Na ONU, Brasil rejeita criação de protetorados como solução para a Venezuela

Posição brasileira foi apresentada após ação militar dos Estados Unidos que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro O Brasil manifestou, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, posição contrária a qualquer solução para a crise na Venezuela que envolva controle estrangeiro ou administração externa prolongada. A diplomacia brasileira defendeu que o enfrentamento da situação no país deve ocorrer com respeito à soberania nacional e à autodeterminação do povo venezuelano, dentro dos marcos constitucionais. A posição do Brasil foi apresentada pelo embaixador Sérgio Danese durante sessão convocada para debater a ação militar ordenada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. As informações são da Folha de São Paulo. Posição brasileira no Conselho de Segurança Embora o Brasil não integre atualmente o Conselho de Segurança da ONU, o governo solicitou participação formal no encontro, realizado nesta segunda-feira (5), em razão da relevância regional do tema e dos impactos da crise venezuelana para a América do Sul. Declaração de Sérgio Danese Durante sua intervenção, o representante brasileiro rejeitou explicitamente a ideia de tutela internacional sobre o país. “O Brasil não acredita que a solução da situação da Venezuela passe pela criação de protetorados no país, mas por soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano no marco da sua Constituição”, afirmou Sérgio Danese. Contexto da ação dos Estados Unidos A reunião ocorreu após o anúncio feito no sábado (3) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Nicolás Maduro havia sido retirado da Venezuela e estava sendo transportado para Nova York. Horas depois, em coletiva de imprensa, Trump declarou que os Estados Unidos assumiriam temporariamente o governo do país caribenho até que fosse possível viabilizar um processo de transição. O presidente estadunidense também afirmou que empresas dos Estados Unidos passariam a atuar na exploração da indústria petrolífera venezuelana, setor estratégico para a economia do país. A manifestação brasileira reforçou a defesa de soluções baseadas no diálogo, no respeito à soberania e na legalidade constitucional.

Maduro chega a tribunal em Nova York para primeira audiência

Presidente venezuelano comparece à Justiça dos EUA após ser sequestrado O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou na manhã desta segunda-feira (5) a um tribunal federal de Nova York para participar de sua primeira audiência judicial nos Estados Unidos. Ele foi levado ao local acompanhado da esposa, Cilia Flores, após deixar o Metropolitan Detention Center (MDC), onde estava detido desde sábado (3), quando foi sequestrado em Caracas. A audiência está marcada para as 14h (horário de Brasília) e será conduzida pelo juiz distrital Alvin Hellerstein, magistrado de 92 anos com longa trajetória na Justiça americana e atuação em processos de grande repercussão.  No sábado, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou uma nova acusação formal contra Maduro, inserida em um processo criminal que, de acordo com o governo federal americano, tramita há cerca de 15 anos. A denúncia mantém as mesmas quatro acusações apresentadas anteriormente em Nova York, em 2020: narco-terrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e conspiração. O caso ocorre em meio a forte repercussão internacional. Ainda nesta segunda-feira, o Conselho da ONU se reúne para discutir o sequestro do presidente venezuelano. No cenário político, a presidente interina da Venezuela afirmou que pretende trabalhar “junto” com os Estados Unidos, enquanto Donald Trump, presidente norte-americano, sugeriu um segundo ataque contra a Venezuela caso o governo “não se comportar”.

STF terá evento para lembrar 3 anos de atos golpistas de 8 de janeiro

Defesa da democracia – Programação relembra invasão das sedes dos poderes, em Brasília O Supremo Tribunal Federal (STF) promove, no próximo dia 8 de janeiro, em Brasília, evento para relembrar os atos golpistas de três anos atrás, quando alguns milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro – exigindo um golpe militar – invadiram e depredaram prédios dos poderes na capital da República. Para marcar a data, a Suprema Corte realiza o evento “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”. A programação inclui a abertura de uma exposição, a exibição de um documentário, uma roda de conversa com jornalistas e uma mesa de debate. No início da tarde de 8 de janeiro haverá a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, a ser exibida no Espaço do Servidor, no STF. Em seguida, será exibido o documentário “Democracia Inabalada: Mãos da Reconstrução” no Museu do próprio tribunal. A programação segue com uma roda de conversa com profissionais da imprensa sobre o tema, também no Museu do STF, e finaliza com a mesa-redonda “Um dia para não esquecer”, no salão nobre do Supremo. Golpe de EstadoAo lembrar os dois anos do 8 de janeiro, neste ano, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que os atos golpistas foram a “face visível” de um movimento “subterrâneo” que articulava um golpe de Estado. “Relembrar esta data, com a gravidade que o episódio merece, constitui, também, um esforço para virarmos a página, mas sem arrancá-la da história”, frisou Fachin durante cerimônia que lembrou os dois anos do 8 de janeiro. Atos golpistasLogo após o resultado da eleição ser divulgada em 30 de outubro de 2022, teve início um movimento pedindo um golpe militar para impedir que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva assumisse o cargo. Houve fechamento de rodovias e acampamentos golpistas foram montados em frente aos quartéis em várias cidades do país. Marcaram também a escalada de atos golpistas a implantação de uma bomba próxima ao Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal, e a invasão de uma delegacia da Polícia Federal (PF) após a queima de ônibus no dia da diplomação de Lula, também em Brasília. Após investigações sobre esses atos, o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados próximos por tentativa de golpe de Estado e outros delitos, responsabilizando o ex-presidente por uma conspiração contra o resultado eleitoral com objetivo de permanecer no poder após a derrota em 2022. Segundo a condenação, Bolsonaro tentou convencer os comandantes militares a aderir a um golpe de Estado para anular as eleições. Conteúdo originalmente publicado em: Agência Brasil

França bloqueia frutas do Mercosul por uso de agrotóxicos proibidos proibidos na Europa

Medida foi anunciada pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, e tem como alvo frutas que possam conter resíduos de agrotóxicos A França anunciou a suspensão da importação de frutas provenientes do Mercosul que contenham resíduos de agrotóxicos proibidos na União Europeia. A decisão foi comunicada no início da noite deste domingo (4) pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu e tende a acirrar as negociações do acordo comercial entre os dois blocos. Em “carta aberta aos agricultores da França”, Lecornu afirmou: “Portarias serão adotadas pelo governo esta semana para suspender a importação de gêneros alimentícios provenientes de países da América do Sul, como abacates e maçãs, contendo resíduos de cinco substâncias, no entanto, já proibidas na Europa”. Em publicação na rede X, ele citou mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim, além de indicar impacto sobre abacate, maçã, manga, goiaba, cítricos e uvas. Segundo o premiê, “os controles sobre as importações serão maciçamente reforçados, nas fronteiras e dentro do território [francês]”. Ele acrescentou: “Acabo de endurecer as instruções a esse respeito. Cabe, doravante, à União Europeia amplificar rapidamente essas ações na escala de todo o mercado europeu”. Efeito nas negociações com o Mercosul A França é a principal opositora do acordo de redução tarifária com o Mercosul, sob pressão de agricultores locais. Em dezembro, com apoio da Itália, Paris conseguiu adiar a assinatura final para janeiro, alegando a necessidade de salvaguardas e controles sanitários. O adiamento irritou o presidente Lula (PT), que concordou em postergar a cerimônia após conversa com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. O Brasil sinaliza que pode abandonar as negociações se houver nova postergação, enquanto a França atua para barrar a entrada em vigor do acordo, que ainda depende do Parlamento Europeu.

Ataque dos EUA à Venezuela inaugura nova fase na América do Sul que pode engolir o Brasil

O bombardeio dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de seu presidente, Nicolás Maduro, se inscrevem em uma longa tradição de intervenções norte-americanas na América do Sul, na América Central e no Caribe ao longo dos últimos dois séculos. Ao mesmo tempo, representam um marco inédito: trata-se do primeiro ataque militar direto dos EUA contra um país sul-americano. Em entrevista coletiva após a captura de Maduro, Donald Trump afirmou que a “dominância americana no hemisfério ocidental jamais será questionada novamente”. Desde meados do século XIX, os Estados Unidos atuam sobre países vizinhos por meio de pressão econômica e também de ações militares, com um histórico que inclui invasões, ocupações e operações encobertas. O episódio que mais se aproxima do atual é a captura do ditador panamenho Manuel Noriega, em 1989. Ações secretas dos EUA contribuíram para a derrubada de governos eleitos e para a instalação de ditaduras militares em países como Brasil, Chile e Argentina. Ainda assim, intervenções militares abertas costumavam se restringir a nações mais próximas, na América Central e no Caribe. Para Maurício Santoro, professor de relações internacionais da UERJ, o ataque à Venezuela “sinaliza uma mudança profunda na política externa e de defesa”, alinhada à nova estratégia de segurança nacional divulgada recentemente pelo governo Trump. O documento defende a ampliação da presença militar dos EUA na região, apresentada como um “corolário Trump” da Doutrina Monroe — formulada em 1823 sob o lema “América para os americanos” e usada historicamente para justificar golpes apoiados por Washington. Embora a ação de sábado dialogue com práticas do passado, ela causa impacto por não haver precedentes desde 1989, segundo Alan McPherson, professor da Temple University e autor de A Short History of US Interventions in Latin America and the Caribbean. Para ele, a ideia de que a era do imperialismo explícito teria ficado no século XX não se confirmou. Praticamente todos os países da região já sofreram algum tipo de intervenção norte-americana, aberta ou encoberta. Alguns exemplos ajudam a dimensionar esse histórico: México A anexação do Texas, então território mexicano, provocou disputas que culminaram na invasão dos EUA em 1847. Tropas americanas ocuparam a Cidade do México, e o conflito terminou em 1848 com um tratado que obrigou o país a ceder 55% de seu território, incluindo áreas que hoje correspondem a Califórnia, Nevada, Utah e partes de outros cinco estados. Cuba Em 1898, os EUA apoiaram a luta cubana contra a Espanha. Após a vitória, ocuparam a ilha até 1902 e garantiram controle permanente sobre a base de Guantánamo. Novas ocupações ocorreram entre 1906 e 1909 e entre 1917 e 1922. Após a Revolução de 1959, a CIA apoiou a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em 1961.  tHaiti Em 1915, sob o argumento de estabilizar o país e proteger interesses comerciais, os EUA invadiram o Haiti e passaram a controlar alfândegas, o Tesouro e o banco nacional até 1934. Em 1959, a CIA atuou nos bastidores para sustentar a permanência do ditador François “Papa Doc” Duvalier, visto como aliado contra a influência cubana. Brasil Embora não tenha ocorrido intervenção direta em 1964, uma força naval dos EUA ficou posicionada no litoral brasileiro caso houvesse resistência ao golpe que depôs o presidente João Goulart. Na década de 1970, CIA e FBI assessoraram estruturas repressivas de ditaduras no Brasil, Chile e Argentina durante a Operação Condor. Panamá Os EUA apoiaram a separação do Panamá da Colômbia em 1903 e mantiveram forte influência no país. Em 1989, cerca de 27 mil soldados americanos invadiram o território para capturar Manuel Noriega, antigo aliado da CIA, acusado de narcotráfico. A operação deixou entre 200 e 500 civis mortos, além de cerca de 300 soldados panamenhos, e resultou na posse de Guillermo Endara como presidente. Ainda não está claro se a Venezuela seguirá caminho semelhante. Trump afirmou que o país será “administrado” pelos EUA até que ocorra uma “transição adequada”. McPherson ressalta que intervenções norte-americanas raramente produzem estabilidade duradoura. Segundo ele, esses episódios quase sempre geram problemas prolongados de sucessão política e governabilidade. DCM

“Feliz ano novo”: as primeiras palavras de Maduro, sequestrado pelos EUA, ao chegar em NY

Presidente venezuelano foi fichado em um escritório Agência Antidrogas dos EUA e passou a noite preso em um centro de detenção Perfis oficiais ligados à Casa Branca divulgaram, na noite deste sábado (3), as primeiras imagens do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, ao chegarem nos Estados Unidos após serem sequestrados por forças norte-americanas.Mais cedo, horas após o ataque deflagrado por militares dos EUA contra alvos civis e militares em Caracas e outras cidades venezuelanas, o presidente Donald Trump já havia divulgado uma foto que mostrava Maduro, já detido, com os olhos vendados e algemados a bordo do USS Iwo Jima, navio da Marinha norte-americana.Depois, o presidente venezuelano foi levado de avião para Nova York e lá desembarcou com as mãos e pés algemados. Na sequência, o líder venezuelano foi conduzido a um escritório Agência Antidrogas dos EUA (DEA), onde foi fichado. Ao chegar no local, proferiu suas primeiras palavras públicas após o sequestro, registradas em vídeo: “Boa noite, feliz ano novo”, disse Maduro a profissionais da imprensa e agentes do DEA que estavam no local.Assista: Circulam nas redes sociais, ainda, imagens que mostram Maduro fazendo sinal de “positivo” com as mãos algemadas, ao lado dos agentes. Veja:  target=”_blank” rel=”noopener”>January 4, 2026 Ataque à Venezuela e sequestro de Maduro A Venezuela foi alvo, na madrugada deste sábado (3), de um ataque militar de grande escala por parte dos Estados Unidos. Explosões atingiram Caracas e outras regiões do país, incluindo os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, provocando pânico entre a população civil, apagões e danos a áreas próximas a instalações militares. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou publicamente que as forças norte-americanas capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e o retiraram do país. A declaração foi feita em sua rede Truth Social. Em resposta imediata à ofensiva, Caracas divulgou um comunicado oficial acusando Washington de promover uma agressão militar direta contra o país. O governo venezuelano afirmou que os bombardeios atingiram também áreas residenciais e acusou os Estados Unidos de tentar impor uma mudança de regime pela força. Segundo o comunicado oficial, o objetivo da operação seria tomar o controle de recursos estratégicos do país, especialmente petróleo e minerais. Caracas classificou a ação como uma tentativa de impor uma “guerra colonial” contra uma nação soberana. Trump diz que EUA vão governar a Venezuela O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, detalhou a operação estadunidense que atacou a Venezuela e acarretou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, neste sábado (3). Ele também enfatizou o discurso de ameaça de narcoterrorismo, e revelou que os EUA governarão a Venezuela até que a transição de governo esteja terminada. “Vamos governar o país até que uma transição adequada possa ocorrer. Vamos governar com um grupo, e vamos ter certeza de que ele vai ser governado apropriadamente. (…) Estamos designando pessoas neste momento. Vamos deixar vocês a par”, afirmou Trump. Trump exaltou a ação como “letal”, “rápida” e sem baixas norte-americanas, e reforçou reiteradamente a narrativa de combate ao narcoterrorismo e de defesa de interesses estratégicos dos EUA, como o petróleo. “Foram rapidamente superados e incapacitados. (…) Nenhum americano foi atingido ou equipamento americano foi perdido”, afirmou Trump. “Temos o melhor equipamento do mundo”, continuou. “Foi a mais deslumbrante e efetiva operação na história dos EUA. (…) Nenhum país no mundo poderia ter capacidade de fazer o que fizemos. (…) As luzes em Caracas foram apagadas. Estava escuro, foi letal”, completou. O presidente dos EUA ainda comparou a operação na Venezuela com as ocorridas em países como Irã e Afeganistão, e também deixou claro que a Venezuela é vista como um alvo estratégico, sobretudo por sua relação com o petróleo. Ele também sugeriu que Washington mantém plena capacidade de repetir intervenções militares desse porte quando considerar necessário. Trump ainda emitiu um recado direto à classe política venezuelana, elevando o tom de ameaça, e sinalizou que a operação não se restringe a um episódio isolado, mas funciona como demonstração de força e intimidação. “A Venezuela vendeu óleo americano, ativos americanos, e plataformas americanas custando bilhões e bilhões de dólares. Pegaram nossa propriedade, era nossa, nós construímos. (…) A América nunca permitirá que poderes estrangeiros roubem nossas pessoas”, disse Trump. “Todas as figuras políticas na Venezuela devem entender que o que aconteceu com Maduro pode acontecer com eles”, continuou. Trump também descartou uma possível segunda operação, e a equipe da Casa Branca confirmou que Maduro se entregou. O presidente dos EUA ainda afirmou que o país irá “reconstruir a infraestrutura americana na Venezuela”. “Uma segunda onda poderia ser necessária. Mas, agora, provavelmente não”, disse. “Vamos fazer a Venezuela grande novamente, é simples (‘Make Venezuela Great Again, that’s simple’)”, completou.

Estados Unidos agridem Venezuela e explosões são ouvidas em Caracas

Explosões e aviões em baixa altitude são ouvidos em Caracas; governo venezuelano não comenta e Maduro acusa Washington de tentar tomar o petróleo do país Ao menos sete explosões e o som de aeronaves voando em baixa altitude foram ouvidos por volta das 2h da manhã (horário local) deste sábado em Caracas, capital da Venezuela, em um episódio que intensifica o clima de alerta e reforça a sensação de que o país entrou em uma nova fase de confronto com os Estados Unidos. As informações foram divulgadas pela Associated Press (AP), que relatou que, até o momento, o governo venezuelano não respondeu a um pedido de comentário sobre o que ocorreu na cidade. Moradores de diferentes bairros correram para as ruas, tentando compreender a origem dos estrondos e a movimentação aérea incomum. A agência descreve que pessoas puderam ser vistas à distância em diversas regiões de Caracas, evidenciando a dimensão do susto e a rápida disseminação do pânico noturno. O cenário ocorre no momento em que os Estados Unidos vêm aumentando suas operações militares na região. Segundo a AP, as Forças Armadas americanas têm mirado, nos últimos dias, barcos supostamente envolvidos com tráfico de drogas, em uma ofensiva que tem sido tratada como parte de uma estratégia mais ampla de pressão contra o governo venezuelano.

Trump confirma ofensiva dos EUA contra Venezuela e diz que Maduro foi capturado

Declaração foi feita em rede social e ainda não foi confirmada por autoridades venezuelanas O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que forças americanas realizaram uma ofensiva de grande escala na Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita por meio de uma publicação em rede social e provocou imediata repercussão internacional, diante da gravidade das acusações e da ausência de confirmações independentes. As informações são do G1 Segundo Trump, a ação teria sido conduzida em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos e resultou na retirada de Maduro e de sua esposa do território venezuelano por via aérea. Até o momento, autoridades da Venezuela não confirmaram a suposta captura. Declaração de Trump e anúncio da operação Na publicação, Trump escreveu: “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos.” Trump não informou para onde Maduro teria sido levado nem esclareceu qual teria sido a base legal para a realização da operação anunciada. Também não foram apresentados documentos ou registros oficiais que sustentem a versão divulgada. Falta de confirmação oficial e silêncio de Caracas Até a última atualização das informações, o governo venezuelano não havia se pronunciado oficialmente sobre o conteúdo da declaração nem confirmado a prisão do presidente. A ausência de posicionamento oficial mantém o cenário de incerteza em torno do anúncio feito por Trump. Da mesma forma, a Casa Branca, o Pentágono e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ainda não divulgaram comunicados detalhando a suposta operação ou esclarecendo o papel das agências citadas pelo presidente americano. Tensão internacional  Trump afirmou ainda que mais informações serão apresentadas em uma coletiva de imprensa marcada para às 11h, no horário local, em Mar-a-Lago, na Flórida. O anúncio ocorre em um contexto de tensões diplomáticas entre Washington e Caracas e amplia a expectativa por esclarecimentos oficiais sobre os desdobramentos do episódio

Vereador de Montes Claros troca festa da virada por plantão em hospitais

Rodrigo Cadeirante varou a madrugada visitando unidades de saúde para fiscalizar o serviço prestado à população A falta de pediatras na Unidade de Pronto Atendimento do Chiquinho Guimarães foi constatada pessoalmente pelo vereador Rodrigo Cadeirante, durante inusitado plantão de fiscalização que fez durante a madrugada do dia 1º de janeiro, logo após a virada de 2025 para 2026.Enquanto todos ainda festejavam a chegada do ano novo, Cadeirante surpreendeu médicos, funcionários e pacientes ao chegar para checar como estava o atendimento nos hospitais e nas unidades de saúde mantidas pela rede municipal. Mesmo em recesso parlamentar, ele afirmou que a fiscalização se fazia necessária por ser uma demanda da população. Na UPA também preocupou Cadeirante o fato de duas pessoas chegarem baleadas e a Guarda Municipal não estar presente para dar segurança. Ele ligou para o vice-prefeito Otávio Rocha.A Guarda chegou em 5 minutos ao local. No Hospital Alpheu de Quadros os funcionários reclamaram do número insuficiente de técnicos de enfermagem e da má qualidade da alimentação, ao ponto de ser descartada,oferecida aos pacientes e a eles próprios. Esse problema já tinha sido constatado pelo vereador em outra fiscalização feita também de madrugada, durante o Carnaval do ano passado.A situação foi denunciada por ele na tribuna da Câmara, inclusive com requerimento ao prefeito Guilherme Guimarães e ao secretário de Saúde, Eduardo Luiz da Silva, solicitando que, ao invés de fornecer a comida a Prefeitura inclua o valor equivalente no contracheque do servidor, como auxílio-alimentação.“Conversei sobre isso diretamente com o secretário, que se mostrou favorável à minha sugestão, mas a medida ainda não foi efetivada”, revelou Cadeirante. Durante a madrugada o vereador também esteve na Santa Casa, onde pacientes reclamaram da demora para a realização da triagem. No Hospital Universitário (HU) os funcionários reforçaram a necessidade da nomeação dos aprovados no concurso de 2018, realizado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), como forma de suprir o déficit de pessoal que o hospital enfrenta.O dia já amanhecia quando Rodrigo Cadeirante chegou ao Hospital Aroldo Tourinho e finalizou a fiscalização. Ele pretende fazer um relatório e produzir documentos para encaminhar às autoridades e às direções dos locais fiscalizados.

Bispos encerram 2025 com mensagem de esperança e alertas ao Brasil

Presidência da CNBB destaca avanços sociais e econômicos, mas manifesta preocupação com retrocessos éticos, democráticos e o aumento das desigualdades A poucos dias do encerramento de 2025, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem ao povo brasileiro marcada pela reafirmação da esperança cristã e por uma leitura crítica da realidade nacional. Inspirados na passagem bíblica “a esperança não decepciona” (Rm 5,5), os bispos recordam o Natal como sinal de que nenhuma situação de escuridão é definitiva e apontam a esperança como força capaz de transformar a história.A mensagem foi publicada originalmente no site oficial da CNBB, em nota assinada pela Presidência da entidade na segunda-feira (29). No texto, os bispos reconhecem que o ano foi marcado por avanços relevantes em diferentes áreas da vida nacional, ao mesmo tempo em que expressam profunda inquietação diante de desafios persistentes e de sinais de retrocesso no campo ético, social e democrático.Entre os pontos positivos destacados, a CNBB menciona o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, a melhora de indicadores econômicos, como a queda do desemprego, a estabilidade da inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto. A mensagem também ressalta iniciativas ligadas à sustentabilidade, como a realização da COP30 no Brasil, o protagonismo do país no campo das energias renováveis e o aumento de investimentos em práticas ambientais, sociais e de governança. Experiências de participação popular e de cooperativismo são apontadas como sinais encorajadores de organização social e compromisso comunitário.Ao mesmo tempo, o documento manifesta preocupação com uma série de problemas que seguem afetando o país. Entre eles, os bispos citam o elevado custo da dívida pública, o enfraquecimento da ética na vida pública, o crescimento da corrupção e a fragilização das instituições democráticas. Também são mencionadas a flexibilização de marcos legais, o desrespeito aos povos originários, as ameaças à proteção ambiental e a permanência de profundas desigualdades sociais.A Presidência da CNBB chama atenção ainda para o aumento da violência, com destaque para os casos de feminicídio, e para a disseminação de discursos de ódio e de radicalismos, considerados fatores que dificultam o diálogo e aprofundam divisões na sociedade brasileira.No campo dos valores, a mensagem reafirma a defesa da vida humana “da concepção ao fim natural”, posicionando-se contra qualquer iniciativa de legalização do aborto. Ao mesmo tempo, os bispos sublinham que a defesa da vida não pode ser dissociada do enfrentamento da fome, da miséria e da desigualdade social, entendidas como violações concretas da dignidade humana.A democracia é apresentada como um patrimônio do povo brasileiro que exige cuidado permanente, diálogo e compromisso com o bem comum. Nesse sentido, a CNBB destaca que a preservação da vida democrática depende da participação responsável da sociedade e do fortalecimento das instituições.Ao concluir a mensagem, a Presidência da CNBB convoca a população a assumir o compromisso de ser construtora da paz, promotora da justiça e da responsabilidade social, reafirmando a esperança como caminho possível para a pacificação e a reconstrução do país diante dos desafios do tempo presente. Confira a mensagem na íntegra: MENSAGEM DE ANO NOVO “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5). Há poucos dias, celebramos o Natal de nosso Senhor Jesus Cristo. Naquela noite santa, o anjo já o disse aos pastores, e hoje repete a nós: “Não temais! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo” (Lc 2,10). Por ocasião do encerramento do Ano Jubilar, em nossas dioceses, e praticamente do ano civil, dirigimo-nos ao povo brasileiro com uma mensagem de esperança, mas, ao mesmo tempo, de grave preocupação. Como pastores, exultamos com as vitórias e conquistas e nos inquietamos – e até nos indignamos! – com alguns retrocessos no campo da ética e do cuidado com os pobres. Neste ano, são várias as notícias que nos fazem felizes e renovam nossas esperanças. No âmbito da saúde, ficamos felizes com o aumento da taxa média de médicos pelo número de habitantes e agradecemos a Deus pelo Sistema Único de Saúde. No campo econômico, alegramo-nos com a retirada de algumas tarifas norte-americanas sobre vários produtos brasileiros, a estabilidade da inflação, a taxa de desemprego em queda, o relativo crescimento do PIB, o significativo aumento do cooperativismo e a abertura de novos mercados internacionais. Orgulhamo-nos da realização da COP-30, em Belém do Pará, e também nos enleva o fato de o Brasil consolidar sua liderança em energias renováveis. A Igreja se fez presente, não como protagonista político, mas desejosa de contribuir para a construção de caminhos comuns diante da crise climática e o cuidado com a “Casa Comum”. Aumentou significativamente o investimento privado em sustentabilidade, em práticas ambientais, sociais e de governança (ESG). Os movimentos populares se alegram, sobretudo, com a realização do Plebiscito Popular sobre a redução da jornada de trabalho e a taxação proporcional à riqueza. Constatamos experiências positivas. Contudo, há também várias situações que nos entristecem e preocupam. No âmbito da convivência democrática, o ano de 2025 foi marcado por profundas tensões e retrocessos sociais, que deixaram feridas abertas no tecido social. Algumas experiências fragilizaram seriamente a confiança nas instituições e desafiaram as pessoas de boa vontade, que acreditam numa sociedade mais justa e fraterna. Entre essas, destacam-se: o pagamento exorbitante de juros e amortizações da dívida, que deixa o país sem capacidade de maior investimento em educação, saúde, moradia e segurança; o enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção na vida pública; a fragilização dos mecanismos democráticos, por causa de interesses econômicos e disputas de poder; a flexibilização de marcos legais essenciais, como a Lei da Ficha Limpa; o desrespeito pelos povos originários e tradicionais, agravado pela aprovação do Marco Temporal no Congresso Nacional; as ameaças à proteção ambiental, intensificadas pelas mudanças na Lei Geral do Licenciamento; a desigualdade social, que continua marginalizando muitos; o aumento da violência, especialmente o feminicídio e outros crimes motivados pela intolerância; o uso de drogas e o crescimento de “economias ilícitas”; a perda de decoro e a falta de