Lula sanciona, com vetos, reajuste salarial para cargos do Legislativo

Penduricalhos vetados permitiam salários acima do teto constitucional O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou as leis que reajustam os salários e reestruturam as gratificações de servidores do Legislativo.Lula vetou trechos que previam os chamados penduricalhos, que permitiriam o pagamento acima do teto constitucional, que hoje é de R$ 46.366,19.Os textos, aprovados pelo Congresso Nacional, foram publicados no Diário Oficial da União desta quarta-feira (18): leis nº 15.349 (Câmara dos Deputados), nº 15.350 (Senado Federal) e nº 15.351 (Tribunal de Contas da União).“A sanção parcial mantém recomposição prevista para 2026 e moderniza as carreiras. Foram vetados escalonamentos após o atual mandato, licença compensatória com possibilidade de indenização acima do teto e regras que contrariavam a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal”, explicou a presidência da República, em comunicado.Os chamados penduricalhos, que foram vetados, são os aumentos graduais nos salários de 2027, 2028 e 2029; pagamentos retroativos de despesas continuadas; e a criação de uma licença compensatória que previa dias de folga que poderiam ser convertidos em dinheiro no caso de atividades extras, como sessões noturnas, auditorias e plantões.Lula também vetou regras que previam forma de cálculo semestral para aposentadorias e pensões.Foram mantidos os dispositivos que estabelecem a recomposição remuneratória para 2026 nas três carreiras do Legislativo.Além disso, foi criada uma gratificação de desempenho para os servidores efetivos tanto da Câmara quanto do Senado que vai variar de 40% a 100% sobre o maior vencimento básico. Ela substituiu a gratificação em vigor e está sujeita ao teto constitucional.No caso do TCU, houve ampliação do número de cargos, elevação dos níveis de funções de confiança e a exigência de nível superior para todos eles. Os cargos efetivos nas três instituições ainda ficam reconhecidos como carreiras típicas de Estado, o que dá mais segurança jurídica a esses servidores.
Papa Leão não participará do Conselho de Paz de Trump

A Santa Sé “não participará do Conselho da Paz devido à sua natureza particular, que evidentemente não é a de outros Estados O Vaticano anunciou que não participará do Conselho da Paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o futuro da Faixa de Gaza. A decisão foi confirmada pelo cardeal Pietro Parolin, principal autoridade diplomática da Santa Sé.O papa Leão 14, primeiro americano a ocupar o cargo, havia sido convidado em janeiro a integrar o grupo. Pontífices raramente participam de conselhos internacionais. Segundo Parolin, a Santa Sé optou por não aderir à iniciativa por entender que a condução de crises deve ocorrer em âmbito multilateral.“A Santa Sé ‘não participará do Conselho da Paz devido à sua natureza particular, que evidentemente não é a de outros Estados’”, afirmou o cardeal. Ele acrescentou: “Uma preocupação é que, em nível internacional, deveria ser a ONU, acima de tudo, a responsável por gerir essas situações de crise. Este é um dos pontos em que temos insistido.” A proposta foi formalizada por Trump em janeiro, durante evento em Davos, na Suíça. Na ocasião, o presidente criticou as Organização das Nações Unidas e disse que o conselho poderia ser “algo único para o mundo”, sinalizando intenção de ampliar sua atuação para além de Gaza.A primeira reunião está prevista para quinta-feira (19), em Washington. Reino Unido, França e Alemanha não devem participar. Itália e União Europeia sinalizaram presença como observadores.Entre os países que aderiram à iniciativa estão Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes Unidos. O Brasil não aceitou o convite. Em conversa recente com Trump, o presidente Lula sugeriu que o foco se limitasse à Faixa de Gaza e incluísse assento para a Palestina.
Ministro do STF defende Moraes e diz que atacá-lo virou “esporte da moda”

Magistrado afirma que Brasil virou “vale-tudo” após servidores da Receita Federal vazarem dados da esposa do colega Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) saiu em defesa de Alexandre de Moraes após reclamações sobre a decisão que autorizou operação da Polícia Federal no inquérito sobre vazamento de dados de integrantes da Corte e familiares. Ao comentar a reação ao caso, ele afirmou que os ataques ao colega viraram “esporte da moda”.Segundo a coluna de Carla Araújo, o mesmo magistrado argumentou que a quebra de sigilo sem autorização judicial não pode ser relativizada. Para ele, esse “é o problema do ‘vale tudo’ que virou o Brasil”. E completou: “Até quem poderia ter razão perde a razão”.O ministro argumentou que, como a apuração envolve possível violação de dados de membros do próprio Supremo, caberia à Corte decidir sobre o caso. Segundo ele, pelo critério de prevenção em temas que atingem o STF como instituição, o relator natural seria Moraes.Ainda de acordo com o magistrado, o vazamento pode ter diferentes motivações. “O vale tudo também tem essa dimensão financeira”, disse, ao mencionar que a divulgação de dados poderia ocorrer tanto para venda quanto por “motivos ideológicos”. A Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) divulgou nota pública manifestando “preocupação com a adoção de medidas cautelares gravosas contra auditor-fiscal em contexto ainda classificado como análise preliminar pela própria Receita Federal”.A Receita Federal também se pronunciou, afirmando que não tolera desvios, “especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário”. O órgão informou que existe “prévio procedimento investigatório em parceria com a autoridade policial, cujos resultados poderão ser divulgados oportunamente”.Sob reserva, o ministro criticou a versão apresentada pelo auditor que alegou ter acessado, por engano, o nome da enteada de Gilmar Mendes. Para ele, a justificativa não elimina a gravidade do episódio.O magistrado também rebateu a tese de que o caso deveria tramitar na primeira instância. “Significaria dizer que desceria e subiria, pois a primeira instância não pode apurar eventuais indícios de crimes dos próprios ministros do STF. Só a PGR pode opinar e só o STF pode decidir”. Ainda assim, reconheceu as limitações do modelo atual: “É o que temos. Um horror sem fim”.
Ministros veem Fachin isolado e relatam desconfiança interna após caso Toffoli

Após a reunião que confirmou a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o Banco Master, ministros do Supremo Tribunal Federal relataram um ambiente interno marcado por desconfiança e avaliaram que o presidente da Corte, Edson Fachin, se encontra politicamente isolado dentro do tribunal. Segundo relatos, o episódio aprofundou tensões já existentes entre os integrantes do colegiado.Pelo menos quatro ministros manifestaram insatisfação com a condução adotada por Fachin ao dar seguimento a um relatório produzido pela Polícia Federal que mencionava um membro do próprio Supremo. Para esses magistrados, o documento deveria ter sido arquivado de forma imediata, sem prosperar como arguição formal, uma vez que não houve supervisão judicial prévia.Durante a conversa reservada realizada na quinta-feira, Fachin teria insistido em mais de uma ocasião para que a arguição de suspeição contra Dias Toffoli fosse levada a julgamento em plenário já na sexta-feira seguinte. A postura foi recebida com forte resistência por parte de colegas, que avaliaram a iniciativa como uma exposição pública indevida de um ministro da Corte.Na avaliação de integrantes do tribunal, submeter um ministro a esse tipo de julgamento imediato equivaleria a lançá-lo à pressão pública, situação considerada incompatível com a expectativa institucional em relação ao papel do presidente do STF. A percepção dominante foi a de que caberia à presidência agir para preservar o colegiado em um momento sensível.A petição apresentada pela Polícia Federal sugere hipóteses criminais envolvendo Toffoli no contexto das investigações sobre o Banco Master. O Supremo autuou o documento como arguição de suspeição, e Fachin solicitou manifestação formal do colega citado. Embora a nota pública divulgada após a reunião tenha sido assinada por todos os ministros, sinalizando unidade externa, os debates internos revelaram divisões claras.Segundo relatos, formaram-se dois polos distintos: de um lado, Fachin e a ministra Cármen Lúcia; de outro, os demais integrantes do tribunal. Para esses ministros, o isolamento do presidente se agrava pela ausência de garantias de que ele adotará postura de defesa institucional dos pares diante de eventuais novas crises, especialmente em um ano eleitoral.Auxiliares de Fachin, por sua vez, argumentam que o presidente reconhece a importância do chamado espírito de corpo no Supremo, mas ressaltam que a agenda de ética é prioridade absoluta de sua gestão. Na visão do entorno do ministro, ignorar o relatório da Polícia Federal seria inviável, dado o potencial explosivo do conteúdo, classificado como extremamente sensível.A reunião resultou em um acordo político interno. O Supremo divulgou uma nota reafirmando a integridade de Toffoli e a validade de todos os atos por ele praticados até então. Em contrapartida, o ministro optou por deixar a relatoria do processo, justificando a decisão pelo interesse institucional e pelo bom andamento dos trabalhos da Corte.O desgaste de Fachin com parte dos colegas, no entanto, não se restringe ao episódio do Banco Master. Antes disso, o presidente já havia enfrentado resistência ao propor a elaboração de um código de conduta para os ministros do STF, inspirado no modelo do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha.A proposta prevê, entre outros pontos, a divulgação obrigatória de valores recebidos por ministros em razão da participação em eventos e palestras. Embora tenha recebido apoio de presidentes de outros tribunais superiores e de ex-presidentes do Supremo, a iniciativa encontrou oposição interna, sobretudo dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.O vazamento de trechos da reunião reservada também contribuiu para aprofundar o clima de desconfiança. Segundo um ministro ouvido pela Folha de S.Paulo, a divulgação de falas literais evidenciou que o STF atravessa um momento de fragilidade e falta de coesão.A reunião contou apenas com a presença dos dez ministros, sem assessores. Fora de Brasília, Luiz Fux e André Mendonça participaram por videoconferência, enquanto os demais estiveram reunidos presencialmente no gabinete da presidência, em um encontro considerado decisivo para a atual dinâmica interna da Corte.
Goleiro Bruno, condenado por matar mulher, quer carreira política em partido de direita

Em 2022, ele já havia demonstrado apoio à candidatura de Jair Bolsonaro O goleiro Bruno Fernandes de Souza manifestou interesse em disputar uma vaga de vereador em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). A informação foi confirmada pelo atleta em entrevista à Rádio Itatiaia.Bruno informou que ainda não definiu filiação partidária. Entretanto, declarou que sua orientação política está alinhada à direita. “Não tem como não ser de direita”, afirmou o goleiro à emissora mineira.O atleta cumpre pena de 22 anos de reclusão pelo homicídio de Eliza Samudio, cometido em 2010. Atualmente, ele está em regime de liberdade condicional. Pela legislação eleitoral, a candidatura só será possível após o término da pena, previsto para janeiro de 2031. Defendeu BolsonaroDurante as eleições de 2022, o assassino manifestou apoio ao então presidente Jair Bolsonaro (PL). Em vídeo postado nas redes, Bruno dirigiu-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio de redes sociais. Na mensagem, questionou: “Lula, sabe qual a diferença entre você e eu? Entre o bandido”, apontando para a tela, “e o criminoso?”.Bruno foi condenado em 2013 pelo Tribunal do Júri de Nova Lima (MG). A defesa do goleiro apresentou recursos que resultaram na progressão de regime e, posteriormente, na concessão da liberdade condicional.
Banco Pleno, liquidado pelo BC, era dirigido por 2 ex-ministros de Bolsonaro

Imprensa corporativa tenta ligar o banqueiro dono ao PT, mas administração da instituição insolvente e arruinada era feita por figuras ligadas ao ex-presidente de extrema direita preso Enquanto as manchetes dos veículos da mídia corporativa tentam, em uma manobra de malabarismo retórico, associar a derrocada do Banco Pleno a figuras do governo do presidente Lula (PT), os documentos oficiais do Banco Central revelam uma realidade bem distinta. A instituição, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo BC nesta quarta-feira (18), não era apenas um satélite do colapsado Banco Master; ela servia de abrigo para gente do “alto escalão” do governo de Jair Bolsonaro. Diferente da narrativa que tenta colar a imagem do dono do banco, Augusto Ferreira Lima, aos ex-governadores baianos Rui Costa e Jacques Wagner, do PT, hoje respectivamente ministro da Casa Civil e senador da República, por supostas “amizades”, a estrutura de comando do Pleno era ocupada, de facto e efetivamente, por dois ex-ministros do governo de Jair Bolsonaro. A prova documental: O “ninho” bolsonarista no Pleno O Comunicado n° 43.628, publicado pelo Banco Central em 7 de agosto de 2025, expõe a espinha dorsal da administração da instituição agora liquidada. Nele, consta que a cúpula do banco era formada por nomes centrais do governo anterior. No Conselho de Administração estava Figura Flávia Carolina Peres Lima (conhecida como Flávia Arruda), ex-ministra-chefe da Secretaria de Governo (SEGOV) de Bolsonaro. Flávia, que controlava a articulação política do Planalto, sentava-se à mesa diretora ao lado do próprio Augusto Lima, que é seu marido. Na Diretoria Executiva, o comando operacional cabia a Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro da Cidadania. Bento, que geriu o Ministério responsável pelo Auxílio Brasil durante o período eleitoral de 2022, aparece no organograma oficial como Diretor do banco, dividindo a gestão com Renata Leme Borges dos Santos. O comunicado do Banco Central indicando os dois ex-ministros de Bolsonaro na direção do Banco Pleno Manobra de blindagem e “fake news” corporativa O esforço da imprensa tradicional em tentar “nacionalizar” a crise do Pleno puxando o PT para o centro do escândalo ignora o óbvio: a “porta giratória” entre o governo Bolsonaro e o sistema financeiro sob suspeita. O Banco Pleno, assim como o Master e o Will Bank (também liquidados), operava sob uma lógica de insolvência que agora explode no colo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com um rombo estimado em R$ 52 bilhões juntando os três casos. A tentativa de vincular Augusto Lima ao governo atual baseia-se em conexões geográficas frágeis, ignorando que os administradores que assinaram pelos atos da instituição, agora sob investigação na Operação Compliance Zero, eram as mesmas mãos que operavam a máquina pública federal bolsonarista até 2022. Patrimônio bloqueado e crise sistêmica Com a decretação da liquidação, o BC determinou a indisponibilidade imediata dos bens de todos os administradores e controladores. Isso inclui não apenas o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e também alvo de ordens de prisão no âmbito das investigações de fraudes bilionárias, mas igualmente os ex-ministros que integravam o comando da instituição. O caso do Banco Pleno não é um evento isolado, mas o desdobramento final de um ecossistema financeiro que floresceu sob a sombra de alianças políticas da extrema direita e que, agora, deixa uma conta bilionária para o sistema financeiro nacional pagar.
Desfile em homenagem a Lula tem ‘Bozo preso’ e Temer ‘roubando’ faixa de Dilma

Enredo da Acadêmicos de Niterói sobre petista abriu a 1ª noite no Rio, que também teve tributo a Ney Matogrosso e temas afro-brasileiros A trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o tema do enredo que marcou a estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, neste domingo (15). A escola levou para a Marquês de Sapucaí uma narrativa biográfica e política do ex-sindicalista de Garanhuns (PE), eleito três vezes para presidir o país pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” percorreu a saída do Nordeste, a experiência como metalúrgico no ABC paulista, a liderança sindical, as campanhas presidenciais e o retorno ao Palácio do Planalto. A agremiação, fundada em 2018, levou para a avenida alas que representaram greves operárias, programas sociais e episódios ligados à prisão e à anulação das condenações que impediram Lula de disputar as eleições de 2018, que teve Jair Bolsonaro (PL) como vencedor. O ex-presidente de extrema direita foi retratado na figura do palhaço Bozo, que estava atrás de grades e com tornozeleira eletrônica, em referência à prisão pela condenação por tentativa de golpe. Em outro carro, uma encenação mostrou Michel Temer retirando simbolicamente a faixa presidencial de Dilma Rousseff, em alusão ao golpe sofrido pela ex-presidenta em 2016. O desfile combinou esses episódios a elementos simbólicos ligados à ideia de reconstrução nacional, com destaque para a comissão de frente e para alas coreografadas que representaram momentos da história política recente. Lula assistiu à passagem da Acadêmicos de Niterói pela avenida ao lado da primeira-dama, Janja da Silva, do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e do prefeito da cidade do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD). Outros destaques Após a Acadêmicos de Niterói, que abriu a primeira noite de desfiles no Rio, outras três escolas desfilaram seus enredos na Sapucaí: Imperatriz Leopoldinense: “Camaleônico” A Imperatriz homenageou o cantor Ney Matogrosso, apresentando um desfile inspirado em sua trajetória artística. O enredo abordou diferentes fases da carreira do artista, desde o período nos Secos & Molhados até a consolidação como intérprete solo. Alas e alegorias representaram elementos ligados à performance, à teatralidade e à construção estética que marcam a presença de Ney nos palcos. A comissão de frente introduziu o tema com encenação coreografada, e os carros alegóricos organizaram visualmente os momentos da narrativa biográfica. Portela: “O Mistério do Príncipe do Bará” A Portela levou à avenida um enredo inspirado em referências afro-brasileiras, com destaque para elementos simbólicos ligados à figura de Bará. O desfile foi estruturado em alas que desenvolveram o tema de forma sequencial, enquanto os carros alegóricos apresentaram representações visuais associadas à espiritualidade e à tradição cultural evocadas no samba. A águia, símbolo da escola, apareceu integrada à concepção visual do cortejo. Mangueira: “Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra” A Mangueira apresentou um enredo dedicado à figura de Mestre Sacacá, personagem associado à cultura amazônica. O desfile foi organizado em setores que exploraram referências à região Norte e à presença negra na Amazônia. A comissão de frente apresentou o conceito do enredo, e os carros alegóricos desenvolveram os aspectos culturais e simbólicos mencionados no samba-enredo, com alas coreografadas acompanhando a narrativa ao longo da pista Brasil de Fato
Carnaval 2026 reúne 65 milhões de foliões e movimenta R$ 18,6 bi

Festa terá crescimento de 22% no público e 10% na receita frente a 2025, impulsionando turismo, comércio e serviços em todo o território nacional. Entre os dias 12 e 18 de fevereiro, o Brasil transformará suas ruas em passarelas da alegria popular. Com 65 milhões de foliões previstos — 12 milhões a mais que em 2025 —, o Carnaval 2026 consolidará seu posto como a maior manifestação cultural de rua do planeta. A estimativa do Ministério do Turismo, baseada em dados das secretarias estaduais, revela um fenômeno que vai além da festa: é um motor econômico capaz de injetar R$ 18,6 bilhões na economia em apenas sete dias, superando em 10% o desempenho do ano anterior e batendo recorde histórico para o mês de fevereiro desde o início da série do IBGE em 2011. O crescimento expressivo reflete um cenário favorável: aumento real da renda, geração de empregos formais e desaceleração da inflação criaram condições para que famílias invistam novamente em viagens e experiências. “Esse valor mostra a força do Carnaval como indutor do turismo e do desenvolvimento econômico”, afirma o ministro Gustavo Feliciano. “É um período que movimenta milhões de brasileiros, gera emprego, renda e fortalece os pequenos e médios negócios.” Sudeste: o coração pulsante da folia São Paulo lidera o ranking nacional com expectativa de superar os 16 milhões de foliões, impulsionados por mais de 600 blocos espalhados pela capital. A cidade que já abriga a maior parada do orgulho LGBTQIA+ do mundo agora consolida-se também como capital dos blocos de rua, democratizando o acesso à festa com eventos gratuitos em todas as regiões da metrópole. No Rio de Janeiro, vitrine internacional do Carnaval, 8 milhões de pessoas circularão pelas ruas da cidade, gerando R$ 5,7 bilhões em movimentação econômica. A Riotur projeta ocupação hoteleira de 98% — praticamente esgotamento total — com destaque para a Zona Sul e região portuária, onde os desfiles das escolas de samba atrairão turistas de 87 países. Os 462 blocos oficiais complementam a programação, oferecendo desde o tradicional Cordão da Bola Preta até manifestações contemporâneas como o Banda de Ipanema. Nordeste: a alma ancestral da festa Salvador espera receber 11 milhões de foliões, sendo 1,2 milhão de turistas — crescimento de 10,2% frente a 2025. O circuito Dodô (Barra-Ondina) continuará sendo o maior corredor de folia a céu aberto do mundo, com trios elétricos que transformam a orla em uma pista de dança contínua de 6 quilômetros. A ocupação hoteleira deve ultrapassar 90%, com hotéis-boutique do Pelourinho operando a preços premium há meses. Recife e Olinda formam o segundo polo nordestino em relevância. Enquanto a capital pernambucana projeta R$ 2,7 bilhões em movimentação com 3,6 milhões de foliões e 70 atrações, Olinda confirmará seu status de patrimônio cultural vivo ao receber mais de 4 milhões de pessoas para celebrar o frevo e o maracatu nas ladeiras estreitas do centro histórico. A cidade, que mantém viva a tradição dos bonecos gigantes desde o século XIX, exemplifica como o Carnaval nordestino resiste à massificação, preservando sua identidade enquanto atrai multidões. Minas Gerais: o fenômeno das ladeiras Belo Horizonte emerge como caso de sucesso inconteste: 6,2 milhões de foliões gerarão impacto econômico superior a R$ 1 bilhão, com 20% do público formado por turistas — dois pontos percentuais a mais que em 2025. Os quase 60 blocos espalhados pela cidade transformam avenidas como Afonso Pena e ladeiras do Centro em corredores de alegria, com destaque para o tradicional “Comunidade Ninho da Águia” e o megabloco “Sargento Pimenta”, que mistura Beatles com batucada mineira. A ocupação hoteleira de 75% reflete um perfil de turismo mais acessível que o das capitais litorâneas, atraindo principalmente visitantes de estados vizinhos em viagens de curta distância. Esse modelo de Carnaval interiorano, que valoriza a gastronomia local e a hospitalidade mineira, tornou-se referência para cidades médias que buscam desenvolver seu potencial turístico sem perder a autenticidade. Economia em movimento Os R$ 18,6 bilhões projetados beneficiarão diretamente setores estratégicos: transporte aéreo (com alta de 35% nas vendas de passagens domésticas), hospedagem (hotéis, pousadas e aluguéis por temporada), alimentação (bares e restaurantes com faturamento até 300% superior à média mensal) e entretenimento (venda de fantasias, adereços e produtos licenciados). Mas o impacto vai além dos grandes negócios. Segundo levantamento da FecomercioSP, cerca de 70% da movimentação beneficiará micro e pequenos empreendedores: ambulantes autorizados, artesãos de fantasias, food trucks, guias de turismo comunitários e coletivos culturais que transformam a festa em fonte de renda para comunidades tradicionais. Em Olinda, por exemplo, famílias que há gerações confeccionam bonecos gigantes viram suas encomendas triplicarem nos últimos três meses. O futuro da festa popular O Carnaval 2026 confirma uma tendência: a descentralização da folia. Enquanto as capitais continuam sendo polos atrativos, cidades médias como Ouro Preto (MG), Diamantina (MG), São Luís (MA) e Joinville (SC) registram crescimento acelerado no turismo de experiência, oferecendo versões mais íntimas e culturalmente densas da festa. Essa pulverização fortalece o Carnaval como fenômeno genuinamente nacional — não apenas um produto turístico, mas um ritual de identidade que une brasileiros de todas as classes sociais, etnias e regiões. Como observa o antropólogo Hermano Vianna, “o Carnaval é a única instituição brasileira que funciona plenamente, onde as hierarquias sociais se dissolvem temporariamente na dança coletiva”. Com 65 milhões de corpos em movimento e R$ 18,6 bilhões circulando em sete dias, o Carnaval 2026 não será apenas uma festa. Será a demonstração viva de que, mesmo em tempos de polarização política e desafios econômicos, o Brasil ainda sabe se encontrar na rua — unido pela batida do surdo, pelo brilho do glitter e pela certeza de que, por alguns dias, a alegria vale pelo ano todo.
Lula sanciona lei do Gás do Povo com recarga gratuita de botijão de 13kg

O governo destaca que o programa busca enfrentar a pobreza energética das famílias de baixa renda, especialmente a dificuldade de acesso ao gás para cozinhar alimentos Publicado em edição extra do Diário Oficial da União, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei (número 15.348) do programa social Gás do Povo, que assegura a recarga do botijão de gás de cozinha (GLP) de 13kg a famílias de baixa renda. Para isso, elas precisam estar inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e possuírem renda per capita de até meio salário mínimo. Em nota, o governo destaca que o programa busca enfrentar a pobreza energética das famílias de baixa renda, especialmente a dificuldade de acesso ao gás liquefeito de petróleo (GLP) para cozinhar alimentos. Leia também: MP do programa Gás do Povo avança no Senado e vai à sanção de Lula “A previsão é de que o Gás do Povo esteja em pleno funcionamento em março, quando 15 milhões de famílias (cerca de 50 milhões de pessoas) em todos os 5.571 municípios estarão contempladas”, diz o governo. A iniciativa envolve os ministérios de Minas e Energia (MME) e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), além da Caixa Econômica. Com o marco de 10 mil pontos de comercialização credenciados em menos de dois meses, uma em cada seis revendas de GLP do país está conectada à iniciativa. Quem tem direitoPara ser elegível, a família deve ser beneficiária do Bolsa Família com pelo menos duas pessoas, ter renda per capita de até meio salário-mínimo e manter o Cadastro Único atualizado nos últimos 24 meses. Além disso, é essencial que o CPF do Responsável Familiar esteja regular, e que o cadastro não apresente pendências como Averiguação Cadastral ou indício de óbito. Energia limpa e seguraO custo da recarga e a complexidade de sua distribuição em áreas mais afastadas impediam que muitas residências tivessem acesso à energia limpa e segura. Com isso, a realidade para muitos era o uso de alternativas precárias, como lenha, carvão e querosene, que expunham mulheres e crianças, principalmente, a ambientes insalubres, marcados por fumaça tóxica e potencial de desenvolver doenças respiratórias, além do perigo de queimaduras. É esse um dos cenários que a política pretende extinguir. AplicativoNo app “Meu Social – Gás do Povo”, as famílias podem verificar se estão elegíveis, conferir a situação do vale e encontrar revendas credenciadas. Isso além do telefone e endereço de pontos credenciados, caso a pessoa queira ligar para o estabelecimento e tirar dúvidas. Outras alternativasHá outras três formas de uso do vale para que as famílias atendidas tenham mais condições de acesso ao programa, considerando, por exemplo, casos de pessoas sem acesso à internet ou celular. Com informações da Secom
Lucas Pinheiro conquista 1ª medalha do Brasil numa Olimpíada de Inverno

“O Brasil fez história nos Jogos Olímpicos de Inverno!”, comemora na rede social o presidente Luiz Inácio Lula da Silva O esquiador Lucas Pinheiro Braathen é o primeiro do Brasil e da América Latina a conquistar medalha numa Olimpíada de Inverno, e logo a de ouro na prova do slalom gigante nos Jogos de Milão e Cortina neste sábado (14). Lucas desceu em 2min25s, ficando 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt, que levou a prata. O bronze também foi para um atleta da Suíça, Loic Meillard. Filho de mãe brasileira, Lucas nasceu Oslo, capital da Noruega, país que defendeu nos jogos até 2023, quando anunciou que iria parar de competir, mas, no ano seguinte, voltou atrás e procurou o Brasil. Pelo país, ele conquistou pódio em etapas de Copa do Mundo de esqui alpino, culminando no ouro inédito em Bormio. O melhor resultado do país era de Isabel Clark, que há 20 anos ficou em nono nos Jogos de Turim, na Itália, no snowboard cross. “O Brasil fez história nos Jogos Olímpicos de Inverno!”, comemora na rede social o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Pela primeira vez, nosso país sobe ao pódio em uma edição olímpica de inverno. A medalha conquistada por Lucas Pinheiro Braathen, no slalom gigante, entra para sempre na história do esporte brasileiro nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão Cortina 2026”, diz o presidente. Lula afirma que o resultado inédito mostra que o esporte brasileiro não tem limites. “É o reflexo de talento, dedicação e do trabalho contínuo de fortalecimento do esporte em todas as suas dimensões. Parabéns, Lucas Pinheiro, e toda a equipe envolvida nessa conquista histórica, que inspira novas gerações e amplia o horizonte do esporte nacional”, afirma.