Câmara aprova processo de impeachment de Trump, que será julgado pelo Senado

– O presidente norte-americano é acusado de abuso de poder e obstrução. Ele será o terceiro julgado da história – Donald Trump tornou-se nesta quarta-feira o terceiro presidente da história norte-americana que será submetido a um processo de impeachment. Uma Câmara dos Deputados totalmente dividida aprovou levar Trump a julgamento no Senado por abuso de poder e obstrução do Congresso após um escândalo sobre a suposta pressão da Casa Branca sobre a Ucrânia para obter benefícios eleitorais ao republicano. Após um longo e sombrio debate, às vezes teatral, a maioria democrata votou a favor das duas acusações, com todos os republicanos contra, em um claro reflexo da natureza partidária, quase tribal, desse processo. Os fundadores da Constituição planejaram remover um presidente em caso de “crimes graves ou delitos”. Seus herdeiros a transformaram em uma guerra sem quartel. “Resolução 755 para o impeachment de Donald John Trump, presidente dos Estados Unidos, por crimes e ofensas graves”. Um cabeçalho de 18 palavras convocou os 431 membros da Câmara dos Deputados a votar se julgariam o líder do país mais poderoso do mundo por pressionar o Governo de Kiev a iniciar investigações que o favoreciam para a reeleição em 2020. Por volta das três da tarde (cinco horas da tarde, horário de Brasília), o debate parlamentar havia se tornado um acidente de trem entre republicanos e democratas sobre a culpa ou inocência de Trump. “Hoje estamos aqui para defender a democracia do povo”, disse a presidente da Câmara, a veterana democrata Nancy Pelosi, ao abrir o debate. Pelosi, terceira autoridade da nação e líder dos democratas em Washington, apareceu de vestido escuro e falou em um tom calmo e sério, tentando transmitir uma ideia de solenidade institucional que contraria as críticas de Trump e dos republicanos, que acusam a oposição de agir de maneira partidária. Pelosi citou a Constituição e os pais fundadores e descreveu o presidente como “uma ameaça contínua à segurança nacional”. Enquanto isso, Donald Trump escreveu em sua conta do Twitter, em letras maiúsculas e vários pontos de exclamação: “Que mentiras hediondas da esquerda radical! (…) Este é um ataque à América e ao Partido Republicano!” Foi um dia de frases grandiloquentes e frases rudes, de manifestações nas ruas e nas redes sociais. Os parlamentares recordaram seus antepassados e o presidente pediu aos cidadãos que rezassem. A política norte-americana estava a ponto de escrever um capítulo importante da sua história. E, apesar disso, a estranha sensação de calma que domina o processo desde que começou seguiu, a despeito das pataquadas habituais do mandatário. E isso se deve não só a que a absolvição de Trump no Senado é dada como certa, mas também a que sua presidência instalou uma tormenta perene na Casa Branca. Somente um líder tão incomum quanto Trump pode fazer um impeachment parecer outro dia no escritório. Antes mesmo de tomar posse, o escândalo da conspiração russa estourou e começou-se a falar em iniciar um processo de demissão, algo muito incomum na história dos Estados Unidos. A investigação independente não encontrou evidências de seu conluio com o Kremlin, mas revelou suas tentativas de torpedear as investigações, lançando as bases para acusá-lo de obstrução. Ele também é suspeito de um crime de financiamento ilegal de campanhas para pagamentos a uma mulher para silenciar suas supostas relações sexuais algumas semanas antes das eleições de 2016 e está em destaque por aceitar dinheiro de governos estrangeiros por meio de seu império hoteleiro. Todos esses conflitos abalaram três anos de administração que, por si só, quebraram todos os protocolos imagináveis e transformaram os ataques e insultos do presidente na tônica usual. A crise ucraniana rapidamente entrou em combustão. Um informante anônimo, empregado no Governo dos EUA, denunciou no verão que Trump estava pressionando o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, inclusive bloqueando a ajuda militar comprometida, para fazê-lo anunciar duas investigações que o beneficiariam eleitoralmente nas eleições presidenciais de 2020. Especificamente, Trump exigiu inquérito sobre Joe Biden, um candidato democrata, e seu filho, Hunter, que foi pago por uma empresa de gás naquele país quando seu pai era vice-presidente. Ele também pediu que se investigasse uma teoria desacreditada de que havia uma campanha de interferência lançada da Ucrânia nas eleições presidenciais dos EUA em 2016 para favorecer os democratas. Trump agora é acusado de abuso de poder por essas manobras e de obstrução ao Congresso por boicotar esse processo, negando a entrega de documentos ou declaração de membros da Administração. Doug Collins, um pastor da Geórgia, foi um dos primeiros a falar nesta quarta-feira e insistiu que os democratas tentam demitir Trump desde o primeiro dia e não se importassem com os fatos e as evidências. “Hoje é dia de impeachment, mas não é dia de verdade”, enfatizou. O que vem agora no Senado No julgamento, que ocorrerá no Senado após o recesso de fim de ano após o sinal verde da Câmara, os legisladores deverão revisar os depoimentos, chamar novas testemunhas se acharem necessário, examinar os documentos, as evidências e decidir se, de fato, o presidente dos Estados Unidos cometeu algum “crime ou ofensa grave”, como diz a Constituição, que torna necessária sua remoção. Os senadores são obrigados a tomar suas decisões independentemente da cor política do presidente que julgam, mas a deliberação parece uma pantomima. A maioria dos legisladores democratas vê Trump culpado e todos os republicanos o consideram inocente. Nesta quarta-feira, com 233 dos 431 assentos ocupados pelos democratas, o julgamento do presidente já era dado como certo. No Senado, com 53 senadores republicanos em 100, a absolvição também parece decidida, já que um veredicto de culpado exige uma maioria de dois terços. À diferença do Brasil, nos EUA o presidente só deve ser afastado se for condenado na etapa final, não havendo a figura do afastamento temporário. Uma das grandes conclusões desse processo é que o republicano continua sendo o partido de Donald Trump. A formação, pelo menos por enquanto, fechou fileiras com o presidente. No entanto, no impeachment de Bill Clinton, iniciado em 19 de dezembro de

Pedofilia, séquitos em guerra e cúria gay: o que ‘Dois Papas’ não conta

 – O filme de Fernando Meirelles sobre Bento XVI e Francisco estreia na Netflix e provoca um debate sobre se adoça ou reflete fielmente a política do Vaticano – “Não tive a intenção de limpar a imagem do Vaticano, mas de fazer um filme honesto que fala de corrupção e outras questões, como o abuso de crianças.” Em seu habitual tom amável, Fernando Meirelles (São Paulo, 64 anos) deixa clara sua posição no filme Dois Papas, em resposta a uma pergunta do EL PAÍS. O cineasta se encontrou na segunda-feira com um grupo de jornalistas em Madri, por ocasião da estreia na Netflix, na próxima sexta-feira, de seu novo filme, que esmiúça a relação entre Ratzinger e Bergoglio ― ou, mais corretamente, entre o papa Bento XVI e o cardeal argentino que, segundo todas as apostas, seria seu sucessor quando o alemão morresse… ou se aposentasse, como aconteceu. Pessoalmente, Meirelles é mais crítico do Vaticano do que na tela, onde os dois pontífices aparecem bem. “Sou católico, embora há anos não vá à missa”, diz o diretor de Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel. “E sou defensor de Francisco, que compreende o mundo em que vivemos como uma casa comum. Foi assim que ele batizou uma de suas encíclicas. Numa sociedade em que todos os líderes mundiais estão construindo muros, este Papa constrói pontes. Para mim, o tema central de Dois Papas é a atual polarização e a necessidade de tolerância.” O filme começa com o pedido em 2012 do cardeal Jorge Bergoglio ao papa Bento 16 para se aposentar e se dedicar a ser um sacerdote de base. Para descobrir o que estava tramando o cardeal que esteve a ponto de derrotá-lo no conclave, Ratzinger o convocou ao Vaticano. Houve três encontros entre eles, nos quais se conheceram melhor, e que Meirelles reconstruiu com base no livro de Anthony McCarten e por meio de diálogos criados com frases de suas cartas e suas encíclicas. “Não nos deram permissão para filmar, mas em Roma o filme foi visto pelo cardeal Peter Turkson, um dos mais próximos de Francisco, e ele me disse que achava que seria mais agressivo e que tinha gostado”, diz Meirelles. E aí está uma das dúvidas em torno de Dois Papas: seu retrato muito humano dessa relação e a neblina na hora de mostrar os problemas da Santa Sé e o motivo da renúncia de Bento XVI. Em No Armário do Vaticano (Editora Objetiva), um livro que já vendeu meio milhão de exemplares em mais de 30 países, o jornalista francês Frédéric Martel investiga o cenário turbulento da Santa Sé, principalmente a vida dupla de alguns padres e a homofobia da cúria. Por e-mail, o escritor, que não assistiu ao filme, diz: “Que Bento tenha renunciado devido a problemas de saúde é, diríamos, a história oficial. Ficção pura. Sete anos depois, ele ainda está vivo. No meu livro, apresento 14 razões, e apenas uma é de saúde. As outras são os casos de pedofilia, a incompetência do cardeal Bertone, o secretário de Estado [semelhante a um primeiro-ministro] de Bento, a guerra contra o cardeal Sodano, o envolvimento de seu irmão, Georg Ratzinger, em casos de abuso infantil. Dez dos 14 motivos têm a ver com a homossexualidade da cúria. Foi chantageado? Descobriu que grande parte do seu séquito é gay? Ele lutou contra, por exemplo, um dos grandes pedófilos, o mexicano Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo e protegido de João Paulo II, mas na cúria de Ratzinger havia a maior quantidade de homossexuais [como conta o livro, homofóbicos como arma de defesa] da história da Igreja Católica”. Martel confirma essa boa relação pessoal entre os dois pontífices, embora aponte: “São inimigos nos principais assuntos e figuras opostas cujos séquitos estão em guerra. Dizer que são amigos próximos é fake news”. Ele insiste que muitas coisas mudarão no Vaticano quando a homossexualidade for vista de forma saudável. Meirelles aponta outro problema da Igreja Católica: “É a ausência das mulheres, algo tão absurdo como medieval. Pelo menos no sínodo da Amazônia se reconheceu que as mulheres podem celebrar missa quando não há sacerdotes” ― o que Martel resume com um “está no bom caminho”. Entre as ficções de Dois Papas está a de que ambos viram juntos a final da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, entre Argentina e Alemanha. “Eu precisava disso para a dramaturgia”, confessa, rindo, o diretor. Fernando Meirelles iniciou o projeto pelo interesse de um produtor em relação ao papa Francisco: “Não havia roteiro, e ele teve de esperar dois anos até que eu concluísse meus compromissos com os Jogos Olímpicos do Rio. Encontramos o livro de McCarten, e aí estava o diálogo dos dois”. O cineasta brasileiro pensou que Francisco seria mais corajoso: “Esperava uma revolução, mas as mudanças são ainda menores dentro da Igreja. Por outro lado, a voz do Vaticano mudou radicalmente como agente político”. O jornalista francês também acredita que Francisco seja a única solução se o catolicismo quiser sobreviver: “Herdou um problema gigantesco. Bento XVI foi bastante ingênuo com a cúria, confundiu homossexualidade com abuso de crianças. Bergoglio entende muito bem a situação, sabe que a hierarquia do Vaticano é gay e que ela se move dentro em uma cultura de segredos e de um sistema de mentiras que esconderam durante décadas os abusos”. O fato de o papa Francisco ter anunciado terça-feira o fim do segredo pontifício para casos de pedofilia reforça essa ideia. Via El País

Papa nomeia cardeal filipino para cargo global no Vaticano

  – O papa Francisco anunciou neste domingo (8) a nomeação do arcebispo de Manila, cardeal Luís Antônio Tagle, para liderar a Congregação para a Evangelização dos Povos, responsável por supervisionar o trabalho da Igreja Católica em diversos países. – Com a decisão, o atual prefeito Fernando Filoni assumirá o cargo de Grão-Mestre da Ordem do Santo Sepulcro substituindo o cardeal Edwin Frederick O’Brien, que renunciou em abril de 2019. De acordo com o Vatican News, com a nomeação de Taagle um cardeal asiático volta a liderança de Propaganda Fide – nome antigo do importante departamento de evangelização, que também é responsável pelas nomeações episcopais em terras de missão -, depois de ser comandado pelo cardeal indiano Ivan Dias (2006-2011). Luís Antônio Gokim Tagle, nascido em 21 de junho de 1957, em Manila, foi ordenado sacerdote em 1982. Ele estudou nos Estados Unidos, onde obteve o doutorado em Teologia com uma tese sobre a evolução da noção de colegialidade episcopal a partir do Concílio Vaticano II. Logo depois, passou sete anos em Roma para aprofundar seus estudos e em 1997 ingressou na Comissão Teológica Internacional. Depois de ter sido pároco da catedral de Imus, aos 44 anos foi nomeado bispo dessa diocese pelo então papa João Paulo II em outubro de 2001. Em 13 de outubro de 2011, Bento XVI nomeou-o Arcebispo Metropolita de Manila e treze meses mais tarde, em novembro de 2012, durante o último Consistório do Pontificado do papa Ratzinger, recebeu o chapéu de cardeal. Além de liderar a diocese da metrópole filipina, Tagle é também presidente da Caritas Internationalis e da Federação Bíblica Católica. Com a designação de Tagle, dois novos chefes de departamento serão instalados no início de 2020 na Cúria Romana. O religioso filipino ocupará um importante posto global no Vaticano, em uma decisão que poderá aumentar suas chances de um dia ser eleito Papa, já que anteriormente foi mencionado como um potencial candidato ao pontificado. (ANSA)

Papa teme volta das ditaduras militares à América Latina e pede paz

O papa Francisco teme que a situação atual na América Latina se assemelhe à difícil década de 1970, quando a região viveu sob ditaduras militares, e por conta dessa ameaça, pediu paz nesta quarta-feira (27), em sua viagem de volta do Japão a Roma UOL – O papa Francisco teme que as ditaduras voltem à América Latina. “A situação atual na América Latina se assemelha à de 1974-1980, no Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Paraguai com (Alfredo) Stroesner, e também creio que a Bolívia (…). Uma situação pegando fogo, mas não sei se é um problema fácil de detectar”, disse o papa Francisco, segundo informação da AFP. O primeiro papa latino-americano da história, que viveu na carne os horrores da ditadura militar na Argentina, considera que “algumas declarações não são precisamente de paz”. “O que está acontecendo no Chile me assusta, porque o Chile está emergindo de um problema de abusos (sexuais de menores) que causou tanto sofrimento e agora esse problema, que não entendemos bem …”, admitiu. “Mas está pegando fogo e precisamos buscar diálogo e também a análise”, acrescentou. Sobre uma eventual mediação da Santa Sé nos conflitos da região, o pontífice afirmou: “Estamos dispostos a ajudar quando for necessário”.

Eleição presidencial ‘empata’ no Uruguai e tem resultado adiado

 – Os dados mais recentes publicados dão conta de que 99,31% das urnas foram apuradas no Uruguai. Lacalle Pou, do Partido Nacional, tem 1.160.829 votos. Já seu adversário, Daniel Martínez, da Frente Ampla, tem 1.130.248 votos. A diferença entre os candidatos é de 30.581 votos e ainda pode diminuir – Sputinik – Com a apuração da eleição presidencial quase concluída, o candidato da centro-direita, Lacalle Pou, está à frente do rival de centro-esquerda, Daniel Martínez. Porém, a pequena diferença entre ambos fez com que as autoridades adiassem o resultado oficial. Devido a uma diferença de pouco mais de 30 mil votos entre os candidatos na apuração em andamento, o Tribunal Eleitoral uruguaio decidiu não divulgar o resultado hoje e adiá-lo para o dia 29 de novembro. Os dados mais recentes publicados dão conta de que 99,31% das urnas foram apuradas no Uruguai. Lacalle Pou, do Partido Nacional, tem 1.160.829 votos. Já seu adversário, Daniel Martínez, da Frente Ampla, tem 1.130.248 votos. A diferença entre os candidatos é de 30.581 votos e ainda pode diminuir. Pesquisas de boca de urna chegaram a apontar a vitória de Lacalle Pou logo após o final da votação. Dados da companhia Cifra indicavam que o candidato de centro-direita obteve 49,5% dos votos, contra 46,4% de Martinez. O candidato da direita também tinha vantagem nas pesquisas eleitorais, conforme publicou o jornal El País. A margem estreita de votos pode ser decidida pelos chamados votos observados, que são os de eleitores que votaram fora de suas sessões eleitorais. Os dados mais recentes apontam que esses votos podem totalizar até 34.900 nestas eleições. Cerca de 2,7 milhões de uruguaios foram à urnas ao longo do domingo (24). Lacalle Pou anuncia vitória, mas aguardará resultado oficial Lacalle Pou afirmou após o anúncio inusitado do Tribunal Eleitoral que sua coalizão venceu a disputa do 2º turno das eleições uruguaias, mas que aguardará os resultados oficiais. Em torno dele, diversos partidos conservadores e de direita formaram uma aliança para derrotar a centro-esquerda. Segundo publicou o jornal El País, no entanto, o candidato não pretende atacar a agenda de direitos criada pela esquerda no país, mas que deve focar em mudanças na economia e na gestão da segurança pública. O candidato de direita é filho do ex-presidente Luis Alberto Lacalle, que governou o Uruguai entre 1990 e 1995, e da ex-senadora Julia Pou. O candidato do Partido Nacional também já exerceu os cargos de deputado e senador no país. Martínez anima suas bases com discurso de esperança Em discurso à sua base eleitoral, Daniel Martínez afirmou que ainda é possível vencer o 2º turno das eleições. O candidato da situação foi o primeiro a falar publicamente após as eleições e informou o público da decisão do Tribunal Eleitoral de adiar o resultado. Martínez afirmou que os votos observados podem ser decisivos e disse que já é certo que nenhum dos candidatos atingirá os 50% dos votos. 15 anos de centro-esquerda no poder O já aguardado segundo turno entre Daniel Martínez, da Frente Ampla e Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, representa um desafio para os 15 anos do partido de Martínez à frente do Executivo no país. A Frente Ampla está no poder desde 2005 no Uruguai, primeiro com Tabaré Vázquez (2005-2010), depois com Pepe Mujica (2010-2015), e novamente com Vásquez (2015-2020). Uma vitória de Martínez seria a 4ª seguida do partido que virou símbolo de progressismo na região.

Henry Sobel simboliza a força da unidade inter-religiosa contra a opressão

 Ao lado de católicos e protestantes, nos anos 1970, rabino – que morreu nesta quinta-feira (21-11-19) nos EUA – protegeu perseguidos, deu sentido humanista à religiosidade e construiu a resistência contra a barbárie São Paulo – A morte do rabino Henry Sobel nesta sexta-feira (22), nos Estados Unidos, onde vivia, traz à memória a força da unidade inter-religiosa como forma de resistência à opressão. Sobel estava ao lado de lideranças católicas, como dom Paulo Evaristo Arns e dom Hélder Câmara, e protestantes, como o reverendo James Wright, no enfrentamento à ditadura assassina brasileira (1964-1985), na proteção aos por ela perseguidos e na projeção da batalha humanista que ajudaria a restaurar a democracia hoje novamente violentada. Sobel, aos 75 anos, perdeu a batalha contra um câncer de pulmão e será enterrado neste domingo (24), em Nova Jersey, nos Estado Unidos. Nascido em 1944 em Portugal, o rabino formado em 1970 em Nova York mudou-se para o Brasil ainda naquela década e fez história ao recusar-se a enterrar o corpo do jornalista Vladimir Herzog, também judeu, e assassinado nos porões do DOI-Codi em outubro de 1975, na ala dos suicidas do cemitério israelita. O rabino também estava, junto com os religiosos citados acima, no ato ecumênico realizado por Herzog. “Realizado na Catedral da Sé, em São Paulo, o protesto aconteceu em 31 de outubro de 1975, seis dias após a morte de Vlado e dando início ao processo que culminaria na redemocratização do país”, lembra em nota o Instituto Vladimir Herzog (IVH). “No caso Herzog, Sobel usou sua autoridade e o lugar que ocupava para refutar a narrativa oficial sobre a morte de Vlado. Ele não admitiu que o enterro fosse feito na ala reservada aos que se suicidam no cemitério israelita. Foi assim que Vladimir Herzog, torturado e assassinado no DOI-CODI, órgão de repressão do governo brasileiro, teve assegurado o direito a um sepultamento que respeitasse os ritos judaicos, parte de sua origem e memória, no Cemitério Israelita do Butantã.” Para o IVH, a trajetória do rabino “reafirma o impacto das atitudes de lideranças religiosas” e “a importância de tais figuras se comprometerem com valores que protejam e defendam os direitos civis e a dignidade da pessoa humana em qualquer tempo”. Também radicado no país, o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, observou: “O amor pelo Brasil não é determinado por onde a gente nasce, mas pelo que está no coração”, postou em sua rede social o responsável pela Vaza Jato, a série de reportagem do Intercept, que denuncia os abusos e ilegalidades da força-tarefa Lava Jato. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou que chegou a participar de várias cerimônias em memória das vítimas do Holocausto na Congregação Israelita Paulista. “Nenhum de nós pode deixar que a memória do Holocausto seja apagada e que tais tragédias se repitam. E cabe também a todos nós, brasileiras e brasileiros, preservarmos a memória das ações de Sobel pela democracia e pela tolerância e liberdade religiosa”, afirmou Lula, em nota. O protagonismo na unidade inter-religiosa é também citado pelo colunista da RBA, Laurindo Lao Leal Filho: ” Antes de tudo isso, Sobel ao chegar dos Estados Unidos para liderar a Congregação Israelita Paulista. a CIP. renovou os ares da entidade animando jovens judeus com seu vigor, entusiasmo e espírito progressista. Deixa um exemplo de vida, tão importante nestes dias sombrios.” “A morte do rabino, neste momento, serve para tornar ainda mais aguda a nossa tragédia”, diz o jornalista Leandro Fortes, no site Brasil 247. “Em mundo onde o poder sionista tornou-se uma máquina de triturar humanos, na Palestina, e em um País onde a bandeira de Israel passou a ser empunhada por nazistas, a figura do rabino Henry Sobel parece um borrão perdido em alguma página arrancada de nossa história.”

Putin diz que Evo Morales sofreu “golpe” e manda recado a Bolsonaro e Trump

A mensagem foi interpretada nos meios diplomáticos como um alerta especialmente dirigido ao Brasil, EUA e OEA Em comunicado emitido na manhã desta segunda-feira (11), o governo da Rússia, de Vladimir Putin, acusou a oposição boliviana de promover uma onda de violência e insinuou que a tentativa de diálogo de Evo Morales foi minada. Moscou também usou a palavra “golpe” para descrever o que havia ocorrido em La Paz nas últimas horas e mandou um recado aos países sul-americanos. A mensagem foi interpretada nos meios diplomáticos como um alerta especialmente dirigido ao Brasil, EUA e OEA. No comunicado, o governo russo ainda pediu que as forças políticas demonstrem “bom senso” e atuem “de forma responsável”. “Causa profunda preocupação que a vontade do governo de buscar soluções construtivas, com base no diálogo, foi rejeitada por eventos que têm um padrão de um golpe de estado orquestrado”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Rússia. “Estamos preocupados com a dramática evolução da situação na Bolívia, onde a onda de violência desencadeada pela oposição não permitiu que o mandato presidencial de Evo Morales fosse cumprido”, afirmou Moscou. “Apelamos a todas as forças políticas bolivianas para que sejam sensatas e responsáveis, para que encontrem uma solução constitucional para a situação no interesse da paz, da tranquilidade, da restauração da governabilidade das instituições do Estado, da garantia dos direitos de todos os cidadãos e do desenvolvimento social e econômico do país, ao qual estamos ligados por uma relação de amizade”, alertou. O comunicado também manda um recado para a região: “Esperamos que esta abordagem responsável seja demonstrada por todos os membros da comunidade internacional, pelos vizinhos latino-americanos da Bolívia, pelos países extra-regionais influentes e pelas organizações internacionais”. Na diplomacia brasileira o alerta foi interpretado como um recado especialmente dirigido a países como o Brasil que, imediatamente depois da queda de Morales, declararam que não se tratava de um golpe. O alerta também se referiu, indiretamente, ao governo americano e à OEA. Nas redes sociais, o chanceler Ernesto Araújo afirmou que não há nenhum golpe na Bolívia, indicou que o Brasil “apoiará transição democrática e constitucional” e que “a narrativa do golpe só serve para incitar a violência”. O alerta do governo Putin ocorre às vésperas da cúpula dos Brics, em Brasília. Tema ameaça aprofundar o afastamento político entre o Planalto e o Kremlin. Via Revista Fórum, com informações do UOL

Golpe na Bolívia é também fundamentalista e leva bíblia para o palácio de governo

 Camacho, líder do Comitê Cívico Pro Santa Cruz (leste), e Pumari, e o advogado Eduardo León, se ajoelharam diante de um imenso escudo boliviano no meio de um corredor da casa do governo, onde depositaram a carta e a Bíblia, de acordo com uma foto divulgada nas redes sociais Do Estado de Minas – O líder regional opositor boliviano Luis Fernando Camacho entregou neste domingo na sede de governo de La Paz uma carta de renúncia que pretende que o presidente Evo Morales assine e uma Bíblia, conforme havia prometido. Acompanhado por uma multidão, Camacho entrou na sede de governo da Praça Murillo junto com o dirigente cívico de Potosí (sul) Marco Pumari, onde simbolicamente entregou a carta de renúncia para Morales e um exemplar da Bíblia. Camacho, líder do Comitê Cívico Pro Santa Cruz (leste), e Pumari, e o advogado Eduardo León, se ajoelharam diante de um imenso escudo boliviano no meio de um corredor da casa do governo, onde depositaram a carta e a Bíblia, de acordo com uma foto divulgada nas redes sociais.

Brasil vota contra resolução que condena bloqueio a Cuba na ONU

O Brasil adotou o viés ideológico de extrema-direita e votou contra uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que condena e pede o fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba. A resolução foi votada na plenária da Assembleia-Geral da ONU nesta quinta-feira (7). O fim do embargo foi aprovado por 187 países e duas abstenções, além de três votos contra. Além do Brasil votaram contra Israel e Estados Unidos. Colômbia e Ucrânia se abstiveram. O posicionamento rompe a tradição da diplomacia brasileira e segue o alinhamento automático do governo Jair Bolsonaro (PSL) ao presidente norte-americano, Donald Trump.

EUA: deputados aprovam abertura de inquérito de impeachment de Trump

 Presidente de extrema-direita é acusado de pedir a líder ucraniano para investigar o agora candidato opositor Joe Biden A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou as regras para a abertura formal do inquérito de impeachment do presidente Donald Trump. Foram 232 votos a favor e 196 contra. Assim, abre-se a próxima fase do inquérito, que inclui audiência públicas e dá a possibilidade de Trump comparecer ao Congresso para apresentar sua defesa. O fascista republicano é acusado de ter violado a lei de segurança nacional dos EUA ao, de acordo com as denúncias, ter pedido ao presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, para que esse investigasse o democrata Joe Biden e seu filho, Hunter Biden, que tinham negócios há até pouco tempo no país europeu. Conforme as acusações, as pretensões de Trump seriam eleitorais, uma vez que Joe Biden é o principal concorrente do republicano nas eleições presidenciais do ano que vem. Assim, Trump poderia encontrar algum “podre” nos negócios de Biden e utilizar isso como propagando contra seu adversários nos comícios. Agora, a Câmara irá votar pela aprovação ou não do impeachment, cuja abertura foi anunciada em 24 de setembro pela presidenta da Casa, a democrata Nancy Pelosi. Se aprovado, o pedido irá para o Senado fazer o julgamento. Com dois terços dos votos a favor do impeachment, finalmente Trump seria derrubado do cargo. No entanto, a maioria no Senado é republicana e, embora anteriormente houvesse um movimento dentre de seu próprio partido pela sua deposição, atualmente a situação parece ter se amenizado um pouco e os republicanos, com uma maioria na Casa, provavelmente irão vetar qualquer possibilidade de impeachment. De acordo com a lei norte-americana, um presidente não pode pedir a um país estrangeiro a interferência em suas eleições. Curiosamente, os Estados Unidos são o país que mais interfere nas eleições das nações do mundo todo, financiando candidaturas de políticos fantoches, promovendo campanhas contra seus opositores, e, mesmo fora das eleições, controlando partidos inteiros e implementando uma política de golpes de Estado (inclusive militares) para que seus capitalistas possam melhor dominar as economias desses países.