Marcadas as eleições para Reitor e Vice-Reitor da Unimontes: 10 de novembro

As eleições para a escolha dos componentes das listas tríplices para os cargos de Reitor e Vice-Reitor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) estão marcadas para o dia 10 de novembro. A data-limite para o registro de candidaturas encerrou no dia 9 de setembro. O processo eleitoral conta a participação dos professores, servidores técnico-administrativos e alunos matriculados em todos os cursos ministrados pela Universidade no campus-sede e em suas demais unidades. As candidaturas para os cargos de Reitor e Vice-Reitor são registradas separadamente, sem a formalização de chapas. A resolução nº 018/2022 do Conselho Universitário da Unimontes (Consu), que disciplina e regulamenta o processo eleitoral para a composição das listas tríplices, está disponível no Portal Unimontes (www.unimontes.br). As publicações oficiais do Processo Eleitoral da Unimontes podem ser acompanhados no link. Conforme a legislação, o voto para a composição das listas tríplices para reitor e vice-reitor da Unimontes é paritário, com os respectivos pesos: professores (70%), servidores técnico-administrativos (15%) e acadêmicos (15%). Serão instaladas mesas receptoras de votos nos prédios do campus-sede e nas demais unidades da instituição em Montes Claros (Hospital Universitário Clemente de Faria e Centro de Educação Profissional e Tecnológica da Unimontes (CEPT), nos campi de Almenara, Bocaiuva, Brasília de Minas, Espinosa, Janaúba, Januária, Paracatu, Pirapora, Salinas, São Francisco e Unaí, nos núcleos de Joaíma, de Pompéu; no Escritório de Representação da Unimontes em Belo Horizonte. Concorrem ao cargo de reitor da Unimontes os professores Antônio Alvimar Souza (atual reitor), Geélison Ferreira da Silva e Wagner de Paulo Santiago. Os candidatos a vice-reitor são os professores Danilo Fernando Macedo Narciso, Dalton Caldeira Rocha e Helena Amália Papa (atual Pró-Reitora de Ensino). Site: Unimontes

Jovens brasileiros dividem o dia-a-dia entre trabalho e os estudos

Trabalhar durante o dia e estudar à noite ou vice versa tornou-se a rotina comum de milhões de jovens brasileiros. Também é comum que, muitas vezes, o cansaço e a rotina atrapalhem o desempenho de quem deseja realizar ambas as atividades com qualidade. Mas, fato é que, no Brasil o número de jovens que vive a dupla jornada vem aumentando a cada ano. É o caso de Mayara Santos, 21 anos. Estudante de Música na Universidade Estadual de Montes Claros, ela tem jornada dupla, às vezes tripla. A jovem se desdobra entre trabalho como autônoma em casa, pela manhã; seu emprego formal, durante a tarde; e, logo em seguida, a faculdade. Indagada sobre como tem sido a rotina, Mayara relata: “é exaustivo. O cansaço físico e mental às vezes bate forte, me obrigando a escolher em quais atividades prosseguir para não chegar ao meu limite. Eu trabalho durante a tarde para estudar à noite, e a minha ideia inicial era fazer isso e me dedicar ainda mais aos estudos, mas surgiram muitos obstáculos, como a distância, os ônibus e a saúde mental. Atualmente, considerando tudo isso, eu optei por não cursar todas as disciplinas para conseguir dar conta de fazer as duas coisas e também seguir com a minha atividade como artesã”. A estudante está entre um percentual de jovens de 19 a 24 anos que estudam e trabalham no Brasil. Em 2021, 48,3%, aproximadamente 2,5 milhões de estudantes mantinham esta rotina; número que é maior que o apresentado em 2020, que era de 45,4%. Os dados apontam que jovens, como a entrevistada, são levados cada vez mais a se apresentar ao mercado de trabalho para que possam se manter estudando ou conseguir al guma renda para auxiliar nas contas de casa. Como conselho para outros universitários, que estão na mesma situação, Mayara recomenda: “não se sobrecarregue sem precisar. A maioria de nós não tem como escolher, mas, se a minha experiência puder ajudar, antes ficar mais tempo na universidade cursando apenas as disciplinas que você dá conta naquele determinado momento, a prejudicar sua saúde se obrigando a fazer tudo de uma vez. A gente sabe que não é fácil, mas nós, que não temos o apoio financeiro, desde sempre aprendemos que quando não tem jeito, a gente dá o jeito que tem”, finaliza.

UFMG: como a Lei de Cotas multiplicou universitários negros e indígenas

Faltam dados oficiais sobre impacto geral da reserva de vagas, mas estudo da Federal indica que o sistema ampliou diversidade étnica no ensino superior Integrante de tribo em solenidade na Reitoria da UFMG: segundo estudo da universidade, total de universitários negros e indígenas em instituições federais e estaduais saltou de menos de 8 mil para 86 mil entre 2009 e 2016 Apesar da ausência de documento mostrando o impacto das cotas na educação superior brasileira, pesquisa nacional coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) dá uma ideia das mudanças causadas pelas ações afirmativas numa das modalidades que ela contempla: a inclusão de negros e indígenas nos câmpus país afora. Esse grupo de cotistas parte de um total de 7.889 novas matrículas no ano de 2009 e chega a 2016 com 86.717 registros em universidades federais e estaduais brasileiras, mais de 10 vezes mais alunos que no primeiro momento observado. É o que indica o estudo “Reafirmando direitos: Trajetórias de estudantes cotistas negros (as) no ensino superior brasileiro”, publicado em 2019, considerado o único levantamento do tipo financiado pelo Ministério da Educação (MEC). Foi coordenado pelo Programa Ações Afirmativas na UFMG, tendo como responsável Rodrigo Ednilson de Jesus, doutor em educação e coordenador-geral do programa. E contou com seis equipes regionais: nas universidades Federal do Amapá (Unifap), do Rio Grande do Norte (UFRN), do Recôncavo da Bahia (UFRB), de São Carlos (Ufscar), de Goiás (UFG) e de Santa Catarina (UFSC). O documento revela que, depois dessa fase de grande crescimento, as entradas de alunos pretos, pardos e indígenas por meio de programas de reserva de vagas chegam ao ano de 2016 representando 21,18% do total de ingressos em universidades federais e estaduais. Em 2009, esse percentual era de apenas 2,29%. E, em 2012, ano da publicação da Lei 12.711, os cotistas negros e indígenas respondiam por 3,24% dos “calouros”. Ainda em 2009, dos 344.326 ingressos, apenas 7.801 registros (2,27%) eram de estudantes negros que acessaram a universidade por meio de estratégias para reserva de vagas, ao passo que 12,7% eram negros que ingressaram por ampla concorrência ou outra forma de acesso. “Esse processo culmina, em 2016, com a primeira vez em toda a série em que os negros cotistas aparecem em maior quantidade que os negros não cotistas”, diz o texto. “Os resultados sugerem que a maior parte dos estudantes cotistas negros e indígenas acessam a universidade por meio de critérios que associam características étnicas à trajetória escolar. Estabelecendo as combinações referentes aos tipos de reserva, esses resultados ficam ainda mais evidentes”, completa. Dos 86.717 ingressantes cotistas negros e indígenas, 30.312 tiveram acesso às cotas a partir de critério étnico e referente. Aqueles que além da classificação étnica e da trajetória escolar ainda foram classificados no programa de reserva de vagas em função da renda domicilia representam 24,4% do total de cotistas negros e indígenas, a segunda situação mais frequente. As reservas exclusivamente do tipo étnico ou de escola pública representam, respectivamente, 15% e 13,3% do total dos ingressantes cotistas no ano de 2016. PERSPECTIVA Ela esperou quatro anos para entrar na faculdade desde a formatura no ensino médio. Para Ana Mariana Florêncio Afonso Meireles Lima, de 24 anos, a educação pública, que havia frequentado durante toda a sua vida parava no ensino médio. Universidade, ainda mais gratuita, não passava pela esperança de futuro da garota, cujas perspectivas iam até a papelaria, onde tinha um emprego temporário. “Tudo mudou quando meu tio me deu oportunidade de fazer um cursinho. Já estava mais velha e entendi que a vida seria mais difícil se eu não tivesse um diploma”, conta. No Chromos, ela descobriu letras, curso para o qual entrou com as cotas. “Antes eu achava que não poderia passar na UFMG. Foi muito emocionante descobrir que, sim, eu podia. Mesmo com cota, tive de me esforçar para ser aprovada. Saber que tinha capacidade mudou algo em mim, me deu confiança”, relata a estudante do 6º período. “Hoje não me preocupa o fato de ter diploma, com o que vou lidar depois. Escola pública não é problema só para os alunos, mas também para os profissionais que trabalham nela, e minha vontade é ensinar inglês na rede pública. Foram meus professores que mudaram minha visão de vida e queria passar isso para os meninos. Mas a valorização dos docentes me preocupa”, avalia Ana Mariana. “O aluno tem que acreditar nele mesmo e deixar de lado a ideia de que estudante de escola pública não pode entrar na faculdade que quer. E entender que é uma luta. Muita gente sai da rede particular para entrar na faculdade que quer, e a gente tem que insistir mais. E saber que não é fácil para ninguém, mas também não é impossível para ninguém”, aconselha. “Mudou a cara da UFMG” Se, há 10 anos, questionamentos associaram cotas à possível redução da qualidade de ensino nas universidades federais, hoje parece claro que o temor não se concretizou. Mérito, esforço e assistência aos estudantes compõem a fórmula de sucesso dos alunos cotistas na Universidade Federal de Minas Gerais. “Para nós, é muito claro: no primeiro semestre, as notas são um pouco diferentes no início, mas ao fim do segundo semestre não tem mais diferença de rendimento entre quem entra por cotas e pela ampla concorrência”, afirma a reitora da UFMG, Sandra Goulart. Ela cita estudo que mostra ainda mais: estudantes assistidos pela Fundação Mendes Pimentel (Fump) têm menor evasão. Entre quem entra pela ampla concorrência, é maior o número de estudantes que deixam de lado suas vagas. “O grande problema do ensino superior no Brasil é que o aluno entra e não consegue se manter. Isso sinaliza que as políticas de permanência têm impacto importante entre os que precisam da cota. Por isso é tão importante mantê-la: mudou a universidade e deu oportunidade de fazer curso superior a muitas pessoas que historicamente foram excluídas”, avalia. “Mudou a cara da UFMG. Lembro-me de falar na primeira turma de medicina (com cotistas). É visual. Antigamente, não víamos pessoas pardas

Escolas do Norte de MG são premiadas pelo Sistema Faemg

Escolas públicas de quatro cidades do Norte de Minas receberam premiação especial do Sistema Faemg, dentro do Programa Transformação em Jogo, que buscou trabalhar com os jovens alunos, de 11 a 18 anos, temas sobre empreendedorismo e protagonismo juvenil. * Por Ricardo Guimarães O Programa Transformação em Jogo, do Sistema Faemg em parceria com o Sebrae, premiou nesta semana quatro escolas do Norte de Minas, das cidades de Nova Porteirinha, Glaucilândia, Januária e Coração de Jesus. As instituições participaram de um concurso de vídeos que abordou as perspectivas de futuro dos jovens do meio rural, concorrendo com escolas de todo o estado. Cada escola levou o prêmio de R$ 5 mil, que deverá ser destinado para promover melhorias nas instalações das unidades de ensino. Participaram do projeto alunos de escolas públicas estaduais e municipais, de 11 a 18 anos, divididas entre ensino fundamental e médio. Ao longo de vários meses, alunos e professores trabalharam em sala de aula temas ligados à educação empreendedora e o protagonismo juvenil, desenvolvendo importantes valores e novo olhar sobre o mercado de trabalho rural. Escolas premiadas Na categoria ensino fundamental, foram premiadas as escolas estaduais Erezinha Antunes Martins, de Nova Porteirinha, e Maria Carneiro da Cruz, de Glaucilândia. Já para o ensino médio, foram premiadas as escolas estaduais Antônio Corrêa e Silva, de Januária, e São Sebastião, da cidade de Coração de Jesus. Joice Emanuele Santos Silva, de 15 anos, foi a escolhida para conduzir o vídeo premiado da escola Erezinha Antunes. Na unidade escolar foi criado um bazar como projeto de encerramento do Transformação em Jogo. Com a sala decorada, os alunos colocaram diversos itens de vestuário, como roupas e sapatos, doados por professores e profissionais da escola. A produção do vídeo completou a ação, mostrando os bastidores da montagem do bazar e também o dia da realização do evento, que teve todo lucro revertido para a festa do estudante. “Fiquei surpresa com o resultado e a conquista do prêmio. O vídeo teve objetivo de mostrar a culminância do projeto, onde aprendemos muito sobre o empreendedorismo. Gostei muito, foi um aprendizado diferente, que já desperta sonhos”, comentou a jovem estudante. “Trabalhar este projeto na sala de aula foi muito importante, tanto para mim quanto para os alunos, que acataram a ideia de imediato. Essa ação certamente vai trazer uma visão de mundo diferente e será importante para o crescimento deles, meios para sonharem cada vez mais”, finalizou a professora da Erezinha Antunes, Maria Bremotilde Damasceno, que foi a responsável pelas aulas do Programa Transformação em Jogo. Quem também celebrou a conquista foi Marcos Saulo dos Reis, de 13 anos, estudante da escola Maria Carneiro da Cruz. Na unidade de ensino a escolha para o projeto final foi a de construir com os alunos um empreendimento, através de uma confeitaria. No vídeo final, Marcos ensina o passo a passo para a produção de um bolo caseiro. “Essa foi uma experiência legal, divertida. Nunca tinha feito um vídeo, por isso fiquei nervoso no começo. Até então, nunca tinha estudado sobre empreendedorismo, então foi importante, podemos experimentar algo novo”, relatou o jovem. Para o diretor da escola, o resultado do prêmio será muito bem-vindo para reformas e melhorias na estrutura. Mas ele revela que o maior ganho será na perspectiva futura dos jovens que participaram do programa. “O Transformação em Jogo despertou em todos da escola. Vimos o quanto essas parcerias são importantes para desenvolver na vida dos alunos, resgatando ensinamentos e incorporando o que aprendem em casa. Serão seguramente adultos ainda mais conscientes”, comentou Evandro dos Reis Costa. Na escola São Sebastião, em Coração de Jesus, os temas bem-estar, beleza e estética fizeram parte da condução do programa Transformação em Jogo, que contou com a experiência prática vivenciada por uma das alunas da escola. A jovem empreendedora Nicole Kinberli Lamberti Silva, de 16 anos, tem um pequeno negócio de estética, onde atua nas horas de contraturno escolar. Ela levou para dentro da sala de aula um pouco do que já realiza no seu próprio negócio. “Consegui levar um pouco da experiência que tenho, para incentivar mais colegas a também buscarem alternativas de trabalho, já que muitos costumam encerrar o ensino médio sem saber o que fazer. Achei muito interessante o programa exatamente por ter essa oportunidade, trabalhar este tema dentro da escola”, destacou a aluna. O professor de história da escola, Antônio Geraldo Alves Barbosa, que orientou o Transformação em Jogo, revela que trabalhar teoria e prática do universo empreendedor ajudou os alunos a abrirem ainda mais a cabeça para novas possibilidades locais, evitando que muitos deles deixem a cidade em busca de empregos. “Foi possível eles visualizarem este potencial dentro da própria realidade, da possibilidade de exercer atividade profissional. Aqui vivemos uma realidade de êxodo rural, então, é importante pensar possibilidades de renda na própria região. Ao longo do programa falamos sobre diversos tipos de prestação de serviços, do negócio próprio, para quando chegarem ao fim do ensino médio saberem onde podem trilhar, como se orientar para o mercado de trabalho. Vendo essas portas ainda na formação básica, estes alunos podem pensar melhor qual caminho vão seguir”, explicou o docente. * Jornalista

RESISTÊNCIA NEGRA – Da escravidão ao trono no maior quilombo do Pantanal

Conheça a incrível história de Tereza de Benguela – Ícone da luta contra a opressão no Brasil colonial, é em sua homenagem que o 25 de julho marca o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra Hoje, 25 de julho, é celebrado em todo o continente o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A data foi criada durante o Primeiro Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em 1992 na cidade de Santo Domingo, capital da República Dominicana. No Brasil, a data tem um nome próprio após a aprovação da Lei 12.987/2014: Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Ícone da luta contra a escravidão no Brasil colonial, Tereza de Benguela liderou o principal quilombo localizado na então Capitania de Mato Grosso, por duas décadas, contra as investidas da Coroa Portuguesa. Vida e luta de Tereza de Benguela De acordo com artigo publicado pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o local de nascimento de Tereza de Banguela é desconhecido. Supõe-se que ela tenha nascido em algum lugar no continente africano, ou no próprio Brasil, onde sua história se desenrolou. Tereza viveu no século XVIII, uma época onde a resistência à escravização fazia com que muitos negros, trazidos pelo odioso tráfico humano que formou nossa sociedade, se organizassem para escapar das fazendas e refugiarem-se nos sertões do Brasil, dentro de comunidades conhecidas como quilombos. E, assim como nas ocupações de terras e por moradia da atualidade, as autoridades constituídas perseguiam os fugitivos. Tereza foi casada com José Piolho, principal líder do Quilombo Quaritetê, localizado onde hoje o Estado do Mato Grosso faz fronteira com a Bolívia, no Vale do Guaporé. Era o maior quilombo da região e abrigava mais de 100 pessoas, entre negros e indígenas. Quando o marido foi morto por soldados da colonização portuguesa, Tereza assumiu o trono do Quaritetê e, durante mais de duas décadas liderou a resistência da comunidade contra a escravização. Nesse período, a Rainha Tereza costumava navegar em barcos imponentes pelos rios do Pantanal. Mas seus principais feitos foram organizar a defesa da comunidade que estava localizada em uma área de difícil acesso, com armas que roubavam de vilas próximas ou mesmo que trocavam com brancos, além de articular um tipo de parlamento que tomava as decisões comunitárias. A economia do Quaritetê funcionava à base do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca, banana – e da venda dos seus excedentes, especialmente para a obtenção das armas. Segundo informações da UFRB, o Quilombo resistiu até 1770, quando foi destruído pelos homens comandados por Luís Pinto de Sousa Coutinho, bandeirante a serviço da Capitania do Mato Grosso. Já sobre a morte da Rainha Tereza, não há registros. Uma versão dá conta de que teria se suicidado após sua captura pelos bandeirantes, enquanto uma segunda versão aponta que teria sido executada e tido a cabeça exposta no centro do Quilombo. Além do dia instituído, a Rainha Tereza recebeu diversas outras homenagens póstumas. Entre as mais destacadas está o samba enredo “Tereza de Benguela: uma rainha negra no Pantanal”, cantado pela Viradouro no carnaval de 1994.

Bolsonaro tirou 32% da verba destinada a escolas públicas inclusivas

Por ordem de Bolsonaro, Ministério da Educação ficou sem R$ 9,1 milhões para cuidar da infraestrutura de escolas inclusivas e para surdos As ações do Ministério da Educação para cuidar da infraestrutura física de escolas inclusivas perderam 32% da verba autorizada para este ano. Por determinação de Jair Bolsonaro, o bloqueio atingiu R$ 9,1 milhões do total de R$ 28,2 milhões destinados para o setor. A área em questão supervisiona a infraestrutura de escolas comuns inclusivas, escolas especiais e escolas bilíngues de surdos na educação básica. O tema é caro para a primeira-dama Michelle Bolsonaro, que fez da inclusão uma de suas principais bandeiras políticas, sobretudo no que diz respeito à integração de surdos na sociedade. Escolas inclusivas são reconhecidas por garantir o acesso ao ensino de acordo com as necessidades de cada aluno e sem levar em conta etnia, sexo, idade, deficiência e condição social. Já escolas especiais se notabilizam pelo preparo em atender alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação O cálculo foi feito pela organização Todos Pela Educação. O bloqueio de R$ 3,6 bilhões do Ministério da Educação foi autorizado por Bolsonaro em decreto publicado no dia 30 de maio. A educação básica foi a principal área atingida na pasta, com perda de R$ 1 bilhão. “Esses cortes em infraestrutura de escolas públicas, infelizmente, não chegam a surpreender, pois trata-se de um governo que tem colocado muito mais energia na defesa do homeschooling do que na defesa da escola pública”, afirmou Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação.

Cenário de abandono – Plano Nacional de Educação descumpre 15 de um total de 20 metas

O número de crianças fora da escola ou que não concluíram o ensino fundamental quase dobrou de 2020 para 2021, passando de 540 mil para 1,072 milhão   A três anos do fim de sua vigência, o Plano Nacional de Educação (PNE) mais retrocedeu do que avançou. Do total de 20 metas, 15 ainda não foram cumpridas – sete anos após a entrada em vigor. E entre as cinco parcialmente cumpridas, estão aquelas que já estavam avançadas no momento da aprovação da Lei do PNE, em 2014. Portanto, isso não indica propriamente progresso do sistema educacional. A avaliação é da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que lançou hoje (20) relatório da situação atual de cada uma das metas. Segundo o relatório da organização, a vigência do PNE tem sido marcada pelas amarras impostas pela austeridade fiscal aprofundada pela aprovação da EC 95/2016, do Teto de Gastos. “Destaque dos retrocessos fica para a meta 20, que trata do financiamento da educação”, disse a coordenadora da Campanha, Alessandra Pellanda, em reunião hoje no Senado, para discutir o atraso educacional do país. “Além de cortes seguidos, além do teto dos gastos, há também queda na execução dos recursos nos últimos 10 anos, que impactam todas as demais metas”. Um dos mais graves retrocessos está na meta 2, pela qual se estabelece que, até o último ano da vigência, em 2024, o ciclo de nove anos do ensino fundamental seja universalizado para toda a população de 6 a 14 anos. E que pelo menos 95% dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada. Mas a Campanha concluiu que o número de crianças nessa faixa etária que não frequentam nem concluíram a etapa quase dobrou de 2020 para 2021. Saltou de 540 mil para 1,072 milhão. Também houve queda no percentual de jovens concluindo o ensino fundamental na idade adequada. No segundo trimestre de 2020, esse percentual era de 81,9%, caindo para 81,1% em 2021. Com isso, o saldo do período de 2014 a 2021 é de um avanço médio de 1,5 ponto percentual ao ano, cerca de metade do necessário ao cumprimento da meta no prazo. Falta de transparência nos dados Segundo frisou Alessandra Pellanda, o governo de Jair Bolsonaro impõe a falta de transparência dos dados e a dificuldade de acesso às informações, o que impede a análise detalhada da realidade da situação. Das 20 metas do PNE, oito não possuem dados abertos suficientes para serem completamente avaliadas. “Em alguns casos só conseguimos dados por meio da Lei de Acesso à Informação e em outros, não recebemos resposta”, disse. Apesar das dificuldades do PNE em relação ao seu cumprimento, o professor da Faculdade de Educação da USP Daniel Cara defendeu o plano. O especialista, que também participou da audiência no Senado, disse que “o descumprimento é muito dramático”. “Quando uma criança não tem acesso à creche, para a sociedade é um número, mas para aquela criança é um impacto terrível na vida dela”. “Vale a pena ter o PNE? Vale, mesmo que ele esteja sendo descumprido, porque é um instrumento de luta. Ele é uma referência para a sociedade fazer o monitoramento do direito à educação. As metas do PNE são ousadas diante do fato de que o Brasil ainda trata a educação como privilégio e não como direito. A educação é um direito, e vamos continuar lutando pelo cumprimento do PNE. E estamos na luta pela construção do novo Plano”. Clique aqui e confira a situação do Plano Nacional de Educação Assista a íntegra da reunião

Novo Ensino Médio aumenta desigualdade e prejudica alunos pobres, aponta pesquisa

Estudo assinado por pesquisadores da UFABC, Unifesp e IFSP mostra que nova prática piora as condições de escolarização dos mais carentes no estado de SP O estudo “Novo Ensino Médio e indução de desigualdades escolares na rede estadual de São Paulo” aponta que a implementação do “Novo Ensino Médio” no Brasil, cujo governo comemora o pioneirismo, apresenta uma série de problemas. O trabalho foi divulgado por meio de uma Nota Técnica da Rede Escola Pública e Universidade (REPU) e está disponível aqui. A reforma curricular conhecida como “Novo Ensino Médio” estabeleceu uma estrutura curricular que elimina as disciplinas escolares a partir do 2º ano do Ensino Médio, substituindo-as por itinerários formativos que seriam, em tese, escolhidos pelos estudantes. Os itinerários formativos representam um conjunto de disciplinas, projetos e oficinas que os estudantes podem escolher de acordo com seus interesses, aptidões e projetos de vida. O novo estudo comparou as escolhas dos estudantes, registradas por intermédio de um questionário online de manifestação de interesse disponibilizado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), com a oferta efetiva dos itinerários nas escolas. O resultado confirmou as previsões de inúmeros especialistas em educação críticos à Reforma do Ensino Médio, pois indica que a possibilidade de os estudantes, efetivamente, escolherem as suas trajetórias escolares é muito baixa. Ana Paula Corti, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), é uma das autoras do estudo. Ela explica que “a metodologia utilizada pela Seduc-SP para a escolha dos estudantes foi inadequada: a realização de uma enquete online durante a pandemia e a partir de um instrumento de consulta extenso, inviabilizou o acesso dos estudantes a informações qualificadas para uma escolha realmente embasada sobre os itinerários formativos”. Além disso, segundo ela, a obrigação de escolher um número grande de itinerários – quando, na verdade, os estudantes poderiam cursar somente um deles – provocou uma distribuição homogênea das “escolhas” na enquete, legitimando qualquer decisão possível a respeito da oferta dos itinerários nas escolas. As análises também mostram que a variedade de itinerários formativos oferecidos depende muito mais das condições materiais das escolas (salas de aula disponíveis, equipes docentes) e de fatores relacionados à gestão escolar, do que da escolha individual dos estudantes. Segundo o estudo, na prática, 1.327 escolas de Ensino Médio da rede estadual (35,9% do total) vêm oferecendo somente dois itinerários formativos para o 2º ano, o mínimo exigido pela Seduc-SP. Destas, 71,7% (25,7% do total da rede) oferecem exatamente os mesmos dois itinerários. Portanto, a “liberdade de escolha” é especialmente menor nos 334 municípios paulistas que possuem uma única escola pública de Ensino Médio (51,8% dos 645 municípios do estado). Nestes, 50,3% das escolas possuem apenas dois itinerários formativos à escolha dos estudantes. O estudo revela, ainda, um dado preocupante a respeito da distribuição da “liberdade de escolha” entre escolas com diferentes perfis socioeconômicos. Estudantes com renda média e escolaridade da família mais elevadas têm, em geral, maior possibilidade de escolha de trajetórias escolares em comparação a estudantes mais pobres. Débora Goulart, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que também fez parte da equipe responsável pelo estudo, comenta que “a retirada das disciplinas e a introdução dos itinerários formativos ampliaram as desigualdades escolares na rede estadual, oferecendo menos para os que mais precisam”. Pesquisa conclui que mudanças tornaram Ensino Médio menos atrativo Dois meses após o início do ano letivo, 22,1% das aulas dos itinerários formativos do Ensino Médio do 1º semestre de 2022 ainda não tinham sido atribuídas a nenhum professor. Na prática, aponta a pesquisa, é como se os estudantes tivessem um dia letivo a menos por semana por falta de professores. No caso dos alunos dos períodos vespertino e noturno, a situação é ainda mais grave: 1,5 dias de aula a menos por semana. A expansão da carga horária no Ensino Médio, outra promessa do Novo Ensino Médio aos estudantes, também foi acompanhada pelos pesquisadores. Em 90,30% das turmas (13.314 turmas) do 1º e 2º anos da rede estadual, essa expansão está sendo feita a distância com a mesma plataforma utilizada para o ensino remoto durante a pandemia. Tanto para os estudantes do período noturno quanto nas escolas de perfil socioeconômico mais baixo, praticamente não existe expansão de carga horária presencial. A pesquisa consultou, ainda, profissionais da Educação atuantes em 28 escolas de várias partes do estado, e constatou que a grande maioria dos estudantes matriculados na expansão a distância simplesmente não acessa a plataforma oficial. Os professores consultados compararam a atual oferta regular do Novo Ensino Médio com a precária oferta emergencial de ensino remoto durante a pandemia. Fernando Cássio, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), pesquisador que também assina o estudo, avalia que “a livre escolha prometida aos estudantes desde as primeiras propagandas em favor da Reforma do Ensino Médio, em 2016, serviu apenas para convencer a população de que o Novo Ensino Médio iria melhorar a qualidade da escola pública e torná-la mais atrativa aos estudantes. Na verdade, o que a pesquisa mostra é que a reforma vem piorando, significativamente, as condições dessa escola, sobretudo para os mais pobres”. O que é a REPU A Rede Escola Pública e Universidade (REPU) envolve professores/as e pesquisadores/as de universidades públicas (UFABC, UFSCar, Unicamp, Unifesp e USP), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) e professores/as da rede estadual de São Paulo. Desde 2016, a rede desenvolve estudos e pesquisas, com o objetivo de, segundo seus representantes, intervir no debate público e colaborar para a garantia do direito a uma educação de qualidade e que seja referência no aspecto social na rede estadual de ensino de São Paulo. Conteúdo: Revista Fórum

Artigo – Crise é projeto | Bolsonaro dá razão a Darcy Ribeiro – Por ADUnB

Projeto de destruição da Educação Pública avança também graças a sangrias paralelas promovidas pelo presidente e seus aliados – Evaristo Sa / AFP Cortes nas áreas de educação, ciência e tecnologia evidenciam projeto de destruição do país Foi numa palestra de nome “Sobre o óbvio”, durante um congresso realizado pela Sociedade Brasileira para a Ciência (SBPC), que Darcy Ribeiro (1922-1997), antropólogo, sociólogo, historiador, educador e um dos fundadores da Universidade de Brasília (UnB), da qual foi o primeiro reitor, proferiu uma de suas mais célebres frases, diagnosticando a precarização da Educação: “A crise da Educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”. O ano era 1977, sob a mesma ditadura militar da qual o presidente Jair Bolsonaro (PL) é não só egresso, como, até hoje, entusiasta da estupidez (amplo sentido) que sustentava tal regime. Para justificar seu diagnóstico, Darcy apresentou dados comprovando que a alienação da população sempre foi parte de uma estratégia das elites dominantes do país, a qual fora retomada com força e eficácia intensas pelos ditadores militares desde o golpe de 1964, com uma base ideológica calcada numa equação elementar: quanto mais gente sem conhecimento, mais sólida se tornaria a sustentação das elites no poder. Encerrando sua palestra, Darcy apontou a única defesa contra essa estratégia: que os espaços de Educação não só capacitassem permanentemente os seus profissionais, como se comprometessem com a educação de indivíduos socialmente excluídos. Tal contraponto continuou sendo reprimido por um Estado truculento, abafado durante os governos imediatos ao fim da ditadura, até começar ganhar fôlego e corpo nos governos mais progressistas seguintes, até a interrupção deste processo, em 2016, por meio de mais um golpe financiado e apoiado pelas mesmas elites de sempre, culminando na eleição do atual presidente, que, leal às suas origens, não só retomou os ataques à Educação e a Ciência, como os intensificou de forma violentamente inédita, como se tentasse consumar de vez o projeto de destruição da Educação apontado por Darcy. E os números provam isso. Entenda: “Bloqueio tornará universidades inadministráveis”, diz presidente da Andifes Somente neste ano, o governo já promoveu as seguintes mutilações no orçamento do Ministério da Educação (MEC): – corte de R$ 400 milhões no programa Educação Básica de Qualidade; – corte de R$ 34,4 milhões para apoio à consolidação, reestruturação e modernização das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES); – corte de R$ 429 mil para pesquisa, desenvolvimento científico, difusão do conhecimento e popularização da ciência nas unidades de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT); – corte de R$ 60,9 milhões para apoio a projetos de tecnologias aplicadas, tecnologias sociais e extensão tecnológica articulados às políticas públicas de inovação e desenvolvimento sustentável do Brasil; – corte de R$ 1,7 milhão para fomento à pesquisa e desenvolvimento voltados à inovação, a tecnologias digitais e ao processo produtivo nacional; – corte de R$ 859 mil para fomento a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico nacional; – corte de R$ 8,5 milhões para formação, capacitação e fixação de recursos humanos para o desenvolvimento científico; – corte de R$ 3 milhões para fomento às ações de pesquisa, extensão e inovação nas instituições de ensino de educação profissional e tecnológica na Bahia; – corte de R$ 4,2 milhões para fomento às ações de graduação, pós-graduação, ensino, pesquisa e extensão. No dia 27 de maio um novo ataque: um corte de R$ 3,2 bilhões, ou 14,5% do orçamento do MEC, atingindo todos órgãos ligados à pasta: universidades federais – que sofrerão um corte de mais de R$ 1 bilhão –, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep, Fundo Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – FNDE, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes, hospitais universitários e, consequentemente, o SUS. Enquanto isso, o setor privado da Educação agradece a galopante precarização que sempre ‘justifica’ a privatização. Sangrias Além desses bombardeios, o projeto de destruição da Educação Pública avança também graças a sangrias paralelas promovidas pelo presidente e seus aliados. Desde o início de seu mandato, em janeiro de 2019, até agora, Bolsonaro já nomeou 25 reitores interventores, ou seja, não eleitos nas consultas realizadas pelas universidades. Há pouco tempo, o quarto ministro a ocupar a pasta do MEC, o pastor Milton Ribeiro, teve que ser exonerado após a descoberta do tráfico de influência feito em seu nome, e do presidente, por pastores neopentecostais negociando liberação de verbas do MEC para prefeitos que lhes pagassem, em dinheiro, compras de bíblias editadas por eles, e até em barras de ouro, propinas para a construção de novos templos nas cidades. Até o momento, seguem todos impunes. E, muito recentemente, surgimento de denúncias de que prefeitos bancaram shows milionários – e eleitoreiros – de artistas que abertamente defendem o agronegócio com verbas desviadas de quais pastas? Além da Saúde, da Educação, em cidades cujas escolas não têm a devida estrutura para garantir o ensino de qualidade à população mais pobre. Sim, Darcy, não é crise. É, sempre foi, um projeto. *Diretoria da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB – S. SInd. do ANDES-SN)

“Bloqueio tornará universidades inadministráveis”, diz presidente da Andifes

Estudantes protestam contra o corte de verbas a universidades – Marcelo Camargo / Agência Brasil Instituições federais de Ensino Superior sofrem com corte em orçamento desde 2016 O bloqueio de R$ 1 bilhão do orçamento das universidades federais anunciado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) inviabilizará suas administrações. Essa é a opinião de Marcus Vinicius David, reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). David foi nesta quarta-feira (1º) a Brasília para audiências com ministros e parlamentares buscando reverter o corte, comunicado na sexta-feira (27). Nos encontros, ele quer deixar claro que a condição financeira das universidades, que vem piorando desde 2016, vai se tornar insustentável com o bloqueio. “As universidades serão inadministráveis”, afirmou, ao Brasil de Fato. “Faltará dinheiro para pagar segurança, limpeza, bolsas de estudo…” Esse tipo de despesa é paga com o chamado orçamento discricionário das universidades. Ele serve para bancar todo o custeio das instituições, tirando o pagamento dos professores e outros funcionários de carreira. Essas contas são parte do orçamento obrigatório. No início do ano, Bolsonaro havia sancionado um orçamento que previa o repasse de R$ 5,33 bilhões para despesas discricionárias das universidades. Esse valor já era 12% menor do que aquele reservado por ele mesmo para as mesmas despesas em 2019, primeiro ano de seu governo. Ficou ainda mais baixo depois do bloqueio da semana passada. Segundo David, o bloqueio é linear, ou seja, a redução é do mesmo percentual para todos. A diminuição será de 14,5% do recurso disponível para universidades pagarem suas despesas e realizarem seus projetos. Segundo dados tabulados pela Andifes, as instituições de ensino são afetadas de forma proporcional. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por exemplo, teve mais de R$ 48 milhões do seu orçamento bloqueado, pois tinha a maior dotação prevista. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Federal de Pernambuco, por sua vez, perderam cerca de R$ 25 milhões cada uma com o bloqueio. Nelson Cardoso Amaral, presidente da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), afirmou que a redução tornará uma “situação que já era dramática ainda mais preocupante”. “Se aprofunda uma crise que já era grave”, afirmou. Segundo ele, universidades já enfrentam dificuldades para pagar suas contas mais básicas, como água e luz. Honrar pagamentos de bolsas de pesquisa ou de permanência a estudantes carentes, então, ficou impossível. “Futuro do país está comprometido”, afirmou Amaral, que também é professor da Universidade Federal de Goiás (UFG). “Um governo que corta recursos de universidades, pesquisa e saúde não tem projeto para o país.” De acordo com reportagem do jornal O Globo, entre 2019 e 2020, universidades federais registraram quedas em matrículas (de 1,3 milhão para 1,2 milhão). Isso não ocorria desde 1990. Segundo David, da Andifes, isso tem relação com a perda de recursos. Ele explicou que a pandemia do coronavírus impôs dificuldades extras para estudantes frequentarem aulas. Sem recursos, as universidades não puderam auxiliá-los. Muitos desistiram do curso. “Não temos recursos para reagir”, reclamou David. “Essa é uma crise gravíssima que terá consequências para o país por anos.” Via Brasil de Fato