Alberto Fernández vence Macri e será o próximo presidente argentino

O líder peronista se reúne nesta segunda-feira com seu rival para acordar uma transição ordenada – Alberto Fernández é o novo presidente da Argentina. Mauricio Macri admitiu sua derrota, ampla (48% versus 40,5%), mas não tão severa quanto as pesquisas previam, e convidou seu sucessor para um café da manhã com o objetivo de organizar as seis semanas de transição restantes até as 10 de dezembro. Fernandez alertou a multidão peronista que comemorava a vitória sobre a dureza da tarefa que ele deverá enfrentar. “Os tempos difíceis estão chegando”, disse ele, depois de prometer que governaria “pelo povo, por todos”. Macri, por sua vez, parabenizou o vencedor e ofereceu cooperação. O resultado da eleição foi o mais balsâmico possível. Alberto Fernández derrotou, mas não varreu, o que permitiu que o macrismo se tornasse uma forte oposição. Também o comportamento de Macri e Fernández foi balsâmico. Diferente do áspero alívio de quatro anos atrás, em que Cristina Kirchner se recusou a entregar os símbolos presidenciais a Macri, desta vez os dois rivais deixaram de lado sua antipatia mútua e se declararam dispostos a trabalhar juntos. Ambos estavam cientes de que a situação econômica da Argentina está em um ponto crítico. E que nos próximos dias poderia reproduzir a turbulência financeira que se seguiu à vitória peronista nas primárias de agosto. “Estamos preparados para qualquer cenário”, disse Hernán Lacunza, ministro das Finanças que assumiu o cargo em agosto, depois que a reação dos mercados financeiros ao resultado primário transformou uma crise séria em uma crise muito séria. Lacunza foi o homem que acabou com o dogmatismo econômico que Macri e seu chefe de gabinete, Marcos Peña, haviam defendido anteriormente, e manteve na gaveta o manual do liberalismo para adotar medidas muito semelhantes às usadas por Cristina Kirchner durante sua segundo mandato, quando a queda nos preços das matérias-primas esgotou a inércia da prosperidade desfrutada desde 2003. Lacunza tinha um aperto dos controles de câmbio pronto, para impedir um colapso adicional do peso. O conselho do Banco Central se reuniu às 21 horas e estudou um pacote de medidas de emergência. Desde agosto, o Banco Central perdeu 22 bilhões de dólares em reservas e restam apenas 11 bilhões . A ex-presidenta Cristina Kirchner, nova vice-presidenta, exigiu que o governo cessante tenha cuidado nas próximas semanas. Macri manteve o otimismo até o último momento. Ele tinha razões: estrelou uma campanha eletrizante e reduziu substancialmente a diferença de 17 pontos que Fernandez havia conquistado nas primárias. Macri precisava de uma participação muito alta, perto de 85%, que em 1983 deu a vitória ao radical Raúl Alfonsín e pôs fim à ditadura. Foi a primeira vez que o peronismo foi derrotado por eleições livres. Nesta ocasião, 82% do eleitorado votou. Os dados corresponderam às expectativas do macrismo: uma grande quantidade de votos foi essencial para diluir os 49,4% alcançados por Fernández nas primárias. Mas também era imperativo que eleitores adicionais se voltassem a favor de Macri, e isso não aconteceu. Embora tenha sido derrotado e perdido a presidência, Macri permaneceu politicamente de pé. “Todos entendemos que é uma escolha histórica entre dois modelos de países”, disse o presidente ao meio-dia. “Agora temos que permanecer calmos.” Alberto Fernández já estava confiante ao votar: “Temos que tomar isso como um dia histórico e começar o tempo que vem com tranquilidade, o nós contra eles acabou”, disse. “Quando a eleição passar, conversaremos com mais calma”, acrescentou. Talvez “nós” e “eles”, a fenda que divide a sociedade argentina em duas partes, a peronista e a anti-peronista, termine mais tarde. Por enquanto permanece. No colégio da Universidade Católica em que Fernández votou, dois pequenos grupos de manifestantes foram formados, um gritando “corrupto” para o candidato, outro cantando o “nós retornaremos” que os peronistas cantam desde que perderam o poder em 2015. Quando a recontagem começou, as redes sociais foram inundadas com mensagens que denunciavam, em resumo, uma fraude eleitoral do peronismo. A raiva dos perdedores prenunciava a turbulência. Como a euforia peronista: o público que lotava a sede da Frente de Todos assobiava e vaiava Macri quando seu discurso de aceitação da derrota foi transmitido. A vice-presidente Cristina Kirchner, uma figura essencial para entender a polarização do país, votou em seu feudo patagônico de Río Gallegos e depois voou para Buenos Aires. O dia das eleições coincidiu com o décimo aniversário da morte de seu marido, Néstor Kirchner, presidente que, em 2003, conseguiu tirar a Argentina do pântano em que o país havia caído após o colapso econômico de 2001 e 2002 Endereço: Rua São Geraldo, nº 56 Todos os Santos, Montes Claros/MG – CEP: 39400-140 Telefones: (38) 3221-7259 – 3212-5320 – 3221-5328 – 3212-3221
Por causa de Lula, milhões de crianças deixaram de passar fome, diz Nobel da Paz

Na manhã desta quinta-feira (24), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a visita de Kailash Satyarthi, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2014. Ativista pelos direitos das crianças, o indiano já se encontrou com Lula outras vezes quando o ex-presidente estava em liberdade. Satyarthi é o segundo Nobel da Paz a visitar Lula, que recebe frequentemente visitas de personalidades estrangeiras, demonstrando que a luta por sua liberdade já é internacionalizada e ganha força pelo mundo. Após sair da sede da Polícia Federal em Curitiba, Satyarthi esteve na Vigília Lula Livre para comentar o encontro com o ex-presidente. “Nós estamos muito gratos pela mudança que ele fez para milhões de pessoas neste país maravilhoso. Nós sabemos que ele lançou programas para tirar milhões de pessoas da pobreza e da fome. E, devido a contribuição dele, milhões de crianças tiveram a oportunidade de não serem escravizadas e nem passarem fome.” O Prêmio Nobel da Paz também afirmou que a esperança de Lula em provar sua inocência só aumenta. “Eu já o encontrei outras vezes e é o mesmo homem, mas mais forte do que nunca e com muita força no coração e na alma. Com a determinação de fazer um mundo melhor. Ele está muito preocupado com todas as pessoas deste país. Ele está preocupado com a política do mundo. Nós conversamos sobre a situação de vários países, principalmente da América Latina. Ele disse que está determinado a sair e viver até os 120 anos.” Por fim, o indiano mandou um recado do presidente Lula para todos que o apoiam e lutam pela sua liberdade. “Ele tem esperança e um propósito, que é de servir a cada um de vocês aqui. Ele quer passar a mensagem: cada um de vocês que ama e respeita Lula, sabe que sentimos muito amor e gratidão.”
Evo Morales denuncia que está em curso um golpe de Estado

“Peço às organizações internacionais que defendam a democracia”, disse o presidente boliviano em pronunciamento nesta quarta-feira (23), em que afirmou que está em curso uma tentativa de golpe de Estado para derrubá-lo do poder Telesur – O presidente da Bolívia, Evo Morales, denunciou nesta quarta-feira (23) que está em andamento um golpe de Estado contra ele, orquestrado pela oposição de direita, e endossou seu compromisso de defender a democracia no país sul-americano. “Eu denuncio ao povo boliviano e ao mundo que está em andamento um golpe de Estado” que foi preparado pela direita com apoio do exterior “, disse Morales em discurso à imprensa estrangeira e nacional. “Peço às organizações internacionais que defendam a democracia”, disse o presidente que apareceu na quarta-feira diante da mídia após as eleições no país. “Não vamos procurar confronto, mas defenderemos a democracia”, disse Morales, que responsabiliza a oposição pelo exercício de atitudes racistas e discriminatórias.
Com 95% das urnas apuradas, Evo avança e pode vencer em primeiro turno na Bolívia

Segundo novas parciais, Evo tem 9,3% de vantagem sobre Mesa. Presidente precisa abrir 10% para evitar segundo turno Suspenso após a divulgação das primeiras parciais das eleições bolivianas neste domingo (20), o sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Parciais (TREP) foi reativado na noite desta segunda-feira (21) e aponta um crescimento da vantagem do presidente Evo Morales sobre seu opositor, o ex-presidente Carlos Mesa. Com 95% dos votos contabilizados, Morales, candidato do Movimento ao Socialismo (MAS), tem 46,41% dos votos. O principal opositor, Carlos Mesa, da Comunidade Cidadã (CC), tem 37,07%. Em relação aos primeiros dados, divulgados ainda no domingo com 84% das urnas apuradas, a vantagem de Evo cresceu de 7,1% para 9,3%. Para vencer em primeiro turno, Evo precisaria abrir 10% de vantagem sobre o rival. Restando pouco menos de 5% dos votos sem apurar, o atual presidente vai confirmando o favoritismo nos votos vindos da zona rural do país. “Vamos confiar nos votos do interior”, afirmou o mandatário no domingo em pronunciamento após divulgação das primeiras parciais. Com a reativação do TREP e o avanço de Morales, cresce o clima de tensão no país, uma vez que o opositor Carlos Mesa já declarou publicamente que não aceitará uma derrota em primeiro turno. O ex-presidente convocou seus eleitores a protestar em frente as sedes dos órgãos eleitorais bolivianos. Na tarde desta segunda, cerca de 200 eleitores de Carlos Mesa ameaçaram invadir hotel em La Paz onde o TSE montou um centro de sistematização e contagem dos votos. O protesto terminou com intervenção da polícia, que dispersou o grupo usando bombas de efeito moral e gás de pimenta. Entenda a paralisação da contagem parcial Na Bolívia, existem dois caminhos para divulgação dos votos. Além do TREP, baseado nas informações que vêm dos colégios eleitorais, existe a recontagem manual dos votos de cada região. Este segundo caminho, que leva ao resultado oficial, costuma ser mais preciso e mais lento. Neste momento, a contagem oficial tem 58.58% das urnas apuradas e aponta para um empate técnico com leve vantagem para o candidato da Comunidade Cidadã. Mesa tem 42,76% dos votos, contra 42,2% de Morales. O TREP havia sido suspenso no domingo (20) à noite, segundo o Tribunal Supremo Eleitoral, para evitar confusão entre as duas apurações paralelas. “Queríamos evitar confusão. Um mesmo órgão não pode divulgar dois resultados diferentes”, disse a presidenta do TSE, María Eugenia Choque.
Sem agenda oficial, Bolsonaro faz turismo no Japão e também é ignorado

“Sabe quem eu sou?”, “não” – Presidente brasileiro foi ao templo xintoísta Meiji, em Tóquio, onde passou por um ritual de purificação e foi ignorado pela população local. Bolsonaro ainda preferiu jantar em uma lanchonete, por não gostar de comida japonesa Ao lado do fiel escudeiro, o deputado Hélio Negão (PSL-RJ), Jair Bolsonaro fez turismo pelo Japão nesta segunda-feira (21). Sem agenda oficial, ele foi ao templo xintoísta Meiji, em Tóquio, onde passou por um ritual de purificação e foi ignorado pela população local. Segundo o jornalista Gustavo Uribe, da Folha de S.Paulo, durante passeio pela rua Takeshita, conhecida como o coração da cultura pop de Tóquio, Bolsonaro se aproximou de uma adolescente e perguntou: “Sabe quem eu sou?”, recebendo uma negativa após tradução de um assessor brasileiro. Bolsonaro ainda foi jantar com a comitiva brasileira em uma lanchonete, por não gostar da culinária japonesa. “Peixe só se for frito”, comentou O presidente brasileiro ficará três dias na capital japonesa. Nesta terça-feira (22), ele participará de cerimônia de entronização do novo imperador, Naruhito.
Papa Francisco é a voz contrária aos novos “colonialismos” na Amazônia

Em pleno Sínodo, o pontífice denuncia o propósito de impor soluções a favor do capital contra os interesses da região e dos seus habitantes A moça que aparece ao lado do papa chama-se Elza Nâmnâdi Xerente, vem de uma tribo do Tocantins, fala português fluente tisnado por um leve sotaque, de difícil atribuição. Feliz de estar presente no Sínodo aberto em São Pedro por Francisco com uma missa celebrada debaixo do baldaquim luxuoso desenhado por Bernini, Elza integra a delegação indígena, representante de 3 milhões de habitantes em um território que engloba 7,8 milhões de quilômetros quadrados alastrados na maior parte no Brasil, mas também na Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Suriname e Guiana Francesa. Trata-se de cerca de 10% da população total da região, de 34 milhões de habitantes. Elza está encantada pela oportunidade de se aproximar do papa e me leva a pensar em uma espécie de matrioska indígena, redonda e brejeira a conter em escala decrescente outras tantas iguais a ela. São 10 horas da manhã de domingo 6 de outubro e Francisco pronuncia a homilia que abre o Sínodo e logo se refere aos incêndios que devastaram muito recentemente a Amazônia, a colocar o governo Bolsonaro na berlinda. “Fogo ateado aos interesses que destroem não é aquele dos Evangelhos”, afirma o pontífice. E acrescenta: “O fogo de Deus é calor que atrai e recolhe em unidade. Alimenta-se pela participação, não com os lucros. O fogo devorador explode quando pretende realizar ideias de poucos, formar o próprio grupo, queimar a diversidade para homologar todos e tudo”. Francisco preocupa-se com a língua e com o significado preciso dos vocábulos. Errada é a palavra índio, que remonta à convicção de Colombo de ter chegado às costas das Índias, certo dizer indígena. Parece indicar que este é o dono da terra que o invasor entende descoberta. O papa denuncia os novos “colonialismos” que se opõem à evangelização. “Deus nos preserve da avidez dos novos colonialismos!”, exclama o papa. Muito antes da devastação de meses atrás, Francisco definiu os rumos deste Sínodo: “Encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do povo de Deus, particularmente as pessoas indígenas, amiúde esquecidas sem a perspectiva de um futuro sereno, por causa também da crise da floresta amazônica, pulmão de importância fundamental para o nosso planeta”. Mas o evento reserva surpresas para quantos encaram os movimentos da Igreja Católica de longe. O cardeal-arcebispo Claudio Hummes, que muitos no Brasil consideram conservador, é o relator-geral do Sínodo, e o papa cuida de louvar um hábito do prelado: toda vez que vai à Amazônia, visita os cemitérios para saudar todos aqueles que, em defesa da região, foram mortos pela ganância dos poderosos. A facção conservadora sustenta a tese de que os trabalhos do Sínodo visam abater certezas doutrinárias. É o que afirma a velha guarda do Instituto João Paulo II, ao acusar o papa de pretender trair todo o magistério de Wojtyla no que diz respeito à família. Os efeitos geopolíticos do Sínodo ultrapassam este gênero de contrastes. O ex-capitão que, dizem, nos governa preocupa-se com o Sínodo porque “procuram criar novos países dentro do território brasileiro, pretendem roubar a Amazônia”. O papa indiretamente responde que o propósito não é apresentar programas previamente confeccionados para disciplinar e domesticar o povo amazônico. “As ideologias são redutivas”, diz o papa ao condenar a intenção de dividir a realidade em categorias, de sorte a inventar ismos em nome de uma presumida civilização que serve para aniquilar os povos. O vigoroso discurso de Francisco tem, de todo modo, um endereço certo e imediato: o Brasil de Bolsonaro. Culpado antes de mais nada por impor seu “novo colonialismo” a uma região cujo destino interessa ao mundo inteiro. A depender do ex-capitão e da sua determinação de favorecer o agronegócio e a pecuária o futuro da Amazônia prevê, nos sonhos bolsonaristas, a transformação da floresta em cultivações de soja e imensas pradarias. Sonho demente, como tudo mais. Abater a selva e humilhar ainda mais quem a habita significa a transformação desta área indispensável à sobrevivência da humanidade em um Saara do continente americano. Já prevíamos que Francisco haveria de ser “o maior inimigo” do governo Bolsonaro e do seu tresloucado sonho de grandeza. Este papa é um estadista empenhado em recolocar a Igreja Católica no rumo do espírito cristão depois dos pontificados de Karol Wojtyla e de Joseph Ratzinger, antes políticos que evangelizadores. João Paulo II notabilizou-se por trazer de volta a Guerra Fria com todas as suas consequências, e conflitos sangrentos não rimam com a palavra de Cristo. Conservador no mais, Wojtyla silenciou a respeito do escândalo dos padres pedófilos, de dimensões globais, e abrigou no Vaticano o famigerado IOR, instituto das obras religiosas, que se fartou de dar guarida à lavagem de dinheiro mafioso. Incumbe sobre o papa polonês e seu governo a sombra do monsenhor Marcinkus, orientador do IOR, doidivanas estadunidense, praticante do tênis e de histórias de alcova, perfeitamente à vontade em uma corte que, à volta de João Paulo II, reviveu os tempos devassos dos Borgia até a eleição de Francisco em seguida à renúncia de Ratzinger. Este, teólogo refinado inclusive no vestuário, haja vista as pantufas Prada que enfeitam seus pés até hoje, dedicou-se mais à política interna da Igreja do que à do mundo, pronto a limitar os efeitos das políticas implementadas por João XXIII e mantidas por Paulo VI. Na visão de Bento XVI, o próprio demônio havia inspirado movimentos como a Teologia da Libertação e quaisquer outros movidos pelo propósito de devolver a Igreja à palavra de Cristo. Foi derrotado por suas obsessões, vive longe do Vaticano em aprazível lugar do campo romano, diplomaticamente protegido pelo pontífice efetivo, que não deixa de convocá-lo para certas cerimônias, como se deu no caso do Sínodo. Ratzinger, obviamente, milita na ala dos tradicionalistas, mas convém fazer de conta que ainda lhe sobra um papel, por menor que seja. João Paulo I, morto um mês depois de consagrado, tinha sobre o criado-mudo um relatório a respeito
Revolta popular no Equador não recua, mesmo com brutal repressão

“Lágrimas de ira temos, mas aprendemos com nossas mães e pais que aos mortos da luta os honramos nos multiplicando”. Lema dos indígenas equatorianos Quarta-feira, 09 de outubro de 2019. Guardemos essa data para que os povos latino-americanos jamais esqueçam do que foi capaz o Sr. Lenín Moreno, presidente do Equador, para continuar sendo um fiel serviçal da corrupta burguesia equatoriana, do imperialismo norte-americano e do FMI. Enquanto clamava cinicamente, via a grande imprensa, por diálogo, Lenín autorizou o Ministro da Defesa a desencadear, com base nos decretos de Estado de exceção e de toque de recolher, uma repressão brutal contra as nacionalidades indígenas, trabalhadores, jovens, anciãos, mulheres e crianças. A selvagem Polícia Nacional equatoriana não poupou nem mesmo os acampamentos indígenas, que já haviam se deslocados para os parques públicos e recebidos, para acolhimento e descanso, pelas Universidades Católica, Politécnica, Salesiana e Central de Quito. As forças policiais invadiram ilegalmente as universidades na noite do dia 09 para o dia 10, pisoteando a autonomia das instituições e atacando fisicamente, de forma vil e covarde, as pessoas que se encontram no seu interior, sem distinguir crianças e mulheres. Nestes sete dias de “Paro Nacional”, Moreno, escondido em instalações militares em Guayaquil, autorizou força total da polícia, que fez uso de milhares de bombas de gás, cavalaria, cães treinados, atropelamento de motos e cassetetes. O saldo da repressão, até este momento, é chocante: 7 mortos, dos quais um recém-nascido; 95 ferimentos graves; 83 desaparecidos, dos quais 47 menores; mais de 800 detidos, a maioria deles em instalações policiais e militares; 57 jornalistas espancados pela polícia; 13 jornalistas presos; 9 meios de comunicação sob intervenção; 26 políticos presos; e detenção arbitrária de 14 cidadãos venezuelanos que não participaram das marchas. Além de cuidar dos feridos, buscar localizar os desaparecidos e as crianças perdidas, e celebrar a memória dos que tombaram, a Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) realizou uma enorme assembleia popular unificada na quinta-feira,10, reforçando a necessidade de unificação e solidariedade de todas organizações sociais e nações indígenas, com o propósito de serem um só punho “até que o FMI saia do Equador”. O movimento indígena, os sindicatos e os movimentos sociais do país exigem, entre outras demandas, a anulação do pacote econômico neoliberal instituído pelo governo em acordo com o FMI. A CONAIE conclamou a continuidade e a multiplicação da luta, assim como a sustentação dos bloqueios de estradas e das ocupações de governos locais e edifícios públicos, garantindo, para isso, assembleias populares em todas as comunidades e alianças com todos os setores do povo. Perante a insurreição do povo equatoriano, que toma o destino do país em suas próprias mãos, acreditamos que é um dever de todas lutadoras e lutadores do Brasil e da América Latina, bem como das organizações e partidos de esquerda, dos sindicatos e movimentos sociais, cercar de solidariedade essa luta revolucionária. A vitória dessa revolta popular representará um triunfo dos explorados e oprimidos de todo continente e uma dura derrota para os governos de direita e extrema-direita da região alinhados aos Estados Unidos, como Jair Bolsonaro, que aplicam a mesma política econômica antipovo e reprimem com a mesma violência as lutas sociais e democráticas. Esses governos submissos a Trump, como não poderia ser diferente, correram em apoio ao governo equatoriano, condenando as manifestações populares. Eles sabem que, se Lenín Moreno cair pela força da luta popular nas ruas, amanhã poderão ter o mesmo destino.
Um presidente desmoralizado faz um Brasil desmoralizado – Por Fernando Brito

A conversa fiada do governo norte americano de que, um dia, vai nos dar um tratamento privilegiado é, para usar o tipo de metáforas que o presidente brasileiro gosta, é como a daqueles sujeitos que enrolam a moça dizendo que precisa resolver alguns problemas mas que, daqui a algum tempo, terá todo o amor que, hoje, não pode dar . Qualquer pessoa que tenha capacidades maiores do que só a de fritar hambúrgueres vai perceber que, por vocação, somos competidores dos Estados Unidos em grande parte de nossos potenciais econômicos. Na produção agropecuária, em quase tudo: milho, soja, carnes bovinas, de aves e suínas. Na indústria, em parte e só não mais porque, nos anos 60 e 70, nos destruíram as indústrias de maior valor agregado: devorou-se a indústria pesada brasileira. Só o Brasil, no continente americano, pelo tamanho territorial, populacional e potendial de riquezas, pode ser um contraponto ao poder tal como como os EUA a perceberam desde Jefferson: a América para os (norte) americanos Isso quer dizer que devamos ser inimigos dos EUA? Evidente que não, mas entender quer nossos entendimentos devem ser como o que somos: concorrentes procuram sinergias. Mas isso não vai acontecer. Temos um governo absolutamente sabujo, que em lugar de exigir o cumprimento dos acordos que publicamente firmou, prefere dar razão a quem o traiu e dizer que esperará, pacientemente, merecer o lugar de amante que, um dia, vai ganhar a condição de “oficial”. O Camões, patrono do prêmio que Bolsonaro não quer entregar a Chico Buarque, dizia que “o rei fraco faz fraca a forte gente”. Estamos reduzidos a fazer tudo o que o mestre mandar, como nunca estivemos, nem no regime militar. Jamais poderíamos hoje pensar em algo como o acordo Brasil-Alemanha, que nos permitiu dominar , com os anos, o ciclo nuclear, pesquisa que vem desde JK. Ou que, em seguida, fossemos abandonar a política de armarmos nossa defesa nacional apenas com sucatas do US Army. Ainda que se cumpra, à frente, a promessa de nos levarem ao paraíso dos ricos, será assim, como a de quem entra por benesse, não por mérito. Via Tijolaço
Nobel da Paz 2019 sai para primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed

O prêmio é concedido, desde 1901, a homens, mulheres e organizações que trabalharam para o progresso da humanidade, conforme o desejo de seu criador, o inventor sueco Alfred Nobel. O prêmio foi atribuído Abiy Ahmed pelos seus esforços para “alcançar a paz e a cooperação internacional”, com os acordos de paz com a Eritreia “Ainda que falte muito a fazer na Etiópia”, Abiy Ahmed Ali “passou os últimos meses tentando alcançar a anistia no país”, acabando com a censura aos meios de comunicação, promovendo a paz social, e aumentando a importância das mulheres na comunidade da Etiópia, de acordo com onformação do jornal português Público
Partido Socialista vence eleição em Portugal, indica boca de urna

O Partido Socialista, do primeiro-ministro António Costa, venceu as eleições gerais desse domingo (6), indica pesquisa de boca de urna Sputnik – O partido de centro-esquerda recebeu entre 34% a 39% dos votos, enquanto os oposicionistas do Partido Social Democrata receberam de 27% a 31%, indica o levantamento da Rádio e Televisão de Portugal. Com estes números, a agremiação deve conseguir entre 100 e 117 cadeiras no Parlamento de 230 lugares. Para formar uma maioria absoluta, são necessárias 116 cadeiras. A congressista Ana Catarina, do Partido Socialista, afirmou que a eleição deste domingo foi uma “grande vitória” e que irá tentar formar um governo estável para a próxima legislatura. O Partido Socialista governa Portugal há quatro anos em coalizão com dois partidos menores de esquerda, uma união que é conhecida como “Geringonça”. A coalizão assumiu após um período de austeridade, quando Portugal precisou receber um empréstimo internacional. No governo de Costa, o crescimento econômico passou de 0,2% em 2014 para 2,1% em 2018 e o desemprego foi cortado praticamente pela metade, para 6%. Costa, entretanto, enfrentará desafios em seu próximo governo com a saída de um dos seus principais parceiros comerciais, o Reino Unido, da União Europeia.