Se com o pai foi assim, imagina o filho. O Brasil não pode apagar da memória o que aconteceu durante a pandemia

* Por Marcelo Valmor
Meu irmão contraiu COVID-19 em plena pandemia. Os sintomas não tardaram a se manifestar e ele foi internado, entubado, e se não fossem as duas doses da vacina, teria sucumbido. Um baiano conhecido, da cidade de Guanambi, não teve a mesma sorte em família: perdeu um filho e um sobrinho para a doença, isso após o então presidente bolsonaro recusar a compra da vacina. Alguns, movidos pela crença de que o então presidente falava a verdade sobre os efeitos curativos da cloroquina, adotaram esse receituário. Meu amigo Newton Rabelo foi um deles. Com mais de 70 anos de idade, cardíaco e fumante, a sombra escura da doença abateu sobre ele também. O filho, médico, o levou para Pirapora, para o hospital que trabalhava onde pressumia que o pai poderia ser melhor tratado. Entretanto, e bolsonarista convicto, Newton autorizou o uso da cloroquina no seu tratamento. O resultado imediato foi a falência das suas funções renais, posteriormente a hemodiálise, o entubamento e a morte. Assim aconteceu com toda a nação. As famílias que não perderam seus entes queridos para a doença, passaram no fio da navalha, sofreram, enquanto o presidente bolsonaro debochava dessas dores. O país inteiro chorava, mães se desesperavam, o terror a um passo dos nossos lares, e aquela gente indiferente a tudo isso. O então prefeito Humberto Souto, no alto da sua responsabilidade, adotou todos os protocolos de prevenção, se trancando em casa e se cuidando, contrariando aquilo que o bolsonarismo dizia. Foi um dos pontos altos da sua gestão, infelizmente tão pouco comentado. Por isso, caros amigos (as), não permitam esse retrocesso. Se não sentiram essa dor, sejam pelo menos solidários aqueles que as sentiu, recusando a volta dessa gente. Neste momento não se trata de votar no Lula ou no PT, mas no Brasil contra a barbárie.
- Jornalista