Nos primeiros dias deste ano, o Estado registrou aumento de diagnósticos positivos acima do esperado para o período

Minas Gerais pode enfrentar uma nova epidemia de dengue em 2024. Nos primeiros dias deste ano, o Estado registrou aumento de casos acima do esperado para o período. A doença pode ter feito uma vítima já neste ano. A dengue é investigada como a causa da morte de uma adolescente de 17 anos em Timóteo, no Vale do Aço. O crescimento do número de diagnóstico vem após um ano considerado endêmico — quando houve um crescimento de 330,5% em relação a 2022. Além da morte da garota, outro ponto que aumenta a preocupação das autoridades em saúde é com relação ao ressurgimento do tipo 3 da dengue – que há mais de 15 anos não causa epidemias no país.
No ano passado, Minas Gerais registrou 321.038 casos de dengue, uma média de quase 880 por dia, e 198 mortes. Em 2022, foram 74.796 casos (246.242 a menos), uma média de quase 205 por dia, e 68 óbitos. Historicamente, Minas Gerais registra epidemias de dengue a cada três anos. Antes de 2023, o último ano epidêmico foi em 2019, quando foram 413.717 casos e 195 mortes. Para evitar contágios, o governo de Minas Gerais informou que vai repassar R$ 80,5 milhões para ações de conscientização e mobilização sobre os focos do mosquito. Em Belo Horizonte, os Agentes de Combate a Endemias (ACE) vistoriam os imóveis e reforçam junto à população as orientações sobre os riscos do acúmulo de água, além de orientar sobre como eliminar os focos.
O infectologista Leandro Curi analisa o cenário para 2024. “Esperamos volumes altos de pessoas infectadas, enchendo serviço de saúde, como no ano passado. A tendência é que, até o fim do período chuvoso e do verão, os casos cheguem a um nível muito alto”, explicou.
Aumento da demanda já ocorre
Quem trabalha na área da saúde percebe aumento de pacientes com a suspeita da doença. “Estamos atendendo, na média, dez casos por dia. Não é tanto como no ano passado, mas já estamos preocupados. A direção da zoonose do distrito Nacional nos alertou que corremos risco de ter nova epidemia”, afirma o técnico em enfermagem Rodrigo do Nascimento da Unidade Básica de Saúde (UBS) Nacional, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.
O período chuvoso está relacionado ao aumento de casos de dengue. Isso ocorre porque água parada é ambiente para reprodução do Aedes aegypti. Além disso, o calor favorece a criação do mosquito.

Tipo 3 preocupa
O ressurgimento recente do sorotipo 3 do vírus da dengue no Brasil fez acender o sinal de alerta quanto ao risco de uma nova epidemia da doença causada por esse sorotipo viral. Em 2023, quatro casos do tipo 3 da dengue foram registrados em Votuporanga, no interior de São Paulo. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que a circulação de um sorotipo há tanto tempo ausente preocupa os especialistas.
A dengue tem quatro sorotipos, e a infecção por um deles cria imunidade contra o mesmo sorotipo, mas o indivíduo pode contrair dengue se tiver contato com um sorotipo diferente. Como poucas pessoas contraíram o tipo 3, há risco de epidemia porque há baixa imunidade contra esse sorotipo.
“Como muitas pessoas já tiveram os tipos 1 e 2, ao ter o tipo 3, podem desenvolver uma forma grave da doença, o que pode gerar superlotação das unidades de pronto atendimento e hospitais”, alerta o infectologista Kleber Luz, coordenador do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Diante disso, é preciso ter maior vigilância sobre as formas graves da doença, conforme afirma o especialista. “Do ponto de vista clínico, não há diferença, mas o que chama mais a atenção é a gravidade do caso, por ser uma infecção sequencial”, acrescenta Luz.

Entenda os sintomas
Entre os sintomas de alerta da doença, estão: febre, manchas vermelhas pelo corpo, dor abdominal, vômito persistente, acompanhados também de sangramento na gengiva, no nariz ou na urina. Ao perceber qualquer sintoma, a pessoa deve procurar atendimento médico na unidade de saúde.
Justamente isso que a aposentada Ilza Aparecida Telles, de 62 anos, fez ao sentir os primeiros sintomas. “Voltava de um encontro da igreja quando tive muita tontura. Uma amiga me amparou até a minha casa, pois não conseguia caminhar sozinha. No dia seguinte foi muita dor de cabeça e febre de até 39ºC. Também tive diarreia, além de dores no corpo e vômito”.
O teste negativo para Covid-19 fez com que os médicos suspeitassem que Ilza estivesse com dengue. “Fui para a emergência da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e passei pela consulta e exame. Diante do resultado positivo, segui as recomendações médicas, pois tinha muito medo da evolução do quadro, pois tenho outras comorbidades. Graças a Deus me recuperei e estou firme e forte”, comemora.

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