Em nome da segurança, brasileiro rico está apoiando extermínio de pobres que levam bala junto com os “bandidos” sem direito a julgamento

A matança policial bate recorde no Rio de Janeiro. Nos dois primeiros meses do novo governo Wilson Witzel (PSC), um ex-juiz que defende o “abate” de criminosos portando fuzis, foram 305 mortos pela polícia, um a cada quatro horas e meia, conforme ressaltou a jornalista Júlia Barbon em matéria na Folha de S. Paulo. Uma conta básica indica que a polícia fluminense, se continuar mandando bala no mesmo ritmo, deverá matar mais de 1.800 até o fim do ano. Os números são de um genocídio.

Ainda que todos os “abatidos” fossem criminosos ou suspeitos armados, a execução sem julgamento seria barbárie. Pelas proporções da matança, é óbvio que muita gente está levando bala policial por “engano” ou “incidente” – como o músico Evaldo dos Santos, fuzilado quando se dirigia de carro com a família a um chá de bebê.

Via de regra as operações mortais da PM fluminense ocorrem em favelas. Numa das mais violentas neste ano, 15 homens foram mortos no dia 08 de fevereiro numa ação policial nos morros Fallet, Fogueteiro e Prazeres.

Além de sangrentas e perigosas para a população, essas operações mata-mata têm se mostrado ineficientes no combate ao crime, gerando apenas mais violência. O fracasso continuado dessa política no Rio de Janeiro levou à intervenção do Exército, que seguiu com as mesmas práticas, para colher os mesmos resultados: mortes e mortes, inclusive por “engano”.

A ineficiência da política da bala é tão reconhecida há tanto tempo em todo o mundo que cabe questionar se ela está sendo defendida e adotada no Brasil por razões de segurança. Parece haver outra motivação oculta nessa sanha brasileira pela morte de “bandidos” ou de pessoas com tal imagem. Junto com os “bandidos” aos quais se nega defesa e julgamento, estão sendo assassinados pobres e favelados. Em nome da segurança, faz-se uma espécie de limpeza. Uma parte da sociedade, aquela que tem mais posses, está apoiando a matança policial/militar como meio de higienização social.

A política de extermínio ganhou força a partir de 2013 com a crise que jogou o país na estagnação econômica. Muita gente passou a ver os pobres como estorvos ou gastos para o Estado, os responsáveis pela situação crítica junto com o patrono deles, Lula, o maior culpado de todos pela situação no país segundo pesquisa Ipespe/XP na semana passada.

O raciocínio do defensor do extermínio é simples: se não dá para aumentar o bolo, cortam-se convidados para a festa. Tem muito brasileiro de classe alta ou mediana que acredita ser possível combater a pobreza eliminando ou abatendo pobres, literalmente. Não percebem que os fatores que geram a pobreza continuarão produzindo mais pobres. O mais cruel nessa política é que ela não funciona e por isso a matança não tem fim.

Evaldo dos Santos era negro e dirigia um popular Ford Ka quando foi metralhado por militares. Uma pergunta: será que ele teria sido confundido com um bandido se fosse branco e dirigisse um carrão?

Campo de extermínio de Auschvitz, na Polônia, onde foram mortos mais de 1 milhão de pessoas durante a segunda guerra

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