Esta provavelmente será a segunda vez desde a Revolução dos Cravos que uma eleição pode ser decidida pela “segunda volta”, como eles chamam por lá

– Antônio José Seguro é apoiado pelo Partido Socialista/Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP

Os portugueses começaram a votar neste domingo (18) para escolher o próximo presidente da República em uma eleição que, pela segunda vez desde a Revolução dos Cravos, pode ser decidida em segundo turno — ou “segunda volta”, como é chamada em Portugal. A revolução de 1974 pôs fim à ditadura salazarista, que manteve o país sob repressão por 48 anos.

A votação teve início às 8h (5h em Brasília) e segue até às 19h no território continental e na Ilha da Madeira. No Arquipélago dos Açores, o encerramento ocorre às 20h, devido ao fuso horário. Parte do eleitorado já havia votado antecipadamente, inclusive no exterior. No Brasil, os consulados portugueses abriram a votação no sábado (17).

Um número recorde de 11 candidatos disputa o pleito. Inicialmente, eram 14 postulantes ao cargo, mas três candidaturas foram impugnadas pelo Tribunal Constitucional por irregularidades. Apesar disso, os nomes desses candidatos permanecem na cédula eleitoral, já que a impressão ocorreu antes da decisão judicial. Os votos destinados a eles serão considerados nulos.

As pesquisas mais recentes indicam uma disputa acirrada entre o ultradireitista André Ventura, do partido Chega, e António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista (PS). Em terceiro lugar aparece João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, que surge tecnicamente próximo dos dois líderes.

Denúncia de assédio sexual
Nos últimos dias de campanha, Cotrim de Figueiredo passou a enfrentar o impacto de uma denúncia de assédio sexual feita por uma ex-assessora do partido, referente a um episódio que teria ocorrido em 2023. Não há clareza, até o momento, sobre o efeito da acusação no resultado das urnas.

As pesquisas também registraram como principais surpresas da campanha as quedas acentuadas de Luís Marques Mendes, apoiado pelo Partido Social Democrata (PSD), e do almirante Henrique Gouveia e Melo. Embora ambos sejam associados à direita — Gouveia e Melo se defina como de centro —, chegaram a liderar a corrida presidencial em momentos anteriores, mas perderam força ao longo da disputa.

Gouveia e Melo ganhou projeção nacional durante a pandemia de Covid-19, ao coordenar o plano de vacinação em Portugal, o que lhe rendeu popularidade e reconhecimento público. Ainda assim, as sondagens mais recentes indicam forte retração de seu desempenho eleitoral.

As pesquisas
Levantamento da RTP, emissora pública portuguesa, em parceria com a Universidade Católica, divulgado na sexta-feira (16), aponta André Ventura com 24% das intenções de voto, seguido por António José Seguro, com 23%, e João Cotrim de Figueiredo, com 19%.

Luís Marques Mendes aparece com 14%, após ter iniciado a campanha com cerca de 20%. Henrique Gouveia e Melo também registra 14%, ante 18% no começo da disputa. Seguro foi o candidato que mais cresceu nas projeções, saltando de 16% para 23%. Cotrim de Figueiredo subiu de 14% para 19%, embora a pesquisa tenha sido realizada antes da divulgação da denúncia de assédio.

Na sequência aparecem António Filipe, apoiado pelo Partido Comunista Português (PCP), com 2%, e Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, também com 2%. Ambos tinham 3% na primeira sondagem. A pesquisa ouviu eleitores entre os dias 15 de dezembro e 13 de janeiro.

A eleição deste domingo é a 11ª desde a redemocratização em que os portugueses escolhem diretamente o presidente da República, cargo com mandato de cinco anos. Desde a Revolução dos Cravos, o país teve cinco presidentes — todos reeleitos.

Foram eles o general António Ramalho Eanes (1976–1986), Mário Soares (1986–1996), Jorge Sampaio (1996–2006), Aníbal Cavaco Silva (2006–2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016–2026). Soares e Sampaio eram ligados ao PS, enquanto Cavaco Silva e Rebelo de Sousa tinham vínculos com o PSD.

Com informações do Holofote

Respostas de 2

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