Vergonha internacional: Le Monde diz que Bolsonaro “semeia a morte” e que há algo de “podre” no Brasil

 Tradicional jornal francês publicou duro editorial contra o presidente brasileiro e estampará matéria de capa sobre a irresponsabilidade do governo do Brasil diante da pandemia do coronavírus; periódico ainda chama a atenção para aspirações golpistas de Bolsonaro – O termo “Le Monde” se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter no Brasil na tarde desta segunda-feira (18). Isso porque o tradicional jornal francês divulgou, em seu site, um duro editorial contra o presidente Jair Bolsonaro e a forma como o mandatário brasileiro vem agindo diante da pandemia do novo coronavírus no país. “Não há dúvida de que há algo podre no reino do Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro, pode afirmar sem se preocupar que o coronavírus é uma ‘gripezinha’ ou uma ‘histeria’ nascida da ‘imaginação’ da imprensa”, diz o jornal no início do editorial. De acordo com o Le Monde, Bolsonaro “causa caos na saúde e semeia a morte”. “Oficial subalterno expulso do exército e um obscuro deputado de extrema-direita, zombado por seus pares por três décadas, Bolsonaro não tinha nada de um estadista. Chegando ao poder, consumido pela amargura e pela nostalgia, o ex-capitão da reserva continuou a acusar o odiado ‘sistema’. Postura que, durante um período de pandemia aguda, causa caos na saúde e semeia a morte”, diz o texto. O jornal afirma ainda que “o Brasil de Bolsonaro habita um mundo paralelo, um teatro do absurdo onde fatos e realidade não existem mais”. “Nesse universo sob tensão, nutrido por calúnias, incoerências e provocações mortíferas, a opinião é polarizada em uma nuvem espessa de ideias simples, mas falsas”, completou o periódico. Além das críticas, o Le Monde chama ainda atenção para as aspirações golpistas do presidente brasileiro. “Depois de ter praticado a negação histórica do Holocausto, elogiado a ditadura, negado a existência dos incêndios na Amazônia e a gravidade da pandemia de Covid-19, Bolsonaro e sua tentação autoritária correm o risco de levar o país a uma situação perigosa”, pontua o texto. Paralelamente ao editorial, o jornal francês deve estampar em sua capa da edição desta terça-feira (19) uma reportagem intitulada “Bolsonaro ignora a catástrofe do coronavírus”.

STF suspende expulsão de diplomatas venezuelanos

 – Decisão foi tomada pelo ministro Luís Roberto Barroso e tem caráter urgente, já que o Itamaraty havia dado prazo até este sábado para que os funcionários deixassem o território nacional – Em decisão tomada pelo ministro Luís Roberto Barroso, neste sábado (2), o STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu, em caráter urgente, a expulsão de 34 diplomatas venezuelanos que atuavam na embaixada do país em Brasília e em seis diferentes consulados espalhados pelo país, atendendo a um habeas corpus apresentado pelos advogados da Embaixada venezuelana. A medida estará vigente pelos próximos 10 dias. A expulsão dos funcionários venezuelanos foi anunciada pelo Itamaraty na quarta-feira (29), e os afetados tinham prazo até este sábado para deixar o território nacional – por isso o caráter urgente da decisão de Barroso – que também atendeu a uma recomendação do procurador-geral Augusto Aras. Com isso, o STF contraria Jair Bolsonaro, ao impedir o presidente de mostrar sintonia com a política exterior estadunidense, que obriga seus aliados a reforçar sua hostilidade contra o governo de Nicolás Maduro e a se aproximar do líder opositor Juan Guaidó e seus representantes. No texto da sua decisão, Barroso afirma que “considerando (que o PGR alegou) riscos de contágio em razão da epidemia do COVID-19, inerentes e ampliados por deslocamentos que impliquem permanência em locais fechados por longo período de tempo; considerando que a situação de saúde na Venezuela é objeto de debate na esfera internacional, com evidências de que se encontra em situação crítica (…), tenho por caracterizada a plausibilidade do direito invocado pela defesa e o risco concreto que a imediata efetivação da medida de retirada compulsória pode acarretar à integridade física e psíquica dos pacientes”. As dúvidas do ministro com respeito às condições de saúde na Venezuela em meio à pandemia são curiosas, já que o país mostra situação muitíssimo mais controlada que a do Brasil nesse aspecto, e tem se destacado a nível mundial, com apenas 335 contagiados, 10 mortes e 148 pessoas curadas até o momento. Além disso, a decisão de Barroso também obriga o Planalto e o Itamaraty (ou seja, Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo), a dar explicações sobre a expulsão dos diplomatas, dentro dos 10 dias de prazo em que a suspensão estará vigente.

Quem é a irmã de Kim Jong-Un, que pode sucedê-lo no comando da Coreia do Norte

​ Após a imprensa asiática publicar que Kim Jong-Un morreu ou está em leito de morte, sem possibilidade de recuperação, especula-se que Kim Yo-Jong, irmã de Kim, possa assumir a liderança da Coreia do norte. – Yo-Jong era responsável pela imagem pública do líder e uma das poucas mulheres que ocupam um lugar de destaque no regime de Pyongyang, segundo perfil traçado por Clauda Carvalho Silva, no Publico: Num voto de confiança, o líder norte-coreano Kim Jong-un promoveu neste domingo a sua irmã, Kim Yo-jong (e outros dois membros do programa de mísseis), para o organismo mais importante do país, o politburo. Ainda que tenha estado afastada do espaço público grande parte da sua vida, a irmã mais nova de Kim teve uma rápida ascensão no poder dentro do regime. Do pouco que se sabe sobre a dinastia Kim, quem é Kim Yo-jong? Dado o hermetismo do regime de Pyongyang, são poucos os dados conhecidos (e confirmados) sobre a irmã mais nova do líder norte-coreano – até 2010, poucas vezes tinha sido vista em público. Chama-se Kim Yo-jong e desconhece-se a sua idade exacta, mas há relatos de que terá 28 anos, sendo um pouco mais nova do que o seu irmão, que terá 33 anos –, o que faz dela o membro mais jovem do politburo, segundo o New York Times. Antes da promoção anunciada domingo, a irmã de Kim Jong-un já tinha um papel de relevo no departamento de propaganda (onde exercia funções de vice-directora desde o final de 2014), que tem como objectivo controlar a imagem do líder e transmitir mensagens de cariz ideológico nos meios de comunicação e também no campo das artes. Yo-jong geria os momentos em que o irmão aparecia em público, e era também conselheira política. Num regime autoritário que tem por base o culto da personalidade, Yo-jong passou uma imagem benevolente do irmão, apresentando-o como uma figura que segue os ideais do seu avô, Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte. A posição ocupada por Yo-jong no clã Kim fez com que fosse um dos sete nomes que passaram a constar da lista negra do Departamento das Finanças norte-americano devido a crimes de “abusos graves dos direitos humanos” e censura. Agora, vê a sua importância destacada ao substituir no cargo a sua tia, Kim Kyong Hee, que era considerada uma figura-chave em Pyongyang quando Kim Jong-il (o pai do actual líder) liderava o país, até ter morrido, em 2011. Esta tia tem tido um papel apagado na liderança do sobrinho desde que o seu marido, Jang Song Thaek, foi executado, em 2013. Ao contrário da tia, que só ascendeu ao politburo três décadas depois de fazer parte do Partido dos Trabalhadores, Kim Yo-jong está a ter uma rápida ascensão e passa a ser uma das poucas figuras femininas de destaque na Coreia do Norte, ao lado da mulher do líder, Ri Sol-ju. “Como ela é mulher, Kim Jong-un provavelmente não a vê como uma ameaça, um desafio à sua liderança”, disse o investigador Moon Hong-sik, do Instituto sul-coreano de Segurança Nacional, citado pela Reuters. Filhos da mesma mãe É difícil confirmar dados pessoais dos membros da família Kim. Há quem diga que Kim Yo-jong estudou e viveu na Suíça na mesma altura que o irmão, em meados da década de 1990, e que depois disso tirou um curso de Informática na Universidade Kim Il-sung, na capital norte-coreana, refere o Guardian. Kim Jong-un e Kim Yo-jong (e o irmão mais velho Kim Jong Chol, que se mantém afastado da vida política) são filhos da mesma mãe: Ko Yong-hee, que, segundo o New York Times, foi a terceira parceira de Kim Jong-il. Em 2011, a filha mais nova de Kim Jong-il passou a estar presente na comitiva do pai e também foi vista no seu funeral, em Dezembro. Um pouco antes, em Fevereiro, foi identificada publicamente pela primeira vez por um canal televisivo norte-coreano, quando assistia a um concerto de Eric Clapton, em Singapura, juntamente com o irmão mais velho, Kim Jong Chul, diz a Reuters. O Guardian escreve que é provável que tenha sido a irmã mais nova de Kim a assumir temporariamente as rédeas do regime enquanto o líder esteve afastado alguns meses da vida política, em 2014, por motivos de saúde. Desde então, Kim Yo-jong passou a ser vista com mais frequência em acontecimentos públicos, sobretudo a acompanhar o irmão – em concertos, em passeios a cavalo ou até mesmo a receber flores em nome do irmão em comícios de Estado. Durante a parada militar de Abril referente às celebrações do 105.º aniversário do fundador da Coreia do Norte, Yo-jong foi vista a entregar papéis ao seu irmão antes de este discursar. Ainda que a informação não esteja confirmada, o britânico Guardian escreve que a irmã de Kim deverá ser casada com Choe Son, filho de um dos dirigentes do Partido dos Trabalhadores.

Avanço em número de mortes por Covid-19 no Brasil supera EUA e Europa

  – No Brasil, mortes dobram a cada cinco dias. Espaço de tempo é maior em outros países – A última nota técnica do MonitoraCovid-19, sistema da Fiocruz que agrupa dados sobre a pandemia do coronavírus, revelou que o avanço no número de mortes pela doença no Brasil possui um ritmo que supera Estados Unidos e Europa. Aqui, os óbitos dobram a cada cinco dias, um espaço de tempo pequeno em comparação com outros países. Nos Estados Unidos, essa duplicação ocorre a cada seis dias, e na Itália e na Espanha, a cada oito. Uma dos fatores que leva a essa estatística é a interiorização da epidemia, que tem atingido de forma acelerada os municípios pequenos do país. Dentre os municípios com mais de 500 mil habitantes, todos já apresentam casos da doença. O epidemiologista Diego Xavier, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict) da Fiocruz, confirma que a situação brasileira é grave. “A nossa situação hoje é pior do que a de Itália, Espanha e Estados Unidos. Por isso, o número de mortes está dobrando em um espaço de tempo menor”, afirmou, em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo. “Os dados de óbitos são mais confiáveis do que os dados de casos para medir o avanço da epidemia”, justificou Xavier. “Isso porque, no caso do óbito, mesmo o diagnóstico que não foi feito durante a evolução clínica do paciente pode ser investigado. Além disso, a situação clínica do paciente que vem a óbito é mais evidente, quando comparada aos casos que podem ser assintomáticos e leves”, continuou.

Além do Covid-19: hospitais lotados provocam milhares de mortes

– O The New York Times produz hoje uma importante e preocupante reportagem sobre o número crescente de mortes no mundo – além das provocadas pelo novo coronavírus. Dados recolhidos pelo jornal em 11 países mostram um total de 28 mil mortes além da média histórica para março e abril, mesmo excluídas aquelas provocadas pelas complicações do Covid-19. É claro que isso reflete a absorção pelo combate à pandemia dos espaços e do pessoal dedicado, normalmente, ao atendimento e acompanhamento das demais doenças. Consultas foram suspensas e exames adiados sine die. São, portanto, mortes que se devem, embora não etiologicamente atribuíveis ao vírus, à situação epidêmica. Veja o quadro comparativo do NYT sobre as mortes de 2020 comparados à média histórica. Via Tijolaço

Flávio Dino dribla EUA e Bolsonaro para levar 107 respiradores da China para o Maranhão

 Logística traçou rota pela Nigéria para evitar que a carga fosse desviada pelos EUA e evitou alfândega em São Paulo, para que equipamentos não fossem confiscados pelo governo federal O governador Flávio Dino (PCdoB) montou uma verdadeira operação de guerra para levar ao Maranhão em tempo recorde 107 respiradores e 200 mil máscaras compradas da China em março. A logística, envolvendo 30 pessoas, foi traçada para evitar que o lote fosse desviado ou vendido aos Estados Unidos ou confiscado por Jair Bolsonaro – como já havia acontecido outras vezes, segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, desta quinta-feira (16). Com a ajuda de uma importadora maranhense, Dino negociou diretamente com uma empresa chinesa, que enviou os equipamentos e suprimentos médicos para a Etiópia, escapando da rota que passaria pela Europa – onde poderia ser desviada. O secretário estadual Simplício Araújo, de Indústria e Comércio, que coordenou a empreitada, diz que o cargueiro que saiu da China e aterrissou em São Paulo teve o frete pago pela mineradora Vale. Em São Paulo, a carga foi colocada em um avião fretado e enviada direta para o Maranhão, onde passou pela Receita Federal. A estratégia, de evitar a liberação na Alfândega em São Paulo, foi montada para que os equipamentos não fossem retidos pelo governo Bolsonaro. “Se não fizéssemos dessa forma, demoraríamos três meses para conseguir essa quantidade de respiradores. Assim que os equipamentos chegaram já os conectamos para ampliar a nossa oferta de leitos de UTI”, disse Araújo à Folha. A operação levou 20 dias, ao custo de 6 milhões de dólares.

Chomsky: “coronavírus é algo sério o suficiente, mas há algo mais terrível se aproximando”

“Se deixarmos nosso destino com sociopatas bufões, será o fim. E isso está próximo, Trump é o pior, por causa do poder dos EUA, que é esmagador”, diz o pensador Do Dossiersul – Acompanhe, entrevista do filósofo e linguista americano Noam Chomsky. Hoje com 92 anos e tendo vivido como testemunha muitos dos grandes fatos que marcaram o século XX e o início do XXI, ele analisa o cenário da crise do coronavírus e traça um quadro nada animador para os próximos anos. No entanto, cita que o isolamento social destes tempos deve ser usado para fortalecer os laços sociais e desenvolver projetos de resistência. A entrevista foi concedida no fim de março de 2020, uma conversa com o filósofo e co-fundador do DiEM25, Srecko Horvat. Acompanhe. Srecko Horvat: Você nasceu em 1928 e escreveu seu primeiro ensaio quando tinha 10 anos de idade sobre a Guerra Civil Espanhola, após a queda de Barcelona em 1938, o que parece bem distante. Sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, testemunhou Hiroshima e muitos eventos históricos e políticos importantes, da Guerra do Vietnã, a crise do preço do petróleo, a queda do muro de Berlin, Chernobyl, testemunhou o momento histórico que levou ao 11 de setembro e o crash financeiro de 2007/2008. Com esse background e sendo um ator da maioria desses processos, como vê a atual crise do coronavírus, algo sem precedente histórico. Surpreende você? Como observa isso tudo? Noam Chomsky: Devo dizer que as memórias mais tenras que me assombram agora são dos anos 1930, o artigo que você mencionou sobre a queda de Barcelona foi sobre, aparentemente, a inexorável propagação da praga fascista sobre a Europa e como chegou ao fim. Descobri muito mais tarde, quando os documentos internos vieram à publico que os analistas do governo americano, na época e nos anos seguintes esperavam que a guerra terminasse com mundo dividido entre regiões dominadas pelos EUA e uma região dominada pela Alemanha. Meus medos infantis não estavam completamente errados. E essas memórias voltam agora. Quando era criança, posso lembrar, ouvindo comício de Hitler em Nuremberg no rádio, podia não compreender as palavras, mas podia facilmente entender o clima daquilo tudo, e tenho que dizer que quando escuto os discursos de Trump hoje, soa algo parecido. Não que ele seja fascista, não tem muito de uma ideologia, é apenas um sociopata, um indivíduo preocupado consigo mesmo, mas o clima e o medo é similar e a ideia de que o destino do país e do mundo está nas mãos de um sociopata bufão é chocante. O coronavírus é algo sério o suficiente, mas vale lembrar que há algo muito mais terrível se aproximando, estamos correndo para o desastre, algo muito pior que qualquer coisa que já aconteceu na história da humanidade e Trump e seus lacaios estão à frente disso, na corrida para o abismo. De fato, há duas ameaças imensas que estamos encarando. Uma é a crescente ameaça de guerra nuclear, exacerbada pela tensão dos regimes militares e claro pelo aquecimento global. Ambas podem ser resolvidas, mas não há muito tempo e o coronavírus é terrível e pode ter péssimas consequências, mas será superado, enquanto as outras não serão. Se nós não resolvermos isso, estaremos acabados. As memórias da infância continuam voltando para me assustar, mas em uma dimensão diferente. A ameaça de guerra nuclear não fazia sentido com o mundo onde está, mas olhando para o passado recente, em janeiro, o relógio do juízo final é ajustado a cada ano com os ponteiros dos minutos a uma certa distância da meia noite, que seria o fim. Desde que Trump foi eleito, o ponteiro tem se movido para mais perto da meia noite. Ano passado estava a dois minutos da meia noite. O mais próximo já alcançado. Esse ano os analistas retiraram os “minutos” e movem agora o ponteiro em segundos, 100 segundos para a meia noite, o mais próximo que já estivemos. Observando três questões: A ameaça da guerra nuclear, a ameaça do aquecimento global e a deterioração da democracia, essa última que não está tendo espaço aqui, mas é a única esperança que temos para a superação da crise. Para que as pessoas tenham controle sobre seu destino, se isso não acontecer, estamos condenados. Se deixarmos nosso destino com sociopatas bufões, será o fim. E isso está próximo, Trump é o pior, por causa do poder dos EUA, que é esmagador. Estamos falando do declínio dos EUA, mas você olha para o mundo e não vê quando os EUA impõem sanções, assassinatos, sanções devastadoras, é o único país que pode fazer isso, mas todo mundo tem de segui-lo. A Europa pode não gostar das ações odiosas contra o Irã, mas tem que acompanhar, deve seguir o mestre, ou será chutada do sistema financeiro internacional. Não é uma lei da natureza, é uma decisão na Europa estar subordinada ao mestre em Washington, outros países não tem nem tem mesmo como escolher. Voltando ao coronavírus, um dos mais chocantes e severos aspectos disso, é o uso de sanções para maximizar a dor, intencionalmente, o Irã está em uma zona com enormes problemas internos pelo estrangulamento do arrocho das sanções, que são intencionalmente desenhadas, para fazer sofrer mais e mais agora. Cuba vem sofrendo, desde o momento em que ganhou sua independência, mas é surpreendente que tenha sobrevivido, mas ficaram resilientes e um dos elementos mais irônicos desta crise do vírus, é que Cuba está ajudando a Europa. Quero dizer, isso é tão chocante, que você não sabe como descrevê-lo. Que a Alemanha não pode ajudar a Grécia, mas Cuba pode ajudar a Europa. Se você parar pra pensar sobre o que significa isso, todas as palavras não servirão. Quando você vê milhares de pessoas morrendo no Mediterrâneo, fugindo de uma região que foi devastada por séculos e sendo enviadas para morrrer ali, você não sabe que palavras usar. A crise civilizacional do ocidente neste ponto é devastadora, pensar nisso e trazer memórias de infância de ouvir Hitler no radio

“Bolsonaro virou motivo de chacota internacional”, diz presidente da maior consultoria de risco do mundo

 “O presidente de um país não pode confrontar a ciência”, afirma Ian Bremmer, presidente da Eurasia Group, que reduziu as expectativas em relação ao Brasil – O executivo Ian Bremmer, presidente e fundador da Eurasia Group, considerada a principal consultoria de risco político do mundo, concedeu entrevista à Deutsche Welle e se disse surpreendido pela postura de Jair Bolsonaro perante o avanço da covid-19, a doença provocada pelo coronavírus, no país. Bremmer afirma que a Eurasia baixou as projeções e expectativas para o Brasil em função do cenário atual. “O presidente de uma nação não pode confrontar a ciência e o bem-estar de seus cidadãos. Além disso, ele está minando a sua própria popularidade e causando divisões dentro da base de apoio à agenda de reformas econômicas no Congresso Nacional, o que pode conduzi-lo ao impeachment. No plano internacional, ele virou motivo de chacota”, afirma. “Nós rebaixamos nossas projeções e expectativas para o Brasil em função da crise pandêmica. As principais razões são a condução de Bolsonaro, associada ao risco de que não consiga levar adiante a agenda de reformas econômicas e, em vez disso, volte-se para a sua base populista, mais ligada aos temas de segurança. Isso criaria muitas divisões no país. São elementos que abrem espaço para um impeachment após esta crise”, disse Bremmer.

Covid-19 e as dez razões para uma catástrofe americana

 – Quando Marx escreveu que “há algo podre na essência de um sistema que aumenta a riqueza sem diminuir a miséria”, não poderia ter imaginado o engenho com que esse sistema conseguiria esconder tanta miséria sob a casca da riqueza. Mas a pandemia veio revelar como é frágil a casca e podre o seu interior. Por António Santos Nos EUA desvela-se, sob a casca do país mais rico do planeta, o mais indecoroso terceiro-mundismo: o povo estadunidense está à mercê da morte. “Entre 200.000 e 240.000 americanos vão morrer”, sentenciou Trump na semana passada, advertindo, contudo, que no dia 12 de abril os estadunidenses devem voltar ao trabalho. De costa a costa, somam-se sinais de uma veloz desagregação: nunca a taxa de desemprego cresceu tanto em tão pouco tempo — em duas semanas dez milhões de pessoas perderam o trabalho; nunca os índices de criminalidade aumentaram tão rapidamente — só na última semana, o número de crimes aumentou 20% e nunca se venderam tantas armas em tão pouco tempo — uma explosão de 80% num só mês. O presidente não agiu atempadamente: Trump demorou 70 dias até tomar a primeira medida, desperdiçando a fase mais crucial para a contenção. Todos os níveis de governo falharam: a arquitetura descentralizada do poder mostrou-se inapta para enfrentar a epidemia com agilidade e consistência: de Estado para Estado, de cidade para cidade, as estratégias de contenção foram confusas, descoordenadas e lentas. A OMS não foi ouvida: a Casa Branca desestimou repetidamente as recomendações da Organização Mundial de Saúde, ao ponto de recusar os kits de teste oferecidos por esta organização, criando uma escassez sem paralelo na OCDE. Não há Saúde pública: em vez de um serviço de saúde público, gratuito e universal, os EUA têm um sistema baseado em seguros de saúde privados e movidos pela sede de lucro, o que deixa 60 milhões de pessoas sem acesso a cuidados. Desigualdade extrema: embora Trump garanta que estão todos no mesmo barco, só alguns levam colete salva-vidas. Os pobres e os negros são, desproporcionalmente, os que mais se infectam e os que mais morrem com COVID-19. Em Chicago, por exemplo, os negros compõem apenas 30% da população mas representam 70% dos infectados. O grande capital recusou sacrifícios: da indústria farmacêutica a Silicon Valley, os grandes grupos econômicos se recusaram a abrir mão de um cêntimo que fosse. A GM, por exemplo, recusou-se a produzir ventiladores até ao início de abril. As ajudas são para os mesmos: Trump admitiu que o programa de alívio financeiro para a pandemia, o CARES, que pode injetar até 6,2 trilhões de dólares na economia, prevê 4,5 trilhões para os grandes grupos econômicos e para a banca e apenas 1,7 trilhões para a saúde, as pequenas empresas, os 50 Estados e os trabalhadores. Os trabalhadores vivem num trapézio sem rede: Nos EUA, 32 milhões de trabalhadores não têm qualquer tipo de baixa médica paga, 45% não têm poupanças e outros 25% têm menos de 1000 dólares na conta. 60% não aguenta um mês sem trabalhar. Décadas de cortes: há 50 anos que os organismos públicos úteis numa pandemia são alvo de cortes bipartidários. Trump, por exemplo, acabou de cortar o orçamento dos Centros de Controle de Doenças, do Medicaid, do Medicare e do Instituto Nacional de Saúde. O capitalismo: O capitalismo não procura preservar a vida, mas os lucros. É da sua própria natureza. A pandemia surge por isso para muitos capitalistas como uma oportunidade de negócio, para alguns como um prejuízo e, para muitos, como um pretexto para destruir a produção e recomeçar mais uma crise cíclica. Fonte: Avante!

EUA são acusados de desviar máscaras que teriam como destino o Brasil

 – Alemanha e França também reclamam do desvio de equipamentos feitos pelos norte-americanos – Os EUA foram acusados de redirecionar para si mesmos um conjunto de 200 mil máscaras que tinha como destino original a Alemanha, em um ato descrito como “pirataria moderna”. Autoridades em Berlim afirmam que o embarque das máscaras, produzidas nos EUA, teria sido “confiscado” em Bangcoc, na Tailândia. As máscaras, modelo FFP2, que haviam sido encomendadas pela polícia de Berlim, não teriam chegado a seu destino final. Andreas Geisel, ministro do interior da Alemanha, disse que os equipamentos foram “desviados” para os EUA. Casos semelhantes, incluindo o que vem sendo descrito como “roubo” de contratos pelos norte-americanos (que estariam fazendo ofertas financeiras mais altas do que as já assinadas entre países e fornecedores) também foram reportados pela França e pelo Brasil. A 3M, empresa americana que produz as máscaras, foi proibida de exportar seus produtos médicos para outros países após o presidente Donald Trump recorrer a uma lei da época da Guerra da Coreia, nos anos 1950. Na sexta-feira, Trump disse que havia recorrido à regra para fazer com que empresas norte-americanas oferecessem mais produtos médicos para a demanda interna dos EUA. “Precisamos destes ítens imediatamente para uso doméstico. Precisamos tê-los”, disse Trump em sua conversa diária sobre o coronavírus com a imprensa na Casa Branca. Ele disse também que autoridades americanas estocaram aproximadamente 200 mil máscaras modelo N95, além de 130 mil máscaras cirúrgicas e 600 mil luvas. Trump não informou em que locais ou países elas estes ítens foram colocados à disposição dos EUA. O ministro alemão disse que o desvio de máscaras foi um “ato de pirataria moderna”, em um gesto de pressão para que o governo Trump cumpra regras comerciais internacionais. “Não é assim que se lida com parceiros transatlânticos”, disse o ministro. “Mesmo em momentos de crise global, não é correto usar métodos do ‘velho oeste’.” “Casa ao tesouro” Os comentários do ministro Geisel ecoaram reclamações de outras autoridades, que também criticaram práticas de compras e desvios que teriam sido adotadas pelos EUA. Na última sexta-feira, uma carga de 600 respiradores artificiais encomendada de um fornecedor chinês por estados do nordeste brasileiro não pode embarcar do aeroporto de Miami, onde fazia escala, para o Brasil. Em nota enviada à imprensa brasileira, a Casa Civil da Bahia informou que “a operação de compra dos respiradores foi cancelada unilateralmente pelo vendedor”. O valor final da compra, de R$ 42 milhões, ainda não havia sido pago pelo governo baiano. A suspeita é de que os EUA tenham oferecido um valor mais alto pelos produtos – uma prática também apontada, por exemplo, pelo governo francês. Naquele país, líderes regionais dizem ter muita dificuldade para garantir equipamentos médicos, já que compradores dos EUA estariam “furando a fila” ao oferecer valores de compra mais altos que os já assinados. A presidente da região da Île-de-France, Valérie Pécresse, comparou a disputa por máscaras com uma “caça ao tesouro”. “Encontrei um estoque de máscaras disponíveis e os americanos – não estou falando do governo americano – ofereceram o triplo do preço e se propuseram a pagar adiantado”, disse Pécresse. À medida que a pandemia de coronavírus piora, a demanda por suprimentos médicos fundamentais, como máscaras e respiradores, aumenta em todo o mundo. No início desta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que considera mudar sua orientação sobre o uso de máscaras em público pela população em geral. Atualmente, a OMS diz que as máscaras não oferecem proteção suficiente para justificar seu uso em massa contra infecções. Mas alguns países adotaram uma visão diferente, incluindo os EUA. Na sexta-feira, Trump anunciou que o Centro de Controle de Doenças (CDC) do país passou a recomendar que os norte-americanos usem proteção facial não-médica para ajudar a impedir a propagação do vírus. “Consequências humanitárias” Por sua vez, a 3M informou que o governo Trump pediu que a empresa pare de exportar máscaras do tipo N95 fabricadas nos EUA para o Canadá e a América Latina. A solicitação tem “consequências humanitárias significativas”, alertou a empresa, e poderia levar outros países a agir da mesma forma. A empresa diz que fabrica cerca de 100 milhões de respiradores N95 por mês – cerca de um terço são fabricados nos EUA e o restante é produzido no exterior. O presidente Trump disse que usou a Defence Production Act (Lei de Produção de Defesa, em tradução livre) para “atingir pesadamente a 3M”, sem oferecer mais detalhes. A lei foi criada nos anos 1950 e permite que presidentes forcem companhias a produzirem ítens para defesa nacional. O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau disse a jornalistas na sexta-feira que “seria um erro criar bloqueios ou reduzir o comércio”. BBC Brasil