15 de junho é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, e, por isso, todo o mês é dedicado a ações que visam aumentar a proteção dessa faixa etária.

A assistente social ressalta que a maioria dos problemas enfrentados pelos idosos está relacionada ao âmbito familiar, devido à indisponibilidade dos filhos para cuidar deles, pois muitos trabalham fora (LARISSA DURÃES)

Em Montes Claros, as infrações contra idosos, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), revelam um aumento de 15,82% no número de casos registrados entre janeiro e abril de 2024 (615), em comparação com o mesmo período de 2023 (531).
Cibele Freire Diniz Oliveira, assistente social no município, reconhece o aumento dos casos de abusos contra idosos em Montes Claros. No entanto, ela atribui esse crescimento à maior conscientização da população em fazer denúncias. “A falta de conhecimento sobre o estatuto do idoso e o que constitui maus-tratos leva as pessoas a não reconhecerem certas ações como abusivas. Após receberem informações, muitas pessoas acabam denunciando”, explica. Cibele enfatiza que o trabalho de prevenção é intensivo, realizado com grupos especializados e algumas unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF), visando conscientizar os idosos sobre maus-tratos e cuidados que devem ser denunciados. “Isso levou os idosos a entenderem suas situações e a denunciar mais, especialmente violações psicológicas que antes eram consideradas normais”, explica.
A assistente social destaca que a maioria dos problemas enfrentados pelos idosos é de ordem familiar, devido à falta de filhos disponíveis para cuidar, já que muitos trabalham fora. Ela ressalta que os familiares muitas vezes não estão cientes da legislação e consideram suas ações normais, o que pode levar a violações dos direitos dos idosos.

VIOLÊNCIA EM CASA
No Brasil, os casos de agressão contra idosos aumentaram em quase 50 mil ocorrências em 2023, em comparação com o ano anterior, segundo a pesquisa “Denúncias de Violência ao Idoso no Período de 2020 a 2023 na Perspectiva Bioética”, realizada em parceria pelas professoras Alessandra Camacho, da Escola de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Programa Acadêmico em Ciências do Cuidado da UFF, e Célia Caldas, da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
A pesquisa também revelou que a maioria dos suspeitos em casos de violência contra idosos são os filhos, com uma tendência crescente ao longo dos anos: 47,78% em 2020, 47,07% em 2021, 50,25% em 2022 e 56,29% em 2023. Além disso, a maioria das denúncias e violações ocorre na residência da vítima e do suspeito, seguida pela casa da própria vítima.
Claudina Rosa de Azevedo, de 73 anos, conta que não passou por violências, mas que após a morte da irmã, que morava com ela, ficou sozinha. “Meu sobrinho então achou melhor eu vir para o Lar das Velhinhas”, conta. “Acho ruim e triste que algumas pessoas sejam abandonadas pela família. Estou tranquila, feliz, bem tratada e acolhida aqui. Acredito que, para quem acha que uma pessoa mais velha está incomodando, deveriam trazê-la para morar aqui ou arranjar outro lugar adequado. É melhor que maltratar a pessoa”, diz Azevedo.
Cibele ressalta que, para os idosos com família, é importante buscar adaptar a situação, mesmo que isso possa ser dispendioso. “Nunca haverá capacidade para abrigar todos os idosos em instituições, considerando a grande população idosa de Montes Claros, estimada em cerca de 40 mil pessoas. Embora uma nova instituição de longa permanência esteja em construção, isso não resolverá completamente o problema.” Cibele enfatiza que a responsabilidade principal deve recair sobre as famílias, que optam às vezes por colocar os idosos em instituições para se isentarem da responsabilidade.
Dulce Cerqueira Chaves Amaro, de 94 anos, mora desde janeiro desse ano no Lar das Velhinhas em Montes Claros, e conta que para ela, essa foi a melhor solução. “Eu não tenho família aqui, apenas amigos. Nem mesmo meu filho adotivo, porque tem que trabalhar. Estou satisfeita, porque é melhor que ficar sozinha tendo que cuidar de tudo, como aluguel e comida. Aqui eles fazem tudo por mim. Estou feliz aqui”, conta Dulce.
Para quem não tem condição de ficar com um idoso devido ao trabalho, porque está constituindo família, viajando ou vivendo em outro lugar, Dulce aconselha que melhor que maltratar ou negligenciar é lembrar que “amanhã pode ser você na mesma situação do idoso que você maltrata hoje.”

*O Norte, com informações da Agência Brasil

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