O líder do PP na Câmara, deputado Dr. Luizinho (RJ), foi flagrado tentando evitar exposição ao sair da residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília, nesta quinta-feira (7).

A visita ocorreu horas depois de a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao presidente nacional do PP, no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master.
Embora não seja alvo da operação, Dr. Luizinho foi registrado por jornalistas abaixado dentro de um carro ao deixar a casa de Ciro. As imagens repercutiram nas redes sociais e ampliaram o desgaste político no entorno do senador, apontado pela investigação como possível beneficiário de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao banco.
Após a divulgação do registro, o deputado afirmou que não tentou se esconder. “Visitei hoje à tarde o presidente Ciro Nogueira em sua residência p/levar minha solidariedade, não apenas como correligionário, mas também como amigo. Entrei e saí no carro dele, pelo portão principal da residência (com vários jornalistas na frente da casa), em um veículo praticamente sem insulfilm. O fato de eu ter decidido não comentar ou conceder entrevista na porta da residência não significa que tenha entrado ou saído escondido, até pq não haveria qualquer necessidade ou motivo para isso [SIC]”, escreveu.
A ação da Polícia Federal teve como um dos alvos a mansão de Ciro Nogueira no Lago Sul, área nobre de Brasília. No local, foram apreendidos dois veículos de luxo, uma BMW 440i e uma motocicleta Honda CB1000. A operação investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Segundo a PF, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária no Piauí, em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e também permitiu o bloqueio de bens, direitos e valores de R$ 18,85 milhões.
Na decisão, Mendonça apontou “a identificação da suposta conduta do senador em favor do banqueiro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”. Um dos presos na operação é Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro indicam proximidade entre o banqueiro e Ciro. Em uma delas, Vorcaro se refere ao senador como “grande amigo de vida”. Em outro diálogo, ele comemora uma proposta apresentada por Ciro para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, medida apelidada nos bastidores de “emenda Master”.
A PF também identificou uma mensagem em que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro, pede autorização para repasses. “Preciso que me ordene as prioridades. […] 2. Pagamento pra Ciro”, escreveu. Em seguida, Vorcaro autorizou os pagamentos da lista.
Ciro nega qualquer irregularidade. “Inferir que se refere a mim, senador Ciro Nogueira, é definitivamente uma mentira fabricada na tentativa de manchar minha biografia”, declarou. Em outra nota, afirmou estar tranquilo em relação às investigações e disse que “não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração”.