(*) Felipe Gabrich
A história política de um povo tem lances humorísticos de causar inveja a qualquer cômico de televisão e do cinema.
No Brasil, então, o que ocorre nos bastidores tem sido tema para os grandes chargistas e artistas das artes gráficas ao longo dos anos.
Independentes e revolucionários, em sua maioria, graças a Deus.
Desde o tempo da monarquia portuguesa de Dom Pedro I, a vida nacional brasileira pode ser contada pela irreverência das caricaturas de jornais, revistas e similares de grandes figurões que ocuparam o cenário da política tupiniquim.
Nessa Nova República instalada em 1985, tendo como primeiro presidente civil José Sarney, depois que os militares deixaram o poder, as piadas de bom e de mau gosto tomaram conta dos palácios governamentais e dos parlamentos.
Apesar das promessas dos novos mandatários de praticarem uma ampla democracia no País.
Lenta e gradual, como a abertura política do general Geisel.
E com uma Nova Constituição Brasileira, aprovada pelo Congresso Nacional em 1988.
No entanto, governo após governo o que o povo brasileiro tem assistido nos últimos anos é o que se poderia chamar de desgoverno.
Com o império da malversação do bem público.
Com a corrupção oficial e informal disseminada por todos os setores da atividade pública e em todos os níveis.
Bem que o povo brasileiro já desconfiava que a Aliança Renovadora e o Movimento Democrático criados nos anos de chumbo da “gloriosa” – o que foi dito que seria uma revolução não passou de um golpe militar – eram farinha do mesmo saco.
Os partidos políticos que se sucederam após o retorno ao governo civil deram apenas sequência ao que existia antes, abrigando, de um lado, pessoas que mamam nas tetas governamentais e, do outro, as que querem mamar.
A esse sistema viciado e podre os partidos políticos, com o auxílio da Imprensa marrom, chamam de situação e de oposição nas tribunas de mentira.
Vozes nacionalistas e patrióticas – que ainda há, felizmente – apregoam há anos que essa canhestra Nova República Brasileira – a sexta do País – precisa ser revista urgentemente, assim como a Nova Constituição, para acabar, principalmente, com essa lengalenga constitucional de três poderes independentes e harmônicos entre si.
Independentes como, se há uma dependência financeira do Legislativo e do Judiciário ao todo poderoso Executivo?
Essa constatação é por demais simples e pode ser respondida com a resposta a esta primária indagação: de onde provêm os recursos financeiros que sustentam a máquina administrativa governamental, nela incluindo-se o Legislativo e o Judiciário?
Talvez por isso mesmo não haja o menor compromisso da classe política e dos governantes com a nação e sua gente.
Além do mais, o sistema de governo adotado – presidencialismo – permite que as políticas públicas visem tão somente atender a interesses escusos dos mandatários e seus cúmplices; da mesma forma, campeiam no território nacional as desigualdades sociais em todas as áreas.
Ironicamente, o desenvolvimento estrutural e econômico do Brasil obedece a um processo natural de um país de território rico em recursos minerais e detentor de um patrimônio humano invejável a qualquer nação do planeta.
Fora o dinheiro que vem de fora.
Sem mencionar ainda que as fronteiras territoriais cerquem duas classes sociais e econômicas distintas de habitantes: o rico e o pobre.
Essa estória de classe média é uma autêntica farsa social mantida pela argúcia dos dominadores.
As reformas estruturais tão necessárias à nação somente ocorrerão após a mudança da forma de governo como um todo.
Na atual república federativa e presidencialista não adianta, por exemplo, adotar-se um novo Código Penal se não houver uma radical transformação do sistema carcerário vigente e assim por diante.
Como fazer uma reforma eleitoral com deputados e senadores eleitos pelo escrutínio popular e pensando nas próximas eleições?
E tomem escândalos financeiros no Planalto e nos Parlamentos.
Por acaso, o leitor/eleitor já escutou alguma voz emanada da Capital do país clamando por uma revisão da forma de governo no Brasil e na Constituição Federal?
Na verdade, governantes e políticos da atualidade brasileira preferem deixar as coisas como estão para verem como ficam.
Até que a ordem mundial com o seu implacável sistema econômico exija uma nova postura de gerência do bem público nas nações do planeta.
Até lá, nesse País do Futebol, sai da cena do poder o PT e entra o PSDB e agremiações políticas periféricas.
E vice-versa.
E o Brasil verde-amarelo continua sendo, infelizmente e para todo o sempre o gigantesco país de um futuro que nunca chega.
Até quando a nação dormirá em berço esplêndido?
(*) Jornalista

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