Disputa por mansão de R$ 10 mi envolve Richarlison e Flávio Bolsonaro

Vídeo de advogada imobiliária reacendeu uma disputa que se arrasta há anos e envolve posse, propriedade e o nome de Flávio Bolsonaro. Uma antiga disputa judicial por uma mansão de luxo em Angra dos Reis (RJ), que envolve o advogado Willer Tomaz e tem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como testemunha em um dos processos, voltou a repercutir nas redes sociais nesta semana após um comentário do jogador Richarlison em um vídeo da advogada imobiliária Ana Paula Zantut.O caso ressurgiu na terça-feira (30), quando Ana Paula publicou uma gravação explicando a diferença entre propriedade e posse de um imóvel. Para ilustrar o tema, ela utilizou justamente a disputa envolvendo Richarlison e Willer Tomaz.Nos comentários da publicação, o atacante afirmou ter investido cerca de R$ 10 milhões na compra da mansão e disse que perdeu o imóvel.“Realmente gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana.” A manifestação viralizou e fez o caso voltar ao debate público. Diante da repercussão, Ana Paula retirou o vídeo do ar e publicou uma nota de retratação, informando que algumas informações apresentadas inicialmente não refletiam com precisão a situação jurídica atual do processo. O que dizia o vídeo Logo no início da gravação, Ana Paula Zantut apresenta o caso como um exemplo da diferença jurídica entre propriedade e posse. “O Richarlison comprou uma mansão avaliada em R$ 10 milhões. Dois anos depois, o advogado do Flávio Bolsonaro, e talvez o Flávio junto, comprou a posse desse imóvel.” Na sequência, Ana Paula afirma que Richarlison adquiriu a propriedade da mansão diretamente do então proprietário, mas que já existiria na matrícula do imóvel um antigo registro de cessão de posse, datado da década de 1960. Segundo ela, a empresa ligada ao advogado Willer Tomaz adquiriu esses direitos possessórios e, posteriormente, ingressou com uma ação de reintegração de posse. A advogada sustenta que o caso passou a envolver direitos distintos sobre o mesmo imóvel, uma vez que, na avaliação dela, a propriedade permaneceria com Richarlison e seu empresário, enquanto a posse teria sido transferida a uma terceira pessoa. Ela acrescenta que a disputa judicial deixou de tratar apenas da definição de quem detém a posse e passou a discutir também a validade do negócio jurídico que transferiu esses direitos. Conforme explicou, caso fique comprovado que o contrato foi firmado com alguma irregularidade ou mediante indução a erro, ele poderá ser anulado. Ao concluir o vídeo, Ana Paula afirmou que utilizou o episódio para alertar compradores sobre a importância de analisar cuidadosamente a matrícula e todo o histórico jurídico de um imóvel antes da aquisição. Como Flávio Bolsonaro entrou na história A origem da disputa remonta a 2020, quando a Sport 70, empresa ligada ao jogador Richarlison e ao empresário Renato Velasco, negociava a compra da mansão localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Segundo relatos constantes no processo e reportagens publicadas à época, Flávio Bolsonaro conheceu a propriedade durante uma visita ao local e demonstrou interesse na aquisição. O então possuidor do imóvel informou, porém, que a venda já estava praticamente concluída com a empresa de Richarlison e que os compradores já tinham planos para reformar a mansão. De acordo com o antigo proprietário, Flávio chegou a perguntar se seria possível desfazer a negociação, mas foi informado de que o negócio já estava fechado. Mesmo após a venda, o senador retornou ao imóvel acompanhado do advogado Willer Tomaz, amigo de longa data. Segundo o relato do antigo possuidor, Tomaz também demonstrou interesse na casa, mas ambos ouviram novamente que a propriedade já havia sido negociada e não estava mais disponível para compra. Pouco tempo depois, a disputa ganhou novos contornos quando surgiu uma reivindicação possessória envolvendo a M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda. A empresa alegava ser sucessora de antigos direitos de ocupação do imóvel, adquiridos originalmente do marido da cantora Clara Nunes em 1986 e posteriormente transferidos em 2002. Após mais de duas décadas, representantes dos antigos titulares desses direitos passaram a reivindicar novamente a posse da área. Foi nesse momento que surgiu outra ligação entre os personagens da disputa: o advogado da M Locadora era sócio de Willer Tomaz, que havia visitado a mansão ao lado de Flávio Bolsonaro depois de a venda já estar concluída. Enquanto a batalha judicial se desenrolava, a mansão passava por reformas financiadas pelos compradores. Na época, a esposa de Renato Velasco, grávida, morava no imóvel quando foi surpreendida por policiais e um oficial de Justiça cumprindo uma ordem de reintegração de posse. Segundo Velasco, o episódio provocou forte abalo emocional na família. Sua esposa precisou ser internada e antecipou o parto em razão do estresse causado pela retirada da residência. Já Willer Tomaz sustentou que Richarlison e Renato Velasco ocupavam irregularmente o imóvel. O advogado afirmou ter adquirido legalmente os direitos possessórios da M Locadora, declarou que quitou débitos fiscais e investiu cerca de R$ 5 milhões para regularizar a propriedade. Também classificou o jogador e seu empresário como “invasores”. As visitas feitas por Flávio Bolsonaro antes do início da disputa levaram a empresa ligada a Richarlison a incluir o senador como testemunha em uma das ações judiciais. Flávio nunca foi parte no processo e afirmou, à época, que apenas mantém amizade com Willer Tomaz, sem qualquer participação na disputa pelo imóvel. O processo A mansão é avaliada em cerca de R$ 10 milhões e conta com 11 suítes, praia privativa, cachoeira, heliponto, piscina e quadra de tênis. A disputa judicial opôs a Sport 70 Intermediação de Negócios Ltda., empresa ligada a Richarlison, e a WT Administração de Imóveis e Bens S.A., ligada a Willer Tomaz. A empresa do jogador sustentava ter adquirido regularmente a propriedade da mansão, enquanto Tomaz afirmava ser titular dos direitos de ocupação do imóvel com base em contratos anteriores. Em maio de 2025, o Superior Tribunal de Justiça manteve o entendimento do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro favorável à empresa ligada a Willer Tomaz. O relator, ministro Ricardo Villas Bôas

Vaticano expulsa grupo ultraconservador que desafiou o papa Leão XIV

Padres e bispos da Sociedade São Pio X estão em cisma após ordenações sem aprovação do papa Leão XIV O Vaticano declarou nesta quinta-feira (02) que a Fraternidade São Pio X está oficialmente em cisma com a Igreja Católica após a excomungação de bispos ligados ao grupo ultraconservador e invalidou os sacramentos celebrados por eles. A decisão coloca o papa Leão XIV diante de uma crise aberta com a maior organização dissidente do catolicismo tradicionalista.A medida veio um dia depois de a fraternidade ordenar quatro bispos sem autorização da Santa Sé, em uma cerimônia realizada em Écône, na Suíça. O Vaticano classificou a consagração como um “ato cismático”, por romper a comunhão com a autoridade do papa. A Santa Sé advertiu católicos de todo o mundo que os sacramentos celebrados pela Fraternidade São Pio X passam a ser ilícitos. O comunicado também afirma que o grupo não pode oficiar casamentos nem ouvir confissões com validade perante a Igreja Católica.Antes da ordenação, Leão XIV enviou uma carta ao superior da fraternidade, o padre Davide Pagliarani, para tentar impedir a cerimônia. O pontífice pediu que o grupo “renunciasse ao projeto” e alertou para as consequências canônicas caso a consagração fosse mantida.Cerimônia de consagração de bispos da Fraternidade São Pio X em Ecône, na SuíçaCerimônia de consagração de bispos da Fraternidade São Pio X em Ecône, na Suíça. Foto: ReproduçãoGrupo rejeita reformas do Concílio Vaticano IIA Fraternidade São Pio X foi fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre em oposição às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. O grupo defende a preservação da liturgia anterior ao concílio e uma interpretação mais rígida da doutrina católica.Entre as principais bandeiras da fraternidade estão o retorno das missas em latim, celebrações com o padre voltado para o altar e a rejeição de parte das reformas litúrgicas e pastorais adotadas pela Igreja nas últimas décadas. O Concílio Vaticano II permitiu missas nas línguas de cada país, aproximou o celebrante dos fiéis e ampliou o diálogo com outras religiões.O conflito entre a Fraternidade São Pio X e o Vaticano atravessa décadas. Em 1988, Marcel Lefebvre também ordenou quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, o que levou à excomunhão dos envolvidos; em 2009, Bento XVI suspendeu a punição em uma tentativa de reaproximação, mas a situação canônica da fraternidade permaneceu irregular.Na cerimônia desta semana, a Fraternidade São Pio X consagrou quatro novos bispos: dois franceses, um norte-americano e um suíço, diante de milhares de fiéis reunidos em Écône. A Santa Sé afirmou que padres e leigos que aderirem ao grupo ultraconservador dissidente também passam a ser considerados em situação de cisma e excomungados.

Pastor bolsonarista e bicheiro são presos em operação contra aliado de Flávio

Polícia Federal investiga esquema ligado à máfia do cigarro, jogo do bicho e lavagem de dinheiro no Rio O pastor bolsonarista Marcio Poncio foi preso nesta quinta-feira (2) pela Polícia Federal na 5ª fase da Operação Unha e Carne, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas à nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro. A ação também teve mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ambos já encarcerados.Os mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além das três prisões preventivas, a PF cumpre 14 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Moraes também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.Poncio foi preso em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Pastor da Igreja da Nuvem e conhecido nas redes sociais, ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Segundo o g1, ele é investigado por possíveis ligações com a “Máfia do Cigarro”, esquema que teria Adilsinho como chefe.De acordo com a PF, a nova fase “busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho [Adilsinho] e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”. Um dos alvos de busca e apreensão é Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. A investigação deriva da Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021 para apurar o monopólio de cigarros no Grande Rio. Na ocasião, Adilsinho foi alvo, mas não foi localizado. Durante as buscas, a PF encontrou planilhas com “supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.“As listas chamaram a atenção dos investigadores por possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do RJ”, explicou a corporação.Em outro trecho, a PF afirmou: “Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.“As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”. A TV Globo apurou que ao menos 20 políticos são investigados por supostamente receberem mesada de Adilsinho, preso apenas em fevereiro deste ano, em Cabo Frio, após monitoramento por drones. A Operação Unha e Carne teve quatro fases anteriores entre dezembro de 2025 e maio de 2026. No início, apurava um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho. Segundo a PF, os dados compartilhados teriam comprometido operações e beneficiado investigados ligados à facção.A primeira etapa teve como alvo Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, hoje cassado e preso. A PF afirma que ele teria vazado dados da Operação Zargun, deflagrada contra o CV, beneficiando o ex-deputado TH Joias, apontado como articulador político da facção.Na segunda fase, foi preso o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2, suspeito de repassar informações a Bacellar.A terceira fase levou a uma nova prisão do ex-presidente da Alerj após sua cassação pelo TSE e denúncia da PGR. Já a quarta fase prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de fraudes em compras e serviços na Secretaria Estadual de Educação do Rio. A ação também está ligada à ADPF 635, a ADPF das Favelas, que determinou à Polícia Federal investigações sobre grupos criminosos violentos no estado e suas conexões com agentes públicos. Procurada, a defesa de Bacellar ainda não se manifestou. A reportagem busca os advogados de Adilsinho e Poncio.

Oito em cada 10 mortos em ações policiais são negros, mostra relatório

No ano passado, número de óbitos aumentou 6,4% na comparação com 2024 Em 2025, nove estados brasileiros registraram, juntos, 4.330 mortes em decorrência de ações policiais, alta de 6,4% na comparação com 2024. Quase nove em cada dez desses registros – 86,3% ou 3.104 mortes –, envolveram vítimas negras (pretas ou pardas).Os dados constam da 7ª edição do relatório Pele Alvo – entre Racismo e Letalidade, o Amanhã, divulgada nesta quarta-feira (1°) pela Rede de Observatórios, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC). O documento reúne dados das secretarias estaduais de Segurança do Amazonas, da Bahia, do Ceará, Maranhão, Pará, de Pernambuco, do Piauí, Rio de Janeiro e de São Paulo.Além do padrão de vítimas majoritariamente negro, chama a atenção ainda a pouca idade dos envolvidos nas ocorrências: 64,8% do total (2.804 mortes) eram jovens com até 29 anos, sendo 310 eram crianças e adolescentes.“Ao transformar adolescentes de favelas e periferias em alvos preferenciais de um confronto permanente, o aparato policial sabota o futuro de comunidades inteiras.”De acordo com o relatório, em média, os negros têm quatro vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos. Essa probabilidade é ainda maior em alguns estados como Pernambuco, onde essa parcela da população tem 11 vezes mais chance de ser vítima de ações policiais, e também no Rio de Janeiro, onde a probabilidade é seis vezes maior. DinâmicaSegundo os pesquisadores, mesmo com alterações nas dinâmicas de violência no país, os alvos preferenciais (homens, jovens e negros) se mantêm inalterados.“A centralidade do racismo, enquanto instrumento de operação de uma lógica hierarquizante da sociedade, segue a sua marcha silenciosa e constante, determinando quem são aqueles que podem e devem ser alvos do aparato estatal.”O relatório chama a atenção para a expansão e a articulação de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) para o Norte e o Nordeste do país, que dominaram o debate de pesquisadores e da imprensa. Recorte regionalOs dados do relatório Pele Alvo trazem destaques que “exigem atenção urgente”. Quatro estados brasileiros registraram o maior número de mortes em decorrência de ações policiais, desde 2019: Ceará (200), Maranhão (142), Pará (632) e São Paulo (834).O Maranhão apresentou alta recorde (86,8%) na comparação com os dados de 2024. Mais da metade das vítimas (56,3%) tinha idade entre 18 e 29 anos. Em sete anos, foram notificadas 628 mortes. Os pesquisadores justificam esse “aumento explosivo” em função da mudança na dinâmica do crime:“Hipóteses para esse fenômeno apontam para a interiorização de facções oriundas do Rio e de São Paulo, que articulam-se com grupos locais, como o Bonde dos 40, na disputa por rotas de escoamento.”O relatório também cita a negligência histórica de governos estaduais no registro dos dados sobre raça e cor. No Maranhão, por exemplo, a falha no detalhamento de perfil étnico-racial das vítimas em 2.023 abrangia 67,7% dos casos, proporção que caiu para 54,9%, mas ainda preocupa os autores do estudo.Embora também tenha registrado uma ligeira melhora nos dados, o Ceará também tem deixado essa lacuna por resolver. A caracterização incompleta das vítimas passou de 77,2% dos casos em 2023, para 57,5% em 2025.Segundo os pesquisadores, após o Maranhão reconhecer o erro e passar a fornecer mais dados, o total de vítimas negras cresceu 22 pontos percentuais, ao passo que no Ceará o aumento foi de aproximadamente oito pontos, o que, ressaltam, consolida o racismo como componente essencial para se compreender a letalidade cometida por agentes da segurança pública.Na Bahia, a letalidade policial atingiu o ápice em 2023, com 1.702 pessoas mortas por agentes de segurança. Apesar da queda no ano passado (1.570 mortes) a equipe que assina o relatório chama a atenção para o fato de que em apenas 19 dos 365 dias de 2025, não houve registro de morte em decorrência de ações policiais no estado que reúne a maior população negra do país, e palco de disputas de mais de 20 facções criminosas.Pernambuco apresentou alta de 30,8% na letalidade policial, em um cenário em que a presença do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) também contribuiu para o resultado, na leitura dos especialistas. São Paulo e Pará registraram alta de 2,3% e 12,3% no número de mortes por agentes de segurança.O Amazonas manteve um total de 43 mortes; enquanto o Piauí foi o único estado com recuo no índice (16,67%). Neste estado do Nordeste, a pressão e o controle social exercidos coletivamente, por movimentos sociais, universidades públicas e o Ministério Público do Estado, podem ter influenciado o resultado, como pondera o relatório.Sobre o Rio de Janeiro, que viu o índice subir 13,8%, enfatiza-se que, no âmbito da Operação Contenção, nos Complexos da Penha e do Alemão, 115 mortos foram classificados como “narcoterroristas”.“A utilização do termo narcoterroristas, assim como a associação desses indivíduos à chamada ‘chacina do Alemão’, reflete a normalização da violência extrema como elemento estruturante da segurança pública fluminense. Ao mesmo tempo, a caracterização recorrente do Rio de Janeiro como um narcoestado funciona como uma admissão institucional da incapacidade de formular políticas eficazes”, comentam os pesquisadores. Confira alguns destaques de cada estado:Amazonas75% das mortes foram provocadas pela Polícia Militar100% das vítimas eram homensManaus concentrou 37,21% dos casos Bahia99,6% das vítimas eram homens12 municípios concentraram metade das vítimasDe 365 dias do ano, 346 registraram mortes Ceará12 municípios registraram 50,5% das vítimas64% das vítimas tinham entre 18 e 29 anos57,5% das vítimas não tinham informação de raça ou cor Maranhão100% das vítimas eram homens67,6% das vítimas tinham até 29 anos11 municípios concentraram 50,7% das vítimas Pará61,4% das vítimas tinham entre 18 e 29 anos89,7% das vítimas foram mortas pela Polícia Militar4.028 mortos pela polícia em sete anos PernambucoRecife concentrou 12,4% das vítimas1 policial foi morto decorrente de intervenção policial100% das vítimas eram homens Piauí55% das vítimas tinham de 18 a 29 anos85% das vítimas eram negras65% das vítimas foram mortas em confronto com a PM Rio de JaneiroAumento de 13,8% no número de vítimas96,5% das vítimas eram homensA capital registrou 56,3% das vítimas São

Noruega vence Costa do Marfim e vai enfrentar o Brasil nas oitavas da Copa

Atacante Erling Haaland marcou o gol da vitória de sua seleção diante dos africanos A Noruega será a adversária do Brasil domingo (5/7) na luta por uma vaga às quartas de final da Copa 2026: nesta terça-feira (30/6), mostrando eficiência – e com direito a mais um gol de Haaland -, os nórdicos venceram Costa do Marfim por 2 a 1, no AT&T Stadium, em Dallas, carimbando a vaga às oitavas de final.O foco estava todo voltado em Haaland, autor de quatro gols nos dois primeiros jogos do Mundial (foi poupado diante da França, assim como a maioria dos titulares), mas, na maior parte do tempo, ele teve poucas oportunidades. E muito em função das mudanças na equipe marfinense.Para tentar conter o ‘gigante’ de 1,95m, o técnico Emerse Faé mudou a zaga, escalando seus defensores mais altos, Kossounou e Agbadou. Também buscou bloquear as ações de Berg e Odegaard, geralmente responsáveis por organizar as jogadas em direção a Haaland.A Noruega até tentou pressionar no início, mas Costa do Marfim rapidamente não só igualou as ações como passou a ter a posse da bola. E levava perigo, principalmente com Diomandé e Pépé, pelas extremas, com muita velocidade e habilidade. Neste ritmo, foram sete escanteios antes dos 35 minutos. Mas faltava a precisão na finalização. Que sobrou do outro lado…Em um dos raros momentos de lucidez da Noruega, Musa recebeu de Odegaard, cortou pra dentro e bateu, de curva, para superar Fofana e marcar um golaço. No segundo tempo, a Costa do Marfim manteve seu ímpeto. E foi criando boas chances, novamente insistindo pelas extremas. A primeira delas com Pépé, obrigando Nyland a fazer grande defesa. O quadro ficou ainda melhor para os africanos após a entrada de Dialló. Foi dele o gol de empate, em lance de rara habilidade.Quando a situação parecia a caráter para os marfinenses, a Noruega se aproveitou de uma das raras falhas da marcação. E, diante do artilheiro, foi fatal: Bobb encontrou Berg entrando na área, que rolou para Haaland, já sem goleiro pela frente, apenas tocar para o fundo do gol. Foi o quinto gol dele neste Mundial. O Brasil que se prepare.FICHA TÉCNICACosta do Marfim 1×2 Noruega Costa do MarfimFofana; Doué, Kossounou, Agbadou e Konan (Guessan); Kessié, Sangaré e Oulai (Dialló); Pépé (Diakité), Bonny (Wahi) e Diomandé (Touré). Técnico: Emerse Faé NoruegaNyland; Holmgren Pedersen, Ajer, Heggem e Moller Wolfe; Patrick Berg, Sander Berge e Odegaard; Sorloth (Bobb), Haaland e Musa (Schjelderup). Técnico: Stale SolbakkenMotivo: segunda fase da Copa 2026Local: AT&T Stadium, em Dallas (EUA)Árbitro: Jesús Valenzuela (Venezuela)Assistentes: Jorge Urrego (Venezuela) e Tulio Moreno (Venezuela)Gols: Musa, 39 do 1º, Dialló 28, Halland 40 do 2ºCartões amarelos: Musa (NOR)Público: 69.665

Suprema Corte dos EUA barra ordem de Trump e mantém cidadania por nascimento

Decisão assinada no primeiro dia de mandato do presidente foi derrubada pela Justiça A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta terça (30), por 6 votos a 3, manter a interpretação ampla da cidadania por nascimento e rejeitou uma ordem executiva do presidente Donald Trump que retirava esse direito de filhos de imigrantes não documentados ou turistas.Os ministros confirmaram o entendimento consolidado da 14ª Emenda da Constituição americana: qualquer pessoa nascida no país, salvo exceções muito limitadas, tem cidadania dos Estados Unidos. Tribunais de instâncias inferiores já haviam barrado as restrições impostas por Trump, que nunca chegaram a entrar em vigor no país.Trump não se pronunciou publicamente sobre a decisão até o momento. Horas antes do veredito, ele disse que “seus esforços para limitar a cidadania por nascimento podem ter sucesso com ou sem a Suprema Corte”.O princípio aplicado nos Estados Unidos é o jus soli, ou direito de solo. Pela regra, quem nasce em território americano recebe cidadania, inclusive filhos de turistas ou de imigrantes. Entre as poucas exceções estão filhos de diplomatas estrangeiros em serviço no país. 14ª Emenda foi centro da disputa sobre imigraçãoA cidadania por nascimento consta da 14ª Emenda, que afirma que “todas as pessoas nascidas” nos Estados Unidos “são cidadãos dos Estados Unidos”. No primeiro dia de seu segundo mandato, Trump assinou uma ordem executiva para limitar esse direito, sem detalhar de forma clara como o governo passaria a conceder a cidadania.A medida fazia parte de um pacote mais amplo de combate à imigração e poderia impedir a cidadania de filhos nascidos nos Estados Unidos de imigrantes ou turistas. O governo Trump argumentava que a cidadania automática incentivava a imigração irregular e o chamado “turismo de nascimento”, quando estrangeiros viajam ao país para ter filhos com cidadania americana.O caso chegou à Suprema Corte por meio de um processo iniciado em New Hampshire e chamado “Trump versus Barbara”. Barbara, uma imigrante hondurenha que mora no estado, processou o governo por considerar inconstitucional a restrição à cidadania americana.Barbara e o marido são imigrantes não documentados e têm três filhos, todos nascidos em Honduras. Ela decidiu acionar a Justiça ao descobrir que estava grávida do quarto filho, que nasceria nos Estados Unidos, mas poderia ficar sem direito à cidadania americana caso a ordem de Trump prevalecesse. O sobrenome dela não foi divulgado publicamente por receio de represálias de apoiadores do presidente. Roberts citou precedente de 1898 contra tese do governo O presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts, relatou a decisão e citou o precedente de 1898 no caso Wong Kim Ark, filho de chineses nascido nos Estados Unidos. A Corte manteve desde então o entendimento de que a 14ª Emenda garante cidadania a pessoas nascidas em território americano.Roberts escreveu que havia “poucas evidências” para sustentar a “visão drasticamente revisionista” do governo Trump sobre a 14ª Emenda. “Não surpreende, portanto, que, nos 128 anos desde então, tenhamos reiteradamente entendido a regra estabelecida em Wong Kim Ark como garantia de cidadania a todas as crianças nascidas nos Estados Unidos e sujeitas à sua jurisdição. Não vemos razão para nos afastar dessa interpretação hoje”, afirmou.Em abril, Trump compareceu pessoalmente a uma audiência da Suprema Corte que ouviria argumentos das partes. Foi a primeira vez na história dos Estados Unidos que um presidente do país foi à Corte para acompanhar um julgamento.Na segunda (29), a Suprema Corte também decidiu outros casos de interesse da Casa Branca. O tribunal permitiu que Trump demitisse uma comissária da Federal Trade Commission, agência independente que regula a concorrência, e ampliou os poderes presidenciais sobre órgãos reguladores.No mesmo dia, a Corte impôs derrotas a Trump ao barrar a demissão de Lisa Cook, diretora do Fed, ao permitir que estados contabilizem votos pelo correio postados até o dia da eleição e recebidos nos dias seguintes, e ao rejeitar pedido do presidente para anular a decisão de um júri que o responsabilizou por abuso sexual contra a escritora E. Jean Carroll e por difamação, com indenização de US$ 5 milhões.

Brasil vira no fim contra o Japão e avança às oitavas da Copa

Casemiro e Martinelli marcam no segundo tempo e garantem a classificação brasileira em Houston O Brasil venceu o Japão por 2 a 1, nesta segunda-feira (29), no NRG Stadium, em Houston, e garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 em uma partida marcada por tensão, reação no segundo tempo e gol decisivo nos acréscimos. Após sair atrás no placar, a seleção brasileira buscou a virada com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli.A equipe comandada por Carlo Ancelotti teve um primeiro tempo de muitas dificuldades, sofreu com a marcação japonesa e só conseguiu construir a reação depois do intervalo, quando o treinador promoveu mudanças ofensivas. O próximo jogo do Brasil pelas oitavas está marcado para domingo, às 17h, no horário de Brasília.A seleção japonesa abriu o placar aos 29 minutos do primeiro tempo, após erro na saída de bola brasileira. Danilo tentou acionar o meio-campo, mas errou o passe e deixou o Brasil vulnerável. Sano avançou pelo setor central, passou por Casemiro e finalizou no canto baixo direito de Alisson, colocando o Japão em vantagem.O lance expôs os problemas defensivos do Brasil na etapa inicial. Casemiro, que já havia recebido cartão amarelo aos 14 minutos, não conseguiu interromper a jogada japonesa. Gabriel Magalhães também não reduziu o espaço para a finalização, e Alisson não alcançou a bola. A partir do gol, a seleção brasileira passou a acumular erros de passe, dificuldades de movimentação e desorganização no ataque. No intervalo, Ancelotti foi obrigado a mexer na equipe. Lucas Paquetá deixou o campo com dores musculares na parte posterior da coxa esquerda, e Endrick entrou para reforçar o setor ofensivo. Com a mudança, o Brasil passou a atuar em uma formação mais agressiva, próxima de um 4-2-4, buscando presença na área e maior volume de cruzamentos.A estratégia surtiu efeito logo nos primeiros minutos do segundo tempo. Bruno Guimarães obrigou Suzuki a fazer grande defesa, e Casemiro quase marcou de cabeça em lance salvo pela zaga japonesa em cima da linha. A pressão brasileira indicava o caminho para o empate.Aos 11 minutos da etapa final, Gabriel Magalhães cruzou para a área e encontrou Casemiro. O volante subiu bem e cabeceou com precisão para empatar a partida, redimindo-se da atuação irregular no primeiro tempo. O gol mudou o clima do jogo e colocou o Japão sob forte pressão. Pouco depois, Vini Jr. quase virou o placar em jogada individual. O atacante finalizou com perigo, Suzuki desviou levemente, e a bola tocou a trave. O Brasil passou a controlar o campo de ataque, enquanto o Japão tentou reorganizar a marcação com substituições pelos lados.Ancelotti voltou a mexer no setor ofensivo ao substituir Matheus Cunha por Gabriel Martinelli. O atacante passou a circular pelo lado esquerdo, enquanto Endrick e Vini Jr. buscaram espaço em posições mais centrais. Aos 29 minutos do segundo tempo, parte da torcida brasileira chegou a pedir a entrada de Neymar, mas o técnico manteve a estratégia com os jogadores em campo.Na reta final, Casemiro sentiu dores e foi substituído por Fabinho aos 46 minutos. Quando a partida parecia caminhar para a prorrogação, o Brasil encontrou o gol da virada. Aos 50 minutos do segundo tempo, Bruno Guimarães deu o passe para Gabriel Martinelli, que marcou e garantiu a classificação brasileira.Com a vitória, o Brasil escapa de uma eliminação dramática e segue vivo na Copa do Mundo. O resultado confirma a reação da equipe depois de um primeiro tempo ruim e reforça o peso das alterações feitas por Ancelotti, especialmente as entradas de Endrick e Martinelli. Ficha técnicaBrasil 2 x 1 Japão Local: NRG Stadium, em Houston, nos Estados Unidos Data e horário: segunda-feira (29), às 14h, de Brasília Árbitro: Maurizio Mariani, da Itália Assistentes: Daniele Bindoni e Alberto Tegoni, da ItáliaGols: Sano, aos 29 minutos do primeiro tempo; Casemiro, aos 11 minutos do segundo tempo; Gabriel Martinelli, aos 50 minutos do segundo tempoCartões amarelos: Casemiro e Danilo, pelo Brasil; Sano, Kamada e J. Suzuki, pelo JapãoBrasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro (Fabinho), Bruno Guimarães (Danilo Santos), Lucas Paquetá (Endrick) e Matheus Cunha (Gabriel Martinelli); Rayan e Vini Jr. Técnico: Carlo AncelottiJapão: Suzuki; Tomiyasu, Taniguchi e Hiroki Ito; Doan (Sugawara), Sano, Kamada (Tanaka) e Nakamura (J. Suzuki); Junya Ito (Machino), Maeda e Ueda. Técnico: Hajime Moriyasu

Brasil envia nesta sexta missão humanitária à Venezuela, anuncia Lula

Apoio foi definido após conversa com a presidenta Delcy Rodríguez O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que enviará nesta sexta-feira (26) um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) com uma missão humanitária para auxiliar nas buscas por desaparecidos na Venezuela. O país foi atingido por dois terremotos no início da noite de quarta-feira (24).“Vamos enviar, nesta sexta (26) pela manhã, uma missão humanitária de busca e resgate urbano, em avião KC-390 da FAB, que sairá do Aeroporto de Guarulhos, com 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e outros quatro técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações. Com eles vão nove toneladas de equipamentos para ajudar na busca e socorro às vítimas”, escreveu o presidente em uma rede social nesta quinta-feira (25).Lula disse ter conversado por telefone com a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, para prestar a solidariedade do governo brasileiro à população venezuelana e definir a melhor forma de apoio ao país vizinho.O presidente informou ainda que outro voo sairá no sábado com mais ajuda. O avião levará equipamentos para a montagem de um hospital de campanha, 100 purificadores de água com painel solar, medicamentos e material médico para cirurgias.“Seguiremos acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro às vítimas para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos”, finalizou. Mais cedo, o Ministério da Saúde do Brasil já havia informado que estava em contato com a Venezuela para enviar ajuda com insumos e pessoal da área da saúde ao país vizinho.Até o momento, as informações apontam que o número de mortos na Venezuela chega a 188. A atualização foi divulgada pelo presidente do Congresso Nacional do país, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy Rodríguez.Segundo ele, mais de 1, 5 mil pessoas foram hospitalizadas. O número, no entanto, tende a ser bem maior do que o divulgado até o momento. De acordo com o site Desaparecidos Terremoto Venezuela, criado pela sociedade civil para reunir informações extraoficiais sobre vítimas, há mais de 40 mil pessoas desaparecidas.Os dois terremotos, de magnitude de 7,5 e 7,2, causaram grande destruição no litoral de Morón, que fica a 160 quilômetros da capital Caracas. A região pertence ao estado de La Guaira, o mais afetado pelos tremores. Prédios, casas e outras edificações desabaram.

Conheça a seleção do Japão, próxima adversária do Brasil

Futebol cresceu no país com ajuda de brasileiros Após empatar com a Suécia, o Japão garantiu vaga na próxima fase e será o adversário da seleção brasileira na Copa do Mundo 2026. Os dois vão se enfrentar na segunda-feira (29), às 14h (horário de Brasília), em Houston, nos Estados Unidos, um dos países-sedes da competição.A partida marca o início do mata-mata do Mundial, fase que reúne 32 seleções na disputa pelo título.A seleção japonesa ficou em segundo lugar no Grupo F, liderado pela Holanda. Na fase de grupo, a equipe asiática goleou a Tunísia, marcando quatro gols contra o time africano, desclassificado da competição. Na disputa contra a Holanda, o placar ficou empatado em 2 a 2, na primeira rodada do Mundial. O Japão é uma seleção com nível técnico crescente e o confronto não tem favorito, avalia a comentarista de futebol da TV Brasil e da Rádio Nacional, Luciana Zogaib.“[O Japão] É uma seleção que joga em transição rápida, é uma equipe que tem equilíbrio emocional, mesmo quando sai atrás, consegue buscar o resultado, como aconteceu na partida contra a Holanda”.Em 2025, o Japão também derrotou o Brasil de virada, em um amistoso, no final de 2025, em Tóquio, por 3 a 2. Na ocasião, o técnico do time brasileiro, Carlo Ancelotti, pediu que os jogadores brasileiros desenvolvessem “resiliência mental” e disse que a equipe precisava aprender com os erros.“Os japoneses têm o mental forte e nós vamos colocar o nosso [emocional] à prova neste jogo”, brincou Zogaib.A comentarista também lembrou que, desde o confronto com o Brasil, ano passado, o Japão não perdeu nenhum jogo. “Eles chegam motivados à Copa”, frisou.A evolução do futebol japonês é nítido, acrescentou Rachel Motta, também comentarista esportiva da TV Brasil. Ela chama atenção para a agilidade do time no contra-ataque.“A equipe japonesa pode não ter tantos jogadores habilidosos ou com mais nome, porém, o contra-ataque japonês é a arma deles, que marcam muito bem, e aí, a gente precisa mostrar habilidade”, cobrou.“Além do Vini Jr. não temos visto tanta habilidade na seleção brasileira”, criticou. Zico e o futebol japonêsA perspectiva do duelo mexe com os torcedores brasileiros, que viram o crescimento do futebol japonês. O país contou com experts brasileiros, como o jogador Zico, Arthur Antunes Coimbra. Ele contribuiu para a profissionalização do esporte no país asiático e comandou a seleção nipônica na Copa de 2006.“Que o flamenguista não fique chateado, mas com o Flamengo foram 20 anos e com o Japão foram 22”, brincou, em entrevista à Agência brasil, em abril.Fora de campo, os dois países possuem uma longa relação, considerando como marco a chegada de 800 japoneses no navio Kasato Maru, em 1908, que vieram trabalhar nas lavouras de café, em São Paulo.Atualmente, o Japão é um dos principais parceiros do Brasil na Ásia. Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, os países, nos últimos anos, vêm buscando estreitar parcerias e cooperações na área comercial em ciência e tecnologia.Entre as áreas mais promissoras, de acordo com o órgão, destacam-se tecnologias da informação e das comunicações, aeroespacial, robótica, ciências médicas e saúde e energias renováveis.O Japão é também um dos maiores investidores do Brasil, com US$ 22,8 bilhões em estoque (investido ou em circulação). Os investimentos japoneses são diversificados e incluem setores como o automotivo, de materiais elétricos e siderurgia.Em 2023, o dado mais recente indica que o intercâmbio comercial bilateral foi de US$ 11,7 bilhões, com superávit para o Brasil de US$ 1,5 bilhão. As exportações brasileiras para o Japão foram, na maior parte, de produtos como minério de ferro, frango, café, alumínio e milho, enquanto as importações incluíram autopeças, compostos químicos, instrumentos de medição e controle e circuitos integrados. Japoneses escolheram São PauloDesde a chegada do navio Kasato Maru a São Paulo, a comunidade nipônica cresceu. A Embaixada Japonesa estima que 2 milhões de japoneses e seus descendentes vivem no país, a maior população nipônica fora do Japão. E, como não poderia ser diferente, a influência cultural deixou marcas, em diversas áreas, como agricultura, gastronomia e artes marciais.São Paulo conta com a maior comunidade japonesa do Brasil. O bairro da Liberdade chega a ter toda a atmosfera do Japão, com fachadas escritas com ideogramas e arquitetura oriental.Mas há outras cidades brasileiras também marcadas pela presença desses imigrantes, como Assaí, no Paraná; Ivoti, no Rio Grande do Sul; e Tomé-Açu, no Pará.De acordo com o MRE, os japoneses são cerca de quatro em cada dez dos 1 milhão de estrangeiros vivendo no Brasil. Já no país insular, do outro lado do globo, vivem 200 mil brasileiros, nas contas do governo japonês.“O elo humano é um dos principais patrimônios das relações Brasil-Japão e fomenta o diálogo e a cooperação”, afirmou o ministério.

Venezuela: número de desaparecidos em terremoto pode passar de 40 mil

Mortos sobem para 188, segundo presidente do Congresso venezuelano Subiu para 188 o número de mortos na Venezuela devido aos dois terremotos que atingiram o país no início da noite desta quarta-feira (24). A atualização foi divulgada por Jorge Rodríguez, presidente do Congresso Nacional e irmão da presidente Delcy Rodríguez. Segundo ele, passa de 1.500 o número de pessoas hospitalizadas.Essa quantidade, no entanto, tende a ser bem maior dos que a divulgada até o momento. De acordo com o site Desaparecidos Terremoto Venezuela, criado pela sociedade civil para reunir informações extra oficiais sobre vítimas, há mais de 40 mil pessoas desaparecidas.Na plataforma, a população pode inserir dados sobre desaparecidos como idade, sexo, estado civil e a cidade onde mora. O governo venezuelano não disponibilizou nenhuma ferramenta deste tipo até o momento e não tem uma estimativa de desaparecidos.Segundo levantamento feito pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o número de mortes pode variar entre 10 mil e 100 mil. O cálculo da entidade leva em consideração a população exposta em áreas atingidas e precariedade das construções. TragédiaOs dois terremotos, de magnitude de 7,5 e 7,2, causaram grande destruição no litoral de Morón, que fica a 160 km de Caracas, capital do país. A região pertence ao estado de La Guaira, o mais afetado pelos tremores. Prédios, casas e outras edificações desabaram.Segundo a imprensa local, oito hospitais foram afetados e os pacientes tiveram de ser transferidos para outras instituições. BrasilOs terremotos na Venezuela foram sentidos em algumas cidades da Região Norte do Brasil, segundo informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB).Os tremores atingiram Belém (PA), Manaus (AM), Boa Vista (RR), Macapá (AP) e alguns municípios próximos a essas cidades.Segundo Marcos Ferreira, geofísico e pesquisador do SGB, as magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala Richter são consideradas muito elevadas.“[Esse valores] indicam a liberação de uma enorme quantidade de energia. Além disso, quanto mais rasos os sismos, maior potencial e impacto, pois a energia chega de forma mais direta e rápida à superfície.” Fonte: Agência Brasil