Posições sobre celibato causam polêmica no Vaticano

 Reflexo de uma luta ideológica e política, o Vaticano está envolvido numa guerra de versões e polêmicas sobre o celibato. No centro da polêmica está Bento XVI, que segundo fontes próximas ao papa emérito, não teria aprovado a publicação do livro escrito em conjunto com o cardeal Robert Sarah, no qual o celibato dos sacerdotes é defendido – Uma guerra interna travou-se no Vaticano na noite passada, quando alguns meios de comunicação, incluindo o Corriere della Sera, publicaram uma versão de alguém que não se quis identificar, mas se disse próximo do papa emérito, afirmando que Bento XVI não teria escrito o livro “a quatro mãos” e que se trata de uma operação editorial midiática a que ele é totalmente alheio. A mesma fonte explicou que o papa emérito “apenas disponibilizou a Sarah um texto sobre o sacerdócio que estava escrevendor” e que “não sabia nada sobre a capa de um livro, nem o aprovara”. Essas declarações provocaram uma reação dura do cardeal prefeito da Congregação para o Culto Divino, que afirmou no Twitter que acusá-lo de mentir era “difamação de extrema gravidade”. “Hoje à noite, eu comprovei a minha estreita colaboração com Bento XVI para escrever este texto a favor do celibato. Falarei amanhã, se necessário”, acrescentou Sarah, que publicou as fotos de três cartas que Bento XVI lhe enviou. As cartas confirmam que o papa emérito enviou um texto sobre o sacerdócio e o autorizou a publicar “da maneira que pretendia”, mas não especificam em nenhum momento se é um livro, com uma introdução e uma conclusão assinada por ambos. A polêmica no Vaticano surgiu no domingo (12), quando foi anunciado um novo livro assinado por Bento XVI e Sarah – um dos principais líderes da ala conservadora que critica as posições do papa Francisco -, no qual o celibato é defendido, diante da decisão que terá de ser tomada pelo papa argentino sobre a proposta de ordenar homens casados, feita no Sínodo da Amazónia. Trechos do livro foram publicados domingo no site do jornal francês Le Fígaro. A obra, em francês, tem como título “Das profundezas dos nossos corações” (Des profondeurs de nos coeurs) e chegará às livrarias esta semana, enquanto o papa encerra a sua exortação apostólica após o Sínodo da Amazónia. Para muitos, esse é um movimento para pressionar Francisco. Assim, surgiram novamente acusações de que Ratzinger, 92 anos, que há anos se limita a breves aparições gravadas ou fotografadas por um jornalista ou amigo que o visitou, nas quais quase nunca faz declarações e se percebe que fala com grande dificuldade, pode estar a ser manipulado pela área mais conservadora da Igreja. Os veículos oficiais do Vaticano limitaram-se a garantir que no livro “os autores expõem as suas intervenções no debate sobre o celibato e a possibilidade de ordenar homens casados” e que Ratzinger e Sarah se definem como dois bispos que mantêm “obediência ao papa Francisco”, de acordo com um artigo do diretor editorial Andrea Tornielli. O responsável pela assessoria de imprensa, Matteo Bruni, disse que o papa Francisco sempre se opôs à eliminação do celibato, mas não se pronunciou sobre se Ratzinger concordou ou não com a publicação desse volume. As informações são da Agência Brasil

Sindicatos derrotam Macron na França depois de 38 dias de greve

 – Governo francês retirou o aumento da idade mínima da reforma da Previdência Após 38 dias de greve, sindicatos tiveram vitória na França e conseguiram fazer com que o governo de Emmanuel Macron retirasse “provisoriamente” o aumento da idade mínima de 62 para 64 anos da reforma da Previdência. Decisão foi anunciada pelo primeiro-ministro Edouard Philippe neste sábado (11). “O compromisso que ofereço me parece a melhor forma de reformar pacificamente nosso sistema de aposentadorias”, escreveu, no mesmo dia em que sindicatos mobilizaram novamente milhares de pessoas em protestos por todo o país. O primeiro-ministro tomou a decisão por falta de acordo entre o governo e os principais sindicatos do país. A paralisação deste sábado foi a quinta maior do país em pouco mais de um mês de luta contra a reforma da Previdência, uma das principais promessas eleitorais de Macron. O ato teve confrontos de manifestantes com a polícia. No entanto, como é de praxe no país, participaram trabalhadores de diferentes categorias, como caminhoneiros, professores, advogados e médicos, entre outros. A principal demanda era a retirada total do projeto, que prevê a fusão dos 42 atuais regimes de Previdência, organizados por profissões, e o estabelecimento de um novo sistema de cálculo.

EUA já avaliam que conflito com Irã pode atingir Brasil

 – Embaixada dos EUA no Brasil emitiu alerta para os estadunidenses que moram no país – A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil emitiu um alerta na tarde desta terça-feira (7) a cidadãos estadunidenses que moram no Brasil para evitarem pontos turísticos e andarem com discrição nas ruas. A postura indica um temor de uma possível retaliação ao país após o governo do presidente Jair Bolsonaro se colocar ao lado dos EUA em meio a escalada nos conflitos com o Irã. Segundo informações da repórter Isa Staciarini, da rádio CBN, “entre as recomendações está a de manter a discrição, ficar em alerta sobre o que acontece ao redor em locais frequentados por turistas”. A embaixada entende que as tensões no Oriente Médio podem refletir em outros países do exterior, como o Brasil. O Itamaraty, comandado por Ernesto Araújo, adotou uma posição pró-EUA defendendo o “combate ao terrorismo” sem comentar diretamente sobre o assassinato do general Qassem Soleimani por parte do governo Trump. “Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo”, dizia a mensagem. A postura foi criticada por parlamentares da oposição no Brasil e fez com que país persa solicitasse explicações à Embaixada brasileira no Irã. Ao comentar sobre o caso, o presidente Jair Bolsonaro tentou desconversar, mas logo reafirmou o conteúdo da nota. “Nós repudiamos terrorismo em qualquer lugar do mundo e ponto final. É um direito deles, como é o meu também”, afirmou. Leia aqui a nota da Embaixada dos EUA no Brasil  Via Fórum

Em escalada de tensão, Irã anuncia quebra de acordo nuclear e parlamento do Iraque aprova saída de tropas dos EUA

  Medidas foram anunciadas em represália aos Estados Unidos pelo assassinato do general iraniano Qasem  Soleimani – Dois dias após o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani em um ataque ordenado pelos Estados Unidos em Bagdá, os Governos de Irã e Iraque iniciaram medidas de represália. O Irã anunciou neste domingo que deixará de respeitar seus compromissos sob o acordo nuclear de 2015. Já o parlamento do Iraque aprovou uma moção exigindo que o Governo expulse as tropas norte-americanas. De acordo com a televisão estatal, Teerã afirmou que não limitará mais o número de centrífugas de enriquecimento de urânio que utiliza. O Irã agora baseará o nível de enriquecimento nas necessidades técnicas do país, embora mantenha a cooperação com a agência nuclear da ONU. O porta-voz citado na televisão apontou que esses próximos passos podem ser revertidos se Washington suspender as sanções que mantém sobre o país. O regime iraniano vinha se afastando do acordo desde que os Estados Unidos o abandonaram em 2018. Em meio à troca de ameaças entre Washington e Teerã, parlamentares do Iraque aprovaram a moção exigindo a expulsão das tropas norte-americanas. O próprio primeiro-ministro interino, Adil Abdul-Mahdi, defendeu essa opção como “a melhor para o Iraque”. A sessão no Parlamento, onde o bloco xiita tem maioria, transcorreu em um ambiente tenso (os parlamentares dos blocos sunita e curdo não participaram da sessão) e também no contexto de confrontos entre as milícias iraquianas pró-iranianas e manifestantes de sinal oposto e às homenagens que milhares de iranianos prestavam a Soleimani, cujo corpo foi repatriado neste domingo. A votação defende que a saída das tropas é “o melhor para o Iraque”, mas se trata de uma resolução não vinculante e o Executivo iraquiano deve negociar com Washington a modificação ou a rescisão do atual acordo que têm. Em sua intervenção no plenário, o primeiro-ministro iraquiano em exercício explicou que seu país tem duas opções sobre a mesa: uma é exigir a retirada completa das tropas estrangeiras e a outra é renegociar o acordo que rege sua presença. Abdul-Mahdi se mostrou a favor da primeira opção: “Apesar das dificuldades externas e internas que podemos enfrentar, é o melhor para o Iraque”. Ao mesmo tempo, o Ministério das Relações Exteriores iraquiano apresentou uma queixa ao Conselho de Segurança das Nações Unidas pelo ataque dos EUA que acabou com a vida de Soleimani, do comandante das milícias xiitas iraquianas Forças de Mobilização Popular (FMP), Abu Mahdi al-Muhandis, e outros oito militares de ambos os países. A diplomacia iraquiana exige que o órgão da ONU condene o ataque por representar uma “perigosa violação da soberania do Iraque e das regras da presença dos EUA” no país. A mobilização de mais de 5.000 militares norte-americanos no Iraque se baseia em um acordo assinado pelos Governos de ambos os países depois que Bagdá convidou a Coalizão Internacional liderada pelos EUA a mobilizar suas tropas em 2014 para combater o grupo jihadista Estado Islâmico (EI). O Governo iraquiano opera interinamente depois que o primeiro-ministro pediu demissão em novembro para acalmar os manifestantes que protestam nas ruas há meses contra a corrupção e a falta de empregos e serviços. Abdul-Mahdi continua no cargo de maneira temporária até o fragmentado Parlamento iraquiano entrar em acordo com relação ao sucessor, algo que o primeiro-ministro pediu em sua intervenção parlamentar. De acordo com a imprensa local, 170 deputados do bloco xiita —dos 329 do Parlamento do Iraque— assinaram a proposta votada em plenário pedindo a saída das tropas estrangeiras, incluindo a revisão da mobilização de instrutores de outros países ocidentais. “O Governo se compromete a revogar seu pedido de assistência à coalizão de luta contra o Estado Islâmico devido ao fim das operações no Iraque e à conquista da vitória. O Governo iraquiano deve trabalhar para acabar com a presença de todo tipo de tropas estrangeiras em solo iraquiano, proibi-las de usar seu território, seu espaço aéreo e suas águas territoriais por qualquer razão”, diz a moção aprovada, segundo a agência Reuters. Os parlamentares dos blocos sunita e curdo não participaram da sessão em protesto contra a crescente influência iraniana; portanto, a falta de quórum levou ao adiamento da votação por algumas horas. “Nesta questão preferimos adotar uma postura neutra que seja do interesse do Iraque e da região do Curdistão”, explicou Vian Sabri, presidenta do grupo parlamentar do partido curdo KDP, em declarações ao canal Kurdistan 24. A promotora da moção é a coalizão Fatah —o grupo mais pró-iraniano do Parlamento iraquiano e ao qual as FMP estão vinculadas—, que justifica a exigência da retirada dos EUA pelo fato de já terem cumprido sua missão de derrotar o EI e suas últimas ações no Iraque serem uma violação da soberania nacional. No sábado, o líder do Fatah, Hadi al-Amiri, jurou diante do caixão de Muhandis: “O preço do seu sangue será a saída das tropas norte-americanas do Iraque”. Outro deputado do mesmo grupo, Ahmad al-Kinany, advertiu no Twitter que os deputados ausentes do plenário serão considerados “traidores da pátria”. Fontes militares dos EUA reconheceram à agência France Presse que acompanham o debate parlamentar com “apreensão” e “nervosismo”. A tensão provocada pelo assassinato de Soleimani é sentida em todo o Iraque. Em Nasiriyah (sudeste), ocorreram confrontos quando um enterro simbólico realizado por grupos pró-iranianos tentou penetrar em um acampamento de manifestantes por motivos sociais, parte dos protestos que atormentaram o Iraque nos últimos meses, criticando a corrupção e a excessiva influência iraniana. Um miliciano das FMP abriu fogo contra os outros manifestantes ferindo quatro pessoas, informou a agência EFE citando fontes policiais. A brigada xiita Kataeb Hezbollah (KH), uma das mais radicais das FMP, pediu voluntários “para o martírio” em ações contra os EUA e deu um ultimato até as cinco da tarde de domingo (11 da manhã em Brasília) para que as forças de segurança iraquianas “se afastem pelo menos 1.000 metros das bases norte-americanas”. Já na tarde de sábado vários foguetes atingiram o bairro de Bagdá onde está localizada a Embaixada dos Estados Unidos e uma

América Latina busca estabilidade após a explosão popular

  – Região enfrenta as consequências dos protestos populares e a consolidação de novos Governos em um momento de incerteza econômica – Prever que a conjuntura política da América Latina será marcada pela incerteza e pelo fator surpresa não é arriscado, na medida que a essas alturas do ano passado pouco se sabia, por exemplo, sobre a existência de Juan Guaidó na Venezuela, e os protestos populares que convulsionaram muitos países estavam longe sequer de ser uma possibilidade. As ainda incertas consequências dessa agitação serão um fator determinante na reacomodação política que vem ocorrendo na região nos dois últimos anos, com mais de uma dezena de eleições, incluindo as principais potências; inumeráveis Parlamentos fragmentados —com exceção do poder total de Andrés Manuel López Obrador no México— e a previsão da Cepal (órgão da ONU) de que o septênio 2014-2020 será o de menor crescimento econômico nos últimos 40 anos. No plano ideológico, a vitória de Alberto Fernández na Argentina; a libertação de Lula no Brasil; a derrota do uribismo nas eleições locais da Colômbia e os protestos contra Sebastián Piñera no Chile, deram uma trégua às forças progressistas da região, após as vitórias conservadoras no Brasil, Colômbia e Chile e o rumo autoritário tomado por Venezuela e Nicarágua. Após um começo de século marcado pela hegemonia do denominado socialismo do século XXI, o pêndulo entre as forças progressistas e conservadoras permanece pela primeira vez equilibrado em um ano em que estão previstas eleições presidenciais somente na República Dominicana e na Bolívia. Venezuela, foco de tensão A Venezuela será presumivelmente de novo o foco de maior tensão na região. No país que dava a impressão de que tudo iria mudar com o surgimento de Juan Guaidó, nada mudou. Pelo menos no plano político: a situação econômica continua sendo crítica, apesar da dolarização que traz um salva-vidas aos mais ricos; a migração não tem freio —aproximadamente cinco milhões de pessoas deixaram o país—. Não muda o conflito entre Nicolás Maduro e Juan Guaidó. O primeiro conseguiu se entrincheirar no poder após um ano complicado e as expectativas geradas pelo presidente da Assembleia Nacional, reconhecido como mandatário interino por mais de 60 países, se diluíram e sua figura ficou prejudicada, não somente dentro da Venezuela; a comunidade internacional faz malabarismos para lidar com o Governo de Maduro sem que isso signifique um enfraquecimento de Guaidó. A próxima segunda-feira será a primeira prova de fogo para o jovem dirigente venezuelano, de 36 anos. Nesse dia deverá referendar seu cargo como principal líder da Assembleia Nacional. O chavismo, que voltou ao Parlamento neste ano, de maioria oposicionista, mobilizou nas últimas semanas uma ofensiva para tentar enfraquecer os apoios de Guaidó ao tentar subornar vários dirigentes de oposição para que mudem seu voto. A Assembleia Nacional está, desde o final de 2015, em poder da oposição, de modo que Guaidó possui, a priori, apoio suficiente, mas pelo menos trinta deputados estão no exílio e várias dezenas ameaçados. A partir da próxima semana se abrirá um novo cenário —mais um—na Venezuela. O chavismo está decidido a convocar eleições legislativas, como deveria acontecer nesse ano. Muitos pensam que serão fixadas no começo do ano para colocar a oposição em uma armadilha. Um setor dos críticos a Maduro sustenta que não existem condições para um processo eleitoral limpo, como já defenderam em maio de 2018 nas eleições presidenciais vencidas por Maduro e que não foram reconhecidas pela grande maioria da oposição e da comunidade internacional. Há, entretanto, amplos grupos de dirigentes oposicionistas —alguns deles defenderam Guaidó no último ano— que acham que devem participar da hipotética data. O entorno mais próximo ao presidente do Parlamento está cauteloso, não descarta outro cenário eleitoral e que os confrontos voltem a se intensificar. A crise da Venezuela vai além do país caribenho e, certamente, balançará novamente toda a região. Na parte diplomática, muitos olhares estão no México, que neste ano terá a presidência temporária da Comunidade dos Estados Americanos e do Caribe (CELAC), o órgão que viveu seus melhores dias sob a proteção de Hugo Chávez e Lula e que agora o Governo de López Obrador quer relançar, em parte como contrapeso à Organização de Estados Americanos (OEA), a quem vê com receio pelo papel de protagonista exercido por seu secretário-geral, Luis Almagro. Desconfiança no México A diplomacia mexicana, pouco atuante no caso venezuelano, deu nos últimos meses um passo à frente, especialmente com a crise desatada na Bolívia pela renúncia, após a pressão dos militares, de Evo Morales, a quem López Obrador deu asilo em seu país antes de que ele se instalasse na Argentina. No plano interno, a segunda potência da região encara um ano marcado pela incerteza econômica, após entrar em recessão pela queda de rendimento. A consolidação do novo acordo comercial com os Estados Unidos e o Canadá é o principal trunfo para dar um pouco de oxigênio a López Obrador, que mantém amplo apoio popular, de acordo com todas as pesquisas, mas que continua sem gerar confiança no mundo empresarial para retomar as finanças do país e poder realizar sua ambiciosa agenda social. A economia também será determinante no primeiro ano de Governo de Alberto Fernández na Argentina, outra potência que, como o México, decidiu guinar à esquerda, formando um teórico eixo progressista que ainda está longe de se materializar no papel. É, pelo menos por enquanto, um contrapeso à grande economia da América Latina, o Brasil, governada pelo ultradireitista Jair Bolsonaro, que ainda não pôde concretizar suas grandes reformas. As eleições municiais de outubro serão um termômetro para medir o desgaste de Bolsonaro após dois anos de sua vitória e o apoio que pode ter o Partido dos Trabalhadores de Lula, após o ex-presidente sair da prisão. O termômetro da força das manifestações populares virá do Chile e da Colômbia, em que os protestos ainda estão vivos, especialmente contra o mandato de Sebastián Piñera. No caso colombiano, se une a pressão a Iván Duque para que consolide os acordos de paz com as FARC e

EUA atacam aeroporto de Bagdá e matam principal líder militar do Irã

 – Os Estados Unidos realizaram na noite desta quinta-feira (2) um ataque ao aeroporto de Bagdá (Iraque) matando Qassem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária do Irã. – A ordem para o ataque partiu do presidente dos EUA, Donald Trump, e o objetivo era mesmo eliminar o militar iraniano. O Pentágono emitiu uma nota culpando Soleimani por mortes de americanos no Oriente Médio e afirmou que o objetivo foi deter planos de futuros ataques iranianos. “O general Soleimani estava ativamente desenvolvendo planos para atacar diplomatas americanos e membros do serviço no Iraque e em toda a região.” Afirmou a agência militar dos EUA. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse nesta sexta-feira (3) que a morte de Qassem Soleimani irá dobrar a motivação da resistência contra os EUA e Israel. “Todos os inimigos devem saber que a jihad de resistência continuará com uma motivação dobrada, e uma vitória definitiva aguarda os combatentes na guerra santa”, disse Khamenei em comunicado divulgado pela TV, no qual pediu três dias de luto nacional. O presidente iraniano Hassan Rouhani disse que agora o país estará mais determinado a resistir aos EUA e prevê vingança. “O martírio de Soleimani tornará o Irã mais decisivo para resistir ao expansionismo americano e defender nossos valores islâmicos. Sem dúvida, o Irã e outros países que buscam a liberdade na região se vingarão”, afirmou Rouhani. Com informações do G1.

Le Monde: ‘Bolsonaro é oficial subalterno e deputado ultramarginal’

O jornal francês Le Monde publicou duríssimo artigo sobre Jair Bolsonaro. O corespondente Bruno Meyerfeld afirma que o presidente brasileiro é um “oficial subalterno excluído do exército, deputado ultramarginal de extrema direita, zombado por seus pares por três décadas”. Para o Le Monde, “o capitão da reserva acusou o odiado ‘sistema’ com mais fúria e barulho do que qualquer outro líder do planeta: mentiras em série, comentários racistas e homofóbicos, piadas misóginas, delírios conspiratórios, elogios à tortura e à ditadura, insultos a líderes estrangeiros”. O jornal ainda faz um prognóstico sombrio: “Bolsonaro é o espelho da parte obscura do Brasil”, observa o artigo, e acrescenta: “O reinado de Jair Bolsonaro pode durar mais tempo do que pensamos”.  

Venezuela dispara contra o Bolsonaro e eleva o tensão na fronteira

 – A Venezuela, por meio de sua chancelaria, disparou um comunicado internacional neste domingo (29) contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O governo bolivariano de Nicolás Madura denuncia que, numa decisão incomum, o governo brasileiro concedeu status de refugiado aos cinco terroristas confessos, responsáveis pelo ataque armado ao Batalhão de Infantaria 513 do Gran Sabana, no estado de Bolívar. No último dia 22 de dezembro, foram roubados 120 fuzis e lança-foguetes numa operação violenta que resultou na morte de um soldado da Força Armanda Nacional Bolivariana (FANB). Para os venezuelanos, Bolsonaro encobre atos terroristas e age como cúmplice de um atentado contra a paz sob o patrocínio dos Estados Unidos. “O Brasil não só agrava os direitos humanos internacionais como, também, estabelece perigoso precedente ao encobrir mercenários”, diz um trecho do comunicado internacional. “Qual seria a reação das autoridades brasileiras se, após ataques às suas instalações militares, a Venezuela dessa proteção jurídica a desertores de seu Exército?”, questiona a Venezuela. O documento afirma ainda que o povo venezuelano tem certeza de que os brasileiros não acompanham a decisão do debilitado governo de Jair Bolsonaro. Segundo a denúncia do governo Maduro, Bolsonaro faz o jogo dos EUA para gerar condições para uma intenção militar na Venezuela. A Venezuela informa que interpelará o Brasil no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Jorge Arreaza M ✔@jaarreaza #COMUNICADO| La República Bolivariana de Venezuela denuncia ante la comunidad internacional la insólita decisión del Gobierno de Brasil de dar condición de refugiados a los cinco terroristas confesos, responsables del asalto armado al 513 Batallón de Infantería de la Gran Sabana 817 17:27 – 29 de dez de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads  

Papa Francisco pede solidariedade e fraternidade no Natal

 O Papa Francisco pediu neste domingo (22) na Praça de São Pedro, no Vaticano, que o Natal seja uma celebração de fé, fraternidade e solidariedade, com referência especial à dimensão familiar da festa. “O meu pensamento dirige-se especialmente às famílias, às vossas famílias, que nestes dias de festa se voltam a reunir: quem vive longe dos pais, põe-se a caminho e volta a casa; os irmãos tentam reencontrar-se. Que o Santo Natal seja para todos uma ocasião de fraternidade, de crescimento na fé e de gestos de solidariedade para com os que estão em necessidade”, declarou o Papa. Francisco falava a milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a recitação dominical da oração do ângelus, tendo centrado a sua tradicional reflexão na figura de São José. O Papa falou de um homem “pobre, que vive do essencial” e soube “fazer a vontade de Deus”, mesmo quando confrontado com a gravidez de Maria, evitando uma denúncia que a teria levado à morte. “O exemplo de São José, manso e sábio, exorta-nos a elevar o olhar, procurando ver além. Trata-se de resgatar a surpreendente lógica de Deus que, longe dos pequenos ou grandes cálculos, é feita de abertura a novos horizontes, a Cristo e à sua Palavra”, disse. “Que a Virgem Maria e o seu casto esposo José nos ajudem a colocarmo-nos à escuta de Jesus que vem e que pede que o ouçamos nos nossos projetos e nas nossas escolhas”, declarou. A cerimônia contou com uma delegação de cidades italianas “gravemente poluídas”, que Francisco apoiou na sua luta por uma “melhor qualidade do ambiente e um adequado cuidado da saúde”. O domingo do Papa começou no auditório Paulo VI, onde recebeu as crianças assistidas pelo dispensário pediátrico “Santa Marta” no Vaticano, com familiares e voluntários. Num clima de festa, com direito a bolo pelo 83.º aniversário de Francisco, celebrado na última semana, as crianças rodearam o pontífice e apresentaram cânticos e animações sobre o Natal. O Papa agradeceu a todos os que prepararam o encontro, destacando a importância de brincar com as crianças, antes de apresentar uma breve reflexão sobre as palavras que acompanhavam as caixas oferecidas por três “reis magos: Esperança, Amor e Paz.

Câmara aprova processo de impeachment de Trump, que será julgado pelo Senado

– O presidente norte-americano é acusado de abuso de poder e obstrução. Ele será o terceiro julgado da história – Donald Trump tornou-se nesta quarta-feira o terceiro presidente da história norte-americana que será submetido a um processo de impeachment. Uma Câmara dos Deputados totalmente dividida aprovou levar Trump a julgamento no Senado por abuso de poder e obstrução do Congresso após um escândalo sobre a suposta pressão da Casa Branca sobre a Ucrânia para obter benefícios eleitorais ao republicano. Após um longo e sombrio debate, às vezes teatral, a maioria democrata votou a favor das duas acusações, com todos os republicanos contra, em um claro reflexo da natureza partidária, quase tribal, desse processo. Os fundadores da Constituição planejaram remover um presidente em caso de “crimes graves ou delitos”. Seus herdeiros a transformaram em uma guerra sem quartel. “Resolução 755 para o impeachment de Donald John Trump, presidente dos Estados Unidos, por crimes e ofensas graves”. Um cabeçalho de 18 palavras convocou os 431 membros da Câmara dos Deputados a votar se julgariam o líder do país mais poderoso do mundo por pressionar o Governo de Kiev a iniciar investigações que o favoreciam para a reeleição em 2020. Por volta das três da tarde (cinco horas da tarde, horário de Brasília), o debate parlamentar havia se tornado um acidente de trem entre republicanos e democratas sobre a culpa ou inocência de Trump. “Hoje estamos aqui para defender a democracia do povo”, disse a presidente da Câmara, a veterana democrata Nancy Pelosi, ao abrir o debate. Pelosi, terceira autoridade da nação e líder dos democratas em Washington, apareceu de vestido escuro e falou em um tom calmo e sério, tentando transmitir uma ideia de solenidade institucional que contraria as críticas de Trump e dos republicanos, que acusam a oposição de agir de maneira partidária. Pelosi citou a Constituição e os pais fundadores e descreveu o presidente como “uma ameaça contínua à segurança nacional”. Enquanto isso, Donald Trump escreveu em sua conta do Twitter, em letras maiúsculas e vários pontos de exclamação: “Que mentiras hediondas da esquerda radical! (…) Este é um ataque à América e ao Partido Republicano!” Foi um dia de frases grandiloquentes e frases rudes, de manifestações nas ruas e nas redes sociais. Os parlamentares recordaram seus antepassados e o presidente pediu aos cidadãos que rezassem. A política norte-americana estava a ponto de escrever um capítulo importante da sua história. E, apesar disso, a estranha sensação de calma que domina o processo desde que começou seguiu, a despeito das pataquadas habituais do mandatário. E isso se deve não só a que a absolvição de Trump no Senado é dada como certa, mas também a que sua presidência instalou uma tormenta perene na Casa Branca. Somente um líder tão incomum quanto Trump pode fazer um impeachment parecer outro dia no escritório. Antes mesmo de tomar posse, o escândalo da conspiração russa estourou e começou-se a falar em iniciar um processo de demissão, algo muito incomum na história dos Estados Unidos. A investigação independente não encontrou evidências de seu conluio com o Kremlin, mas revelou suas tentativas de torpedear as investigações, lançando as bases para acusá-lo de obstrução. Ele também é suspeito de um crime de financiamento ilegal de campanhas para pagamentos a uma mulher para silenciar suas supostas relações sexuais algumas semanas antes das eleições de 2016 e está em destaque por aceitar dinheiro de governos estrangeiros por meio de seu império hoteleiro. Todos esses conflitos abalaram três anos de administração que, por si só, quebraram todos os protocolos imagináveis e transformaram os ataques e insultos do presidente na tônica usual. A crise ucraniana rapidamente entrou em combustão. Um informante anônimo, empregado no Governo dos EUA, denunciou no verão que Trump estava pressionando o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, inclusive bloqueando a ajuda militar comprometida, para fazê-lo anunciar duas investigações que o beneficiariam eleitoralmente nas eleições presidenciais de 2020. Especificamente, Trump exigiu inquérito sobre Joe Biden, um candidato democrata, e seu filho, Hunter, que foi pago por uma empresa de gás naquele país quando seu pai era vice-presidente. Ele também pediu que se investigasse uma teoria desacreditada de que havia uma campanha de interferência lançada da Ucrânia nas eleições presidenciais dos EUA em 2016 para favorecer os democratas. Trump agora é acusado de abuso de poder por essas manobras e de obstrução ao Congresso por boicotar esse processo, negando a entrega de documentos ou declaração de membros da Administração. Doug Collins, um pastor da Geórgia, foi um dos primeiros a falar nesta quarta-feira e insistiu que os democratas tentam demitir Trump desde o primeiro dia e não se importassem com os fatos e as evidências. “Hoje é dia de impeachment, mas não é dia de verdade”, enfatizou. O que vem agora no Senado No julgamento, que ocorrerá no Senado após o recesso de fim de ano após o sinal verde da Câmara, os legisladores deverão revisar os depoimentos, chamar novas testemunhas se acharem necessário, examinar os documentos, as evidências e decidir se, de fato, o presidente dos Estados Unidos cometeu algum “crime ou ofensa grave”, como diz a Constituição, que torna necessária sua remoção. Os senadores são obrigados a tomar suas decisões independentemente da cor política do presidente que julgam, mas a deliberação parece uma pantomima. A maioria dos legisladores democratas vê Trump culpado e todos os republicanos o consideram inocente. Nesta quarta-feira, com 233 dos 431 assentos ocupados pelos democratas, o julgamento do presidente já era dado como certo. No Senado, com 53 senadores republicanos em 100, a absolvição também parece decidida, já que um veredicto de culpado exige uma maioria de dois terços. À diferença do Brasil, nos EUA o presidente só deve ser afastado se for condenado na etapa final, não havendo a figura do afastamento temporário. Uma das grandes conclusões desse processo é que o republicano continua sendo o partido de Donald Trump. A formação, pelo menos por enquanto, fechou fileiras com o presidente. No entanto, no impeachment de Bill Clinton, iniciado em 19 de dezembro de