Parlamentares afirmam que medida já foi discutida com Alcolumbre e pode ser única alternativa como contrafogo em meio à crise institucional. Interlocutores do presidente do Senado dizem ainda que o ideal seria que possibilidade funcionasse como arma que não precisa ser disparada para amedrontar

Senadores passaram a discutir a apresentação de um pedido de impeachment contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base em relatórios de inteligência da Polícia Federal divulgados pelo ministro Alexandre de Moraes na quinta (3). A articulação envolve aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), citado entre os alvos que teriam sido direcionados em investigações, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

Ao tornar públicos os documentos, Moraes mencionou a Lei 1.079, conhecida como Lei do Impeachment. O ministro afirmou que os fatos narrados pela PF indicariam, em tese, condutas que podem se enquadrar em improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade, com possível quebra de imparcialidade judicial e favorecimento de grupos políticos.

Os relatórios tratam da atuação de Mendonça nas relatorias das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Moraes apontou como uma das evidências de “direcionamento de determinados alvos para investigação”, entre eles o próprio magistrado e Alcolumbre, por “motivos pessoais e políticos”, além da indicação prévia de medidas cautelares que a PF apresentaria.

Alcolumbre já conversou com interlocutores de confiança sobre a possibilidade de o Senado analisar um pedido de afastamento de Mendonça. Ainda não há definição sobre quem poderia protocolar a iniciativa, que também pode partir de um cidadão, advogado, jurista ou entidade fora do Congresso.

Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP). Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Aliados de Alcolumbre avaliam estratégia no Senado

Um parlamentar próximo ao presidente do Senado afirmou que diversos senadores consideram a abertura de um processo contra Mendonça uma alternativa possível. “Muitos senadores que conversam com David acham que uma das alternativas que sobrará ao parlamento é deflagrar um processo de impeachment contra o André”, disse.

Na avaliação desse interlocutor, a medida pode ganhar força porque Alcolumbre teria se tornado alvo das apurações. Ele afirmou que os documentos detalhariam tentativas de beneficiar alguns investigados, prejudicar outros e investigar o presidente do Senado, em uma apuração que classificou como de “conotação pessoal”.

A relação entre Mendonça e Alcolumbre enfrenta tensão desde 2021, quando o então indicado ao STF aguardou por meses a análise de sua indicação no Senado. Alcolumbre presidia a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e só pautou a sabatina após pressão pública e política.

Interlocutores de Alcolumbre defendem que um eventual pedido seja apresentado por alguém de fora do Senado. Uma autoridade próxima ao presidente da Casa também avalia que não seria conveniente levar o caso imediatamente a votação, pois uma decisão sobre Mendonça poderia limitar a capacidade de Alcolumbre de barrar pedidos de impeachment apresentados contra Alexandre de Moraes.

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