Peruaçu: áreas com importância geológica na história da Terra (Manoel Freitas)

Reconhecimento seria divisor de águas para o turismo regional

Por Manoel Freitas – O Norte
Com 56.448 hectares, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, criado em 1999, não é somente uma das maiores unidades de conservação do Brasil, como, igualmente, a que está no centro das atenções da Sociedade Brasileira de Espeleologia, por reunir nada menos do que 80 sítios arqueológicos e 180 cavernas catalogados e registrados. Toda essa riqueza foi anunciada como candidata a Patrimônio da Humanidade em setembro de 2019, a partir de lista indicativa junto à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Cultura e a Ciência (Unesco), com base em informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Contudo, os trabalhos do comitê gestor da candidatura do parque foram paralisados em março de 2020 em função da pandemia de Covid-19, prejudicando o pleito que colocaria os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, no extremo Norte de Minas, na crista da onda do turismo nacional e internacional.
Por outro lado, a farta documentação que fundamenta a candidatura à Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade, é agora, também, base de mais uma proposta, desta feita junto Serviço Geológico do Brasil (CPRN), a quem compete legitimar o título nacional e, posteriormente, a pretensão junto ao Programa Geoparques Globais da Unesco, concebido como resposta à necessidade de proteger áreas com importância geológica na história da Terra.
Idealizado em 2015, já foram certificados como tal 177 áreas envolvendo um número de sítios geológicos de importância científica e com potencial uso didático ou turístico. De modo que os articuladores trabalham com o propósito de o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu receber esse título, o primeiro em Minas e o quarto no Brasil, a tempo de ser anunciado em Belo Horizonte, em 2025, durante a realização do 19º Congresso Internacional de Espeleologia.
Para falar sobre esse novo desafio e possibilidade que se apresentam para o Peruaçu, O NORTE teve acesso aos números que podem transformar o Parque Nacional, distante 218 km de Montes Claros, em referência mundial, o que, segundo o coordenador da campanha, Leonardo Giunco, da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), representaria para o turismo de Minas Gerais “um salto tão gigantesco como seus cânions”.
Acerca da relevância da nova possibilidade, a reportagem ouviu igualmente o secretário de Turismo, Cultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico de Januária, Aurélio Vilares. É que a cidade ribeirinha tem a maior parte do território da unidade de conservação, além de ser a porta de entrada para o Vale do Peruaçu. Explicou que “o pleito de geoparque junto à Unesco é um trabalho feito com grande prioridade pelo Comitê Coordenador da Candidatura do Parque, de modo que acreditamos que esse reconhecimento será um divisor de águas para nosso turismo, principalmente a nível mundial”.

Pandemia e a mudança de rota

Membro da Sociedade Brasileira de Espeleologia, o coordenador da campanha do Peruaçu à categoria de Geoparque, Leonardo Giunco revelou a O NORTE que, na atualidade, todos os esforços estão voltados para elaboração de um “dossiê simplificado, detalhamento de cada atrativo, muitos elaborados já em 2017”. No seu modo de entender, a classificação reforçaria no futuro a candidatura à Patrimônio Mundial.

Justificou que “a questão da candidatura à Patrimônio Mundial deu uma desarticulada em função de alguns fatores, alguns internos e outros externos, mas o principal foi a pandemia da Covid-19, porque a Unesco fechou tudo, de formas que as datas, as metas que tínhamos previstas foram todas por água abaixo, porque se ninguém podia sair de casa, quando mais fazer as coisas andarem e nível internacional”.

Observou que, “mesmo com o apoio irrestrito que tínhamos do Ministério da Cultura, fomos orientados – de modo muito claro – a buscar primeiramente a chancela de Geoparque, mais fácil, mais rápida, muito mais barata e com igual visibilidade”. A mudança de rota, nesse momento, segundo Léo Giunco, seria do mesmo modo um alerta da Secretaria de Biodiversidade, à qual estão subordinados todos os parques nacionais do Brasil. Por fim, disse que em 2019, na candidatura a Patrimônio Mundial “estava à frente do Peruaçu apenas os Lençóis Maranhenses, e hoje nem se fala nisso, dada a combinação de fatores que dificultou as candidaturas junto à Unesco”.

Turismo nacional e internacional

Na visão de Aurélio Vilares, secretário de Turismo, Cultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico de Januária, desde 2017, quando do anúncio do pleito do Peruaçu à Patrimônio Mundial, não faltou em nenhum momento esforços por parte de seu Comitê Coordenador. Então, disse não ter dúvidas de que até 2025 o Parque Nacional será reconhecido como Geoparque, “proporcionando um novo olhar para nosso complexo espeleológico e arqueológico, que figurarão em definitivo no mapa do turismo nacional e, principalmente, internacional”.

Para o secretário, “o Peruaçu reúne todos os atributos essenciais para atender ao reconhecimento como Geoparque, que vão desde os sítios que apresentam belezas únicas, a exemplo a maior estalactite do mundo, a Perna da Bailarina, na Gruta Janelão, e, do mesmo modo, grandes áreas de alta relevância para preservação e conservação do cerrado e Mata Atlântica”.

Chamou atenção para outra característica fundamental ao pleito, “a existência de muitas comunidades no seu entorno, que já desempenham importante papel no desenvolvimento do turismo sustentável da região, gerando renda e melhorando a vida dos moradores”. Para Aurélio Vilares, “ter o Vale do Peruaçu em nosso território é um grande privilégio e reconhecemos sua importância para cadeia produtiva do turismo, percebida a olho nu pelos turistas e pesquisadores que visitam o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu desde que foi criado, em 1999”.

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