A 1ª derrota de Nikolas Ferreira no comando da Comissão de Educação

Por 20 votos a 13, a base governista derrubou uma proposta de moção de repúdio contra um professor O presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, Nikolas Ferreira (PL-MG), sofreu a sua primeira derrota no posto, em uma votação nesta quarta-feira 27. Por 20 votos a 13, a base governista conseguiu derrubar uma proposta de moção de repúdio a um professor da educação básica de São Bonifácio (SC) que teria atacado Jair Bolsonaro (PL) em sala de aula. O requerimento, de autoria do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), alega que o professor acusou o ex-presidente de ser “nazista e ladrão”. Gayer ainda pedia uma retratação pública do professor, “reconhecendo o erro de sua conduta e reafirmando o compromisso com a imparcialidade e o respeito no ambiente educacional”. A sessão desta quarta também foi marcada por tumulto e provocações entre os integrantes da comissão. Gayer chegou a bater na mesa ao ser questionado por um deputado se o filho dele já teria sido doutrinado ideologicamente ou agredido em sala de aula. Os deputados governistas viram a moção de repúdio como uma tentativa de lançar pais contra professores. Também criticaram a condução do processo por Nikolas, que utilizaria a comissão como um palanque para os discursos da extrema-direita. “Nós estamos diante de mais uma dessas manifestações de uma parcela da extrema-direita que resolveu ter ganhos políticos eleitorais em cima da perseguição a profissionais da educação”, afirmou Tarcísio Motta (PSOL-RJ). “Há um elemento claro aqui de se aproveitar da promoção de um pânico moral, porque isso desvia a atenção dos reais problemas da educação brasileira e, ao mesmo tempo, faz desta comissão um palanque.” Rogério Correia (PT-MG) declarou que a ideia dos bolsonaristas era criminalizar o professor, defendeu a liberdade de cátedra e fez uma provocação a Nikolas. “Perdeu, mané. É melhor ou conduzir direito as sessões da Comissão da Educação ou pede o boné”, disse o petista nas redes sociais. Nikolas, por sua vez, chegou a mencionar uma possível alteração na formação do colegiado, que, segundo ele, estaria “desbalanceada”. “Acredito que ainda tem de haver uma mudança de composição da comissão para que haja um equilíbrio maior. Mas é tudo uma questão de acordo, questão de comprometimento de deputados para que a gente consiga ter vitórias nas votações”, disse. “É como fazemos aqui no plenário. É conversar. O deputado não citou diretamente o Centrão, mas disse ser preciso que “outros partidos” cedam espaço para integrantes de uma “ideologia diferente”.

Associação Presente realizará mais um Mutirão de Prevenção ao Câncer

Associação Projeto Presente – Padre Tiãozinho realizará o “12º Mutirão de Prevenção ao Câncer”, iniciativa de caráter integralmente voluntário que acontece no próximo dia 05 de abril, a partir das 7 horas, em tendas na Praça Doutor Carlos, centro de Montes Claros. Haverá exames para diagnóstico e prevenção de câncer de mama, boca, pele, colo de útero e próstata. Para melhor controle, o atendimento será feito com senhas. É preciso apresentar os documentos pessoais: RG, CPF e o cartão atualizado do SUS. Segundo a organização, como ainda muitas pessoas não têm acesso aos exames preventivos, o mutirão torna-se uma utilidade pública, especialmente para uma parcela carente da população local e até de cidades vizinhas. Para o evento estão programadas avaliações, orientações e exames clínicos voltados para a prevenção dos cinco tipos mais comuns de câncer. Entre os voluntários estão médicos oncologistas, radioterapeutas, mastologistas, urologistas, dermatologistas, nutricionistas e acadêmicos dos cursos de ciências da saúde. A coordenadora geral do mutirão é a oncologista Priscila Sá Miranda, presidente da Associação Presente – Padre Tiãozinho. Informações pelos telefones (38) 3213-4296 e 9.8834-0105, além do site www.associacaopresente.org.br.

Grupo de amigos pagou fiança para Daniel Alves ser solto da prisão

Segundo o catalão “La Vanguardia”, o brasileiro conseguiu a quantia por meio de empréstimos não bancários Um grupo de amigos de Daniel Alves pagou a fiança no valor de 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,4 milhões) para que o brasileiro deixasse a prisão. O jogador, condenado por estuprar uma mulher na boate em Barcelona, foi solto em liberdade provisória na segunda-feira (25), após ficar 14 meses detido em prisão preventiva. A informação é do catalão ” La Vanguardia”, que explicou que Daniel Alves conseguiu a quantia por meio de empréstimos não bancários – um grupo de amigos cedeu o dinheiro. Em um primeiro momento, conforme o periódico, o pai de Neymar foi apontado como possível financiador do valor da fiança. Após a repercussão, ele veio a público afirmar que não se envolveria com a questão naquele momento. Segundo o canal Tudn, do México, o holandês Memphis Depay, que atualmente joga pelo Atlético de Madrid, mas foi companheiro de Daniel no Barcelona, contribuiu com o montante que permitiu o pagamento da fiança. Depois, o próprio jogador teria dito que são ‘fake news’. Restrições impostas pela Justiça Além do pagamento da fiança, Daniel Alves terá que cumprir com uma série de exigências da Justiça da Espanha. Entre elas está se manter ao menos mil metros de distância da residência e do local de trabalho. Nenhum tipo de contato com a vítima será permitido. Daniel Alves teve ainda seus dois passaportes confiscados, para evitar que ele deixe o país.

Conselho de Segurança da ONU aprova cessar-fogo imediato em Gaza

Guterres pede a Israel que acate decisão. A resolução foi aprovada com 14 votos a favor e 1 abstenção (EUA). O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta segunda-feira, 25/03, uma resolução de cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza. É a primeira que o conselho consegue aprovar uma resolução sobre um cessar-fogo no território palestino. Ela foi apresentada por um grupo de dez países rotativos liderados por Moçambique. Foram 14 votos a favor e a abstençãodos Estados Unidos, que têm assento permanente. Votaram a favor China, França, Rússia, Reino Unido (com assento permanente), Argélia, Equador, Guiana, Japão, Malta, Moçambique, Coréia do Sul, Serra Leoa, Eslovênia e Suíça (rotativos). O texto aprovado determina um cessar-fogo durante o mês do Ramadã, o período sagrado para os muçulmanos — começou dia 10 de março e termina em 9 de abril –, mas pede que a trégua aumente até virar permanente. A resolução também pede a “libertação imediata e incondicional de reféns” e “a necessidade urgente de expandir o fluxo” de ajuda humanitária para Gaza. O desafio agora é garantir que Israel cumpra as determinações exigidas no texto da ONU. Embora as resoluções do Conselho de Segurança sejam juridicamente vinculativas, na prática acabam ignoradas por muitos países. Logo após a aprovação da resolução, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que o governo israelense acatasse a decisão do conselho. “A tão esperada resolução deve ser implementada; o fracasso do Conselho em fazê-lo ‘seria imperdoável’”, disse Guterres no X. “O calvário dos palestinos Gaza tem que terminar e terminar imediatamemte, agora”, disse o embaixador Riyad Mansour, observador permanente do Estado da Palestina no Conselho de Segurança da ONU. Desde 7 de outubro de 2023, as forças militares de Israel já mataram mais de 32 mil palestinos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local.

Bolsonaro se abrigou na embaixada da Hungria após ter passaporte apreendido pela PF

O jornal NY Times teve acesso a imagens de câmeras internas da embaixada em Brasília que mostram o ex-presidente Uma reportagem do The New York Times publicada nesta segunda-feira (25) mostra que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se abrigou na embaixada da Hungria, em Brasília. Ele passou duas noites no local entre 12 e 14 de fevereiro, logo após convocar apoiadores para um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, no fim daquele mês. A ida à embaixada do país europeu atualmente governado pelo político de extrema direita Viktor Orbán ocorreu quatro dias após Bolsonaro ter seu passaporte apreendido pela Polícia Federal no âmbito da investigação sobre tentativa de golpe de Estado, ação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O jornal americano teve acesso às filmagens das câmeras de segurança da embaixada que mostram o ex-presidente chegando ao local no dia 12 de fevereiro, quatro dias após a deflagração da operação Tempus Veritatis que investiga a tentativa de golpe de Estado para Bolsonaro permanecer no poder em 2022. Além desta investigação, a PF tem ainda outras duas linhas de investigação que atingem diretamente o ex-presidente e seus aliados e estão em estágio avançado: sobre a fraude no cartão de vacinação do ex-presidente e sobre desvio de dinheiro de presentes recebidos por Bolsonaro de chefes de Estado de outros países quando era presidente. Como a embaixada é oficialmente um território de outro país, Bolsonaro não poderia ser detido por autoridades brasileiras enquanto estivesse abrigado lá. Segundo o jornal, Bolsonaro ficou dois dias na embaixada, em pleno período de Carnaval, momento em que o edifício estava esvaziado. Ainda segundo o NYT, no dia 14 de fevereiro os diplomatas da embaixada contataram a equipe brasileira e pediram para eles trabalharem de casa pelo resto da semana, sem dar nenhuma explicação a respeito. Na reportagem o jornal afirma que teve acesso a três dias de filmagens do circuito interno da embaixada, que funciona em uma casa de alto padrão em Brasília. As imagens mostram Bolsonaro chegando de carro com uma equipe de dois seguranças e indicam que ele teria ficado hospedado em um apartamento destinado à visitas. Minutos antes dele chegar, os vídeos mostram o embaixador do país no Brasil, MIklós Halmai teclando no celular. As imagens ainda mostra, segundo o jornal, que Bolsonaro teria ido para os apartamentos de visitantes e que a equipe da embaixada teria ido várias vezes ao local para levar itens como roupas de cama, água e máquina de fazer café. As imagens também mostram Bolsonaro conversando com seus seguranças na garagem na embaixada e seus seguranças saindo para ir buscar comida para ele. O NY Times tentou contato com o advogado de Bolsonaro e com a embaixada, mas nenhum dos dois comentou o caso. O Brasil de Fato procurou o advogado do ex-presidente, que não retornou os contatos e nem atendeu ao telefone, e também enviou e-mail para a embaixada da Hungria em Brasília, mas ainda não obteve retorno. Após a reportagem do NY Times repercutir em toda imprensa brasileira, os advogados de Bolsonaro divulgaram uma nota afirmando que ele esteve na embaixada a convite para “manter contatos com autoridades do país amigo”. Confira a íntegra da nota abaixo: “O ex-Presidente da República, Jair Bolsonaro, passou dois dias hospedado na embaixada da Hungria em Brasília para manter contatos com autoridades do país amigo Como é do conhecimento público, o ex-mandatário do país mantém um bom relacionamento com o premier húngaro, com quem se encontrou recentemente na posse do presidente Javier Milei, em Buenos Aires. Nos dias em que esteve hospedado na embaixada magiar, a convite, o ex-presidente brasileiro conversou com inúmeras autoridades do país amigo atualizando os cenários políticos das duas nações. Quaisquer outras interpretações que extrapolem as informações aqui repassadas se constituem em evidente obra ficcional, sem relação com a realidade dos fatos e são, na prática, mais um rol de fake news.”

Gabigol, do Flamengo, é suspenso do futebol por dois anos

Atleta é acusado de ter dificultado a realização de um exame antidoping surpresa no dia 8 de abril de 2023 – O atacante Gabriel Barbosa, o Gabigol, do Flamengo, foi suspenso do futebol por dois anos por fraude no exame antidoping, informa o Globo Esporte (ge). A decisão partiu da Justiça Desportiva Antidopagem, que terminou um julgamento sobre o atleta nesta segunda-feira (25) e decidiu punir o atleta por 5 votos contra 4. O atleta é acusado de ter dificultado a realização de um exame antidoping surpresa no dia 8 de abril de 2023, no Ninho do Urubu, o Centro de Treinamento do Flamengo. De acordo com a denúncia, Gabigol não se apresentou para fazer um exame de surpresa antes do treino, diferentemente de seus colegas. Ele apenas aceitou fazer depois do almoço e, ao realizar a coleta de urina, o atleta contrariou a orientação recebida e entregou o pote aberto. Gabigol responde pelo artigo 122 do Código Brasileiro Antidopagem, que se refere à “fraude ou tentativa de fraude de qualquer parte do processo de controle” e prevê punição de 1 a 4 anos sem jogar. Vale lembrar que a condenação de dois anos passa a valer desde o momento da infração, então, a suspensão de Gabigol está contando desde abril do ano passado e, portanto, ele poderá retornar aos gramados em 8 de abril de 2025. Cabe recurso da decisão.

De pai para filho: homens e herdeiros políticos são maioria no Senado

O Senado Federal completa 200 anos nesta segunda-feira (25), com predominância de parlamentares homens e herdeiros políticos. Desde a redemocratização até a última eleição, cerca de dois em cada três senadores eleitos vieram de famílias políticas. Além disso, nove de cada dez eleitos são homens. Apenas quatro mulheres negras foram eleitas para o Senado entre 1986 e 2022. Dos 407 mandatos disputados nesse período, 274 deles, o equivalente a 67% dos cargos, foram ocupados por pessoas com vínculos familiares com políticos já eleitos. Com isso, os senadores acabam herdando o capital político da família e se elegem apoiados pelo sobrenome. Esse levantamento é parte da pesquisa do cientista político Robson Carvalho, doutorando da Universidade de Brasília (UnB). “O que a gente tem na prática é que, muitas vezes, a condução das instituições públicas é tratada como se fossem capitanias hereditárias, distribuídas e loteadas para quem apoia aqueles grupos político-familiares e também tratam os gabinetes como se fossem a cozinha de suas casas”, destacou o especialista. Além disso, das 407 vagas disputadas, 363 foram ocupadas por homens, o que representa 89% dos mandatos disputados nas urnas. Apenas 44 vagas foram ocupadas por mulheres. Já as mulheres negras foram apenas quatro: Marina Silva, eleita duas vezes pelo PT do Acre, Benedita da Silva (PT-RJ), Eliziane Gama (PSD-MA) e Fátima Cleide (PT/RO). “São resultados indicativos da reprodução das desigualdades políticas e prejuízos ao recrutamento institucional, à igualdade de disputa, à representação de gênero e raça; à edificação de uma democracia plural”, conclui o artigo do especialista, que foi apresentado no 21º Congresso Brasileiro de Sociologia, em julho de 2023. Para Robson Carvalho, a pesquisa mostra que o Senado é majoritariamente ocupado por famílias poderosas. “Parecem suceder a si mesmas, como numa monarquia, onde o poder é transmitido por hereditariedade e consanguinidade”. Segundo o analista, isso traz prejuízos à representação democrática do povo brasileiro. “Grupos que lá também poderiam estar representados: mulheres, negros, quilombolas, indígenas, indivíduos de origem popular, de movimentos sociais, dentre outros. Isto ocorre em detrimento do acesso, quase que exclusivo, de homens brancos, empresários, originários de estratos superiores da pirâmide econômico-social e de famílias políticas”, afirma o artigo. Segundo o cientista político Robson Carvalho, o fenômeno do familismo “está presente nos mais diversos partidos de todos o espectro político, da direita à esquerda”, mas nem por isso deve ser naturalizado. Entre os políticos que estiveram no Senado entre 1986 e 2022 com ajuda da herança política estão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro; Lobão Filho (MDB-MA), filho do ex-senador Edison Lobão; Renan Filho (MDB-AL), filho do atual senador Renan Calheiros; Ronaldo Caiado (União-GO), neto de Antônio Totó Ramos Caiado, ex-senador por Goiás na década de 1920; e Rogério Marinho (PL-RN), neto do ex-deputado federal Djalma Marinho. Outros parlamentares que entraram Senado no período e são de famílias de políticos eleitos são Flávio Dino (PSB-MA), Roberto Requião (MDB-PR), Flávio Arns (PSB-PR), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Romeu Tuma (PL-SP), Espiridião Amim (PP-SC), Jorginho Mello (PL-SC), Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), Otto Alencar (PSD-BA) e Davi Alcolumbre (União-AP). Todas as regiões A pesquisa destaca que a herança política é uma realidade de todos os estados e de todas as regiões do país. “Não é uma característica só do Nordeste, como muita gente acha, ligada ao coronelismo lá na região”, destacou o doutorando. No estado de São Paulo, por exemplo, dos 15 mandatos disputados para o Senado entre 1986 até 2022, nove foram de pessoas identificadas como de famílias-políticas. Mesmo número do Rio de Janeiro, o que representa 60% do total de mandatos disputados na urna. No Paraná, 13 dos 15 senadores eleitos no período são de famílias políticas. O Rio Grande do Sul tem o menor percentual de eleitos com ajuda do capital político da família. Apenas 4 dos 15 mandatos foram ocupados com a ajuda da herança política das famílias no estado gaúcho, o que representa 26% do total. Dois estados aparecem com 100% de eleitos com vínculos político-familiares: Paraíba e Piauí. Robson Carvalho destacou ainda que o fato de nascer em famílias com grande capital político já constitui uma vantagem, “tendo em vista a herança simbólica, o acesso a diversos capitais, que vão sendo construídos desde a infância, no espaço em que o agente se encontra posicionado”. Mulheres Outro recorte da pesquisa é o de gênero, que mostra que o Senado foi, e ainda é, dominado por homens, que ocuparam 89% dos cargos disputados entre 1986 e 2022. Os estados do Amapá e Piauí, por exemplo, nunca elegeram uma senadora. Quem mais elegeu mulheres foram Mato Grosso do Sul (MS), com quatro mandatos: Marisa Serrano (PSDB), Simone Tebet (MDB), Tereza Cristina (PP) e Soraya Thronicke (Podemos), sendo que apenas a última não possui vínculos político-familiares, de acordo com a pesquisa. Os estados de Sergipe (SE) e do Rio Grande do Norte (RN) elegeram mulheres três vezes. No caso de Sergipe, foram três vezes a mesma mulher: Maria do Carmo Alves (DEM), marcada pela presença de capital político-familiar. O Rio Grande do Norte elegeu três mulheres, duas com capital político-familiar, Rosalba Ciarlini (DEM) e Zenaide Maia (PROS) “respectivamente membro de longevas e entrelaçadas famílias políticas (Rosado e Maia) e Fátima Bezerra do PT, professora, de origem popular e sem conexões com famílias políticas”. “Considerando os dados por região, o Nordeste elegeu mais mulheres por mandato, chegando a 13, seguido das regiões: Norte, com 12; Centro-Oeste, com 10; Sudeste com 5; e, por último, a região Sul, elegendo apenas quatro mulheres”, acrescenta o estudo. Robson Carvalho conclui que essa realidade enfraquece a democracia brasileira. “Como é possível pensar em República sem representação de negros e mulheres que são a maioria da população, de índios que são os povos originários da nação e de cidadãos de origem popular que são a grande maioria dos brasileiros?”, questiona.

PF prende Domingos e Chiquinho Brazão como mandantes da morte de Marielle Franco

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação na manhã deste domingo (24) na qual prendeu os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão pelo suposto envolvimento na morte da ex-vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, bem como de seu motorista Anderson Gomes. O ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa também foi detido. Os nomes teriam vindo à tona com a delação do executor do crime, o ex-Policial militar Ronnie Lessa. Vale destacar que Rivado Barbosa já foi associado pela PF a um suposto recebimento de R$ 400 mil em propinas para impedir avanços na investigação sobre o assassinato de Marielle e Anderson. Ele foi citado numa troca de mensagens entre o vereador Marcello Sicilliano e o miliciano Jorge Alberto Moreth, durante a qual é dito que o delegado recebeu dinheiro de suborno. A conversa telefônica ocorreu em fevereiro de 2019 e o arquivo foi encontrado no celular de Sicilliano por agentes federais. Os presos foram levados para a superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Eles devem ser transferidos para o Distrito Federal ainda neste domingo. Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, presos como mandantes da morte de Marielle Franco. Os investigadores continuam a trabalhar para esclarecer a motivação por trás do crime. Até o momento, as evidências apontam para uma possível conexão com a expansão territorial de milícias no Rio de Janeiro. Conforme informações do G1, a decisão de realizar a operação no início deste domingo foi tomada para surpreender os suspeitos. Além disso, informações da inteligência da polícia indicavam que eles estavam em estado de alerta nos últimos dias, especialmente após a homologação da delação premiada de Ronnie Lessa pelo Supremo Tribunal Federal (STF). QUEM MANDOU MATAR Domingos e Chiquinho Brazão: as relações dos supostos mandantes do assassinato de Marielle com o clã Bolsonaro Enquanto Domingos Brazão fazia dobradinha com Flávio Bolsonaro na Alerj, Chiquinho Brazão fez campanha fervorosa para Jair Bolsonaro Dois dos três suspeitos de serem os mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, presos neste domingo (24) pela Polícia Federal (PF), tinham relações próximas com a família Bolsonaro. A PF prendeu Domingos Brazão, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ); Chiquinho Brazão, deputado federal do Rio de Janeiro e irmão de Domingos; e Rivaldo Barbosa, ex-chefe de Polícia Civil – os três são apontados como “autores intelectuais” do crime brutal que estava há 6 anos sem respostas. Os nomes dos mandantes do crime foram obtidos a partir da delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, suspeito de participação no assassinato que está preso desde 2019. A motivação exata para o assassinato ainda é desconhecida, mas as investigações apontam que haveria relação com a expansão territorial da milícia na capital fluminense. Domingos Brazão e Flávio Bolsonaro Os passaportes diplomáticos concedidos durante o governo Bolsonaro à esposa e ao filho do deputado federal Chiquinho Brazão (UB-RJ) é apenas um dos laços que ligam as duas famílias, que têm relações históricas com a milícia que atua na região de Rio das Pedras, na zona Oeste do Rio de Janeiro. Apontado por Ronnie Lessa como mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o irmão de Chiquinho, Domingos Brazão, que atualmente é conselheiro do TCE-RJ, já foi deputado estadual e, em sua época de parlamentar, atuou em dobradinha com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem tinha como uma espécie de pupilo, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), “Vossa excelência é um deputado jovem e, mesmo assim, percebe-se, não somente pelas suas afirmações de hoje, mas pela sua postura em plenário, que vossa excelência procura preservar o que há de melhor, a maior instituição, que é a família. Infelizmente, há aqueles que apostam no contrário. Vejo parlamentares apresentarem projetos que visam liberar casamento de homem com homem, mulher com mulher e outras coisas. V.Exa., embora sendo jovem, ainda mantém essa postura firme, que, com certeza, é fruto da educação de seus pais, uma questão de criação”, disse Brazão dirigindo-se a Flávio Bolsonaro na sessão de 4 de março de 2006 da Alerj. O afago ocorreu após o filho de Bolsonaro elogiar o projeto de Brazão para conceder o título de cidadão ao pastor Sebastião Ferreira, da Primeira Igreja Batista de Vila da Penha, que morreu em 2017. A dobradinha entre Brazão e Flávio Bolsonaro se deu em diversas propostas na Alerj. Em 2014, Brazão foi o relator do projeto de Flávio para criar o programa Escola Sem Partido no sistema de ensino fluminense. No mesmo ano, os dois atuaram juntos na Comissão de Constituição e Justiça da casa. Além das pautas de costumes, Flávio Bolsonaro e Domingos Brazão faziam dobradinha na defesa das milícias do Rio de Janeiro. Em 2006, quando Marcelo Freixo criou a CPI das Milícias, somente os dois se posicionaram contra. Delator de Brazão, Ronnie Lessa morava a cerca de 100 metros da residência do clã Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barra. Em “A República das Milícias”, o escritor Bruno Paes Manso diz que Lessa era “um matador avulso, mas mantinha contatos com o Escritório do Crime e com milicianos de Muzema, ligados ao capitão Adriano”. No livro, o jornalista ainda fala da relação de Lessa “com figurões, como Rogério de Andrade e Domingos Brazão” “Capitão Adriano”, a que se referia, é Adriano da Nóbrega, que comandava o Escritório do Crime e empregou a mãe, Raimunda Veras Magalhães, e a ex-esposa, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. Segundo MP-RJ, as duas faziam parte do esquema de “rachadinha” no gabinete. Morto em 2020, o miliciano foi apresentado ao clã Bolsonaro por Fabrício Queiroz, que também tem ligações com a milícia de Rio das Pedras. Durante as investigações sobre a morte de Marielle, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apreendeu uma agenda com a esposa de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar. Na agenda-guia, que deveria ser usada por Márcia para ajudar a família caso Queiroz você detido, há um coronel identificado como

Brasil apresenta ações contra fome aos países do G20

Na presidência do bloco, Brasil costura uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. A ideia é reunir políticas públicas de bons desempenhos para embasar campanha mundial Na presidência do G20, o Brasil apresentou aos países-membros do bloco e organismos internacionais as ações e programas de enfrentamento à insegurança alimentar e combate à pobreza desenvolvidas no país. O Brasil assumiu em dezembro de 2023 a presidência rotativa do grupo das 20 maiores economias do mundo, comandando o bloco pela primeira vez no formato atual até novembro de 2024. A proposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de organizar uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza a ser articulada durante todo o ano de 2024 e lançada na Cúpula de Chefes de Estado e de Governo a ser realizada no Rio de Janeiro, em novembro. Em evento realizado no Itamaraty, em Brasília (DF), nesta quarta (20), o governo brasileiro realizou a primeira reunião presencial da Força-Tarefa para construção da aliança. Durante o encontro, a pasta traçou um histórico das políticas públicas e apresentou os principais impactos alcançados pelos programas. O estabelecimento da Aliança, na avaliação do ministro Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), materializa a visão direta do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e demanda aportes, ajustes e apoio dos países que integram o Grupo dos 20. “Será um forte avanço no caminho para acelerar os esforços para eliminar a fome, a má nutrição e a pobreza extrema, reduzindo desigualdades e caminhando para uma transição justa e inclusiva rumo a um futuro sustentável”, afirmou Dias. A proposta da Aliança, aberta a todos os países, vai no sentido de formar uma cesta com políticas públicas de combate à fome e à miséria que são exitosas no Brasil (e em diversas outras regiões do mundo). A iniciativa pretende estabelecer um mecanismo prático para mobilizar recursos financeiros e conhecimento e direcioná-los para os territórios onde são necessários, apoiando a implementação e a ampliação da escala de ações, políticas e programas no nível nacional. Entre os objetivos, dois se destacam: evitar esforços duplicados e dar impulso político essencial à mobilização de fundos e soluções existentes. Além disso, caberá à articulação global melhor organizá-los em torno de dois princípios: a consistência na implementação das políticas nacionais e o foco nos mais pobres e vulneráveis. A abordagem brasileira para a Aliança teve apoio unânime na primeira reunião técnica da Força-Tarefa, que reuniu cerca de 200 pessoas, entre representantes de países-membros do G20, convidados e organismos internacionais. Os trabalhos da Força-Tarefa terão continuidade ao longo do ano. A expectativa é que a Aliança seja lançada no fim de 2024, durante a Cúpula do G20, no Rio de Janeiro. O comando do bloco é tido pelo governo brasileiro como uma das principais oportunidades de projeção internacional da 3ª gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, sintetizou o lema brasileiro em declaração durante a abertura da Comissão Nacional do G20: “Se o ano de 2023 marcou o retorno do Brasil ao mundo, 2024 será o ano em que o mundo voltará ao Brasil”.

Papa Francisco lança autobiografia reveladora e defende suas convicções

Livro traz relatos pessoais que esclarecem razões de Francisco para o enfrentamento da ditadura na Argentina e suas motivações para as reformas na Igreja Em seus onze anos de pontificado, o Papa Francisco tem enfrentado o desafio complexo de equilibrar os dogmas tradicionais da Igreja Católica com a necessidade de adaptar-se aos ventos da modernidade. Este delicado equilíbrio é o tema central de sua primeira autobiografia, intitulada “Vida: Minha História Através da História”, escrita em colaboração com o vaticanista italiano Fabio Marchese Ragona e com lançamento previsto para 15 de abril pela HarperCollins Brasil. No livro, ele compartilha relatos pessoais, opiniões francas e defende suas convicções com uma sinceridade característica. O livro, uma série de entrevistas conduzidas pelo vaticanista Fabio Marchese Ragona, revela aspectos marcantes da vida e do pensamento do líder católico, bem como suas perspectivas para o futuro da Igreja e da humanidade. A obra oferece uma visão detalhada da trajetória de Francisco, entrelaçada com grandes eventos mundiais que moldaram sua visão filosófica e política. Desde sua repulsa ao antissemitismo durante a Segunda Guerra Mundial até sua postura firme contra o abuso sexual infantil por membros do clero, o livro revela um líder religioso atento às ambiguidades humanas e guiado por um pragmatismo que busca conciliar tradição e progresso. O Papa também compartilha momentos marcantes de sua história pessoal, desde a migração de sua família da Itália para a Argentina até suas experiências durante a Segunda Guerra Mundial e as bombas atômicas de Hiroshima e Nagazaki. Sua preocupação com a guerra é evidente, e ele adverte sobre os perigos do uso de armas nucleares, classificando-as como imorais. Enfrentamento à ditadura argentina Uma das passagens mais marcantes da autobiografia é o relato sobre a ditadura militar na Argentina (1976-1983), período em que Francisco, então um jovem jesuíta, confrontou o regime e protegeu indivíduos perseguidos, como uma professora comunista cuja coleção de livros ele escondeu dos militares. Em relação a essa época, o Papa rejeita rótulos ideológicos simplistas e enfatiza a importância do compartilhamento e da solidariedade como valores fundamentais do cristianismo. Francisco enfrenta fake news que circularam a seu respeito e revela seu papel na proteção de seminaristas perseguidos e lamenta as atrocidades cometidas durante aquele período sombrio da história de seu país. Ele nega acusações de abandono de jesuítas sequestrados e enfatiza sua luta pela libertação dos padres. “Falar dos pobres não significa ser automaticamente comunista”, escreveu o argentino Jorge Bergoglio. “Os pobres são a bandeira do evangelho e estão no coração de Jesus”, insistiu. “Isso não é comunismo. Isso é cristianismo em estado puro”, continuou. Ao discutir questões contemporâneas, como a aceitação das uniões entre pessoas do mesmo sexo e o perdão às mulheres que interrompem gestações, Francisco adota uma postura equilibrada, mantendo-se fiel aos ensinamentos da Igreja, mas demonstrando empatia e compaixão pelas situações individuais. Ele destaca a importância de acolher as pessoas LGBTQIA+ e reafirma sua oposição ao aborto. Ao discutir a possibilidade de renúncia, Francisco tranquiliza os católicos, afirmando que só o fará em caso de impedimento físico grave e que jamais assumirá o título de papa emérito, uma decisão contrária à adotada por seu antecessor, Bento XVI. Sua determinação em levar adiante suas reformas é evidente, e ele reafirma seu compromisso com o pontificado até o fim. O Papa compartilha também os bastidores do conclave que o elegeu em 2013, destacando a mensagem de encorajamento de seu amigo cardeal brasileiro Claudio Hummes e a inspiração por trás da escolha de seu nome papal, Francisco. Sua defesa da dignidade dos pobres e marginalizados, sua postura de acolhimento em relação aos homossexuais e seu desapego às acusações infundadas são temas recorrentes ao longo do livro. As regras do jogo Comparando o pontificado de Francisco com o de seu antecessor, Bento XVI, o vaticanista Ragona ressaltou as diferenças significativas entre os dois líderes da Igreja Católica. Segundo ele, Francisco “mudou as regras do jogo”, adotando uma abordagem mais proativa e engajada em questões sociais e políticas, como a mediação em conflitos internacionais. Quanto à transformação da Igreja sob o pontificado de Francisco, Ragona reconheceu que mudanças significativas não acontecem da noite para o dia, mas enfatizou os esforços do Papa em plantar sementes de mudança, especialmente em relação à aceitação de grupos marginalizados, como pessoas trans e homossexuais. Ao escrever a biografia, Ragona revelou ter ficado surpreso ao descobrir aspectos da vida pessoal do Papa, como sua experiência amorosa quando ainda era seminarista. Essas revelações humanizaram o líder religioso aos olhos do vaticanista e ofereceram uma perspectiva mais completa de sua personalidade. Quanto à opinião do Papa sobre o presidente argentino Javier Milei, Ragona compartilhou que Francisco considerou o político descortês, mas reconheceu que as declarações durante a campanha política muitas vezes não refletem a verdadeira natureza das pessoas. Por fim, ao refletir sobre sua percepção do Papa Francisco após passar um ano trabalhando junto a ele, Ragona enfatizou a humildade e autenticidade do líder religioso. Ele destacou uma experiência pessoal em que o Papa demonstrou sua preocupação com o bem-estar de Ragona, revelando sua natureza acolhedora e pé-no-chão.