Em decisão histórica, Vaticano autoriza padres a abençoar casais do mesmo sexo

Igreja Católica diz que autorização ‘não muda doutrina sobre casamento’, e padres podem se negar a fazer rito. Decisão visa a “acolher a todos”. Em uma decisão histórica, o Vaticano aprovou que padres católicos possam administrar bênçãos a casais do mesmo sexo. O documento, aprovado pelo Papa Francisco nesta segunda-feira (18), estabelece que tais bênçãos não podem fazer parte de rituais regulares da Igreja, nem serem concedidas em contextos relacionados a uniões civis ou casamentos. O texto, originado do escritório doutrinário do Vaticano, enfatiza que essas bênçãos não legitimam situações irregulares, mas representam um sinal de que Deus acolhe a todos. O Papa Francisco, conhecido por suas posições mais progressistas, respaldou a possibilidade de bênçãos para casais em situações consideradas irregulares e para casais do mesmo sexo. Contudo, o documento destaca que essas bênçãos não devem ser concedidas simultaneamente a cerimônias de união civil, evitando qualquer confusão com o sacramento do casamento. Os padres têm a autonomia de decidir caso a caso, sendo orientados a não impedir a proximidade da Igreja às pessoas em busca de ajuda divina através de uma simples bênção. A base para essa decisão foi uma carta enviada por Francisco a dois cardeais conservadores, publicada em outubro. Na ocasião, o Papa sugeriu que bênçãos a casais do mesmo sexo poderiam ser oferecidas em algumas circunstâncias específicas, desde que não fossem confundidas com rituais de casamento. O novo documento reitera a visão de que o casamento é um sacramento vitalício entre um homem e uma mulher, enfatizando que as bênçãos não devem ocorrer simultaneamente a uniões civis ou assemelhar-se a casamentos. No entanto, destaca que os pedidos de bênçãos não devem ser negados, oferecendo uma definição extensa do termo “bênção” nas Escrituras. O Vaticano continua a considerar a união entre casais do mesmo sexo como “irregular”, mantendo sua doutrina. A decisão, no entanto, é vista como um sinal de abertura e acolhimento, contrariando a posição anterior da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, que, em 2021, afirmou que a Igreja não poderia abençoar tais uniões, argumentando que “Deus não pode abençoar o pecado”. O Papa Francisco tem sido uma voz mais inclusiva dentro da Igreja, criticando leis que criminalizam a homossexualidade e defendendo a aceitação de pessoas LGBTQ na comunidade católica. A decisão, embora represente um avanço, também é observada com cautela por grupos de homossexuais católicos, que há anos cobram mais mudanças dentro da instituição. O debate sobre as posições da Igreja Católica em relação à diversidade sexual continua a ecoar, mesmo diante dessas alterações significativas.
Rússia e China deixam dólar de lado em negociações

Dados mostram que uso do rublo e do yuan nas negociações já chegou a 95%; em 10 meses, 68% do comércio russo usou duas moedas Do Brasil de Fato Desdolarização: 95% do comércio entre China e Rússia já não passa pela moeda estadunidense Por Mauro Ramos Em recente visita à China, o primeiro vice-primeiro-ministro russo, Andrei Belousov, afirmou que esse ano o uso do rublo russo e do yuan chinês no comércio entre os dois países já atingiu 95%. Ao mesmo tempo, de janeiro a outubro, 68% de todo o comércio russo foi feito nas moedas dos dois países, segundo o ministro russo do Desenvolvimento Econômico, Maksim Reshetnikov. O yuan vem sendo utilizado pela Rússia nas transações comerciais também com a Mongólia, Filipinas, Malásia, Emirados Árabes Unidos, Tailândia, Japão, Tajiquistão e Singapura. O debate sobre a necessidade de desdolarização das economias do Sul Global não é recente, mas 2023 entrará para a história como o ano em que esse processo se acelerou. Histórico das sanções A Rússia já soma mais de 17 mil sanções desde o início da chamada Operação Militar Especial na região leste da Ucrânia em fevereiro de 2022, segundo informações divulgadas recentemente pelo ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov. O mapa do Norte Global é praticamente o dos países que têm sancionado a Rússia: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, União Europeia (e os candidatos para entrar no bloco), Suíça, Coreia do Sul, Austrália e Japão, e algumas exceções como Cingapura. As sanções atingiram níveis históricos nessa nova leva. Segundo o próprio presidente dos EUA Joe Biden, elas foram projetadas para ter impacto de longo prazo na Rússia e que “superam tudo o que já fizemos”. A primeira leva de sanções foi imposta em 2014, a partir da crise na Ucrânia que levou a um golpe de Estado contra o presidente Viktor Yanukovych, e que contou com o envolvimento dos Estados Unidos. As medidas contra a Rússia começaram a ser implementadas quando o país decidiu se reunificar com a Crimeia, cujos habitantes se negaram a reconhecer o novo governo resultante do golpe. “De 2014 a 2022, a Rússia prosseguiu simultaneamente a desdolarização e a euroização. Durante este período, a União Europeia se tornou o principal parceiro comercial da Rússia, levando a uma mudança na principal moeda de transação do dólar americano para o euro”, explica Xu Poling, o diretor do Departamento de Economia Russa da Academia Chinesa de Ciências Sociais. Com a União Europeia intensificando as sanções em 2022, proibindo qualquer transação com o Banco Central russo, assim como a venda, fornecimento, transferência e exportação de notas denominadas em euros para a Rússia, mais da metade das reservas russas foram capturadas, o que equivale a cerca de 300 bilhões de dólares. O Ocidente inclusive começou a discutir abertamente o roubo definitivo desse montante. Em seu relatório de 2022, o Banco Central da Rússia afirmou que “após a promulgação das sanções por Estados hostis, as suas moedas tornaram-se ‘tóxicas’ para os agentes económicos russos”. “Um aumento nos acordos com países amigos nas moedas nacionais tornou-se crítico para garantir e desenvolver o comércio exterior”, concluiu o informe da instituição. Segundo Xu Poling, de 2022 até agora o comércio entre Rússia e Europa teve uma queda de 70% e da Rússia com a Ásia um aumento de 70%. As importações da Ásia, especialmente da China continental e de Hong Kong, constituem agora 40% do total das importações russas. Aproximadamente 60% do fundo soberano da Rússia está em ativos em RMB, e 40% das suas reservas cambiais também são ativos em RMB. A participação da Rússia nas importações da União Europeia, até setembro deste ano, caiu para 2%, segundo o Eurostat, o serviço de estatística do bloco. Em fevereiro de 2022, a cifra era quase cinco vezes maior, 9,5%. efeito bumerangue das sanções “A primeira vez que ouvi um debate sério sobre desdolarização, sobre a necessidade de colocá-la em um nível muito alto de importância geopolítica foi em 2014. Alguns altos funcionários na China descreveram a desdolarização como uma das lições geopolíticas mais importantes, principalmente por conta do Irã”, conta Zhang Xin, vice-diretor do Centro de Estudos da Rússia da Universidade Normal do Leste da China (UNLC), Após as sanções à Rússia, continua Xin, muitos países em desenvolvimento ficaram preocupados com que os seus próprios ativos e sua estabilidade financeira começassem a ficar sujeitos a esta utilização excessiva do dólar como arma financeira geopolítica. No final do ano passado, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), sob a liderança da Arábia Saudita, decidiu realizar o maior corte na oferta desde 2020, em cerca de 2 milhões de barris. O governo Biden ameaçou a Arábia Saudita pela decisão, afirmando que haveria “consequências” para o país. A Índia usou rúpias, pela primeira vez na história, para comprar um milhão de barris de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, em agosto deste ano. Tanto sauditas como emiradenses passarão a fazer parte do BRICS+ em janeiro de 2024. Em novembro, a Comissão Europeia apresentou o décimo segundo pacote de sanções contra a Rússia e espera que seus países membros o aprovem em meados de dezembro. A agência russa Ria Novosti, com base em dados do Eurostat, mostrou recentemente que desde fevereiro de 2022 até setembro deste ano, a União Europeia passou a pagar, em média, o dobro do que pagava antes pelo gás natural liquefeito dos EUA. Segundo o cálculo, o bloco teria pago mais de 52 bilhões de euros a mais pelo combustível, em comparação com o preço que os EUA cobravam em 2021. Recorde comercial China-Rússia em 2023 O comércio entre Rússia e China acaba de bater o recorde de mais de 200 bilhões de dólares, antecipando uma meta que havia sido estipulada para ser atingida em 2024. A cifra de janeiro a novembro foi superior ao equivalente a 218 bilhões de dólares, o que representa um aumento de 26,7% em comparação com o mesmo período de 2022. O resultado anual ainda deve superar o objetivo de US$ 220 bi previsto pela
Irfaan Ali e Nicolás Maduro – Presidentes da Guiana e Venezuela prometem diálogo

Encontro entre Irfaan Ali e Nicolás Maduro sobre a contenda por Essequibo aconteceu em São Vicente e Granadinas com delegação brasileira como observadora O conflito gerado pela manifestação da Venezuela em incorporar o território de Essequibo, pertencente à Guiana, teve um avanço pelo diálogo nesta quinta-feira (14). Após um referendo e insinuações de que poderia ocupar o local, que faz fronteira com o Norte do Brasil, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e o presidente da Guiana, Irfaan Ali, se encontraram em São Vicente e Granadinas para debater a situação. A reunião simboliza um avanço na tentativa de conter os ânimos sobre a disputa. O encontro foi encerrado com um aperto de mão entre os dois líderes. Segundo Ali, em palavras para a imprensa, a área de 160 mil quilômetros reivindicada por Caracas é soberana de seus país, que tem o direito de explorá-la como bem entender. A indicação é feita pois Maduro tem interesse de criar o estado venezuelano da “Guiana Essequiba” com vias de explorar o petróleo da região, principalmente o encontrado no mar territorial. Images from the ongoing CARICOM/CELAC/Brazil-brokered meeting in St Vincent and the Grenadines. pic.twitter.com/MVb3qsR90G — President Dr Irfaan Ali (@presidentaligy) December 14, 2023 Por parte da Venezuela o entendimento foi que a posição segue inalterada, ainda que em publicação nas redes sociais do governo tenha se falado na continuidade do diálogo “a fim de resolver a controvérsia”. #LaFoto ???? | Estrechón de manos sella disposición de Venezuela y Guyana para continuar con el diálogo, en función de dirimir la controversia en relación al territorio Esequibo. pic.twitter.com/zIuAj3rKBG — Prensa Presidencial (@PresidencialVen) December 14, 2023 Nesta quinta pela manhã, Maduro compartilhou em suas redes pessoais uma edição de um semanário digital, chamado Cuatro F, em que é destacado o mapa da Venezuela com o território de Essequibo incorporado. A publicação tem texto que cita o encontro com Irfaan Ali como grande conquista, ainda que contenha críticas à ExxonMobil que explora o petróleo na Guiana. As matérias acusam a empresa dos Estados Unidos de adotar um modelo sem responsabilidade ambiental. No mesmo documento, Maduro relata que conversou com o presidente Lula, que o chamou para escutar o que tinha a dizer. Neste trecho, o venezuelano diz que foi uma conversa amistosa e que Lula é um líder respeitoso, de uma potência mundial, que é o Brasil. Dessa conversa, o brasileiro se comprometeu em manter diálogo direto para resolver a questão, que Maduro disse buscar uma resolução por vias diplomáticas e pacíficas. Encontro Os dois presidentes foram instados a se encontrar por meio da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos Caribe), Caricom (Comunidade do Caribe) e pela diplomacia brasileira. O assessor especial da presidência, o diplomata Celso Amorim, acompanhou o encontro. A posição do Brasil tem sido pela defesa do diálogo e contrária a ações que agravem o conflito. Declaração Ainda na noite de quinta, às 22h30 do horário de Brasília, o presidente Nicolás Maduro publicou em seu perfil pessoal uma declaração conjunta aprovada pelos presentes. Em um dos pontos da declaração é dito que Guiana e Venezuela acordaram em não se ameaçar e não utilizar a força em nenhuma circunstância.
Eleição elege Donald Tusk e encerra 8 anos de extrema-direita na Polônia

Tusk volta ao poder disposto buscando uma reaproximação com a União Europeia, após longo período de confronto entre Varsóvia e Bruxelas A Polônia encerrou nesta quarta (13) oito anos do governo ultranacionalista e de extrema-direita do partido Lei e Justiça (PiS). O parlamento elegeu Donald Tusk, ex-primeiro ministro do país de 2007 a 2014 e ex-presidente do Conselho Europeu, de 2014 a 2019. Em um discurso no Parlamento, Tusk prometeu, nesta terça (13), garantir bilhões de euros para a Polônia que foram congelados pela UE devido a preocupações com o estado de direito. Durante os oito anos de governo PiS, a Polônia enquadrou a Justiça ao implantar um programa de reformas batizadas de “Lei da Focinheira”, que abria a possibilidade de demitir juízes que questionarem a reforma ou outros atos do partido do governo anterior. A lei também aumenta o controle do governo sobre a escolha do próximo presidente da Suprema Corte da Polônia. “A fidelidade às disposições da constituição será a marca registrada do nosso governo”, disse Tusk, acrescentando que acredita que o desejo dos eleitores de ver o estado de direito restabelecido estava por trás do comparecimento recorde às eleições de 15 de outubro. O PiS ficou em primeiro lugar nas eleições, mas não tinha a maioria necessária para formar um governo, abrindo caminho para Tusk formar um governo que obteve a aprovação do Parlamento na terça. Agora, Tusk terá duas semanas para fazer um discurso de abertura no parlamento, que então considerará a aprovação de um voto de confiança ou não nele. Se Tusk também receber um voto de censura, o presidente polaco terá o direito de escolher ele próprio um novo candidato a primeiro-ministro. Tusk prometeu harmonizar as relações com Bruxelas, desbloqueando bilhões de euros em fundos destinados à Polônia, retidos devido a preocupações com o Estado de direito. Nas eleições parlamentares realizadas em outubro, o partido PiS, que até recentemente governava a Polônia, conquistou 194 assentos no Sejm, de 460 membros, e reivindicou a vitória. Os partidos da oposição, por outro lado, conquistaram mais de 50% dos assentos combinados e fizeram um acordo de coligação, selecionando Tusk como seu candidato. Apenas metade dos polacos acredita que um governo liderado por Donald Tusk poderia sobreviver a todo o mandato de quatro anos, revelou no último dia 16 um levantamento realizado pelo centro de investigação UCE da Polônia.
Redução de sanções dos EUA à Venezuela abre caminho para acordos

Brasil e Colômbia já sinalizaram com a possibilidade de negócios. Nesta quinta, Maduro pediu a Biden a suspensão definitiva das sanções Novas possibilidades podem se abrir nas relações comerciais com a Venezuela, após os Estados Unidos reduzirem suas sanções ao petróleo, gás e ouro do país. Brasil e Colômbia, por exemplo, já demonstraram ter interesse em acordos com o vizinho. No caso do Brasil, recentemente o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates fez uma sinalização neste sentido. À Agência EPBR, Prates declarou que esse novo cenário o inspira a pensar “seriamente em considerar investimentos na Venezuela”. E completou: “não tem nada a ver com questões ideológicas ou políticas que possam haver entre os países, entre os dirigentes etc. A Venezuela é a maior reserva de petróleo do mundo. Maior que a da Arábia Saudita. Às vezes as pessoas ou não sabem ou até esquecem disso. E eles estão muito necessitados de investimentos lá.” Prates disse, ainda, que apesar da flexibilização do bloqueio ter duração de seis meses podendo ser renovado “é um processo muito importante e eu posso assegurar que o Brasil, com o papel de liderança do presidente Lula na América Latina, será um protagonista nas discussões”. No final de outubro, o governo dos EUA anunciou a suspensão temporária das sanções ao petróleo, gás e ouro venezuelanos. E, nesta quinta-feira (30), o presidente Nicolás Maduro pediu a Joe Biden que as sanções sejam permanentemente suspensas. O presidente venezuelano também defendeu “uma nova era de relações respeitosas e colaborativas do mais alto nível” entre as duas nações. Em outubro — quando estava sendo costurado o acordo sobre as eleições na Venezuela, que levaram à suspensão das restrições pelos EUA — os presidentes Lula e Maduro conversaram, entre outras coisas, sobre a possibilidade de acelerar a negociação de um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos entre os países. Segundo o governo brasileiro, isso representaria “uma alternativa inovadora aos tradicionais acordos bilaterais de investimentos”. Outro país que recentemente demonstrou interesse em acordos no setor energético e de gás com a Venezuela foi a Colômbia. Há poucos dias, os presidentes Gustavo Petro e Maduro se reuniram para tratar do assunto, que envolve a Empresa Colombiana de Petróleo (Ecopetrol) e a Petróleos de Venezuela S.A (PDVSA). “Construiremos projetos de energia limpas, que podem ser abundantes no norte da Colômbia, para transmitir energia elétrica ao Ocidente da Venezuela e traremos da Venezuela energias que ainda subsistem, para tentar suprir os déficits que existem na Colômbia”, disse Pedro após o encontro. “É muito provável que a Ecopetrol se torne sócia da PDVSA na exploração de campos de gás na Venezuela e de campos de petróleo. Assim vamos assegurar, em ambas vias, energia elétrica à Venezuela e matérias-primas fósseis à Colômbia”, completou. Com agências
RETROCESSO – Extrema direita também vence eleição na Holanda

Três dias após a vitória de Javier Milei na Argentina, a extrema direita obteve sucesso também na Holanda. O Partido pela Liberdade (PVV, na sigla em holandês), foi o mais votado nas eleições legislativas nacionais e deverá conquistar 37 assentos na Casa, o que significa mais que o dobro da presença atual e lhe dará ampla vantagem em relação à aliança de esquerda e ao bloco de centro-direita, que devem ter 25 e 24 assentos, respectivamente. Via Brasil de Fato O resultado abalou a política local e pode provocar reflexos em toda a Europa, que aguarda a formação do novo governo para medir os impactos da votação além das fronteiras holandesas, e na vida dos migrantes. Após 25 anos de atuação no Parlamento, a extrema direita ganha agora o direito de governar o país. “O PVV não pode mais ser ignorado”, disse o líder do partido, Geert Wilders, após a votação. “Nós governaremos”. Mas para fazê-lo, ele precisa negociar com outros partidos a formação de uma coligação que tenha maioria parlamentar, ou seja, 76 de 150 assentos. Líderes dos três principais partidos declararam que não formariam parte de uma coalizão com o PVV. Apenas o Novo Contrato Social, legenda que deve obter 20 assentos, sinalizou estar “disponível”, mas seu líder, Pieter Omtzigt, antecipou que a negociação “não será fácil”. O PVV, conhecido por posições anti-Islã e anti-União Europeia, fez campanha utilizando a bandeira anti-imigração. “Os holandeses esperam recuperar seu país e garantir que o tsunami de solicitantes de asilo e imigração se reduza”, afirmou Wilders, que critica o que chama de “invasão islâmica” no Ocidente. O líder já propôs a detenção e deportação de imigrantes ilegais e a devolução de solicitantes de asilo oriundos da Síria, além da censura ao Alcorão e de cobrar impostos sobre os véus que mulheres muçulmanas usam para cobrir a cabeça. Teve desentendimentos com a Justiça, que o considerou culpado de insultar marroquinos, aos quais chamou de “escória”, e recebeu ameaças de morte, pelas quais vive sob proteção policial desde 2004. Mas durante a campanha, tentou suavizar sua imagem para cativar parcela maior do eleitorado e declarou que seria um primeiro-ministro “para todos”. O atual premiê, no poder há 13 anos, é o conservador Mark Rutte, do Partido Popular pela Liberdade e Democracia (VVD), um historiador e professor que, em julho último, anunciou que não tentaria a reeleição e deixaria a política assim que o próximo governo tomasse posse, numa reviravolta política impensável até então. Considerado líder confiável dentro da União Europeia, Rutte ajudou a construir um lugar de destaque para a Holanda no bloco, ao promover uma agenda econômica baseada no livre comércio e em regras comuns. Mas não conseguiu apresentar uma política migratória que pacificasse o país, o que provocou o colapso de seu gabinete. No fragmentado cenário político holandês, a formação do novo governo poderá levar meses. Para a formação do último governo, foram necessários nove meses. Assim, migração e outras questões importantes, como metas climáticas e agricultura, deverão ficar em compasso de espera até 2024. “Nexit” O Partido pela Liberdade segue uma linha de política externa de “Holanda em primeiro lugar” e não gosta da integração europeia. “A Holanda será mais dura e mais conservadora na Europa, inclusive em matéria de orçamentos e migração”, disse Simon Otjes, professor assistente de política holandesa na Universidade de Leiden, em entrevista ao The New York Times. No programa do partido, figura um referendo sobre o “Nexit”, a saída da Holanda (Netherlands, em inglês) da União Europeia, na linha do Brexit, que foi aprovando em plebiscito pela população britânica. A vitória de Wilders ocorre na esteira de avanços de partidos de extrema direita em outros países do norte europeu, como Suécia, onde o governo depende dos votos parlamentares de um partido com raízes neonazistas, e a Finlândia. Pouco depois do resultado da boca de urna ser anunciado na Holanda, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán comemorou os “ventos de mudança” na Holanda. A Holanda é, por enquanto, um dos principais contestadores das ideias ultranacionalistas e xenófobas de Orbán — que no ano passado, num discurso, afirmou: “[Nós húngaros] estamos dispostos a nos misturar, mas não queremos nos tornar pessoas mestiças”.
Israel e Hamas iniciam cessar-fogo de quatro dias na Faixa de Gaza

Nesta sexta-feira (24), um comboio de tanques militares e veículos blindados de Israel foi avistado deixando a Faixa de Gaza e cruzando a fronteira israelense logo após o início da trégua acordada com o grupo palestino Hamas. O cessar-fogo é uma das disposições do primeiro grande pacto firmado entre os dois desde que passaram a se enfrentar, cerca de um mês e meio atrás. A trégua temporária, em vigor desde as 7h no horário local (2h, horário de Brasília), marca um intervalo de quatro dias no conflito que possibilitará a libertação de reféns capturados. Minutos após o início da pausa, Israel ativou alarmes para alertar sobre possíveis ataques com foguetes em comunidades israelenses na área da fronteira. Um porta-voz do governo israelense denunciou que o Hamas lançou um foguete contra o país, violando os termos do acordo. Felizmente, nenhum dano foi relatado. Enquanto isso, ao sul da Faixa de Gaza, residentes palestinos foram vistos retornando às suas casas na região de Khan Younis. Caminhões também foram testemunhados cruzando a passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, transportando suprimentos. Vale destacar que, antes do início da trégua, as Forças de Defesa de Israel conduziram uma operação para destruir uma rota de túneis na área do Hospital Al-Shifa, um dos mais importantes de Gaza, pouco antes do início da pausa. De acordo com comunicado dos militares israelenses, “as Forças de Defesa de Israel concluíram os seus preparativos operacionais de acordo com as linhas de combate da pausa.” Conforme o acordo, os primeiros reféns mantidos pelo Hamas devem ser libertados ainda nesta tarde. Prevê-se que mais de 50 reféns serão libertados nos próximos dias. Israel se comprometeu a estender a trégua em um dia para cada 10 reféns adicionais libertados pelo grupo terrorista. O acordo também inclui a libertação de 150 palestinos detidos como prisioneiros por Israel. Durante a pausa no conflito, Gaza receberá caminhões com água, comida, assistência médica e combustível. Minutos antes do início da trégua, as Forças de Defesa de Israel divulgaram um vídeo do porta-voz Avichay Adraee, enfatizando que a guerra ainda não terminou. “A pausa humanitária é temporária. O norte da Faixa de Gaza permanece uma zona de guerra perigosa”, afirmou.
Milei é eleito na Argentina com projeto de ultradireita

Sergio Massa parabenizou Milei pela vitória antes mesmo da divulgação do resultado oficial Antes mesmo do início da divulgação dos resultados oficiais, o candidato presidencial argentino do União pela Pátria, Sergio Massa, reconheceu a vitória do ultradireitista Javier Milei, do A Liberdade Avança, no segundo turno das eleições, neste domingo (19). “Os resultados não são o que esperávamos. Me comuniquei com Javier Milei para parabenizá-lo e desejar-lhe boa sorte porque ele é o presidente que a maioria dos argentinos elegeu para os próximos quatro anos”, disse Massa em discurso a apoiadores. O ultradireitista Milei emergiu como o novo presidente eleito da Argentina, superando o ministro da Economia e o influente peronismo. O resultado representa uma guinada para a extrema direita na Argentina, em um período onde o país enfrenta uma severa crise econômica e hiperinflação. Durante a campanha, Milei prometeu mais turbulência nas já agitadas águas políticas e econômicas argentinas. Entre suas propostas, destacam-se a intenção de abolir o Banco Central da Argentina, a dolarização da economia e a adoção de uma visão econômica “libertária”. Além disso, a campanha de Milei ganhou notoriedade por defender abertamente a “tirania”.
Brasileiros que deixaram Gaza viveram dias de tensão e angústia

Relembre principais momentos da travessia dos brasileiros em Gaza – Agência Brasil – O cruzamento da fronteira de Gaza com o Egito neste domingo (12) representou mais um capítulo na jornada do grupo de 32 pessoas – 22 brasileiros de nascimento, sete palestinos naturalizados brasileiros, três palestinos familiares próximos, 17 crianças, nove mulheres e seis homens – para escapar do conflito entre o Hamas e Israel que já deixou mais de 12 mil mortos, dos quais cerca de 1.200 israelenses e 11 mil palestinos, sendo quase 70% mulheres e crianças. Depois de um mês de agonia, o grupo de 32 pessoas chegou ao Cairo, onde dorme nesta noite. O avião que transportará os brasileiros vai decolar do Cairo às 11h50 (hora local) de amanhã (13). O pouso em Brasília está previsto para as 23h30. Duas pessoas do grupo, que constavam da lista original, desistiram da repatriação e decidiram permanecer em Gaza. A jornada de repatriação, marcada por momentos de tensão, angústia e terror, teve início no dia 7 de outubro, logo após o atentado do Hamas a Israel. Foram dias de espera aguardando a inclusão na lista de pessoas autorizadas a atravessar a passagem de Rafah, o que só ocorreu na sétima lista. Mesmo com a inclusão, os brasileiros ainda tiveram que aguardar, já que a fronteira de Rafah, em Gaza, para o Egito foi fechada no sábado (4) após ataque a ambulâncias, que deixou vários palestinos mortos e feridos. A fronteira permaneceu fechada nos dias seguintes por razões de segurança. Na sexta-feira (10), ataques aéreos de Israel atingiram ao menos três hospitais na Faixa de Gaza e mantiveram a fronteira fechada. Como a saída dos brasileiros e demais estrangeiros está condicionada à transferência dos feridos da Faixa de Gaza ao Egito, os confrontos em torno dos hospitais dificultaram a logística para saída das ambulâncias. Autoridades palestinas disseram que um bebê morreu e dezenas de outros pacientes estavam em risco devido ao cerco israelense a um dos hospitais. Com o fechamento, os brasileiros tiveram que retornar aos abrigos, até que a autoridade da fronteira de Gaza anunciasse que a passagem terrestre de Rafah para o Egito seria reaberta neste domingo para quem tem passaporte estrangeiro. Foram momentos de frustração desde o início do périplo dos brasileiros, logo após o Exército israelense anunciar intensa incursão terrestre e determinar o êxodo dos palestinos do norte de Gaza, habitada por mais de 1 milhão de habitantes, para o Sul, no dia 13 de outubro. No dia seguinte, uma parte dos brasileiros, que estavam abrigados em uma escola da Cidade de Gaza, iniciaram a jornada para Rafah O governo brasileiro já havia mandado, no dia 12 de outubro, uma aeronave VC-2 (Embraer 190) da Presidência da República para resgatar brasileiros. Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que havia entrado em contato com o ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shoukry, a fim de garantir uma passagem humanitária para os brasileiros fazerem a travessia entre Gaza e o Egito, a partir de onde seria mais viável permitir um retorno seguro. Isso não ocorreu, no entanto, de imediato. Os brasileiros, que estavam em dois grupos, nas cidades de Rafah e Khan Yunis, ao sul da Faixa de Gaza, tiveram que esperar uma pausa nos bombardeios para se deslocar com segurança. As cidades chegaram a registrar o maior número de mortes causadas pelos bombardeios de Israel no fim de outubro. Segundo a representação do Brasil em Ramala, na Cisjordânia, os brasileiros relataram intenso bombardeio “com o uso de algum produto que afeta a respiração: ‘parece gás lacrimogêneo’”. Durante esse período, os brasileiros sofreram com difíceis condições de sobrevivência. Foram momentos sem energia, sem comunicação. No dia 27, a empresa de telefonia Palestina Jawal informou o corte de todas as comunicações com a Faixa de Gaza. O Escritório de Representação do Brasil em Ramala, na Cisjordânia, só conseguiu retomar o contato com os brasileiros no dia seguinte. “Restabelecemos o contato com nossos nacionais nas duas cidades, e continuaremos monitorando a situação”, informou o embaixador Alexandro Candeas, responsável pelo escritório. Em Rafah, o grupo era formado por 18 pessoas, das quais nove crianças. Em Khan Younes, eram nove crianças, cinco mulheres e dois homens. Eles passaram por dificuldades para conseguir água e alimentos e tiveram que contar com o apoio da representação brasileira na Cisjordânia para conseguir itens básicos de alimentação. Os brasileiros sofreram ainda com os bombardeios de Israel, que também atingiram o sul de Gaza. No dia 30, novo bombardeio atingiu um prédio ao lado da residência de uma das famílias de brasileiros em Khan Yunes. O fato foi registrado por Hasan Rabee, de 30 anos, que relatou o susto com o bombardeio. “Acabou de cair uma bomba atrás desse prédio. Meu Deus do céu. As bombas não param. Está vendo a rua como ficou? As bombas não param. As crianças estão bem assustadas”, relatou o palestino naturalizado brasileiro. Ele foi à rua para mostrar a destruição no prédio ao lado de onde estava abrigado. Contou que vizinhos tentavam salvar as pessoas atingidas pela bomba. “A casa que foi atacada ao lado de onde a gente está. Bastante gente ferida. Cidadãos fazendo ajuda humanitária para resgatar os feridos. Absurdo”, lamentou. Hasan vive em São Paulo e foi a Gaza com as duas filhas e a esposa para visitar a família, poucos dias antes do início do conflito. O palestino naturalizado brasileiro contou à Agência Brasil que não já encontrava água mineral ou gás de cozinha. “Água mineral a gente não tem, porque não acha. Antigamente, 500 litros (de água potável) eram 10 shekels, hoje 500 litros são 100 shekels, mas você não acha nunca. Não tem energia para filtrar essa água. Fruta é muito difícil achar na feira. A única coisa que a gente acha bastante é o pepino, o resto você não acha fácil ”, relatou. Saída A demora na inclusão dos brasileiros vinha causando muita expectativa. A primeira lista autorizou um grupo de 450 estrangeiros a deixar a Faixa
DIPLOMACIA – Brasileiros são autorizados a deixar a Faixa de Gaza

Grupo de 34 pessoas dividido entre as cidades de Kan Yunis e Rafah aguardava autorização para atravessar a fonteira O grupo de 34 brasileiros que aguardavam a liberação para deixar a Faixa de Gaza recebeu a autorização nesta sexta-feira (10) e aguardam desde o início da manhã para cruzar a fronteira de Rafah, com o Egito. Os brasileiros ou palestinos em proceso de naturalização estavam no sul de Gaz, nas cidades de Khan Yunis e Rafah. “Espero que a gente consiga viajar hoje, a chance é muito grande. Talvez tenha dificuldade, mas espero que não aconteça isso e a gente já está indo agora na fronteira”, disse o comerciante Hasan Rabee, de 30 anos, em um vídeo gravado no ônibus com16 brasileiros que estavam em Khan Yunis a caminho de Rafah. A passagem humanitária, que fica no sul da Faixa de Gaza, na fronteira com o Egito, tem sido marcada por instabilidades logísticas e diplomáticas. Ambas dificultam a saída de cidadãos que querem fugir da zona de guerra, bombardeada incessantemente por Israel há mais de um mês. Fechada nesta quarta (8), devido a uma “circunstância de segurança” não explicada, a fronteira foi reaberta nesta quinta-feira (9).