Faleceu neste sábado Sebastiana Fermina, ou simplesmente Tiana, uma das donas de bordéis – como se chamavam as casas de encontro décadas atrás – mais antigas de Montes Claros.

Por Waldo Ferreira*

Muito conhecida, até recentemente a “Casa de Tiana” funcionava no bairro Dr. João Alves. Ultimamente, entretanto, desavisados que se deslocam ao local, referência para quem deseja ir nas proximidades, encontram uma placa com os dizeres: “Casa de família. Favor não insistir!”.

Nos bons tempos o lugar era frequentado por empresários e principalmente políticos. Muitos deles contavam com a ajuda dela, inclusive financeira, para se elegerem. Além disso, Tiana era tida como amiga, conselheira e psicóloga, atrativos que também levavam os homens ao local, além da busca pelo prazer.

A política local encontrava na casa cenário ideal para sua resenha – muitas decisões que impactaram a vida da cidade provavelmente foram tomadas entre um gole e outro e com uma mulher no colo do candidato ou gestor. Mas, prefeitos de cidades da região também eram “figurinhas carimbadas” no local.

Quando ficou gravemente doente, 15 anos atrás, não faltou político para custear seu tratamento. Nos últimos anos seu estado de saúde se agravou, com complicações devido a uma depressão.

Tiana é de uma geração a que também pertenceram Anália, Roxa e Leobina. É figura emblemática de uma época em que o baixo meretrício era um misto de marginalidade e romantismo.

GENEROSIDADE – Tiana era admirada pelas meninas que faziam programa em sua casa. Ela tomava conta de todas e era considerada uma mãe por elas, muitas oriundas de outros municípios da região e que encontravam lá abrigo e proteção.

Tiana fazia questão de aconselhar as garotas sobre como se comportar e nos cuidados que deveria ter, como, por exemplo, exigir que o cliente usasse preservativo. “Todo o dinheiro do programa ficava com a gente. Ela só cobrava o quarto”, revela uma das garotas que passaram por sua casa.

*Jornalista

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