Segundo maior mineroduto do mundo pode ser construído no Norte de Minas

– Empresas desejam implementar maior barragem de rejeitos do país e mineroduto com 482 km de extensão – Por Raíssa Lopes – Brasil de Fato Mais um empreendimento de mineração poderá tomar uma grande parte de Minas Gerais. O projeto é da empresa de capital chinês Sul Americana de Metais (SAM), que tenta implementar o negócio na região do Vale das Cancelas, Norte do estado, desde 2010. Anteriormente, o plano era conhecido como Projeto Vale do Rio Pardo e foi negado pelo Ibama por inviabilidade ambiental. Este projeto previa a construção de um complexo minerário (com barragens de rejeito e de água, mina, usina de tratamento de minério, etc.) e um mineroduto de 482 km que transportaria minério por 20 municípios até chegar em Ilhéus, na Bahia, de onde o produto seguiria para a China. Com o veto do Ibama, a SAM reformulou o projeto, que hoje se chama Bloco 8, retirando o mineroduto da proposta. O mineroduto, no entanto, ainda tem previsão de ser construído e de acordo com o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) do Bloco 8, por uma “empresa independente”. Porém, movimentos sociais denunciam que a empresa encarregada da construção do mineroduto, Lotus Brasil Comércio e Logística LTDA, é sócia da SAM. O desmembramento do projeto configuraria, então, uma estratégia da empresa para conseguir licenciamento para os dois empreendimentos, o complexo minerário e o mineroduto. Outra denúncia é de que os projetos não teriam nada de diferente do que constava no não aprovado Vale do Rio Pardo. “A empresa reformulou esse projeto e retirou o mineroduto para licenciar a cava no governo de Minas, através da Superintendência de Projetos Prioritários [SUPPRI], e deixar o mineroduto para o Ibama. Como o mineroduto passa por dois estados [Minas/Bahia], só poderia ser licenciado pelo Ibama, que é um órgão federal”, explica Felipe Soares, do Movimento dos Atingidos Por Barragens (MAB). Felipe esclarece que se a cava conquista o licenciamento, a construção do mineroduto se torna indispensável. “Assim eles pressionam o Ibama, porque depois da cava é preciso escoar o minério de alguma forma, e a forma pensada por eles é o mineroduto”. Números do Bloco 8 e Vale do Rio Pardo O Bloco 8 construiria a maior barragem de rejeitos de todo o Brasil e uma das maiores da América Latina. O projeto estará localizado nos municípios de Grão Mogol, Padre Carvalho, Fruta de Leite e Josenópolis. Segundo estudo do MAB e da Comissão Pastoral da Terra (CPT-MG), seriam 2596 hectares de barragem e aproximadamente 1,5 bilhão de toneladas de rejeito de minério armazenadas. Já o mineroduto só perderia em extensão para o maior do mundo, o Minas-Rio da Anglo American, que tem 529 km. Além disso, o complexo minerário consumiria 6,2 milhões de litros de água por hora na região, que sofre com a seca. A Sul Americana de Metais já possui uma outorga – ou seja, o direito de uso – da Agência Nacional das Águas (ANA) que lhe permite retirar 54 milhões de m³ de água por ano da barragem de Igarapé, construída no rio Jequitinhonha, para utilizar no projeto. Essa quantidade seria suficiente para abastecer por dois anos a cidade mineira de Montes Claros, onde moram mais de 400 mil pessoas. “As comunidades do Vale das Cancelas vivem um problema sério de acesso à água, até para o consumo. E a empresa está falando para o povo que a mineração vai proporcionar água contra a seca. Eles não esclarecem pra população qual o objetivo real desse projeto. A única coisa que consta no documento é que parte da água vai ser destinada ao governo e caberá ao Estado decidir se vai usar para o abastecimento dos habitantes ou não”, pontua Felipe. Impactos ambientais e sociais A pesquisa da CPT e do MAB estima que a barragem seria construída por cima de nascentes que desaguam em córregos importantes da região, afluentes do rio Vacaria, que desemboca no rio Jequitinhonha. Alguns locais seriam alagados, fazendo com que as comunidades fiquem isoladas ou até deixem de existir. Demais efeitos seriam a destruição do cerrado nativo (vegetação já comprometida pelo plantio de eucalipto); mudança nos modos de vida e vínculos sociais da população; subordinação da economia local; aumento nos casos de violência contra a mulher devido à grande migração de homens para o território; muita poeira e barulho decorrentes do funcionamento da mina 24h por dia; entre outros. Empresa não dialogou com população Apesar do alto número de consequências, a SAM não teria discutido o projeto com nenhuma das comunidades afetadas, como conta o gerazeiro Adair Pereira de Almeida. Aos 45 anos, ele integra o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais (PPDDH-MG) por se posicionar contra mineradoras, grileiros e empresas de eucalipto que desmatam a natureza. “A gente quer e deve ser consultado. A empresa está desrespeitando a lei. A comunidade tem que participar do planejamento e, se é desenvolvimento, queremos saber pra quê e pra quem”, diz. Ele conta que os atingidos já realizaram diversas manifestações, audiências públicas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e Senado Federal e acionaram a Organização das Nações Unidas (ONU). “Será que o Brasil não está precisando desse minério? Será que não existe outra fonte de desenvolvimento que possa ser sustentável?”, questiona o gerazeiro, que “mata um leão por dia para continuar vivo”. Direito de consulta A empresa fere a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), adotada no Brasil e que trata dos direitos dos povos indígenas e tribais (quilombolas, gerazeiros, pescadores e mais). A advogada popular do coletivo Margarida Alves Layza Queiroz Santos ressalta que a SAM tinha o dever de ter consultado as famílias quando estava pensando na possibilidade do projeto. “Consta na convenção que quando existir uma medida legislativa ou administrativa que possa atingir esses povos, eles têm o direito à consulta. A consulta precisa ser feita de boa fé, de forma prévia, livre e informada. É isso que garante participação. É uma interlocução entre Estado e comunidades, possibilitando que elas
No estranho Brasil de Jair Bolsonaro, a culpa é sempre do outro

* Por Rui Daher – Via Carta Capital – ‘Ah, mas eles também fizeram, também fizeram, também fizeram … quem chegar por último é mulher de padre, ou de capitão’ Estranho país este, onde o outro está sempre na berlinda. “Nós aqui somos ótimos, quem ferra tudo são eles lá.” Faz-me parecer só termos olhos para os próprios umbigos, que nem mesmo são específicos de uma área médica. Ou temos umbigologistas? Difícil para nós, os brasileiros, reconhecer partes do corpo menos nobres, como por exemplo o ânus, de onde deveriam sair as fezes, dia sim dia não, como recentemente determinado pelo Regente Insano Primeiro. No domingo passado, assistindo ao programa Globo Rural, esperava uma reportagem sobre as queimadas amazônicas. Houve, mas com foco expressivo no Mato Grosso e nos produtores de grãos e suas perdas. Fiquei um pouco confuso, mas serviu-me para resgatar a história dos outros sempre culpados e daqueles que não têm umbigos. Diante da pergunta de como o fogo chegou, a cada depoimento, ouvíamos: “Ah, veio do vizinho. Algum descuido por lá”. Que seja, devem ter sentido fauna e flora carbonizadas ou desamparadas em suas fugas. Afinal, foi apenas fogo na palhada que seria usada no plantio direto das lavouras. Na agricultura rudimentar sempre se pensou as queimadas como benéficas na limpeza e preparo do solo para o plantio e na formação de pastagens. O fogo fazia mais fácil o árduo e custoso trabalho de abrir áreas, sobretudo em novas fronteiras. Isso existe até hoje, embora com menor intensidade. Problema é que nem sempre são feitos os devidos aceiros e não há acompanhamento humano ou tecnológico. Carvão, cinzas, e o extrato pirolenhoso, condensação pós-queima das madeiras, ainda representam algum benefício agronômico às plantas, contanto que adequadamente usados, e não em bota fogo desenfreado. Neste caso, perde-se a biodiversidade, muito mais valiosa, e contribui para aumentar os gases do efeito estufa com repercussões no aquecimento global. Nada que interesse ao senhor Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, que desconhece tudo isso e mais Chico Mendes. Muitos pioneiros da primeira metade do século 20, que mais tarde se tornaram capitães da nascente indústria de fertilizantes, começaram vendendo cinzas para a adubação dos cafezais paulistas. Hoje em dia, fundações, organizações não governamentais e mesmo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias) e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) indicam restritos períodos do ano para a permissão de queimadas, ensinam como, onde e quando bem proceder para promover queimadas e utilizar as cinzas. Segundo o IBGE, entre 2007 e 2017, o uso floresta nativa para uso industrial caiu pela metade, para 36 milhões de metros cúbicos, enquanto a de florestas plantadas cresceram 35%, para 217 milhões de m³, representando 86% do total. Formam assim, legalmente, importante setor da economia brasileira. Confundi-los com criminosos é equívoco terrível. Mas é, justamente, quando os “outros” e seus proeminentes umbigos, qual milícias encomendadas, invadem a Amazônia para amanhã garantirem seus futuros, enquanto nós, abestados, batemos continência para um pele-laranja, servimo-nos de laranjas-Queiróz, e entregamos nossa soberania, como tontos a gritar: “Ah, mas eles também fizeram, também fizeram, também fizeram … quem chegar por último é mulher de padre, ou de capitão”. Inté. * Rui Daher é criador e consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.
Queimadas cresceram 82% no Brasil em relação a 2018

Desde início do governo Bolsonaro, situação se deteriora – Nesta época de seca na Amazônia e em outras zonas de florestas do Brasil, a mata torna-se suscetível a incêndios. Porém, no caso das queimadas vistas no último mês, o fogo tem origem majoritariamente na ação predatória de fazendeiros, em busca de expansão das áreas de pastagem ou para plantações de soja, por exemplo. E a situação vem se agravando no governo Bolsonaro. Desde janeiro, foram registrados 71.497 focos de incêndio, um número 82% maior do que o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 39.194 focos. Ao site G1, o pesquisador do programa de queimadas do Inpe Alberto Setzer enfatizou que a seca pode ajudar alastrar o fogo, mas que as queimadas são todas de origem humana. No sudoeste do Pará, fazendeiros chegaram a realizar um “dia do fogo”, promovendo queimadas simultâneas às margens da BR 163, para chamar a atenção do governo de que “o único jeito que tem para trabalhar é derrubando”. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), que se autointitulou “capitão motosserra” segue brigando com os dados divulgados pelo Inpe e já trocou o comando do Instituto, substituindo o físico Ricardo Galvão por um oficial da Força Aérea. Ato em Curitiba reúne milhares de pessoas Na sexta, 23, milhares de pessoas saíram às ruas de Curitiba no ato SOS Amazônia, Nossa Casa Está em Chamas. A manifestação começou no fim da tarde na praça da Mulher Nua (29 de dezembro) e foi em passeata até o Largo da Ordem, por cerca de 2 horas, com muita música, palavras de ordem e outras manifestações artísticas. O Brasil de Fato transmitiu a atividade ao vivo por sua página no Facebook. Queimadas têm impacto global Os resultados da destruição da Floresta Amazônica extrapolam os limites geográficos das localidades atingidas diretamente e podem causar impactos negativos em todo o planeta. Essa é avaliação do professor e pesquisador Wagner Costa Ribeiro, do curso de Geografia da Universidade de São Paulo (USP). Para ele, os impactos das queimadas que atingem a maior floresta tropical do mundo podem ser compreendidos em três níveis: local, nacional e global. Na escala local, há o empobrecimento do solo, que pode levar a um crescimento ainda maior das áreas desmatadas. A perda da biodiversidade como consequência da destruição da floresta, por sua vez, interfere na dinâmica atmosférica. O outro ponto destacado por Wagner Ribeiro é o impacto em escala global. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a Amazônia não é o “pulmão do mundo”, uma vez que a maior parte do oxigênio produzido pela floresta é absorvido por ela mesma. Mas, como destaca, as árvores têm um papel fundamental na regulação do clima global, uma vez que funcionam como um grande estoque de carbono (CO2). Queimadas não são naturais Wagner Ribeiro também afirma que as queimadas na Amazônia não são naturais e tratam-se de uma questão política. Ele elencou uma série de ações, que associadas ao discurso do presidente Jair Bolsonaro, contribuíram para o cenário visto atualmente. Entre elas, o desmonte de instrumentos de fiscalização e a desqualificação de dados sobre desmatamento divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Via Brasil de Fato
Sérgio Moro é um dos culpados pelas queimadas na floresta amazônica

Ibama pediu apoio da Força Nacional para evitar “dia do fogo” mas Moro negou – Conforme o Blog do Esmael já havia noticiado, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) solicitou ao ministro da Justiça, ex-juiz Sérgio Moro o apoio da Força Nacional de Segurança para tentar evitar o “dia do fogo”. Um servidor ouvido sob sigilo pelo site Amazônia Real disse que os fiscais em Novo Progresso (Pará) são poucos, daí precisariam do apoio policial para a fiscalização, pois são ameaçados por madeireiros, fazendeiros e grileiros. Segundo ele, a Força Nacional daria um apoio fundamental para impedir os incêndios florestais no “dia do fogo”. Mas o apoio foi negado por Moro. “O Moro sabia. A gente sempre precisa de segurança nas operações de combate aos desmatamentos e queimadas”, disse o fiscal.
Acusação de Lula é confirmada: fazendeiros bolsonaristas incendeiam a Amazônia

Acusação feita pelo ex-presidente Lula em sua entrevista à TV 247 está confirmada: fazendeiros bolsonaristas foram responsáveis por incêndios que devastam a floresta amazônica há pelo menos duas semanas. Um grupo de 70 ruralistas articularam em grupos de WhatsApp o “Dia do Fogo” na região de Altamira, no Pará, no dia 10 de agosto passado. É esta a região que lidera o número de incêndios e desmatamentos no Brasil. A sequência de incêndios criminosos foi marcado para mostrar apoio às ideias Bolsonaro de acabar com a fiscalização do Ibama e conseguir perdão das multas pelas inúmeros infrações cometidas pelos ruralistas ao Meio Ambiente. Acusação feita pelo ex-presidente Lula em sua entrevista à TV 247 está confirmada: fazendeiros bolsonaristas foram responsáveis por incêndios que devastam a floresta amazônica há pelo menos duas semanas. Um grupo de 70 ruralistas articularam em grupos de WhatsApp o “Dia do Fogo” na região de Altamira, no Pará, no dia 10 de agosto passado. É esta a região que lidera o número de incêndios e desmatamentos no Brasil. A sequência de incêndios criminosos foi marcada para mostrar apoio às ideias Bolsonaro de acabar com a fiscalização do Ibama e conseguir perdão das multas pelas inúmeros infrações cometidas pelos ruralistas ao Meio Ambiente. A revelação é da revista Globo Rural, em reportagem do jornalista Ivaci Matias, que escreveu diretamente de Cachoeira da Serra, o distrito de Altamira que concentra os ruralistas mais agressivos na ocupação das terras, combate aos sem terra e pequenos agricultores e maiores taxas de devaatação do Estado, um dos mais castigados pela ação predatória. O que acontece em Altamira desde 10 de agosto, segundo o jornalista, é “a maior queimrada da história do Pará”. A reportagem confirma a percepção que levou Lula a apontar os ruralistas da base de Bolsonaro como responsáveis pelos incêncios. “É só pegar fotografias de satélites, saber quem é o proprietário de terra que está queimando e ir atrás do proprietário da terra para saber quem botou fogo. Se o dono da terra não reclamou, não foi à polícia dar queixa de que teve incêndio na terra dele, é porque foi ele quem botou fogo”, disse Lula à TV 247 na última quinta-feira (22). Segundo a reportagem, a pedido do Ministério Público de Novo Progresso, o Delegado Daniel Mattos Pereira, da Polícia Civil, já ouviu algumas pessoas ligadas ao “Dia do Fogo”, até agora ninguém foi preso. Pegos em flagrante, os ruralistas utilizam a mesma estratégia de Bolsonaro, que chegou a acusas as ONGs pelos incêndios. Segundo o jornalista Ivaci Matias, os fazendeiros da região acusam o ICMBio [a sigla se refere ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade], autarquia federal que é a polícia ambiental para a proteção da biodiversidade em todo o Brasil. O órgão é visto pelos ruralistas como seu inimigo e tem sido alvo de toda sorte de intervenções e desestruturação pelo ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles. A acusação dos ruralistas é tão inverossímel como a de Bolsonaro, mas eles contam com a máquina de fake news do bolsonarismo para fazer prevalecer sua versão. Ambos, Bolsonaro e sua base rural, não devem ter sucesso desta vez. A acusação de Lula agora está comprovada. Da cadeia, ele apontou para os culpados. Via Brasil 247
Amazônia: foto de tamanduá cego fugindo do fogo comove as redes

O fotógrafo Araquém Alcântara captou com sua lente a fuga de um tamanduá mirim cego que fugia do fogo na região amazônica. Araquém dá um depoimento comovente em seu perfil no Facebook, alertando para os riscos reais de a floresta ser devastada pela irresponsabilidade de um governo. O fotógrafo Araquém Alcântara captou com sua lente a fuga de um tamanduá mirim cego que fugia do fogo na região amazônica. Araquém dá um depoimento comovente em seu perfil no Facebook, alertando para os riscos reais de a floresta ser devastada pela irresponsabilidade de um governo. O fotógrafo ainda se diz surpreendido pela repercussão de seu trabalho nas redes e diz que essa mobilização pode ser uma chance de a Amazônia reverter o processo acelerado de destruição que tomou conta da floresta depois de o Brasil perder parte considerável de sua soberania.
Política de Bolsonaro para o meio ambiente afunda a imagem do Brasil

A destruição da Amazônia vira preocupação internacional e ameaça até as exportações do País Ser, na mesma semana, tema da reportagem de capa da revista de economia mais influente do mundo e um dos destaques da principal publicação científica do planeta é raro, se não inédito, e ninguém poderá negar esse feito de Jair Bolsonaro, ainda que o motivo de tamanha projeção seja mais um vexame internacional. Foi preciso o governo do ex-capitão chegar a extremos no incentivo à atividade econômica predadora e questionar o conhecimento científico com truculência e obscurantismo medieval para receber a devida atenção da The Economist e da Nature. Antes tarde. “Velório da Amazônia: o Brasil tem o poder de salvar a maior floresta da Terra ou de destruí-la”, fulminou a capa do semanário econômico. “O ‘Trump Tropical’ espalha uma crise sem precedentes para a ciência brasileira: as tensões aumentam à medida que a administração Jair Bolsonaro questiona o trabalho de cientistas do Estado e determina cortes debilitantes nos fundos de pesquisa”, descreve a publicação científica. “Tanto a redução na cobertura de árvores quanto a mudança no clima estavam colocando em risco o futuro da floresta bem antes das eleições de outubro de 2018, mas depois disso a Amazônia enfrentou outra ameaça: Jair Bolsonaro, o novo presidente e possivelmente o chefe de Estado mais perigoso do mundo para o meio ambiente”, prossegue a Economist. “Desde que assumiu o cargo, ele reduziu o cumprimento das leis ambientais e promoveu a exploração econômica das reservas indígenas. Agora, seu governo está avançando com propostas para diminuir o tamanho das áreas protegidas em regiões como a Amazônia”, sublinhou a Nature. As publicações que provavelmente Bolsonaro, seus ministros e a horda que o defende nas redes sociais classificarão de “comunistas” chegaram aos leitores em uma data oportuna, a sexta-feira 2, dia em que o raivoso ocupante do Palácio do Planalto decidiu exonerar, sob a acusação de falsear dados, o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Ricardo Galvão, acadêmico de reputação condizente com a respeitabilidade científica internacional do órgão que dirigia. A crise começou na quinta-feira 18, quando a mídia divulgou como de responsabilidade do Inpe dados sobre um aumento de 88% no desmatamento na Amazônia entre meados do ano passado e julho deste ano. Tratava-se, entretanto, da reprodução de uma reportagem mal fundamentada do portal G1, ligado à Globo, na página de um dos cursos de pós-graduação do instituto e que foi considerada de maneira equivocada como uma publicação da própria instituição em um processo tortuoso detalhado por Galvão na entrevista à página 18. “A questão do Inpe, eu tenho a convicção de que os dados são mentirosos, e nós vamos chamar aqui o presidente do Inpe para conversar sobre isso, e ponto final nessa questão”, afirmou o ex-capitão, naquele seu estilo que destrói mais rapidamente a língua pátria do que as queimadas são capazes de arrasar as florestas, durante um café da manhã com jornalistas estrangeiros. “Mandei ver quem está à frente do Inpe. Até parece que está a serviço de alguma ONG, o que é muito comum”, insinuou. O autointitulado capitão motosserra esculacha a ciência e menospreza líderes europeus Galvão não se deixou intimidar, mostram suas afirmações a jornalistas feitas desde o sábado 20 em resposta aos ataques do capitão: “Ele tomou uma atitude pusilânime, covarde, de fazer uma declaração em público talvez esperando que peça demissão, mas eu não vou fazer isso… O senhor Jair Bolsonaro precisa entender que um presidente da República não pode falar em público, principalmente em uma entrevista coletiva, como se estivesse em uma conversa de botequim…” “Isso é uma piada de um garoto de 14 anos que não cabe a um presidente da República fazer.” O cientista explicou que os dados sobre o desmatamento da Amazônia são divulgados desde meados da década de 1970 e a partir de 1988 compõem a maior série histórica de informações de destruição de florestas tropicais respeitada mundialmente. “Ele disse que os dados do Inpe não estavam corretos, segundo a avaliação dele, como se ele tivesse qualidade ou qualificação de fazer a análise.” Galvão aproveitou o espaço aberto na mídia pelas acusações sofridas para apresentar suas credenciais: “O presidente Bolsonaro tem que entender que eu sou um senhor de 71 anos, professor titular da Universidade de São Paulo, membro da Academia Brasileira de Ciências, fui presidente da Sociedade Brasileira de Física durante três anos, membro do Conselho Científico da Sociedade Europeia de Física durante três anos. Todos os diretores dessas unidades de pesquisa não são escolhidos por indicação política ou porque os pais deles quiseram dar um filé mignon para cada um”, disparou, em referência à indicação de Eduardo Bolsonaro para o posto de embaixador nos Estados Unidos. Em uma das inúmeras defesas do nepotismo, o ex-capitão admitiu: “Se eu puder dar um filé mignon ao meu filho, eu dou”. A respeito da insinuação de que agiria “a serviço de alguma ONG”, o físico declarou: “Nunca tive nenhum relacionamento com nenhuma ONG, nunca fui pago por fora, nunca recebi nada mais além do meu salário como servidor público”. Galvão afirmou ainda que sua atitude foi deliberada e pretendeu chamar a atenção da comunidade científica e da sociedade em benefício do Inpe. A preocupação parece justificável, pois o governo está empenhado, segundo a Transparência Brasil, em “fazer um ‘apagão’ de dados oficiais produzidos por diferentes instituições que deveriam embasar as políticas públicas. Em vez de agir sobre a realidade, o governo prefere atacar os dados que a descrevem demonstrando pouco apreço por estudos científicos e evidências”, condenou a entidade. Define a liberal The Economist: “Jair Bolsonaro, possivelmente o chefe de Estado mais perigoso do mundo para o meio ambiente” O que incomoda Bolsonaro e seus apoiadores integrantes do agronegócio e do extrativismo é a alta eficiência do sistema de monitoramento e alertas sobre avanços do desmatamento emitidos pelo instituto, um instrumento consolidado de ação legal rápida para conter a devastação da Amazônia provocada pelos atos desenfreados de pecuaristas, madeireiros e mineradores. O risco de uma hecatombe no
Com merda na cabeça, Bolsonaro fala para fazer cocô dia sim e dia não

A declaração do boçal presidente ocorreu em resposta ao repórter Fábio Murakawa, do jornal Valor Econômico. O jornalista havia perguntado: “É possível crescer com preservação?”. Bolsonaro respondeu: “Lógico que sim. É só você deixar de comer menos um pouquinho. Você fala pra mim, por exemplo, em poluição ambiental, é só você fazer cocô dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida também”. Assista: fabio murakawa@fabiomura Perguntei ao presidente @jairbolsonaro se é possível crescer com preservação; ele me recomendou comer menos um pouquinho e fazer cocô dia sim, dia não para combater a poluição ambiental Assim que a declaração veio à tona, os internautas usaram seus perfis no Twitter para debochar da solução do presidente da república. “Se o Bolsonaro prometer cumprir a sua ‘ideia’ de cocô dia sim, dia não, acho uma ótima medida. Vocês já imaginaram ficarmos 24hs sem as merdas que ele faz?”, disse uma seguidora. “A proposta do Bolsonaro para preservar o meio ambiente: ‘Fazer cocô um dia sim, um dia não.’ Então fecha a boca, Bolsonaro”, sugeriu outro. Confira os memes abaixo: Fernanda está em férias@eufebolivar Bolsonaro: fazer cocô dia sim é dia não contribui com meio ambiente. Imprensa: https://twitter.com/ogrunhido/status/1159815464484315136 … Robô Efêmero@ogrunhido Achei que vocês gostariam de saber 2 16:32 – 9 de ago de 2019 · Sao Paulo, Brazil Informações e privacidade no Twitter Ads Salvador Daqui@FlaRobSal Se Bolsonaro prometer cumprir a sua “ideia” de cocô dia sim, dia não, acho uma ótima medida. Vocês já imaginaram ficarmos 24 hs sem as merdas que ele faz?#ForaBolsonaro 9 17:00 – 9 de ago de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads Sergio Maciel@SergioM77639570 A proposta do Bolsonaro para preservar o meio ambiente: “Fazer cocô um dia sim, um dia não.” Então fecha boca Bolsonaro. 16:42 – 9 de ago de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads M-O-Assun★@MOAssun Cocô sugere fazer Bolsonaro “dia sim, dia não” para reduzir poluição ambiental pic.twitter.com/3M6weHisGP https://twitter.com/ultimosegundo/status/1159909696234545154 … iG Último Segundo ✔@ultimosegundo Bolsonaro sugere fazer cocô “dia sim, dia não” para reduzir poluição ambiental → http://bit.ly/2z0On41 1 16:48 – 9 de ago de 2019 · Rio de Janeiro, Brazil Informações e privacidade no Twitter Ads Charles Bonato@BonatoCharles Presidente Bolsonaro, diga uma frase que simbolize o seu governo: “sugiro fazer cocô dia sim, dia não para preservar o ambiente”. 16:48 – 9 de ago de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads I’M Pretty When I Wine@edsallez Então, de acordo com a Teoria do Cocô, de autoria de Bolsonaro, quem sofre de prisão de ventre é um grande salvador do planeta. 1 16:47 – 9 de ago de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads post palone@rafapalone Bolsonaro sugerindo que as pessoas façam cocô dia sim, dia não como se ele não cagasse pela boca várias vezes TODOS OS DIAS 4 16:53 – 9 de ago de 2019 · Itápolis, Brasil Informações e privacidade no Twitter Ads Antonio Pessanha@camelomacae Bolsonaro sugere fazer COCÔ dia sim, dia não, para a preservação do meio ambiente… Logo ele que faz CAGADA todo dia! Que MERDA de presidente! Ainda tem gente que leva FEZES nesse BOSTA… #bolsonaro #meioambiente #bolsonarovaitomarnocu 16:52 – 9 de ago de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads jolha@jupapalardo Bolsonaro quer que a população faça cocô “dia sim e dia não”. Isso significa que o governo dele foi cortado para dois anos junto com o tanto de merda que ele fala? 3 16:51 – 9 de ago de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads área sujeita a ataque de gabiru@annaforms como forma de protesto ao bolsonaro agora mesmo indo fazer coco 1 16:51 – 9 de ago de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads pancarboxylated ⇌ polymer@senpai_viana infelizmente não fazer coco um dia não vai impedir q vc exista jair bolsonaro 16:49 – 9 de ago de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads Mônica@moninunesmota Bolsonaro sugere que o brasileiro faça cocô dia sim dia não pra diminuir a poluição ambiental. Bolsonaro virou literalmente fiscal de cu. Que fase braseeeel. Que fase. 16:49 – 9 de ago de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads Rick Sanchez@douglaasdantass Serio que o Bolsonaro disse pra cagar dia sim dia não? KKKKKKKKKKKKKKKKK Alguém devolve a bolsa de cocô pra ele que ele tá cagando pela boca 16:32 – 9 de ago de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads
Incapaz de controlar desmatamento, Bolsonaro demite estatístico

Segundo o jornal Folha de São Paulo, Bolsonaro decidiu demitir o chefe do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Nacionais), após críticas do diretor à gestão atual. – O Ministro da Ciência, Marcos Pontes, se reuniu com Ricardo Galvão nesta sexta (02/08). O INPE tem sido criticado e questionado há duas semanas pelo governo. Segundo Bolsonaro, os dados revelados pelo INPE – e corroborados por outros pesquisadores – ‘prejudicam o nome do Brasil’. “É lógico que eu vou conversar com o presidente do Inpe. [São] Matérias repetidas que apenas ajudam a fazer com que o nome do Brasil seja malvisto lá fora”, afirmou ao final de um evento na sexta-feira dia 19 de julho Bolsonaro e o Meio Ambiente Em janeiro deste ano a então presidente do IBAMA, Suely Araújo, pediu exoneração do cargo um dia após o novo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, questionar no twitter um contrato de locação de veículos. Suely havia assumido o cargo na gestão Michel Temer. À época tanto Bolsonaro quando Ricardo Salles questionaram, via rede social, os contratos do IBAMA, dando a entender que havia corrupção. Suely desmentiu via nota, afirmando que “a acusação sem fundamento evidencia completo desconhecimento da magnitude do IBAMA e suas funções (…) [o contrato] foi aprovado pelo TCU”. Bolsonaro que havia sido multado por pesca irregular, já conseguiu que as multas contra o desmatamento caíssem 23% {Folha} e que o próprio instituto cancelasse a multa que havia dado ao Presidente quando ele ainda era deputado. Em março deste ano o fiscal que o havia multado foi exonerado. Agora, sob nova gestão, o IBAMA questiona os dados do INPE sobre desmatamento. “Se você for somar os percentuais que já anunciaram até hoje de desmatamento da Amazônia, a Amazônia já seria um deserto. No entanto, nós temos muito Augusto Heleno General, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional IBAMA questiona INPE O INPE soltou um comunicado à imprensa, no dia 1º de agosto, informando que o diretor de Proteção Ambiental do IBAMA, Olivaldi Azevedo, fez uma apresentação sobre um estudo que analisava parte dos dados de alerta gerados pelo INPE e que este estudo indicou “inconsistências e erros” nos dados apresentados. O INPE por meio do comunicado afirmou não ter tido acesso prévio a esta análise e que seus representantes responderam a todos os questionamentos feitos por Olivaldi. O INPE pediu o estudo para que pudesse avaliar as conclusões mas afirmou de antemão que “o estudo apresentado corrobora a metodologia do DETER, pois os alertas de desmatamento mostrados se tratavam de fato de áreas desmatadas. Qualquer comparação dos resultados do DETER com resultados de metodologias ou imagens distintas deve ser aprofundada, e requer uma avaliação mais completa.” A Amazônia no governo Bolsonaro Apesar dos ataques do governo Bolsonaro, o INPE tem recebido apoio de outras entidades. A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entre outras entidades, manifestaram em carta aberta apoio e confiança nas atividades de monitoramento ambiental por Satélites realizadas pelo INPE – . Estimativas realizadas por pesquisadores do INPE mostram que, no governo Bolsonaro, o desmatamento pode subir 268% em relação a 2017, que já foi um ano ruim, com índices que voltam aos anos 2000. A avaliação de especialistas é que a estrutura deficiente dos órgãos reguladores, as brechas nas leis e a morosidade da justiça contribuem para a impunidade dos responsáveis e desestimulam ações para evitar reincidências. Bolsonaro e a Amazônia Desmatamento acumulado em KM², dados e projeções do INPE
Número de agrotóxicos que Anvisa considera “extremamente tóxicos” cai de 34% para 2%

– Novo marco regulatório é “forma de enganar a sociedade”, segundo pesquisador; mudança também impacta rótulo dos produtos – A nova classificação de agrotóxicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada esta semana no Diário Oficial da União, provocou uma redução drástica do número de produtos considerados “extremamente tóxicos” no Brasil. Nos últimos estudos divulgados antes da mudança no método de sistematização, 800 agrotóxicos, em média, pertenciam a essa categoria, em um universo de cerca de 2300 – aproximadamente 34,7%. A nova tabela, divulgada pela Agência nesta quinta (1º), classifica apenas 43 como “extremamente tóxicos”, o que equivale a 2,2% dos 1924 produtos analisados. A sistematização dos produtos, até então regulada por uma legislação de 1989 que previa a existência de quatro categorias segundo o nível de perigo oferecido pelos venenos, passou a ter cinco divisões, com novos critérios. As novas normas também permitem que produtos antes considerados “altamente tóxicos”, que provocam irritação severa na pele, passem para a categoria de toxicidade moderada, enquanto os “pouco tóxicos” – com risco de irritação leve na pele e nos olhos, por exemplo – fiquem liberados de classificação. Com isso, eles não apresentarão advertências no rótulo para o consumidor. Especialista no tema, o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, membro da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, criticou as novas regras em entrevista ao Brasil de Fato. Ele considera que a metodologia que a Anvisa passa a adotar impõe riscos à saúde humana. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em média, 193 mil mortes registradas ao ano no planeta podem ter relação com o uso de agrotóxicos e outros produtos químicos. “A informação de risco agora privilegia os casos de morte. Sobrevalorizar um veneno porque ele causa morte e deixar de lado preocupações de longo prazo, como câncer, cegueira, problemas de raciocínio e no sistema nervoso central, para nós, é uma forma de enganar a sociedade. Vai minimizar o cuidado que as pessoas vão ter com venenos que não causam a morte, mas que trazem dramas que, para uma família, são tão relevantes quanto a perda de um parente”, reflete o especialista. A Anvisa argumenta que o novo marco regulatório é orientado por um padrão internacional, o Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals – GHS), adotado na União Europeia e na Ásia, por exemplo. “Seria racional que nós tivéssemos um modelo semelhante, mas, na comunidade econômica europeia, pelo que sabemos, são proibidos vários dos produtos que são autorizados aqui. Seria de se esperar que uma reclassificação que compatibilizasse a realidade brasileira com a europeia retirasse do mercado esses produtos. No entanto, não há nenhuma sinalização nesse sentido”, pondera Melgarejo, acrescentando que mais de 30% dos venenos que circulam nacionalmente são rejeitados por esses países. Via Brasil de Fato