* Por Waldo Ferreira

A farra com o dinheiro público autorizada pela Câmara dos Deputados ao aprovar o fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões, semana passada, foi veementemente criticada pelo vereador Rodrigo Cadeirante na reunião da Câmara Municipal de terça-feira (21).
Conhecido por ser contrário à utilização de recursos do erário para financiar campanhas políticas, Rodrigo baseia seu posicionamento no fato de que o país tem outras prioridades. Para ele, o dinheiro que vai para o “fundão”, nome bem adequado ao aumento descomunal da dotação para fins eleitorais, poderia ser utilizado em investimentos nas áreas da saúde, educação, social e na infraestrutura.
O vereador lembrou que o valor é mais que o orçamento de 4 anos do município de Montes Claros (a estimativa da receita para 2022 é de R$ 1.404.822.800,00). Chama a atenção também, segundo Rodrigo Cadeirante, o fato de o aumento do valor do fundo ser proporcionalmente superior ao do salário mínimo e dos investimentos em setores estratégicos do país.
“Essa atitude despropositada dos nossos representantes, no apagar das luzes, não leva em conta, por exemplo, uma legião de pessoas que passa fome e outras tantas desabrigadas pelas enchentes que assolam o país. Para eles, a prioridade é aumentar recursos para campanha política”, enfatizou.
A crítica à utilização do fundo eleitoral se baseia ainda no próprio exemplo. Rodrigo foi o vereador mais votado do Norte de Minas abrindo mão dos fundos eleitoral e partidário, o que demonstra, na avaliação dele, que não é necessário utilizar recurso público para ser eleito. Ele também considera que o fundo é uma porta aberta para a corrupção nas campanhas e torna a disputa injusta. “O processo é desleal porque ganha um valor maior quem for amigo dos caciques políticos”, considera.
Como alternativa e para corrigir essa distorção na distribuição dos recursos, ele prepara a elaboração de um anteprojeto, a ser enviado a todos os deputados federais, para destinar aos candidatos apenas o valor suficiente para a campanha, com o beneficiado sendo obrigado a devolver a verba caso seja eleito.
O objetivo é possibilitar que, nos pleitos seguintes, o candidato que não tiver condições financeiras possa ter acesso ao montante devolvido, que será muito menor que o previsto nas regras atuais. Com isso, Rodrigo acredita que haverá uma distribuição mais justa e menos onerosa dos recursos.

* Jornalista

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