Espanha domina Argentina, vence na prorrogação e leva o bi da Copa

Ferran Torres sai do banco para devolver a Fúria ao topo após 16 anos Foram 16 anos de espera até que uma nova e talentosa geração recolocasse a Espanha no topo do futebol. Muitos dos ídolos da conquista de 2010, na África do Sul, estiveram em Nova Jersey neste domingo (19). Iker Casillas, Xavi Hernández, Carles Puyol, Andrés Iniesta – autor do gol daquele título – e até mesmo Joan Capdevilla, liberado de última hora para viajar aos Estados Unidos e que chegou lá a tempo de se emocionar com a sonhada segunda estrela. Sim, a Fúria (apelido da seleção espanhola) é, mais uma vez, campeã da Copa do Mundo.Os espanhóis tiveram pela frente os atuais donos da taça. A vitória por 1 a 0 sobre a Argentina, na prorrogação, após um verdadeiro “amasso” durante 120 minutos de jogo, colocou a seleção europeia no grupo seleto de bicampeões mundiais, que também tem Uruguai e França – além, claro, daqueles com três ou mais títulos, como os próprios argentinos e, o maior de todos os ganhadores e único penta, o Brasil.Diferentemente de 2010, o herói do título saiu do banco de reservas. Mas, Ferran Torres e Iniesta têm algo em comum. No momento em que decidiram a Copa para a Espanha, ambos representavam o Barcelona. Ao contrário do ex-meio-campista, revelado no clube catalão, o atacante de 26 anos é cria do Valência e passou pelo Manchester City (Inglaterra) antes de chegar ao Barça.Com a sexta menor média de idade da Copa (26,2), a Fúria deixou um recado claro para 2030, quando será uma das sedes: é favorita para buscar o tri. Afinal, possui nomes como os meias Gavi e Pedri e o atacante Nico Williams – que sequer terão completado 30 anos – a caminho do terceiro Mundial. Mesmo os veteranos do elenco, como o volante Rodri (terá 34 anos) ou o lateral Marc Cucurella (32), podem muito bem chegar lá.E o que dizer de Lamine Yamal? O atacante de 19 anos é o mais jovem campeão mundial desde Ronaldo, que tinha 17 anos no tetra, em 1994. Detalhe: o brasileiro nem a campo foi naquela campanha, enquanto Yamal é simplesmente a estrela da companhia espanhola – apesar de atuação discreta neste domingo. O craque se tornou, também, o quarto mais novo da história a vencer uma Copa. O líder da estatística? Pelé, na Suécia, em 1958, com 17 anos e 249 dias.A Espanha ainda atingiu dois marcos históricos com a conquista deste domingo. É a primeira vez que um país assegura, de forma simultânea, os títulos mundiais em ambos os gêneros. A Fúria foi a campeã do mundo feminina em 2023, na edição realizada na Austrália e na Nova Zelândia. No ano que vem, o Brasil sediará a Copa das mulheres. Será a vez das espanholas tentarem manter a unificação das taças.Além disso, a Espanha tornou-se a seleção com mais jogos de invencibilidade na história – e justamente em uma final de Copa. Com o triunfo sobre a Argentina, são agora 38 partidas sem derrotas, superando a sequência da Itália entre 2018 e 2021. Curiosamente, a série positiva teve início contra o Brasil de Dorival Júnior, em um empate por 3 a 3, em 26 de março de 2024, na capital Madri.Do lado argentino, frustração pelo adiamento do sonho do tetra e do desejo de “vingar” a Copa de 1994, também nos Estados Unidos, quando Diego Maradona foi suspenso durante o torneio por doping. Sem esquecer do adeus de Lionel Messi às Copas. Aos 39 anos, no sexto Mundial da carreira, o camisa 10 se despede com o título de 2022, dois vices (2014 e 2026) e o posto de segundo maior artilheiro da história do evento, com 21 gols.Durante boa parte da Copa, Messi liderou a estatística, assumida na estreia, na vitória por 3 a 0 sobre a Argélia. Ele, porém, foi ultrapassado no último sábado (18) pelo também atacante Kylian Mbappé. O francês chegou a 22 gols na derrota por 6 a 4 para a Inglaterra, em Miami (Estados Unidos), na disputa do terceiro lugar. Futebol? Teve poucoDepois de um sábado repleto de gols e ainda com a memória da movimentada final de 2022, com quatro gols no tempo normal e dois na prorrogação, a expectativa era de um primeiro tempo tão animado quanto neste domingo. Bem longe disso. Com atuações abaixo do que podem apresentar, Espanha e Argentina demonstraram nervosismo e não saíram do zero.A Fúria teve a iniciativa e as únicas oportunidades de gol, ainda que nenhuma dela realmente clara. Aos quatro minutos, Yamal tabelou com o meia Dani Olmo, invadiu a área pela direita e finalizou, mas o chute desviou no zagueiro Lisandro Martínez e facilitou a defesa de Dibu Martínez.Corta, então, para os 38 minutos, quando o meia Fabian Ruiz acionou Olmo na entrada da área e o meia, com um leve toquinho de calcanhar, ajeitou para Mikel Oyarzabal, de frente para o gol. O atacante poderia ter devolvido para Ruiz, que passava sozinho pelas costas da marcação na esquerda, mas tentou o chute de primeira, parando em Dibu.Já aos 42, foi a vez do lateral Marc Cucurella, acionado pela esquerda, bater cruzado, de fora da área, e mandar a bola rente à trave. Foi o último lance de perigo da primeira etapa. A Argentina não conseguiu efetuar nenhuma finalização antes do intervalo. Ataque contra defesaA pressão espanhola se intensificou na volta para o segundo tempo. Com menos de um minuto, o volante Ezequiel Paredes – que tinha acabado de entrar, no lugar do meia Nico González – errou o passe na intermediária e a bola ficou com Alex Baena. O atacante carregou até a entrada da área e arrematou no canto esquerdo, mas Dibu se esticou para agarrar.Sem deixar os argentinos passarem do meio-campo, a Espanha encurralava os sul-americanos com marcação, pressão e troca rápida de passes, procurando espaço para finalização. Como aos 18, quando Olmo recebeu do meia Pedri (que substituiu Fabián Ruiz) na entrada da área e chutou. Dibu salvou

STF nega visita de Milei a Bolsonaro após novas restrições impostas por Moraes

Presidente argentino virá ao Brasil para convenção do PL, mas ex-presidente está proibido de receber visitas políticas O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido da defesa de Jair Bolsonaro (PL) para que o ex-presidente recebesse a visita do presidente da Argentina, Javier Milei, no próximo dia 25 de julho. A solicitação foi apresentada após o anúncio da viagem do argentino ao Brasil para participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL).Marcada para o dia 25 de julho, a convenção deve oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O presidente argentino havia anunciado que pretendia aproveitar a viagem para visitar Bolsonaro em Brasília.A negativa ocorre depois de Moraes endurecer as restrições impostas a Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Nesta sexta-feira (17), o ministro determinou a suspensão das visitas ao ex-presidente por 30 dias, com exceção de médicos, fisioterapeutas e advogados, além de proibir encontros com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições deste ano.As novas medidas foram adotadas após Moraes concluir que Bolsonaro descumpriu as condições da prisão domiciliar ao escrever uma carta em apoio à pré-candidatura presidencial de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O documento foi lido pelo parlamentar e divulgado nas redes sociais.Na decisão que manteve a prisão domiciliar, Moraes rejeitou a alegação da defesa de que Bolsonaro desconhecia a divulgação pública da carta. Segundo o ministro, o conteúdo do documento demonstra que o ex-presidente pretendia se comunicar com seus apoiadores por intermédio de Flávio Bolsonaro.Com a decisão do STF, no entanto, a visita não poderá ocorrer. As restrições impostas por Moraes buscam impedir que Bolsonaro participe de atividades de natureza político-eleitoral durante o período em que cumpre prisão domiciliar.

Quaest: maioria culpa Flávio Bolsonaro por tarifaço dos EUA

Maioria dos brasileiros culpa Flávio Bolsonaro pelo tarifaço dos EUA e vê ação norte-americana como retaliação ao Pix A maioria dos brasileiros atribui a Flávio Bolsonaro (PL) a responsabilidade pelo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, enquanto também cresce a desconfiança sobre a capacidade do senador de convencer o presidente norte-americano, Donald Trump, a rever as medidas comerciais. Os dados são de pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (16).Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados concordam com a versão apresentada pelo presidente Lula (PT), segundo a qual Flávio Bolsonaro teria estimulado a adoção de sanções contra o país ao procurar Trump. Outros 30% apoiam a explicação do senador, que responsabiliza Lula por supostas provocações ao governo dos Estados Unidos.O resultado representa uma mudança expressiva na percepção dos eleitores em relação à pesquisa realizada em junho. Naquele mês, 47% concordavam com a defesa de Flávio Bolsonaro, enquanto 35% atribuíam ao senador a responsabilidade pelas tarifas, como sustenta Lula. Em julho, portanto, a parcela que endossa a avaliação do presidente cresceu 16 pontos percentuais. Ao mesmo tempo, o grupo que concorda com a interpretação de Flávio Bolsonaro recuou 17 pontos. Retaliação ao Pix ganha força entre entrevistadosA pesquisa também perguntou aos eleitores qual teria sido a principal motivação do governo norte-americano para impor as tarifas ao Brasil. Para 49%, a medida representa uma retaliação ao Pix, argumento apresentado por Lula.Outros 33% consideram que as tarifas seriam uma resposta a declarações do presidente brasileiro contra os Estados Unidos, versão defendida por Flávio Bolsonaro.Nesse tema, a distância entre as duas avaliações também aumentou. Em junho, 46% concordavam com a explicação relacionada ao Pix, diante de 36% que apontavam as declarações de Lula como motivação para as medidas comerciais.A diferença, que era de dez pontos percentuais, passou para 16 pontos no levantamento de julho. Viagem de Flávio Bolsonaro é desconhecida por 57%Apesar da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para tratar diretamente do tarifaço com Donald Trump, 57% dos entrevistados afirmaram não ter conhecimento sobre a iniciativa do senador.Entre os brasileiros que souberam da viagem, prevalece o ceticismo em relação à influência política de Flávio junto ao governo norte-americano.De acordo com a Quaest, 58% desse grupo avaliam que o senador não possui força suficiente para convencer Trump e as autoridades dos Estados Unidos a reconsiderar as tarifas impostas ao Brasil. Outros 34% acreditam que Flávio pode contribuir para uma revisão das medidas.Os números indicam que a atuação internacional do senador ainda não conseguiu alterar a percepção predominante entre os eleitores sobre a responsabilidade pelo tarifaço. A pesquisa também mostra que a explicação apresentada por Lula ganhou apoio ao longo do último mês. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e realizado pela Quaest entre os dias 10 e 13 de julho. Ao todo, foram entrevistados 2.004 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

Lula critica tarifaço dos EUA e diz que vai usar Lei de Reciprocidade

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou nesta quinta-feira (16) a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, chamando-a de “marco lastimável” O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou nesta quinta-feira (16) a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, chamando-a de “marco lastimável” na relação entre os dois países. Após o governo de Donald Trump confirmar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o Planalto também anunciou que usará instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade contra as novas cobranças impostas por Washington.Segundo comunicado divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a medida entra em vigor em 22 de julho.A sobretaxa é resultado da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, aberta após o presidente americano Donald Trump anunciar, em julho de 2025, uma ofensiva comercial contra o Brasil.“O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”, disse o Planalto em nota.A gestão federal voltou a argumentar que os Estados Unidos têm superávit comercial na relação bilateral, tendo acumulado, segundo o comunicado, saldo positivo de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Além disso, o governo disse que a maior parte dos produtos norte-americanos entrou em território brasileiro sem pagar imposto.O Planalto afirmou que, mesmo avesso às premissas do tarifaço, aceitou conversar com os norte-americanos e nunca deixou a mesa de negociações.No comunicado, o governo também defendeu o Pix e afirmou que são “descabidas” as alegações contra o sistema de pagamentos e a regulação de plataformas digitais, bem como são “absurdas” as acusações sobre desmatamento.“O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital”, defendeu o Planalto.Ainda na nota, o Palácio do Planalto indicou que a reação brasileira ao tarifaço atuará em três frentes: diversificação de mercados, medidas de socorro às empresas afetadas e acionamento da Lei de Reciprocidade. “Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”, escreveu o governo.“O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)”, completou a nota.O comunicado da Presidência também voltou a defender que a investigação dos EUA “faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”.Como mostrou a CNN, parte da estratégia de resposta do governo é reforçar a tentativa de associar o tarifaço ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).“São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”, afirmou o Planalto.O novo tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil será aplicado às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir da data de vigência. No entanto, haverá uma regra de transição: produtos que já estiverem embarcados antes de 22 de julho poderão ficar livres da sobretaxa, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho.A nova tarifa é adicional às alíquotas já existentes. Com isso, um produto que atualmente paga 5% de imposto de importação passará a pagar 30%, somando a tarifa regular aos 25% adicionais. O documento também traz uma lista de produtos isentos da nova taxa, preservando itens considerados estratégicos para a economia americana ou em casos em que a oferta doméstica não é suficiente.Entre os itens isentos estão aeronaves civis e componentes aeronáuticos, café solúvel sem sabor, mel orgânico, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, determinados pescados, couros e peles, obras de arte, antiguidades, roupas usadas, resíduos contendo metais preciosos e diversos produtos farmacêuticos.Por outro lado, pedidos de isenção apresentados por setores ligados a máquinas agrícolas, calçados, equipamentos elétricos, papel, aço, açúcar orgânico e diversos bens manufaturados foram rejeitados pelo USTR.

Argentina Vence a Inglaterra e está na Final da Copa do Mundo de 2026

Seleção argentina sai perdendo, mas consegue virada nos minutos finais e segue na busca pelo bicampeonato consecutivo A Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1 nesta quarta-feira (15), em Atlanta, e garantiu seu lugar na final da Copa do Mundo. Esta é a segunda decisão consecutiva dos argentinos na competição, que buscam o tetracampeonato mundial.Na marca de 10 minutos do segundo tempo, Anthony Gordon completou o cruzamento vindo da direita e abriu o placar no Mercedes-Benz Stadium, nos Estados Unidos. Já no fim do confronto, Enzo Fernández e Lautaro Martínez balançaram as redes e decretaram a virada a favor dos sul-americanos.Com o resultado, a Seleção Argentina terá pela frente a Espanha na disputa pelo título do Mundial. O adversário derrotou a França por 2 a 0 e está atrás do bicampeonato do torneio.A grande final da Copa acontece no próximo domingo (19), às 16h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Los Angeles. Já os ingleses, disputam o terceiro lugar contra os franceses no sábado (18), às 18h, no Hard Rock Stadium, em Miami. Sobre a partidaApós um início de muita tensão e marcado por um grande número de faltas, o confronto chegou na pausa para a hidratação sem nenhuma grande oportunidade criada por ambas as equipes. A primeira chance saiu somente aos 33 minutos, em cabeçada para fora do zagueiro John Stones após cruzamento do volante Declan Rice.Já aos 38 minutos, o volante Enzo Fernández, da Argentina, arriscou de fora da área e errou o alvo. O primeiro cartão amarelo do jogo saiu pouco antes, para o meio-campista inglês Elliot Anderson, após falta dura no craque Lionel Messi.Mais tarde, aos 42, o árbitro Ismail Elfath mostrou mais um amarelo, agora para o zagueiro Lisandro Martínez, do lado sul-americano do duelo, por matar o contra-ataque com um puxão na camisa do meia Morgan Rogers.Na volta do intervalo, a Argentina levou perigo com o atacante Julián Álvarez. Ele recebeu na área e encheu o pé para ótima defesa do goleiro Jordan Pickford. No rebote, o próprio Álvarez tentou mais uma vez e Pickford colocou a bola para escanteio.Porém, aos 10 minutos, foram os ingleses que tiraram o zero do placar. Rogers cruzou na segunda trave e o ponta Anthony Gordon antecipou a marcação e empurrou para as redes: 1 a 0.Atrás na partida, a Seleção Argentina passou a pressionar o rival em busca do empate. Na marca de 24 minutos, Messi cruzou na área e o ponta Nico González cabeceou firme, mas Pickford realizou um milagre para salvar a Inglaterra. Aos 30, o meio-campista Alexis Mac Allister apareceu sozinho e acertou a trave em tentativa de cabeça.Aos 40 minutos, Enzo Fernández recebeu passe de Messi e, com muita liberdade, finalizou de longe para empatar o jogo. Pouco depois, Lionel foi até a linha de fundo e cruzou na cabeça do atacante Lautaro Martínez, que saiu do banco de reservas para sacramentar a classificação argentina à grande final

Racismo, arbitragem, Milei, arrogância: torcer contra a Argentina é dever de todo sul-americano

Há uma cascata segundo a qual, por sermos do mesmo continente, devemos torcer para a Argentina na Copa do Mundo após o vexame do Brasil. É uma estupidez. Entre outros motivos, porque a Argentina não se considera do mesmo continente. Há uma cascata segundo a qual, por sermos do mesmo continente, devemos torcer para a Argentina na Copa do Mundo após o vexame do Brasil. É uma estupidez. Entre outros motivos, porque a Argentina não se considera do mesmo continente.A última representante da América Latina no torneio não conta com a torcida de seus vizinhos. Do México ao Chile, passando por Colômbia, Peru, Equador, Uruguai e pela parte sã do Brasil, a eliminação da seleção de Lionel Messi tornou-se quase um objetivo comum.A rejeição mistura rivalidades históricas, favorecimento da arbitragem no torneio, a idolatria idiota em torno de Messi, racismo e o fato de que os argentinos se consideram superiores aos vizinhos. Sim, temos uma velha rivalidade em campo que o saudoso Galvão Bueno explorava.Ocorre que eles nos ainda nos chamam de macaquitos e cantam que viemos “da favela”. Isso não é um detalhe e não é do “folclore futebolístico”.Infantino, o chefão da Fifa, não esconde sua predileção por Messi. Além do assalto contra o Egito, o americano Ismail Elfath foi escolhido como árbitro contra a Inglaterra. Elfath tem um histórico que chama atenção. Desde que Messi chegou ao Inter Miami, em 2023, apitou quatro partidas do craque argentino. O resultado foi perfeito para o camisa 10: quatro vitórias, quatro gols marcados e nenhum tropeço. O caso Enzo FernándezO debate ganhou dimensão internacional após a Copa América de 2024.Durante a comemoração do título, o volante Enzo Fernández apareceu em uma transmissão ao vivo no ônibus cantando, junto com companheiros da seleção, uma música que afirmava que os jogadores da França “jogam pela França, mas são de Angola”.A canção ainda dizia que Kylian Mbappé gostava de travestis, a mãe era camaronesa, o pai nigeriano e que “o passaporte dizia francês”.Em determinado momento do vídeo, um integrante da delegação percebe a gravidade da situação e grita para interromper a transmissão ao vivo, evidenciando que os próprios jogadores sabiam que o conteúdo poderia gerar repercussão. Tarde demais.A canção havia surgido ainda durante a Copa de 2022 entre grupos de torcedores argentinos, mas ganhou repercussão mundial apenas após a divulgação do vídeo de Enzo Fernández.O Chelsea abriu investigação interna contra o jogador, atletas franceses condenaram o cântico e entidades de combate ao racismo classificaram a música como xenófoba, racista e transfóbica, mas ficou por isso mesmo.Durante esta Copa do Mundo, torcedores argentinos foram flagrados dirigindo insultos racistas contra um streamer negro americano em duas partidas da seleção. Chamaram-no de macaco.Também repercutiu a declaração do jornalista argentino Eduardo Feinmann, que afirmou na televisão que “detesta os mexicanos” e que eles têm inveja dos argentinos “não apenas no futebol, mas em tudo”. A fala foi condenada pela presidente mexicana Claudia Sheinbaum. Messi não é PeléEmbora seja um dos maiores jogadores da história, Lionel Messi é alvo de uma babação de ovo insuportável. A cobertura da imprensa e das transmissões transforma qualquer lance do camisa 10 em um momento extraordinário, criando uma idolatria psicótica. O narrador da CazéTV tem orgasmos múltiplos a cada vez que ele pega na bola ou dê um passe de lado.A relação com o México também ficou abalada após a Copa de 2022, quando um vídeo mostrou uma camisa mexicana no chão do vestiário argentino enquanto Messi retirava as chuteiras. O boxeador Saúl “Canelo” Álvarez acusou o craque de desrespeitar o uniforme mexicano, algo que Messi sempre negou.Anos depois, o próprio argentino reconheceu que aquele episódio alterou a forma como muitos mexicanos passaram a enxergá-lo.Eles são auto-indulgentes. Como persiste no país a ideia de que “não existem negros” e, portanto, não haveria racismo, os argentinos sequer reconhecem o caráter discriminatório de músicas e gestos.A única autoridade do governo que sugeriu um gesto de retratação após o hino atacando a seleção francesa, feita de filhos de imigrantes da África, acabou perdendo o cargo.O então secretário de Esportes da Argentina afirmou, em entrevista, que os jogadores poderiam pedir perdão pelo episódio. A declaração desagradou Milei, que determinou sua demissão.Segundo ele, ninguém poderia dizer “o que os campeões do mundo e bicampeões da América devem fazer ou dizer”.

Saque do Palácio das Mangabeiras vira caso de polícia e Zema debocha

O desaparecimento de itens do acervo do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais, mobiliza deputados estaduais e já chegou ao Tribunal de Contas de Minas Gerais e à Polícia Federal. O desaparecimento de itens do acervo do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais, mobiliza deputados estaduais e já chegou ao Tribunal de Contas de Minas Gerais e à Polícia Federal.Uma comissão de deputados estaduais localizou apenas cinco itens do acervo original em visita ao palácio no dia 2 de julho: uma mesa de centro, um piano, duas poltronas e um sofá. Nenhuma outra peça da coleção que pertencia ao espaço apareceu durante a vistoria.O ex-governador Romeu Zema (Novo) negou o sumiço e chamou o acervo de “móveis velhos” em fala à imprensa na sexta-feira (10). “Eu falo que eu economizei, no mínimo, R$ 300, R$ 400 mil por mês morando na minha casa. Se tem alguma coisa de lá que sumiu e não sumiu, um mês de economia paga tudo esses móveis velhos que estavam lá e que estão ainda”, disse.A desativação do Palácio das Mangabeiras como residência oficial integrou a campanha de Zema. Durante o mandato, ele alugou uma casa em Belo Horizonte e planejou instalar no imóvel um “Museu das Mordomias”, projeto que não saiu do papel. Zema deixou o governo de Minas em março.O acervo reunia 1.038 livros restaurados durante o governo de Antônio Anastasia, entre 2010 e 2014. Também não apareceram uma mesa de jantar com 40 lugares, uma cozinha completa, uma sala de cinema com projetor e cadeiras da década de 1940, tapetes, talheres de prata, copos de cristal e outros itens.Os deputados também não encontraram uma lista completa do acervo, o que impede a quantificação das peças desaparecidas. A Codemge, responsável pela administração do espaço, prometeu entregar uma relação dos bens até o dia 16. Veja os cômodos quase vazios após saída de Zema do governo de MG: TCE-MG e Polícia Federal apuram o destino do acervoUm ofício de 2020 registrou a doação de 63 itens do acervo ao governo estadual. Em junho, o secretário de Cultura de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, afirmou que 44 peças estavam com a Polícia Militar e 187 com a Codemge, mas os documentos disponíveis não permitem saber se os números se referem a 294 peças diferentes. Os itens saíram do Palácio das Mangabeiras em 2019, quando o espaço recebeu uma exposição de decoração. Um dos responsáveis pela mostra afirmou que o imóvel já havia sido entregue aos organizadores com apenas alguns lustres e uma mesa, itens que também não apareceram na visita dos deputados.O TCE-MG aceitou, no dia 6, uma denúncia do deputado estadual Leleco Pimentel (PT-MG) para investigar o possível sumiço. No dia seguinte, a deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) apresentou notícia-crime à Polícia Federal. “Denúncias e Representações correm em caráter de sigilo, conforme Regimento Interno e legislação vigente”, informou o tribunal.Na representação ao Tribunal de Contas, Leleco afirmou: “As peças consideradas históricas, artísticas ou de relevante valor mobiliário deveriam ser catalogadas (…) Não se tem notícia da devolução de bens quando do término da concessão do Palácio ao evento Casa Cor, tampouco sobre vistorias, laudos de constatação e inventários técnicos a cada término de evento, a fim de assegurar que as características arquitetônicas e os bens tombados remanescentes permaneçam intactos. Os fatos são estarrecedores”.Durante a vistoria, os deputados identificaram infiltrações nas paredes, mofo debaixo de uma pia na cozinha e a retirada do carpete no espaço onde funcionava a sala de cinema. Inaugurado em 1955, o Palácio das Mangabeiras tem projeto de Oscar Niemeyer e paisagismo de Burle Marx; 17 governadores moraram no local, entre eles Juscelino Kubitschek. O governo de Minas Gerais repudiou “especulações” sobre o acervo e afirmou que todos os bens estão cadastrados, inventariados e com localização registrada nos sistemas oficiais de controle patrimonial. A gestão estadual disse que os livros foram incorporados à Biblioteca Pública Estadual como Coleção Biblioteca do Palácio das Mangabeiras e que obras estão sob guarda de equipamentos como o Palácio da Liberdade e o Museu Mineiro.O governador Mateus Simões (PSD) afirmou ao jornal Estado de Minas que o acervo pode ser consultado por requerimento e disse que o palácio recebeu duas edições do Casa Cor para tentar reverter a “situação decrépita” do prédio. A Codemge informou que mantém o mesmo posicionamento do governo estadual.

Aprovação de Lula chega a 48% e supera desaprovação, aponta Quaest

Pesquisa Genial/Quaest mostra 48% de aprovação e 47% de desaprovação; avaliação positiva empata com a negativa em 36% A aprovação do trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 48% e superou numericamente a desaprovação, registrada por 47% dos entrevistados. Outros 5% não souberam ou não responderam. Os dados são da pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho de 2026.Como a diferença entre os dois indicadores é de apenas um ponto percentual, o resultado representa um empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Ainda assim, o levantamento mostra uma inversão das posições observadas em junho, quando 47% aprovavam Lula e 48% desaprovavam sua atuação. A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026. Aprovação mantém trajetória de recuperaçãoO gráfico histórico da Quaest mostra uma recuperação gradual da avaliação de Lula ao longo dos últimos meses. Em abril, a aprovação estava em 43%, enquanto a desaprovação alcançava 52%. Em maio, os índices passaram para 46% e 49%, respectivamente. Em junho, a distância caiu para apenas um ponto, com 47% de aprovação e 48% de desaprovação. Agora, em julho, os números se inverteram, com vantagem numérica para os que aprovam o presidente. É a primeira vez, na série apresentada desde julho de 2025, que a aprovação aparece acima da desaprovação.Na avaliação detalhada do governo, 36% classificam o trabalho de Lula como positivo e outros 36% o consideram negativo. A parcela que avalia a administração como regular permanece em 26%, enquanto 2% não souberam responder. Mulheres e idosos registram maior aprovaçãoEntre as mulheres, a aprovação de Lula chega a 50%, contra 44% de desaprovação. No eleitorado masculino, o cenário é inverso: 46% aprovam o presidente e 50% desaprovam.O governo também apresenta resultado favorável entre os brasileiros com 60 anos ou mais. Nesse grupo, 51% aprovam Lula, enquanto 44% desaprovam. Entre os entrevistados de 16 a 34 anos, a aprovação aparece em 48%, contra 46% de desaprovação.Já na faixa de 35 a 59 anos, 46% aprovam e 50% desaprovam o trabalho presidencial. Nordeste concentra maior apoio a LulaO Nordeste continua sendo a região com maior apoio ao presidente. A aprovação alcança 61%, enquanto 35% desaprovam o governo.No Sudeste, 44% aprovam Lula e 50% desaprovam. No Sul, a distância é mais ampla: 37% de aprovação e 58% de desaprovação. No agrupamento formado pelas regiões Centro-Oeste e Norte, os índices são de 46% e 49%, respectivamente.A escolaridade também revela diferenças expressivas. Entre os entrevistados com ensino fundamental, 58% aprovam Lula e 37% desaprovam. No grupo com ensino médio, a aprovação cai para 43%, enquanto a desaprovação chega a 52%.Entre os brasileiros com ensino superior, 37% aprovam o presidente e 58% desaprovam sua atuação. Aprovação é maior entre famílias de menor rendaEntre os entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula registra 58% de aprovação e 37% de desaprovação. Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, 45% aprovam e 50% desaprovam.Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, a aprovação fica em 41%, enquanto a desaprovação alcança 54%.Os beneficiários do Bolsa Família também demonstram maior apoio ao presidente. Nesse segmento, 61% aprovam o governo e 32% desaprovam. Entre os que não recebem o benefício, a aprovação é de 45%, ante 51% de desaprovação. Católicos aprovam; evangélicos mantêm resistênciaA pesquisa aponta ainda uma diferença relevante entre grupos religiosos. Entre os católicos, 53% aprovam o trabalho de Lula e 42% desaprovam.No eleitorado evangélico, 37% aprovam o presidente, enquanto 58% desaprovam. Apesar da diferença, a aprovação nesse segmento avançou nove pontos desde abril, quando estava em 28%.Entre os eleitores que se classificam como independentes, aprovação e desaprovação aparecem empatadas em 45%. O grupo havia registrado, em março, 32% de aprovação e 58% de desaprovação. Lula lidera cenários eleitoraisA melhora na avaliação ocorre em paralelo ao avanço de Lula nos cenários para a eleição presidencial. Na pesquisa estimulada de primeiro turno, o presidente aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% do senador Flávio Bolsonaro.Ronaldo Caiado marca 4%, Renan Santos aparece com 3% e Romeu Zema tem 2%. Indecisos somam 11%, enquanto 8% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam.Em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 45%, ante 37% do senador. Outros 14% votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, e 4% permanecem indecisos. Ronaldo Caiado marca 4%, Renan Santos aparece com 3% e Romeu Zema tem 2%. Indecisos somam 11%, enquanto 8% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam.Em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 45%, ante 37% do senador. Outros 14% votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, e 4% permanecem indecisos.

França é eliminada da Copa e perde chance de igualar recorde de Brasil e Alemanha

Franceses sonhavam com o possível tricampeonato do Mundial, mas ficam para trás A principal favorita para o título da Copa do Mundo, a França foi eliminada na semifinal do torneio. Com isso, os franceses perderam a chance de igualar recorde da Seleção Brasileira e da Alemanha de jogar três finais de Mundial seguidas.Os franceses não só chegaram na final da Copa do Mundo de 2018, mas como também foram campeões do torneio. Em 2022, a França voltou a chegar na decisão do Mundial, mas dessa vez foram derrotados pela Argentina, nos pênaltis. AlemanhaA Alemanha foi a primeira seleção a chegar em três finais consecutivas de Copa do Mundo. Os europeus disputaram a decisão do torneio em 1982, 1986 – vice em ambas – e 1990 – onde foi campeã em cima da Argentina. BrasilA Seleção Brasileira também conquistou o feito, pouco tempo depois. Em 1994, nos Estados Unidos, o Brasil conquistou o tetracampeonato da Copa do Mundo.Em 2002, o Brasil voltou a ser campeão do mundo. A Seleção Brasileira chegou na final, pela terceira vez consecutiva, e derrotou a Alemanha por 2 a 0, conquistando o pentacampeonato.

PF aponta atuação de Eduardo Cunha em esquema de emendas e vê aval da cúpula da Câmara

Relatório enviado ao STF afirma que assessora da Presidência da Casa operacionalizava indicações de recursos e atribui ao ex-deputado influência equivalente ou superior à de parlamentares em exercício A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter identificado indícios de que a Presidência da Câmara dos Deputados tinha conhecimento e dava respaldo a indicações de emendas parlamentares atribuídas ao ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG), mesmo sem que ele ocupasse cargo eletivo.Play Video As informações foram publicadas originalmente pelo Metrópoles, que teve acesso ao relatório encaminhado pela PF ao Supremo. Cunha é investigado por supostamente ter interferido na indicação de pelo menos 29 emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de mais de R$ 6,1 milhões em bens do ex-presidente da Câmara. PF aponta atuação de servidores da Câmara Segundo os investigadores, Eduardo Cunha utilizava servidores da Câmara para direcionar recursos federais de acordo com seus interesses políticos em Minas Gerais, estado pelo qual pretende disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026. A investigação atribui papel central à assessora da Presidência da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. De acordo com a PF, ela seria responsável por operacionalizar o encaminhamento das emendas e organizar a destinação dos recursos. Tuca passou a exercer essa função durante a presidência de Arthur Lira (PP-AL) e permaneceu no cargo após a posse do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A assessora foi alvo de uma operação da Polícia Federal em dezembro de 2025. Em um dos trechos mais contundentes do relatório, os investigadores afirmam que “tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas” em favor de Eduardo Cunha. Investigação cita “altíssimo grau de promiscuidade” Para a Polícia Federal, a atuação identificada durante a investigação revela um “altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”. O relatório sustenta que as provas reunidas permitem “concluir que Eduardo Cunha opera como agente privado com poderes políticos equivalentes ou até superiores aos de parlamentares em exercício, interferindo no direcionamento de recursos federais sem qualquer autorização institucional”. A PF também afirma que a suposta interferência do ex-deputado desvirtuaria a finalidade das emendas parlamentares, que deveriam atender a demandas apresentadas por representantes eleitos. “Isso revela um quadro de gravíssimo desvio de finalidade, pois as emendas, criadas para atender demandas legítimas de representantes eleitos, acabam subordinadas a um esquema informal coordenado por quem não mais responde ao eleitorado, ao Parlamento ou às regras republicanas de transparência”, diz o relatório. A Câmara dos Deputados foi procurada pelo Metrópoles para comentar as conclusões da investigação, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem original. Relação política com Hugo Motta Eduardo Cunha é apontado nos bastidores da Câmara como um dos aliados políticos de Hugo Motta e também de Arthur Lira. Foi durante a gestão de Cunha na Presidência da Câmara que Motta ganhou maior projeção nacional. Por indicação de Leonardo Picciani, então filiado ao MDB, o parlamentar paraibano assumiu o comando da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras. A CPI contribuiu para o desgaste do governo da então presidente Dilma Rousseff e antecedeu o processo de impeachment, cuja abertura foi admitida pela Câmara em abril de 2016. Hugo Motta votou a favor da instauração do processo. Parlamentares também recordam que Motta contratou Dani Cunha (PL-RJ), filha de Eduardo Cunha e atualmente deputada federal, para prestar serviços de marketing político. Na ocasião, Motta declarou que os pagamentos haviam sido realizados com recursos próprios. Conversas citam “Arthur” e “Hugo” O relatório da Polícia Federal informa ainda que a primeira conversa encontrada entre Eduardo Cunha e Mariângela Fialek em um aplicativo de mensagens ocorreu em setembro de 2025. Segundo os investigadores, Cunha aparentava lamentar uma situação e mencionava contatos com pessoas identificadas como “Arthur” e “Hugo”. Partes da conversa, no entanto, teriam sido apagadas por Mariângela, o que impediu a PF de determinar o contexto integral do diálogo. “Tive ontem com Arthur. Hugo me ligou a noite. Enfim, tentando ajudar. Mas Arthur tem razão”, escreveu Eduardo Cunha, segundo o relatório. A Polícia Federal não afirmou, no trecho divulgado, que as pessoas citadas na mensagem eram necessariamente Arthur Lira e Hugo Motta. O documento registra apenas que não foi possível esclarecer o contexto devido à exclusão de partes da conversa. Defesa nega irregularidades Eduardo Cunha negou ter indicado irregularmente as emendas investigadas. Em nota, afirmou que os recursos foram “oficialmente apresentados e indicados por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados”. A defesa sustenta que o ex-deputado apenas participou de articulações políticas legítimas e informou que recorrerá da decisão que determinou o bloqueio de seus bens. “Deste modo, a defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar”, afirmaram os advogados. Cunha também nega ser o responsável formal pelas indicações. A investigação prossegue no Supremo sob a relatoria do ministro Flávio Dino.