Governo Biden pode transformar Brasil em grande vilão internacional

 Coerente com a campanha que o levou à Casa Branca, novo presidente americano suspende políticas irracionais de Trump e engrossa coro dos descontentes com o governo brasileiro O início do governo de Joe Biden tem sido coerente com seus compromissos de campanha. Nesse sentido, a questão da imigração é talvez a mais simbólica. O democrata assinou na terça-feira (2) medidas para reunir famílias de imigrantes ilegais separadas de seus filhos pelas políticas do governo de Donald Trump. Mas será preciso uma força-tarefa para transpor dificuldades burocráticas, como a falta de documentos que permitam a rápida associação e reencontro entre os entes separados. Tal política de Trump, não sem razão, foi considerada por analistas como nazista. Chegou a ser tema de um episódio realista e comovente da aclamada série Law and Order SVU, em que se veem dezenas de crianças enjauladas em uma área de segurança, como animais. Em política externa, o democrata adota o tom do chamado multilateralismo, recolocando os Estados Unidos como interlocutores ativos no Acordo de Paris e em organismos como Nações Unidas e Organização Mundial da Saúde. Como noticiou o The New York Times na quinta-feira (4), Biden anunciou o fim do apoio do país à campanha militar da Arábia Saudita no Iêmen. Por outro lado, o tom com que o democrata se refere a Rússia e China permanece duro. “Normalidade” Obviamente, os Estados Unidos sob Biden vão continuar a defender o lema “America first“. Mas os democratas no mundo e, dentro do país, as “minorias” (negros, latinos, mulheres) comemoram o ressurgimento dos parâmetros “normais”. “É um alívio ver a volta do bom senso e voltar a ter esperança de um mundo sem as ‘baixarias’ para as quais Trump apelou e Bolsonaro apela”, diz Thomas Heye, do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF). Em relação à Venezuela, por exemplo, como mostra reportagem do Brasil de Fato, Biden começou a flexibilizar, cautelosamente, algumas sanções econômicas, passando a permitir transações comerciais por via marítima e aérea com o país vizinho. A medida é puramente pragmática, porque politicamente não está no horizonte o reconhecimento do presidente Nicolás Maduro. Brasil de Bolsonaro: vilão ambiental A questão ambiental – tema fundamental de sua campanha – é outro ponto em que Biden vai investir pesado, politicamente. E aí entra o Brasil. Por exemplo, sob a gestão Biden, os Estados Unidos projetam a adoção de políticas contra a importação de produtos brasileiros provenientes de desmatamento ilegal. A pressão contra a “política” ambiental do governo Bolsonaro e seu ministro Ricardo Salles não é, de resto, apenas norte-americana. “Há uma orquestração da campanha contra o grande vilão ambiental, que hoje é o Brasil”, observa Heye. Outros líderes, como o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, não só fazem parte da “orquestração” contra o “vilão ambiental” como querem distância de Bolsonaro. “Seríamos eleitos o grande vilão internacional, o vilão favorito do mundo. Biden não está sozinho. Macron também tem torpedeado Bolsonaro. Merkel, aliás, se recusa a entrar no mesmo recinto em que Bolsonaro estiver. Ela não quer que alguém tenha nem a chance de fazer uma foto dela sequer perto de Bolsonaro”, constata o professor da UFF. Eleições na Alemanha Claro, os líderes de França e Alemanha têm os olhos voltados para seu público interno e também para a União Europeia. Em setembro, ocorrem as eleições para a sucessão de Angela Merkel. Ela e Macron têm extremo cuidado para não assustar o crescente e importante eleitorado verde, cujos votos estão na mira de todos os políticos importantes do Velho Mundo. Qualquer associação com Bolsonaro e seu governo que queima a Amazônia e o Pantanal é uma desastrosa antipropaganda. Se as coisas podem ficar mais complicadas para Bolsonaro ante a nova gestão da Casa Branca, as armas dos líderes mundiais contra o presidente brasileiro não parecem, num primeiro momento, tão contundentes quanto desejariam setores e cidadãos que prezam a democracia e querem o impeachment do presidente brasileiro. Por hipótese, “a arma mais tradicional para esse tipo de situação seriam sanções econômicas”, sugere Heye. Mas tal solução – por parte do Ocidente ou mesmo da China – é muito improvável, além de indesejável. “Sanções econômicas têm uma característica muito triste, porque afetam a parte mais carente da sociedade”, observa o analista. Uma solução menos drástica seria, por exemplo, Biden subsidiar a produção de soja aos agricultores americanos, o que agradaria os eleitores tradicionais de Trump. Apesar das rusgas entre chineses e americanos, muitas vezes retórica para consumo interno, com um preço melhor os orientais poderiam substituir a commodity brasileira pela estadunidense. “Com isso, Biden minaria os redutos eleitorais do Trump, e de Bolsonaro também, e o agronegócio brasileiro ficaria muito contrariado com o presidente”, diz Heye. A retórica bolsonarista Mas o analista pondera que Bolsonaro também seria capaz de usar sua conhecida retórica farsesca e capitalizar situações adversas provocadas por Biden, colocando-se como vitima da comunidade internacional, invertendo o discurso de atrelamento cego aos Estados Unidos de Trump. “Com isso, poderia ainda roubar o discurso de parte da esquerda brasileira”. Esse discurso, obviamente, seria dirigido ao bolsonarismo “de raiz”, que ignora a crise e a tragédia da pandemia, que já matou mais de 230 mil brasileiros. “E, no momento, a vitória no Congresso, ao eleger os presidentes da Câmara e do Senado, o fortalece”, observa Heye. Trump é passado Segundo documento revelado pela BBC News Brasil esta semana, Biden e membros do alto escalão da Casa Branca receberam um caudaloso dossiê pedindo o “congelamento” de acordos, negociações e alianças políticas com o Brasil “enquanto Jair Bolsonaro estiver na Presidência”. O documento, segundo a reportagem, é endossado por mais de 100 acadêmicos de universidades como Harvard, Brown e Columbia. Entidades como Friends of the Earth, nos Estados Unidos, e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) também apoiam a ideia. Entre os acordos feitos pelo presidente brasileiro e ex-presidente americano, está o que, na prática, cede a base de Alcântara aos EUA, segundo analistas um claro atentado à soberania nacional. “É

Biden recebeu dossiê contra Bolsonaro; EUA podem romper acordos da era Trump

 O presidente dos EUA, Joe Biden, recebeu dossiê recomendando a suspensão de acordos com governo de Jair Bolsonaro firmados na era Trump. Bolsonaro chegou a dizer “I love you” (eu amo você) a Trump, diz dossiê. Quatro meses depois de fazer críticas públicas contra o desmatamento no Brasil, o presidente Joe Biden e membros do alto escalão do novo governo dos EUA receberam nesta semana um longo dossiê que pede o congelamento de acordos, negociações e alianças políticas com o Brasil enquanto Jair Bolsonaro estiver na Presidência. O documento de 31 páginas, ao qual a BBC News Brasil teve acesso, condena a aproximação entre os dois países nos últimos dois anos e aponta que a aliança entre Donald Trump e seu par brasileiro teria colocado em xeque o papel de “Washington como um parceiro confiável na luta pela proteção e expansão da democracia”. “A relação especialmente próxima entre os dois presidentes foi um fator central na legitimação de Bolsonaro e suas tendências autoritárias”, diz o texto, que recomenda que Biden restrinja importações de madeira, soja e carne do Brasil, “a menos que se possa confirmar que as importações não estão vinculadas ao desmatamento ou abusos dos direitos humanos”, por meio de ordem executiva ou via Congresso. A mudança de ares na Casa Branca é o combustível para o dossiê, escrito por professores de dez universidades (9 delas nos EUA), além de diretores de ONGs internacionais como Greenpeace EUA e Amazon Watch. Consultado pela BBC News Brasil, o Palácio do Planalto informou, via Secretaria de Comunicação, que não comentará o dossiê. A BBC News Brasil apurou que os gabinetes de pelo menos dois parlamentares próximos ao gabinete de Biden — a deputada Susan Wild, do comitê de Relações Internacionais, e Raul Grijalva, presidente do comitê de Recursos Naturais — revisaram o documento antes do envio. O texto têm o endosso de mais de 100 acadêmicos de universidades como Harvard, Brown e Columbia, além de organizações como a Friends of the Earth, nos EUA, e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), no Brasil. A iniciativa é da U.S. Network for Democracy in Brazil, uma rede criada por acadêmicos e ativistas brasileiros no exterior há dois anos que hoje conta com 1500 membros. Tanto Biden quanto a vice-presidente Kamala Harris, além de ministros e diretores de diferentes áreas do novo governo, já criticaram abertamente o presidente brasileiro, que desde a derrota de Trump na última eleição assiste a um derretimento em negociações em andamento entre os dois países. “O governo Biden-Harris não deve de forma nenhuma buscar um acordo de livre-comércio com o Brasil”, frisa o dossiê, organizado em 10 grandes eixos: democracia e estado democrático de direito; direitos indígenas, mudanças climáticas e desmatamento; economia política; base de Alcântara e apoio militar dos EUA; direitos humanos; violência policial; saúde pública; coronavírus; liberdade religiosa e trabalho O material, segundo a BBC News Brasil apurou, chegou ao núcleo do governo Biden por meio de Juan Gonzales, recém-nomeado pelo próprio presidente americano como diretor-sênior para o hemisfério ocidental do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca — e conhecido pelas críticas a políticas ambientais de Bolsonaro. Assessor de confiança de Biden desde o governo de Barack Obama, quando atuou como conselheiro especial do então vice-presidente Biden, Gonzales passou por diversos cargos na Casa Branca e no Departamento de Estado e hoje tem livre acesso ao salão Oval como o principal responsável por políticas sobre América Latina no novo governo. “Qualquer pessoa, no Brasil ou em outro lugar, que achar que pode promover um relacionamento ambicioso com os EUA enquanto ignora questões importantes como mudança climática, democracia e direitos humanos, claramente não tem ouvido Joe Biden durante a campanha”, disse Gonzales recentemente. O dossiê também circula por membros do Conselho de Assessores Econômicos (CEA, na sigla em inglês) do gabinete-executivo de Biden e pelo ministério do Interior – cuja nova chefe, Debra Haaland, também é crítica contumaz de Bolsonaro. Rede internacional O documento surge em momento de intensa expectativa sobre os próximos passos da relação entre Brasil e Estados Unidos sob o governo de Biden e da vice-presidente Kamala Harris. Até dezembro do ano passado, os líderes dos dois países celebravam anúncios conjuntos, como protocolos de comércio e cooperação econômica, e mostravam intimidade em encontros públicos. Na Assembleia Geral da ONU de 2019, por exemplo, Bolsonaro chegou a dizer “I love you” (eu amo você) a Trump, que respondeu “Bom vê-lo outra vez”. Na primeira semana de janeiro, Ivanka Trump, filha do ex-presidente, foi fotografada carregando no colo a filha de Eduardo Bolsonaro, que visitava a Casa Branca junto à esposa Heloisa e à recém-nascida Georgia — nome do Estado que se tornou um dos pivôs da derrota de Trump na eleição. Juan Gonzales (à direita) é diretor-sênior para o hemisfério ocidental do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca — e conhecido pelas críticas a políticas ambientais de Bolsonaro. Mas os ventos mudaram. Já na campanha, Biden disse que “começaria imediatamente a organizar o hemisfério e o mundo para prover US$ 20 bilhões para a Amazônia, para o Brasil não queimar mais a Amazônia”. A declaração gerou uma dura resposta do presidente Jair Bolsonaro, que classificou o comentário como “lamentável”, “desastroso e gratuito” e quebrou o protocolo presidencial ao declarar sua torcida pelo hoje derrotado Donald Trump. Semanas antes, a agora vice-presidente Kamala Harris escreveu que “o presidente do Brasil Bolsonaro precisa responder pela devastação” na Amazônia. “Qualquer destruição afeta a todos nós”, completou. Mais recentemente, após ser questionado pela jornalista Raquel Krähenbühl, da GloboNews, sobre quando conversaria com o par brasileiro, Biden apenas riu. Meio ambiente Membros do partido democrata ouvidos pela reportagem sob anonimato descrevem Bolsonaro como uma figura “tóxica” no xadrez global. Continuar investindo em uma relação próxima com o líder brasileiro seria, na avaliação destes críticos, uma contradição com as bandeiras de sustentabilidade, defesa aos direitos humanos e à diversidade levantadas pela chapa democrata que venceu as eleições. Pela primeira vez na história dos EUA, Biden nomeou uma mulher

Le Monde destaca presença de ex-eleitores de Bolsonaro nas manifestações por impeachment no domingo

 “Uma simples advertência ou o começo do fim?” pergunta o jornal francês Le Monde sobre as manifestações do final de semana contra Jair Bolsonaro. Jornal destaca como inédita a participação de ex-eleitores de Bolsonaro nos protestos RFI – O jornal Le Monde destaca nesta segunda-feira (25) o aumento da rejeição de parte da direita ao presidente Jair Bolsonaro. A decepção de seus eleitores, manifestada em protestos nesse fim de semana em várias cidades brasileiras, estaria ligada principalmente à incapacidade do governo de administrar a crise sanitária. Uma simples advertência ou o começo do fim? pergunta o jornal Le Monde sobre as manifestações, que aconteceram neste fim de semana contra o presidente Jair Bolsonaro. O jornal destaca como inédita a participação de uma parte da direita nos protestos, até agora convocados pela esquerda. Mas pondera afirmando que a presença da “caravana da direita”, organizada pelo Movimento Brasil livre e pelo Vem pra Rua, “dois grupos ultraliberais”, era modesta” e contava com apenas com alguns carros. Para os manifestantes entrevistados por Le Monde, a carreata foi um primeiro ensaio. De acordo com Fabio Gideão, eleitor de Jair Bolsonaro, coordenador do MBL no Rio e organizador do evento, as manifestações contra o presidente vão aumentar e serão “mais massivas”. Ele diz ter se decepcionado, já que achava que seu candidato seria o melhor presidente da história do Brasil. Para os críticos, o presidente não realizou as reformas liberais esperadas e mostrou uma gestão totalmente incompetente da crise da Covid-19. Segundo uma pesquisa de opinião do instituto Datafolha deste mês, 40% dos brasileiros julgam negativamente a ação do presidente, oito pontos a mais que em dezembro. Bolsonaro passou a ser maioritariamente rejeitado pelas classes mais ricas e mais diplomadas, dois grupos marcados à direita que, no entanto, votaram por ele em 2018. Eleitores traídos Segundo o jornal, a rejeição parece diretamente ligada à incapacidade do presidente em organizar uma campanha de vacinação no Brasil. A tarefa acabou sendo realizada por seu principal rival, o governador de São Paulo, João Dória. Mas o pior talvez ainda esteja por vir, prevê Le Monde, com o fim da ajuda de emergência adotada no começo da epidemia que poderia diminuir a popularidade do presidente entre as classes populares. A publicação cita um terceiro fator agravante: a posse de Joe Biden no governo dos Estados Unidos, em 20 de janeiro. Durante a campanha, o candidato democrata ameaçou o Brasil pelo aumento do desmatamento na Amazônia. Mais de 60 pedidos de impeachment já foram depositados contra o presidente brasileiro por deputados no Congresso. Entre os autores, o deputado Kim Kataguiri, de São Paulo, que se diz “arrependido de ter votado em Bolsonaro. Eu me sinto traído”. Fundador do MBL, ele foi um dos líderes da contestação contra a ex-presidente Dilma Rousseff em 2016. Ele afirma ao Le Monde acreditar que pode conseguir rapidamente uma destituição de Bolsonaro. “Uma forte mobilização popular poderia derrubá-lo”, diz. Mas o presidente de extrema direita conserva uma base eleitoral fiel, particularmente entre a comunidade evangélica. Mas a gravidade da situação sanitária e econômica poderia rapidamente implodir este apoio, aponta a reportagem.

Venezuela envia cilindros de oxigênio para o estado do Amazonas

 Enquanto isso, o governo brasileiro solicitou ajuda à embaixada estadunidense A pedido do presidente Nicolás Maduro, o governo venezuelano está enviando cilindros de oxigênio ao estado do Amazonas. A informação foi confirmada pelo deputado federal José Ricardo (PT-AM) nas redes sociais, por onde o governador do estado, Wilson Lima (PSC) agradeceu ao governo venezuelano. Enquanto isso, o Itamaraty solicitou ao governo estadunidense ajuda para transportar cilindros de oxigênio. De acordo com o governador Wilson Lima, o consumo de oxigênio aumentou cerca de 130% de abril de 2020, o primeiro pico da doença, para o dia 13 de janeiro de 2021. Relatos de familiares de pacientes internados por covid-19 e profissionais da saúde em Manaus, na capital do Amazonas, indicam que a situação se agravou nas últimas horas devido à escassez de oxigênio. Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mário Vianna, em um vídeo publicado na internet, pacientes estão sendo mantidos vivos “pelo esforço dos profissionais médicos, enfermeiros e técnicos”. “Uma situação terrível que nós temíamos e denunciamos. Nesse momento, faço um apelo a todas autoridades que se unam para que possamos de forma emergencial encontrar solução. Transportar oxigênio de outros estados em caráter de guerra é uma necessidade para salvar vidas”, afirmou nas redes.   Toque de recolher Diante dos acontecimentos das últimas horas, o governador Wilson Lima (PSC) decretou toque de recolher em Manaus, das 19h às 6h. Segundo Lima, está ocorrendo “algo sem precedentes no Estado do Amazonas”, principalmente em relação à dificuldade para conseguir insumos e, mais especificamente, aquisição de oxigênio agora”. De acordo com o boletim do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), divulgado às 18h desta quinta-feira (14), foram registrados 5.920 óbitos e 223.360 casos da doença no estado. Na semana do dia 3 a 9 de janeiro foram registrados 344 óbitos, sendo que na semana anterior, de 27 de dezembro a 2 de janeiro, foram contabilizadas 152 mortes. A alta também pode ser observada no número de novos casos da doença. Entre 3 e 9 de janeiro foram 11.129 novas pessoas infectadas e, na semana anterior – 27 de dezembro a 2 de janeiro – foram 5.930. Menos que a metade.

Câmara dos Estados Unidos aprova impeachment de Donald Trump

 Após um longo debate, congressistas aprovaram a acusação de “incitamento à insurreição”, no episódio da invasão ao Capitólio, contra o presidente dos EUA. Impeachment agora precisa ser aprovado no Senado A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou o impeachment do presidente Donald Trump nesta quarta-feira (13). Foram 232 votos a favor e 197 contra, e quatro deputados não votaram. Entre os que votaram a favor estão 10 membros do Partido Republicano, o mesmo de Trump. Outros quatro republicanos não votaram. Os democratas foram unânimes nos votos a favor e apenas um não votou. A decisão final caberá ao Senado. Durante o debate antes da votação, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, havia pedido a republicanos e democratas que “consultassem suas almas” antes de definirem o voto. Trump “deve ir [embora]. Ele é um perigo claro e presente para a nação que todos amamos”, afirmou Pelosi, de acordo com a AP. Donald Trump é o primeiro presidente dos EUA a ter o impeachment votado pela Câmara do país por duas vezes. O primeiro pedido de impeachment, que foi aprovado, acusou Trump de abuso de poder e obstrução do Congresso. O Senado absolveu o presidente das acusações. Pouco antes do início da votação, Steny Hoyer, membro do Partido Democrata, pediu aos legisladores que “rejeitem a sedição, a tirania e a insurreição” e votem pelo impeachment de Trump “pela América, por nossa constituição, pela democracia, pela história”.

Banida por Apple, Google e Amazon, Parler, rede social da extrema-direita, deixará de operar

 Jair Bolsonaro, trumpistas e bolsonaristas mantêm conta nesta plataforma O Parler, rede social que poderia ser usada pela extrema-direita para substituir o twitter, que baniu Donald Trump, ficará inoperante depois de ser banida pelas três grandes bic techs: Google, Apple e Amazon. “A Amazon, que hospeda o Parler, está retirando o aplicativo/site do seu servidor a partir das 05h59 de segunda-feira (horário de Brasília). Com isso, caso não achem um novo servidor para hospedar o aplicativo/site, o Parler ficará inoperável”, informa o perfil Eleições EUA, em em seu twitter. A Apple também disse, em carta à rede social, que o aplicativo será removido da loja até que uma atualização esteja de acordo com as diretrizes da Apple e que o aplicativo tenha capacidade de controlar e filtrar os conteúdos “perigosos e prejudiciais” que estão presentes por lá. O mesmo foi feito pelo Google.

Congresso certifica vitória de Biden nas eleições presidenciais dos EUA após invasão de trumpistas

 Com a decisão, Biden toma posse no próximo dia 20 de janeiro e assume a cadeira ocupada até o momento por Donald Trump Frustradas as tentativas de apoiadores de Donald Trump de dar um golpe de estado, o Congresso dos Estados Unidos certificou por volta das 5h40 desta quinta-feira (7) a vitória do democrata Joe Biden e da vice, Kamala Harris, nas eleições presidenciais de novembro. Com a decisão, Biden toma posse no próximo dia 20 de janeiro. Biden ganhou as eleições presidenciais dos EUA por uma margem de voto eleitoral de 306 contra 232, embora mais de uma dezena de senadores e 100 membros da Câmara dos Representantes tenham apresentado objeções. Sessão tumultuada A sessão no Congresso, que geralmente tem caráter protocolar, foi tumultuada por parlamentares que ainda insistiam na tese de fraude, propagada por Donald Trump. Durante a madrugada, congressistas republicanos apresentaram nova objeção, desta vez sobre os votos na Pensilvânia, prolongando a sessão. Antes da invasão, o Senado e a Câmara já haviam rejeitado de maneira esmagadora um pedido para invalidar os votos do Arizona. Para ser colocada em votação o veto deve ser apoiado por ao menos um senador. No caso da objeção à votação na Pensilvânia, esse apoio do senador Josh Hawley, do Missouri. Como previsto, menos de duas horas depois, a objeção foi rejeitada no Senado por 92 votos a 7 e na Câmara, por 282 a 138.

Golpe nos Estados Unidos – O pior pesadelo de Trump; caos e derrota!

 – Partidários do republicano invadem o Capitólio, interrompem a sessão de nomeação de Biden e democratas conquistam maioria no Congresso Os piores pesadelos do presidente dos Estados Unidos Donald Trump se tornaram realidade. Num dia histórico na política americana, o Congresso viveu cenas de caos inéditas na democracia americana. Insuflados pelo discurso de Trump, manifestantes invadiram o Congresso e interromperam a sessão que certificaria o presidente eleito, o democrata Joe Biden, como o próximo presidente dos EUA. Apesar da insistente recusa em admitir sua derrota eleitoral, o republicano terá que deixar a Casa Branca e lidar com o controle do Congresso pelos democratas, com a surpreendente eleição no estado da Geórgia, que elegeu dois senadores democratas no segundo turno e cujos resultados saíram nesta quarta-feira. O Congresso se reuniu nesta quarta-feira (6) para registrar formalmente os votos do Colégio Eleitoral, o que é uma mera formalidade, mas que se tornou uma disputa bastante incômoda para o Congresso desde que Trump passou a pregar que as eleições presidenciais foram fraudadas, sem apresentar provas. Desde que foram contabilizados os votos de todos os 50 estados, Trump vem usando todos os artifícios para tentar reverter sua derrota, sem sucesso. Recursos judiciais, pedidos de recontagem, mobilização de apoiadores, críticas à mídia e seus costumeiros tuítes falaciosos. Nada deu certo. Enquanto alguns pesos pesados republicanos acabaram admitindo a vitória do democrata, dezenas de outros legisladores prometeram expressar suas objeções na quarta-feira e ecoar as alegações de fraude até mesmo dentro do próprio Capitólio. Logo após o início da sessão, os aliados de Trump questionaram a certificação dos votos do Arizona. Logo depois, manifestantes pró-Trump, reunidos em um comício próximo à Casa Branca, invadiram o prédio do Capitólio e provocaram atos inéditos na história dos EUA. As cenas eram de caos total. Os debates na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos sobre a certificação da vitória de Biden foram interrompidos. Os congressistas foram obrigados a se trancar em seus gabinetes. Há relatos de que uma pessoa foi baleada dentro do prédio do Congresso, segundo a imprensa americana. Segundo o New York Times, o senador republicano Mitt Romney, declarou: Isso é o que conseguiram”, dirigindo-se aos colegas de partido que sustentaram as falsas alegações de Trump sobre a fraude eleitoral. Vários congressistas repudiaram o ato via Twitter, enquanto se mantinha trancados em suas salas. “Isto é uma tentativa de golpe”, escreveu o deputado republicano Adam Kinzinger. Diante da situação que ele próprio insuflou, Trump recorreu ao Twitter para pedir a seus partidários que se manifestem apenas de modo pacífico. “Por favor apoiem nossa Polícia do Capitólio e as Forças de Segurança. Eles estão de fato do lado do nosso país. Permaneçam pacíficos!”, pediu o atual líder. Mais tarde, o presidente autorizou o envio da Guarda Nacional para tentar normalizar a situação. Antes de conseguirem entrar no prédio do Congresso, os manifestantes derrubaram barricadas de metal na parte inferior dos degraus do Capitólio e obrigaram a polícia a fechar o prédio. Alguns tentaram passar pelos policiais, que, por sua vez foram vistos atirando spray de pimenta na multidão para mantê-los afastados. As redes sociais mostraram várias cenas de confronto entre a polícia e os manifestantes. Mais cedo, diante da Casa Branca, os manifestantes se reuniram atendendo à convocação de Trump, que seguiu em sua bravata negacionista. Em comícioo presidente disse a seus seguidores que “nunca” aceitará a derrota eleitoral. “Não vamos desistir nunca. Nunca vamos aceitar”, declarou Trump à multidão. “Vamos parar o roubo”, acrescentou. Apelo à razão O presidente eleito Joe Biden fez um pronunciamento público para tentar acalmar a situação e foi duro com Trump. “Peço ao presidente Trump que vá à televisão nacional agora para cumprir seu juramento e defender a Constituição e exigir o fim desse cerco”, disse Biden, condenando o presidente por apagar as chamas. “A violência que vimos é um ataque sem precedentes à democracia, ao Estado de Direito”, destacou o presidente eleito. “As cenas vistas foram provocadas por um pequeno número de extremistas, que não são o que nosso povo é. São ações de rebelião que devem acabar agora”, disse Biden. “Peço que o presidente Trump và à TV agora para encerrar estes atos de ocupação. Não é protesto, é insurreição.” E ressaltou: “Estou chocado e triste que nossa democracia chegou a tal momento escuro, mas vamos vencê-lo.” Segundo o democrata, “o trabalho nos próximos quatro anos” de seu governo é de “restaurar a decência, o respeito, não elevando as chamas do caos. Somos os Estados Unidos da América.” “Presidente Trump, aja. Já basta, Já basta. Já basta”, enfatizou Biden. Em seguida, Trump postou no Twitter uma declaração em vídeo pedindo para que os manifestantes recuassem e deixassem o prédio do Congresso “em paz”. O líder da Casa Branca, contudo, voltou a dizer, sem apresentar provas, que a eleição presidencial foi “fraudulenta”. “Eu conheço sua dor, tivemos uma eleição que foi roubada de nós, mas vocês têm que ir para casa agora. Precisamos ter paz. Precisamos ter lei e ordem”, disse o republicano. “Não queremos ninguém machucado”, frisou. Já o vice-presidente do país, Mike Pence, pediu o fim da violência. Cartada inútil Antes da confusão, porém Trump havia tentado sua última cartada, apelando ao vice-presidente, Mike Pence, que tem a função formal de declarar Biden o vencedor. “O vice-presidente tem o poder de rejeitar os eleitores escolhidos fraudulentamente”, tuitou Trump, de maneira equivocada. De acordo com a Constituição, sua função é apenas “abrir” as certidões enviadas por cada um dos 50 estados. Apenas os legisladores podem contestar os resultados. Pence, porém, não cedeu à pressão. Em carta, afirmou que não pode interferir no processo. “Considero que meu juramento de apoiar e defender a Constituição me impede de reivindicar autoridade unilateral para determinar quais votos eleitorais devem ser contados e quais não devem”, escreveu Pence. Trump criticou o vice logo após sua manifestação. “Mike Pence não teve a coragem de fazer o que deveria ter sido feito para proteger nosso país e nossa Constituição”, tuitou Trump. “Os EUA

Papa Francisco diz que mundo precisa de vacina para o coração em 2021

 O Papa Francisco disse hoje que 2021 será “um bom ano” se as pessoas cuidarem umas das outras e salientou que, além de uma vacina contra o coronavírus, o mundo precisa de uma “vacina para o coração”. “Não é bom conhecer muitas pessoas e muitas coisas se não tomarmos conta delas. Este ano, enquanto esperamos pela recuperação e novos tratamentos, não negligenciemos os cuidados. Porque, além da vacina para o corpo, precisamos da vacina para o coração, que é o cuidado. Será um bom ano se cuidarmos dos outros”, disse. As palavras do Papa foram lidas numa homilia pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, durante a Missa de Ano Novo, dedicada à “solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus”, que foi celebrada hoje no Vaticano. O Papa Francisco foi impedido de presidir a esta missa e também às vésperas de 31 de dezembro de 2020, por causa de uma dor ciática, segundo o porta-voz da Santa Sé, Matteo Bruni. Jorge Bergoglio deixou, no entanto, a homilia escrita para que o Cardeal Parolin pudesse ler as suas palavras aos poucos participantes e meios de comunicação social que puderam estar na Basílica de São Pedro, no Vaticano, devido às medidas preventivas para evitar a propagação do coronavírus. A missa foi celebrada sem os fiéis e numa basílica vazia. O Papa enfatizou três palavras – bênção, nascimento e encontro – , e salientou o papel da Virgem Maria, neste dia em que a Igreja Católica também celebra o 54.º Dia Mundial da Paz, este ano sob o lema “A cultura do cuidado como caminho para a paz”. “Não estamos no mundo para morrer, mas para gerar vida”, disse o Papa, acrescentando: “O primeiro passo para dar vida ao que nos rodeia é amá-la dentro de nós próprios. Sublinhou a importância de “educar o coração para cuidar, para valorizar as pessoas e as coisas”, para que as sociedades cuidem dos outros e do mundo. Considerou que “o mundo está seriamente contaminado por dizer coisas más e por pensar mal dos outros, da sociedade, de si próprios”, e assegurou que “a maldição corrompe, faz tudo degenerar” e que “a bênção regenera, dá força para recomeçar”. No final da homilia, Francisco perguntou-se a si próprio o que as pessoas deveriam encontrar no início de 2021 e respondeu: “Seria bonito encontrar tempo para alguém. O tempo é uma riqueza que todos temos, mas da qual temos inveja, pois queremos usá-lo apenas para nós próprios”. Assim, encorajou as pessoas a dedicarem momentos aos outros, especialmente aos “que estão sós, aos que sofrem, aos que precisam de ser ouvidos e cuidados”. O calendário das celebrações do Natal do Vaticano continua até 6 de janeiro com a Missa da Epifania do Senhor.

Exigências da Anvisa levam Pfizer a desistir de fazer registro para uso emergencial da vacina no Brasil

Um dia após a Pfizer confirmar que desistiu da intenção de pedir o registro de uso emergencial da sua vacina contra a covid-19 no Brasil, o infectologista e pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Júlio Croda, disse que não vê sentido nas exigências feitas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para avaliar com urgência o imunizante. Croda argumentou que outros países já estão aplicando a vacina da Pfizer/BioNTech. “Não tem sentido nenhum, ainda mais que a gente tem duas agências que são até superiores em termos de avaliação do que a Anvisa, o FDA [agência reguladora dos Estados Unidos] e a agência europeia, aprovando isso, a agência do Reino Unido também”, disse o pesquisador em entrevista à GloboNews. “Não tem nenhum sentido essa vacina da Pfizer não ser aprovada pela Anvisa e as exigências serem superiores a essas outras agências”, reforçou o infectologista da Fiocruz, instituição federal que será responsável no Brasil pela produção da vacina de Oxford. O imunizante é desenvolvido pelo laboratório AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford e é a principal aposta do governo brasileiro para o plano nacional de vacinação contra a covid-19. Croda criticou ainda a afirmação feita ontem pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de que seriam os laboratórios os maiores interessados em venderem vacinas contra a covid-19 para o Brasil. “Nenhuma empresa pediu a aprovação no Brasil, então a gente está neste cenário, enquanto a Argentina, por exemplo, país que está aqui do lado, manda um avião buscar a Sputnik V na Rússia [o país iniciou a vacinação contra a covid-19 hoje com o imunizante russo], o presidente está discutindo que as empresas devem procurar o Ministério da Saúde para vender suas vacinas. A gente não vai ter vacinas, vai ter uma disputa enorme no mundo”, argumentou. O pesquisador reforçou que faltou planejamento ao governo brasileiro para garantir doses suficientes para começar a vacinação. O imunizante da Pfizer, responsável por já ter iniciado campanhas em vários países do mundo, tentará agora junto à Anvisa o registro de uso definitivo, mas Croda lembrou que o laboratório não deve ter um grande quantitativo de doses disponíveis para o Brasil. “A previsão, que está no próprio plano nacional [de vacinação], é de 8,5 milhões de doses. Não dá nem para a gente terminar a fase 1 do nosso plano de vacinação”, afirmou o pesquisador, lembrando a primeira fase da vacinação, destinada a grupos prioritários e que ainda não tem data de início. “Infelizmente, o Brasil errou lá no passado, não fez nenhum termo de cooperação com outras empresas. Vamos ter uma falta de vacinas para os países pobres, para a África, Ásia e alguns países da América do Sul como o Brasil. A gente colocou nossas esperanças em duas vacinas”, completou Croda. Além da vacina de Oxford, o governo federal também prevê no seu plano nacional de vacinação poder contar com a CoronaVac, a vacina desenvolvida e testada pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. O imunizante, porém, tem sido motivo de disputa entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), já que o Butantan é ligado ao governo paulista. Mesmo que possa contar apenas com as duas vacinas, tanto o imunizante da AstraZeneca como a CoronaVac ainda não entraram com pedido de aprovação de uso definitivo na Anvisa. A vacina do Butantan, porém, está teoricamente na frente por já ter quase 10 milhões de doses à disposição no país e uma promessa de divulgar no início de janeiro o resultado dos testes clínicos de eficácia, que permitem a entrada no processo de registro. *Com informações do Uol