Torcedores do Rio de Janeiro lançam manifesto contra Bolsonaro

 “Devemos preservar traços fundamentais da nossa cultura, aquela fundada sobre cimento, a cultura de arquibancada”, diz trecho do manifesto assinado por torcedores de seis clubes do Rio  – Torcedores de coletivos e grupos progressistas de clubes de futebol do Rio de Janeiro lançaram um manifesto em defesa da democracia e contra a candidatura do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Assinam torcedores dos quatro grandes, Fluminense, Flamengo, Botafogo e Vasco, além de América e Bangu. “Partimos da premissa que, enquanto classe, devemos defender e lutar por nossos direitos, os quais são levados ao esquecimento com frequência. Devemos preservar traços fundamentais da nossa cultura, aquela fundada sobre cimento, a cultura de arquibancada”, diz um trecho do manifesto. No final, eles afirmam repudiar Bolsonaro e declaram apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT). Confira o manifesto na íntegra: Manifesto de torcidas e torcedores/as em defesa da democracia Nós, torcedores e torcedoras cariocas, ligados às torcidas organizadas e coletivos de torcedores/as que representam os clubes do Estado do Rio de Janeiro ou simplesmente apaixonados/as pelo futebol e unidos/as por um ideal comum: a manutenção do Estado democrático de Direito, isto é, a defesa dos direitos humanos, a garantia de que os governantes respeitem a vontade popular, a proteção jurídica a todos/as os/as cidadãos/ãs com base na Constituição, apresentamos este manifesto contra a candidatura que representa iminente ameaça a estes valores e à cultura do futebol. Acreditamos que representamos aqueles/as que fazem da arquibancada um espaço democrático e uma celebração da alegria, que não se curvam e nem se curvarão à elitização do futebol (ingressos caros, jogos em horário incompatível com a realidade dos trabalhadores/as, entre outras ações com este fim), tampouco ao machismo e assédio contra a mulheres, nem à criminalização das torcidas e movimentos populares. É preciso refutar com firmeza a mentira de que futebol e política não se misturam. Essa ideia é usada por aqueles que tentam, a todo custo, apagar a memória viva da população brasileira. Não nos esqueçamos jamais que da arquibancada lutamos e resistimos nos tempos mais difíceis da história desse país. Nossas torcidas organizadas, genuínas representantes da paixão de torcer surgiram, em grande parte, no auge da ditadura militar iniciada em 1964. Infelizes são aqueles que colocam sob sombras a importante relação entre futebol, torcedor/a e política. Desejamos, por meio deste movimento, contribuir para o resgate da origem popular, progressista e de resistência que caracteriza essas torcidas! Por isso, ressaltamos que a ascensão do discurso de ódio fomentado por um candidato ao cargo de Presidente da República, aliada ao alarmante número de homens e mulheres que apoiam e propagam suas ideias, ensejou que nos mobilizássemos para a criação deste documento. Ocupando o lugar de torcedores/as, minoria em muitas vezes marginalizada e desvalorizada, temos a obrigação de resistir a qualquer postura autoritária que fere nossa existência, seja nos estádios, seja no dia-a-dia. Afinal, as minorias não precisam escolher entre se curvar ou desaparecer. Elas podem, unidas, lutar contra a opressão e manterem-se vivas! Partimos da premissa que, enquanto classe, devemos defender e lutar por nossos direitos, os quais são levados ao esquecimento com frequência. Devemos preservar traços fundamentais da nossa cultura, aquela fundada sobre cimento, a cultura de arquibancada. Devemos, deste modo, dizer NÃO a qualquer postura ou discurso que coloque em risco a diversidade, as nossas formas de expressão nos estádios (com bandeiras, faixas, bateria, cantos, hinos, etc), a participação de crianças torcedoras nos estádios pela falta de infraestrutura e uma sociedade culturalmente rica. Ademais, ser omisso diante de propostas que atacam impiedosamente direitos e garantias das minorias, da massa trabalhadora assalariada e inclusive de nós, torcedores/as, é compactuar com o massacre cultural que está por vir. Afinal, será consumada a intenção de enterrar a paixão de torcer junto às memórias e cinzas de um passado de ouro, de luta popular. Passado esse que poderá ser apagado, junto à derrubada da nossa democracia, tão recente, simbólica e, ao mesmo tempo, frágil em tempos de crise, quando o discurso de cunho fascista, baseado na crença da superioridade de um ser humano sobre o outro, no ódio ao diferente e submissão do povo a um líder autoritário que ganha força. Convidamos, a partir desse manifesto, que todos os torcedores e torcedoras que valorizam a cultura pela qual se unem, que sabem quão preciosa e importante é a democracia para construção de um Estado igualitário, estável e soberano, sejam, daqui em diante, pilares na luta pela preservação do Estado democrático, construído por tanta luta, suor e sangue. É preciso resistir ao fascismo e lutar em favor da democracia. Por isso, repudiamos a candidatura de Jair Bolsonaro e apoiamos a chapa Fernando Haddad e Manuela D’Ávila à Presidência da República. Paz entre nós, resistência ao fascismo! Assinam este Manifesto: ANARCOMUNAMÉRICA ANATORG CASTORES DA GUILHERME COLETIVO CHICO GUANABARA COLETIVO POPULAR ALVINEGRO COMUNA RUBRO NEGRA ESQUERDA RUBRO NEGRA ESQUERDA VASCAÍNA FLAMENGO ANTIFASCISTA FLAMENGO DA GENTE FLUMINENSE ANTIFASCISTA FLUMUNISTAS FRENTE INTERNACIONALISTA DOS SEM TETO INSTITUTO HENFIL MENGÃO FORO ANTI-GOLPISTA MULHERES DE ARQUIBANCADA RESISTÊNCIA RUBRO NEGRA TORCEDORES PELA DEMOCRACIA TRICOLORES DE ESQUERDA VASCAÍNAS CONTRA O ASSÉDIO

Flamenguistas e Colorados engrossam torcidas contra Bolsonaro

 – Depois dos corintianos da Gaviões da Fiel, dos santistas da Torcida Jovem e de torcedores palmeirenses lançarem manifestos contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) à Presidência da República, torcedores do Flamengo (RJ) e do Internacional (RS), também demonstram e aumentam o coro contra o representante da extrema-direita, que até agora lidera as pesquisas de intenção de voto. “A torcida do Flamengo é a mais popular do país. Ela abrange todos os segmentos sociais, desde homens e mulheres, brancos e negros, jovens e idosos, pobres e ricos. Representamos o povo brasileiro na sua essência. Nesse sentido, é inaceitável qualquer declaração preconceituosa manifestada por Bolsonaro e seu vice, Mourão, sobretudo ao que tange a população mais pobre, negra e as mulheres, mães e avós”, inicia seu comunicado o coletivo Flamengo Antifascista. O manifesto ressalta também que o programa de governo do candidato “significa empurrar mais ainda a população mais pobre para a miséria, destruindo a frágil estrutura de assistência social existente no país” lembrando que a mesma plataforma neoliberal aplicada na Argentina por Maurício Macri está levando o país vizinho a “uma crise social sem precedentes.” Por sua vez, torcedores colorados tomaram a iniciativa de também lançar um manifesto, na quarta-feira (19) repudiando declarações e o perfil autoritário de Bolsonaro: “o que chama a atenção é que o candidato que lidera as pesquisas é recorrente em declarações preconceituosas e demonstra o maior desprezo pela democracia”, afirma o coletivo Inter Antifascista. Sem citar propostas de governo, o comunicado lembra que o time do Internacional foi fundado e, em seus primeiros anos, jogou num bairro de maioria negra, próximo a comunidades quilombolas de Porto Alegre, o que lhe deu origem à alcunha de “Clube do Povo”. “É uma incoerência que um colorado, que conhece e admira a história de seu clube, apoie um candidato que coleciona episódios de racismo”, alerta. O movimento de torcidas organizadas de alguns dos principais clubes de futebol do país ganhou força depois que, também na última quarta-feira, o presidente da Gaviões, Rodrigo Gonzalez Tapia, o Digão, manifestou-se contra Bolsonaro em suas páginas nas redes sociais. Ele afirmou que os associados apoiadores do candidato da extrema-direita “podem se retirar da torcida”. Leia a íntegra das notas de flamenguistas e colorados em repúdio à candidatura Bolsonaro-Mourão: FLAMENGUISTAS CONTRA BOLSONARO! A torcida do Flamengo é a mais popular do país. Ela abrange todos os segmentos sociais, desde homens e mulheres, brancos e negros, jovens e idosos, pobres e ricos. Representamos o povo brasileiro na sua essência. Nesse sentido, é inaceitável qualquer declaração preconceituosa manifestada por Bolsonaro e seu vice, Mourão, sobretudo ao que tange a população mais pobre, negra e as mulheres, mães e avós. Ao se referir a essa parcela considerável das famílias brasileiras de maneira jocosa e desrespeitosa, consideramos tal atitude uma afronta a torcida do Flamengo, maioria absoluta no Rio de Janeiro e no Brasil. Para além dessas questões, entendemos que as propostas econômicas dessa candidatura fascista a presidência da República significa empurrar mais ainda a população mais pobre para a miséria, destruindo a frágil estrutura de assistência social existente no país. As privatizações e corte orçamentários, propostos por Paulo Guedes, significa aprofundamento das políticas neoliberais que foram implementadas por Temer, no Brasil, e por Macri, na Argentina, promovendo uma crise social sem precedentes. Ou seja, Bolsonaro é continuação mais aprofundada da política nefasta que vigora hoje contra a classe trabalhadora. Conclamamos as torcidas organizadas do Clube de Regatas Flamengo a resgatarem suas origens de resistência aos ataques ao povo, sobretudo durante a ditadura militar, ao defender a democracia e os direitos da classe trabalhadora, sob pena de todos nós, torcedores organizados ou não, sermos engolidos pela miséria e caos social propostos por esse nefasto programa de governo. #ELENAO #ELENUNCA Fla-antifa TORCEDORAS E TORCEDORES DO CLUBE DO POVO: NENHUM VOTO EM BOLSONARO No cenário atual temos candidatos dos mais variados espectros políticos distribuídos entre as intenções de voto. Esquerda e direita. Progressistas e conservadores. Assalariados e burgueses. É da democracia. No entanto, o que chama a atenção é que o candidato que lidera as pesquisas é recorrente em declarações preconceituosas e demonstra o maior desprezo pela democracia. O Internacional se destacou desde cedo na sua história pela participação de jogadores negros em campo e entre seus torcedores. Também, o clube foi fundado e jogou os primeiros anos num bairro de maioria negra e próximo a comunidades quilombolas. A alcunha de Clube do Povo não veio por acaso. Desde essa época, insultos racistas são dirigidos ao Inter e a sua torcida pelos seus rivais. É uma incoerência que um colorado, que conhece e admira a história de seu clube, apoie um candidato que coleciona episódios de racismo. Ele declarou em 2011 na Band que seus filhos não se apaixonariam por uma mulher negra “porque foram muito bem educados”. Nessa mesma oportunidade, classificou um relacionamento de um homem branco com uma mulher negra como “promiscuidade” (1). Ainda em 2011, devido a repercussão negativa dos comentários feitos por Bolsonaro, um grupo de neonazistas organizou um ato em defesa do candidato, reunindo por volta de quarenta pessoas (2). Em entrevista à revista Época, assumiu-se preconceituoso: “Sou preconceituoso, com muito orgulho” (3). Mais recentemente, Bolsonaro foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (4) e pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (5) pelo forma racista que se referiu a comunidades quilombolas, tratando-os como animais. A denúncia prevê pena de até 3 anos de prisão e multa de R$ 400 mil. Pela nossa história, repetimos: NENHUM VOTO EM BOLSONARO! Inter Antifascista

Palmeirenses unem-se a Corintianos e Santistas contra Bolsonaro

 – Depois de duas torcidas organizadas do Corinthians e do Santos, a Gaviões da Fiel e a Torcida Jovem do Santos, posicionarem-se contra Jair Bolsonaro, um grupo de torcedores e quatro coletivos do Palmeiras lançarem neste sábado (22) o manifesto “Palmeirenses contra o fascismo” em que repudiam o apoio de outros torcedores ao candidato de extrema direita. No texto, os palmeirenses afirmam: “não podemos tolerar a ameaça às instituições democráticas e os posicionamentos de teor racista, xenofóbico, machista e homofóbico”. O manifesto é assinado por mais de 60 torcedores, entre eles Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-presidente e atual conselheiro do clube, pelo neurocientista Miguel Nicolelis, por artistas como Maria Gadu, João Gordo e Wilson Simoninha, pelo jornalista William De Lucca, do 247, entre outros, além dos coletivos Porcominas, PorComunas, Palmeiras Livre e Palmeiras Antifascista. Leia: Em virtude de acontecimentos recentes envolvendo a imagem pública da Sociedade Esportiva Palmeiras, nós, palmeirenses abaixo assinados, expressamos publicamente nosso repúdio às posturas e declarações preconceituosas, antidemocráticas e fascistas. Nosso clube foi fundado em 26 de agosto de 1914 por trabalhadores imigrantes, e rapidamente tornou-se uma das equipes mais populares da cidade de São Paulo, atraindo grande público em seus jogos e contrapondo-se às agremiações tradicionais da elite paulistana. Ao mesmo tempo em que o Palestra Itália chamava a atenção da imprensa da época por sua torcida essencialmente popular, as vitórias em campo foram consolidando o clube como força importante do futebol paulista e brasileiro. Em 1942, por pressão do governo durante a Segunda Guerra Mundial, o clube foi obrigado a mudar seu nome, tornando-se a Sociedade Esportiva Palmeiras. Apesar das ofensas e ataques xenofóbicos que recebia por sua origem imigrante, o Palmeiras já era profundamente diversificado na composição de seu time e torcida, assim como o povo brasileiro. De “time dos italianos” passou a ser o time de todas e todos. São razões históricas, portanto, as que nos motivam neste posicionamento público contra a onda fascista que se ergue e a sua nefasta representação eleitoral. Respeitamos a coexistência democrática de opiniões e posicionamentos políticos variados; mas não podemos tolerar a ameaça às instituições democráticas e os posicionamentos de teor racista, xenofóbico, machista e homofóbico. Não podemos tolerar discursos de ódio dirigidos a grupos historicamente oprimidos. A trajetória da Sociedade Esportiva Palmeiras é uma trajetória de acolhimento à diversidade destes grupos. #EleNão #EleNunca Alessandro Buzo, escritor e diretorAmanda Ramalho, radialistaDiana Bouth, atriz e apresentadoraJoão Gordo, músico e apresentadorMaria Gadu, música e compositoraMarco Ricca, atorMiguel Nicolelis, neurocientistaNádia Campeão, foi vice-prefeita do município de São PauloSoninha Francine, vereadora do município de São PauloWilson Simoninha, músicoAldo Rebelo, chefe da Casa Civil do estado de São Paulo e conselheiro da SEPLuiz Gonzaga Belluzzo, economista e conselheiro da SEPMarcos Gama, conselheiro da SEPAbner Palma, editor de vídeoAdriano Diogo, foi deputado estadual de São PauloAleksandra Franco Fernandes Silva, pedagoga da Escola Parque-RJAltamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Barão de ItararéAna Paula Spini, professora de história da UFUAndrea de Castro Melloni, Princeton UniversityAngélica Souza, publicitária, escreve no DibradorasBruno Predo, publicitárioCristiano Maronna, advogadoCristiano Tomiossi, atorCrizz, DJEduardo Roberto, jornalistaElisa Fernandes, chef de cozinhaErcílio Faria Tranjan, publicitárioFabio Passetti, pesquisador do ICC/FiocruzFacundo Guerra, empreendedorFelipe Vaistman, jornalistaFernando Cesarotti, jornalistaFlávio de Campos, historiador e professor da USPGabriel Amorim, jornalistaGabriel Passetti, professor de Relações Internacionais da UFFGabriel Santoro, editorGabriel Zacarias, professor de história da arte na UnicampGlauco Roberto Gonçalves, professor da UFGOGustavo Petta, deputado estadual de São PauloIvan Marques, advogado e diretor do Instituto Sou da PazJosé Carlos Vaz, professor de gestão de políticas públicas da USPJosé Guilherme Magnani, antropólogo e professor da USPJúlia Galli O’Donnell, professora de antropologia cultural da UFRJ/IFCSLucas Afonso, MCManuel Boucinhas, atorMárcio Boaro, dramaturgo e diretor teatralMargaret Buonano, psicólogaMaria Carolina Trevisan, jornalistaMarília Velardi, professora da USPMarina Sousa, desenhista e roteirista – filha do Maurício de SousaMiguel José Minhoto, BiólogoOswaldo Colibri, jornalistaPaulo Miyada, curadorRailídia Carvalho, música e jornalistaRobson Montanholi, geógrafoRoseli Tardelli, jornalista e apresentadoraSérgio Settani Giglio, professor de educação física na UNICAMPSimão Pedro, foi deputado estadual de SP e secretário municipal de São PauloThiago Schwartz, da página Site dos MenesTiago Perrart, da página Vagas ArrombadasToinho Melodia, músico e compositorWilliam De Lucca, jornalistaColetivo PorcominasColetivo PorComunasColetivo Palmeiras LivreColetivo Palmeiras Antifascista

Rodrigo Gonzalez Tapia, o Digão avisa: Gavião não vota em Bolsonaro

 – O Blog do jornalista Juca Kfouri destaca o comunicado de Rodrigo Gonzalez Tapia, o Digão, presidente da Gaviões Fiel Torcida. Digão afirma ter visto nas redes sociais algumas mensagens de apoio de ‘gavião’ a Jair Bolsonaro. Ele diz: “ó que é o seguinte rapaziada, vocês que apoiam um cara que vai contra todas as nossas ideias e joga no lixo o nosso passado de muitas lutas, por favor, se forem seguir apoiando esse cara, repense sobre sua caminhada dentro da Torcida”. Leia a íntegra do recado do presidente da Gaviões Fiel Torcida, publicado no Blog do Juca: “Rapaziada é o seguinte… não queria entrar no debate de política, mas o que estou acompanhando nas nossas redes sociais, de Gavião apoiar Bolsonaro – fez eu vir aqui pra passar um papo reto pra vocês… vocês aceitando ou não, eu como presidente dos Gaviões, tenho que passar o que a gente carrega na nossa ideologia dentro desses quase 50 anos de história. Você que é associado dos Gaviões, sabe da história da sua Torcida? Você sabe que na nossa fundação, em 1969, vivíamos em plena Ditadura Militar? Você sabe que no período da nossa fundação tínhamos como principal objetivo derrubar um ditador dentro do nosso clube? Você sabe que os nossos fundadores sofreram muita opressão por levantar a bandeira em favor da democracia e dos direitos do povo? Sei que hoje nos Gaviões da Fiel, uma torcida com mais de 112 mil sócios, tem sócios de diversas classes sociais, da hora, cada um fez por onde pra chegar onde está… só que é o seguinte rapaziada, vocês que apoiam um cara que vai contra todas as nossas ideias e joga no lixo o nosso passado de muitas lutas, por favor, se forem seguir apoiando esse cara, repense sobre sua caminhada dentro da Torcida. Ou seja, se está no Gaviões por interesses pessoais, status, para ostentar apenas uma camisa ou se beneficiar atrás de ingresso e pagar nas redes sociais que faz parte da maior torcida do Brasil, por favor, se retirem. Pode passar lá no Vip e assinar a carta de saída. Somos uma torcida que defende os direitos do nosso povo e não podemos deixar que o nosso maior representante seja contra nós e contra tudo aquilo que lutamos”.

Acionistas da Televisa revelam a propina que a Globo pagou, por GGN

 Globo e duas emissoras pagaram US$ 15 mi de propina para transmitir Copas futuras Jornal GGN – A rede Globo de televisão volta a entrar na mira do esquema de corrupção do futebol. Uma denúncia movida por acionistas contra a Televisa, emissora mexicana, revela um acordo com a argentina Torneos e a brasileira Globo para o pagamento de US$ 15 milhões para os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030. Com as novas denúncias, que suscitam o esquema de pagamentos de propina na chamada #FifaGATE, investigada pela Corte do Brooklin, em Nova York (EUA), a Globo aumenta o seu nível de apurações que antes se restringia ao período de 2006 até 2015 para os torneios que nem sequer chegaram. Em novembro do último ano, o GGN trazia detalhes, a partir dos depoimentos prestados por cartolas e dirigentes aos investigadores norte-americanos, que a Rede Globo havia sido delatada por pagar propina diretamente pelos direitos de transmissão de jogos da FIFA no Brasil, em articulação com a argentina Torneos e também com a Televisa. Depoimentos FIFAGate Alejandro Burzaco, após depoimento nos EUA – Foto: La Nación O argentino Alejandro Burzaco, empresário e ex-diretor da Torneos y Competencias (ex TyC), foi quem trouxe as acusações mais fortes contra os grupos de televisão da América Latina. Como CEO da Torneos de 2006 a 2015, foi este o período delatado. Burzaco declarou-se culpado no final de 2015 por fraude, lavagem de dinheiro e corrupção. “Alejandro Burzaco disse que a Fox Sports, a Televisa, a Media Pro, a TV Globo, a Fill Play e a Traffic, todas as emissoras pagaram propinas em troca de direitos [para a transmissão] do futebol. (…) Ele disse que sua empresa teve parceirias com todas estas companhias [que pagaram propinas pelos direitos de transmissão] e ele, pessoalmente, está ciente do suborno”, havia narrado o jornalista da BuzzFeed, Ken Bensinger, que acompanha de perto o caso. “Testemunha num caso da FIFA disse que seis das maiores companhias de comunicação, incluindo a Fox Sports, pagaram subornos para os direitos de transmissão. (…) De acordo com Burzaco, [Ricardo] Teixeira [ex-presidente da Confederacão Brasileira de Futebol] recebeu subornos da T&T para a Copa Libertadores e a Copa Sul Americana também. A partir de 2006, ele recebeu US$ 600 mil a cada ano”, seguiu. Mas apesar de Burzaco ter mencionado a brasileira Rede Globo, a argentina Torneos e a mexicana Televisa, as apurações detalhavam até o ano de 2015. E as investigações contra os grandes grupos de televisão da América Latina apenas começavam. Livro de Blatter Foto: Marca Em maio deste ano, por exemplo, o próprio ex-presidente da FIFA denunciou que “televisão brasileira” criou uma “caixa-preta” de propina do futebol. A acusação foi publicada em seu livro Ma vérité (Minha Verdade), da editora francesa Éditions Héloïse d’Ormesson, lançado no dia 24 de maio na Europa. Entre as narrativas das 240 páginas de Blatter contando como ele via os fatos hoje deflagrados no chamado FIFAGate, as artimanhas envolvendo o seu antecessor, João Havelange, e Ricardo Teixeira, como ex-presidente da CBF, e que “descobriu” que o dinheiro de uma emissora de televisão brasileira teria sido desviado para a criação de uma “caixa-preta” no futebol. Apesar de não mencionar diretamente “TV Globo”, Blatter estava se referindo à falência da empresa de marketing esportivo ISL, que vendia direitos de transmissão de jogos e é acusada de pagar propinas incluindo aos cartolas brasileiros. Ao descrever como o caso passou a ser investigado, ainda em 2001, pelo tribunal da Suíça, abrindo um processo contra a ISL e realizando buscas na Fifa, Blatter mostrou-se surpreendido com o envolvimento da corrupção no Brasil: “Eu então descubro que uma caixa-preta foi constituída com o dinheiro desviado da televisão brasileira”, disse. Esquema continuou na América Latina Foto: Reprodução Mas as novas acusações são ainda mais graves. Porque revelam que mesmo após a deflagração do esquema de corrupção no futebol pelas autoridades suíças e norte-americano, gerando a prisão de cartolas e dirigentes esportivos por todo o mundo, os esquemas de compra de direitos de transmissão seguiram. Mas gira em torno da mexicana Televisa, após sofrer uma ação de acionistas por supostamente participar de pagamentos de propina para obter os direitos de transmissão da Copa do Mundo deste ano de 2018, de 2022, 2026 e 2030. Somente para a transmissão dos dois últimos, teriam sido pagos pelo menos US$ 7,25 milhões. Os valores, segundo as novas acusações, eram parte de um total de US$ 15 milhões. Assim, enquanto a mexicana teria investido a metade da quantia da propina, a brasileira Globo e a argentina Torneos teriam entrado com a outra metade. Os acusadores são membros do Plano de Pensões do Colégio de Artes e Tecnologia, que possui ações da Televisa na Bolsa de Valores de Nova York. Eles afirmam que foram lubridiados. Em um dos casos, em 2013, a Televisa teria conspirado com a Globo e a Torneos para pagar os US$ 15 milhões ao ex-executivo da Fifa, Julio Grondona, pelos direitos de 2026 e 2030 na América Latina. A mexicana teria usado a filiar suiça Mountrigi Management Group para o repasse ilícito de US$ 7,25 milhões. A íntegra da acusação foi divulgada por Ken Bensinger: Arquivo ecf-32-amended-complaint-for-violation-of-the.pdf

Montes Claros vai transformar áreas públicas em campos de futebol

 A Prefeitura de Montes Claros irá transformar áreas verdes, muitas delas servindo de depósito de entulho irregulares, em campos de futebol. A meta é criar nesta administração dezenas de novos campos em todo perímetro urbano. A medida faz parte da política de democratização da gestão pública implantada pelo prefeito Humberto Souto, através de ações que atendam aos anseios da população. O projeto também irá melhorar o visual da cidade e inibir a ação de quem despeja resíduos e lixo em locais inapropriados, melhorando a qualidade de vida e reduzindo as invasões em espaços públicos. A construção dos campos de futebol será feita de forma gradativa, sendo que a primeira etapa será a limpeza das áreas, com retirada do lixo e entulho. Depois serão instaladas as traves e, em algumas áreas, o cercamento dos espaços, para, em meados do mês de novembro, no início do período chuvoso, ser iniciado o plantio das placas de grama e realizado o acabamento nas áreas verdes. Sempre que possível serão instalados os equipamentos e mobiliário urbano para incentivar as práticas esportivas e melhorar a qualidade de vida da população. Com a criação destes espaços, a Prefeitura possibilitará novas oportunidades a crianças, jovens e adultos, especialmente quem reside dos bairros mais periféricos, melhorando a qualidade de vida, afastando a população de práticas ilícitas. Os moradores terão oportunidades para praticar esporte com qualidade, contribuindo na promoção do desenvolvimento social, esporte, saúde, e, principalmente, preservando o meio ambiente. Compensação – Parte dos serviços executados serão realizados utilizando recursos de compensação ambiental, disponíveis através do licenciamento ambiental de empreendimentos que se instalam no município de Montes Claros. Assim, se otimiza o uso da verba pública, realizando obras importantes para a população de forma mais rápida. Denúncias – As áreas verdes ocupadas ou com acúmulo de lixo e entulho, podem ser denunciadas pela comunidade junto ao Grupamento Tático Ambiental (153), na SEMMA (2211-3324) ou através do aplicativo Denuncie SEMMA, disponível para download em smartphones Android e IOs.https://portal.montesclaros.mg.gov.br/noticia/meio-ambiente/prefeitura-vai-transformar-areas-publicas-em-campos-de-futebol

Ex-técnico da Seleção critica Moro e diz que sempre defenderá Lula

Em entrevista a um jornalista esportivo, o ex-técnico da seleção brasileira, Vanderlei Luxemburgo, disse que sempre defenderá Lula e atacou o juiz Sérgio Moro: “Continuo sempre sendo Lula e vou sempre defendê-lo”, reafirmou Vanderlei Luxemburgo, que disse ainda que ‘Se Lula roubou, eu sou o maior idiota do mundo.’ Sobre Moro, o ex-técnico foi além e disse que “Um juiz de primeira instância jogou nossa Constituição no lixo, mandou prender, mandou matar, mandou fazer não sei o que, passando por cima de todo mundo. Ele poderia ter feito tudo o que fez, mas sem atropelar a Constituição”, avaliou o fã de Lula. Vanderlei Luxemburgo, que já foi treinador de clubes como Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro, além de ter passagens pelo Real Madrid e pela Seleção Brasileira, disse que tem ligação histórica e familiar com a esquerda e que o juiz Sérgio Moro jogou a Constituição no lixo Em entrevista a um jornalista esportivo, Luxemburgo disse que sempre defenderá Lula por ideologia. O treinador lembrou que sua mãe chamava-se Rosa de Luxemburgo em homenagem a filósofa e economista polonesa, e que seu pai e avô eram sindicalistas e foram perseguidos por serem de esquerda. Ele também criticou a atuação do juiz Sérgio Moro, que condenou o ex-presidente Lula e pediu sua prisão. “Um juiz de primeira instância jogou nossa Constituição no lixo, mandou prender, mandou matar, mandou fazer não sei o que, passando por cima de todo mundo. Ele poderia ter feito tudo o que fez, mas sem atropelar a Constituição”, criticou Luxa Ele ainda disse que o Brasil está a deriva há três anos e temos um país ‘sem respeito’. O treinador ainda reafirmou que defende Lula por ideologia. “Continuo sempre sendo Lula e vou sempre defendê-lo”, disse.

Copa do Mundo da Rússia – França assume o poder do futebol

 França é a dona da taça da Copa do Mundo da Rússia. Vai levar a Paris a peça de ouro e sustentar nos próximos quatro anos a hierarquia do futebol até que surja um novo campeão no Catar em 2022. Uma das favoritas desde que pisou em Moscou há pouco mais de um mês, seleção francesa deixa para trás gigantes adormecidos e entra no seleto grupo de quem tem mais de uma Copa na sua coleção com as conquistas de 1998 e agora em 2018. A vitória com autoridade por 4 a 2 diante da lutadora Croácia, neste domingo no estádio Luzhniki com 78 mil torcedores, simboliza o tamanho dessa França, recheada de jogadores de origem nas colônias africanas e disposta a ditar novos rumos do futebol, claro, se a concorrência não reagir. A fonte é fértil. Mbappé, 19 anos, foi eleito pela Fifa melhor jogador jovem da Copa. A derrota não estremece a Croácia, uma pequena nação de 4,1 milhões de habitantes que teve seus jogadores criados sob sofrimento, som e pânico de balas zunindo nas ruas durante a guerra dos Balcãs nos anos de 1990. É uma geração vencedora por natureza e por isso não se entregou nunca nesta Copa da Rússia até o colapso sem saída na final do Mundial. O reconhecimento da luta vem com Modric, 33 anos, eleito pela Fifa melhor jogador do Mundial. O JOGO Croatas sofreram um duro castigo no primeiro tempo. Dominadores do jogo, levaram dois gols em lances de bola parada – quase 50% dos gols desta Copa –, com direito a um deles por indicação do VAR (arbitragem de vídeo), em dois raros ataques sem compromisso da França. A derrota parcial não cabia no futebol jogado pela Croácia. Desde o início da partida se impôs com troca de passes, com soberania, procurando os cantos do campo e dali os cruzamentos na área – característica marcante deste time. Provocou calafrios nos franceses, esteve a ponto até de marcar o primeiro gol com Perisic. Postura covarde, pelo time que tem, a França aceitava de forma passiva as investidas do adversário. Plantada no seu campo, lutava para impedir as ramificações dos croatas de uma árvore da vitória. Não queria correr riscos. Griezmann e Mbappé, arco e flecha dos Le Bleus, e Pogba, carregador de bola ao campo inimigo, não ultrapassavam a linha divisória. Futebol pobre, sem luz, mas coerente com sua estratégia. Croácia não era merecedora nem mesmo dos caprichos do futebol. Mas o imponderado muitas vezes premia quem não tem direito ao presente. Como no lance em que Griezmann cai, induzido ser abatido por uma falta inexistente, e o juiz argentino confirma a falta. Griezmann bate e Mandzukic desvia contra seu próprio patrimônio: Franca 1 a 0, aos 17. A dor do gol sofrido abate os croatas por dez minutos até que, em falta recebida por Perisic, Modric levanta na área, Varsalkjo escora de cabeça, Manduzkic completa o toque, também de cabeça, Vida domina rebote e serve a Perisic, que gira e faz um golaço de canhota. Empate merecido: 1 a 1, aos 28. Gol de Perisic faz a Croácia renascer e impor sua vontade na decisão da Copa. Futebol de muita obediência tática e simplicidade. Quando tudo parecia caminhar mais fácil aos croatas, apoiados pela maioria da torcida no Luzhniki, eles levam outro castigo. Esse de doer. Em raríssimo ataque francês, um escanteio demolidor com a bola chicoteando na mão de Perisic. Pitana recorre ao VAR e marca pênalti. Griezmann bate e faz o segundo: 2 a 1 França, aos 37. Croácia deveria recomeçar sua história. A França apenas sustentar a hierarquia. Uma injustiça. Segundo tempo não havia muito a fazer por parte dos croatas. Ou aceleravam o passo em busca do empate ou a taça estaria encaminhada a Paris. O problema é que eles não poderiam abrir sua casa para Mbappé entrar. Garoto como trem-bala e de dribles desconcertantes seria um tormento nos contra-aques. Depois de dez minutos de muito pelejar, Croácia começou a sentir o peso da derrota e da diferença de um time para outro. No primeiro contra-ataque bem encaixado de Mbappé sai o gol de Pogba em jogada que ele mesmo havia iniciado: 3 a 1, aos 14. Pogba e Griezmann assumiam as rédeas do jogo. Davam velocidade na saída ao ataque e contornavam todos os problemas. Da trama deles, nasce gol de Mbappé, em bola desviada na zaga: 4 a 1. A Copa já tinha um destino. Como os croatas, arrastados até ali na final do Mundial depois de três prorrogações e muita luta, poderiam impedir avalanche francesa? Era preciso dobrar os esforços, impedir ação de Griezmaan e Pogba, dar um jeito de frear Mbappé e criar situações de gol. Ufa! Não era uma tarefa fácil. E, com 4 a 1 no lombo, pior ainda. Acontece que o goleiro Lloris, capitão francês, se descuida na saída com os pés e dá um gol de graça a Mandzukic: 4 a 2. Um sopro de vida a quem precisava de muito oxigênio e um sinal de alerta a quem gozava de boa saúde. Tempo escorre como rio de fogo à Croácia e uma correnteza calma em águas limpas a favor do França. Modric não tem mais força e cabeça. Pogba esnoba sua fonte de energia. A Copa havia acabado faz tempo. Como há um bom tempo o canto da torcida francesa fazia ecoar e estender o manto dos Bleus no Luzhniki. França se legitima bicampeã e entra no grupo imponente de seleções que têm mais de uma Copa na sua coleção – Brasil, Alemanha, Itália, Argentina e Uruguai. E confirma sua autoridade de favorita desde o dia em que pisou na Rússia há pouco mais de um mês, deixando para trás gigantes adormecidos. Paris, a nova casa do futebol.

Negros na França: enquanto uns brilham na Copa, outros são mortos pela polícia

 Moradores de Nantes atearam fogo em automóveis em protesto contra o assassinato de Aboubakar Fofana, de 22 anosCinco dos onze titulares da Seleção Francesa têm raízes na África Subsaariana. O zagueiro Umtiti é natural de Camarões. Os pais do volante Pogba nasceram em Guiné; os de Kanté, em Mali. O atacante Mbappé é filho de mãe camaronesa e pai argelino. Por Daniel Giovanaz – Brasil de Fato  Há pelo menos 20 anos, o país – que sempre teve homens brancos como chefes de Estado – depende de imigrantes negros para ser protagonista no futebol. Thuram, Desailly, Vieira e Karembeu, todos nascidos fora da Europa, carregaram o piano para o franco-argelino Zidane brilhar em 1998. A aceitação e o reconhecimento em campo nunca significaram o fim da exclusão social, da xenofobia e da violência nas ruas. Assim como os pais do volante Pogba [foto], os pais de Fofana nasceram em Guiné e emigraram para a França no final do século passado / Divulgação – FifaDos 23 jogadores convocados pelo técnico Didier Deschamps, quatro nasceram em outros países, onze são filhos de imigrantes e outros quatro têm avós não-francesesNo mesmo dia em que a França comemorava a vitória sobre o Uruguai nas quartas-de-final, mil pessoas marcharam em Nantes, a 340 km de Paris, em protesto contra o assassinato do jovem Aboubakar Fofana, de 22 anos, por um policial. Depois da manifestação pacífica, moradores atearam fogo em 50 automóveis, invadiram e depredaram vários estabelecimentos comerciais. Quatro pessoas foram detidas e passaram a noite na delegacia. O agente policial, autor do disparo que acertou o pescoço de Fofana na terça-feira (3), não teve seu nome revelado à imprensa, mas cumpre prisão preventiva desde o dia 5. Na primeira vez que foi interrogado, ele disse ter agido em legítima defesa. Menos de 48 horas depois, mudou a versão e declarou que o tiro foi “acidental”. Por intermédio do advogado Loïc Bourgeois, a mãe e irmã de Fofana acusaram a polícia e a imprensa de manchar a honra da família, ao colocar em evidência o passado judicial da vítima. Filho de pais nascidos em Guiné, Fofana é negro e tinha um mandado de prisão por roubo e associação a criminosos. Guiné é uma ex-colônia francesa na África Ocidental, independente desde 1958, e tem o sexto pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planetaHistórico perverso Um dos grupos que organizou protestos pacíficos contra a morte de Fofana é a Brigada Anti-Negrofobia. Os integrantes do movimento interpretam que a cor da pele e a origem social do garoto foram decisivos para que o disparo fosse efetuado. A hipótese de crime racial encontra respaldo em um histórico recente de violência policial contra jovens negros na França. O caso mais emblemático aconteceu em 2005, quando dois adolescentes foram eletrocutados enquanto se escondiam da polícia em uma subestação elétrica. Foram três semanas de protesto em várias regiões do país, com dez mil carros queimados em um único dia. Os incêndios chamaram a atenção do mundo para a “favelização” dos subúrbios das grandes cidades francesas – bairros sem infraestrutura de serviços, com prédios construídos há mais de 50 anos, onde vivem mais de 10% da população do país, inclusive Fofana e sua família. Fofana é regra, Pogba é exceção Os craques da Seleção Francesa com ascendência africana foram gestados em bairros com indicadores sociais semelhantes. O jovem Mbappé nasceu e cresceu em Bondy, distrito de 50 mil habitantes a 12 km de Paris, local de grande concentração de imigrantes da África e Ásia. As condições de moradia, educação e saúde são precárias, e o esporte é vendido como a única forma de ascensão social. Lagny-sur-Marne, comuna de 21 mil habitantes no interior de Paris também assolada pela pobreza e pela violência urbana, foi onde o volante Pogba passou a infância. Os pais do ídolo do Manchester United – assim como os pais de Fofana – deixaram Guiné no início dos anos 1990, em um movimento migratório que ficou conhecido como “crise de refugiados”. A maioria dos pedidos de exílio que a França recebe vêm de cidadãos de ex-colônias na África, que falam o idioma francês e desejam escapar das mazelas ou das guerras civis, produto da partilha irresponsável do continente pelas potências europeias. Além de Guiné, outros 19 países se declararam independentes da França entre as décadas de 50 e 70. Três deles estão entre os cinco piores IDH do mundo: Chade, Níger e Burkina Faso. Segundo reportagem da revista Carta Capital, até o ano passado a França havia negado 72% das solicitações de exílio – uma das taxas de rejeição mais altas do planetaFofana poderia ser Pogba. Com um punhado a mais de oportunidade, talento, sorte, sabe-se lá o que lhe faltou. E o policial, que certamente admira Pogba, não poderia ter atirado em Fofana. Mas atirou. O incêndio que se alastrou Nantes em plena Copa não permite ilusões. Fofana é regra, Pogba é exceção. E a França só aplaude os excepcionais.

Não dá pra pensar que é “só futebol” o que estará em campo no domingo

 Na Rússia que derrotou o nazismo vai à final um time com clara presença de fascistas xenófobos. É terrível.  Confesso que fico com o coração apertado. Será um impacto ver os times de França e Croácia alinhados em campo no domingo.  * Por Mauro Lopes De um lado, um time que é uma bela colcha de retalhos multicor, com jogadores filhos de migrantes que comeram o pão que o diabo amassou, mas fizeram sua vida na França, um time que sofre, mas enfrenta, a oposição dos racistas de Le Pen. Do outro, só brancos, um time povoado de fascistas. A presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovic, tem feito sucesso nos estádios russos ao acompanhar o time envergando roupas quadriculadas, a estampa do uniforme número um da seleção. As TVs fazem a festa com as imagens de Kitarovic. Mas não informam que ela, ex-alta funcionária da OTAN, foi eleita em 2015 numa aliança de seu partido, a União Democrática Croata, com outros sete partidos de direita e de ultradireita, derrotando o candidato social-democrata. O primeiro-ministro do país, Andrej Plenković, fez manifestações expressas de solidariedade ao general Slobodan Praljak, que se suicidou logo de pois de ser condenado em 2017 por bárbaros crimes de guerra em Haia. Está bem que a França não é o paraíso: que o digam os argelinos, que o digam os operário em luta contra o neoliberalismo, que o digam os migrantes em resistência contra a Frente Nacional de Marie le Pen. Macron não é um homem de esquerda (já foi), hoje trafega na direita conservadora neoliberal no espírito dos democratas americanos da ala de Hillary Clinton, representantes do capital financeiro globalizado. Mas na França ainda há democracia, mesmo alquebrada, ainda há espaço para a afirmação da liberdade, e sua seleção é o avesso do racismo de fundo nazista. O fascismo entre os jogadores da seleção croata não é repudiado pela mídia, governo ou por entidades do país, exceto uma minoria vinculada aos direitos humanos. Para as elites locais, o passado nazifascista do país é visto como parte da formação do atual Estado Croata, não existindo um sentimento público de repulsa. Os jogadores croatas, poucos dias atrás, depois da vitória contra a seleção da Argentina, gravaram e espalharam nas redes, orgulhosos, um vídeo cantando a música Bojna Cavoglave, uma canção nacionalista e xenófoba, que faz apologia da ajuda da Croácia aos nazifascistas na Segunda Guerra. E isso, repito, no solo da nação que impediu o mundo cair diante do absurdo nazista. Não dá pra pensar que é “só futebol” o que estará em campo no domingo. * Mauro Lopes é jornalista e editor do 247