Ataque dos EUA à Venezuela inaugura nova fase na América do Sul que pode engolir o Brasil

O bombardeio dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de seu presidente, Nicolás Maduro, se inscrevem em uma longa tradição de intervenções norte-americanas na América do Sul, na América Central e no Caribe ao longo dos últimos dois séculos. Ao mesmo tempo, representam um marco inédito: trata-se do primeiro ataque militar direto dos EUA contra um país sul-americano. Em entrevista coletiva após a captura de Maduro, Donald Trump afirmou que a “dominância americana no hemisfério ocidental jamais será questionada novamente”. Desde meados do século XIX, os Estados Unidos atuam sobre países vizinhos por meio de pressão econômica e também de ações militares, com um histórico que inclui invasões, ocupações e operações encobertas. O episódio que mais se aproxima do atual é a captura do ditador panamenho Manuel Noriega, em 1989. Ações secretas dos EUA contribuíram para a derrubada de governos eleitos e para a instalação de ditaduras militares em países como Brasil, Chile e Argentina. Ainda assim, intervenções militares abertas costumavam se restringir a nações mais próximas, na América Central e no Caribe. Para Maurício Santoro, professor de relações internacionais da UERJ, o ataque à Venezuela “sinaliza uma mudança profunda na política externa e de defesa”, alinhada à nova estratégia de segurança nacional divulgada recentemente pelo governo Trump. O documento defende a ampliação da presença militar dos EUA na região, apresentada como um “corolário Trump” da Doutrina Monroe — formulada em 1823 sob o lema “América para os americanos” e usada historicamente para justificar golpes apoiados por Washington. Embora a ação de sábado dialogue com práticas do passado, ela causa impacto por não haver precedentes desde 1989, segundo Alan McPherson, professor da Temple University e autor de A Short History of US Interventions in Latin America and the Caribbean. Para ele, a ideia de que a era do imperialismo explícito teria ficado no século XX não se confirmou. Praticamente todos os países da região já sofreram algum tipo de intervenção norte-americana, aberta ou encoberta. Alguns exemplos ajudam a dimensionar esse histórico: México A anexação do Texas, então território mexicano, provocou disputas que culminaram na invasão dos EUA em 1847. Tropas americanas ocuparam a Cidade do México, e o conflito terminou em 1848 com um tratado que obrigou o país a ceder 55% de seu território, incluindo áreas que hoje correspondem a Califórnia, Nevada, Utah e partes de outros cinco estados. Cuba Em 1898, os EUA apoiaram a luta cubana contra a Espanha. Após a vitória, ocuparam a ilha até 1902 e garantiram controle permanente sobre a base de Guantánamo. Novas ocupações ocorreram entre 1906 e 1909 e entre 1917 e 1922. Após a Revolução de 1959, a CIA apoiou a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em 1961.  tHaiti Em 1915, sob o argumento de estabilizar o país e proteger interesses comerciais, os EUA invadiram o Haiti e passaram a controlar alfândegas, o Tesouro e o banco nacional até 1934. Em 1959, a CIA atuou nos bastidores para sustentar a permanência do ditador François “Papa Doc” Duvalier, visto como aliado contra a influência cubana. Brasil Embora não tenha ocorrido intervenção direta em 1964, uma força naval dos EUA ficou posicionada no litoral brasileiro caso houvesse resistência ao golpe que depôs o presidente João Goulart. Na década de 1970, CIA e FBI assessoraram estruturas repressivas de ditaduras no Brasil, Chile e Argentina durante a Operação Condor. Panamá Os EUA apoiaram a separação do Panamá da Colômbia em 1903 e mantiveram forte influência no país. Em 1989, cerca de 27 mil soldados americanos invadiram o território para capturar Manuel Noriega, antigo aliado da CIA, acusado de narcotráfico. A operação deixou entre 200 e 500 civis mortos, além de cerca de 300 soldados panamenhos, e resultou na posse de Guillermo Endara como presidente. Ainda não está claro se a Venezuela seguirá caminho semelhante. Trump afirmou que o país será “administrado” pelos EUA até que ocorra uma “transição adequada”. McPherson ressalta que intervenções norte-americanas raramente produzem estabilidade duradoura. Segundo ele, esses episódios quase sempre geram problemas prolongados de sucessão política e governabilidade. DCM

“Feliz ano novo”: as primeiras palavras de Maduro, sequestrado pelos EUA, ao chegar em NY

Presidente venezuelano foi fichado em um escritório Agência Antidrogas dos EUA e passou a noite preso em um centro de detenção Perfis oficiais ligados à Casa Branca divulgaram, na noite deste sábado (3), as primeiras imagens do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, ao chegarem nos Estados Unidos após serem sequestrados por forças norte-americanas.Mais cedo, horas após o ataque deflagrado por militares dos EUA contra alvos civis e militares em Caracas e outras cidades venezuelanas, o presidente Donald Trump já havia divulgado uma foto que mostrava Maduro, já detido, com os olhos vendados e algemados a bordo do USS Iwo Jima, navio da Marinha norte-americana.Depois, o presidente venezuelano foi levado de avião para Nova York e lá desembarcou com as mãos e pés algemados. Na sequência, o líder venezuelano foi conduzido a um escritório Agência Antidrogas dos EUA (DEA), onde foi fichado. Ao chegar no local, proferiu suas primeiras palavras públicas após o sequestro, registradas em vídeo: “Boa noite, feliz ano novo”, disse Maduro a profissionais da imprensa e agentes do DEA que estavam no local.Assista: Circulam nas redes sociais, ainda, imagens que mostram Maduro fazendo sinal de “positivo” com as mãos algemadas, ao lado dos agentes. Veja:  target=”_blank” rel=”noopener”>January 4, 2026 Ataque à Venezuela e sequestro de Maduro A Venezuela foi alvo, na madrugada deste sábado (3), de um ataque militar de grande escala por parte dos Estados Unidos. Explosões atingiram Caracas e outras regiões do país, incluindo os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, provocando pânico entre a população civil, apagões e danos a áreas próximas a instalações militares. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou publicamente que as forças norte-americanas capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e o retiraram do país. A declaração foi feita em sua rede Truth Social. Em resposta imediata à ofensiva, Caracas divulgou um comunicado oficial acusando Washington de promover uma agressão militar direta contra o país. O governo venezuelano afirmou que os bombardeios atingiram também áreas residenciais e acusou os Estados Unidos de tentar impor uma mudança de regime pela força. Segundo o comunicado oficial, o objetivo da operação seria tomar o controle de recursos estratégicos do país, especialmente petróleo e minerais. Caracas classificou a ação como uma tentativa de impor uma “guerra colonial” contra uma nação soberana. Trump diz que EUA vão governar a Venezuela O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, detalhou a operação estadunidense que atacou a Venezuela e acarretou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, neste sábado (3). Ele também enfatizou o discurso de ameaça de narcoterrorismo, e revelou que os EUA governarão a Venezuela até que a transição de governo esteja terminada. “Vamos governar o país até que uma transição adequada possa ocorrer. Vamos governar com um grupo, e vamos ter certeza de que ele vai ser governado apropriadamente. (…) Estamos designando pessoas neste momento. Vamos deixar vocês a par”, afirmou Trump. Trump exaltou a ação como “letal”, “rápida” e sem baixas norte-americanas, e reforçou reiteradamente a narrativa de combate ao narcoterrorismo e de defesa de interesses estratégicos dos EUA, como o petróleo. “Foram rapidamente superados e incapacitados. (…) Nenhum americano foi atingido ou equipamento americano foi perdido”, afirmou Trump. “Temos o melhor equipamento do mundo”, continuou. “Foi a mais deslumbrante e efetiva operação na história dos EUA. (…) Nenhum país no mundo poderia ter capacidade de fazer o que fizemos. (…) As luzes em Caracas foram apagadas. Estava escuro, foi letal”, completou. O presidente dos EUA ainda comparou a operação na Venezuela com as ocorridas em países como Irã e Afeganistão, e também deixou claro que a Venezuela é vista como um alvo estratégico, sobretudo por sua relação com o petróleo. Ele também sugeriu que Washington mantém plena capacidade de repetir intervenções militares desse porte quando considerar necessário. Trump ainda emitiu um recado direto à classe política venezuelana, elevando o tom de ameaça, e sinalizou que a operação não se restringe a um episódio isolado, mas funciona como demonstração de força e intimidação. “A Venezuela vendeu óleo americano, ativos americanos, e plataformas americanas custando bilhões e bilhões de dólares. Pegaram nossa propriedade, era nossa, nós construímos. (…) A América nunca permitirá que poderes estrangeiros roubem nossas pessoas”, disse Trump. “Todas as figuras políticas na Venezuela devem entender que o que aconteceu com Maduro pode acontecer com eles”, continuou. Trump também descartou uma possível segunda operação, e a equipe da Casa Branca confirmou que Maduro se entregou. O presidente dos EUA ainda afirmou que o país irá “reconstruir a infraestrutura americana na Venezuela”. “Uma segunda onda poderia ser necessária. Mas, agora, provavelmente não”, disse. “Vamos fazer a Venezuela grande novamente, é simples (‘Make Venezuela Great Again, that’s simple’)”, completou.

Estados Unidos agridem Venezuela e explosões são ouvidas em Caracas

Explosões e aviões em baixa altitude são ouvidos em Caracas; governo venezuelano não comenta e Maduro acusa Washington de tentar tomar o petróleo do país Ao menos sete explosões e o som de aeronaves voando em baixa altitude foram ouvidos por volta das 2h da manhã (horário local) deste sábado em Caracas, capital da Venezuela, em um episódio que intensifica o clima de alerta e reforça a sensação de que o país entrou em uma nova fase de confronto com os Estados Unidos. As informações foram divulgadas pela Associated Press (AP), que relatou que, até o momento, o governo venezuelano não respondeu a um pedido de comentário sobre o que ocorreu na cidade. Moradores de diferentes bairros correram para as ruas, tentando compreender a origem dos estrondos e a movimentação aérea incomum. A agência descreve que pessoas puderam ser vistas à distância em diversas regiões de Caracas, evidenciando a dimensão do susto e a rápida disseminação do pânico noturno. O cenário ocorre no momento em que os Estados Unidos vêm aumentando suas operações militares na região. Segundo a AP, as Forças Armadas americanas têm mirado, nos últimos dias, barcos supostamente envolvidos com tráfico de drogas, em uma ofensiva que tem sido tratada como parte de uma estratégia mais ampla de pressão contra o governo venezuelano.

Trump confirma ofensiva dos EUA contra Venezuela e diz que Maduro foi capturado

Declaração foi feita em rede social e ainda não foi confirmada por autoridades venezuelanas O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que forças americanas realizaram uma ofensiva de grande escala na Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita por meio de uma publicação em rede social e provocou imediata repercussão internacional, diante da gravidade das acusações e da ausência de confirmações independentes. As informações são do G1 Segundo Trump, a ação teria sido conduzida em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos e resultou na retirada de Maduro e de sua esposa do território venezuelano por via aérea. Até o momento, autoridades da Venezuela não confirmaram a suposta captura. Declaração de Trump e anúncio da operação Na publicação, Trump escreveu: “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos.” Trump não informou para onde Maduro teria sido levado nem esclareceu qual teria sido a base legal para a realização da operação anunciada. Também não foram apresentados documentos ou registros oficiais que sustentem a versão divulgada. Falta de confirmação oficial e silêncio de Caracas Até a última atualização das informações, o governo venezuelano não havia se pronunciado oficialmente sobre o conteúdo da declaração nem confirmado a prisão do presidente. A ausência de posicionamento oficial mantém o cenário de incerteza em torno do anúncio feito por Trump. Da mesma forma, a Casa Branca, o Pentágono e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ainda não divulgaram comunicados detalhando a suposta operação ou esclarecendo o papel das agências citadas pelo presidente americano. Tensão internacional  Trump afirmou ainda que mais informações serão apresentadas em uma coletiva de imprensa marcada para às 11h, no horário local, em Mar-a-Lago, na Flórida. O anúncio ocorre em um contexto de tensões diplomáticas entre Washington e Caracas e amplia a expectativa por esclarecimentos oficiais sobre os desdobramentos do episódio

Vereador de Montes Claros troca festa da virada por plantão em hospitais

Rodrigo Cadeirante varou a madrugada visitando unidades de saúde para fiscalizar o serviço prestado à população A falta de pediatras na Unidade de Pronto Atendimento do Chiquinho Guimarães foi constatada pessoalmente pelo vereador Rodrigo Cadeirante, durante inusitado plantão de fiscalização que fez durante a madrugada do dia 1º de janeiro, logo após a virada de 2025 para 2026.Enquanto todos ainda festejavam a chegada do ano novo, Cadeirante surpreendeu médicos, funcionários e pacientes ao chegar para checar como estava o atendimento nos hospitais e nas unidades de saúde mantidas pela rede municipal. Mesmo em recesso parlamentar, ele afirmou que a fiscalização se fazia necessária por ser uma demanda da população. Na UPA também preocupou Cadeirante o fato de duas pessoas chegarem baleadas e a Guarda Municipal não estar presente para dar segurança. Ele ligou para o vice-prefeito Otávio Rocha.A Guarda chegou em 5 minutos ao local. No Hospital Alpheu de Quadros os funcionários reclamaram do número insuficiente de técnicos de enfermagem e da má qualidade da alimentação, ao ponto de ser descartada,oferecida aos pacientes e a eles próprios. Esse problema já tinha sido constatado pelo vereador em outra fiscalização feita também de madrugada, durante o Carnaval do ano passado.A situação foi denunciada por ele na tribuna da Câmara, inclusive com requerimento ao prefeito Guilherme Guimarães e ao secretário de Saúde, Eduardo Luiz da Silva, solicitando que, ao invés de fornecer a comida a Prefeitura inclua o valor equivalente no contracheque do servidor, como auxílio-alimentação.“Conversei sobre isso diretamente com o secretário, que se mostrou favorável à minha sugestão, mas a medida ainda não foi efetivada”, revelou Cadeirante. Durante a madrugada o vereador também esteve na Santa Casa, onde pacientes reclamaram da demora para a realização da triagem. No Hospital Universitário (HU) os funcionários reforçaram a necessidade da nomeação dos aprovados no concurso de 2018, realizado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), como forma de suprir o déficit de pessoal que o hospital enfrenta.O dia já amanhecia quando Rodrigo Cadeirante chegou ao Hospital Aroldo Tourinho e finalizou a fiscalização. Ele pretende fazer um relatório e produzir documentos para encaminhar às autoridades e às direções dos locais fiscalizados.

Bispos encerram 2025 com mensagem de esperança e alertas ao Brasil

Presidência da CNBB destaca avanços sociais e econômicos, mas manifesta preocupação com retrocessos éticos, democráticos e o aumento das desigualdades A poucos dias do encerramento de 2025, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem ao povo brasileiro marcada pela reafirmação da esperança cristã e por uma leitura crítica da realidade nacional. Inspirados na passagem bíblica “a esperança não decepciona” (Rm 5,5), os bispos recordam o Natal como sinal de que nenhuma situação de escuridão é definitiva e apontam a esperança como força capaz de transformar a história.A mensagem foi publicada originalmente no site oficial da CNBB, em nota assinada pela Presidência da entidade na segunda-feira (29). No texto, os bispos reconhecem que o ano foi marcado por avanços relevantes em diferentes áreas da vida nacional, ao mesmo tempo em que expressam profunda inquietação diante de desafios persistentes e de sinais de retrocesso no campo ético, social e democrático.Entre os pontos positivos destacados, a CNBB menciona o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, a melhora de indicadores econômicos, como a queda do desemprego, a estabilidade da inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto. A mensagem também ressalta iniciativas ligadas à sustentabilidade, como a realização da COP30 no Brasil, o protagonismo do país no campo das energias renováveis e o aumento de investimentos em práticas ambientais, sociais e de governança. Experiências de participação popular e de cooperativismo são apontadas como sinais encorajadores de organização social e compromisso comunitário.Ao mesmo tempo, o documento manifesta preocupação com uma série de problemas que seguem afetando o país. Entre eles, os bispos citam o elevado custo da dívida pública, o enfraquecimento da ética na vida pública, o crescimento da corrupção e a fragilização das instituições democráticas. Também são mencionadas a flexibilização de marcos legais, o desrespeito aos povos originários, as ameaças à proteção ambiental e a permanência de profundas desigualdades sociais.A Presidência da CNBB chama atenção ainda para o aumento da violência, com destaque para os casos de feminicídio, e para a disseminação de discursos de ódio e de radicalismos, considerados fatores que dificultam o diálogo e aprofundam divisões na sociedade brasileira.No campo dos valores, a mensagem reafirma a defesa da vida humana “da concepção ao fim natural”, posicionando-se contra qualquer iniciativa de legalização do aborto. Ao mesmo tempo, os bispos sublinham que a defesa da vida não pode ser dissociada do enfrentamento da fome, da miséria e da desigualdade social, entendidas como violações concretas da dignidade humana.A democracia é apresentada como um patrimônio do povo brasileiro que exige cuidado permanente, diálogo e compromisso com o bem comum. Nesse sentido, a CNBB destaca que a preservação da vida democrática depende da participação responsável da sociedade e do fortalecimento das instituições.Ao concluir a mensagem, a Presidência da CNBB convoca a população a assumir o compromisso de ser construtora da paz, promotora da justiça e da responsabilidade social, reafirmando a esperança como caminho possível para a pacificação e a reconstrução do país diante dos desafios do tempo presente. Confira a mensagem na íntegra: MENSAGEM DE ANO NOVO “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5). Há poucos dias, celebramos o Natal de nosso Senhor Jesus Cristo. Naquela noite santa, o anjo já o disse aos pastores, e hoje repete a nós: “Não temais! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo” (Lc 2,10). Por ocasião do encerramento do Ano Jubilar, em nossas dioceses, e praticamente do ano civil, dirigimo-nos ao povo brasileiro com uma mensagem de esperança, mas, ao mesmo tempo, de grave preocupação. Como pastores, exultamos com as vitórias e conquistas e nos inquietamos – e até nos indignamos! – com alguns retrocessos no campo da ética e do cuidado com os pobres. Neste ano, são várias as notícias que nos fazem felizes e renovam nossas esperanças. No âmbito da saúde, ficamos felizes com o aumento da taxa média de médicos pelo número de habitantes e agradecemos a Deus pelo Sistema Único de Saúde. No campo econômico, alegramo-nos com a retirada de algumas tarifas norte-americanas sobre vários produtos brasileiros, a estabilidade da inflação, a taxa de desemprego em queda, o relativo crescimento do PIB, o significativo aumento do cooperativismo e a abertura de novos mercados internacionais. Orgulhamo-nos da realização da COP-30, em Belém do Pará, e também nos enleva o fato de o Brasil consolidar sua liderança em energias renováveis. A Igreja se fez presente, não como protagonista político, mas desejosa de contribuir para a construção de caminhos comuns diante da crise climática e o cuidado com a “Casa Comum”. Aumentou significativamente o investimento privado em sustentabilidade, em práticas ambientais, sociais e de governança (ESG). Os movimentos populares se alegram, sobretudo, com a realização do Plebiscito Popular sobre a redução da jornada de trabalho e a taxação proporcional à riqueza. Constatamos experiências positivas. Contudo, há também várias situações que nos entristecem e preocupam. No âmbito da convivência democrática, o ano de 2025 foi marcado por profundas tensões e retrocessos sociais, que deixaram feridas abertas no tecido social. Algumas experiências fragilizaram seriamente a confiança nas instituições e desafiaram as pessoas de boa vontade, que acreditam numa sociedade mais justa e fraterna. Entre essas, destacam-se: o pagamento exorbitante de juros e amortizações da dívida, que deixa o país sem capacidade de maior investimento em educação, saúde, moradia e segurança; o enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção na vida pública; a fragilização dos mecanismos democráticos, por causa de interesses econômicos e disputas de poder; a flexibilização de marcos legais essenciais, como a Lei da Ficha Limpa; o desrespeito pelos povos originários e tradicionais, agravado pela aprovação do Marco Temporal no Congresso Nacional; as ameaças à proteção ambiental, intensificadas pelas mudanças na Lei Geral do Licenciamento; a desigualdade social, que continua marginalizando muitos; o aumento da violência, especialmente o feminicídio e outros crimes motivados pela intolerância; o uso de drogas e o crescimento de “economias ilícitas”; a perda de decoro e a falta de

Jovem Pan se desculpa por fake news sobre taxação do Pix, após programa Pânico voltar a espalhar mentira

Ministério da Fazenda e Receita Federal alertam para volta das informações falsas nas redes sociais A Rede Jovem Pan pediu desculpas e publicou um “Erramos”, nesta segunda (29), por disseminar fake news sobre a falsa taxação do Pix. A retratação acontece após o Ministério da Fazenda e Receita Federal publicarem alertas do retorno de notícias falsas sobre o Pix nas redes sociais, dias depois do apresentador Emílio Surita, do programa Pânico, voltar a falar que transações financeiras acima de R$ 5 mil seriam tributadas pelo governo federal. “A Jovem Pan pede desculpas pelo erro e reafirma o compromisso com a correção e a veracidade das informações veiculadas em sua programação”, destaca a nota da empresa de comunicação. O Pânico é veiculado nas rádios e canais digitais da Jovem Pan e na Jovem Pan News, canal por assinatura da rede. Em nota publicada no portal, o Ministério da Fazenda classificou os boatos como uma tentativa deliberada de enganar a população. Além da inexistente cobrança sobre as transferências, o ministério negou a criação de uma multa de 150% para quem não declarasse tais valores, reiterando que a Constituição Federal proíbe a tributação de movimentações financeiras nestes moldes. “A única verdade que mensagens falsas não querem contar é que: a partir de janeiro quem ganha até R$ 5 mil estará completamente isento do imposto de renda e quem ganha até R$ 7.350 terá desconto. Isso é o que os autores dessas mensagens falsas não querem que a população saiba.
Não caia em fake news!”, disse o comunicado do órgão. A Receita Federal também se manifestou, enfatizando que a disseminação de pânico financeiro prejudica o debate público e beneficia apenas grupos interessados em desinformar. Em 15 de janeiro, o Ministério da Fazenda revogou a normativa da Receita Federal que tratava da medida. A regra apenas elevava os valores das movimentações que os bancos iriam informar sobre transações. Era de R$ 2 mil iria para R$ 5 mil para pessoas físicas e de R$ 6 mil para R$ 15 mil para pessoas jurídicas. A norma não tratava de de tributação. Segundo o órgão, o foco da política tributária atual é a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que passará a beneficiar quem recebe até R$ 5 mil a partir de janeiro, além de oferecer descontos para rendas de até R$ 7.350. Brasil de Fato

Com trabalhadores em greve, Correios anunciam fechamento de agências e demissões

Plano prevê demissão de até 15 mil funcionários e foi rechaçado por carteiros: “seguimos sem ser ouvidos” A crise nos Correios ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (29), com o anúncio de um plano de reestruturação da estatal. Em meio a uma greve nacional da categoria, a direção da empresa confirmou que pretende fechar mil agências e abrir um Programa de Demissão Voluntária (PDV) com meta de desligar até 15 mil trabalhadores, o que representa quase um quinto da força de trabalho atual. A medida, apresentada como solução para a fragilidade financeira da estatal, foi recebida com indignação por carteiros e entidades representativas. “Falam em modernização, mas o que a gente vê é fechamento de agência e corte de pessoal. Nada disso garante que o serviço vai melhorar”, afirma Suzy Cristiny, trabalhadora dos Correios e presidenta do sindicato da categoria no Acre. “É um plano que esvazia os Correios por dentro. Um triste episódio do desmonte”, completa. A proposta da empresa chega em meio à greve iniciada pela categoria no último dia 16. Após semanas de mediação, houve uma audiência de conciliação nesta segunda pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), cujo resultado não foi divulgado até o início da noite. O julgamento do dissídio coletivo está previsto para esta terça-feira (30). O plano de reestruturação foi detalhado pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon, durante coletiva em Brasília. Segundo ele, a captação de R$ 12 bilhões em crédito junto a cinco grandes bancos, com aval do Tesouro Nacional, é essencial para garantir liquidez e evitar o colapso operacional da empresa. O valor deve ser utilizado para quitar dívidas em atraso e dar fôlego ao fluxo de caixa. Outras frentes do plano incluem: Fechamento de mil agências consideradas “deficitárias”;Demissão voluntária para até 15 mil funcionários, com economia anual estimada de R$ 2,1 bilhões;Venda de imóveis não operacionais, que pode gerar até R$ 1,5 bilhão;Revisão do plano de saúde Postal Saúde, para cortar R$ 700 milhões anuais;Investimentos futuros de R$ 4,4 bilhões em automação, tecnologia da informação, e frota, previstos para o período de 2027 a 2030.“O crédito nos permite interromper a espiral negativa herdada, recuperar a capacidade operacional da empresa e avançar com segurança na reestruturação”, disse Rondon. Mas, segundo ele, o valor captado agora pode não ser suficiente: os Correios projetam necessidade adicional de R$ 8 bilhões em 2026, ainda sem definição de origem. Julgamento será nesta terça (30)Enquanto a direção aposta na reestruturação, trabalhadores seguem em greve. Após rejeitarem a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), sindicatos pedem: Reposição da inflação nos salários;Reedição do ACT anterior;Aporte federal para garantir a operação da estatal.Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro, Marcos Sant’Aguida, a proposta da empresa nega direitos e consolida o sucateamento iniciado no governo anterior. “A maioria esmagadora rejeitou o acordo porque ele não prevê reposição salarial. É um direito básico, garantido até pela jurisprudência do próprio TST”, afirmou. Na tentativa de evitar agravamento da paralisação, o presidente do TST determinou, por liminar, a manutenção de 80% do efetivo em operação, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia aos sindicatos. Mas a mobilização cresceu desde o dia 23, quando sindicatos intensificaram a adesão. “Não estamos sendo ouvidos”Na base dos Correios, o clima é de frustração. Para Wilton Domingos, que atua no interior do Mato Grosso do Sul e preside o sindicado dos carteiros no estado, o plano acentua uma lógica de esvaziamento. “Falam em crescimento, mas estão cortando quem está lá na ponta. É como se continuasse a mesma cartilha de anos atrás: encolhimento, precarização, e agora querem maquiar isso com a palavra ‘reestruturação’”, afirma. Segundo ele, o modelo de operação dos Correios ainda exige força de trabalho humana: “Só 20% da empresa é automatizada. O restante é braçal, depende de gente. E estão propondo cortar justamente onde não dá pra cortar. Como crescer sem contratar ninguém?” Wilton também critica a falta de diálogo com os trabalhadores. “Quem está na linha de frente não foi ouvido. E a gente quer recuperar contratos, melhorar os prazos, investir. Mas isso exige gente, não corte.” Apesar do discurso oficial de modernização e sustentabilidade, os trabalhadores ouvidos apontam que o plano dá continuidade ao desmonte da empresa, abrindo espaço para uma eventual abertura de capital ou parceria público-privada no futuro. “Tudo leva a crer que o objetivo é maquiar a empresa para entregar uma parte dela. Falam em tornar os Correios uma S/A, abrir capital… E a gente sabe o que isso significa”, diz Suzy. “Estão querendo vender um ativo estratégico do Estado. E tudo isso sem respeitar o papel social que os Correios têm, de garantir integração, soberania e serviço público onde ninguém mais chega.” Entenda como os Correios chegaram à criseA crise financeira dos Correios não começou em 2025, tampouco se explica apenas por ineficiência. A reportagem do Brasil de Fato analisou os balanços financeiros da empresa nos últimos 25 anos e constatou que, em 19 deles, a estatal registrou lucro, mesmo sendo responsável por uma missão constitucional da qual não pode abrir mão: a universalização do serviço postal, presente nos 5.570 municípios brasileiros. “A garantia do atendimento dos Correios a toda a população também fica prejudicada no momento que esse plano também prevê o fechamento de agências. Ou seja, tudo aquilo que os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios são contra, infelizmente está sendo elaborado e massificado nesse novo plano”, aponta afirma Suzy Cristiny. A universalização impõe um custo alto. Em milhares de cidades pequenas e regiões remotas, a operação dos Correios é deficitária, mas mantida por obrigação legal. Ainda assim, os recursos gerados nos anos lucrativos não foram reinvestidos na empresa, nem na recomposição do quadro funcional. A estatal sofreu com contingenciamentos sucessivos e ficou mais de uma década sem realizar concursos públicos, mesmo diante da aposentadoria de milhares de servidores. Entre 2011 e 2023, o número de trabalhadores encolheu quase pela metade. Além de operador logístico do setor postal, os Correios cumprem uma função estratégica de Estado. A empresa

Deputado de Montes Claros, sede de fábrica da Alpargatas, endossa coro contra Havaianas

Delegado Marcelo Freitas, deputado federal montes-clarense, fez vídeo segurando chinelo de concorrente em referência à campanha de políticos de direita contra a empresa brasileira Rádio Itatiaia O deputado federal Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG) embarcou na polêmica gerada por um comercial da Havaianas com um vídeo publicado em seu perfil no Instagram. Nos comentários do registro publicado na quinta-feira (25), usuários da rede social criticaram a iniciativa argumentando que a marca de sandálias tem uma fábrica e gera empregos em Montes Claros, no Norte de Minas, cidade natal e reduto eleitoral do parlamentar. “Minha sogra me trouxe um presente de Natal. E eu quero dizer a todos que vou iniciar meu ano de 2026 com o pé direito. Havaianas não! Aqui nós estamos indo de Grendene”, diz o parlamentar no vídeo enquanto mostra o chinelo recebido como presente natalino. https://www.instagram.com/delegadomarcelofreitas/?utm_source=ig_embed&ig_rid=4884cd0e-1363-4e21-a7a2-d25938c00461 “Alguém avisa pra ele que a unidade da Alpargatas de Montes Claros, emprega 2.250 funcionários,será que se a unidade Moc fechar ele vai empregar esse povo?”, diz um dos comentários da publicação. “Você é funcionário do povo talvez não lembre, Havaianas gera muitos empregos aqui na região, coisa que vc deveria trabalhar para manter essas pessoas com seus empregos, mas pelo pensamento pequeno prefere entrar em uma onda que não traz benefícios nenhum para região”, diz outro de dezenas de comentários com a mesma linha de argumentação. Freitas faz referência à campanha publicitária da Havaianas em que a atriz Fernanda Torres pede que seu interlocutor não comece o ano com o pé direito, mas com ‘os dois pés na porta’ em sugestão a um comportamento corajoso e intenso. A peça publicitária foi interpretada como uma crítica velada à direita por parte de políticos e movimentos conservadores, que iniciaram uma campanha de boicote à empresa. A reportagem entrou em contato com o deputado e mantém o espaço aberto para uma manifestação do parlamentar. Havaianas em Montes ClarosA fábrica da Alpargatas — empresa dona da marca Havaianas — foi instalada em Montes Claros em 2013. Os cálculos do Governo de Minas à época apontavam para a criação de 2.250 empregos diretos com a indústria e mais 3 mil indiretos. Segundo o relatório da Alpargatas de 2024, a empresa vendeu 226 milhões de pares de sandálias no ano, sendo que 32% da produção (72,3 milhões) acontece em Montes Claros. A empresa também atua em Minas Gerais com um centro de distribuição em Extrema, no Sul do estado.

Tesouro autoriza crédito de R$ 12 bilhões para plano de recuperação dos Correios

Os Correios passaram a contar oficialmente com uma nova linha de financiamento de R$ 12 bilhões destinada à recuperação de sua situação financeira. O extrato do contrato de empréstimo foi publicado neste sábado (27) em edição extra do Diário Oficial da União pelo Ministério das Comunicações, formalizando uma operação aprovada pelo Tesouro Nacional no último dia 18. A operação foi estruturada com participação de cinco instituições financeiras: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O valor autorizado ficou abaixo do pedido inicial de R$ 20 bilhões, que havia sido negado pelo Tesouro no começo do mês. O contrato estabelece prazo total de 15 anos para quitação, com três anos de carência antes do início dos pagamentos. A taxa de juros foi fixada em 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), índice usado como referência no mercado financeiro e que acompanha de perto a taxa básica de juros, a Selic. O percentual adotado ficou abaixo do teto de 120% do CDI que costuma ser aplicado pelo Tesouro em operações desse tipo com garantia da União. Os recursos poderão ser utilizados tanto para reforçar o capital de giro quanto para financiar investimentos considerados estratégicos dentro do plano de reestruturação da empresa. A verba também poderá cobrir custos associados à própria operação de crédito, como a comissão de estruturação e outras despesas vinculadas ao processo de reorganização financeira De acordo com o Tesouro Nacional, a autorização foi concedida porque a proposta apresentada pelos Correios atende aos critérios de capacidade de pagamento exigidos para empresas estatais que possuem plano de reequilíbrio financeiro validado pelas instâncias responsáveis. Contém informações da Agência Brasil