Especialistas apontam que a atuação pode configurar crime de usurpação da função pública

Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, sem vínculos com a administração pública nem com o setor de ensino, intermediaram reuniões com o ministro da Educação, Milton Ribeiro, informa o jornal Estado de S.Paulo, citando declarações de prefeitos.

Relatos mostram que os pastores se dispunham a “resolver problemas” de prefeitos no MEC, como oferecer auxílio em prestações de contas atrasadas e pedidos de liberação de verbas para compra de ônibus escolares e construção e reforma de escolas.

“Coisas que eu não sabia em que porta bater, eles saberiam me orientar. Ajuda para resolver alguma coisa que eu não desse conta. Por exemplo, eu tenho um negócio enroscado aí, que não sai, essas coisas, para falar com eles, que eles iam me direcionar nos locais certos”, afirmou o prefeito de Guarani D’Oeste (SP), Nilson Caffer (PTB).
“Eu tinha algumas demandas e fui para tentar resolver. O rapaz que organizou (Arilton) que me incluiu na lista dessa reunião”, disse a prefeita de Israelândia (GO), Adelícia Moura (PSC).

Já o prefeito de Jandira (SP), Doutor Sato (PSDB), declarou que frequentava a igreja dos pastores e que também foi levado por eles para falar com o ministro. “Nossa, foi fantástico, foi uma coisa divina.”

Gilmar Santos, presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil, e Arilton Moura, assessor de Assuntos Políticos da entidade, têm conexões próximas com Ribeiro. O jornal paulistano diz que o gabinete do ministro foi “capturado” pelos religiosos. Especialistas apontam que a atuação pode configurar crime de usurpação da função pública.

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