Ex-prefeita de Contagem defende frente ampla para fortalecer a reeleição de Lula e afirma que população demonstra cansaço da polarização

A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) reafirmou sua pré-candidatura ao Senado Federal e defendeu que o Partido dos Trabalhadores reavalie sua estratégia para a disputa do governo de Minas Gerais após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de concorrer ao Palácio Tiradentes. Em entrevista ao Valor Econômico, Marília afirmou que a definição sobre o caminho eleitoral da legenda agora cabe à direção partidária.
Mesmo tendo sido procurada pelo PT para avaliar uma eventual candidatura ao governo mineiro, a ex-prefeita descartou a possibilidade e afirmou que sua decisão já está consolidada. Segundo ela, o partido deverá decidir entre lançar um nome próprio ou buscar uma composição com outras siglas.
“Eu disse que não estaria [disponível], que a minha estratégia política é outra, era não ter candidatura própria, continuando, inclusive a estratégia anterior [com Pacheco], que é ter uma candidatura de centro”, declarou.
Na sequência, acrescentou: “E aí, ao PT coube estabelecer os contatos para definição ou redefinição da estratégia eleitoral: ou para lançar a candidatura própria ou para compor com o PSD, com o MDB.”

Marília defende alianças e frente ampla em Minas Gerais
Na avaliação da ex-prefeita, uma candidatura construída por meio de uma frente ampla oferece melhores condições eleitorais do que uma chapa exclusivamente petista. Embora reconheça que a decisão cabe ao partido, ela afirmou não considerar a candidatura própria a alternativa mais competitiva no atual cenário político mineiro.
Entre os nomes cogitados pelo PT para disputar o governo estadual estão os deputados federais Reginaldo Lopes e Rogério Correia. Paralelamente, o partido também avalia conversas com lideranças de outras legendas, entre elas o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) e o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares Júnior (PSB).
Na semana anterior à entrevista, Marília reuniu-se com ambos e elogiou o perfil dos dois. “Uma candidatura de frente ampla é melhor. Mas o PT está avaliando.”
Segundo ela, Gabriel Azevedo e Jarbas Soares “falam a língua do diálogo, da união e da despolarização”.

Ex-prefeita diz que população demonstra cansaço da polarização
Durante as agendas de pré-campanha, Marília afirmou perceber que a população tem manifestado rejeição ao ambiente de polarização política. Para ela, o radicalismo vem perdendo espaço e a capacidade de diálogo tende a ser valorizada pelo eleitorado.
Nesse contexto, a ex-prefeita defendeu que a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, priorize sua trajetória administrativa e sua capacidade de construir alianças.
“Lula tem que explorar isso. Não tem que explorar o fato de ser do PT ou não ser do PT, mas o que ele já fez pelo país, que é governar de forma republicana e esse compromisso ser fortalecido.”
Ela acrescentou que a campanha presidencial pode ser fortalecida quando Lula divide o palanque com candidatos de diferentes partidos. “Quando ele constitui frente ampla.”

Minas Gerais é considerada decisiva para a disputa presidencial
Marília destacou que Minas Gerais permanece como um dos estados mais estratégicos para a eleição presidencial. Historicamente, o resultado obtido pelos candidatos ao Palácio do Planalto no estado costuma acompanhar o desfecho nacional.
Apesar disso, ela considera que uma eventual candidatura petista menos competitiva ao governo estadual não inviabilizaria a campanha presidencial de Lula, embora um palanque mais robusto possa contribuir em uma disputa equilibrada.
A ex-prefeita também comentou o período de indefinição envolvendo Rodrigo Pacheco e afirmou desconhecer as razões para que a decisão sobre sua eventual candidatura tenha demorado tanto.
“Eu não sei o porquê se deu esse tempo todo, não sei quais eram as razões de ter de ter tido essa expectativa e esse tempo de espera.”
Ainda assim, ela avalia que o calendário eleitoral permite ao PT reorganizar sua estratégia, observando que outras chapas também permanecem indefinidas, como a do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e do vice-governador Mateus Simões (Novo).

Segunda vaga ao Senado depende da definição para o governo
Marília afirmou que a composição da chapa para o Senado dependerá da definição do candidato ao governo estadual.
“Estou aguardando a definição [ao governo], porque se for candidatura própria, é um perfil, se for composição, é outro perfil.”
Segundo ela, caso haja uma aliança com o PSB para o governo, uma possibilidade seria destinar a segunda vaga ao Senado ao MDB.

Municipalismo será prioridade caso seja eleita
Questionada sobre suas prioridades no Senado, Marília afirmou que pretende defender o fortalecimento do municipalismo e a revisão do pacto federativo, com maior autonomia financeira para os municípios.
Ela defendeu a atualização dos critérios de distribuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), especialmente para cidades com até 10 mil habitantes, que atualmente recebem o coeficiente mínimo de 0,6.
Além disso, abordou o debate sobre a relação entre Senado e Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que o tema deve ser discutido sem propostas previamente definidas para afastamento de ministros.
“O STF tem que redefinir a sua atuação, como também o Senado. É um debate que tem que ser aprofundado. Mas não a priori definir que o meu papel vai ser tirar pessoas que estão no STF. Acho que isso tem que ser debatido melhor. Temos que fortalecer o Supremo e fortalecer o Senado”, afirmou.

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