Fábrica de celulose pode investir R$ 20 bilhões no Norte de Minas Gerais

Região possui vantagens como eucalipto de maior qualidade e importantes componentes de escoamento de produtos O Norte de Minas pode abrigar uma unidade da fabricante de celulose canadense Paper Excellence, uma das maiores produtoras do mundo em seu segmento. A multinacional, que atualmente opera 58 fábricas em quatro países, incluindo o Brasil, estaria projetando aportes em torno de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões) na nova instalação. As informações foram passadas com exclusividade ao DIÁRIO DO COMÉRCIO por uma fonte próxima da empresa. Segundo essa pessoa que pediu para ter sua identidade preservada, o grupo estaria cogitando se instalar na região de Pirapora, no Norte do Estado, ou em Grão Mogol, no Vale do Jequitinhonha. Atualmente, a empresa estaria trabalhando para levantar informações sobre hectares de eucaliptos e infraestrutura. Segundo a fonte, o grupo é muito capitalizado e teria plenas condições de se desenvolver ainda mais no País. A pessoa argumenta que as duas regiões no Norte de Minas analisadas possuem ampla vantagem e são um excelente projeto de celulose no Brasil. Ambas possuem um conjunto de terras baratas e concorrência mínima, o que chamou a atenção de executivos em relação às outras cidades do País. Entre os diferenciais das duas cidades mineiras, foram citados o eucalipto de maior qualidade, que cresce em menos tempo na região de Grão Mogol. Em Pirapora, foram citadas vantagens logísticas como a ferrovia e os importantes componentes de escoamento de produtos. A reportagem entrou em contato com a Paper Excellence para confirmar a informação, porém, até o fechamento desta matéria, não obteve retorno. Empresa vive embate com Eldorado Celulose A atuação no Brasil da Paper Excellence iniciou através da aquisição de 49,41% das ações da Eldorado Celulose, da J&F investimentos. A holding controla pouco mais de 50% das ações da Eldorado, além das empresas JBS, Banco Original, PicPay, Âmbar Energia, J&F Mineração e Canal Rural. O que era para se tornar uma das principais potências da indústria de celulose do Brasil, terminou em disputas judiciais pelo controle da Eldorado. A empresa brasileira tem uma fábrica de celulose em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, onde está localizada sua base florestal. Neste ano, grupo J&F informou que iria desfazer o contrato de venda da Eldorado Celulose, concretizado em 2017. Seguindo as orientações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) – que é contrário ao distrato, a empresa ainda precisará apresentar as permissões solicitadas no que se refere às exigências das leis de transferência de terra para estrangeiros. Responsabilidade socioambiental Em números globais, a Paper Excellence soma 12,8 milhões de toneladas de papel e celulose produzidas todos os anos por mais de 21 mil funcionários. No que tange em relação às ações sustentáveis, a empresa garante que 77% do consumo de energia vêm fontes renováveis, além de possuir 100% das operações florestais em posse de certificação internacional.

Cara de pau – Com desculpa esfarrapada, “Erros” Biondini vota contra ajuda ao RS

Apoiador de Jair Bolsonaro, fundador da “Missão Mundo Novo” e líder da corrente cristã Renovação Carismática, o deputado afirmou em suas redes sociais que se confundiu, pediu desculpas e agradeceu por seu voto não ter “atrapalhado a votação”. Eros também declarou que “errar faz parte da nossa natureza humana”. Biondini alegou ter errado ao computar o voto. Segundo o parlamentar mineiro, depois de apertar o botão que indicava o voto “não”, ele percebeu o erro e tentou corrigi-lo, mas não conseguiu. “Me desculpo publicamente, já que jamais qualquer um de nós votaria contra o nosso estado do Rio Grande”, justificou. Apenas dois deputados federais: Eros Biondini (PL-MG) e Stélio Dener (Republicanos-RR), foram contrários à suspensão da dívida do Rio Grande Sul com a União pelos próximos meses e um deles é de Minas Gerais, o bolsonarista Eros Biondini (PL). Os demais 404 parlamentares votaram a favor da proposta, apresentada pelo governo Lula (PT), que tem como objetivo desonerar o estado que enfrenta uma das maiores tragédias registradas no país. A dívida será suspensa pelos próximos três anos. Eros está em quarto mandato legislativo consecutivo e nunca errou para votar contra a classe trabalhadora.

Morre Silvio Luiz, ícone do jornalismo esportivo

Locutor estava com 89 anos e estava internado desde 8 de maio Morreu na manhã desta quinta-feira (16) o narrador esportivo Silvio Luiz, aos 89 anos, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. Ele estava internado no hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo. Silvio Luiz se consolidou como um dos principais locutores esportivos do Brasil, com passagens pela Rede Record, Bandeirantes, Record, TV Excelsior, SBT, TV Paulista, entre outras. Durante a sua carreira, ficou marcado por bordões como “olho no lance, ééé…”, “confira comigo no replay” e “pelas barbas do profeta”. O seu último trabalho foi na Record, onde comandava a transmissão de partidas de futebol ao lado dos humoristas Carioca e Bola. Foi durante uma partida, entre Santos e Palmeiras, que o narrador passou mal e foi internado pela primeira vez neste ano, em São Paulo. Depois de quase um mês no hospital, ele recebeu alta, mas voltou a ser internado na semana passada. Silvio era casado com a cantora Márcia desde 1989 e deixa três filhos: Alexandre, Andréa e André.

Trump lidera em cinco dos seis estados decisivos nas eleições

Pesquisa do New York Times revela que republicano tem vantagem em cinco dos seis estados-pêndulo; Biden enfrenta insatisfação com economia e guerra O bilionário Donald Trump lidera as intenções de voto em cinco estados decisivos nas eleições dos Estados Unidos, de acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal New York Times. O líder da extrema-direita lidera em Michigan, Arizona, Nevada, Georgia e Pensilvânia, enquanto seu adversário nas eleições de novembro, o atual presidente dos EUA Joe Biden, aparece à frente apenas em Wisconsin. Wisconsin: Trump, 45%; Biden, 47% Michigan: Trump, 49%; Biden, 42% Arizona: Trump, 49%; Biden, 42% Nevada: Trump, 50%; Biden, 38% Georgia: Trump, 49%; Biden, 39% Pensilvânia: Trump, 47%: Biden, 44% A pesquisa ouviu 4.097 eleitores registrados nos seis estados-pêndulo entre 28 de abril e 9 de maio. Na eleição de 2020, o então candidato Joe Biden venceu nos seis estados em questão na vitória dos democratas sobre a extrema-direita dos Estados Unidos. Veja o resultado daquela eleição a seguir: Wisconsin: Trump, 48,8%; Biden, 49.4% Michigan: Trump, 47,8%; Biden, 50,6% Arizona: Trump, 49%; Biden, 49,4% Nevada: Trump, 47,7%; Biden, 50,1% Georgia: Trump, 49,2%; Biden, 49,5% Pensilvânia: Trump, 48,8%: Biden, 50% Segundo o jornal, o levantamento revela uma insatisfação generalizada com a situação do paí, além de sérias dúvidas sobre a capacidade de Biden de proporcionar grandes melhorias aos americanos. “As pesquisas sugerem que a força de Trump entre eleitores jovens e não brancos inverteram, ao menos temporariamente, o mapa eleitoral, com Trump emergindo com uma liderança significativa no Arizona, na Geórgia e em Nevada, estados relativamente diversos do Sul onde negros e hispânicos impulsionaram Biden para vitórias importantes nas eleições de 2020”, completa o jornal. Os estados decisivos, mais conhecidos como estados-pêndulo, são aqueles que não são tradicionalmente democratas ou republicanos. Normalmente são os resultados desses locais que determinam a vitória nas eleições dos Estados Unidos. O crescimento de Donald Trump nas pesquisas coincide com a percepção negativa do eleitor com a política econômica e exterior da atual administração Biden. Nesta quarta (14), o Departamento de Estatísticas do Trabalho do país divulgou o índice de preços aos consumidor (CPI, na sigla em inglês) para abril com ajuste sazonal. O CPI do período avançou 0,3%. Apesar da desaceleração em relação a março, que marcou 0,4%, a população americana demonstra insatisfação com o custo de vida no país. A postura do governo de Biden em apoio à ofensiva militar de Israel sobre Gaza também tem irritado a parcela jovem do eleitorado. Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório e o descontentamento com a atual presidência pode desmotivar a juventude de ir votar em novembro.

Tragédia no Sul – CBF acorda e suspende o Campeonato Brasileiro

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta quarta-feira (15/5) a suspensão das rodadas sete e oito do Campeonato Brasileiro. A medida se deve à tragédia no Rio Grande do Sul, que vem sofrendo com fortes chuvas e enchentes nos últimos dias. Segundo a entidade, a decisão foi tomada com o aval de 15 dos 20 clubes participantes da competição. A paralisação se dará até o dia 27 de maio. Veja a lista dos clubes que votaram pela suspensão do Brasileiro: Atlético-GO; Atlético; Athletico-PR; Criciúma; Cruzeiro; Cuiabá; Bahia; Juventude; Vitória; Fluminense; Fortaleza; Grêmio; Botafogo; Internacional; Vasco. Veja os clubes que não se posicionaram formalmente sobre a suspensão do Brasileiro: Bragantino; Corinthians; Flamengo; Palmeiras; São Paulo. Suspensão do Brasileiro A possível suspensão do Brasileiro por conta da tragédia no Sul já vinha sendo discutida há alguns dias. Recentemente, a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) oficializou o pedido e reforçou o pleito do trio Internacional, Grêmio e Juventude. A princípio, a CBF tinha suspendido apenas os jogos dos times do Rio Grande do Sul. A entidade, porém, voltou atrás e, diante da pressão dos outros clubes, decidiu pela suspensão das duas rodadas. Clubes e CBF vão se reunir em um Conselho Técnico Extraordinário em 27 de maio para deliberar sobre “aspectos técnicos das competições bem como a situação de registro e transferência de atletas, questões jurídicas com relação aos acessos às competições internacionais como Libertadores, Sul-Americana e Mundial de Clubes e questões de direitos de transmissão e patrocínios”, informou a entidade. Todas as outras competições nacionais seguem normalmente, exceto as partidas dos times gaúchos. Jogos adiados 7ª rodada Grêmio x Bragantino Atlético x Bahia Vitória x Atlético-GO Fluminense x Juventude Vasco x Flamengo Corinthians x Botafogo São Paulo x Cruzeiro Fortaleza x Athletico-PR Cuiabá x Internacional Criciúma x Palmeiras 8ª rodada Internacional x São Paulo Cruzeiro x Cuiabá Bahia x Fortaleza Flamengo x Grêmio Botafogo x Fluminense Palmeiras x Vasco Bragantino x Atlético Athletico-PR x Criciúma Atlético-GO x Corinthians Juventude x Vitória

Governo federal propõe suspender cobrança de dívida do RS

Se aprovado pelo Congresso, congelamento liberaria R$ 11 bilhões exclusivos para obras de reconstrução no estado Cheias no Rio Grande do Sul já causaram pelo menos 147 mortes – Foto: Prefeitura Municipal de São Leopoldo O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), anunciou nesta segunda-feira (13) que o governo federal vai propor ao Congresso Nacional a suspensão da cobrança da dívida do Rio Grande do Sul com a União por conta das enchentes no estado. Com a suspensão, sobrariam recursos no caixa estadual para ações necessárias para sua reconstrução. A ideia do governo é “congelar” a dívida do Rio Grande do Sul por três anos. Neste período, o governo gaúcho não precisaria pagar parcelas do débito. Também neste período, a dívida não seria corrigida pelos juros, permanecendo estável. Segundo Haddad, o “congelamento” abriria espaço para gastos de R$ 11 bilhões. Esses recursos deveriam ser incluídos numa espécie de fundo cujos recursos só poderiam ser investidos em atividades de reconstrução. A ideia do governo será encaminhada ao Congresso na forma de projeto de lei. Se aprovada, entraria em vigor após sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “A lei prevê a suspensão do pagamento da dívida do RS, 100% do pagamento, durante 36 meses. Para além disso, os juros serão zerados sobre o estoque, todo o estoque da dívida, pelo mesmo prazo, o que significa dizer que nós poderemos contar com R$ 11 bilhões que seriam destinados ao pagamento da dívida para um fundo contábil que deverá ser investido na recuperação do estado”, explicou Haddad. O anúncio da medida foi feito nesta tarde durante reunião de autoridades federais com o governador Eduardo Leite (PSDB). Leite apoiou a ideia e disse que ela aliviaria o “torniquete orçamentário” que a dívida já impunha ao estado ainda antes da maior enchente de sua história. Para a União, a medida teria um impacto de R$ 23 bilhões, disse Haddad. Além dos R$ 11 bilhões que deixariam de ser pagos, outros R$ 12 bilhões em juros seriam perdoados em favor do Rio Grande do Sul. O estado enfrenta chuvas e cheias de rios sem precedentes, que já mataram pelo menos 147 pessoas. As enxurradas alagaram cidades, destruíram rodovias e fecharam o aeroporto de Porto Alegre. O Rio Grande do Sul deve mais de R$ 100 bilhões à União. É o quarto estado mais endividado do país.

Porteirinha aprova projeto que reconhece direitos ambientais do rio Mosquito

Lei é a primeira em Minas Gerais a reconhecer um ente não-humano como sujeito de direitos Em uma conquista histórica para o Norte de Minas Gerais, a Câmara Municipal de Porteirinha aprovou por unanimidade, no dia 2 de abril, o Projeto de Lei (PL) 01/2024, que reconhece e protege os direitos do rio Mosquito. A aprovação representa um avanço legislativo na validação dos direitos de um ente não-humano, em uma iniciativa pioneira no estado. No Brasil, o rio Laje, em Guajará-Mirim (RO), foi o primeiro do país a ser reconhecido como um ente vivo e sujeito de direitos. A lei garante a existência do rio e de todos os outros seres, humanos e não humanos, que vivem e estão presentes em suas águas. Seguindo similar proteção e garantia de direitos, está a Lei nº 2251/2024, aprovada em Porteirinha. Em seu Artigo 1º, a nova legislação determina que ficam “reconhecidos os direitos intrínsecos do rio Mosquito e sujeito de direitos, e de todos os outros corpos d`água e seres vivos que nele existam naturalmente ou com quem ele se inter-relaciona, incluindo os seres humanos, na medida em que são inter-relacionados num sistema interconectado, integrado e interdependente no âmbito do Município de Porteirinha.” Por se tratar de uma região com forte presença da agricultura familiar, o rio Mosquito tem um papel importante na garantia da sociobiodiversidade. Mais do que isso, é essencial para a existência de todas as formas de vida, promovendo geração de renda, segurança alimentar e nutricional, turismo de base comunitária, além da urgente conservação do meio ambiente. A nova legislação em torno da proteção do rio Mosquito foi construída de forma colaborativa, a partir de uma intensa mobilização popular em defesa da recuperação e proteção do rio, com participação ativa de famílias agricultoras, organizações sociais e lideranças comunitárias. O projeto também contou com a ajuda de parceiros, como o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha, a Associação Casa de Ervas Barranco de Esperança e Vida (ACEBEV), a Articulação no Semiárido Mineiro (ASA Minas), a Cáritas Regional de Minas Gerais e a Cáritas Arquidiocesana de Montes Claros, que organizaram a campanha “Todos pelo rio Mosquito”. O que diz a lei? A lei garante a existência do rio e de todos os outros seres, humanos e não humanos, que vivem e estão presentes em suas águas. Entre os direitos do Rio Mosquito e outros entes relacionados, a lei reconhece a importância de “manter seu fluxo natural e em quantidade suficiente para garantir a saúde do ecossistema; nutrir e ser nutrido pela mata ciliar e as florestas do entorno e pela biodiversidade endêmica e existir com suas condições físico-químicas adequadas ao seu equilíbrio ecológico. O texto também reconhece o direito do rio de se inter-relacionar com os seres humanos por meio da identificação biocultural, de suas práticas espirituais, tradicionais, de lazer, da pesca artesanal, agroecológica, cultural e do Turismo de Base Comunitária”. A nova legislação propõe ainda a criação de um Comitê Guardião do Rio Mosquito, formado por representantes das comunidades e de entidades do município. Ente de direitos: garantia de proteção do rio Mosquito O rio Mosquito nasce no município de Serranópolis de Minas, cidade de pouco mais de 4 mil habitantes ao norte do estado, sobre a Serra do Espinhaço. Afluente dos rios Gorutuba e Pardo, ele parte de Serranópolis rumo a Porteirinha, município de 37 mil habitantes, e corta a cidade de oeste a leste, passando pela área central da cidade. Há anos, a cidade se mobiliza em torno da recuperação da saúde do rio, além da preservação de sua nascente, despoluição de diversos trechos, cuidado com a vegetação e o meio ambiente que o circunda. De lá, as águas rumam para Nova Porteirinha, município de 6 mil habitantes, e seguem seu caminho até encontrar com o rio Pardo. Irmã Mônica de Barros, da Congregação Filhas de Jesus, é fundadora da Associação Casa de Ervas Barranco da Esperança e Vida (Acebev), uma das organizações que atuam na luta pela preservação do rio Mosquito, e destaca a íntima relação das comunidades com o rio. “Em seu leito a vida passa constantemente. Na sua margem tem toda uma cabeleira verde de vida, de medicamentos, de coisas maravilhosas que o Pai Deus deixou. As comunidades que são banhadas por esse rio têm uma imensa gratidão, um imenso respeito e um quase infinito cuidado. As margens são a segurança que o rio e as comunidades têm para sobreviver.” Prevenção de enchentes Uma das preocupações que fizeram com que a população se mobilizasse em função da proteção do rio Mosquito são as enchentes, que já atingiram Serranópolis e Porteirinha em várias ocasiões. Devido ao intenso assoreamento, junto às características de relevo da região, o rio não comporta os períodos de cheia. Como resultado, ruas, casas e comércios são invadidos pela água e moradores precisam deixar seus endereços às pressas. Na última enchente, ocorrida em março de 2024, mais de 100 casas ficaram alagadas em Porteirinha. “Na etapa de construção de ações de incidência política, durante um encontro em uma das comunidades atingidas pela cheia do rio Mosquito, os moradores decidiram pela revitalização ou, como disseram, pelo cuidado com a ‘saúde do Rio’. Como ação estratégica e, dentro da revitalização, foi apontada a necessidade de construção de uma lei que reconhecesse os direitos e protegesse o rio Mosquito.”, explica Aldinei Leão, agente Cáritas e assessor jurídico do Centro de Referência em Direitos Humanos do Norte de Minas (CRDH Norte), instituições que auxiliaram na mobilização dos moradores. A luta continua Sancionada no dia 15 de abril, a lei aguarda regulamentação para que seus efeitos práticos na proteção do rio sejam efetivados. Lideranças, movimentos sociais e as comunidades seguem mobilizados. “A luta não está encerrada, simplesmente a luta nos deu mais um sinal de vida. Não basta você ter uma lei muito bonita e ela não ser respeitada, não ser aplicada. Temos que fazer essa lei valer porque ela é, agora, um instrumento de proteção, não só do rio, mas de tudo que o envolve.”, afirma

Apenas 15% das cidades do RS pediram recursos federais

Tragédia no Rio Grande do Sul – Segundo Defesa Civil, número de mortes chegou a 143, com 125 desaparecidos e 806 feridos Segundo o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, ainda é reduzido o número de municípios do Rio Grande do Sul que pediram recursos emergenciais federais para trabalhar com os impactos das chuvas e enchentes que atingem o estado. Ele realizou uma coletiva de imprensa neste sábado (11), detalhando o cenário. “Temos 441 municípios em situação de calamidade. Logicamente que, até que seja feito o refinamento dessa classificação, nós imaginávamos que pelo menos 300 solicitassem algum tipo de recurso, mas apenas 69 solicitaram. Aprovamos sumariamente e já liberamos recursos”, disse ele, segundo a Agência Brasil. O número representa 15,6% das cidades em estado de calamidade. Góes afirma que o governo federal flexibilizou as regras para o recebimento de recursos pelas cidades afetadas pelas enchentes. “Sabemos que muitos prefeitos estão focados nas ações de resgate. Compreendemos isso, de forma a possibilitar que eles recebam a ajuda enquanto reúnem as informações para o plano de trabalho de ajuda humanitária”, disse. “Se o município tem até 50 mil habitantes, a gente adianta logo R$ 200 mil. Se tem até 100 mil, adiantamos R$ 300 mil. Se tiver acima de 100 mil, a gente adianta R$ 500 mil para, rapidamente, comprarem água, cestas básicas; para cuidar das pessoas que estão no abrigo”, disse o ministro. Segundo boletim divulgado na manhã deste domingo (12) pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul, o total de municípios afetados pelas enchentes chega a 446, atingindo 2.115.704 pessoas. O boletim mostra ainda que há 81.170 pessoas em abrigos e 537.380 desalojados. A Defesa Civil contabiliza 143 mortes e 125 desaparecidos, além de 806 feridos. Até a divulgação do balanço, são 76.399 pessoas que foram salvas e 10.555 animais resgatados.

CBF pede que clubes se manifestem sobre paralisação do Brasileirão

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pediu em circular enviada a seus membros filiados um posicionamento sobre a possibilidade de suspender o calendário do Campeonato Brasileiro por causa das fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul. O ministro dos Esporte enviou um ofício a Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, e citou mobilização para reconstrução do Rio Grande do Sul Em ofício enviado na sexta-feira a Ednaldo Rodrigues, presidente da confederação, o ministro do Esporte, André Fufuca, afirmou que “todo o país está envolvido no apoio aos jogadores e familiares, bem como a toda a população daquela região”. A circular da CBF foi encaminhada para os clubes que disputam todas as divisões do Campeonato Brasileiro masculino e feminino, além das 27 federações estaduais. A CBF já adiou as partidas de maio das equipes gaúchas. Os presidentes do Internacional, Grêmio e Juventude também defendem a paralisação do Brasileirão. Em nota divulgada na quinta, Fufuca afirmou que é hora de concentrar esforços no apoio às vítimas, “na reconstrução das áreas afetadas e na mitigação dos impactos causados pela tragédia. A dimensão humana precisa vir antes da esportiva”. “A preocupação maior é com a integridade física e psicológica dos atletas, torcedores e demais envolvidos”, disse o ministro.

Flávio Dino interrompe julgamento das dívidas de Minas no STF

Ministro apresentou “Pedido de Destaque” no plenário virtual do STF, neste domingo, e julgamento fica suspenso Clique e participe do nosso canal no WhatsApp O ministro Flávio Dino apresentou “pedido de destaque” e interrompeu o julgamento da petição apresentada pelo governo de Minas Gerais pedindo a prorrogação da suspensão de pagamento das dívidas do Estado com a União, que já chega a R$ 165 bilhões. Desta forma o julgamento vai recomeçar no plenário físico, mas ainda não há prazo para que seja pautado novamente. Por enquanto, segue valendo a liminar do ministro Nunes Marques que prorrogou, até 20 de julho, o prazo para a retomada do pagamento da dívida pública de Minas Gerais com a União. Após encerrado este prazo, o governo de Minas pode ser obrigado a voltar a fazer o pagamento integral da dívida. A alternativa seria aceitar as regras atuais do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que permite renegociar as dívidas, mas com contrapartidas consideradas muito altas pelo governo e parlamentares mineiros. Como os deputados estaduais ainda não aprovaram a adesão ao RRF, o governo de Minas não teve acesso a melhores condições de pagamento. Prorrogação Na quarta-feira (08/05), o governo mineiro pediu que o STF retirasse o julgamento de pauta a ação da União cobrando o pagamento da dívida de R$ 165 bilhões. Pelo documento, em troca, Minas Gerais começará em julho a pagar mensalmente parcelas de R$ 320 milhões, “como se homologado o Regime de Recuperação Fiscal (RRF)”, afirma o governador, na petição. A intenção é ganhar tempo para que as negociações para uma proposta alternativa ao RRF, que tem sido encabeçada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avance junto ao governo federal. Contudo, após manifestação contrária da Advocacia-Geral da União (AGU), o ministro Nunes Marques resolveu dar continuidade ao julgamento que vai decidir se prolonga ou não a suspensão das dívidas de Minas. Até as 15h da sexta-feira, três magistrados já haviam anunciado seus respectivos votos. Nunes Marques defendeu que seja mantido o prazo de 90 dias para a retomada da quitação das parcelas da dívida, que já supera os R$ 170 bilhões. Em seu argumento, o relator afirmou que “o prazo de 180 (cento e oitenta) dias poderia retirar o senso de urgência que o assunto merece, tendo em conta as inúmeras prioridades com que os governos federal e estadual têm de lidar. A metade desse intervalo – 90 (noventa) dias – parece mais ajustada, considerando, inclusive, a possibilidade de fechamento deste primeiro semestre do ano fiscal com alguns consensos (ainda que parciais) alcançados entre a União e o Estado de Minas Gerais”, declarou ao proferir o voto. Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin concordaram com os argumentos do relator e votaram para que Minas recomece o pagamento das dívidas após 20 de julho. Porém, com o pedido apresentado por Flávio Dino, neste domingo, a votação será zerada e aberta para debate no plenário físico da corte. O governo de Minas Gerais informou que não comenta assuntos que “em respeito aos ritos forenses e à divisão dos Poderes, o Governo de Minas não comenta ações judiciais e informa que, quando intimado, se pronunciará nos autos dos processos”. Dívidas de Minas A dívida de Minas Gerais com a União foi renegociada em 1998, com um valor de R$ 14 bilhões. Porém, mesmo com o pagamento de parcelas ao longo das décadas seguintes, o valor continuou a subir. As dificuldades em honrar os compromissos se agravaram em 2018, no governo de Fernando Pimentel (PT), que resultou em atrasos nos repasses a municípios e no pagamento do salário de servidores. Na época, o governo petista acionou o judiciário para suspender o pagamento das dívidas. Em 2019, já no governo Romeu Zema (Novo), veio a decisão que dispensou o governo de Minas a fazer pagamentos da dívida enquanto os deputados estaduais analisavam a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), proposta criada pelo governo para possibilitar aos estados mais endividados buscar saídas para recuperar as contas. Desde então, em 2019, o governo mineiro não pagou nenhuma parcela dos juros da dívida, o que resultou em um crescimento rápido e faz com que os débitos alcancem, hoje, cerca de R$ 165 bilhões. Contudo, o RRF não avançou na Assembleia Legislativa. Os deputados estaduais avaliam que a proposta não resolve o problema da dívida mineira e ainda coloca o governo estadual subordinado à gestão federal. A questão abriu uma batalha entre Zema e o Legislativo estadual durante o primeiro mandato do governador. Sob liderança do ex-deputado Agostinho Patrus, hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o RRF ficou parado na Assembleia enquanto o governo do Estado buscava a justiça para tentar alternativas de adesão ao RRF. Em uma dessas tentativas de envolver o judiciário na questão, o governo Zema conseguiu a prorrogação da liminar que suspendia o pagamento da dívida até dezembro de 2023. O prazo acabou e sem uma solução para a questão. Novamente o judiciário foi acionado e prorrogou novamente o prazo. Porém, desta vez diminuiu o prazo da suspensão da dívida, para meados de abril. A partir daí, o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Tadeu Martins Leite (MDB), acionou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, senador por Minas Gerais, para mediar uma solução junto ao governo federal. Desde então, Pacheco, junto com o ministro Fernando Haddad, tem tentado achar um meio termo que possibilite Minas Gerais pagar suas dívidas sem inviabilizar a gestão estadual. O governo federal chegou a apresentar uma alternativa, que vinculava a redução da dívida a investimentos em educação profissional. Porém, a proposta foi considerada insuficiente pelos governos estaduais e por Rodrigo Pacheco e uma nova rodada de conversas foi iniciada. Para permitir as negociações, o judiciário resolveu prorrogar mais uma vez o prazo, até 20 de julho, para que Minas Gerais faça adesão ao RRF ou volte a pagar suas dívidas com a União. Nesta semana o governo mineiro solicitou uma prorrogação maior, com mais 90 dias,