– O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2018. A decisão foi anunciada pelo argentino Adolfo Perez Esquivel, que venceu o Prêmio em 1980 e fará a indicação à Academia Sueca, segundo revelou o site Poder 360.

 “A chegada do PT e Lula à presidência marcou 1 antes e 1 depois para o Brasil, a ponto de se tornar uma referência internacional na luta contra a pobreza. Mais de 30 milhões de pessoas foram resgatadas da pobreza extrema (um país inteiro), a desigualdade diminuiu e o índice de desenvolvimento humano aumentou”, disse Esquivel, em sua página pessoal,

Reconhecido no mundo como um dos maiores estadistas de sua época, Lula vem sendo caçado pelo Poder Judiciário brasileiro para que não possa disputar as eleições presidenciais de 2018 – o que também fere a maioria popular, que deseja sua candidatura.

O argentino recebeu o Nobel da Paz em reconhecimento à luta pela não-violência em prol da democracia na América Latina.

Leia abaixo a entrevista em que Esquivel afirma que o Brasil foi vítima de um golpe branco liderado pelos Estados Unidos.

NOBEL DA PAZ: BRASIL SOFREU GOLPE BRANCO E LULA INCOMODA OS EUA

Por Eleonora de Lucena, no Tutaméia – Os EUA não querem aliados, querem súditos. Buscam os recursos naturais na América Latina e disseminam golpes para obter governos submissos. Lula incomoda os Estados Unidos ao adotar políticas independentes. É a visão de Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz de 1980.

Ele almoçou nesta sexta-feira (2/3) em São Paulo com jornalistas, advogados e militantes de direitos humanos. Depois, se encontrou com Lula e disse que vai propor o nome do ex-presidente para o Nobel da Paz (foto Ricardo Stuckert, na pág. inicial). Antes de se reunir com Lula, no início da tarde, Esquivel falou especialmente ao TUTAMÉIA.

Disse estar preocupado com o retrocesso nas liberdades cidadãs e na democracia na América Latina. Lembrou dos golpes de Estado brancos, como o que ocorreu no Brasil com a derrubada da presidente Dilma Rousseff –e que segue com os movimentos para proibir a candidatura de Lula.

Recordou que esse movimento começou em Honduras (com a queda de Manuel Zelaya), depois aconteceu no Paraguai (deposição de Fernando Lugo) e segue em curso nas tentativas de desestabilização na Venezuela. Citou também o embargo norte-americano a Cuba como parte desse mesmo quadro.

Na análise de Esquivel, os Estados Unidos enxergam a América Latina como seu quintal, uma fonte de recursos naturais, e seu plano é sempre de dominação. Citou a reativação da 4ª frota dos EUA como indicador dessa política. E rememorou o histórico tenebroso de interferência norte-americana no continente, quando o país do Norte ajudou a estruturar ditaduras que promoveram torturas e assassinatos.

Escultor e arquiteto por formação, Esquivel vivenciou a repressão dos regimes autoritários na América do Sul. Argentino, foi preso pela ditadura em seu país. Militante pelos direitos humanos, recebeu o Nobel da Paz em 1980, quando a região ainda estava sufocada por governos despóticos. Aos 86 anos, é referência mundial no combate a injustiças.

Interlocutor do papa Francisco, ele contou ao TUTAMÉIA que o pontífice está muito preocupado com a situação no continente. “Ele é muito atento à pobreza, à fome, ao que se está vivendo. Porque uma democracia significa direitos iguais para todos, e isso não existe”.

Crítico do modelo que “privilegia o capital financeiro em relação à vida das pessoas”, ele afirmou, durante o almoço, que propostas de integração regional, de combate à fome e à pobreza não são boas para o sistema de poder. “Se há redistribuição [de renda] não há lucros”, resumiu.

Esquivel condenou o que definiu como uma “monocultura das mentes” –a ideologia dominante que propaga ideias favoráveis aos poderosos. Mesmo nesse quadro difícil, ele enfatizou que a resistência é necessária –nos campos social, cultural e político. E acrescentou que a saída para Lula estará na manifestação popular em seu apoio nas ruas.

Aos pessimistas, lembrou do poeta e dramaturgo argentino Leopoldo Marechal (1900-1970). Ele dizia que, quando parecemos perdidos em um labirinto, devemos saber buscar a saída. E a saída está em ir para cima.

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