Rússia e China vetam resolução dos EUA que exigia eleições na Venezuela

 – Um texto alternativo russo, que pedia respeito à soberania venezuelana, também não conseguiu os votos necessários no Conselho de Segurança   – A solução para a crise na Venezuela não chegará pela via das Nações Unidas depois do enfrentamento encenado nesta quinta-feira pelas grandes potências mundiais no Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos viram como a Rússia bloqueou, juntamente com a China, a resolução que exigia que o regime de Nicolás Maduro permitisse a entrada da ajuda humanitária e reclamava a convocação imediata de eleições. Logo depois, as principais potências ocidentais rejeitaram a contramoção russa, que exortava a comunidade internacional a se comprometer a respeitar a soberania venezuelana. Foi a terceira vez em um mês que o órgão que cuida da paz e da segurança mundial debateu a situação na Venezuela. Washington, que junto com cinquenta países apoia o líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino, recebeu os nove votos necessários para que seu esboço de proposta fosse aprovado. Mas a Rússia e a China, que apoiam Maduro, recorreram ao seu poder de veto dentro do Conselho de Segurança.   O texto norte-americano apontava Maduro como o único responsável pelo colapso econômico do país sul-americano. E, para evitar que a situação se degradasse ainda mais, sugeria duas coisas: que se permitisse a “entrada sem obstáculos” da ajuda humanitária para dar assistência aos mais necessitados e que fossem convocadas “eleições livres, justas e credíveis” com a presença de observadores internacionais. Pedia também ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que negociasse um acordo para a realização de novas eleições e pedia apoio à “restauração pacífica da democracia e do Estado de direito”. Por último, ressaltava a importância de garantir a segurança dos deputados e membros da oposição, embora evitasse manifestar total apoio à Assembleia Nacional.   O embaixador russo, Vasily Nebenzya, afirmou que “o mais importante é que os venezuelanos resolvam os problemas sozinhos”. Se a resolução dos EUA tivesse sido adotada, acrescentou o representante do Kremlin, “teria sido a primeira vez que o Conselho ignorava o presidente de um país e nomeava outro”. A única coisa que a Casa Branca deseja, acrescentou, é que haja uma mudança de Governo na Venezuela, com a desculpa da intervenção humanitária.   O projeto de resolução de Moscou era muito diferente. Não mencionava sequer uma vez a situação humanitária e estava centrado em destacar a preocupação com as “tentativas de intervenção em assuntos internos”, bem como “as ameaças de uso da força”. A esse respeito, a Rússia pedia uma “solução política” e “pacífica” da crise. E ressaltou que Maduro — seu aliado na Venezuela — é o único que tem autoridade para solicitar a assistência.   O embaixador francês François Delattre, que votou contra a resolução russa, insistiu que a “crise política requer uma resposta política”. “É importante promover uma solução pacífica e evitar o uso da força, bem como qualquer forma de violência”, disse. Paris deu nesta quinta-feira seu apoio à iniciativa norte-americana porque considera que o texto não representa uma base legal para o uso da força ou uma tentativa de minar a soberania. O esboço apresentado pela Rússia, acrescentou Delattre, não refletia a realidade que o país atravessa e também não oferecia uma solução. “Cria a ilusão de uma Venezuela pacífica. E ninguém pode negar a crise humanitária e as consequências para a região”.   Por seu lado, a representante britânica Karen Pierce insistiu que a situação é “extremamente triste” e que o correto é que o Conselho de Segurança a aborde. “Não é nenhum segredo que não estamos unidos e é decepcionante”, admitiu a embaixadora do Reino Unido — um país que se alinhou nesta quinta-feira — “mas não se pode maltratar as pessoas com impunidade”. Pierce não acredita que essa ruptura coloque a ONU em um beco sem saída. “Temos de continuar tentando que a ajuda chegue e se consiga uma solução democrática” para a crise. “É uma grande esperança, os venezuelanos não merecem menos.”   O ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, já disse na terça-feira que os EUA e seus aliados tentam usar a crise humanitária como pretexto para intervir militarmente em seu país e culpou as sanções pela situação de penúria em seu país. O enviado norte-americano para a Venezuela, Elliott Abrams, voltou a dizer que “a solução para a miséria e a tirania” do regime de Maduro é convocar eleições.   Rússia e China vetam na ONU resolução dos EUA que exigia eleições na Venezuela Um texto alternativo russo, que pedia respeito à soberania venezuelana, também não conseguiu os votos necessários no Conselho de Segurança Otros   Enviar por correo Imprimir SANDRO POZZI Twitter Nova York 28 FEV 2019 – 22:33 BRT Sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas BEBETO MATTHEWS AP A solução para a crise na Venezuela não chegará pela via das Nações Unidasdepois do enfrentamento encenado nesta quinta-feira pelas grandes potências mundiais no Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos viram como a Rússia bloqueou, juntamente com a China, a resolução que exigia que o regime de Nicolás Maduro permitisse a entrada da ajuda humanitária e reclamava a convocação imediata de eleições. Logo depois, as principais potências ocidentais rejeitaram a contramoção russa, que exortava a comunidade internacional a se comprometer a respeitar a soberania venezuelana.

Entenda o que está acontecendo na Venezuela – Via Brasil de Fato

Nicolás Maduro tem como desafio pacificar uma Venezuela, convulsionada pelos protestos oposicionistas A Venezuela vive uma complexa crise política e econômica, que se arrasta por quase quatro anos. No centro do turbilhão está o governo de Nicolás Maduro, eleito em abril de 2013. Herdeiro político do ex-presidente Hugo Chávez, Maduro chegou ao poder em meio à comoção pela morte do líder que, além de impulsionar a chamada Revolução Bolivariana, colocou o país petroleiro no mapa geopolítico mundial. A ausência de Chávez, no entanto, fortaleceu a oposição que não deu trégua ao governo Maduro, primeiro desconhecendo a vitória, passando por tentativas de tirá-lo do poder por meio de referendo ou promovendo protestos constantes que paralisam o país. Maduro tem como desafio maior pacificar uma Venezuela, convulsionada pelos protestos oposicionistas e por uma brutal guerra econômica, que gera desabastecimento de alimentos e produtos básicos. Para reagir no campo da política, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte para discutir com os venezuelanos os rumos do país. O Brasil de Fato acompanhou esse processo de perto e publica as reportagens especiais produzidas por enviados especiais ao país caribenho.

Alexandria Ocasio-Cortez, o fenômeno da nova esquerda em Washington

Congressista de 29 anos se transforma em um fenômeno de massas.Ela conseguiu colocar o socialismo no coração do debate político norte-americano O gabinete de Alexandria Ocasio-Cortez é inconfundível no final de um dos longos corredores do edifício Cannon do Congresso. Um mural de post-it coloridos dos dois lados da porta quebra a harmonia na fileira de escritórios uniformes pelos quais é preciso passar para se chegar ao seu: o de Andy Levin, representante por Michigan; o de David Scott, pela Geórgia; e o de John Ractliffe, pelo Texas. Nenhum deles possui também diante de sua porta um grupo de garotas em viagem de estudos que na quarta-feira monta guarda para ver em pessoa a inquilina do número 229 como quem aguarda Madonna na saída de um show. “Está ali… A-O-C!”, grita de repente uma das jovens. “Amamos você!”, exclama outra. De fato, como se fosse uma estrela pop, Ocasio-Cortez saiu por uma porta secundária. Ao ouvir suas iniciais, já transformadas em uma espécie de marca pessoal, volta e cumprimenta com um sorriso do tamanho do Capitólio. Desde sua estreia na Câmara de Representantes em 3 de janeiro, Alexandria Ocasio-Cortez colocou Washington de pernas para o ar. Transforma tudo o que toca em ouro midiático, arrasta hordas de millenials e colocou as propostas mais esquerdistas do espectro ideológico americano no centro de debate. Para entender a magnitude do fenômeno que significa essa mulher de 29 anos, a mais jovem da história a chegar ao Congresso norte-americano, é preciso lembrar que há pouco mais de um ano trabalhava em um restaurante em Nova York. Sua vitória nas primárias do ano passado, contra um veterano de renome do Partido Democrata, foi um feito extraordinário. Representante de um distrito muito progressista da cidade, Queen-Bronx, tinha garantida a eleição em novembro. Agora, de sua cadeira no Congresso, deixou de ser uma história curiosa. Em um país que ainda associa o termo socialismo às ditaduras comunistas, Ocasio se diz socialista democrata, da mesma forma que Bernie Sanders, e pede imposto de até 70% aos rendimentos superiores a 10 milhões de dólares, proposta que foi elogiada por economistas de viés progressista como o Nobel Paul Krugman. E com o debate migratório no olho do furacão, pede o desmantelamento da polícia de fronteira (ICE, na sigla em inglês), medida que depois foi apoiada por outros democratas, como a pré-candidata presidencial Kirsten Gillibrand. Tudo, de um monumental alto-falante. Seu primeiro discurso no plenário da Câmara, de quatro minutos, bateu os recordes de audiência da história do C-SPAN, o canal que cobre a atividade parlamentar. Em apenas 12 horas foi visto por um milhão de pessoas. Mas isso não é nada comparado com o que aconteceu semanas depois. Seu interrogatório em uma audiência sobre o financiamento de campanhas, em que expôs todos os buracos pelos quais pode entrar a corrupção de políticos e grandes empresas, destroçou parâmetros na Internet com 37 milhões de visualizações. Ela se multiplica nas redes sociais: criou uma audiência fiel no Instagram, onde conta o dia a dia menos conhecido do Congresso, e seu volume de interações no Twitter supera o de qualquer grande veículo de mídia e qualquer outra figura democrata, incluindo Barack Obama, e republicana, com a exceção de Trump, o único que a supera, de acordo com um relatório do site Axios sobre um período que vai de 17 de dezembro a 17 de janeiro. A porta do gabinete da congressista Ocasio-Cortez no Capitólio, em Washington “Ela produz uma espécie de efeito Oprah Winfrey. Oprah tem um status de celebridade que faz com que quando apresenta alguma coisa ao público, um novo creme, um novo livro, novos tênis… Todo mundo se interessa, aquilo se transforma em uma febre. A política é diferente, mas está acontecendo algo parecido. Ocasio fala de coisas que provavelmente já foram ditas antes, mas não haviam conseguido prender a atenção das pessoas dessa forma”, diz por telefone Stephanie Kelton, ex-economista-chefe dos democratas para o Comitê Orçamentário e agora professora de políticas públicas na Stony Brook University. “Ela é bem-sucedida por uma combinação de fatores. É muito dinâmica, tem senso de humor e é, principalmente, muito autêntica, chega à política sem ter ficado anos se preparando para isso e tem esse olhar fresco sobre o que acontece em Washington. Viu o que ela acabou de escrever sobre os indigentes?”, diz Kelton. Na quarta-feira a congressista publicou a foto de uma fila de pessoas sem teto em um corredor do Congresso denunciando o que é uma velha prática na capital: os lobistas pagam os pobres para que façam fila por eles nos comitês e audiências e assim ter um lugar assegurado na sala. “Choque nem de longe chega a descrever isso”, disse. Uma pergunta feita frequentemente por seus críticos é quanto essa fanfarronice se traduzirá em legislação. Não é praxe esperar muito de um congressista novato, menos ainda em seus primeiros meses na ativa, mas tudo o que envolve a jovem e atraente Ocasio é excessivo, incluindo as expectativas. O que parece evidente é sua capacidade de agitar o debate político e obrigar o Partido Democrata a se perguntar — mais uma vez — seu ser ou não ser. Se o caminho da vitória à Casa Branca em 2020 passa por conseguir amarrar o centro ou pela guinada à esquerda. Green New Deal contra os moderadosUm grande exemplo é o Green New Deal, um ambicioso plano de meio ambiente de nome rooseveltiano apresentado em 7 de fevereiro com um senador por Massachusetts. Como forma de resolução, pretende transformar a economia de forma a permitir 100% de energias limpas até 2050. O lançamento causou ceticismo entre alguns democratas. A líder no Congresso, Nancy Pelosi, mostrou desdém em uma entrevista ao site Politico, ainda que depois tenha se retratado. “Será uma das muitas propostas que receberemos”, afirmou. “O green dream [sonho verde] ou seja lá como se chama, ninguém sabe o que é, mas tentarão alcançá-lo, não?”. De fato, Ocasio-Cortez não faz parte do Comitê sobre a crise climática que Pelosi apresentou

O horror cresce no Iêmen por causa da Arábia Saudita e EUA

 No Iêmen, o país sobre o qual desabou uma guerra devastadora liderada pela Arábia Saudita com o apoio dos EUA e outras potências ocidentais, as coisas vão de mal a pior de acordo com recentes denúncias de atrocidades cometidas contra a martirizada população. Por Guillermo Alvarado, da Radio Havana Club Al Yunaid, membro do denominado governo de salvação nacional criado pelos rebeldes hutis, afirmou que a coalizão agressora utiliza contra vilarejos e cidades armas proibidas em nível mundial. Tais ataques, garantiu, potenciam a propagação de inúmeras doenças, como a cólera, o sarampo, a difteria, gripe e outras. Um dos fatores assinalados pelos especialistas como chave na rápida propagação da epidemia de cólera – considerada a mais grave e espalhada do planeta pela Organização Mundial da Saúde – é justamente a destruição da infraestrutura sanitária, do sistema de água e esgoto e a acumulação de toneladas de lixo nas ruas. Centenas de milhares de pessoas se acham entulhadas em acampamentos que carecem dos serviços mínimos indispensáveis e onde faltam medicamentos, alimentos e pessoal para atender às necessidades da população civil, a principal vítima de um conflito imposto que completará quatro anos no próximo dia 25 de março. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha informa que o Iêmen é palco da pior crise humanitária no planeta: 22 milhões de pessoas necessitam ajuda para sobreviver, muitas delas estão à beira da fome. Além dos bombardeios, combates e doenças, os iemenitas têm de lidar com as minas plantadas pelas duas partes em conflito, ou seja, os hutis e as tropas leais ao presidente Abdrabbuh Mansour Hadi, que é apoiado pela coalização agressora formada por Arábia Saudita e países ocidentais. A organização Médicos sem Fronteiras assinalou que de três pessoas feridas pelas minas uma é criança, o que está causando uma geração com graves mutilações, outro grave problema de longo prazo. Em dezembro passado, na Suécia, se obteve um limitado acordo de paz, mas falta muito para conseguir o cessar-fogo efetivo, a troca de prisioneiros e destravar o acesso à ajuda humanitária, indispensável para salvar muitas, talvez milhões de vidas. O drama se passa diante de governos, grandes meios de comunicação e organizações internacionais que assistem indiferentes, a reação tem sido lenta demais, talvez porque se trata do país mais pobre no mundo árabe. O Iêmen não tem grandes recursos naturais, mas se situa num dos extremos que comunicam o Mar Vermelho com o canal de Suez, por onde passam todos os dias milhões de barris de petróleo, razão suficiente para desencadear o desejo de grandes produtores e consumidores de controlar esta estratégica passagem. Sem dúvida, o óleo é a principalmente causa desta guerra tão cruel.  Fonte: i21

Intelectuais latinoamericanos se solidarizam com os venezuelanos

Eles rejeitam o autoritarismo de Maduro e a autoproclamação de Guaidó, ao pedir saída democrática A crise política na Venezuela, entre uma guerra civil e uma intervenção internacional, reflete um dos piores sinais de nossos tempos: a impossibilidade da política, intolerância, a violência e a saída da democracia. O desafio que o povo venezuelano enfrenta não é algo específico a sua história e restrito a suas fronteiras, mas comum a nossa geração, e por isso merece atenção, engajamento e uma nova solidariedade para a defesa da democracia e da autodeterminação para que o povo venezuelano construa a sua história e seja protegida a sua Constituição.É preciso construir uma solução além do autoritarismo de maduro e do intervencionismo norte-americano. Nesse sentido que eu assino embaixo uma carta coletiva de intelectuais latinos americanos, a qual publico em primeira mão em português para que mais brasileiras e brasileiros possam se solidarizar com o povo hermano venezuelano lutando contra a vergonhosa e submissa ao imperialismo norte-americano política externa do governo Bolsonaro. Se tivemos experiências de golpes e ditaduras patrocinadas pelos EUA na América Latina no passado, é hora de nos unirmos em busca de democracia, autonomia, liberdade e emancipação. Declaração internacional Conter a escalada do conflito político na Venezuela. Contra a intervenção imperial. Para uma solução democrática, desde e para o povo venezuelano A Venezuela vive uma crise sem precedentes, que veio agravando paulatinamente nos últimos anos, ao ponto de afetar dramaticamente todos os aspectos da vida de uma nação. O colapso dos serviços públicos, derrocada da indústria petroleira e a queda extraordinária do PIB, a hiperinflação, o aumento vertiginoso da pobreza, a migração de milhões de pessoas definem essa crise, entre outros fatores. O conflito política chegou a níveis muito perigosos, minando o Estado de Direito, o marco da convivência social e a saúde das instituições. A população do país se encontra em um estado de absoluta vulnerabilidade. O governo de Nicolás Maduro avançou em direção ao autoritarismo, suprimindo de fato numerosas formas de participação popular que haviam conseguido se estabelecer desde o início do processo bolivariano. Aumentou a repressão frente aos numerosos protestos e mostras de descontentamento social; sequestrou a via eleitoral como mecanismo de tomada de decisões coletivas e se mostrou intransigente em sua meta de manter-se no poder a qualquer custo; e tem governado à margem da Constituição, aplicando um estado de exceção permanente. Entretanto, avança no aprofundamento do extrativismo e na aplicação de políticas econômicas de ajuste que favorecem as corporações transacionais, e impactam negativamente a sociedade e a natureza. Em paralelo, os setores extremistas do da bancada de oposição que conseguiram encabeçar distintas mobilizações, impulsionaram vários chamados para uma saída forçada e radical do governo de Maduro (em 2014 e 2017), o qual tem gerado sérios confrontos violentos e ataques a infraestruturas. Isto contribuiu ao estrangulamento da vida cotidiana de milhões de pessoas e afetou severamente o marco de convivência pacífica. Além disso, no marco de um ápice e alinhamento das direitas na América Latina, se intensificou a intervenção estrangeira, principalmente do governo dos Estados Unidos, o qual desde 2015 assumiu uma posição muito mais agressiva com a Venezuela, através de Ordens Executivas, declarações de ameaças, criação de lobbies regionais e internacionais contra o governo Maduro e sanções econômicas que impactaram a economia nacional. Outros atores internacionais como a China e a Rússia incidiram significativamente no curso desses acontecimentos a partir de seus próprios interesses expansionistas e apetites econômicos e energéticos, configurando uma situação geopolítica extremamente tensa. A autoproclamação do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como “presidente interino” da Venezuela para encabeçar um governo de transição, em 23 de janeiro de 2019, desencadeou uma nova escalada da crise. Esta intenção de criar um Estado paralelo no país encontrou um rápido reconhecimento do governo dos Estados Unidos, assim como de outros países aliados como Canadá, Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Peru, Equador, Paraguai, entre outros. A criação de um Estado paralelo centrado na Assembleia Nacional e no Supremo Tribunal de Justiça no exílio, apoiado pelos Estados Unidos e o chamado Grupo de Lima, abre o cenário para um aprofundamento da crise e o desencadeamento de um conflito interno armado, uma guerra civil com a participação internacional. Um cenário devastador para a população e para a República venezuelana, a qual poderia se desmembrar e ser objeto de rapina por diferentes interesses internacionais, como tem acontecido em outras regiões do mundo como consequência das intervenções imperialistas recentes. A agressiva pressão do governo dos Estados Unidos, assim como os confrontos diplomáticos entre este e o governo venezuelano, criam situações muito perigosas. A situação gerada não apenas representa uma ameaça à possibilidade da democracia, senão a vida de milhões de venezuelanos e a estabilidade da região. Em um confronto armado, são os povos os principais afetados, ainda mais na atual situação da Venezuela aonde a população já vive uma enorme precariedade e violência no marco de disputas territoriais. Nesse sentido, nos que assinamos, Rejeitamos o autoritarismo do governo Maduro, bem como a repressão governamental frente ao crescimento dos protestos em todo o país, por alimentos, transporte, saúde, participação política, serviços públicos, salários dignos, entre outros. O povo venezuelano, que sofre a enorme precariedade e a atual repressão, tem o direito de protestar sem ser criminalizado por isso.Rejeitamos a autoproclamação de Juan Guaidó e a criação de um Estado paralelo no país, que apenas levará a mais conflitos e não resolverá os principais problemas que o país enfrentaRepudiamos qualquer atalho político antidemocrático que não contribua a uma solução pacífica e decidida pelo povo.Rejeitamos o intervencionismo estadunidense, assim como qualquer outra forma de ingerência estrangeira. A Venezuela não deve se tornar um campo de batalha internacional. É o povo venezuelano quem deve decidir o seu destino. Convidamos os povos a apoiar e acompanha-lo nesse sentido.Fazemos um apelo urgente para a convergência de atores políticos e organizações sociais para unir forças com o objetivo de impedir a escalada do conflito político na Venezuela.Incitamos a promoção de cenários de diálogo e a buscar soluções em que

Papa Francisco contraria os imbecis do movimento Escola Sem Partido

 PAPA DEFENDE EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS: ‘SEXO NÃO É MONSTRO’  – O papa Francisco disse nesta segunda-feira (28) que o sexo não é um “monstro” e que é preciso ter aulas de educação sexual nas escolas. A declaração foi dada a jornalistas durante o voo que o levou de volta à Itália após uma viagem de cinco dias ao Panamá, onde presidiu a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2019. Para o Papa, “o ideal” é que as primeira noções de educação sexual “comecem em casa, com os pais. Nem sempre é possível por causa de muitas situações familiares, ou porque não sabem como fazê-lo. A escola compensa isso e deve fazê-lo” -a afirmação é o oposto do que prega o movimento Escola Sem Partido, que tem como um de seus pilares os fundamentalistas católicos. Segundo o santo padre, “é o dom de Deus para amar e se alguém o usa para ganhar dinheiro ou explorar o outro, é um problema diferente”. “Precisamos oferecer uma educação sexual objetiva, como é, sem colonização ideológica”, completou. Ele ainda diz que se “nas escolas se dá uma educação sexual embebida de colonizações ideológicas” e que tal fato “destrói a pessoa”. “O sexo como dom de Deus deve ser educado, não rigidamente. Educado, de ‘educere’, para fazer emergir o melhor da pessoa e acompanhá-la no caminho”, afirma. O Papa reforça que “o problema está nos responsáveis ​​pela educação, seja a nível nacional, seja local, como também em cada unidade escolar: quem são os professores para isso, que livros de textos usar”.”Eu vi de todos os tipos, há coisas que amadurecem e outras que causam danos. Precisamos dar educação sexual para as crianças”, disse o Papa.

Recepção em Davos para Netanyahu e Bolsonaro: Não são bem-vindos

ESCRACHO E PROTESTO EM DAVOS PARA BOLSONARO E NETANYAHU   – Antes mesmo de chegar em Davos, o presidente extremista brasileiro Jair Bolsonaro já era aguardado com protestos. Um cartaz com as fotos do premiê israelense Benjamin Netanyahu e Bolsonaro com os dizeres “Não são bem-vindos” emergiu nas manifestações de praxe que precedem o Fórum Internacional. Será a primeira viagem internacional de Bolsonaro como presidente eleito. A reportagem do portal UOL destaca a partida do presidente: “o presidente Jair Bolsonaro (PSL) embarcou neste domingo (20) na base aérea de Brasília rumo à reunião do Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos. Esta será a primeira viagem internacional após o presidente tomar posse no cargo. O Fórum Econômico Mundial reúne empresários e lideranças das principais economias do mundo.” Segundo a matéria, “Bolsonaro partiu em voo da FAB acompanhado dos ministros Paulo Guedes (Economia), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Sergio Moro (Justiça) e Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência). O embarque ocorreu por volta de 22h na base aérea de Brasília. Em uma cerimônia simbólica, Bolsonaro passou a Presidência ao vice Antônio Hamilton Mourão (PRTB). Ele se torna presidente em exercício quando a aeronave da FAB deixar o espaço aéreo brasileiro nas próximas horas.”

Pesquisa expõe assédio sexual na ONU nos últimos dois anos

Um terço de um grupo de mais de 30 mil funcionários efetivos e terceirizados das Nações Unidas sofreu assédio sexual no interior do organismo ou em eventos de trabalho nos últimos dois anos, apontou um levantamento inédito sobre o tema. O secretário-geral da ONU, António Guterres, avaliou que a pesquisa revela “algumas estatísticas alarmantes e evidencia o que é preciso mudar” para melhorar o ambiente de trabalho da organização. Um total de 30.364 pessoas participou da pesquisa, que consistia no preenchimento de um questionário confidencial online. O número de participantes representa apenas 17% dos que trabalham para a organização. Guterres classificou a participação no levantamento de “moderadamente baixa”. “Isso me diz duas coisas: primeiro, que nós ainda temos um longo caminho pela frente antes de conseguirmos discutir completa e abertamente o assédio sexual; e segundo, que também pode haver um contínuo senso de desconfiança, percepções de passividade e de falta de responsabilização”, escreveu. Um em cada três entrevistados (33%) relatou ao menos uma situação de assédio sexual nos últimos dois anos. A percentagem chega a 38,7% quando considerados aqueles que relataram algum tipo de assédio sexual durante todo o tempo de atuação nas Nações Unidas. Ainda de acordo com o relatório, 21,7% dos participantes disseram ter ouvido histórias sexuais ou piadas ofensivas, 14,2% afirmaram ter sido alvo de comentários ofensivos sobre sua aparência, corpo ou atividades sexuais, e 13% sofreram tentativas indesejadas de atraí-los para conversas indesejadas sobre questões sexuais. Outros 10,9% disseram ter sido sujeitos a gestos ou uso de linguagem corporal de natureza sexual que os envergonhou ou ofendeu, e 10,1% disseram ter sido tocados de maneira que os deixou desconfortáveis. Dois de cada três assediadores eram homens. Mais da metade das vítimas relatou que os atos aconteceram no ambiente de trabalho, enquanto 17,1% disseram que os atos ocorreram em eventos sociais relacionados ao trabalho. Apenas uma em cada três pessoas disse ter tomado medidas após sofrer o assédio sexual. Guterres também declarou que os índices são comparáveis aos de outras organizações, mas que as Nações Unidas – que defendem igualdade, dignidade e direitos humanos – devem estabelecer um padrão mais elevado. Nos últimos anos, a ONU tem tentado aumentar a transparência e fortalecer a forma como lida com alegações do tipo depois que uma série de acusações de exploração sexual e abuso foram feitas contra funcionários na África. Em dezembro, o chefe da agência da ONU para HIV e aids (Unaids), Michel Sidibé, anunciou que vai deixar o cargo em junho, seis meses antes do fim de seu mandato. O anúncio da antecipação da saída ocorreu após um grupo independente indicar que a “liderança falha” Sidibé, tolerou “uma cultura de assédio sexual, bullying e abuso de poder” no órgão. No ano passado, o diretor-adjunto do Unaids, o brasileiro Luiz Loures, renunciou ao cargo após ser acusado de assédio sexual. Ele foi absolvido em uma investigação interna por falta de provas, mas o caso acabou arranhando a imagem da agência.

Pesquisa expõe assédio sexual na ONU nos últimos dois anos

Um terço de um grupo de mais de 30 mil funcionários efetivos e terceirizados das Nações Unidas sofreu assédio sexual no interior do organismo ou em eventos de trabalho nos últimos dois anos, apontou um levantamento inédito sobre o tema. O secretário-geral da ONU, António Guterres, avaliou que a pesquisa revela “algumas estatísticas alarmantes e evidencia o que é preciso mudar” para melhorar o ambiente de trabalho da organização. Um total de 30.364 pessoas participou da pesquisa, que consistia no preenchimento de um questionário confidencial online. O número de participantes representa apenas 17% dos que trabalham para a organização. Guterres classificou a participação no levantamento de “moderadamente baixa”. “Isso me diz duas coisas: primeiro, que nós ainda temos um longo caminho pela frente antes de conseguirmos discutir completa e abertamente o assédio sexual; e segundo, que também pode haver um contínuo senso de desconfiança, percepções de passividade e de falta de responsabilização”, escreveu. Um em cada três entrevistados (33%) relatou ao menos uma situação de assédio sexual nos últimos dois anos. A percentagem chega a 38,7% quando considerados aqueles que relataram algum tipo de assédio sexual durante todo o tempo de atuação nas Nações Unidas. Ainda de acordo com o relatório, 21,7% dos participantes disseram ter ouvido histórias sexuais ou piadas ofensivas, 14,2% afirmaram ter sido alvo de comentários ofensivos sobre sua aparência, corpo ou atividades sexuais, e 13% sofreram tentativas indesejadas de atraí-los para conversas indesejadas sobre questões sexuais. Outros 10,9% disseram ter sido sujeitos a gestos ou uso de linguagem corporal de natureza sexual que os envergonhou ou ofendeu, e 10,1% disseram ter sido tocados de maneira que os deixou desconfortáveis. Dois de cada três assediadores eram homens. Mais da metade das vítimas relatou que os atos aconteceram no ambiente de trabalho, enquanto 17,1% disseram que os atos ocorreram em eventos sociais relacionados ao trabalho. Apenas uma em cada três pessoas disse ter tomado medidas após sofrer o assédio sexual. Guterres também declarou que os índices são comparáveis aos de outras organizações, mas que as Nações Unidas – que defendem igualdade, dignidade e direitos humanos – devem estabelecer um padrão mais elevado. Nos últimos anos, a ONU tem tentado aumentar a transparência e fortalecer a forma como lida com alegações do tipo depois que uma série de acusações de exploração sexual e abuso foram feitas contra funcionários na África. Em dezembro, o chefe da agência da ONU para HIV e aids (Unaids), Michel Sidibé, anunciou que vai deixar o cargo em junho, seis meses antes do fim de seu mandato. O anúncio da antecipação da saída ocorreu após um grupo independente indicar que a “liderança falha” Sidibé, tolerou “uma cultura de assédio sexual, bullying e abuso de poder” no órgão. No ano passado, o diretor-adjunto do Unaids, o brasileiro Luiz Loures, renunciou ao cargo após ser acusado de assédio sexual. Ele foi absolvido em uma investigação interna por falta de provas, mas o caso acabou arranhando a imagem da agência.

New York Times – Leis afrouxadas na capital mundial do assassinato

 – A repercussão sobre a liberação da posse de armas no Brasil teve impacto negativo no mundo. O jornal americano New York Times escreveu que as leis foram afrouxadas na “capital mundial do assassinato”. Já o Financial Times lembrou que 61% dos entrevistados pelo Datafolha em dezembro no país afirmaram ser contra a liberação da posse de armas de fogo. O britânico The Guardian afirmou, com base em um estudo da ONG Sou da Paz, que o volume de registro de novas armas no Brasil aumentou de 3.900 para 33 mil em dez anos. A reportagem do jornal Folha de S. Paulo sublinha ainda que “os jornais argentinos La Nación e Clarín foram outros que destacaram a medida. ​A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na tarde desta terça e tem efeito imediato. O texto (…) estende o prazo de validade do registro de armas de 5 para 10 anos e cria pré-requisitos objetivos que precisam ser apresentados a um delegado da Polícia Federal para autorização da posse.” “Também limita para quatro a quantidade de armas que uma pessoa pode comprar, com exceção daqueles que comprovarem a necessidade de ter mais do que isso, e exige que aqueles que vivam com crianças, adolescentes ou pessoas com deficiência apresentem uma declaração de que a residência possui cofre ou local seguro com tranca para guardar o armamento.”