O mantra que mais se ouve nos últimos dias – “Bolsonaro já está no segundo turno” – tem que ser relativizado, por mais que as pesquisas o digam. Por enquanto, ele está na segunda cirurgia. O caso dele é muito delicado e de prognóstico incerto. Eleitoral e fisicamente falando. Se não houver mais intercorrências – o que é improvável – ele fica fora de combate pelo menos por um mês a contar de hoje. A alta nesse caso otimista se dará a 14 de outubro. Uma semana depois do dia da eleição. A meio caminho entre o primeiro e o segundo turno, que será – se houver – a 28 de outubro.

Ninguém sabe o que poderá acontecer com seus votos potenciais enquanto estiver no hospital, longe das ruas. Ninguém sabe o que vai acontecer depois que ele sumir da campanha. O fato é que ele estará na cama e Alckmin à caça de seus votos. É razoável supor que o tucano poderá colher alguns frutos da sua árvore.

Não tem como garantir que Bolsonaro vai continuar em primeiro lugar por muito tempo.

O que também fragiliza a campanha é que ficou evidente que ele não tem vice confiável para assumir seu lugar. E como os votos são dele e não do partido ou da chapa, eles também estão na UTI.

As pesquisas podem até garantir que ele está no segundo turno, mas os médicos não garantem.

* Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais “Porque não deu certo”, “O Cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão” e “O domador de sonhos”

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