O município de Montes Claros teve R$ 127 milhões de recursos da saúde retidos de 2009 a 2020, conforme dados divulgados esta semana pelo Tribunal de Contas (TCE) de Minas Gerais. A cidade ficou entre as seis do estado com maior retenção de verbas, atrás de Belo Horizonte (R$ 431 milhões), de Uberlândia (R$ 178 milhões), de Juiz de Fora (R$ 169 milhões), de Governador Valadares (R$ 151 milhões) e de Contagem (R$ 149 milhões). O Estado de Minas Gerais deve aos municípios mineiros um valor de até R$ 6,8 bilhões em transferências relacionadas à área de saúde, previstas nos orçamentos de 2009 a 2020, e que não foram quitadas e inseridas em restos a pagar. O cálculo foi feito pelo TCE e informado na terça-feira (29), ao governo e à Associação Mineira de Municípios (AMM).

O valor inicial é de R$ 5,3 bilhões e leva em conta as despesas empenhadas e liquidadas, ou seja, que tiveram recursos reservados e com o direito ao recebimento atestado. Entretanto, outros R$ 1,5 bilhão podem ser adicionados, se consideradas as despesas apenas empenhadas, os restos a pagar não processados, que vão requerer uma análise individual para saber se serão consideradas. A maioria dos débitos são transferências entre o Fundo Estadual de Saúde e os fundos municipais que não se efetivaram. Levando em conta ambos os montantes, os maiores credores seriam os fundos municipais de saúde de Belo Horizonte (R$ 431 milhões), de Uberlândia (R$ 178 milhões), de Juiz de Fora (R$ 169 milhões), de Governador Valadares (R$ 151 milhões), de Contagem (R$ 149 milhões), de Montes Claros (R$ 127 milhões), de Ipatinga (R$ 112 milhões), de Betim (R$ 110 milhões), de Divinópolis (R$ 82 milhões), e de Uberaba (R$ 82 milhões).

Entre os vários orçamentos estaduais em questão, os maiores valores se referem aos anos de 2019 (R$ 2,9 bilhões), 2017 (R$ 1,5 bilhão), 2020 (R$ 1,3 bilhão), e 2018 (R$ 1,0 bilhão). Também foi levantada outra dívida, de R$ 196 milhões, com entidades sem fins lucrativos da área de saúde, como associações e fundações. O trabalho foi realizado por iniciativa da Coordenadoria de Fiscalização e Avaliação da Macrogestão Governamental do Estado (Cfamge), que acabou por receber um pedido da AMM no mesmo sentido durante o procedimento. A Associação já está negociando com o Governo o pagamento desta dívida.

O Tribunal de Contas fez a entrega oficial do estudo, em evento que teve a presença do conselheiro- presidente do TCEMG, José Alves Viana; do chefe de gabinete da presidência do TCEMG, Carlos Pavan; do chefe de gabinete do gabinete do conselheiro, Licínio Dayrell Filho; e do diretor-geral, Paulo Figueiredo. Além do presidente da AMM, Julvan Lacerda e o superintendente-executivo, Luiz Paulo Caetano. O presidente José Alves Viana, afirmou que “com esse documento, a AMM tem como negociar com o governo do Estado e assim a justiça ser restabelecida, com os acertos devidos na área de saúde. Para que as nossas ações de estado sejam efetivas, é preciso que o benefício se volte para o cidadão mineiro, que é o objetivo de todo trabalho público”.

Julvan Lacerda reconheceu que “foi importante o Tribunal fazer essa contribuição, porque existia uma divergência de entendimento sobre os valores. E o TCE, com sua expertise e conhecimento profundo das contas de Minas Gerais, trouxe o resultado consolidado e certificado, que vai ser de grande valor na construção desse acordo que faremos com o estado. Esse dinheiro pertence ao cidadão, que pagou o imposto, e tem que voltar em forma de serviço público. E esse serviço muitas vezes não voltou, porque o estado se omitiu em seu dever. Ou, noutro momento, até voltou, mas com o município deixando de cumprir outras responsabilidades dele, para atender a saúde”.

Via Jornal Gazeta

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