Novo presidente do STF quer tirar da zona o quadro da justiça brasileira

TOFFOLI DIZ QUE MORO TENTOU BURLAR STF E SUSPENDE AÇÃO CONTRA GUIDO MANTEGA Ministro que assumiu nesta quinta-feira a presidência do STF também estendeu a suspensão ao casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, também réus na ação Sérgio Rodas, do Conjur – Doações eleitorais por meio de caixa dois constituem o crime eleitoral de falsidade ideológica, e não corrupção e lavagem de dinheiro. Mas ainda que estes dois delitos também tenham sido cometidos, a ação penal deve ser julgada pela Justiça Eleitoral, uma vez que a jurisdição especial prevalece sobre a comum. Com esse entendimento, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, concedeu liminar para suspender processo da operação “lava jato” que apura supostos pedidos do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega de doações ilícitas para a campanha à reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff. O Ministério Público Federal denunciou Mantega por solicitar R$ 50 milhões ao empresário Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo que leva seu sobrenome, em troca da edição de duas medidas provisórias para beneficiar a Braskem, empresa do conglomerado. De acordo com o MPF, o ex-ministro também aprovou que esse valor fosse usado na campanha de Dilma em 2014 e que R$ 15 milhões fossem pagos, via caixa dois, aos marqueteiros João Santana e Mônica Moura. O juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro, aceitou a denúncia. Mas Mantega, representado pelo criminalista Fábio Tofic Simantob, moveu reclamação no STF contra esta decisão. Segundo o petista, a Justiça Eleitoral que tem competência para julgar o caso, e não a Justiça Federal. Ao julgar o caso, Toffoli apontou que o Supremo concluiu que doações via caixa dois são crime de falsidade ideológica, previsto no artigo 350 do Código Eleitoral (Petição 6.986). Portanto, as acusações desse delito devem ser julgadas pela Justiça Eleitoral, destacou. Para o ministro, o juiz Sergio Moro tentou burlar a decisão do STF ao receber a denúncia contra Guido Mantega. “Pois bem, à luz do entendimento fixado na ação paradigma, entendo, neste juízo de cognição sumária, que a decisão do Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba tentou burlar o entendimento fixado no acórdão invocado como paradigma, ao receber a denúncia do Ministério Público Federal, acolhendo, sob a roupagem de corrupção passiva, os mesmos fatos que o Supremo Tribunal Federal entendeu – a partir dos termos de colaboração contidos na PET 6.986 – que poderiam constituir crime eleitoral de falsidade ideológica (artigo 350 da Lei 4.735/65), por se tratar de doações eleitorais por meio de caixa dois”, avaliou o novo presidente do STF. Ainda que Moro não tivesse contrariado a decisão do Supremo dessa maneira, o teria feito ao argumentar que a competência da Justiça Eleitoral não se estende aos crimes federais, ressaltou Toffoli. Isso porque, no julgamento da PET 6.986, os ministros concluíram que, mesmo se houver crimes conexos de competência da Justiça Comum, como corrupção e lavagem de dinheiro, prevalece a competência da Justiça Eleitoral. Afinal, no concurso entre a jurisdição comum e a especial, esta predomina. Dessa maneira, Dias Toffoli concedeu liminar para suspender o processo na 13ª Vara Federal de Curitiba com relação a Mantega. O ministro estendeu os efeitos da decisão a João Santana, Mônica Moura e André Luiz Santana.
Fim da era da vampira norte mineira que protegeu Aécio e perseguiu Lula

Dois anos sombrios para a Justiça no país– Com a posse de José Antonio Dias Toffoli na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta (13) às 17h, chega ao fim a era Cármen Lúcia à frente da corte. Assumindo a presidência da corte em 12 de setembro de 2016, as marcas que Lúcia deixa depois de dois anos são suficientes para caracterizá-la como responsável por um dos períodos mais tenebrosos da história do STF. Os símbolos de seu período: a proteção a Aécio Neves e a feroz perseguição a Luiz Inácio Lula da Silva. Na qualidade de presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que os presidentes do STF exercem, ela foi responsável pelo estímulo à transformação do Judiciário brasileiro numa máquina de perseguição política e insubordinação à Constituição. Duas sessões do STF são emblemáticas da presidência de Cármen Lúcia e em ambas ela decidiu os rumos do STF: A primeira foi em 11 outubro de 2017, quando, em aliança com o ministro-tucano Alexandre de Moraes, manobrou as 12 horas de sessão da corte para garantir proteção a Aécio Neves. A corte decidiu corretamente que para que um parlamentar seja afastado do mandato, sua casa legislativa precisa concordar, mas o que esteve em jogo na sessão não foi a tese, mas preservar o mandato de senador de Aécio.Na segunda, Cármen não apenas operou na organização da pauta e no andamento da sessão, como deu o voto decisivo. Em 4 de abril, por 6 votos a 5, com o voto de desempate da ministra, o STF rejeitou o pedido de habeas corpus preventivo da defesa e com isso jogou Lula na prisão.
Agressividade de candidatos reflete situação ruim nas pesquisas

Por Fernando Brito, do Tijolaço – As informações – muito mais detalhadas do que as que vêm a público – de cada candidatura presidencial não podem ser explicitadas, mas acabam sendo compreendidas pelas reações verbais dos candidatos. Quanto mais agressivas forem, piores são os cenários que se desenham diante dos seus olhos. Geraldo Alckmin, Marina Silva e Ciro Gomes estão mostrando, pelos ataques que começaram a distribuir e pelos alvos de suas críticas, o quanto estão abalados pelo crescimento da entrada, para valer, de Fernando Haddad na disputa. O primeiro passou a apelar diretamente aos eleitores de Jair Bolsonaro, dizendo que ele é o “passaporte para a volta do PT” , contando que isso traga a direita para seu ninho. Basta ler o noticiário e ver que acontece o contrário: são os ‘fiéis’ aliados do centrão que, depois de “lularem” no Nordeste, “mitam” no Sul. A situação de Marina Silva é pior, porque sequer tem atrás de si um partido político ou tempo de televisão. Qualquer caminho, nesta eleição, lhe seria dificílimo, até mesmo o de se apresentar como “a Lulinha que é boa” e contar com sua origem popular. Nada, porém, consegue ser mais forte que seu ressentimento, seu mau-humor, que o rancor que escorre de suas declarações, antes contra Dilma Rousseff mas agora contra o próprio Lula, a quem chama de “corrupto”. Ciro é o caso mais complicado. Existe, sim, um núcleo de simpatia por suas posições nacionalistas e pela trajetória que seguiu desde que deixou o PSDB, em meados da década de 1990. Mas ele vem sendo, também, um especialista em autodemolição de sua percepção como alguém com a prudência que se exige de um governante. Ontem, ao chamar o Hamilton Morão, o general do ex-capitão Bolsonaro, de “jumento de carga” e dizer que “botaria em cana” o comandante do Exército, apareceu como um homem de bravatas, quando não um irresponsável frente às enormes ameaças que vivemos e das quais é desnecessário falar. Restam dois candidatos fora deste bate-boca: Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. O ex-capitão, da maneira mais inimaginável e trágica, corre sério risco médico, mas está em perfeita sanidade eleitoral. A brutal agressão a faca, semana passada, cristalizou ainda mais suas intenções de voto e tornou complicada a ação de seus adversários em atacá-lo num leito de hospital. A ausência na televisão está sendo claramente compensada pela superexposição na mídia que, além do mais, cada vez menos disfarça sua adesão ao “é o que temos” da direita. Salvo pelas burradas – e não falta capacidade entre seu desqualificado círculo político para isso – de sua entourage não acrescenta um grama sequer à tonelada de resistências que já despertava. O que, no seu caso, é quase um milagre. Quanto a Haddad, as criticas que enfrenta são exatamente os méritos que tem para ir ao segundo turno: ser a representação de Lula nas urnas. Não tem se deixado levar pela vaidade de fazer afirmações de independência que só seriam usadas para criar intrigas, erva daninha que tem terreno fértil na política e dúvidas no eleitorado. A mídia anda louca por provocá-lo a isso, como fez Miriam Leitão, que num momento grotesco, dias depois de ter repetido o que lhe ditavam no “ponto eletrônico” ficou a criticar Haddad por ser a voz de Lula.
VOX POPULI: HADDAD JÁ ASSUME LIDERANÇA COM 22%

– Pesquisa CUT/Vox Populi divulgada nesta quinta (13) indica: Fernando Haddad já assume a liderança da corrida presidencial, com 22% de intenção de votos. Bolsonaro tem 18%, Ciro registra 10%, Marina Silva tem 5%, Alckmin tem 4%. Brancos e nulos somam 21%. O Vox Populi ouviu 2 mil eleitores em 121 municípios entre 7 e 11 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O índice de confiança chega a 95%. O nome de Haddad foi apresentado aos eleitores com a informação de que é apoiado por Lula. Veja no quadro: Um pouco mais da metade dos entrevistados (53%) reconhece Haddad como o candidato do ex-presidente. O petista, confirmado na terça-feira 11 como o cabeça de chapa na coligação com o PCdoB, também é o menos conhecido entre os postulantes a ocupar o Palácio do Planalto: 42% informam saber de quem se trata e outros 37% afirmam conhece-lo só de nome. O petista chega a 31% no Nordeste e tem seu pior desempenho na região Sul (11%), mesmo quando associado ao ex-presidente. O deputado, internado desde a sexta-feira 7 no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, registra contudo o maior percentual de menções espontâneas (13%), contra 4% de Ciro e Haddad, 3% de Marina e 2% de Alckmin. O fato de as citações espontâneas se aproximarem da porcentagem registrada por Bolsonaro nas respostas estimuladas demonstra, ao mesmo tempo, um teto do candidato do PSL e uma resiliência que tende a leva-lo à próxima fase da disputa presidencial. O Vox realizou diversas simulações de segundo turno. Bolsonaro venceria Alckmin (25% a 18%), empataria tecnicamente com Marina (24% a 26%) e perderia para Ciro (22% a 32%) e Haddad (24% a 36%). O pedetista e o petista vencem os demais. O instituto não fez a simulação de um confronto entre os dois. Por fim, a pesquisa mediu a percepção dos eleitores em relação ao ataque a Bolsonaro ocorrido em Juiz de Fora em 6 de setembro. A maioria absoluta, 64%, associa a facada a um ato solitário de um indivíduo desequilibrado, “com problemas mentais”. Outros 35% acreditam tratar-se de um atentado organizado e planejado, com fins políticos. A maior parte dos entrevistados (49% contra 33%) não crê que o episódio possa influenciar a decisão de voto dos brasileiros.
Advogada negra é detida, algemada e arrastada durante audiência

A advogada, doutora Valéria Santos, negra, carioca, foi detida e posta algemada no exercício de sua profissão durante uma audiência no 3˚Juizado Especial Criminal em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A defensora aparece em vídeo divulgado em rede social requerendo à juiza leiga, durante audiência criminal, para que tivesse sua requisição apreciada em defesa da ré, sua cliente. Entretanto, a juíza teria dado por encerrada a audiência, sem apreciar o pedido da advogada e em seguida ordenou que ela se ausentasse da sala. Valéria teria dito que não deixaria a sala de audiência sem a presença de um representante da OAB, visto que a audiência foi encerrada sem que apreciado e consignado o seu pedido. “Eu estou indignada de vocês como representante de Estado atropelarem a lei. Eu tenho o direito de ler a contestação e impugnar os pontos da contestação do réu. Isto está na lei, eu não estou falando nada absurdo aqui.” Enquanto a advogada exercia seu direito de defender a ré que estava sentada ao seu lado e em frente da juíza, foi requerido aos policiais que faziam a segurança da repartição pública que retirassem a advogada da sala de audiência. “A única coisa que eu vou confirmar aqui é se a senhora vai ter que sair ou não. Se a senhora tiver que sair, a senhora vai sair!” rebate o policial não identificado. A advogada, subjulgada pelos presentes, faz a sua defesa neste momento direcionando sua fala diretamente para o policial que alterava a sua voz dizendo que iria prendê-la. Ainda requereu a presença de um membro da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB, para que a representasse a fim de fazer valer os seus direitos enquanto patrona da ré alí presente. “Eu não vou sair, não, eu tenho que esperar o delegado da OAB, porque eu quero fazer cumprir o meu direito. Eu não vou sair eu estou no meu direito, eu estou trabalhando. Eu não estou roubando, não estou fazendo nada não. Estou trabalhando!”, insiste a defensora. Alguns advogados presentes, mesmo presenciando a cena absurda não fizeram a defesa da colega. Reclamavam, entretanto, que a advogada terminasse a atuação brevemente, para que eles pudessem fazer as suas audiências e pudessem terminar logo seus trabalhos. A altiva advogada neste momento se dirige aos advogados presentes e reclama solidariedade: “Eles estão preocupados com audiência e (permitem) atropelar a lei, que país é esse? Depois querem reclamar de político que rouba, que faz tudo errado. Se vocês são advogados e não estão respeitando a lei.” Neste momento, outros advogados presentes na sala de audiência diminuem o ocorrido dizendo que ela não estaria fazendo a defesa dela corretamente e a acusaram de estarem sendos desrespeitados, por estarem perdendo tempo com o episódio. “A senhora não está respeitando a gente” afirma uma das advogadas que esperavam para a próxima audiência. Outro afirmou: “a senhora pode pleitear o seu direito da forma adequada”. Instantes depois, é possível ver a advogada sendo presa, algemada com a mão nas costas e arrastada no chão da sala de audiência. (Veja AQUI) A advogada agredida, ainda no chão, grita insistentemente em sua defesa que está trabalhando e sinaliza indiretamente o racismo que estaria ocorrendo naquele flagrante violação de prerrogativa e abuso de autoridade: “É meu direito enquanto negra, como mulher, de trabalhar. Eu estou trabalhando. Eu quero trabalhar.” De acordo com o Presidente da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil, Luciano Bandeira, foi enviado um representante da que acompanhou o caso e conseguiu ao menos que fosse retirada as algemas postas ilegalmente em Valéria. “Nada justifica o tratamento dado à colega, que denota somente a crescente criminalização de nossa classe. Iremos atrás de todos os que perpetraram esse flagrante abuso de autoridade.” defendeu o Presidente da Comissão. Frente de Juristas Negras e Negros do Rio de Janeiro repudiam o ocorrido e se solidarizam com a advogada agredida A FEJUNN-RJ, vem a público repudiar veementemente o tratamento a que foi submetida a ilustríssima advogada, Dra. Valéria Santos, em pleno exercício da profissão. Não há como não nos manifestarmos enquanto uma Frente que busca inserir no meio jurídico o recorte étnico racial necessário para pensar o Direito de forma ampla e igualitária. Deste modo, nos solidarizamos com a Dra. Valéria, compreendendo que à luz da história, negros e negras são tratados de maneira violenta pelo Estado. Não basta ser Doutora, operadora do Direito. O Estado de maneira eficaz ousa nos colocar no lugar o qual pretende que estejamos por todo o sempre. O Supremo Tribunal Federal por meio da Sumula Vinculante n.º 11 regulou a utilização excepcional das algemas. No caso do fato ocorrido com a Dra. Valéria, ainda assim, em momento algum se enquadra na hipótese prevista no referido verbete, ainda mais sem a presença de um delegado da OAB. Repudiamos o uso das algemas e o tratamento da Dra. Valéria Santos, em pleno exercício na profissão. O episódio de hoje mais uma vez demonstra a importância da FEJUNN – RJ existir. Demonstra a fragilidade que vivemos enquanto negros e negras, para além dos dados estatísticos do cárcere e da letalidade, também no exercício de nossa profissão, com o agravante pelo fato ter ocorrido no meio jurídico. Queremos justiça, o exercício do Direito, a dignidade para alcançarmos uma sociedade livre, justa e verdadeiramente democrática. Leia também: STF ignora racismo de Bolsonaro
ONU: fome e insegurança alimentar aumentaram no Brasil após o Golpe

– A Organização das Nações Unidas (ONU) publicou nesta terça-feira (11) o relatório “A Segurança Alimentar e a Nutrição no Mundo” apontando que o combate à fome estancou nos últimos anos no Brasil e, entre 2010 e 2017, aumentou de 4,9 milhões para 5,2 milhões o número de pessoas que vão dormir sem ingerir o mínimo necessário estão desnutridas e se sentem fracas para as atividades do dia a dia. O País havia saído do Mapa da Fome da Organização da ONU há três anos e foi um dos 25 países premiados pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) por ter reduzido pela metade o número de subalimentados durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas retrocedeu no combate à fome e à miséria, especialmente depois do golpe de 2016. Em 2017, 821 milhões de pessoas não conseguiram ingerir o mínimo de calorias diárias necessárias. Isso significa que uma em cada nove pessoas no planeta foi vítima da fome no ano passado, um retrocesso em relação aos dados alcançados em 2010. De acordo com o relatório da FAO, as crises econômicas, os conflitos e os eventos climáticos extremos são os principais responsáveis por essa regressão. Um exemplo são as graves secas ligadas ao forte fenômeno El Niño de 2015 e 2016 – a falta de chuvas é a causa de mais de 80%, segundo o relatório. Em 1999, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), a fome atingia 20,9 milhões de brasileiros. Em 2004, um ano após o ex-presidente Lula assumir o governo dizendo que uma de suas prioridades era garantir que os brasileiros tivessem direito a três refeições por dia, esse volume havia caído para 12,6 milhões. Em 2007, no segundo mandato de Lula, o número caiu para 7,4 milhões. Segundo a FAO, em termos porcentuais, a taxa continua estável e inferior a 2,5% desde 2008. Segundo o relatório da FAO, uma das regiões mais afetadas pelo aumento da fome é a América do Sul, onde a taxa de desnutrição aumentou de 4,7% para 5% entre 2014 e 2017. Se considerado o critério de insegurança alimentar severo, pessoas que passam um dia inteiro sem comer ou famílias que têm o estoque de alimentos esgotados, a América do Sul passou de uma taxa de 4,7% da população em 2015 para 8,7% em 2017. O salto foi de 19,4 milhões de pessoas para 36,7 milhões. Em um ano, o número de desnutridos aumentou de 804 milhões para 821 milhões – alta de 10,6% para 10,9% da população mundial, ou uma em cada nove pessoas. *Com informações da CUT
STF, que se calou sobre Lula, rejeita denúncia de Racismo contra Bolsonaro

Alexandre de Moraes, ex-advogado do PCC e ex-ministro de Temer e aliado de Aécio, desempatou o julgamento ao rejeitar acusação – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (11), por 3 votos a 2, rejeitar denúncia de racismo e discriminação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, devido a um discurso proferido por ele no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, em abril do ano passado. Na ocasião, o deputado disse, entre outras frases destacadas pela PGR, que ao visitar um quilombo constatou que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais”. O julgamento, iniciado em 28 de agosto, foi retomado hoje com o voto do ministro Alexandre de Moraes, último a votar no caso. Ele afirmou que “por mais grosseiras, por mais vulgares, por mais desrespeitosas, as declarações foram dadas no contexto de crítica política a políticas governamentais”. Por esse motivo, Bolsonaro estaria coberto pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar. Ele entendeu que as falas de Bolsonaro “não caracterizaram, por pior que tenham sido, a incitação à violência física e psicológica, ou apoio a violência física e psicológica a negros, a quilombolas, a estrangeiros”. Alexandre de Moraes seguiu o voto do relator, ministro Marco Aurélio Mello. Do mesmo modo, o ministro Luiz Fux considerou que as falas de Bolsonaro se inseriram no contexto da liberdade de expressão, rejeitando a denúncia. Em agosto, os ministros Luís Roberto Barroso e Rosa Weber votaram pelo recebimento de parte da denúncia. Eles consideraram que Bolsonaro deveria se tornar réu e responder a ação penal pelos crimes de discriminação e incitação ao crime, devido a falas em relação aos quilombolas e aos gays. Denúncia A denúncia foi oferecida ao STF pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em 13 de abril, em decorrência de uma palestra proferida no ano passado por Bolsonaro no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro. Ela acusou o deputado de racismo e manifestações discriminatórias contra quilombolas, índios, refugiados, mulheres e lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs). Para a PGR, o discurso proferido pelo deputado transcendeu a ofensa a determinados grupos e atacou toda a sociedade, por incitar a discriminação a grupos vulneráveis, o que é vedado por lei. Na ocasião, o deputado disse, entre outras frases destacadas pela PGR, que ao visitar um quilombo constatou que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais”. Em outros trechos de seu discurso, Bolsonaro disse, por exemplo, que “nós não podemos abrir as portas do Brasil para todo mundo”, o que na visão da PGR discrimina estrangeiros. As frases “Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher” e “Nós, o povo, a sociedade brasileira, não gostamos de homossexual”, incitaram ódio contra mulheres e homossexuais, sustentou Raquel Dodge. “Em sua fala, estão presentes todos os elementos do discurso de ódio racial, sendo prática que exterioriza preconceito e induz a discriminação”, afirmou o vice-procurador-geral da República Luciano Mariz Maia em sustentação oral no primeiro dia de julgamento. Defesa Também em sustentação oral na Primeira Turma, o advogado Antônio Pitombo, que defende Bolsonaro, afirmou que a denúncia apresentada pela PGR contra o deputado é inepta e contrária à liberdade de expressão, garantida pela Constituição. “Não é que o discurso é bonito, não é que todos nós devemos aderir positivamente ao discurso, não é este o ponto, o que não se pode eliminar é o direito de expressão de opinião, goste-se ou não”, afirmou o advogado. O defensor argumentou ainda que o discurso de Bolsonaro foi feito no contexto de sua atividade parlamentar, e que, “ainda que o vocabulário seja horrível, ainda que os adjetivos não sejam pertinentes, toda a crítica do discurso é voltada a políticas públicas, àquilo que ele vê como errado no Estado brasileiro”. Mesmo com a rejeição da denúncia, Bolsonaro é réu em duas ações penais no STF, nas quais é acusado de injúria e de incitação ao estupro, devido a declarações feitas em relação à deputada Maria do Rosário (PT-RS) BOULOS: DIZER QUE ‘QUILOMBOLAS NÃO SERVEM NEM PARA PROCRIAR’ NÃO É CRIME – O candidato a presidente da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, lamentou a decisão da Primeira Turma do STF que rejeitou denúncia de racismo contra o candidato da extrema-direita a presidente, Jair Bolsonaro. “Lamentável! STF rejeita denúncia de racismo contra Bolsonaro. No Brasil, dizer que ‘quilombolas não servem nem para procriar’ não é crime. Crime é ser morador de rua, negro e carregar uma garrafa de Pinho Sol”, disse Boulos pelo Twitter, referindo-se à prisão do jovem Rafael Braga, condenado pro tráfico de drogas.
Executiva do PT decide: agora é Haddad – Haddad é Lula e Lula é 13

– Em reunião fechada em Curitiba, membros da Executiva Nacional do PT aprovaram por unanimidade no início da tarde desta terça-feira (11) Fernando Haddad como novo candidato do partido à presidência da República, após a impugnação de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na semana passada. A decisão já havia sido tomada por Lula, que submeteu a decisão oficial para a Executiva por meio de uma carta em que indicava Haddad. O ex-prefeito de São Paulo, que até então era candidato a vice do ex-presidente, terá seu nome lançado oficialmente em ato marcado para 15h na capital paranaense, com Manuela Dávila, do PCdoB, como vice. Lideranças petistas estarão em peso na cidade, onde Lula é mantido como preso político na sede da Polícia Federal desde 7 de abril. Nas redes sociais, militantes petistas têm usado as expressões “somos todos 13 de Lula” e “Lula é Haddad e Manu 13”, para consolidar a nova chapa.
Haddad já aparece em 2º lugar e ganha de Bolsonaro no 2º turno

– Antes mesmo de ser anunciado candidato pelo PT e sem ser apresentado como o “nome de Lula”, o ex-prefeito Fernando Haddad já aparece em segundo lugar na pesquisa Datafolha que acaba de ser divulgada. Jair Bolsonaro, que se recupera de um ataque a faca, tem 24%. Depois dele, há um empate técnico entre quatro adversários: Ciro Gomes, com 13%, Marina Silva, com 11%, Geraldo Alckmin, com 10%, e Fernando Haddad, com 9% – todos empatados, na margem de erro “O deputado Jair Bolsonaro (PSL) manteve a liderança da corrida presidencial após o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão e o atentado que sofreu na semana passada, de acordo com a nova pesquisa realizada pelo instituto Datafolha. Segundo o levantamento, Bolsonaro tem 24% das intenções de voto. O presidenciável foi esfaqueado quando atravessava uma multidão em evento de campanha em Juiz de Fora (MG) na quinta (6) e está internado no Hospital Albert Einstein, onde se recupera da cirurgia sofrida após o ataque”, informa a reportagem da Folha. “Quatro candidatos aparecem empatados em segundo lugar, dentro da margem de erro. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tem 13% das intenções de voto, a ex-senadora Marina Silva (Rede) está com 11%, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) aparece com 10% e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), com 9%. Vice da chapa inscrita pelo PT com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato a presidente, Haddad deve ser indicado como seu substituto nesta semana. O Tribunal Superior Eleitoral vetou a candidatura de Lula e estabeleceu prazo até esta terça (11) para que o PT o substitua.” Simulações de segundo turnoMarina 43% x 37% Bolsonaro (branco/nulo: 18%; não sabe: 2%)Alckmin 43% x 34% Bolsonaro (branco/nulo: 20%; não sabe: 3%)Ciro 45% x 35% Bolsonaro (branco/nulo: 17%; não sabe: 3%)Haddad 39% x 38% Bolsonaro (branco/nulo: 20%; não sabe: 3%)
Olha a faca! Anastasia muda de opinião e culpa seus advogados

Pupilo de Aécio disse que não pediu para retirar do ar propaganda eleitoral de Fernando Pimentel (PT) O Candidato do PSDB ao governo do Estado, o senador Antonio Anastasia afirmou na manhã desta segunda-feira (10) que não se incomoda em ter seu nome vinculado ao de seu padrinho político, o também senador Aécio Neves (PSDB), que disputa uma vaga como deputado federal.Anastasia atribuiu à equipe jurídica da coligação a responsabilidade por protocolar, na última semana, um pedido no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) para retirar do ar propaganda de seu adversário na disputa, governador Fernando Pimentel (PT), que associa os dois tucanos.“A mim, não incomoda nada (a propaganda eleitoral). Temos questões que são de ordem jurídica, feitas pelo nosso setor dedicado, que toma essas decisões. E, na interpretação da área jurídica, não havia apresentação do candidato (na peça publicitária), e nós entendemos que deve-se ter essas presenças ”, explicou Anastasia.A campanha de Pimentel adotou postura mais ofensiva contra o tucano para tentar desgastar a imagem dele. Uma das estratégias é justamente associá-lo a Aécio, que é réu em processos corrupção. No vídeo da coligação de Pimentel, pessoas respondem, a partir de uma palavra dada pela produção, a primeira associação que vem à cabeça. “Goiabada? Queijo, doce de leite. Arroz? Feijão, panela”. Por fim, a pergunta: “Anastasia? Aécio Neves”, dizem os entrevistados. O TRE ainda não julgou o pedido e o material continua sendo veiculado. Olha a faca!Enquanto Antonio Anastasia caminhava pela feira da Ceasa, alguns carregadores de produtos do local gritavam: “olha a faca!” numa referência ao atentado contra o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), na última semana, em Juiz de Fora. Ou uma brincadeira com alusão ao antigo quadro do zorra total, aonde o ator Rodrigo Fagundes, que fazia o personagem Patrick, dava um gritinho agudo com o bordão: “olha a faca!”