Sem apoio da federação, o Zero Um perde espaço de articulação e enfrenta mais dificuldades para ampliar a base

Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, comunicou ao senador que a federação formada por PP e União Brasil deve adotar neutralidade no primeiro turno da eleição presidencial, frustrando a tentativa do pré-candidato do PL de fechar uma aliança com o bloco.
De acordo com informações do g1, Ciro e Flávio conversaram nesta quarta-feira (22).
O senador do PL ainda esperava atrair Progressistas e União Brasil para sua campanha, mas as duas siglas decidiram preservar espaço para acordos estaduais e liberar seus correligionários em disputas regionais.
A federação pode apoiar candidatos da direita em alguns estados e, em outros, se alinhar a aliados do presidente Lula (PT). A mesma posição de neutralidade no primeiro turno pode se repetir em um eventual segundo turno, caso a direção dos partidos mantenha a estratégia nacional.
A campanha de Flávio também recebeu uma negativa da senadora Tereza Cristina (PP-MS), convidada para ocupar a vaga de vice na chapa presidencial do PL. O comando da pré-campanha pretende insistir até 5 de agosto, prazo final das coligações, enquanto espera melhora nas intenções de voto do senador.
Antônio Rueda, presidente do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP. Foto: reprodução

Crise interna e receio de novas acusações pesam contra a aliança
Dirigentes de PP e União Brasil também demonstram pouca disposição para embarcar na candidatura de Flávio em meio a uma crise interna no campo bolsonarista. As siglas temem o surgimento de novas acusações de ligações do pré-candidato com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Uma fonte do Centrão resumiu o ambiente com a frase: “Expectativa de poder às vezes é maior do que o poder”. Em 2022, o PP se aliou ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando a relação de Ciro Nogueira com ele era considerada excelente.
A relação de Ciro com Flávio azedou porque o presidente do PP reclama que o senador do PL não saiu em sua defesa quando a Polícia Federal realizou uma operação que o atingiu. A queixa entrou no cálculo político do Progressistas para evitar compromisso nacional com a candidatura.
Flávio agora tenta abrir negociação com o Republicanos, partido que também esteve aliado a Jair Bolsonaro em 2022. A conversa enfrenta obstáculos: a sigla sinaliza neutralidade e reclama que o PL não quer apoiar seus candidatos a governador em alguns estados, como Mato Grosso, onde lançou o senador Wellington Fagundes (PL-MT) contra Otaviano Pivetta (Republicanos), que busca a reeleição; as tratativas também avançam com dificuldade em Roraima e no Acre.

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