A Meta, empresa controladora do Facebook, diz que é possível consultar os dados demográficos e geográficos dos anúncios, mas pesquisadores não encontram informações

Supremo Tribunal Federal foi depredado por vândalos bolsonaristas l Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Pesquisadores do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ) identificaram 981 anúncios e 99 perfis nas redes sociais que utilizaram de fraude e uso indevido das imagens dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além disso, as propagandas promoveram ataques e deslegitimaram o STF e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Desse total, 93,6% foram categorizados como sensíveis pela Meta, empresa controladora do Facebook e outros produtos como Instagram WhatsApp. Contudo, não há registro de medidas que possam inibir as fraudes.
Por exemplo, apenas 448 (45,7%) das propagandas apresentam dados de segmentação.
A empresa diz que é possível consultar os dados demográficos e geográficos de anúncios desse tipo, mas os pesquisadores do NetLab não localizaram as informações e nem os motivos pelos quais elas não estavam disponíveis.
Outros 6% dos anúncios considerados relevantes para o estudo não foram classificados como sensíveis na biblioteca da Meta.
“Nossos resultados apresentam evidências tanto do uso indevido de imagens dos ministros como também do nome das instituições em 981 anúncios veiculados entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024. Em um contexto de ataques e deslegitimação das instituições, anúncios reforçam no imaginário do público a desconfiança e o descrédito em relação ao judiciário”, dizem os pesquisadores.
A imagem de todos os atuais ministros do STF e do Ministério da Justiça são exploradas indevidamente nos anúncios coletados. Dias Toffoli aparece em 370 anúncios (30,3%), enquanto Gilmar Mendes está em 358 publicações (29,3%).
Presente em 315 anúncios (25,8%), o ministro Alexandre de Moraes é quem aparece em mais anúncios diferentes.
O atual ministro do STF Flávio Dino é mencionado em 50 anúncios, com destaque para a campanha #DinoNão, contra sua indicação ao STF.
O presidente da corte, Roberto Barroso, aparece em 32 anúncios, enquanto Rosa Weber está em 30 publicações cujo principal tema é a descriminalização do aborto (ADPF 442).
As imagens dos ministros Nunes Marques (6) e André Mendonça (3) são as que têm menor incidência nos anúncios.

Fraudes
Do total de propagandas, 595 são fraudulentas. Gilmar Mendes e Dias Toffoli são os que mais aparecem em anúncios falsos (342).
O “Direita Sempre” se destaca com 344 anúncios. Com imagens de Mendes, Toffoli e Lula no plenário do STF, o perfil convida o internauta a acessar um manual de como irritar um petista.
Em outra publicação, há imagem de Lula com Moraes para induzir que o presidente ingressou com ação para derrubar a publicação do livro de Bolsonaro.
A fraude foi alvo de denúncia da agência de checagem Lupa. De acordo com a publicação, existem inúmeras evidências de que o livro é falso.
Outros perfis publicaram o mesmo conteúdo como Direita Brasil e Jamile Secchi, que agora possui outro nome: Direita 2026.
“Entre os perfis que usam imagens do ministro Alexandre de Moraes nos golpes, destacam-se usuários comuns e anônimos. Os anúncios também divulgam o suposto livro sobre Bolsonaro por R$ 22,22. Mikaela Queiroz, com 140 anúncios, e Luiza Almeida, com 38 anúncios, utilizam o mesmo vídeo com imagem de Alexandre de Moraes”, diz a pesquisa.
De acordo com o estudo, algumas propagandas usam links que fingem ser de portais de notícia, como o G1. “Um deles simula uma notícia da Jovem Pan sobre censura ao suposto livro ‘A verdade nunca revelada’”.
“O veículo hiper partidário Gazeta do Povo publicou 5 anúncios em que faz acusações contra ministros do STF e do MJ. Nos anúncios, o jornal paranaense associa o atual ministro da Justiça Ricardo Lewandowski a um histórico de alinhamento com o PT. Além disso, afirma que Lula teria convocado aliados seus para comandar a Segurança Pública”, revela o estudo.

Parlamentares
Os pesquisadores também identificaram, entre os anunciantes, parlamentares como os deputados federais Gilson Marques (Novo) e Júlia Zanatta (PL), ambos de Santa Catarina.
O primeiro acusa os ministros de anular provas da Lava Jato para inocentar Lula e, a segunda, usam imagem de Moraes para acusar o STF de espionagem e de perseguir Bolsonaro politicamente.
Confira aqui o estudo na íntegra.

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