Lavagem de dinheiro – Jogador da seleção e do PSG irá depor à Polícia Civil de Brasília na condição de testemunha, após ligação com ‘Eduardo Joias’, alvo de operação e foragido. Segundo investigação da Polícia Civil do DF, ‘Eduardo Joias’ (esquerda) e Neymar mantinham relação pessoal — Foto: Reprodução/Rede social

O jogador Neymar, atacante da seleção brasileira e do Paris Saint Germain (PSG), será intimado a depor no âmbito de uma Operação Huitaca – em alusão à deusa mitológica da luxúria  – da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Três pessoas foram presas nesta sexta-feira (27). O atleta falará na condição de testemunha.

A informação é do portal Metrópoles. Uma entrevista coletiva de imprensa foi convocada para 10h desta sexta pelo delegado Fernando Cocito para dar mais detalhes.

A investigação apura crimes de extorsão, agiotagem e lavagem de dinheiro. O caso é conduzido pela Divisão de Repressão a Roubos e Furtos (DRF).

O esquema é supostamente comandado pelo empresário Eduardo Rodrigues Silva, conhecido em Brasília como “Eduardo Joias”, que está foragido. Com uma rotina pública de ostentação, ele seria dono de uma empresa especializada no design de peças forjadas em ouro e diamantes.

A investigação atingiu Neymar depois de “Eduardo Joias” publicar em sua rede social, que tem quase 75 mil seguidores, fotos com o jogador logo depois de presenteá-lo com um colar de ouro branco cravejado de diamantes. O pingente da peça foi desenhado no formato do nome do atacante.

De acordo com a nota fiscal, o colar custou R$ 106,4 mil. O documento foi emitido em nome de Neymar, em março de 2019, por uma das empresas investigadas por lavagem de dinheiro.

Não houve, porém, a respectiva entrada da mercadoria ou matéria-prima para confeccioná-la. Apenas essa transação representou mais de 81% dos registros de venda da empresa.

Neymar e “Eduardo Joias” seguem um ao outro nas redes sociais e, de acordo com as informações publicadas pelo portal, têm uma relação pessoal. Além do colar de ouro e diamantes, o empresário já entregou ao atacante uma placa dourada e um anel exclusivo forjado em ouro e pedras preciosas.

As investigações também encontraram fotos que confirmam a presença de “Eduardo Joias” no aniversário de Neymar em Paris, na França, em 4 de fevereiro de 2019. As despesas dos convidados brasileiros nessa festa foram pagas por patrocinadores do jogador.

Com a participação da Receita Federal na operação, a Coordenação de Repressão a Crimes Patrimoniais (Corpatri) apontou que a empresa Conceito Comércio de Joias Eireli, atribuída a “Eduardo Joias” e cujo nome é EJ Joias, movimenta valores muito acima do que entra na conta de Eduardo e de seu braço direito, Vitor Duarte Nunes, que também é investigado.

Além do documento emitido para a joia entregue a Neymar, outros 11 documentos fiscais eletrônicas de joias foram emitidos para “Eduardo Joias”, sem que houvesse a respectiva entrada de mercadoria ou matéria-prima. A apuração aponta, ainda, que as demais empresas que transacionaram com os investigados são de fachada, tendo sido criadas simultaneamente e com funcionamento ativo por poucos dias, sem gerar notas fiscais para os investigados ou para as empresas vinculadas a eles.

Além da relação com “Eduardo Joias”, a investigação apontou que estas não foram as primeiras vezes que Neymar adquiriu ou recebeu joias de envolvidos com lavagem de capitais. Em 2017, a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que, em 2015, o craque adquiriu uma corrente de diamantes de Tiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH, um dos principais articuladores do tráfico de drogas e de armas do Rio, com atuação nas três facções criminosas. Ele também ajudava a lavar dinheiro do tráfico de drogas.

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