos colaterais”, acrescentou Bonner.

“A cerimônia de hoje em que o presidente e todos os demais surgiram mascarados começou pouco mais de 4h depois do pronunciamento do ex-presidente Lula, em que ele e todos os presentes usavam máscaras”, disse ainda.

A mudança de postura foi vista como um “efeito Lula”, que também alterou o discurso de Bolsonaro e do ministro Eduardo Pazuello, da Saúde.

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