Caso Dark Horse repercute e pode tirar Flávio Bolsonaro do páreo em 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial para as eleições de 2026, aponta a nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22). O resultado consolida o impacto político imediato do caso “Dark Horse”, que envolve o vazamento de conversas do parlamentar e investigações sobre supostos desvios em produções cinematográficas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Na simulação de primeiro turno, Lula aparece isolado na liderança com 40% das intenções de voto, abrindo uma distância confortável em relação a Flávio Bolsonaro, que recuou para 31%. O cenário representa uma mudança expressiva em comparação ao levantamento realizado em meados de maio, quando o petista registrava 38% contra 35% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, configurando um empate técnico no limite da margem de erro. No cenário de segundo turno, o atual presidente também superou a situação de igualdade anterior e assumiu a liderança por 47% a 43%. Os demais candidatos testados aparecem distantes, com Ronaldo Caiado registrando 4%, seguido por Romeu Zema, Renan Santos e Samara Martins, todos com 3%. Brancos e nulos somam 9%, enquanto 3% não souberam responder.

A análise detalhada do levantamento revela que a queda nas intenções de voto do pré-candidato do PL foi impulsionada por perdas significativas em segmentos específicos do eleitorado, onde a repercussão das denúncias encontrou maior eco. A desidratação do parlamentar foi puxada sobretudo pelas mulheres, segmento no qual o senador registrou queda de 4 pontos percentuais, recuando de 32% para 28%, e pela população eleitores com renda de até 2 salários mínimos) em que Flávio apresentou queda de 3 pontos percentuais. Nesse estrato, que historicamente compõe a base mais sólida de apoio ao presidente Lula, o senador do PL oscilou de 24% no levantamento de meados de maio para 21% na pesquisa divulgada hoje.de classe média baixa. O recuo também foi expressivo entre os eleitores que se declaram independentes ou de centro – estrato que se posiciona de forma neutra na polarização nacional -, em que Flávio Bolsonaro encolheu 5 pontos percentuais, caindo de 30% para 25% na intenção de votos, interrompendo a tolerância à imagem de moderação econômica que tentava consolidar.

Os dados consolidados indicam que o avanço do atual mandatário se sustentou na estabilização de suas bases tradicionais, enquanto a oposição conservadora viu minguar o apoio nesses estratos moderados e flutuantes que vinham flertando com a candidatura da direita. Segundo o Datafolha, 64% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento das conversas gravadas, e o mesmo percentual considerou inadequada a conduta do senador ao solicitar recursos para o financiamento do longa ficcional Dark Horse.  Segundo o Datafolha, 64% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento das conversas gravadas, e o mesmo percentual considerou inadequada a conduta do senador ao solicitar recursos para o financiamento da obra cinematográfica baseada na trajetória familiar.

O desgaste sofrido pelo pré-candidato do PL também se reflete no índice de rejeição medido pelo instituto. Flávio Bolsonaro passou a liderar o quesito rejeição, com 46% dos eleitores afirmando que não votariam nele de jeito nenhum, enquanto Lula ficou em 45%. 

O levantamento do Datafolha foi realizado entre os dias 20 e 22 de maio, ouvindo 2.004 eleitores em todo os país. Diante do abalo na candidatura do senador, o instituto testou um cenário alternativo com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Na simulação de primeiro turno sem Flávio, Lula lidera com 41% das intenções de voto, enquanto Michelle assume o segundo lugar com 22%. Nesse desenho, Romeu Zema sobe para 6%, Ronaldo Caiado alcança 5%, enquanto brancos e nulos saltam para 12%. Já em um eventual segundo turno entre o atual presidente e Michelle Bolsonaro, o petista aparece na vanguarda com 48% contra 43% da representante do PL

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