Cerro Porteño x Galo: Atlético é goleado e se aproxima de adeus na Liberta

Time mineiro sofreu virada incrível, passou novo vexame e acabou sendo derrotado por 4 a 1 no Paraguai O time já não inspirava confiança, mas daí para um vexame bastaram quatro gols entre 13 minutos no primeiro tempo e uma eliminação iminente na Copa Libertadores com duas rodadas antes do fim da primeira fase. Com direito a lambanças dos defensores e desatenções injustificáveis, o Atlético tomou 4 a 1 para o Cerro Porteño-PAR, nesta quarta-feira (10), em Assunção, e só um milagre o levará às oitavas de final da competição. Com a vitória do Nacional-URU sobre o Zamora-VEN, por 1 a 0, o Galo, que só tem três pontos no grupo E, fica a seis da equipe uruguaia. Além de vencer uruguaios e venezuelanos nas próximas partidas, terá que torcer contra o time de Montevidéu e ainda tirar a diferença de saldo. O 2 a 0 para o Zamora, no primeiro tempo do jogo da semana passada, parecia um presságio. A diferença é que, com a torcida no cangote, o time reagiu e acabou virando a partida. Ontem, o time até começou bem, abrindo o placar com Ricardo Oliveira, aos 18 min. Mas o apagão após os 30 minutos o vez amargar seu pior primeiro tempo desde o fatídico 6 a 1 para o rival Cruzeiro, em 2011, quando levou quatro na etapa inicial. Depois de passar pela pré-Libertadores sem empolgar, esperava-se que a equipe de Levir Culpi sobressaísse na fase de grupos, contra adversários com investimentos bem mais acanhados. Mas, sem um padrão de jogo e atuações individuais abaixo da crítica, o naufrágio era algo até esperado. Ironicamente, com a tabela de momento, restará ao Galo brigar pela terceira posição na chave, que lhe dará uma vaga na Copa Sul-Americana, a “Série B da Libertadores”, competição continental que o clube desdenhou no ano passado. O Atlético saiu na frente, mas tomou o vira-vira muito rápido. O primeiro gol paraguaio apareceu em uma cobrança de falta de Acosta por baixo da barreira, aos 30 min. Carrizo fez o segundo aos 33 min, em chute de fora da área, e, aos 35 min, Victor Cáceres anotou, numa lambança de Fábio Santos. Achou pouco? Teve mais na primeira etapa, com a trapalhada de Victor com Igor Rabello e o quarto gol, de Larrivey. Na segunda etapa, o Galo tinha que se mandar ao ataque e ficou aberto na defesa. Sem criar algo efetivo, o time pode agradecer por não ter tomado mais gols. Via Jornal O Tempo
Maradona é multado no México por dedicar uma vitória a Nicolás Maduro

Astro argentino infringe o código de ética da Federação Mexicana de Futebol por chamar o Governo de Donald Trump de “xerife do mundo” Um agitado Diego Armando Maradona desabou na cadeira. O astro argentino, ainda agitado, pediu para dar uma mensagem antes de responder as perguntas dos jornalistas mexicanos no estádio Tamaulipas. “Quero dedicar a vitória a Nicolás Maduro e à toda Venezuela que está sofrendo porque os xerifes do mundo, que são os norte-americanos, acham que podem passar por cima da gente”, disse antes do começo da entrevista coletiva. Essa declaração, de 31 de março, valeu ao astro argentino uma multa por parte da Federação Mexicana de Futebol (FMF). “Esse tirano presidente não nos compra”, vociferou Maradona se referindo ao presidente norte-americano, Donald Trump. O ex-jogador argentino e treinador do Dorados de Sinaloa mostrou sua simpatia pelo chavismo há mais de dez anos. Nos últimos meses, com o surgimento do líder da oposição Juan Guaidó, o campeão do mundo com a Argentina mandou mensagens de apoio ao Governo de Nicolás Maduro através de sua conta do Instagram como quando homenageou a morte de Chávez, em 5 de março. A última mensagem publicada na rede social é um vídeo no qual Maduro explica sua versão sobre as causas que provocaram um dos maiores apagões sofridos pela Venezuela nos últimos anos. Com a declaração, de menos de um minuto, o Dez (como Maradona é conhecido) infringiu dois artigos do código de ética da FMF, que dizem que os membros deverão manter uma posição neutra sobre assuntos de caráter religioso e político, além de “desempenhar todas as suas atividades (…) com a devida probidade e respeito, assim como evitar condutas que vão no caminho contrário ao esporte, seus órgãos, o fair play”. O EL PAÍS tentou saber qual é o valor da multa, mas um porta-voz da Federação afirmou que o número não será publicado por “questões de segurança”. Maradona chegou a Culiacán, Sinaloa, em setembro. Sua contratação no clube de segunda divisão do México foi surpreendente. A partir de sua chegada, a imprensa mexicana, e especialmente a argentina, colocaram uma lupa sobre ele. Suas declarações sobre qualquer assunto têm sido explosivas. Sobre Messi, já disse que “é inútil querer que um homem que vai 20 vezes ao banheiro antes do jogo seja um líder”. Em 5 de abril, Maradona ameaçou ir embora porque a arbitragem, segundo ele, prejudicava o seu Dorados. “Vou falar com o presidente [do clube], não importa como isso acabar, talvez eu deixe o Dorados e não tenho nenhum contrato assinado com ninguém. Sou Diego Armando Maradona, houve um pênalti muito claro sobre Escoto [seu jogador]. Sabem por que não o deram? Vocês irão dizer que o juiz não o marcou porque era o time de Maradona, então eu estou fazendo um mal ao Dorados e por isso vou embora”. Nos mais de seis meses de Maradona em Culiacán, uma cidade sob a sombra do narcotráfico, sua equipe chegou a uma final da segunda divisão mexicana, mas perdeu o campeonato. Nessa noite Maradona precisou sofrer com o jogo de seus pupilos em um camarote porque, em partida anterior, discutiu com o quarto árbitro. Quando o jogo terminou e o Dorados foi derrotado pelo Atlético de San Luis, Maradona precisou ser escoltado ao ônibus da equipe porque queria brigar com alguns torcedores que o provocaram. Após a multa da Federação, os microfones voltaram a apontar para um Maradona que se sente perseguido. Via Brasil El País
Vasco da Gama, o clube que abriu as portas do futebol para os negros

Embora não tenha sido o primeiro a contar com jogadores negros, time se tornou símbolo de luta contra o racismo depois da ‘Resposta Histórica’ redigida há 95 anos Por BREILLER PIRES – El País Ao longo dos seus 120 anos de história, o Vasco da Gama foi campeão sul-americano, da Libertadores, da Copa do Brasil, quatro vezes do Brasileirão e outras tantas do Carioca. Mas nenhuma conquista no campo tem o mesmo peso de uma carta que, de tão emblemática, está exposta na sala de troféus em São Januário. Em 7 de abril de 1924, o então presidente José Augusto Prestes assinou o manifesto que ficou conhecido como a Resposta Histórica, comunicando que o Vasco se recusaria a disputar a divisão principal do Rio de Janeiro sem seus jogadores negros, exigência que havia sido imposta pelos dirigentes da época. A dimensão simbólica da atitude, considerada insurgente naqueles tempos em que o futebol de elite era privilégio dos brancos, transformou o clube cruzmaltino em estandarte da luta contra o racismo no esporte brasileiro. “Para nós, de fato, esse documento é como um troféu”, afirma João Ernesto Ferreira, vice-presidente de relações especializadas do Vasco, ao justificar a exibição de uma réplica da carta na nobre galeria de taças. Consolidado no remo, o clube só começou a se destacar pelos gramados no início da década de 1920. Sem a mesma tradição dos times da zona Sul do Rio na modalidade, a estratégia era montar elencos com jogadores das classes sociais menos favorecidas. A equipe campeã da segunda divisão em 1922 tinha como craques operários, choferes, pintores e faxineiros. Assim, assegurou o direito de disputar, no ano seguinte, a primeira divisão ao lado dos já consagrados América, Botafogo, Flamengo e Fluminense. Com a base de trabalhadores braçais mantida no plantel, o Vasco desbancou favoritos, arrebatou 11 vitórias em 14 jogos e faturou o título do campeonato organizado pela Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT). Incomodados pela ascensão meteórica dos vascaínos, rivais decidiram criar uma nova liga, a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA), impondo ao clube apelidado de Camisas Negras, pela cor de seu uniforme, a exigência de excluir 12 jogadores que, de acordo com os cartolas, não apresentavam “condições sociais apropriadas para o convívio esportivo”. O analfabetismo foi uma das razões apresentadas pela liga para desqualificar parte do elenco campeão. Por unanimidade, a diretoria cruzmaltina desistiu de integrar a AMEA e, então, endereçou a carta à liga esclarecendo por que rechaçava a ordem para abrir mão de jogadores negros e pobres. “O ato público que pode maculá-los nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles, com tanta galhardia, cobriram de glórias”, detalha o quinto parágrafo da Resposta Histórica. Enquanto os grandes clubes institucionalizavam o elitismo do futebol com a criação de um torneio paralelo, o Vasco via sua popularidade aumentar, sobretudo entre as camadas suburbanas da sociedade carioca, lotava estádios a cada jogo e, em 1924, voltou a sagrar-se campeão, dessa vez de forma invicta, do campeonato regido pela LMDT. Diante do sucesso de público, renda e repercussão dos Camisas Negras, a AMEA resolveu admitir o Vasco em 1925. Até então, a liga alimentava a expectativa de ver o Cruzmaltino “constituir equipes genuinamente portuguesas” – em referência à colônia fundadora do clube –, “para uma demonstração esportiva das verdadeiras qualidades dessa raça secular”, conforme ofício assinado pelo presidente da AMEA em tréplica à Resposta Histórica. Para o historiador Ricardo Pinto dos Santos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o aspecto econômico influenciou decisivamente tanto a defesa vascaína em nome dos atletas quanto a mudança de ideia dos cartolas sobre a exclusão do clube. “O Vasco percebeu que não poderia sobreviver sem o talento de seus jogadores da classe trabalhadora, assim como a AMEA, mais adiante, entendeu que a incorporação daquele time que arrastava multidões aos estádios seria lucrativa. Houve retorno financeiro para os dois lados com a aceitação de atletas negros.” Pinto dos Santos, que trabalhou por seis anos no Vasco e ajudou a fundar o Centro de Memória em São Januário, argumenta que os dirigentes da época foram hábeis ao capitalizar a ampla divulgação da carta. Embora não tenha sido o primeiro a contar com jogadores negros no Brasil, o clube ganhou fama de pioneirismo pela maneira como afrontou a discriminação da AMEA. Antes, em 1905, o Bangu, time fabril do subúrbio carioca, já havia integrado o jovem Francisco Carregal, de 16 anos, à sua equipe. No fim daquela década, o clube se afastaria da LMDT por causa da restrição explícita a “pessoas de cor” entre os participantes da liga. A diferença para o Vasco, porém, é que o time alvirrubro só foi chamar a atenção por seus bons resultados em 1933, quando conquistou o Campeonato Carioca. “O primeiro campeão a ter negros no time foi o Vasco”, afirma João Ernesto Ferreira. “A classe social ou etnia dos jogadores não importava para o clube.” O Vasco também foi o primeiro clube esportivo brasileiro a ter um presidente negro, Cândido José de Araújo, que ficou no cargo entre 1904 e 1906. No entanto, depois de Araújo, as esferas de poder vascaínas são marcadas pelo predomínio dos brancos. Atualmente, entre membros da diretoria e da cúpula de conselheiros, apenas dois negros ocupam posições estratégicas em São Januário: Edmílson Valentim, presidente do Conselho Fiscal, e o vice-presidente Elói Ferreira, ex-secretário especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. A baixa representatividade de negros e pobres no comando é reforçada por barreiras como a cobrança de taxa de admissão a novos sócios, exigência de tempo mínimo de 10 anos no quadro associativo para candidatos a presidente e a manutenção de eleições indiretas. Não há uma política permanente pela promoção da igualdade racial nem mesmo cotas para negros no plano executivo do clube. As ações se resumem a campanhas de marketing, como o lançamento de um uniforme retro inspirado nos Camisas Negras, ou parcerias esporádicas com instituições de combate
Atlético goleia Boa no Mineirão cheio e enfrentará Cruzeiro na final do Mineiro

No Mineirão cheio com quase 45 mil torcedores neste domingo, o Atlético não tomou conhecimento do Boa Esporte e goleou por 5 a 0, na volta da semifinal do Campeonato Mineiro. O resultado classifica o time alvinegro para a decisão contra o Cruzeiro. Em primeiro tempo em que o VAR foi um dos protagonistas, o Atlético teve amplo domínio desde o começo e não tomou conhecimento do Boa. Luan (que também teve gol anulado), Elias e Victor (contra) marcaram. Na etapa complementar, Geuvânio e Vinícius fecharam o placar. A primeira partida da final do Campeonato Mineiro será no próximo domingo, às 16h, no Mineirão, com mando do Cruzeiro. A princípio, a volta será no domingo seguinte, dia 21. Entretanto, existe a possibilidade de o jogo ser antecipado para quarta-feira, 17. Por ter tido melhor campanha fase inicial, o Atlético tem a vantagem de ser campeão em caso de igualdade empate agregado. Antes da primeira final do Mineiro, o Atlético concentra atenções na Copa Libertadores. O time alvinegro terá duelo decisivo contra o Cerro Porteño-PAR, pela quarta rodada do Grupo E. O jogo está marcado para 19h15 desta quarta-feira, em La Nueva Olla Azulgrana, em Assunção, capital do Paraguai. Incisivo, o Atlético criou boas oportunidades já no início do jogo. Deslocado para a esquerda, Luan iniciou duas boas jogadas: aos 8’, Cazares foi lançado e cruzou para cabeceio sem direção de Fábio Santos; aos 10’, foi a vez de o lateral-esquerdo encontrar Ricardo Oliveira na área, para mais uma finalização para fora. De tanto insistir, o Atlético abriu o placar aos 18’. Cazares cobrou escanteio fechado. A bola passou pelo goleiro Renan Rocha e sobrou para Luan, livre, só escorar para as redes. Depois de cinco minutos de espera pela análise com auxílio do VAR, a arbitragem anulou o gol. Aos 24’, Luan voltou a balançar as redes. Cazares cobrou falta na área, e a bola sobrou limpa para o meia-atacante, que só escorou. O lance voltou a ser analisado pela arbitragem de vídeo, que, desta vez, validou o gol. Limitado tecnicamente, o Boa tentava, mas não conseguia esboçar reação. A equipe de Varginha buscava lançamentos na área com frequência. E foi justamente num lance como esse que o Atlético ampliou, aos 40’. Em contra-ataque preciso, Cazares encontrou Elias na entrada da área. O meio-campista tabelou com Ricardo Oliveira e, já sem goleiro, fez o segundo: 2 a 0. E o domínio atleticano seguiu. Aos 47’, após mais uma cobrança de escanteio, Cazares recebeu do lado esquerdo e mandou para a área. A bola passou pelos jogadores alvinegro, mas não por Victor. O zagueiro do Boa, que havia entrado na partida dez minutos antes, cabeceou contra as próprias redes: 3 a 0. Goleada e atenção na Libertadores A vantagem atleticana aumentou já no começo da etapa final. Após falha de Fernando Fonseca – que tropeçou e deixou a bola limpa, na entrada da área -, Geuvânio avançou e tocou na saída do goleiro Renan Rocha: 4 a 0. Foi o primeiro gol do atacante com a camisa alvinegra. Daí em diante, o Atlético preferiu administrar a vantagem. Já de olho no jogo decisivo contra o Cerro Porteño-PAR, pela Libertadores, o técnico Levir Culpi resolveu poupar atletas importantes. Cazares e Luan saíram para as respectivas entradas de Vinícius e Chará. Réver, mancando, deixou o gramado substituído por Leonardo Silva. Logo no primeiro lance, o atacante colombiano fintou a marcação e finalizou no travessão, aos 26’. Vinícius, aos 28’, recebeu passe de Geuvânio e, livre na área, finalizou com precisão: 5 a 0. E parou por aí. Goleada, festa da torcida e classificação garantida. ATLÉTICO 5 X 0 BOA ESPORTE Atlético Victor; Guga, Réver (Leonardo Silva, aos 6’ do 2ºT), Igor Rabello e Fábio Santos; Adilson e Elias; Geuvânio, Cazares (Vinícius, aos 7’ do 2ºT) e Luan (Chará, aos 23’ do 2º); Ricardo Oliveira Técnico: Levir Culpi Boa Esporte Renan Rocha; Chiquinho Alagoano, Fernando Fonseca, Ferreira (Victor, aos 36’ do 1ºT) e Tsunami; César Sampaio, Claudeci, Gabriel Vieira (Denis, no intervalo) e Kaio Cristian; Gindré (Jayme, aos 29’ do 2ºT) e Gustavo Henrique Técnico: Cesinha Gols: Luan, aos 24’, Elias, aos 40’, e Victor (contra), aos 47’ do 1ºT, Geuvânio, a 1’, e Vinícius, aos 28’ do 2ºT (ATL) Cartões amarelos: Réver, aos 3’ do 1ºT (ATL); César Sampaio, aos 21’ do 2ºT (BOA) Público: 44.981 torcedores Renda: R$ 436.456,00 Motivo: jogo de volta da semifinal do Campeonato Mineiro Data e horário: domingo, 7 de abril de 2019, às 16h Local: Mineirão, em Belo Horizonte Árbitro: Anderson Daronco (FIFA/RS) Assistentes: Bruno Boschilia (FIFA/PR) e Felipe Alan Costa de Oliveira (MG) Quarto árbitro: Ronei Cândido Alves (MG) Árbitro de vídeo: Wagner do Nascimento Magalhães (FIFA/RJ) Assistente do VAR: Ivan Carlos Bohn (PR) Supervisor do VAR: Almir Alves de Melo (SP) Quality Manager (VAR): Cláudio Luís Silva de Freitas
Cruzeiro goleia o América e garante vaga na final do Campeonato Mineiro

Em clássico com recorde de público no Mineirão neste ano, e que teve gol anulado após uso do VAR, time celeste vence o Coelho por 3 a 0, com gols de Leo, Fred e Rafinha, e avança A noite de sábado foi de celebração para a torcida do Cruzeiro que viu o time atuar bem mais uma vez e vencer o América por 3 a 0, no Mineirão, pelo jogo de volta da semifinal do Campeonato Mineiro. Os dois primeiros gols foram marcados no primeiro tempo. Ambos de cabeça: Leo abriu o placar e Fred ampliou. Rafinha fez o terceiro no fim do jogo. Se o time fez bonito dentro de campo, os cruzeirenses não deixaram por menos nas arquibancadas, com festa de luzes no celular e muita cantaria. Ao todo, 51.525 torcedores marcaram presença no Gigante da Pampulha, o recorde do ano. Agora, o Cruzeiro espera na decisão o vencedor do duelo entre Atlético e Boa Esporte, neste domingo, no Mineirão. O primeiro jogo da semifinal, em Varginha, ficou no 0 a 0. O Galo tem a vantagem do empate por ter feito a melhor campanha do Estadual na primeira fase. Antes da final regional, a Raposa enfrenta o Huracán, nesta quarta-feira, às 19h15, pela fase de grupos da Copa Libertadores. Para o duelo deste sábado, Mano Menezes poupou o volante Henrique e o meia Marquinhos Gabriel do time considerado titular. Já o técnico Givanildo Oliveira mandou a campo praticamente o mesmo time que perdeu a partida de ida da semifinal no Independência, por 3 a 2. A novidade foi o lateral-direito Leandro Silva, recuperado de estiramento na coxa esquerda. Primeiro tempo celeste A partida começou movimentada no Mineirão. Precisando do resultado, o América tratou de pressionar o Cruzeiro. Logo aos 7 minutos, Toscano bateu falta com perigo, mas Fábio mandou para escanteio. Na cobrança, Felipe Azevedo desviou no meio da área e balançou as redes. O jogo ficou paralisado por alguns minutos para que o árbitro Leandro Pedro Vuaden analisasse o gol, que acabou anulado. Vuaden marcou toque de mão de Azevedo. O americano admitiu a infração em entrevista no intervalo. O Cruzeiro respondeu logo na sequência e abriu o placar. Aos 14 minutos, Robinho cobrou falta na área, a zaga do Coelho cortou. No rebote, Lucas Silva ganhou bola na risca da área pelo lado esquerdo e cruzou na medida para Leo cabecear forte: 1 a 0. O América sentiu o gol e acabou recuando. O Cruzeiro aproveitou o momento e ampliou. No minuto 19, Toscano vacilou no meio e foi desarmado por Edilson. O lateral-direito avançou e cruzou na medida para Fred, que escorou de cabeça para o gol: 2 a 0. Artilheiro do torneio, o centroavante celeste chegou a 11 gols no Campeonato Mineiro. Com grande vantagem, o Cruzeiro acabou tentando administrar o jogo. O América aproveitou e cresceu. Aos 27, Toscano chutou forte, mas a bola saiu. Dois minutos depois, Leandro Silva mandou um ‘petardo’. Fábio fez grande defesa. No segundo tempo, a Raposa investiu pouco no jogo ofensivo e tentou segurar o ímpeto do América, que logo aos 3 minutos arriscou com Christian de fora da área. Fábio defendeu. Sem grande interesse do Cruzeiro, o confronto ficou morno. Aos 13, Mano Menezes sacou Fred, que sentiu dores no tornozelo depois de um choque com a defesa americana, e colocou Raniel. Para tentar a reação, Givanildo fez mexida dupla aos 25 minutos: saíram Toscano e Júnior Viçosa, entraram Neto Berola e Jonatas Belusso. O América continuou se valendo dos chutes de longa distância. Aos 26, Matheusinho acertou uma pancada, mas Fábio evitou o gol do Coelho. Mano ainda colocou mais dois volantes em campo: Ariel Cabral no lugar de Lucas Silva e Jadson na vaga de Rodriguinho, que saiu bastante aplaudido pela torcida celeste. Quando o jogo parecia que terminaria 2 a 0, Rafinha ampliou para o Cruzeiro. Ele aproveitou cruzamento de Robinho e tocou para o fundo das redes, aos 43 minutos: 3 a 0. Raniel ainda perdeu uma chance clara no fim. CRUZEIRO 3 X 0 AMÉRICA CRUZEIRO Fábio; Edilson, Dedé, Leo e Egídio; Lucas Silva (Ariel Cabral) e Lucas Romero; Rafinha, Robinho e Rodriguinho (Jadson); Fred (Raniel) Técnico: Mano Menezes AMÉRICA Fernando Leal; Leandro Silva, Diego Jussani, Paulão e João Paulo; Zé Ricardo e Christian; Matheusinho, Marcelo Toscano (Neto Berola) e Felipe Azevedo (Carlos França); Júnior Viçosa (Jonatas Belusso) Técnico: Givanildo Oliveira Gols: Leo, Fred e Rafinha Cartões amarelos: Felipe Azevedo e Zé Ricardo (América) Público Presente: 51.525 Público Pagante: 31.706 Renda: R$ 602.177,00 Motivo: jogo de volta da semifinal do Campeonato Mineiro Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG) Data e horário: 6 de abril de 2019 (sábado), às 19h Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS/FIFA) Assistentes: Celso Luis da Silva e Anderson José de Morais Coelho Árbitro de vídeo: Marcelo de Lima Henrique Assistente do VAR: Ivan Carlos Bohn
Emelec x Cruzeiro: Raposa mantém 100% e tem a melhor campanha geral

Com gol de Rodriguinho, equipe celeste ficou muito próxima de assegurar sua classificação às oitavas de final da Libertadores Um time confiante, consistente e imbatível até o momento em 2019. O Cruzeiro foi até Guayaquil com a missão de colocar um pé nas oitavas de final da Copa Libertadores e concluiu o objetivo com perfeição. Um gol “nojento” de Rodriguinho sacramentou o triunfo sobre o Emelec por 1 a 0, em jogo realizado na noite desta quarta-feira. Resultado que faz os celestes dispararem na ponta do grupo B, com nove pontos e possuir, simplesmente, a melhor campanha geral da Libertadores, com três vitórias, quatro gols e nenhum tento sofrido até então. O Cerro Porteño também venceu todos os seus jogos, mas perde no saldo de gols. Sofreu um e marcou quatro. O Libertad, do Paraguai, pode chegar a nove pontos. Joga nesta quinta contra o Rosario Central, mas também já teve a defesa vazada, O Cruzeiro chegou ainda à terceira vitória seguida na fase de grupos da Libertadores, fato que não acontecia desde 2001. Mesmo que os equatorianos tenham intensificado os ataques na segunda etapa, as chances reais de gol foram praticamente nulas. Um jogo bem ao estilo de Mano Menezes. Dinâmica mantida e um golpe preciso para derrubar o rival. O gol O Cruzeiro chegou ao gol aos 37 min do 1ºT. Após cobrança de falta, Henrique deu uma casquinhada de cabeça e a bola sobrou para Rodriguinho, na esquerda, dar um leve toque por cima do goleiro Dreer. Foi o gol de número 300 do Cruzeiro em Copas Libertadores, ficando atrás apenas do Palmeiras, com 314. Esse também foi o sexto gol de bola parada ou escanteio do Cruzeiro na temporada. Atuação do árbitro O trio liderado por peruano Víctor Carillo foi bastante firme e mostrou precisão em lances complicados na partida, como as anulações dos gols de Cruzeiro e Emelec na partida. Destaque do jogo Rodriguinho está jogando de terno. A qualidade do meia é inegável. Ele chegou ao seu terceiro gol na Libertadores mostrando frieza para finalizar e ainda deu um drible desmoralizante em Guerrero, do Emelec, na segunda etapa. O homem está voando e ainda possui uma assistência. Comportamento da torcida A torcida equatoriana compareceu ao George Capwell, mas segue na bronca com o Emelec, que segue sem vencer na Copa Libertadores desde 2017 e não conseguiu marcar um gol sequer na atual edição da Libertadores. Próximo ao fim do jogo, a torcida do Emelec atirou objetos no gramado do estádio George Capwell, como copos de água e até uma caixa. Os equatorianos deverão ser punidos por isso. Polêmica O jogo teve um princípio de confusão após o lateral-esquerdo Dodô chutar a bola em cima de um jogador equatoriano. O cruzeirense tomou um cartão amarelo por isso. Próximo adversário O Cruzeiro volta a campo no sábado (6), quando encara o América, às 19h, no Mineirão, pelo jogo de volta da semifinal do Campeonato Mineiro. A Raposa venceu o jogo da ida por 3 a 2, no Independência, e está com um pé na decisão do Estadual. Pela Libertadores, o time volta a campo na quarta (10), contra o Huracán-ARG, às 19h15, no Mineirão, pela quarta rodada, e pode selar a vaga na decisão. Fonte: O Tempo
Galo x Zamora: Atlético flerta com vexame, mas consegue virada incrível

Time mineiro perdia por 2 a 0 em um primeiro tempo horrível, mas conseguiu a vitória por 3 a 2 na etapa final e deixou seu torcedor aliviado Com pouca técnica e muita raça, o Atlético saiu de uma iminente eliminação precoce na Copa Libertadores para uma virada incrível nesta quarta-feira, no Mineiro, pelo grupo E da competição. O Zamora abriu 2 a 0 no primeiro tempo mas, na etapa final, o Galo encontrou forças para fazer o 3 a 2. Com o resultado, o alvinegro, que tinha perdido os dois primeiros jogos, para Cerro Porteño e Nacional, faz seus primeiros três pontos na chave. Os gols Após boa jogada de Maza, Gallardo subiu em meio à zaga do Galo e abriu o placar para os venezuelanos aos 16 min. No fim da primeira etapa, a defesa atleticana vacilou na linha de impedimento e Paiva ampliou, aos 43 min. O Atlético descontou no início da segunda etapa, aos 5 min, com Maicon Bolt, após cruzamento de Luan, e foi buscar o empate aos 26 min, com Vinícius. A virada se deu aos 35 min, dos pés de Fábio Santos. O árbitro O boliviano Gery Vargas não marcava qualquer falta, deixando o jogo correr. Mas, nas faltas mais ríspidas, ele não economizava no cartão. Foi o que aconteceu com Óscar Hernández, amarelado duas vezes e, consequentemente, expulso. Torcida Pediu raça antes, se irritou com os erros infantis da equipe na segunda etapa, inclusive vaiando o time na volta do segundo. Mas, como é de costume, ela acreditou na virada, apoio e foi fundamental na virada. Curiosidade Quando a bola rolou no Mineirão, o Zamora tinha acabado de encerrar o jogo contra o Deportivo La Guaira, na Venezuela, pelo campeonato local. O time alternativo foi goleado por 4 a 0. Próximos jogos No próximo domingo, o Atlético briga por uma vaga na final do Campeonato Mineiro diante do Boa Esporte, às 16h, no Mineirão. O primeiro jogo ficou 0 a 0 e o Galo se classifica com um novo empate. Pela Libertadores, já tem jogo na outra quarta-feira, contra o Cerro Porteño, no Paraguai. Fonte: O Tempo
Cruzeiro surpreende e contrata atacante Pedro Rocha

‘É cabuloso’: Pedro Rocha responde publicação feita pelo Cruzeiro no Instagram. “Sou cabuloso ou não?”, questionou o perfil da Raposa na postagem em que oficializou a contratação do atacante. O jogador respondeu: “É cabuloso”, seguido de emojis da Raposa e com as cores do clube. Revelado pelo Grêmio, velocista de 24 anos, que pertence ao Spartak Moscou, firma contrato por empréstimo válido até o final da temporada O Cruzeiro acertou com o Spartak Moscou, da Rússia, o empréstimo do atacante Pedro Rocha, de 24 anos, até dezembro. Atacante do Grêmio em grande parte da campanha que deu ao Tricolor o troféu da Libertadores de 2017, Pedro Rocha é sonho antigo da diretoria do Cruzeiro. Em julho de 2018, o agente do jogador chegou a revelar ao Superesportes uma oferta do clube celeste ao Spartak. Na ocasião, a negociação não caminhou pelos valores exigidos pelos russos. Já em 24 de janeiro, o vice-presidente de futebol Itair Machado admitiu que o clube buscava viabilizar os valores para reforçar o setor de ataque do Cruzeiro. Na ocasião, além de Pedro Rocha, ele citou Keno, ex-Palmeiras e hoje no Pyramids, do Egito. “Confesso que estamos atentos ao mercado. A gente só não traz o Keno e o Pedro Rocha agora por causa do número. A gente, inclusive, está tentando viabilizar esse número. Para você contratar, você precisa primeiro do dinheiro”, afirmou. O Cruzeiro só poderá inscrever Pedro Rocha na Libertadores a partir das oitavas de final. Nessa fase, a Conmebol permite até cinco modificações da lista original. Renato Kayzer, relacionado com a camisa 22, não faz mais parte do elenco celeste, já que foi emprestado à Ponte Preta até dezembro. Conhecido pelas características de habilidade e velocidade, Pedro Rocha foi importante nos títulos do Grêmio na Copa do Brasil de 2016 e na Copa Libertadores de 2017. No torneio nacional, ele marcou dois gols no primeiro jogo da decisão, contra o Atlético, no Mineirão (vitória por 3 a 1). Já pela competição continental, contabilizou quatro tentos em seis partidas, antes de ser vendido ao Spartak Moscou por 12 milhões de euros (R$ 45 milhões), no fim de agosto de 2017. Com a camisa tricolor, Rocha conseguiu números expressivos para um atacante que se posiciona nos extremos de campo: 32 gols e 19 assistências em 126 jogos. No Spartak, que investiu pesado em sua contratação, o jogador balançou a rede apenas uma vez em 17 apresentações. Ficha de Pedro Rocha Nome: Pedro Rocha Neves Data de nascimento: 01/10/1994 Local: Vila Velha-ES Altura: 1,78m Clubes: Juventus-SP (2013), Grêmio (2015 -2017), Spartak Moscou (2017-2019), Cruzeiro (desde 2019) Títulos: Copa do Brasil 2016 e Copa Libertadores 2017 Fonte: Superesportes
O dia em que Reinaldo marcou um gol contra a ditadura militar

Há 40 anos, na Copa da Argentina, o atacante que comemorava gols com punho cerrado desafiou o comando do regime militar Reinaldo repete o gesto do punho cerrado em frente ao Mineirão.PEDRO SILVEIRA Era o gol de empate do Brasil. Foram poucos segundos para tomar uma decisão importante: erguer o braço direito, com o punho cerrado, ou “deixar pra lá”? Aos 21 anos, Reinaldo Lima, mineiro de Ponte Nova, já era o craque do Atlético-MG. Chegou à Copa do Mundo de 1978 como camisa 9 da seleção brasileira, que estreou no torneio em 3 de junho daquele ano, contra a Suécia, em Mar del Plata. O time escandinavo abriu o placar. Mas, aos 45 minutos do primeiro tempo, Toninho Cerezo cruzou da direita, Reinaldo se antecipou ao zagueiro Roy Andersson e empurrou para as redes. O ato que se seguiu ao gol foi encarado como uma afronta aos governos militares espalhados pela América do Sul. Uma decisão por impulso. Mas também por rebeldia. Inspirado no movimento dos Panteras Negras e na dupla John Carlos e Tommie Smith, os atletas negros americanos que protestaram contra o racismo na Olimpíada de 1968, Reinado comemorava seus gols com o punho em riste. “No meu caso, era um gesto socialista, em protesto pelo fim da ditadura”, conta. Ele já havia acirrado sua postura combativa ao regime militar no Brasil três meses antes da Copa, quando alegou ter sido impedido de disputar a final do Campeonato Brasileiro diante do São Paulo por causa de uma punição manobrada entre cartolas e o Governo. Naquela época, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD, atual CBF) era comandada por militares, sob a presidência do almirante Heleno Nunes. Reinaldo foi suspenso após julgamento por uma expulsão que acontecera no mês anterior. O centroavante, que não era visto com bons olhos por Nunes e seus subordinados, se convenceu de que o regime estava por trás da suspensão e passou a ser ainda mais crítico à ditadura. Por ter seu inconfundível talento reivindicado na Copa pelo clamor popular, acabou convocado pelo treinador Cláudio Coutinho, que era capitão do Exército. Antes do embarque para a Argentina, jogadores e comissão técnica da seleção foram recebidos pelo presidente Ernesto Geisel no Palácio Piratini, em Porto Alegre. Em discurso oficial, o general deixou implícita uma mensagem opressiva: “Ponham de lado os sentimentos pessoais e façam do time um conjunto que realmente possa trazer a vitória”. Ao cumprimentar Reinaldo, relata o ex-jogador, Geisel teria transmitido a ordem de forma mais clara: “Vai jogar bola, garoto. Deixa que política a gente faz”. Mais tarde, na concentração, André Richer, chefe da delegação brasileira, comunicou a Reinaldo que tanto a CBD quanto o regime militar consideravam o gesto ao celebrar os gols “revolucionário demais”. A recomendação era para que não repetisse aquele tipo de comemoração nos campos argentinos nem tecesse comentários sobre política em entrevistas. A Argentina que recebia pela primeira vez um Mundial sofria com as violentas consequências do golpe militar liderado em 1976 pelo general Jorge Videla, que, décadas depois, seria condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade cometidos durante seu Governo. Nesse contexto, a Copa tinha um enorme peso político para os argentinos. Reinaldo sabia que seu gesto repercutiria muito além do campo de futebol. Hesitou ao empatar o jogo contra os suecos. Porém, a cena do punho erguido, que durou pouco mais de dois segundos, ficou marcada como o momento mais emblemático de sua trajetória na seleção brasileira. “Quando o presidente [Ernesto Geisel] falou aquilo, eu fiquei meio assim, pensativo. Mas, na hora que fiz o gol, não teve jeito. Levantei o braço, não resisti… E aí já era.” Depois do jogo, no hotel da seleção, Reinaldo lembra ter recebido um envelope anônimo da Venezuela. Era, segundo ele, um documento com informações em espanhol sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek em um acidente de carro, dois anos antes. Se deu conta, então, de que poderia estar no radar da Operação Condor, aliança entre ditaduras sul-americanas para perseguir opositores dos regimes militares. “Fiquei aterrorizado, mas não contei a ninguém a respeito do documento”, diz o ídolo atleticano, que foi barrado do time titular por Coutinho depois do empate com a Espanha. Tinha problemas físicos desde a preparação para a Copa. Treinava de calças compridas para esconder o inchaço no joelho. Mas acredita ter ido para a reserva por determinação do almirante Heleno Nunes, que, após o duelo contra os espanhóis, cobrou publicamente da comissão técnica mexidas na equipe. O Brasil avançou até a segunda fase do Mundial. Para se classificar à final, dependia que o Peru não fosse goleado pela Argentina. Os donos da casa venceram por 6 a 0, em uma partida cercada pela suspeita de suborno aos peruanos. Minutos antes do apito inicial, Videla adentrou o vestiário dos visitantes, deixando encabulados os jogadores que vestiam o uniforme. Nenhum deles jamais admitiu ter recebido dinheiro para entregar o jogo, mas alguns justificariam, nas décadas seguintes, que o encontro com o general teria desestabilizado a equipe. “Aquilo foi um desrespeito ao futebol”, afirma Zico, que, assim como Reinaldo, também perdeu a posição no time brasileiro durante a Copa. “Tanto que o povo do Peru recebeu sua seleção arremessando moedas.” “O corpo fascista do país começou a me minar. Não só moralmente, mas com assédio de todo o tipo. Falavam que eu era cachaceiro, maconheiro, viado. Fui massacrado sozinho” No fim das contas, Videla e todo o governo militar argentino festejaram o primeiro título mundial, conquistado em cima da Holanda. Já Reinaldo tão cedo não encontraria motivos para comemorar novamente. Mal retornou ao Brasil e pegou um avião em direção aos Estados Unidos, onde voltou a operar o joelho. Aproveitou o período de recuperação para entregar o documento que havia recebido na Argentina ao cantor e compositor Gonzaguinha, outro desafeto da ditadura, que morreu em 1991 sem nunca ter revelado ao amigo jogador o destino do material contido no envelope. Geisel, o general que apertou sua mão antes da Copa e o aconselhara a
Ditadura e futebol mineiro: histórias de luta, poder e censura seguem vivas

– DITADURA MILITAR – 55 anos depois – Ex-jogadores, ídolos, jornalistas e historiadores relembram como os anos de chumbo influenciaram o principal esporte de Minas Gerais entre 1964 e 1985 Há exatos 55 anos, em 31 de março de 1964, o Brasil começou a viver sob o regime militar com o general Castelo Branco assumindo o comando depois da deposição de João Goulart. Foi um período de forte repressão e limitação de liberdades que durou até 1985, com a eleição indireta de Tancredo Neves à presidência da República. Nesse cenário, o futebol nacional se tornou uma das plataformas utilizadas como propaganda da ditadura. Em Minas Gerais, não foi diferente. De forma direta ou indireta, envolveram-se e foram envolvidos nesse ambiente grandes ídolos, clubes, Federação Mineira de Futebol (FMF) e o próprio Mineirão. “A criação da Loteria Esportiva, em 1970, do Campeonato Brasileiro, em 1971, e a nomeação do Marechal Heleno Nunes para a presidência da Confederação Brasileira de Desportos (CBD, antiga CBF), em 1975, são fatos que demonstram que o futebol se tornou um campo de distensão do poder dos militares”, relata o professor Euclides Couto, pós-doutor em história pela Universitat Ramon Llull, de Barcelona. Segundo o pesquisador, a primeira vez em que a ditadura se fez perceber no futebol de Minas Gerais foi na nomeação do coronel José Guilherme Ferreira, em 1966, para a presidência da FMF. O mandatário recém-empossado era chefe do Gabinete Militar e braço direito do então governador Magalhães Pinto, homem-forte do regime no estado e que até hoje dá nome ao Mineirão. Reinaldo e a resistência Reinaldo durante comemoração pelo Atlético com punho cerrado (Foto: Arquivo EM)O punho cerrado erguido a cada comemoração de gol fazia explodir em alegria milhares de torcedores do Atlético no Mineirão durante os anos 1970 e 1980. Ídolo maior do clube, Reinaldo não era apenas a referência de uma geração. Por meio de um gesto aparentemente simples, o ex-jogador sintetizava a resistência ao golpe militar. “Meu gesto era um alento aos socialistas, um sinal de apoio e unidade perante uma causa”, explicou, em trecho publicado na biografia Punho Cerrado. O ano de 1978 foi marcante para Reinaldo. As grandes atuações no Atlético o garantiram na lista de convocados pelo capitão do Exército e técnico da Seleção Brasileira, Cláudio Coutinho, para a Copa do Mundo na Argentina. O ativismo político, entretanto, incomodava o poder. Ainda no Brasil, o jogador relata no livro um encontro com Ernesto Geisel, no qual recebeu um recado bem claro: “O general, com sua farda verde-oliva, disse que eu jogava muito bem, mas que eu não deveria falar de política porque disso eles cuidavam. Tudo isso em um tom imperativo e firme”. As advertências seguiram quando André Richer, chefe da delegação, pediu o fim da comemoração com o punho cerrado, conta Reinaldo. A tentativa de inibi-lo não funcionou. Na Argentina – que também vivia em regime ditatorial –, o atacante marcou, como de praxe, e não hesitou ao erguer o punho. Nos jogos seguintes, amargou o banco de reservas. Daí em diante, as perseguições – seja na Seleção, seja por parte da CBD nas campanhas de vice-campeonato brasileiro do Atlético, em 1977 e 1980 – continuaram. De “revolucionário”, Reinaldo passou a ser associado às drogas e ao alcoolismo. A amizade com o radialista Tutti Maravilha, assumidamente homossexual, ainda repercutiu negativamente numa sociedade homofóbica. “Transar com o Tutti, minha gente, seria o mesmo que cometer um incesto. Se saio à noite com mulheres, sou boêmio. Se não saio, sou viado. O que fazer?”, ironizou o ex-jogador, em entrevista à Revista Placar, em 1981. Em 1982, Reinaldo ficou fora da Copa do Mundo da Espanha após atritos com o técnico Telê Santana. Leia a matéria completa do Superesportes AQUI