Pelo 2º dia, Israel não divulga lista de autorizados a deixar Gaza

Saídas foram suspensas após ataque de Israel contra ambulâncias Agência Brasil – As autoridades israelenses e egípcias não divulgaram nenhuma lista de estrangeiros que estariam autorizados a deixar a Faixa de Gaza nesta segunda-feira (6). Este é o segundo dia consecutivo que nenhuma pessoa consegue deixar o enclave palestino, alvo de constantes bombardeios de Israel. As saídas foram suspensas após um ataque de Israel contra ambulâncias em Gaza usadas para transportar feridos, segundo informou a agência de notícias Reuters. Autoridades egípcias, estadunidenses e do Catar disseram que estão tentando retomar a saída de estrangeiros e feridos de Gaza após o ataque às ambulâncias. A última lista divulgada no sábado (4) tinha o nome de 599 estrangeiros, entre esses, 386 com passaporte dos Estados Unidos, 112 do Reino Unido, 51 da França e 50 da Alemanha. Este foi o quarto grupo de estrangeiros ou residentes com dupla nacionalidade que as autoridades egípcias e israelenses, com a anuência do governo estadunidense, autorizaram a ingressar em território egípcio. O ministro das Relações Exteriores do Brasil Mauro Vieira conversou com o ministro do Exterior de Israel, Eli Cohen, na última sexta-feira (3). Segundo o chanceler brasileiro, o ministro israelense deu garantias de que até esta quarta-feira (8) os brasileiros na Faixa de Gaza passariam pela fronteira com o Egito. Um grupo de 34 brasileiros espera desde o início da guerra autorização para deixar Gaza. Eles estão divididos entre as cidades de Rafah e Kahn Yunis, no sul do enclave palestino. O brasileiro Hasan Rabee, de 30 anos, informou nesta segunda-feira (6) que está muito difícil achar comida e que não há água potável para beber. Já os alimentos são cozidos em fogões a lenha. “Cada dia é pior que o outro. Água não tem mineral, estamos tomando água encanada. Hoje 31 dias sem energia. O mais difícil agora é encontrar alimentação. Além da guerra e do bombardeiro, outro sofrimento é a comida. Muita gente passa fome”, afirmou.
Joe Biden é acusado de apoiar o genocídio na Faixa de Gaza

Rashida Tlaib, a primeira palestino-americana da Câmara dos Representantes e do Congresso dos EUA, prevê que Biden sofra consequências em 2024 se não apoiar um cessar-fogo Sputnik – A primeira mulher palestino-americana no Congresso dos EUA acusou o presidente Joe Biden de apoiar um “genocídio” dos palestinos e alertou sobre as repercussões nas eleições do próximo ano. “Joe Biden apoiou o genocídio do povo palestino”, disse Rashida Tlaib, uma congressista democrata do Michigan, em um vídeo publicado no X (antigo Twiitter), mostrando imagens de mortos e feridos em bombardeios em Gaza, manifestações pró-palestinas nos Estados Unidos, Biden declarando apoio a Israel e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu agradecendo ao presidente dos EUA. A congressista repetiu assim seus apelos para que Biden apoie um cessar-fogo nas hostilidades entre Israel e Hamas, que começaram em 7 de outubro. “O povo americano não vai se esquecer. Biden, apoie o cessar-fogo agora ou não conte conosco em 2024”, afirmou Tlaib. A Casa Branca reiterou sua posição sobre uma pausa temporária nos combates. “Como vocês já nos ouviram dizer, apoiamos pausas humanitárias nos combates para que a ajuda humanitária que salva vidas seja recebida e distribuída aos necessitados em Gaza, e para que os reféns sejam libertados”, disse um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. “O que não apoiamos são os pedidos para que Israel pare de se defender dos terroristas do Hamas, que é o que seria um cessar-fogo permanente”, sublinhou ele.
Brasil agiu como mediador em Conselho da ONU, dizem analistas

País presidiu colegiado no primeiro mês de conflito no Oriente Médio Durante os 31 dias em que ficou à frente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), o Brasil atuou como mediador e árbitro em meio ao conflito no Oriente Médio, e não como ator político, segundo avaliaram três especialistas entrevistados pela Agência Brasil O Brasil presidiu o Conselho de Segurança em um dos mais tensos momentos da política internacional, liderando as tentativas de acordo entre seus membros para um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Porém, as quatro propostas de resolução sobre o conflito foram rejeitadas. A proposta articulada pelo Brasil, apesar de ter recebido os votos da maioria (12 votos favoráveis e 2 abstenções), foi rejeitada por um veto dos Estados Unidos. Para ser aprovada, uma resolução não pode receber veto de nenhum dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido). O professor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) Bernando Rocher destacou que a diplomacia brasileira tentou ser um moderador, e não um agente político proativo, para condenar um ou outro lado do conflito, apesar das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ora crítico ao Hamas, ora crítico à atuação militar de Israel. “A diplomacia se manteve firme tentando construir um acordo de cessar-fogo e de criação de um corredor humanitário para a população de Gaza, que está sendo bombardeada. Esse foi o ponto de destaque: não buscar conflito, não aprofundar as tensões, agindo como um gerente da causa, e não como um ator político”, afirmou. Na avaliação do professor Rocher, com esse comportamento, o Brasil saiu bem visto pelos países árabes, mas acabou por desgastar um pouco as relações com Estados Unidos e Israel. “Para o mundo árabe, o Brasil agiu com justiça e com equilíbrio, tentando resolver um problema, e não ampliando ele.” Em relação a Israel, o professor ressaltou que “arestas foram criadas porque o Brasil apontou para um caminho independente e soberano”. Para ele, Israel exige uma submissão total ao ponto de vista deles. “O Brasil confere legitimidade ao Estado de Israel, mas não nos termos absolutos que eles querem.” Quanto aos Estados Unidos, Rocher enfatizou que o problema é que eles não veem com bons olhos outros países tomando a liderança em um momento como esse. “Os Estados Unidos não conseguem suportar muito o protagonismo e a liderança que a diplomacia brasileira tenta construir em vários campos”, ressaltou. Divergência Já o professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná Eduardo Saldanha disse que o papel de moderador exercido pelo Brasil no Conselho de Segurança inviabiliza negociar com Israel. Segundo Saldanha, para isso, o Brasil teria que considerar o Hamas um grupo terrorista. “A ausência de firmeza também causa desconfianças. Essa posição denota uma fraqueza da diplomacia brasileira, e não podemos esquecer que, neste momento de negociações, o país com o qual mais se precisa negociar é com o que está envolvido diretamente no conflito. E o Brasil não está em posição mediar nada com relação a Israel”, destacou. Para Saldanha, a atuação do Brasil na presidência do Conselho de Segurança da ONU pode ser considerada positiva, ao tentar articular uma proposta de resolução que teve a maioria dos votos, apesar de não ter sido aprovada. Porém, o professor considera negativa a relutância em considerar o Hamas um grupo terrorista. O Itamaraty explicou que o Brasil só considera grupos terroristas aqueles definidos pelo Conselho de Segurança da ONU, o que não é o caso do Hamas. A maioria dos países-membros da ONU, incluindo países europeus como Noruega e Suíça, além de China, Rússia e nações latino-americanas, como México, Colômbia, seguem a definição atual da organização, que não classifica o Hamas como grupo terrorista. Assento permanente Já o pesquisador do Observatório de Política Externa e da Inserção Internacional do Brasil (Opeb), Gustavo Mendes de Almeida, considera que o Brasil acertou ao não se vincular diretamente a Israel e ao condenar os ataques do Hamas “A gente vê isso pela resolução, que teve ampla aceitação. Ela foi vetada pelos Estados Unidos, o que era de se esperar por conta das relações históricas que os Estados Unidos têm com Israel, mas o fato de países como a França, que é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, ter votado favoravelmente à resolução brasileira demonstra como ela foi bem planejada e articulada pela diplomacia do Brasil”, afirmou. Para Almeida, a atuação do Brasil na presidência do Conselho fortalece o pleito do país por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. “O Brasil historicamente atua de maneira pacífica no sistema internacional por não ter confrontação aberta com nenhum outro país. Com isso, o Brasil segue bem como esse agente moderador que tenta pacificar as relações. O Brasil demonstrou para o mundo a importância que a diplomacia brasileira tem em tentar promover a paz”, concluiu.
Sergio Massa é o candidato mais votado e vai ao segundo turno com Milei na Argentina

Resultado do atual ministro da Economia surpreendeu os que previam vitória fácil da extrema direita Télam – O candidato presidencial da Unión por la Patria (UxP), Sergio Massa, lidera com 36,11% dos votos nas eleições nacionais realizadas neste domingo. Ele é seguido por Javier Milei, de La Libertad Avanza, com 30,35%. Com esses resultados, ambos disputarão o segundo turno das eleições, previsto para 19 de novembro. Em terceiro lugar está Patricia Bullrich, de Juntos por el Cambio, com 23,69%, conforme 81,89% dos votos oficialmente apurados; seguida por Juan Schiaretti, do Hacemos por Nuestro País, com 7,18%, e Myriam Bregman, do Frente de Izquierda Unidad, com 2,64%.
Eleições na Argentina: entenda o sistema eleitoral e quem são os candidatos

A votação do primeiro turno ocorre entre 8h e 18h deste domingo (22/10); entenda as regras do jogo eleitoral e conheça os candidatos O primeiro turno das eleições na Argentina ocorre neste domingo (22/10). Os argentinos vão decidir qual será o futuro presidente do país, que vai suceder Alberto Fernández a partir de 10 de dezembro. A votação ocorre entre 8h e 18h deste domingo — o horário de Buenos Aires é o mesmo de Brasília. Diferentemente do Brasil, a Argentina não tem urnas eletrônicas. O sistema eleitoral é baseado em cédulas com o voto impresso, em que os eleitores colocam um envelope lacrado com os registros do candidato escolhido na urna. O primeiro turno das eleições gerais definirá o próximo presidente e vice-presidente do país, além de quatro governadores, 130 deputados e 24 senadores de oito províncias. Segundo a Câmara Nacional Eleitoral (CNE), a Argentina tem mais de 35 milhões de eleitores, incluindo argentinos que votam no exterior. No país, o voto é secreto e obrigatório para cidadãos entre 18 e 70 anos — única característica semelhante ao sistema eleitoral brasileiro. Para vencer diretamente no primeiro turno, os candidatos argentinos precisam alcançar 45% dos votos válidos ou 40% dos votos, desde que possuam 10 pontos percentuais de vantagem em relação ao segundo lugar. Já no segundo turno, o candidato eleito é escolhido pela maioria simples dos votos — a metade mais um. Em 2023, um eventual segundo turno está marcado para 19 de novembro. O cientista político Damian Deglauve, de Buenos Aires, explica que a principal diferença do sistema eleitoral argentino para o brasileiro é justamente o sistema de contagem de votos. “No Brasil, o candidato vence com mais de 50% dos votos [maioria absoluta, 50% dos votos mais um]. Na Argentina, é preciso ter 40% de vantagem mais um voto ou mais de 45%”, esclarece Outra distinção importante apontada por Deglauve é a liberdade de escolha para a seleção dos candidatos para os diferentes cargos. “No Brasil, as listas são abertas. Na Argentina, as listas são fechadas e bloqueadas, ou seja, você pode votar de forma distinta para governador e presidente, mas sempre respeitando a lista completa de um partido”, afirma. Quem são os candidatos à presidência da Argentina? Cinco nomes disputam o posto de ocupante da Casa Rosada, em Buenos Aires. São eles Javier Milei, economista da extrema direita; Sergio Massa, atual ministro da Economia; Patricia Bullrich, ex-ministra de Segurança de Maurício Macri; Juan Schiaretti, governador de Córdoba; e Myriam Bregman, deputada pela Frente de Esquerda e dos trabalhadores. As pesquisas mostram três nomes na disputa por duas vagas no segundo turno: Sergio Massa e Patricia Bullrich, veteranos na política e representantes dos partidos tradicionais do país, e Javier Miliei. Sergio Massa | Partido Unión por La Patria Massa é o atual ministro e pertence ao partido governista “União pela Pátria” (centro-esquerda). A principal crítica que enfrenta é referente a situação econômica do país, que vive uma inflação de 140%. A carreira política dele começou em 1999, quando foi eleito deputado provincial de Buenos Aires. Sergio Massa teve apoio do atual presidente da Argentina, Alberto Fernandez, e da vice, Cristina Kirchner, para concorrer à presidência. Em suas propostas, Massa quer implementar o equilíbrio fiscal, o superavit comercial, o câmbio competitivo e o desenvolvimento com inclusão Patricia Bullrich | Coligação Juntos por el Cambio Candidata da direita e ex-ministra da Segurança, faz parte da coligação “Juntos Pela Mudança”. Patricia Bullrich é formada em humanidades e ciências sociais, com foco em comunicação. Nasceu em Buenos Aires, em 1956. Faz parte de uma família aristocrática argentina, e alguns de seus parentes são conhecidos no meio artístico e político. É conhecida também como a “Dama de ferro” argentina. Sua carreira política começou como deputada de Buenos Aires e, depois, foi ministra do Trabalho, da Segurança Social e da Segurança. Seu slogan é “Se não é tudo, não é nada”. Entre as propostas dela estão a dolarização do país e medidas contra a inflação acima dos três dígitos. Javier Milei | Coligação La Libertad Avanza A novidade na eleição está na participação de Javier Milei. O economista do partido de extrema direita “Liberdade Avança”, criado em 2021, tem apenas dois anos de experiência como deputado. Milei tem como símbolo uma motosserra, que leva em suas aparições de campanha, em alusão aos cortes que fará nos impostos do país. Javier Milei é um economista argentino, nascido em Buenos Aires, em 22 de outubro de 1970. Ficou famoso em programas de televisão de discussões políticas por discursos polêmicos. Foi economista-chefe de empresas e também já atuou como professor universitário de disciplinas sobre economia. Na política, foi eleito deputado em 2021. O candidato se destacou na mídia com a “turnê da liberdade” e por sua vida fora da política, como jogador de futebol e passagem pela música. Após apresentar sua candidatura à presidência, Milei chegou a receber o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Suas principais propostas de campanha são a dolarização da economia, fechamento do Banco Central, redução dos gastos estatais e a privatização de empresas públicas. Como estão as pesquisas eleitorai Milei lidera as pesquisas eleitorais, com intenção de voto variando entre 35,6% e 33%. Em segundo lugar está Massa, com 26% e 32,2% dos eleitores, enquanto Bullrich aparece em terceiro posto, com 21,8% a 28,9%. Os dados pertencem ao conjunto de 12 pesquisas consultadas pelo jornal La Nación. Correio Braziliense
Câmara aprova entrada da Bolívia no Mercosul; projeto segue ao Senado

O processo de adesão da Bolívia foi firmado em 2015 no governo de Dilma Rousseff. Só falta a aprovação do parlamento brasileiro para que a Bolívia seja integrada A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (18) à noite, por 323 votos a favor e 98 contrários, o protocolo de adesão da Bolívia ao Mercosul. O projeto de decreto legislativo segue ao Senado. Só falta a aprovação do parlamento brasileiro para que a Bolívia seja integrada. O processo de adesão da Bolívia, que foi firmado em 2015 no governo de Dilma Rousseff, depende da autorização do legislativo de todos os países que compõem o bloco (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-MG), rebateu os deputados de direita que alegaram o uso de motivos ideológicos por parte da administração brasileira para encaminhar o voto a favor. “Nós não estamos discutindo que tipo de governo é a Bolívia ou o Equador. É o Mercosul, que foi criado lá atrás, que precisa da entrada da Bolívia, porque não pode tratar nada. Portanto, é um acordo que é bom para o Brasil, é ótimo para economia brasileira. Não está em discussão ideologia aqui”, defendeu. A partir da vigência do protocolo de adesão será criado um grupo de trabalho com representantes de todos os países membros, que terá 180 dias para concluir um cronograma de adoção gradual das regras do Mercosul pela Bolívia dentro de um período de quatro anos. Desde a assinatura do protocolo, em 2015, a Bolívia já faz parte das negociações do bloco com outros países ou blocos econômicos, como a União Europeia. A adesão gradativa envolve, por exemplo, o cumprimento das normas do Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, e de outras normas sobre estrutura institucional e solução de controvérsias entre os países participantes. O país deverá cumprir ainda normas de compromisso com a promoção e a proteção dos direitos humanos e de constituição do Parlamento do Mercosul. Tarifa Também no prazo de quatro anos, a Bolívia deverá adotar a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a tarifa externa comum e o regime de origem do Mercosul. Durante o processo de incorporação, será levada em consideração a necessidade de estabelecer instrumentos para diminuir assimetrias entre os Estados participantes a fim de favorecer um desenvolvimento econômico relativo equilibrado no Mercosul e assegurar um tratamento não menos favorável que o vigente entre as partes. Dentro dos quatro anos da transição, acordos bilaterais deverão perder a vigência, como o acordo de complementaridade econômica entre a Venezuela e a Bolívia e o acordo de complementação econômica entre a Bolívia e o Mercosul, que estipulava uma área de livre comércio entre as partes.
Daniel Noboa derrota Luisa Gonzalez no 2º turno e é o novo presidente do Equador

Novato na política vence Luisa González, candidata de Rafael Correa, e vai governar até maio de 2025 – Apoiado por partidos de direita, ele se tornou a pessoa mais jovem a chegar ao cargo, aos 35 anos O apelo ao que seria um “novo Equador” foi mais forte que a proposta de retomar o caminho traçado pelo ex-presidente Rafael Correa (2007-2017) na eleição antecipada para a presidência do Equador, que teve o segundo turno neste domingo (15). Com 89,29% das urnas apuradas, o candidato empresário Daniel Noboa, da Ação Democrática Nacional, obteve 52,3% dos votos válidos (4.809.867), ante 47,7% (4.386.874) da correísta Luisa González, da Revolução Cidadã, segundo o Conselho Nacional Eleitoral. A essa altura, González já reconhecia a derrota. “Esse é um projeto político de país, que busca melhores dias para os equatorianos. Aos que não votaram na gente, nossos cumprimentos, porque ganhou o candidato que vocês elegeram”, afirmou a candidata. “Jamais sairemos gritando ‘fraude’.” Ela agradeceu “ao povo equatoriano, aos milhares de cidadãos que caminharam ao nosso lado”. E estendeu a mão ao presidente eleito. “Chega de ódio, de polarização. O Equador precisa se curar. (O vencedor) pode contar conosco para um acordo comum, de pátria”. Daniel Noboa, que será o presidente mais jovem da história do Equador, aos 35 anos, terá assim a chance de mostrar uma característica que propôs durante a campanha, de ser um caminho intermediário entre a Revolução Cidadã, a única coalizão de esquerda a disputar esta eleição, e a oposição a ela, representada pela maioria dos demais candidatos. Na hora de votar, ele postou na rede social X (antigo Twitter) que “é hora de esperança, de mudança, de um novo Equador”. Noboa é filho de dois políticos conhecidos no Equador: Alvaro Noboa, um dos homens mais ricos do país e candidato presidencial em cinco ocasiões, e Anabella Azín, médica, deputada e legisladora da última constituinte, em 2007. É empresário e novato na política. Foi eleito pela primeira vez em 2021, para o cargo de deputado. Defende uma plataforma liberal e propõe administrar o país com a participação do setor privado. A eleição presidencial transcorreu sem nenhum incidente grave e a participação foi de 82,33% do eleitorado, ligeiramente superior à do primeiro turno. Cercada de expectativa por causa da onda de violência sem precedentes que acomete o país, a votação contou com um efetivo de segurança formado por mais de 90 mil agentes da Polícia Nacional e das Forças Armadas. Antes do primeiro turno, o candidato Fernando Villavicencio foi assassinado pelo crime organizado. Os dois candidatos votaram trajando colete à prova de balas e cercados por forte aparato de segurança. O ministro do Interior, Juan Zapata, pediu aos cidadãos que fossem às urnas e confiassem no esquema de proteção montado pelo governo. Transição Noboa deve assumir o cargo em dezembro e terá mandato até maio de 2025, data na qual originalmente se encerraria o governo de Guillermo Lasso, que dissolveu a Assembleia Nacional e antecipou a eleição no contexto de uma disputa com o Legislativo, que pretendia tirá-lo do cargo sob acusação de corrupção. “A partir desta terça-feira (17), estaremos prontos para iniciar imediatamente um processo de transição, permitindo que as novas autoridades compreendam a situação do país e os projetos em andamento em várias áreas”, afirmou Lasso. Democracia Com a votação deste domingo, chega ao fim um período eleitoral atípico, com um nível de violência sem precedentes na história do Equador, país tradicionalmente pacífico e seguro. A escalada de violência é patrocinada pelo crime organizado representado prioritariamente pelo narcotráfico. Políticos foram assassinados durante a campanha, inclusive um dos candidatos à presidência, Fernando Villavicencio. Por causa desse contexto, a cientista política equatoriana Maria Villareal disse, ainda no primeiro turno, que o simples fato de a eleição ter transcorrido calmamente, com alta participação do eleitorado (81%), e de todos os candidatos terem reconhecido o resultado, representou uma expressiva “vitória da democracia”. Na ocasião, além da passagem de Luisa González e Daniel Noboa para o segundo turno, a população do Equador decidiu em referendo suspender a exploração de petróleo em uma área de floresta amazônica na fronteira com o Peru.
Origem do Hamas foi financiada por Israel e pelos EUA

Entenda o verdadeiro motivo do financiamento e apoio israelense ao Hamas nos anos 1980 Você sabia que o Hamas foi financiado pelo estado israelense em sua origem? A informação é confirmada por ex-membros das forças israelenses e não é teoria da conspiração. Em 1987, após a primeira intifada, a Irmandade Muçulmana foi financiada por Israel para ser oposição aos nacionalistas de esquerda da Fatah e outros grupos socialistas. A ideia de Israel era dividir a resistência palestina para colonizar com mais facilidade os palestinos desunidos. Anos depois, o Hamas se tornou a principal força política e militar de resistência contra os israelenses e, ao contrário da Fatah, não aceita o diálogo com os sionistas. Yitzhak Segev, que foi governador militar israelense em Gaza no início da década de 1980. disse mais tarde a um repórter do New York Times que ajudou a financiar o movimento. “O governo israelita deu-me um orçamento”, confessou o general de brigada reformado. “O Hamas, para meu grande pesar, é uma criação de Israel”, disse Avner Cohen, um antigo responsável pelos assuntos religiosos israelitas que trabalhou em Gaza durante mais de duas décadas, ao Wall Street Journal em 2009. Os EUA? Além de, em muitas ocasiões, terem dado apoio à Irmandade Muçulmana – em especial em países árabes de orientação socialista, como o Egito de Nasser e a Síria dos Assad – sabiam da estratégia israelense e a apoiaram. David Long, que foi especialista em Médio Oriente no Departamento de Estado dos EUA no governo de Ronald Reagan, disse ao jornalista Robert Dreyfuss: “Pensei que os Israelenses estavam brincando com fogo. Mas não sabia que acabariam por criar um monstro. Não acho que você deva mexer com fanáticos em potencial”, afirmou Long. O que é o Hamas? O Hamas é um grupo político e militar defensor da resistência armada como meio legítimo de lutar contra a ocupação israelense e que domina a região da Faixa de Gaza. A organização vê a resistência como um direito e alega que o uso da força é uma resposta à opressão e ao despojo que os palestinos enfrentam. O grupo foi fundado em dezembro de 1987, durante a Primeira Intifada, uma revolta palestina contra a ocupação israelense nos Territórios Palestinos, que inclui a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. A organização emergiu em um contexto de agitação e descontentamento entre a população palestina, que buscava resistir à ocupação israelense e reivindicar seus direitos nacionais. O Hamas foi inicialmente estabelecido como um braço social e político da Irmandade Muçulmana palestina, com o objetivo de fornecer serviços sociais e desenvolvimento comunitário às comunidades palestinas, particularmente em Gaza, e criar um estado muçulmano na Palestina
Como o Hamas enganou Israel enquanto planejava um ataque

O ataque de sábado ocorreu após dois anos de silêncio do Hamas, que manteve seus planos militares em sigilo e convenceu Israel de que não queria uma luta Reuters – Uma cuidadosa campanha de engano garantiu que Israel fosse pego de surpresa quando o grupo islâmico palestino Hamas lançou seu ataque devastador, permitindo que uma força usando tratores, asa-deltas e motocicletas enfrentasse o exército mais poderoso do Oriente Médio. O ataque de sábado, a pior violação das defesas de Israel desde que os exércitos árabes travaram guerra em 1973, seguiu dois anos de subterfúgio do Hamas, que envolveu manter seus planos militares em sigilo e convencer Israel de que não queria uma luta. Enquanto Israel acreditava que estava contendo um Hamas cansado de guerra, oferecendo incentivos econômicos aos trabalhadores de Gaza, os combatentes do grupo estavam sendo treinados e preparados, muitas vezes à vista de todos, disse uma fonte próxima ao Hamas. Esta fonte forneceu muitos dos detalhes para a narrativa do ataque e sua preparação que foi montada pela Reuters. Três fontes dentro do aparato de segurança de Israel, que, como outros, pediram para não serem identificadas, também contribuíram para esta narrativa. “O Hamas deu a Israel a impressão de que não estava pronto para uma luta”, disse a fonte próxima ao Hamas, descrevendo os planos para o ataque mais surpreendente desde a Guerra do Yom Kippur há 50 anos, quando o Egito e a Síria surpreenderam Israel e o obrigaram a lutar pela sobrevivência. “O Hamas usou uma tática de inteligência sem precedentes para enganar Israel nos últimos meses, dando a impressão pública de que não estava disposto a entrar em uma luta ou confronto com Israel enquanto se preparava para esta operação massiva”, disse a fonte. Israel admite que foi pego de surpresa por um ataque planejado para coincidir com o Sábado Judaico e um feriado religioso. Os combatentes do Hamas invadiram cidades israelenses, matando 700 israelenses e sequestrando dezenas. Israel matou mais de 400 palestinos em sua retaliação em Gaza desde então. “Isto é o nosso 11 de setembro”, disse o Major Nir Dinar, porta-voz das Forças de Defesa de Israel. “Eles nos pegaram.” “Eles nos surpreenderam e vieram rápido de muitos lugares – tanto pelo ar, como pelo solo e pelo mar.” Osama Hamdan, o representante do Hamas no Líbano, disse à Reuters que o ataque mostrou que os palestinos tinham a vontade de alcançar seus objetivos “independentemente do poder militar e das capacidades de Israel.” ‘Eles se espalharam’ – Um dos elementos mais marcantes de seus preparativos foi a construção de uma simulação de um assentamento israelense em Gaza, onde praticaram um pouso militar e treinaram para invadi-lo, disse a fonte próxima ao Hamas, acrescentando que eles até mesmo fizeram vídeos das manobras. “Israel certamente os viu, mas estava convencido de que o Hamas não estava interessado em entrar em confronto”, disse a fonte. Enquanto isso, o Hamas tentou convencer Israel de que se importava mais em garantir que os trabalhadores em Gaza, uma faixa estreita de terra com mais de dois milhões de habitantes, tivessem acesso a empregos na fronteira e não tinha interesse em iniciar uma nova guerra. “O Hamas conseguiu construir toda uma imagem de que não estava pronto para uma aventura militar contra Israel”, disse a fonte. Desde a guerra de 2021 com o Hamas, Israel tem buscado fornecer um nível básico de estabilidade econômica em Gaza, oferecendo incentivos, incluindo milhares de permissões para que os habitantes de Gaza possam trabalhar em Israel ou na Cisjordânia, onde os salários em construção, agricultura ou serviços podem ser até 10 vezes maiores do que os salários em Gaza. “Acreditávamos que o fato de eles virem trabalhar e trazer dinheiro para Gaza criaria um certo nível de calma. Estávamos errados”, disse outro porta-voz do exército israelense. Uma fonte de segurança israelense reconheceu que os serviços de segurança de Israel foram enganados pelo Hamas. “Eles nos fizeram pensar que queriam dinheiro”, disse a fonte. “E o tempo todo eles estavam envolvidos em exercícios e treinamentos até que se espalharam.” Como parte de seu subterfúgio nos últimos dois anos, o Hamas se absteve de operações militares contra Israel, mesmo quando outro grupo armado islâmico baseado em Gaza, conhecido como Jihad Islâmica, lançou uma série de seus próprios ataques ou lançamentos de foguetes. Sem pista – A contenção mostrada pelo Hamas atraiu críticas públicas de alguns apoiadores, novamente com o objetivo de construir a impressão de que o Hamas tinha preocupações econômicas e não uma nova guerra em mente, disse a fonte. Na Cisjordânia, controlada pelo presidente palestino Mahmoud Abbas e seu grupo Fatah, houve aqueles que zombaram do silêncio do Hamas. Em um comunicado do Fatah publicado em junho de 2022, o grupo acusou os líderes do Hamas de fugir para capitais árabes para viver em “hotéis luxuosos e vilas” deixando seu povo na pobreza em Gaza. Uma segunda fonte de segurança israelense disse que houve um período em que Israel acreditava que o líder do movimento em Gaza, Yahya Al-Sinwar, estava ocupado em administrar Gaza “em vez de matar judeus”. Ao mesmo tempo, Israel desviou seu foco do Hamas enquanto buscava um acordo para normalizar as relações com a Arábia Saudita, acrescentou. Israel sempre se orgulhou de sua capacidade de infiltrar e monitorar grupos islâmicos. Como resultado, disse a fonte próxima ao Hamas, uma parte crucial do plano foi evitar vazamentos. Muitos líderes do Hamas não tinham conhecimento dos planos e, durante o treinamento, os 1.000 combatentes enviados no ataque não tinham ideia exata do propósito dos exercícios, acrescentou a fonte. Quando o dia chegou, a operação foi dividida em quatro partes, disse a fonte do Hamas, descrevendo os vários elementos. O primeiro movimento foi uma barragem de 3.000 foguetes lançados de Gaza que coincidiu com incursões de combatentes que voaram em asa-deltas ou parapentes motorizados sobre a fronteira, disse a fonte. Israel havia dito anteriormente que foram lançados 2.500 foguetes inicialmente. Uma vez que os combatentes em asa-deltas estavam no chão, eles
Papa se prepara para disputa com conservadores em cúpula dos bispos

Pontífice pretende discutir o papel das mulheres e a atitude da instituição em relação às pessoas LGBT CIDADE DO VATICANO (Reuters) – O Papa Francisco abre nesta quarta-feira uma cúpula global de bispos sobre questões potencialmente importantes para a Igreja Católica, incluindo o papel das mulheres e a atitude da instituição em relação às pessoas LGBT. A reunião, que acontece entre 4 e 28 de outubro, conhecida como Sínodo, provavelmente vai expor novamente as profundas divisões entre progressistas e conservadores dentro da Igreja de Francisco, que tem quase 1,4 bilhão de membros, algo constante nos dez anos de seu papado. “É nosso dever… resistir firmemente a qualquer tentativa de mudar o ensinamento da Igreja que possa emergir desta Assembleia Sinodal”, disse o padre Gerald Murray, comentarista da rede de TV católica conservadora EWTN, sediada nos EUA, em uma conferência em Roma na terça-feira. O encontro reúne 365 “membros” com direito a voto, incluindo pela primeira vez 54 mulheres, assim como cerca de 100 outros participantes, como observadores e delegados de outras Igrejas cristãs. Os conservadores atacaram o conceito deste Sínodo, dizendo que qualquer discussão sobre questões doutrinárias deveriam vir de cima e que os leigos, que não são ministros ordenados, não deveriam ter um peso nos debates. As discussões acontecem a portas fechadas e foram precedidas por um exercício de campanha de dois anos, no qual os católicos comuns foram convidados a partilhar sua visão para o futuro da Igreja. Um documento de trabalho resultante deste processo centra-se na forma como a Igreja pode ser mais acolhedora para com as mulheres, os migrantes, os sobreviventes de abusos sexuais clericais, os divorciados e as vítimas das mudanças climáticas e da injustiça social. Para desgosto dos conservadores, o documento não menciona explicitamente o aborto, a eutanásia e a defesa da família tradicional. O Sínodo começa com uma missa papal na Praça de São Pedro. As discussões acontecerão durante este mês e serão retomadas em outubro de 2024. Um documento papal seguirá o encontro, muito provavelmente em 2025, o que significa que se houver mudanças no ensinamento da Igreja, elas ainda estão distantes. Na segunda-feira, cinco cardeais conservadores de Ásia, Europa, África, Estados Unidos e América Latina disseram que pediram a Francisco que reafirmasse a ortodoxia da Igreja, enviando-lhe cinco perguntas formais conhecidas como “dubia”. Francisco respondeu às perguntas dos cardeais, mas eles não ficaram satisfeitos com suas respostas. Em uma delas, o papa sugeriu a possibilidade de permitir que os padres abençoassem casais do mesmo sexo, caso a caso.