A cidade está entre os 78 primeiros municípios que farão testes rápidos para diagnóstico da doença

Por Pedro Ricardo – SES/MG

Montes Claros está entre os 78 primeiros municípios do país que, a partir do segundo semestre deste ano, passarão a realizar testes rápidos para o diagnóstico da hanseníase. O assunto foi tema de videoconferência realizada na tarde desta quarta-feira, 16 de março, envolvendo profissionais da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde; referências técnicas das secretarias de saúde de Montes Claros, Governador Valadares e de outros dez municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, Pernambuco e Piauí.

Videoconferência sobre hanseníase

A Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) foi representada por coordenadores e referências técnicas de Vigilância em Saúde e de Atenção à Saúde das Superintendências Regionais de Saúde (SRS) de Montes Claros e de Governador Valadares.

Com previsão de investimento de R$ 3,7 milhões para este ano, a utilização dos testes rápidos para diagnóstico da hanseníase será difundida nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Nesta sexta-feira, 18, termina o prazo para os municípios selecionados formalizarem a adesão à realização dos testes rápidos.

Até 25 de março os municípios deverão informar ao Ministério da Saúde a relação dos agentes comunitários de saúde que participarão de capacitação, por meio de videoconferência, quanto à busca ativa de pessoas acometidas pela hanseníase. Inicialmente serão priorizadas as unidades de saúde onde os municípios contabilizam maior quantidade de casos notificados da doença. Para os municípios da região Sudeste a previsão é de que a capacitação seja realizada dia 5 de abril.

Em junho, os municípios vão sediar a realização de capacitação com a participação de especialistas do Ministério da Saúde. O treinamento será teórico e prático, oportunidade em que os profissionais de saúde vão atender pacientes e aplicar o teste rápido. O Ministério da Saúde orienta que as secretarias de saúde deverão apresentar aos conselhos municipais de saúde a proposta de utilização dos testes rápidos para o diagnóstico da hanseníase.

ESTRATÉGIA

O Brasil é o primeiro país a ofertar testes rápidos para o diagnóstico da hanseníase. Em janeiro deste ano o Ministério da Saúde publicou a Portaria 84, que tornou pública a decisão do Governo de incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) os testes para diagnóstico da hanseníase: teste rápido Bioclin ML Flow para determinação qualitativa de anticorpos IgM anti-Mycobacterim leprae; kit NAT Hanseníase que utiliza a técnica da Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) em tempo real e o GenoType LepraeDR, que é um teste que identifica a resistência aos fármacos da hanseníase.

A coordenadora de vigilância em saúde da SRS Montes Claros, Agna Menezes explica que a inserção dos testes rápidos para diagnóstico da hanseníase constitui estratégia que visa ampliar a detecção da doença em municípios prioritários que apresentaram maior redução de casos notificados da doença entre 2019 e 2021.

No caso específico de Montes Claros, dados do Ministério da Saúde apontam que em 2019 foram notificados 78 casos de hanseníase. Em 2020 foram notificados 60 casos da doença e, neste ano, dois casos. Em Governador Valadares, em 2019 também foram notificados 78 casos de hanseníase, número que no ano passado caiu para 33. Já neste ano, Governador Valadares tem cinco casos de hanseníase notificados, segundo o Ministério da Saúde.

A DOENÇA

Conhecida antigamente como lepra, a hanseníase é uma doença crônica, transmissível, de notificação e investigação obrigatória em todo o país. A doença tem cura. O tratamento é garantido pelo SUS e pode ser concluído em até nove meses, devendo o paciente seguir o esquema terapêutico.

Dados da SES-MG revelam que entre os anos 2000 e 2021 foram notificados no Estado 43.086 casos de hanseníase. Desse total, 35.894 pacientes evoluíram para a cura da doença.

A macrorregião de saúde do Norte de Minas ocupa a sexta posição no Estado em número de casos notificados de hanseníase entre 2000 e 2021. Ao todo são 3.981 casos registrados da doença, tendo 3.248 pacientes evoluído para a cura.

A hanseníase possui como agente etiológico o (Mycobacterium leprae), bacilo que tem a capacidade de infectar grande número de pessoas e atinge, principalmente, a pele e nervos periféricos. A doença é transmitida pela tosse ou espirro, por meio do convívio próximo e prolongado com uma pessoa doente, sem tratamento.

Os principais sintomas da doença são: manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com perda ou alteração da sensibilidade ao calor ou frio, ao tato e à dor que podem afetar principalmente as extremidades das mãos e dos pés, rosto, orelhas, pernas, nádegas e o tronco.

Também são sintomas da doença áreas com diminuição de pelos e suor; dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas; inchaço de mãos e pés; caroços no corpo; febre, edemas e dor nas juntas.

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