Deputados de Minas não destinaram 1 centavo para defesa civil em emendas

Dados do governo de MG mostram que enfrentamento a mudanças climáticas e a desastres naturais não entrou na agenda dos deputados, apesar do histórico do estado O orçamento limitado para o combate às enchentes e às mudanças climáticas não é problema exclusivo do Congresso Nacional. Em Minas Gerais, estado que normalmente sofre com a temporada chuvosa e também com seca e incêndios, a Assembleia Legislativa não destinou um real sequer em emenda parlamentar para a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), órgão que está linha de frente no enfrentamento e monitoramento de desastres, conforme dados do painel de emendas do Executivo segmentados pelo Estado de Minas. As mudanças climáticas também não são citadas pelos deputados em emenda alguma, ainda que Minas tenha hoje 95 cidades com decretos de situação de anormalidade por desastres relacionados às chuvas, de acordo com a Defesa Civil estadual. Vale lembrar que, no ano passado, os deputados estaduais aprovaram Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para dobrar as emendas parlamentares. Antes, elas se limitavam a 1% da Receita Corrente Líquida (RCL), mas esse valor subiu. O texto teve autoria do ex-deputado Inácio Franco (PV), que não conseguiu a reeleição em 2022. O aumento é escalonado. Em 2024, o percentual subiu para 1,5%. Em 2025, chega ao teto de 2%. A Receita Corrente Líquida é representada pela receita total do estado subtraídos os repasses constitucionais feitos às prefeituras. 62 propostas para armas; 2 para a Feam A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) chegou a ser citada em duas emendas de parlamentares mineiros, uma do deputado Antônio Carlos Arantes (PL), no valor de R$ 150 mil; e outra do parlamentar Tito Torres (PSD), avaliada em R$ 120 mil. Porém, as duas destinações se voltam ao processo de licenciamento ambiental do governo, portanto não tratam diretamente de problemas ambientais como os que assolam o Sul do Brasil nas últimas semanas. E nenhuma delas chegou a ser empenhada pelo governo. Para efeito de comparação, os deputados estaduais apresentaram 62 emendas que citam o termo “armamento”, portanto, que tratam da aquisição de itens bélicos para as forças de segurança. Essas propostas envolvem um repasse de R$ 9,4 milhões só para compra desses equipamentos. Nesse item, a destinação mais alta é de R$ 1 milhão para a “renovação dos equipamentos bélicos da Polícia Civil de Minas Gerais com a aquisição de armas modernas e seguras”. A emenda tem assinatura da deputada estadual Delegada Sheila (PL). O dinheiro ainda não foi empenhado (reservado) pela gestão de Romeu Zema (Novo) Dificuldades estruturais Especializado em engenharia e direito ambiental, o advogado Alessandro Azzoni observa que há um processo histórico no Brasil que dificulta o envio de emendas para as mudanças climáticas e para o combate a desastres naturais. “Se já não tiver um projeto colocado em pauta pelo governo estadual, não tem como um deputado destinar emenda. Por isso que as áreas da saúde, da educação e da segurança pública recebem mais emendas, porque são projetos que já estão prontos. A aplicação fica mais fácil”, diz. Alessandro Azzoni vai além e diz que as prevenções contra desastres precisam ser pensadas, prioritariamente, em caráter municipal. “Quando acontece uma tragédia como essa no Rio Grande do Sul, fica evidente que vai se focar nas ações preventivas. Mas, se você olhar, nada foi feito em investimentos. Quando se faz isso na municipalidade, em iniciativas como jardins de chuva ou até mesmo piscinões para represar a água e ir soltando ela aos poucos, você consegue pedir uma suplementação de verba para os governos estadual e federal. Tem que começar nas prefeituras”, defende. Desinteresse dentro e fora do Parlamento Doutor em Democracia, Constituição e Internacionalização, o professor de direito constitucional da PUC Minas Bruno Burgarelli afirma que a baixa destinação de emendas parlamentares por parte do Congresso Nacional a questões ligadas às mudanças climáticas fere direitos garantidos pela Carta Magna. “Há um desinteresse da classe política com esse assunto. É um problema grave, porque o artigo 25 da Constituição garantoe que ‘todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado’”, afirma. “Mas essa não é uma tarefa só da classe política, é também da sociedade civil”, destaca Burgarelli. (Jornal Estado de Minas)
Municípios do Norte de Minas são reconhecidos em premiação nacional

O Selo Diamante foi concedido para 37 pontos parceiros no estado e atesta a excelência dos serviços prestados aos pequenos negócios Minas Gerais foi um dos destaques na cerimônia nacional do Selo Sebrae de Referência em Atendimento, categoria Selo Diamante. O anúncio foi realizado nesta terça-feira, 7, em evento online. Ao todo, 37 pontos da Rede de Atendimento Aqui Tem Sebrae foram reconhecidos como referência em atendimento e serviços prestados aos clientes. O estado foi o segundo a receber o maior número de Diamante do país, correspondendo a 25% do total. No norte do estado, os municípios de Bonito de Minas, Curral de Dentro, Janaúba, Jequitaí, Josenópolis, Mato Verde, Monte Azul, Pai Pedro, Pirapora, Riacho dos Machados, Serránópolis de Minas, Taiobeiras, Ubaí e Verdelândia foram agraciados com o Selo Diamante. O Selo reconhece a qualidade dos atendimentos e serviços das Salas do Empreendedor e parceiros. A rede do Sebrae é composta de parcerias com instituições públicas, tais como prefeituras, instituições privadas e representantes de classe (associações comerciais, câmaras de dirigentes lojistas, universidades, sindicatos, centros comerciais, organizações não governamentais, dentre outras). “Minas Gerais é um importante polo para o empreendedorismo e a nossa principal motivação com a rede parceira é torná-la dinâmica, geradora de resultados e promotora de desenvolvimento, disponibilizando serviços e reduzindo as desigualdades territoriais. O recebimento do Selo Diamante é um reconhecimento único para a nossa Rede e, sem dúvidas, o benefício maior é para a sociedade, que recebe um atendimento mais eficiente, profissional e de excelência”, destaca o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva. Em 2023, 275 pontos parceiros em Minas Gerais receberam selos na etapa estadual, nas categorias Ouro, Prata e Bronze, sendo 178 Ouro. Estes “ouros” concorreram, a nível nacional, ao Selo Diamante. Dos 148 pontos de atendimento que receberam o selo máximo no país, 37 são do estado. O reconhecimento dos Selos é feito com base em sete critérios: qualidade do atendimento remoto, gestão, cobertura e produtividade, ambiente de negócios, oferta de soluções, infraestrutura e presença digital. Municípios premiados no estado As cidades que receberam o Selo Diamante foram: – Centro: Itabirito – Centro-Oeste e Sudoeste: Cabo Verde, Itatiaiuçu e São Gonçalo do Pará – Jequitinhonha e Mucuri: Itaobim, Jordânia, Mata Verde e Teófilo Otoni – Noroeste e Alto Paranaíba: Carmo do Paranaíba, Patos de Minas e Uruana de Minas – Norte: Bonito de Minas, Curral de Dentro, Janaúba, Jequitaí, Josenópolis, Monte Azul, Pai Pedro, Pirapora, Riacho dos Machados, Serránópolis de Minas, Taiobeiras, Ubaí e Verdelândia – Rio Doce e Vale do Aço: Catas Altas, Córrego Novo e Itabirinha – Sul: Maria da Fé e Monte Belo – Triângulo: Itapagipe, Frutal e Uberaba – Zona da Mata e Vertentes: Antônio Carlos, Carangola, Luisburgo, Ponte Nova, São Geraldo Atendimento qualificado As vantagens do Selo Diamante são reconhecimento pelo empreendedor e empresário como local de apoio e atendimento para resolução de problemas e desenvolvimento dos pequenos negócios; aumento da satisfação dos clientes; visibilidade nacional das boas práticas; aumento das parcerias nos municípios; entre outros. E para os empreendedores, os principais benefícios são mais facilidade no acesso às orientações e soluções para a abertura de novos negócios e gestão empresarial e atendimento diferenciado, qualificado e gratuito. Rede de Atendimento Aqui Tem Sebrae A Rede Aqui Tem Sebrae foi criada em 2020 com o objetivo de ampliar o acesso dos empreendedores do estado a informações e serviços oferecidos pela instituição sobre abertura e gestão de pequenos negócios. Por meio da Rede, o Sebrae Minas aumentou em sua capilaridade nos últimos anos. Em 2023, a instituição contabilizou 58 agências próprias, mas esteve presente em todo o estado por meio de mais de 580 pontos parceiros da Rede Aqui Tem Sebrae. Dos mais de 2,5 milhões de atendimentos realizados pelo Sebrae Minas no ano passado, mais de 390 mil foram por meio da Rede com os parceiros.
MPMG aciona Estado e Unimontes para manter assistência no HU

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) propôs Ação Civil Pública contra o Estado de Minas Gerais, a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e o município do Norte do Estado para que sejam adotadas as medidas necessárias para garantir a continuidade de todos os serviços de saúde atualmente ofertados pelo Hospital da Unimontes (HU). Segundo apurado, desde 2014 o Estado já havia identificado déficit de servidores no hospital, o que foi contornado por meio de contratações temporárias e com a cessão de servidores pelo município. No entanto, a cessão de profissionais termina no dia 30 de junho e, com um déficit de 555 funcionários, o hospital poderá ter que paralisar os serviços de urgência e emergência. Atualmente, o HUCF está inserido na Rede de Urgência e Emergência (RUE), atuando como “porta aberta” para diversas especialidades médicas. Isso significa que qualquer cidadão pode buscar assistência de urgência e emergência dirigindo-se ao pronto-socorro do hospital. Além disso, o SAMU e o Corpo de Bombeiros têm autonomia para encaminhar pacientes para atendimento, sem necessidade de autorização prévia. A ação destaca que o problema poderia impactar quase 2 milhões de pessoas dos 86 municípios da Macrorregião de Saúde Norte, na qual Montes Claro é classificada como polo, com obrigação de dar suporte a toda a região. “O número insuficiente de profissionais para a execução dos serviços que está ao seu encargo na rede pública de saúde, aliado a ausência de prestadores hospitalares que possui capacidade para executar o trabalho de responsabilidade do HUCF, compromete a rede de urgência e emergência a ponto de interferir na capacidade operacional dos demais hospitais em Montes Claros”. Devido à gravidade da situação, o MPMG iniciou investigação dos fatos. Quatro reuniões de mediação chegaram a ser realizadas, mas não houve solução consensual. Diante disso, foi proposta a ação, com pedido de liminar, para que o Estado de Minas Gerais e a Unimontes apresentem, até 30 de maio, um mês antes do final do prazo de cessão de servidores públicos pelo município de Montes Claros, plano de ação visando evitar reflexos negativos com a redução do número de servidores no HUCF. Além disso, que solucionem, até 30 de junho, o problema da redução de servidores, de forma a garantir a continuidade de todos os serviços ofertados atualmente pelo hospital. Assinam a ação o coordenador regional das Promotorias de Defesa da Saúde do Norte de Minas, Daniel Lessa Costa, e o promotor de Justiça de defesa da Saúde de Montes Claros, Rodrigo Guedes Cavalcante.
Minas anuncia pavimentação entre Rio Pardo de Minas e Mato Verde

O Governo de Minas anunciou, nesta última quinta-feira (9), o início da primeira etapa das obras de pavimentação da LMG-629, que faz a ligação de Rio Pardo de Minas a Mato Verde, na região Norte do estado. Esta é mais uma obra que vai melhorar a vida dos mineiros e trazer mais desenvolvimento para o estado. Da Agência Minas As obras serão realizadas pelo Governo de Minas por meio do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). A intervenção abrange 32 quilômetros entre os dois municípios, serão executadas em duas etapas e vão beneficiar direta e indiretamente mais de 250 mil pessoas da região. As intervenções fazem parte do Provias, maior conjunto de investimentos rodoviários da última década em Minas Gerais. O edital do primeiro lote com 9,5 quilômetros deverá ser publicado em julho e o início das obras no segundo semestre deste ano. O investimento nesta etapa é da ordem de R$ 29,5 milhões. A estimativa é de um investimento total em torno de R$ 69,5 milhões para a pavimentação de 22,5 quilômetros. O edital será publicado no primeiro semestre de 2025. Para o vice-governador de Minas, Professor Mateus, a obra é um compromisso do Governo de Minas com a região. “É uma questão de responsabilidade, para nós, conseguir anunciar finalmente a retomada dessa obra, que foi planejada há 40 anos e que, infelizmente, foi abandonada desde então. É uma enorme alegria, hoje, garantir que há o recurso para a primeira etapa, e que já estamos com o projeto em andamento para licitar essa obra nos próximos meses. Sabemos que essa ligação de Mato Verde até Rio Pardo significa a junção de duas das regiões mais importantes do Norte do Estado, que é o Alto Pardo com a Serra Geral”, afirmou. O secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno, destacou que este é mais um avanço para Minas. “Vale ressaltar que temos obras em execução em todo estado. Temos um desafio de melhorar nossa malha viária, sabemos que muito ainda precisa ser feito, mas estamos trabalhando e com a certeza de que estamos no caminho certo. O mineiro já começa a sentir a diferença ao trafegar pelas estradas de Minas”, disse. O DER-MG também já trabalha na revisão do projeto para a execução da segunda etapa, inclusive no que se refere aos procedimentos para licenciamento ambiental da obra e no detalhamento da planilha de custo e orçamento dos serviços. “A gente usou os primeiros meses do ano para fazer a atualização do projeto. Mas vale ressaltar que, em relação à primeira etapa, tudo está pronto. A gente pretende lançar o edital de licitação ainda no primeiro semestre e dar início às obras na segunda parte do ano”, explicou o diretor-geral do DER-MG, Rodrigo Tavares. IMPORTÂNCIA DA OBRA O trecho faz a conexão entre as regiões de Serra Geral e Alto Rio Pardo. Trata-se de um link faltante fundamental para o acesso da população de diversos municípios com o polo de saúde em Taiobeiras, onde está localizado o hospital de referência da região. Pelo trecho circulam ambulâncias, Samu e veículos que transportam pacientes de hemodiálise, entre outros. A obra, depois de concluída, vai promover a integração regional, criando um elo pavimentado entre Taiobeiras e a LMG-635, o que favorecerá a circulação da população e o escoamento da produção agropecuária de diversos municípios, como Espinosa, Mamonas, Monte Azul, Catuti, Mato Verde, Santo Antônio do Retiro, Montezuma, Rio Pardo de Minas, Novo Horizonte, Salinas, Rubelita, Coronel Murta e Araçuaí. Além de possibilitar o acesso ao Sul da Bahia, a partir da BR-251. “Isso significa, obviamente, mais segurança, melhor circulação das pessoas e condição de integração das redes de saúde. Mas, mais do que isso, ela significa condição de escoamento de produção e, portanto, a criação de uma nova via de acesso para as cargas, o que significa incremento na atividade econômica para toda a região”, ressaltou o vice-governador. Os benefícios também virão para a educação, pois a obra facilitará o acesso dos estudantes às faculdades que estão localizadas do lado da Serra Geral. Na logística, haverá a criação de uma nova rota de transportes, uma vez que o usuário da via poderá fazer o contorno entre as duas regiões, retornando para a região Central do estado sem ter que ir e voltar pela mesma rota, fazendo com que se reduza o custo do transporte. No setor industrial, exemplo de benefício é a cidade de Taiobeiras, que já é um polo de produção têxtil, com foco na confecção de lingerie. Além disso, o município já se desponta no setor de Equipamento de proteção Industrial (EPIs).
Sob ataque de Israel, 110 mil palestinos fogem de Rafah, sem rumo

A cidade que era o último refúgio garantido pelo governo israelense a civis, saltou de 275 mil para 1,5 milhão de refugiados, que agora estão sob brutal ataque. Os militares israelenses intensificaram os seus ataques em Rafah, no sul de Gaza, ao mesmo tempo que paralisaram as operações de ajuda humanitária em todo o território palestino, à medida que as conversações de cessar-fogo terminavam sem acordo. Rafah era o último refúgio para civis, conforme o próprio governo israelense foi encurralando a população de 1,5 milhão de pessoas para essa cidade no extremo sul de Gaza, sob a promessa de segurança. Com isso, as pessoas não têm para onde ir, conforme a fronteira sul com o Egito se mantém fechada sob controle israelense. Antes da guerra, Rafah tinha 275 mil habitantes. A Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras para Refugiados Palestinos no Oriente Próximo (UNRWA) disse na sexta-feira que 110 mil palestinos fugiram de Rafah. As tropas israelenses avançavam no leste da cidade em operações de combate corpo a corpo e conduzindo ataques aéreos. As pessoas que fogem perambulam sem rumo pelo deserto tentando escapar de bombardeios e tiros. “As pessoas estão petrificadas. As pessoas temem isso há muito, muito tempo e agora isso está sobre nós. Há bombardeios constantes. Há fumaça no horizonte. Há pessoas em movimento”, disse Sam Rose, diretor de planejamento da UNRWA, de Rafah. Ele disse que Israel estava submetendo Gaza a um “cerco medieval” numa guerra de “terra arrasada”. As forças israelenses assumiram no início desta semana o controle da passagem fronteiriça de Rafah, selando o ponto de entrada crucial para a ajuda humanitária. “Nenhuma ajuda chegou a Gaza desde domingo. Nenhuma ajuda, nenhum combustível, nenhum abastecimento, nada. E agora realmente estamos com nossas últimas reservas”, disse Rose. “Temos mais alguns dias de farinha que podemos fornecer. Mas todo o resto começará a parar muito em breve, sem combustível, sem água. Portanto, a situação é realmente desesperadora”, acrescentou. Israel já desafiou objeções internacionais ao enviar tanques e conduzir o que chamou de “ataques seletivos” no leste de Rafah, a cidade que diz ser o lar dos últimos batalhões restantes do Hamas. Mas as autoridades do Hamas em Rafah consideraram “nada mais que mentiras” a descrição de Israel da sua operação como “limitada”. Sob fortes ataques, pacientes e funcionários foram forçados a sair dos hospitais em Rafah, deixando muitos palestinos doentes e feridos sem possibilidade de tratamento. Um ataque aéreo israelense contra duas casas no bairro de Sabra, em Rafah, matou pelo menos 12 pessoas, incluindo mulheres e crianças. “O Hospital Al-Najjar está fora de serviço. E o Hospital do Kuwait [em Rafah] é apenas para traumas e emergências”, disse o médico palestino Mohammed Zaqout. “Não temos leitos nem hospitais para encaminhar [as pessoas], especialmente para pacientes críticos.” Mais a norte, testemunhas relataram ataques aéreos e combates em bairros da Cidade de Gaza, tendo como alvo Zeitoun, Sabra, Nassr, Tal al-Hawa e o campo de refugiados de Shati. As delegações israelenses e do Hamas abandonaram a capital egípcia, Cairo, após a última ronda de negociações de cessar-fogo, mediadas pelo Qatar, pelos Estados Unidos e pelo Egito. O Hamas disse na sexta-feira que “a bola está agora completamente” nas mãos de Israel. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito disse que os dois lados devem mostrar “flexibilidade” a fim de chegarem a um acordo para um cessar-fogo e uma troca de prisioneiros detidos em Gaza por prisioneiros palestinos. O Hamas disse que um acordo envolveria a retirada das forças israelenses de Gaza, o retorno dos palestinos deslocados pela guerra e a troca de cativos por prisioneiros, com o objetivo de um “cessar-fogo permanente”. O grupo disse que mantém os termos e que Israel “levantou objeções a ele em várias questões centrais”. A exigência do Hamas de uma pausa inicial de 12 semanas nos combates foi um grande obstáculo para Israel durante as negociações de cessar-fogo desta semana, informou a emissora CNN, citando três fontes familiarizadas com as negociações. Israel está determinado a prosseguir com a sua ofensiva em Rafah, desafiando os avisos da ONU e dos seus aliados, incluindo o seu principal apoiante militar e político, os EUA. Embora o presidente dos EUA, Joe Biden, tenha avisado que interromperia o fornecimento de armas dos EUA a Israel se este realizasse o ataque terrestre, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, permaneceu desafiador. “Se tivermos que ficar sozinhos, ficaremos sozinhos. Se precisarmos, lutaremos com as unhas. Mas temos muito mais do que unhas”, disse ele em entrevista na quinta-feira (9). Espera-se que o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, apresente um relatório ao Congresso ainda nesta sexta-feira sobre a conduta de Israel em Gaza, que não chega a concluir que o país violou os termos para o uso de armas dos EUA, segundo a imprensa americana. Na sexta-feira, a Assembleia Geral da ONU votará uma resolução que concederia novos “direitos e privilégios” à Palestina e apelará ao Conselho de Segurança da ONU para reconsiderar favoravelmente o pedido da Palestina de adesão plena. A maior parte dos 2,3 milhões de palestinos na Faixa de Gaza estão deslocados em Rafah, na parte sul do enclave, mas centenas de milhares também vivem em tendas noutras áreas.
Como os dicionários retratam os negros – nos EUA e no Brasil

vVisões racistas ou discriminatórias – que tratam o negro como “escravo”, “indivíduo sem alma” ou “indivíduo comercializável” – são invariavelmente predominantes nos dicionários de língua portuguesa Há uma sequência de Malcolm X (1992), o filmaço de Spike Lee, que mostra a natureza ideológica das palavras e das representações. A cena é ambientada no pátio da prisão norte-americana de Charleston. Baines (Albert Hall) tenta atrair Malcolm (Denzel Washington) para a Nação do Islã. Mas, antes do convite, há uma série de perorações sobre a relação entre brancos e negros. “Você aceitou tudo o que o homem branco lhe disse. Ele disse que você era um pagão negro – e você acreditou nele”, afirma Baines. “Ele disse para você idolatrar um Jesus loiro, de olhos azuis, de pele branca – e você acreditou. Ele disse que o preto era uma maldição – e você acreditou. Você já procurou a palavra ‘preto’ no dicionário?”. A dupla se dirige à biblioteca da cadeia, onde Baines abre um dicionário e lê diversas definições de “negro”: “destituído de luz”; “desprovido de cor”; “envolto na escuridão – logo, muito sombrio e obscuro, como em ‘futuro negro’” (…); “coberto de sujeira”; “imundo”; “lúgubre”; “hostil”; “proibido, como ‘um dia negro’”; “insensato ou extremamente perverso, como em ‘magia negra’”; “indica desgraça, desonra ou culpa”. Baines empurra o dicionário até Malcolm e pede para que ele leia os diversos significados da palavra “branco”: “a cor da neve alva”; “o reflexo de todos os raios do espectro”; “o oposto de preto”; “sem manchas ou defeitos”; “inocente”; “puro” (…); “sem intenções malignas”; “inofensivo”; “honesto”; “negociação justa”; “honorável”. A provocação dá certo, a ponto de Malcolm decidir ler e copiar todo o dicionário, de verbete em verbete. É o estopim para a mudança que transformará um “vigarista de Massachusetts” num dos líderes negros mais influentes do século 20. Não sei se a jovem secundarista Franciele de Souza Meira, de 17 anos, já assistiu a Malcolm X. Moradora de Extrema (MG), essa estudante de ensino médio do Instituto Federal de São Paulo, matriculada no campus de Bragança Paulista (SP), foi premiada por uma pesquisa de iniciação científica que lembra a viagem de Malcolm pelo universo das palavras. Para mostrar o “viés racista” da língua portuguesa, Franciele selecionou 17 dicionários, lançados em períodos distintos. Em cada um deles, buscou a definição de “preto” e “negro”, fazendo uma análise comparativa do discurso. Porém, das edições antigas (como o Rafael Bluteau, de 1712) até os contemporâneos (Aurélio e Houaiss), não houve adaptações significativas. As visões racistas ou discriminatórias – que tratam o negro como “escravo”, “indivíduo sem alma” ou “indivíduo comercializável” – são invariavelmente predominantes. Apenas três dicionários – o da Academia Brasileira de Letras (1976), o de Biderman (1992) e o de Bechara (2011) – não associam “negro” e “preto” a padrões pejorativos. “As definições encontradas em dicionários mais antigos eram esperadas de certa forma, pois esses dicionários foram publicados quando circulava, à época, um discurso pró-escravidão”, comenta Franciele. “Em relação aos dicionários mais recentes, realmente fiquei surpresa por ver que havia continuidade desse discurso, relacionando os indivíduos negros ao período escravocrata.” Sob orientação do professor Rafael Prearo Lima, o estudo foi batizado de “Registro de ‘Preto’ e ‘Negro’ em Dicionários de Língua Portuguesa”. Em outubro de 2023, conquistou o primeiro lugar na Bragantec (Feira de Ciência e Tecnologia de Bragança Paulista), onde concorreu na categoria Ciências Humanas e Linguagens. Cinco meses depois, em março deste ano, foi medalha de ouro na maior feira de iniciação científica da América Latina, a Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). Franciele superou outros 43 projetos finalistas da categoria “Ciências Humanas” e recebeu a premiação em cerimônia na USP (Universidade de São Paulo). Inicialmente, a estudante secundarista pensou em usar a literatura – e não os dicionários – para denunciar esse retrato dos negros como “inferiores, menos humanos”. Ao trocar a ficção pelo “discurso oficial”, sua pesquisa ganhou força e contundência. “As coisas que são colocadas nos dicionários representam uma ideia da sociedade. Eles mostrarão as definições que servem para aquela sociedade naquele tempo”, diz Franciele. “Não esperava que todo o discurso mostrado durante o século 20 continuasse no século 21.” O estudo também mostra a falta que faz a efetivação da Lei 10.639/2003, que obriga escolas de ensino fundamental e médio a incluírem no currículo conteúdos sobre a história e a cultura afro-brasileiras. Não dá para mudar conceitos enraizados onde faltam novos paradigmas. A pesquisa de Franciele dá pistas do longo caminho a percorrer. Vermelho
Em vídeo, Malafaia ensina a tomar dinheiro de fiéis

“Ou dá a oferta porque ama ou dá a oferta porque é constrangido. Azar o dele”, diz o pastor-empresário – Em um vídeo que circula nas redes sociais neste sábado (11), o pastor-empresário Silas Malafaia ensina os métodos que utiliza para tirar dinheiro dos fiéis que frequentam suas igrejas: “eu já testei todos os processos de tirar oferta, e vou dizer qual é o processo mais eficaz”, diz ele antes de listar alguns métodos e inclusive dar números sobre a rentabilidade de um deles: “o pastor fala da oferta e manda o pessoal levar lá na frente. Eu nunca vi um processo tão vagabundo como esse. Esse processo costuma 20% a 30% do povo ofertar e 70% não oferta”. Em seguida, Malafaia diz qual maneira é “mais eficaz”, baseada no constrangimento dos fiéis: “ou dá a oferta porque ama ou dá a oferta porque é constrangido. Azar o dele”. ABSURDO! Silas Malafaia ensinando pastores a como arrancar ofertas dos fiéis: "Ou ele dá porque ama ou porque fica constrangido". pic.twitter.com/HM0rH1dGzA — Andrade (@AndradeRNegro2) May 11, 2024
Dia da Abolição da Escravatura será marcado por ato público em Montes Claros

13 DE MAIO – Na próxima segunda-feira, 13, dia em que se comemora a abolição da escravatura no Brasil, a Coordenadoria de Igualdade Racial, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Montes Claros, em parceria com o Conselho Municipal de Igualdade Racial, promoverá, às 18 horas, um Ato Público na Praça Doutor Carlos, pelo fim do racismo e preconceito. José Gomes Filho, responsável pela Coordenadoria e presidente do Conselho, acredita que é preciso aproveitar a data como uma oportunidade para promover uma reparação dos direitos dos negros. “O Brasil precisa avançar em passos largos nas políticas públicas para combater de vez as crueldades que ainda assolam a população negra, especialmente as questões salariais, onde o negro continua ganhando menos do que o branco, mesmo fazendo o mesmo serviço”, protesta Gomes. Segundo ele, é preciso separar os dias 13 e 14 de maio. “O 13 de maio de 1888 foi uma data instituída de forma atrasada pelo Estado, já que o Brasil foi o último país livre do Ocidente a abolir totalmente a escravatura, e mesmo assim, sem nenhuma garantia para a população negra. Por isso, essa data é algo a ser reelaborado, porque houve uma abolição formal, mas os negros continuaram excluídos do processo social. Já 14 de maio foi o dia em que povo negro acordou e descobriu que não tinha nada, nem moradia e nem emprego. Muito menos direitos. Sendo assim, o dia 14 de maio se tornou um dia de reflexão para a população negra ex-escravizada, que não tinha o que comer, o que vestir e onde morar”, conclui.
Luto na cultura popular: compositor Téo Azevedo morre aos 80 anos

Artista, natural de Norte de Minas, em MG, é considerado o compositor brasileiro com mais músicas gravadas. Corpo será velado na tarde de hoje Por Luiz Ribeiro A cultura brasileira está de luto. Morreu na madrugada deste sábado (11/5), em Montes Claros, no Norte de Minas, o compositor, cantor, escritor e escritor Téo Azevedo, aos 80 anos, considerado uma das maiores expressões da cultura popular do pais. Ele tem mais de 2,5 mil músicas gravadas, cerca de 3 mil trabalhos e 1 mil histórias de cordel escritas, além de 12 livros lançados. Téo também se notabilizou pela luta em defesa da “música de raiz” e da natureza, tendo levantando a voz pela preservação do pequizeiro, o fruto símbolo do Cerrado. O artista estava internado no Hospital Dilson Godinho e morreu em decorrência de uma encefalite (inflamação no cérebro), segundo a família. O corpo será velado no Memorial da Santa Casa de Montes Claros, de 12 às 15 horas deste sábado. Em seguida, o corpo será traslado para o Distrito de Alto Belo, no município de Bocaiuva (na mesma região), terra do compositor, onde será sepultado ás 16 horas deste domingo (12/5), no Memorial Téo Azevedo. Ele é considerado o compositor brasileiro com maior quantidade de musicas gravadas. Entre os cantores que gravaram as suas mais de 2,5 mil criações estão nomes como Sérgio Reis, Milionário & José Rico, Zé Ramalho, Genival Lacerda, Zeca Pagodinho, Jair Rodrigues, Pena Branca & Xavantinho, Tonico & Tinoco, Caju & Castanha e dupla Cristian & Ralf. Além de construir a própria trajetória, Téo produziu dezenas de discos e levou aos estúdios de gravação centenas de cantores e compositores. Conviveu e firmou parcerias com Sérgio Reis, Zé Ramalho e Luiz Gonzaga, entre outros. Em 2013, ganhou o cobiçado prêmio Grammy Latino com “Salve Gonzagão – 100 anos”, na categoria melhor álbum de raiz. Em 1997, graças ao produtor e músico americano Michael Grossman, que conheceu quando fazia um programa na Rádio Atual, em São Paulo, Téo se aproximou de Bobby Keys, saxofonista da banda Rolling Stones. O mineiro fez uma composição em homenagem ao saxofonista, “For Bobby Keys (Music and life)”, que entrou em um disco de Keys, em versão de Michael Grossman. A gravação foi patrocinada por Ronnie Wood, guitarrista dos Stones. “Uma perda imensa para a cultura brasileira e mineira”, afirma o Violeiro, compositor e cantador mineiro Chico Lobo, de quem Téo Azevedo era grande amigo. “Fui pego de surpresa pela notícia. Sempre foi uma referência para a minha carreira”, afirma. “Desde os anos 1980, quando cheguei em Belo Horizonte e pude assistir às suas apresentações. Me tornei amigo e pude ir aos encontros que ele realizava de folias de Alto Belo, sua terra natal. Pude levá-lo várias vezes no meu programa. Foi responsável por lançar vários artistas e trabalhos diferentes. Descobriu Zé Coco do Riachão. É uma perda muito grande, mas que tem certeza da missão que foi cumprida com muita força e muita resistência. A música dele é eterna em nossos corações”, descreve Lobo. O compositor Tino Gomes, também mineiro (de Montes Claros), foi outro que lamentou a morte de Téo Azevedo. “Hoje partiu para os planos celestiais, no toque da viola, um dos maiores defensores da cultura popular desse pais, ao qual nos todos devemos reverenciar: Téo Azevedo. Ele foi um lutador pela nossa cultura, nosso povo catrumano”, declarou Tino Gomes. “Téo produziu mais de 500 discos, inclusive o meu. Ele produziu mais de mil livretos de literatura de cordel. (Foi) um poeta e batalhador incansável da nossa cultura. A cultura popular do Brasil fica entristecida, fica mais pobre com a perda desse grande amigo, desse parceiro, com quem eu tive a honra de dividir uma musica só em 50 anos de amizade, que é ‘Meu Jeito Catrumano’. Téo Azevedo deixa um legado imenso para essa geração que, por vezes, não sabe nem o que é o que gente está falando da cultura popular, devido a grande mídia propagá-la tanta”, afirmou o cantor e compositor. “Saiba, Téo, que nós continuaremos aqui firmes, resistindo trincheirados pela resistência da cultura popular desse pais. A luta continua. Um beijo meu querido, que Deus te receba na paz e na luz”, declarou Tino Gomes. (Estado de Minas)
Montes Claros anuncia a duplicação da avenida João XXIII

A continuação e interligação com a avenida Irmão Jaime e Damião também faz parte do pacote de obras anunciando pela Prefeitura de Montes Claros Foi realizada nesta sexta-feira, 10, na sala de reuniões do Gabinete da Prefeitura, cerimônia para o lançamento de diversas obras em Montes Claros. A cerimônia contou com a presença do prefeito Humberto Souto, do vice-prefeito Guilherme Guimarães, secretários, vereadores, deputado e diversos servidores. Os recursos são provenientes do Tesouro Municipal e estão inseridos no Programa de Investimento no Cidadão (PIC), que está disponibilizando mais de R$ 250 milhões para a cidade, em várias áreas. Foram anunciadas as seguintes obras: duplicação da avenida João XXIII e continuação e interligação com a avenida Irmão Jaime e Damião; pavimentação da estrada municipal que dá acesso à SOMAI (que irá beneficiar moradores das comunidades de Monte Sião, Pinheiros, Santa Maria e Abóboras); construção da Espaço Cultural Concha Acústica na Praça dos Jatobás; construção do CEMEI Antônio Pimenta, no bairro Sumaré; construção das praças Santos Reis, Jaraguá e Alterosa; construção de quadras públicas nos bairros Jardim Primavera, Vila Exposição, Residencial Montes Claros, Residencial Vitória, Universitário, Vila Real, Vila Sion, José Carlos de Lima e Canelas; reforma e adequação da recepção do Pronto Atendimento Municipal Alpheu de Quadros; e reforma da Policlínica Ariosto Machado. Durante a cerimônia, o vice-prefeito e gestor do PIC, Guilherme Guimarães, destacou os investimentos que estão sendo feitos. “Este é um dos maiores pacotes de obras da história de Montes Claros. Essas obras vão somar positivamente em diversas áreas, da Mobilidade Urbana à Educação e Saúde”, disse. O prefeito Humberto Souto, falou sobre a seriedade na gestão pública. “Todo o trabalho que vem sendo feito tem um único objetivo: melhorar a vida das pessoas. A realização dessas obras com recursos próprios mostra que, com transparência e seriedade, é possível fazer com que as coisas aconteçam”, finalizou. (Ascom/Prefeitura)