PF mira deputado do União Brasil em operação contra corrupção em emendas parlamentares

Os investigadores cumprem 14 mandados em endereços ligados ao parlamentar em Rio Branco e no apartamento funcional dele em Brasília Polícia Federal realiza uma operação, nesta quinta-feira, para colher provas sobre um esquema de desvio de emendas parlamentares no Acre. O caso, segundo a PF, envolve irregularidades na contratação de empresa responsável por shows musicais financiados pela Secretaria Municipal de Cultura de Sena Madureira, no Acre, em setembro de 2024. A ação foi autorizada pelo STF e mira as chamadas “emendas Pix” do orçamento secreto. O deputado federal Eduardo Velloso, do União Brasil, está entre os alvos das ordens de busca. “As investigações apuram suspeita de desvio de recursos na ordem de 912.000 reais, provenientes de emendas parlamentares, popularmente conhecidas como ‘Emenda Pix’, modalidade que permite repasses diretos da União sem convênios ou prestação de contas prévia”, diz a PF. Os investigadores cumprem 14 mandados em endereços ligados ao parlamentar em Rio Branco e no apartamento funcional dele em Brasília. Os investigadores miram crimes de associação a organização criminosa, fraude em licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e outros delitos acessórios.
Falcão sinaliza aliança com Cleitinho para disputa do governo de Minas

Prefeito de Patos de Minas e presidente da AMM reconhece liderança do senador nas pesquisas ao governo de Minas e admite conversas para compor chapa O prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (sem partido), admitiu conversas com o senador Cleitinho (Republicanos) e sinalizou a possibilidade de uma aliança para a eleição de 2026, inclusive como eventual vice na chapa para disputar o Palácio Tiradentes. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, Falcão reconheceu o peso eleitoral do senador, que hoje lidera as pesquisas para o governo de Minas. “Hoje, o senador Cleitinho lidera as pesquisas. Isso é um fato”, afirmou Falcão ao comentar o tabuleiro eleitoral e o início das articulações para 2026. Segundo o presidente da AMM, o momento ainda é de diálogo e avaliação, sem definições fechadas sobre composição de chapas ou alianças partidárias. Ele confirmou que mantém conversas frequentes com Cleitinho e que a interlocução não é recente. “Conversamos bastante. Conversei com ele ontem. Ele sabe que conversamos há mais tempo.” Falcão ainda afirmou que há mais de um nome colocado no campo da direita e que o processo de definição ainda passará por avaliações políticas e eleitorais. “É direito dele, (Mateus) Simões e do Gabriel Azevedo se colocarem. Lá na frente será avaliada a viabilidade”, avaliou. O prefeito também não descartou rearranjos partidários e uma aproximação formal com o senador. “Posso estar no mesmo partido que o Cleitinho. O Republicanos. Tudo é possível.” Segundo ele, qualquer participação mais direta no processo eleitoral estará condicionada a um projeto para o estado. “Quero entrar num time que pense Minas para o futuro, sem exigir cargo.
Lula critica intervenções dos EUA na abertura do Fórum do Panamá

O presidente pregou a integração dos países da região como caminho para o progresso e soberania das nações Em um discurso focado na defesa do multilateralismo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe nesta quarta-feira (28) apontando os impactos das pressões hegemônicas na região. Lula traçou um diagnóstico do atual cenário latino-americano e alertou que a fragmentação do bloco regional serve aos interesses de potências externas e aprofunda retrocessos históricos. Diante de líderes convocados pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe e pelo governo panamenho, o presidente não apenas descreveu a paralisia das instituições multilaterais, mas identificou a postura agressiva de grandes nações e as divisões ideológicas como causas centrais da desintegração continental. De Simón Bolívar à atual paralisia Lula iniciou o discurso resgatando o simbolismo do Congresso do Panamá de 1826, idealizado por Simón Bolívar para ser o berço da união e da independência regional. No entanto, pontuou que o continente vive hoje o “maior retrocesso em matéria de integração”, citando a extinção da Unasul e o esvaziamento da CELAC. Essa desarticulação, para Lula, cobrou um preço alto que é a incapacidade das nações de oferecer respostas conjuntas a dramas como a pandemia de Covid-19 e o avanço do crime transnacional. “Seguir divididos nos torna todos mais frágeis”, alertou. As investidas do “unilateralismo e do neocolonialismo” Lula tratou das intervenções estrangeiras de forma direta. Numa clara alusão à política externa dos Estados Unidos, apontou o unilateralismo como uma ameaça real para a região. “A divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos”, declarou. A fala remete ao histórico de sanções e crises promovidas ou estimuladas por Washington na Venezuela e no Haiti. O presidente brasileiro defendeu a neutralidade estratégica do Canal do Panamá e rejeitou os modelos pan-americanistas que considera obsoletos, por funcionarem como correias de transmissão de interesses do Norte Global. Em substituição, propôs uma integração “pragmática e plural”, capaz de blindar a região de pressões militares e econômicas unilaterais. O resgate de Roosevelt contra o ódio digital Em um movimento diplomático, Lula buscou na história dos EUA um contraponto às investidas de Donald Trump ao citar a política de “boa vizinhança” de Franklin Roosevelt. O presidente resgatou o discurso das “quatro liberdades” (de expressão, de culto, de viver sem miséria e de viver sem medo), atribuído a Roosevelt, como caminho para fortalecer a democracia e enfrentar o discurso de ódio. Lula destacou que a manipulação por algoritmos representa uma nova forma de cerceamento da soberania e da liberdade na América Latina. “A única guerra que precisamos travar é contra a fome e desigualdade” Lula encerrou reafirmando que o Brasil se mantém como uma zona de paz regida pelo direito internacional, recusando-se a ser arrastado para conflitos de hegemonia globais. “Para o Brasil, a única guerra que precisamos travar é contra a fome e a desigualdade. Nossas armas devem ser o comércio justo e a tecnologia a serviço do povo”, concluiu.
Brasil é referência na América Latina após sair do Mapa da Fome, diz ONU

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Social, Osmar Dias, lembra que o país é referência no mundo nas políticas de combate à fome há vários anos A política de combate à fome do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem servido de referência para todos os países da América latina. A avaliação é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU). O representante da FAO para América Latina e Caribe, Rene Orellana, diz que as ações integradas adotadas pelo país fortalecem a segurança alimentar e inspiram países da região. O conjunto de medidas envolve políticas públicas como o fortalecimento do Bolsa Família e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Para Orellana, essas duas ações combinadas com o apoio à agricultura familiar, à qualificação profissional, ao acesso a tecnologias e à ampliação do crédito para pequenos e médios produtores, foram decisivas para que o Brasil deixasse, pela segunda vez, o Mapa da Fome. Leia também: Brasil sai do Mapa da Fome e avança nas políticas públicas “O conjunto de políticas implementadas nos últimos anos tem fortalecido, de forma consistente, a segurança alimentar no Brasil. São políticas integrais e holísticas, que estimulam o consumo, fortalecem o mercado e valorizam os produtores, promovendo alianças entre grandes, médios e pequenos, algo essencial para a complementaridade do sistema”, afirma o representante da FAO. O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Social, Osmar Dias, lembra que o Brasil é referência no mundo nas políticas de combate à fome há vários anos. “O próprio programa Bolsa Família é reproduzido em mais de 80 países. A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, proposta pelo Brasil faz parte deste reconhecimento. Mas é preciso lutar permanentemente pela continuidade das políticas, pois elas são sempre atacadas. Como aconteceu nos governos Temer e Bolsonaro”, adverte Osmar. Governança Segundo a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do ministério, Valéria Burity, o diferencial do Brasil está na governança. “Temos um Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) que articula 24 ministérios por meio da Câmara Interministerial, com participação social assegurada pelo Consea, vinculado à Presidência da República, além de forte articulação interfederativa. Essa arquitetura se traduz em planos integrados, como os Planos Nacionais de Segurança Alimentar e Nutricional”, explica. A secretária acrescenta que, em 2023, o Sisan adotou também o Plano Brasil Sem Fome, que reuniu proteção social e políticas de produção e consumo de alimentos adequados e saudáveis. “A meta inicial deste plano, alcançada com êxito, era a retirada do Brasil do Mapa da Fome”, disse.
Alpargatas elege João Moreira Salles como presidente do conselho de administração

Empresa informou que a renúncia está relacionada com as atividades acadêmicas que Pedro Moreira Salles desenvolverá na Universidade de Columbia A Alpargatas elegeu, na quarta-feira, João Moreira Salles como novo presidente do conselho de administração da empresa, em substituição de Pedro Moreira Salles. Em ata da reunião do conselho, a empresa informou que a renúncia está relacionada com as atividades acadêmicas que Pedro Moreira Salles desenvolverá como professor adjunto na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, ao longo de 2026.A empresa também elegeu Rodolfo Villela Marino como vice-presidente do conselho, cargo que até então não existia na Alpargatas. A Alpargatas possui uma fábrica em Montes Claros, Minas Gerais, localizada no Distrito Industrial, sendo um importante polo produtivo da empresa, que celebra seus 13 anos de operação na cidade, e abriga também o Espaço Alpargatas (um museu sobre a história da empresa e das Havaianas), além de ser ponto de captação de talentos e oportunidades de emprego.
Atlético e Palmeiras ficam no empate na estreia no Brasileirão

Atlético saiu atrás do placar, buscou a virada, mas acabou empatando com o Palmeiras em 2 a 2 na Arena MRV Em um jogo bastante movimentado na Arena MRV, o Atlético recebeu o Palmeiras na noite desta quarta-feira (28), pela estreia do Campeonato Brasileiro buscando manter a boa fase após vencer o Cruzeiro no clássico do último domingo (25). Mas, a equipe Alviverde tinha outros planos e, após sair na frente no placar, fez o Galo buscar a virada. Quando a partida já aparentava estar decidida, Vitor Roque apareceu e marcou o gol que fez o jogo terminar empatado em 2 a 2. Para o duelo contra o Palmeiras, Sampaoli precisou alterar o time titular. Sem Preciado, que sofreu uma entorse no tornozelo esquerdo, o técnico argentino utilizou Alan Franco no lado direito do campo, trazendo um meio-campo com Igor Gomes e Maycon. Enquanto o Atlético tentava criar com a bola no chão, o Palmeiras buscava a bola aérea e foi assim que conseguiu abrir o placar. Aos 26 minutos do primeiro tempo, Andreas Pereira cobrou escanteio na cabeça de Flaco López, que marcou na saída de Everson. O empate aconteceu ainda no primeiro tempo. Aos 41 minutos, após cruzamento de Igor Gomes, a bola sobrou na área para Victor Hugo, que chutou e contou com a ajuda do goleiro Carlos Miguel para igualar o placar. O segundo tempo começou de forma diferente, com as duas equipes buscando mais o jogo. E o Palmeiras foi quem mais finalizou, obrigado Everson a salvar o Atlético três vezes logo nos primeiros minutos. Sendo pressionado, Sampaoli mexeu na equipe e trouxe Cuello e Scarpa nos lugares de Dudu e Bernard. Além da entrada do camisa 10, Sampaoli puxou Alan Franco da lateral-direita para o meio-campo, preenchendo mais o setor para o Atlético. E, foi com essa mudança, que o Galo chegou a virada. Igor Gomes acionou Scarpa pelo lado direito. O camisa dez cortou para dentro e cruzou buscando Dudu na área, mas, antes, Khellven tentou cortar e acabou chutando contra o próprio gol. Atrás no placar, o Palmeiras se lançou para o ataque e conseguiu o empate aos 39 minutos da segunda etapa. Carlos Miguel lançou a bola para frente, Flaco López desviou e a bola caiu no pé de Vitor Roque, que bateu na saída de Everson. O resultado serve de “alerta” para o Galo que não quer repetir o ocorrido nas últimas duas edições do Campeonato Brasileiro, quando brigou para não ser rebaixado. Além disso, o Galo segue sem vencer o Palmeiras na Arena MRV – são três jogos, com duas derrotas e um empate. Agora, o Galo volta a campo no próximo sábado (31), contra o Pouso Alegre, pela sexta rodada do Campeonato Mineiro. Já pelo Brasileirão, o próximo compromisso será na próxima quarta-feira (4), contra o Bragantino, em Bragança Paulista. O jogoO Atlético tentou dominar mais as ações durante a primeira etapa, e começou levando perigo ao gol do Palmeiras. Aos 10 minutos, Ruan lançou Hulk, que ganhou da marcação e saiu livre na entrada da área, mas o chute foi para fora. O gol do Palmeiras foi marcado aos 26 minutos. Andreas Pereira cobrou escanteio e Flaco López desviou para o gol. O Atlético empatou aos 40 minutos. Igor Gomes foi lançado na direita e cruzou. A defesa do Palmeiras afastou mal e a bola sobrou para Victor Hugo, que chutou e contou com a falha de Carlos Miguel para empatar. O segundo tempo começou com uma grande chance para o Palmeiras. Aos quatro minutos, após contra-ataque, Sosa recebeu a bola na marca do pênalti e chutou no canto, obrigando Everson a fazer uma grande defesa. Aos onze minutos, Everson precisou trabalhar novamente. Primeiro, com Mauricio, que recebeu a bola livre dentro da pequena área e chutou em cima do goleiro atleticano. No rebote, Flaco chutou no canto e Everson salvou novamente. O Atlético até chegou a empatar a partida aos 16 minutos, com Cuello, que balançou as redes após lançamento de Everson. Mas, após revisão do VAR, o gol foi anulado por impedimento. A virada do Atlético foi adiada, mas chegou. Aos 28 minutos, Scarpa foi acionado na direita e cruzou na área. Antes da bola alcançar Dudu, Khellven desviou contra o próprio gol. O Palmeiras buscou o empate aos 39 minutos. Carlos Miguel lançou, Flaco desviou e Vitor Roque saiu cara a cara com Everson, empatando o jogo. Atlético 2 x 2 PalmeirasMotivo: 1ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2026Local: Arena MRV, em Belo HorizonteData e horário: quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, às 19hArbitragem: Bruno Arleu de Araújo (RJ); Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (RJ) e Thiago Henrique Neto Corrêa Farinha (RJ). VAR: Wagner Reway (SC)Cartão Amarelo: Renan Lodi, Alan Franco, Alexsander e Sampaoli (Atlético) / Vitor Roque e Mauricio (Palmeiras)Cartão vermelho: Sampaoli (Atlético)Gols: Flaco López (26’/1ºT) e Vitor Roque (39’/2°T) / Victor Hugo (44’/1ºT) e Khellven (Contra 28’/2°T) Atlético: Everson, Alan Franco, Ruan Tressoldi, Alonso e Renan Lodi; Maycon, Igor Gomes (Reinier), Victor Hugo (Alexsander) e Bernard (Scarpa); Dudu (Cuello) e Hulk. Técnico: Jorge Sampaoli Palmeiras: Carlos Miguel; Khellven (Giay), Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez (Angelo Gabriel); Marlon Freitas, Andreas Pereira e Mauricio (Luighi); Allan (Riquelme), Flaco López e Sosa (Vitor Roque). Técnico: Abel Ferreira
Apesar de 30 partidos registrados, poder político no Brasil se concentra na mão de poucas siglas

Jogo político é comandado por um grupo de sete partidos, que detêm maior número de mandatos, recursos Embora o Brasil tenha 30 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o jogo político é disputado por um grupo mais restrito de legendas. São elas que concentram a maior parte das cadeiras no Congresso Nacional, comandam governos estaduais, prefeituras, bancadas robustas nas assembleias legislativas e câmaras municipais — e, principalmente, ficam com a maior fatia das bilionárias verbas eleitorais e do Fundo Partidário. Na prática, o sistema funciona como um funil: muitos partidos existem formalmente, mas poucos têm musculatura política para influenciar decisões nacionais. Entre os chamados “gigantes”, estão siglas como PT, PL, União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos, que dominam o tabuleiro institucional e financeiro da política brasileira.A concentração de poder entre essas siglas se explica, em grande parte, pelo acesso aos recursos públicos. Para este ano, estão previstos R$ 4,9 bilhões no Fundo Eleitoral. A divisão desse dinheiro segue critérios legais que favorecem partidos com maior representação no Congresso. Na prática, grandes partidos recebem mais recursos, fazem campanhas mais competitivas e ampliam ainda mais seu domínio sobre o sistema político. O PT, hoje sob o comando de Edinho Silva, concentra sua estratégia na força eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se prepara para tentar um quarto mandato no Palácio do Planalto. Além do projeto presidencial e do esforço para ampliar sua presença, sobretudo no Senado, a legenda atua para preservar o controle de estados simbólicos, especialmente no Nordeste. No Ceará, por exemplo, o partido se articula para preservar sua hegemonia local, apostando na reeleição do governador Elmano de Freitas e no retorno de Camilo Santana ao campo político, após deixar o Ministério da Educação, para coordenar o enfrentamento a Ciro Gomes (PSDB), que busca se reposicionar ao flertar com o eleitorado bolsonarista. Do outro lado da arena política, o PL, presidido por Valdemar Costa Neto, trabalha para reorganizar suas bases em torno do senador Flávio Bolsonaro (RJ). O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro busca superar resistências internas e ampliar alianças visando o Palácio do Planalto, enquanto parte da direita defende que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria um nome mais competitivo para enfrentar Lula, por reunir um perfil considerado mais “moderado”. Já o PSD, sigla que mais elegeu prefeitos em todo o país em 2024, mantém uma estratégia aberta para a sucessão presidencial. O partido flerta com o lançamento do governador do Paraná, Ratinho Júnior, enquanto o presidente da legenda, Gilberto Kassab, avalia o tabuleiro. Nesta semana, inclusive, Kassab endossou um vídeo em que o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também filiado ao PSD, mostra disposição para entrar na disputa. O União Brasil, hoje sob a presidência de Antonio Rueda, atua em parceria com o PP, comandado por Ciro Nogueira, em uma federação partidária poderosa, que soma tempo de televisão, recursos e influência regional. Juntos, os dois partidos detêm uma das maiores bancadas do Congresso – com 123 cadeiras – e mais de 1,3 mil prefeitos pelo país. O MDB, presidido por Baleia Rossi, mantém sua tradição no xadrez político: raramente lidera projetos nacionais, mas quase sempre é indispensável para sustentá-los. Já o Republicanos, comandado por Marcos Pereira, abriga em seus quadros um dos nomes mais competitivos da política atual, Tarcísio de Freitas, e avança ancorado em bases conservadoras e em uma sólida presença municipal. Fora do grupo dos grandes, há os partidos médios e os chamados “nanicos”. As legendas em prateleiras com menos lugar ao sol, para sobreviver, atuam em coligações ou funcionam como siglas de aluguel — ainda que, formalmente, tenham os mesmos direitos de existência no TSE. O objetivo é superar a cláusula de barreira e, assim, assegurar acesso a recursos públicos. A formação de um partido, aliás, passa por um caminho longo: começa com a criação de um programa e estatuto, coleta de assinaturas em ao menos nove estados, validação dos apoios pela Justiça Eleitoral e, só então, o registro definitivo. Existir, no entanto, é diferente de ter poder. Sem votos e bancadas, a legenda até entra no sistema, mas fica à margem das grandes decisões. No pano de fundo, os palanques estaduais seguem em construção, marcados por incertezas e negociações que dependem dos arranjos nacionais. Alianças fechadas em Brasília nem sempre se reproduzem nos estados, e disputas locais podem embaralhar projetos presidenciais. Enquanto as peças se organizam no jogo, os brasileiros se preparam para ir às urnas em 4 de outubro. Caso seja necessário segundo turno para cargos que o preveem, como presidente da República e governadores, uma nova votação está marcada para 25 de outubro de 2026.
Ameaçado nas disputas estaduais, PT foca em crescer no Congresso

Sigla ainda não sacramentou candidaturas, mas pode ter o menor número de cabeças de chapa de sua história O Partido dos Trabalhadores (PT) estabeleceu como uma das prioridades para este ano a eleição de deputados e senadores, escanteando a disputa aos governos estaduais. A sigla, que vai centralizar esforços para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode ter o menor número de candidatos próprios a governador de sua história. O mais baixo número de candidaturas encabeçadas pelo PT foi registrado em 2010, ano em que a legenda privilegiou a eleição de Dilma Rousseff. Agora, membros do grupo de trabalho que discute a tática eleitoral do partido apontam que a sigla pode lançar sete candidatos — três deles à reeleição. No entanto, o número pode crescer com as definições a respeito de candidaturas petistas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão. A expectativa é que o cenário volte a ser discutido no próximo dia 2 de fevereiro, quando o grupo voltará a se reunir. A diretriz da cúpula partidária é priorizar candidaturas ao Senado, em um movimento semelhante ao que tem sido articulado por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Dirigentes do PT avaliam que a base aliada de Lula precisa conquistar maioria na Casa, que terá 54 cadeiras em disputa neste ano, para evitar “retrocessos” em um eventual quarto mandato do petista. Colocadas em segundo plano, as candidaturas aos governos devem ser concentradas em estados nos quais o PT demonstra viabilidade ou potencial para crescer ao longo da disputa. Outro objetivo será a manutenção dos atuais estados comandados pela sigla. Nas últimas eleições, a legenda disputou a chefia de 13 estados e conquistou a vitória em quatro: Bahia (Jerônimo Rodrigues), Ceará (Elmano de Freitas), Piauí (Rafael Fonteles) e Rio Grande do Norte (Fátima Bezerra). Do grupo, apenas Fátima Bezerra deve disputar outro posto em 2026. A governadora do Rio Grande do Norte se prepara para disputar novamente uma vaga ao Senado e tenta fazer como sucessor o atual secretário de Fazenda do estado, Cadu Xavier. Entre os candidatos à reeleição, Rafael Fonteles é o único que tem registrado bons desempenhos em pesquisas e afastado preocupações no entorno petista. Por outro lado, Cadu Xavier, Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas têm figurado na segunda ou terceira colocação. O partido tem discutido estratégias para melhorar a performance dos prováveis candidatos. Na última semana, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que deve deixar a pasta para ajudar Elmano de Freitas na disputa cearense. Candidaturas lideradas pelo PT em disputas a governos estaduais1990: 23 candidatos1994: 19 candidatos1998: 16 candidatos2002: 24 candidatos2006: 18 candidatos2010: 10 candidatos2014: 17 candidatos2018: 16 candidatos2022: 13 candidatosA definirAlém dos candidatos à reeleição e de Xavier, o grupo eleitoral do PT trata como mais avançadas as negociações para as seguintes candidaturas próprias: Espírito Santo: Helder Salomão, deputado federal por três mandatos;Rio Grande do Sul: Edegar Pretto, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e derrotado nas eleições ao Palácio Piratini em 2022.No Distrito Federal, Leandro Grass (PT) deve disputar em nome da federação PT-PCdoB-PV. Grass foi candidato ao GDF em 2022, pelo PV, e perdeu, no primeiro turno, para Ibaneis Rocha (MDB). Em vez de encabeçar as candidaturas, a direção nacional do PT orientou, no ano passado, que fossem privilegiadas composições em chapas aliadas — em alguns casos, ocupando a candidatura a vice-governador. Quatro estados, no entanto, ainda aguardam definições internas. Os dois principais são São Paulo e Minas Gerais. O grupo eleitoral do PT defende a candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo paulista. Haddad tem rechaçado a possibilidade. Dentro da sigla, há a expectativa de que ele seja convencido por Lula a disputar o posto. Em Minas, o presidente Lula já afirmou reiteradas vezes que gostaria de ver o senador Rodrigo Pacheco (PSD) disputando o Palácio da Liberdade. Pacheco também tem demonstrado resistência, e alas do diretório local da sigla têm defendido lançar um nome próprio. No Mato Grosso do Sul, Fábio Trad foi lançado pela direção local como pré-candidato a governador. Há uma avaliação de dirigentes nacionais de que o nome pode enfrentar, no entanto, dificuldades sem a participação da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), no palanque. Uma ala do PT local defende romper um acordo com o atual governador do Maranhão, Carlos Brandão (sem partido), e lançar o vice-governador Felipe Camarão (PT) como candidato ao governo estadual. Internamente, dirigentes petistas defendem uma construção que evite uma divisão no estado. As estratégias eleitorais do PT ainda devem ser discutidas ao longo dos próximos meses. A consolidação, dizem, deverá ocorrer no Congresso Nacional da sigla, marcado para abril. No mesmo mês, dirigentes da legenda também pretendem anunciar a renovação da federação partidária com PCdoB e PV. Diretriz da direçãoEm dezembro do ano passado, a direção nacional do PT aprovou uma resolução para guiar as negociações políticas e eleitorais em 2026. O texto coloca a reeleição de Lula como prioridade máxima da sigla e afirma que há “urgência de eleger uma nova correlação de forças no Legislativo”. O partido exige a “construção de chapas competitivas para as Assembleias Legislativas, Câmara Federal e, sobretudo, para o Senado, em que cada cadeira será decisiva para garantir governabilidade”. O PT avalia como “fundamental” a reunião de palanques “fortes e amplos nos estados” para “sustentar a campanha de Lula”.“O Senado, em particular, deve ser tratado como prioridade, uma vez que sua composição será determinante para a aprovação de reformas estratégicas, tornando imprescindível que o PT dispute com força essas vagas em cada estado, integrando a tática nacional com a dinâmica local de alianças e mobilização social”, diz o documento.
André Janones vai disputar o governo de Minas Gerais pela REDE

A candidatura do deputado tende a embaralhar as articulações do campo progressista no estado mineiro, que vinha costurando o nome de Rodrigo Pacheco O deputado federal André Janones vai deixar o Avante e se filiar à REDE para disputar o governo do estado de Minas Gerais. O anúncio deve ocorrer na próxima terça-feira (27). De acordo com informações obtidas com exclusividade pela Fórum, André Janones se reuniu na noite de sexta-feira (23) com o presidente da REDE, Paulo Lamac, e fechou o acordo. A pré-candidatura de Janones ao governo de Minas deve embaralhar as articulações em curso no campo progressista do estado, já que o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) vinha sendo ventilado para disputar o Palácio da Liberdade em uma espécie de frente ampla com partidos de centro e de esquerda. Caso as pré-candidaturas de Janones e Pacheco se mantenham até o início do processo eleitoral, o presidente Lula deverá ter palanque duplo em Minas Gerais. O PT mineiro não participou da articulação em torno do nome de André Janones para a disputa pelo governo do estado.
Efeito Lula: Bolsa bate recorde histórico e Brasil vira queridinho dos investidores globais

Apelidado de “Movimento Brasil”, fluxo de investidores estadunidenses no Brasil cresce com estabilidade econômica do país Mesmo com a queda do preço do petróleo no mercado internacional, a Bolsa brasileira vive um dos melhores momentos dos últimos anos. O Ibovespa, principal índice da B3, bateu recordes históricos sucessivos em janeiro de 2026, puxado por uma forte entrada de dinheiro estrangeiro. No centro desse movimento está um fenômeno que analistas já chamam de “movimento Brasil”. “A Bolsa bateu recorde atrás de recorde, impulsionada pelo forte investimento estrangeiro. Foram mais de US$ 12 bilhões que entraram nos primeiros 20 dias do ano, demonstrando confiança na economia do país.” Recorde de investimentos Nos primeiros 20 dias de janeiro, mais de R$ 12 bilhões de capital estrangeiro entraram na Bolsa brasileira, o melhor resultado para um mês desde 2023. Ao mesmo tempo, o volume diário de negociações chegou a R$ 22,5 bilhões, o maior nível em mais de dois anos. Com isso, o Ibovespa ultrapassou a marca histórica dos 177 mil pontos, renovando recordes em várias sessões seguidas. Ou seja: não é um pico isolado, mas um movimento consistente. Não por acaso, o EWZ, principal fundo que replica ações brasileiras em Nova York, teve uma das maiores altas entre todos os mercados emergentes do mundo. Lá fora, os investidores internacionais apostam no “MSCI Brazil”, um investimento que faz a aposta nas principais ações do mercado brasileiro. Assim, empresas como Petrobras, Vale e outros grandes bancos se valorizam. Mas não é só na Bolsa. O Brasil registrou, em 2024, o maior estoque acumulado de investimento direto estrangeiro (IED) da série histórica do Banco Central, atingindo cerca de US$ 1,14 trilhão, o equivalente a 46,6% do PIB. Em fluxo anual (aportes de 12 meses), 2025 já caminha para bater outro recorde, superando inclusive o total de 2024. Estabilidade Desde 2023, as três grandes consultorias de investimento dos EUA, S&P, Fitch e Moody’s elevaram as notas de recomendação de investimento no Brasil, mostrando que as mudanças e reformas promovidas durante a gestão Lula na economia promoveram mais estabilidade para a economia. Os motivos atribuidos para a expansão dos investimentos são a estabilidade inflacionária, a previsibilidade dos investimentos, além da reforma tributária aprovada pelo governo federal. A gestão Lula entregou a menor inflação acumulada para os três primeiros anos de governo desde a redemocratização, além de manter nível de emprego recorde e déficit público estável. Enquanto bolsas dos EUA e da Europa estão praticamente estagnadas, investidores globais estão buscando retornos maiores em países emergentes, e o Brasil virou um dos principais destinos desse dinheiro.